Aquela Garota

14 Outra Pessoa


13. Outra Pessoa

Bella POV

Ansiosa. Era assim que eu estava sentada a mesa com Emmett e Renée me encarando enquanto tomávamos café-da-manhã. Seria um grande, grande, enorme dia. De uma única cor. E eu não esperava por ver como tudo seria.

– E então... – Renée começou, me olhando desconfiada. – Algo novo hoje?

– O que? – bufei e revirei os olhos. – Nada. Vai ser sempre o mesmo tédio.

– Sem atrapalhar a vida do John?

– Sem atrapalhar a vida do John. – assenti.

Renée se preocupava com a saúde do John, já que era possível que algum dia eu lhe desse algum ataque cardíaco ou derrame cerebral com as coisas que aprontava. Ela e ele eram grandes amigos pela quantidade de vezes em que Renée foi me buscar na escola ou chamada apenas para conversar sobre meus demônios interiores.

– Eu espero mesmo, Bella. Sem nada novo, por favor. – Renée pediu e fez uma cara de puro sofrimento e dor. – Promete?

– Prometo. – assenti com a cabeça e Emmett gargalhou. – Fica na sua!

– Eu estou na minha. – resmungou e virou para mamãe com um sorrisinho cínico. – Mãe, você percebeu como Bella está parecendo... Ansiosa?

Renée me avaliou e eu coloquei minha melhor expressão de carranca para ela enquanto mastigava meu cereal. Emmett era simplesmente um babaca que queria deixar Renée ainda mais paranoica sobre esse dia. Não duvido nada que a primeira coisa que ela tenha pensado quando acordou foi “Bella vai aprontar.” Isso é um sexto sentido dela, coisa de mãe que tem uma filha hiperativa e que, além disso, sempre apronta.

– É... – ela murmurou e nós nos encaramos nos olhos. – Bella...

– Eu estou bem! – levantei rápido da cadeira, peguei minha mochila que estava pendurada e peguei uma maçã de forma escondida que nem Renée nem Emmett vissem. Vamos se disser que maçãs me deixavam ainda mais animada. – Eu já prometi que não vou aprontar nada, leve a sério.

– Isso? – Emmett explodiu em uma gargalhada.

– Cala a boca! – gritei para ele que continuou rindo. – Eu vou indo pra escola porque não aguento mais isso.

Eu deixei para trás uma Renée paranoica falando todos os cuidados que deveria ter e ficar longe de encrencas, e um Emmett que se divertia a minha custa. Ele, mais do que ninguém, sabia quando eu estava ansiosa, pois era um dos que mais estavam comigo quando eu aprontava. E era por isso que Renée só pioraria o ouvindo.

Assim que saí de casa automaticamente meus olhos foram para o quintal vizinho enquanto eu dava uma mordida na minha maçã. Não era algo que eu conseguisse controlar, eu estava sempre procurando por Edward quando podia. Quando estava na varanda, ou quando saia de casa pela manhã, nas trocas de aulas que não tínhamos juntos... E isso começava a me irritar.

Como se fosse sincronia Edward abriu a porta dele no mesmo momento e assim que me viu ele abriu aquele preguiçoso sorriso de canto que me fazia perder o ar. Sabe, como da primeira vez que eu vi ele e fiquei toda idiota e essas coisas. E pior é que eu continuava com a maçã na boca, parecendo ainda mais pateta. Eu estava ultimamente conseguindo controlar essas coisas, mas essa manhã especialmente Edward estava ainda mais bonito. Talvez fosse a cara de sono dele ou a camiseta de banda junto com a cara de sono e o cabelo ainda mais desorganizado. Seja lá o que era, mas ele estava muito lindo.

– Bom dia, vizinha. – falou passando para o meu lado do quintal.

Edward se aproximou e pegou a maçã da minha boca, dando uma mordida ao mesmo tempo em que me abraçava com um braço só. A visão dele dando uma mordida na minha maçã me fez ficar ainda mais perdida em pensamentos com aquela boca... E Edward apertou meu ombro e me balançou um pouco, fazendo com que eu saísse do transe e correspondesse o sorriso e o abraço.

– Bom dia, vizinho. – o cumprimentei. – Gostando da maçã?

– Está boa. – ele assentiu e nós rimos. – Você vai hoje com o Emmett?

– Não. – bufei, voltando a raiva do meu irmão. – Não quero nem ver a cara dele hoje.

– É lindo esse amor entre vocês. – Edward ironizou e eu revirei os olhos. – Então quer uma carona, vizinha?

Edward apontou com a cabeça para o Volvo dele estacionado em frente sua casa. Eu nunca havia estado em seu carro já que assim como Rose e eu, Edward havia se acostumado a andar para todos os lugares e o único lugar que ele ia de carro era para escola – e eu ia com Emmett ou com meu Jipe. Então aquela era a primeira vez que ia de carona com Edward para a escola.

– É sempre bom ter um vizinho-motorista particular, não é? – brinquei e Edward riu.

– Sempre as ordens. Pra qualquer coisa. – e no fim ele piscou.

– Bom saber disso. – mordi o lábio inferior e ergui uma sobrancelha, continuando o flerte.

Eu não sabia que era boa com flertes até Edward se tornar meu vizinho. Não que eu não tivesse retribuído de alguns garotos quando saía com Rosalie, mas com Edward fluía mais que naturalmente, como se apenas estivéssemos conversando e não flertando. Agora eu podia entender porque em filmes quando tinha vizinho gostoso ele sempre se pegava com a vizinha. Se for vizinho novo – que você não tenha crescido e passado a infância junto – e bonito, ia dar certo flertar.

Vendo que se eu não desse um empurrão nós íamos ficar naquele abraço parados ali, eu dei um tapa na bunda do Edward e ele arregalou os olhos. Qual é, era legal fazer isso.

– Vamos logo, garotão. Porque hoje tem uma surpresa para nós nos esperando no estacionamento.

Mesmo confuso Edward assentiu e nos guiou – comigo ainda em seu meio abraço e ele comendo minha maçã – para o carro. Provavelmente algo que deve ter aprendido com a adorável Esme, ele abriu a porta para mim de forma cavalheiro e eu pisquei um olho para ele ao mesmo tempo em que suspirava. Esse vizinho era a perfeição. Edward jogou nossas mochilas no banco de trás.

– E Renesmee? – eu perguntei para ele quando ele ligou o carro.

– Ela vai com o próprio carro hoje porque não quer ficar me esperando do treino e... Disse que ia ter umas coisas para resolver e que talvez fosse melhor ir com o dela. Eu não entendi bem. – ele deu de ombros. – Mas me diz o que é essa surpresa?

Eu abri meu melhor sorriso para ele.

– É surpresa, eu não posso falar porque senão assim estraga.

– Odeio surpresas. – ele resmungou e eu soltei uma risada.

– Relaxa sua curiosidade, Edward. Você apenas vai ver o que acontece quando Rosalie e eu não estamos bem. Apenas isso.

Edward me lançou um olhar desconfiado e eu ri novamente. Ele nos conhecia e sabia que isso era alguma merda aprontada.

No caminho Edward continuou insistindo para saber qual era a surpresa e eu neguei todas as vezes que ele perguntou, tendo que começar a fuçar no carro para que ele parasse de insistir enquanto respondia o que eu perguntava. Primeiro mexi no som do carro e o elogiei por ter Sum 41 no CD Player.

Quando eu dizia que Edward era o cara dos meus sonhos eu não estava brincando. Ele era tudo que eu gostava: nadador, legal, divertido, meio lerdinho, mas que me seguia em tudo que fosse aprontar. E caramba, ele tinha aquelas pintinhas fofas espalhadas pelo corpo – que era de nadador -, aquela bunda, aqueles furinhos em cima daquela bunda e o sorriso mais perfeito do mundo. Ele era meio ruivo e eu sou apaixonada por ruivos. E Edward não tinha vergonha na cara, simples. Ele flertava comigo e era um grande amigo, carinhoso e me ajudando se fosse coisa ruim ou não. Mas também tinha um ótimo gosto musical. E a melhor parte de todas: ele não se importava que eu fosse alguma maluca hiperativa que não parava um minuto.

Deus mandou Edward Cullen para ser o meu vizinho dos sonhos. Porque até na primeira vez que eu entro no carro dele, o garoto consegue me ter na palma da mão tendo Sum 41 no CD Player. Todos os garotos que já entrei no carro tinha algum hip hop ou apenas outra banda que eu apenas gostava. Mas Edward estava escutando Sum 41, a banda que eu era loucamente apaixonada.

– Edward, você não é real. – foi o que falei quando começou a tocar Still Waiting.

Ele riu e balançou a cabeça.

– Eu acrescentei mais musicas deles no CD MP3 que eu fiz. Mas estão todas bagunçadas.

– Não importa. Eu tenho certeza que as outras músicas que você colocou no meio das do Sum 41 devem ser boas também.

Eu continuei a fuçar no carro dele, abrindo o porta-luvas e encontrando CDs ali, como também um espelho feminino – que com certeza deveria pertencer a Renesmee – e...

– Sério que todos os carros de homem têm isso? – perguntei erguendo os pacotes de camisinha que encontrei.

Edward lançou um olhar rápido para ver o que era, e assim que ele viu sobre o que eu falava, eu vi a coisa mais adorável do mundo: suas bochechas ficaram meio rosadas. Eu nunca tinha visto meu nadador ficar constrangido com algo. Aquilo me deu vontade de morder as bochechas dele, mas eu optei por rir para não tirar a concentração dele na rua. Edward me acompanhou na risada, mesmo que a dele ainda demonstrasse sua vergonha.

– Tem que ser responsável. – falou dando de ombros como se fosse pouca coisa. – Você não acha?

– Claro que acho. – concordei. – Até no meu carro tem pacotes de camisinha.

Edward me olhou surpreso, o que só me fez gargalhar ainda mais.

– Influencia de Emmett e Rosalie. Os dois falaram para que eu colocasse porque seria uma boa. No carro deles também tem. Quero dizer... Não é como se algum deles fosse transar no meu carro, não é? Ugh! – coloquei a língua pra fora e tremi, fazendo Edward rir.

– Não, mas a dona do carro pode usar.

– Com o vizinho dela? – ergui uma sobrancelha.

– É uma possibilidade.

Eu senti meu rosto esquentar de forma violenta e apenas olhei pelo canto do olho para Edward que também estava me olhando de canto. Nós dois trocamos sorrisos e olhamos para frente.

– Você é ousado. – murmurei tentando conter uma risada.

– Culpa sua.

Eu balancei a cabeça e mordi meu lábio inferior, tentando controlar o rubor do meu rosto e um sorriso. Cada vez mais Rosalie e Tânia pareciam ter razão.

Quando Edward estacionou o carro no estacionamento da escola e veio abrir a porta para mim, entregando minha mochila, eu percebi que haviam várias cabeças viradas em nossa direção, e sabia que mais cedo que possível nós estaríamos na boca de todos. Primeiro que nós sempre estamos juntos, segundo o selinho que eu dei nele na frente de todos e agora eu chegando com ele sem Renesmee. Isso definitivamente faria rolar boatos por ai.

– Olá, docinhos! – Rosalie apareceu atrás de nós raspando seu skate no chão para poder parar. – Vieram juntos? – ela me lançou um olhar malicioso.

– Peguei carona com o vizinho. – apontei com o dedão para Edward. – E você de skate?

– Queria aproveitar que hoje não tinha nenhuma neblina do mar. – ela deu de ombros e então abriu o sorriso mais animado e virou para o ruivo. – Preparado para nossa surpresa, Edward?!

– Se eu soubesse qual seria eu até falaria se estou ou não. – murmurou emburrado.

– A Bella não lhe contou? – ela perguntou com uma falsa voz de mãezona e Edward negou fazendo um biquinho. – Nossa, que pena.

Eu me enrosquei no braço dele, me esticando nas pontas dos pés o máximo que podia e lhe dando um beijo demorado e molhado na bochecha. Rosalie fez um som de nojo porque ela odiava esse beijo que eu dava. Achei que Edward iria limpar a bochecha com a cara de nojo igual à dela, mas ele me pegou de surpresa ao retribuir o beijo da mesma forma: demorado e molhado. Eu o encarei de olhos arregalados e boca aberta.

– Que nojo! – Rosalie resmungou imitando gesto como se estivesse vomitando. – Vocês dois se merecem.

– É por isso que ele é o meu vizinho e não o seu. – falei para ela que revirou os olhos ainda com expressão de nojo.

Nós rimos e limpamos o rosto.

Emmett e Alec chegaram, fazendo nós formarmos a roda. Jasper foi o próximo a chegar.

– Hey, pessoal! – ele nos cumprimentou. – E então, eu estou curioso para saber o que você e Rosalie tinham para fazer ontem.

Rosalie ia falar mais alguma coisa, só que algo atrapalhou. Algo mais especifico como um:

– BELLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Rosalie e eu nos encaramos sorrindo maldosamente, mas também orgulhosas. Aquele grito significava que nosso trabalho tinha sido feito com sucesso.

– Edward e Jasper, aqui está a surpresa. – falei e sai do meio da roda encontrando o ponto mais rosa daquele estacionamento.

Quero dizer, não que Tânia nunca fosse o ponto mais rosa do lugar, porque ela sempre era. Rosa era a cor da Tânia, estava até na pele dela. Era capaz de Esther ter jogando ela num balde de tinta rosa ou bebido mesmo porque nada no mundo era mais rosa que Tânia Denali. Mas hoje, especialmente hoje, o dia depois do que Rosalie e eu aprontamos, Tânia estava totalmente rosa. Digo, dos pés ao cabelo.

– Tânia! – eu falei com minha voz mais falsa animada quando ela se aproximou bufando como um touro, e depois arregalei os olhos. – Oh meu Deus, o que você fez no cabelo, querida?

– O que eu fiz?! O que eu fiz?! Foi você sua maldita vadia!

Tânia tentou avançar em cima de mim e eu me preparei para o impacto e para revidar, mas alguém tinha que atrapalhar.

– Hey, hey, hey... Calma ai, Tânia. – Edward entrou na minha frente, impedindo que ela avançasse.

– Sai da minha frente, Edward, que eu vou acabar com a Isabella! – ela rosnou e tentou passar por cima dele.

– Porque comigo, Tânia? – coloquei meu tom inocente. – Qual é a minha culpa que você colocou a cabeça na maquina de lavar bem quando estava lavando suas roupas?

As pessoas que estavam a nossa volta riram. Não por causa da minha piadinha sem graça, mas porque parecia mesmo que Tânia havia feito aquilo. Seu cabelo loiro estava praticamente para cima – não literalmente – e rosa pink, combinando com sua blusa rosa com glitter e seus tênis rosa também. E não vamos esquecer a bolsa.

– Eu sei que foi você, sua vadia! Você colocou tinta rosa no meu shampoo, desgraçada! – ela rosnou. – Sai da minha frente, Edward!

– Eu não vou deixar você machucar a Bella. – ele falou a segurando pelo ombro.

– Tânia, sabia que você está arrasando pra caralho? – Emmett falou e ela lhe lançou um olhar furioso. – Garota, está na moda!

– Está mesmo. – Alec concordou prendendo um risinho.

– Gata. – Rosalie concordou para dar mais ênfase.

– Totalmente. – Jasper também assentiu.

– Viu, Tânia? Você está na moda. – eu coloquei minha cabeça por baixo do braço de Edward. – Todos estão gostando, você não está vendo?

Tânia, que ainda rosnava e bufava, olhou para todos os meus amigos que assentiu com a cabeça e depois ela olhou para o estacionamento, que estava nos encarando. Seus olhos então pararam em Brad, que se encaminhava em nossa direção. Ele parou olhando para aquele fuzuê e olhou para Tânia, sorrindo. Eu bufei e revirei os olhos.

– Cabelo legal. – elogiou e eu só faltei ver Tânia desmaiando, mas as seguidoras dela seguraram ela.

– Você acha? – perguntou com uma voz cheia de suspiro.

– Sim. É legal. – ele piscou para ela e continuou andando.

Ficamos todos quietos olhando para Brad que ia embora, depois automaticamente olhamos para Tânia.

– AIIIIIIIII MEU DEUS! – ela gritou e saltitou soltando gritinhos animados. – Ele gostou do meu cabelo! Aiiiii!

As gêmeas e Alice comemoraram com ela e novamente eu revirei os olhos. Como alguém podia ficar tão idiota porque um babaca como o Brad elogiava ela? Deus, Tânia não era da Terra. E eu estava errada que os ETs ontem estavam procurando cérebro, na verdade eles queriam era levar a alienígena que faltava no planeta deles.

Enquanto Tânia dava seus ataques o sino tocou e todos começaram a se dispersar sabendo que a briga tinha acabado e que não teria socos e tapas entre Tânia e Bella. Todos deveriam estar secos por aquilo já que fazia um bom tempo que não acontecia. Rosalie deu um tapa no ombro comemorando nosso sucesso e foi com Alec para dentro da escola, com os braços juntos. Emmett e Jasper foram logo atrás fazendo piadinhas entre eles sobre o cabelo e tênis rosa da Tânia. E então ficou apenas Edward comigo. Ele ajeitou seu braço de que forma ficasse na minha cintura e pacientemente nós esperamos que Tânia voltasse ao normal.

– Ai meu Deus! Jesus! – ela murmurou tentando respirar. Puxou o ar com força e virou para mim. – Mesmo você sendo uma vadia por ter feito isso com meu lindo cabelo, Bella, obrigada.

– De nada. – eu falei rindo.

– Quanto tempo vai demorar a sair?

– Eu acho que uma semana dependendo de quantas vezes você lavar o cabelo. – dei de ombros. – Pelo menos era isso que estava na embalagem.

– OK. É pouco tempo, mas tudo bem.

– Se você quer continuar com esse estilo é só comprar tinta rosa, Tânia. – avisei pra sua grande inteligência.

– E mostrar pro Brad que eu estou assim só porque ele gostou? Nunca! Eu não sou tão fácil. – ela fez um lance com a mão e os olhos ao mesmo tempo dando os ataques de patricinha. – Vou deixar apenas o quanto vale a tinta e culpar você. É mais fácil.

Eu olhei para Edward que prendia uma risada e balancei a cabeça. Aquela garota era uma peça rara.

– Tudo bem. Então... Vamos para a aula?

Tânia assentiu e nós começamos a seguir em direção ao prédio, mas ouvimos um grito. Olhei para trás e Renesmee vinha em nossa direção. Eu nunca a tinha visto de mau humor e aquela foi à primeira vez. Sua expressão era fechada e ela parecia com muita, muita raiva. Quando chegou perto de nós lançou um olhar frio para Alice, que a olhou confusa. Logo eu soube o que havia acontecido para ela estar daquele jeito e quis dar um beijo em Alec por ter falado. Ele e Renesmee iriam ainda mais longe, eu sabia.

– Está tudo bem? – Edward perguntou com a voz cautelosa.

– Está tudo ótimo! – ela sorriu falsamente para ele e grudou no meu braço livre já que o outro estava em volta da cintura de Edward enquanto o dele estava na minha.

E sorrindo por saber que aquele dia havia apenas começado eu sorri, seguindo para dentro do prédio com os irmãos Cullen e a tirana da Tânia Rosada e suas seguidoras.

Jasper POV

– O cabelo da Tânia ficou mesmo muito legal. – Emmett falou distraidamente enquanto seguíamos para nossa aula, que era a mesma. – Bella fez um belo trabalho.

– Claro. – assenti, rindo. – Ela aprontou ontem o look da Tânia: tênis rosa, bolsa rosa e cabelo rosa. Perfeito! – fiz uma voz fininha e nós gargalhamos. – Essa garota parece que só vê rosa na frente dela.

– E só mesmo. Desde quando me conheço por gente Tânia tem que ter nem que seja a calcinha rosa.

Eu parei, lançando o sorriso malicioso para Emmett que franziu as sobrancelhas.

– Quer dizer que você já viu a calcinha da Denali?

– O que?! Não! Nós não vivemos no mesmo mundo, ela não faz o meu tipo e... Bella me mataria se eu tivesse algo com a Tânia.

– E como você sabe da calcinha dela?

– Porque teve um dia que Tânia apareceu de branco e preto e todos estranharam, então ela e Bella saíram aos tapas e acabamos por ver a calcinha rosa da Tânia porque ela estava de saia. Simples. – ele deu de ombros.

– Certo. – assenti. – Emmett, eu posso fazer uma pergunta?

– Claro.

– O que aconteceu com seu rosto?

Emmett soltou uma gargalhada estrondosa e tocou a maça do rosto aonde tinha um vermelho de um hematoma.

– Isso, meu caro, foi o desejo.

– O que?

– O desejo. De Rosalie por mim. Ela tenta resisti aos meus encantos por trás da raiva e sempre resulta nisso. – ele apontou para o hematoma. – Toda vez que seu desejo fica incontrolável e ela não sabe o que fazer, ela transforma isso em fúria.

– Ta... Certo. – assenti tentando acreditar naquela historia de desejo e raiva. – E porque ela ficou furiosa... Quero dizer, cheia de desejo?

– Porque eu peguei na bunda dela. – disse como se fosse pouca coisa.

Os irmãos Swan não eram pessoas normais, eu já tinha percebido isso, mas cada vez mais eles conseguiam me surpreender.

– Emmett, você gosta da Rosalie?

– O que? – ele me olhou como se eu tivesse falado um absurdo e depois riu. – Não. Eu só gosto dela ser gostosa e amiga da minha irmã. Seria uma boa ter isso na minha ficha, entende? Transar com a melhor amiga gostosa da minha irmã.

O cara estava certo. Ter isso na ficha de casos era uma das melhores coisas porque todos que tinham irmãs que tinha melhores amigas gostosas precisavam pegar elas. Era quase como uma regra. Conhecia muitos caras ai que já tinham isso e não apostava em nada que Edward deveria ser um desses.

– Parece que você não está tendo muito sucesso. – murmurei em tom de provocação enquanto olhava para frente.

– Porque Rosalie é muito difícil. Mas eu ainda vou conseguir, e vou para a faculdade tendo uma estrelinha de ouro e as lembranças de Rosalie na minha cama. – ele estufou o peito todo orgulhoso.

– Rá, essa eu duvido. – gargalhei alto.

– Você está mesmo duvidando de mim? – Emmett pegou meu braço e me fez encara-lo quando paramos no corredor. – É essa porra mesmo que eu ouvi?

– Foi bem isso mesmo. Eu duvido que você consiga sequer beijar Rosalie. – ergui uma sobrancelha.

– OK! Eu não vou deixar um mané como você, Jasper, duvidar de mim. Eu vou dar uns pegas na Rosalie e ainda vou provar para você.

Ele estava ainda mais determinado do que iludido, então vi ali a chance de uma boa diversão.

– Então devemos apostar. – falei animado e vi seus olhos brilharem. – O que acha?

– Eu acho ótimo. Vamos apostar quem pega a garota que quer primeiro. Qual é a sua?

Emmett não era tão burro quanto aparentava – e demonstrava. Quando envolvia coisas erradas e que iam dar merda ele sabia ser bastante inteligente como Bella. E eu queria aquela aposta, então não custava nada entrar ainda mais nela.

– Alice Brandon. – admiti. – Ela é difícil, é um desafio, assim como Rosalie é para você.

– Sério mesmo que você quer a Brandon? – Emmett fez uma careta, mas vendo minha expressão séria, deu de ombros. – Tudo bem. Quem perder tem que dar cem dólares para o outro. Então nós temos uma aposta?

Ele estendeu sua mão para mim, que eu peguei e apertei fortemente.

– Nós temos uma aposta.

Trocamos um aperto de mão, sorrindo cumplices.

– Você é legal, Jasper. É dos nossos, sabe, nossa gangue. – ele continuou quando soltamos nossas mãos. – Que tal um pequeno desafio nessa aposta? Mais diversão e um jeito de conseguirmos o que apostamos.

– Por mim isso está legal. – dei de ombros.

– Certo. Então escute minha ideia para agora...

Emmett era maluco. Ele definitivamente era irmão da Bella. O que ele propôs era idiota, perigoso, mas legal. E eu aceitei aquilo, sabendo que matar a primeira aula só para fazer valeria a pena. E era por isso que eu estava no corredor vazio de frente ao armário da Alice tentando saber como abri-lo sem precisar quebrar nada. Emmett estava em outro corredor fazendo a mesma coisa que eu.

Mesmo eu sabendo de muitas coisas da Alice, o segredo do seu armário não era uma dessas. Também eu não precisava ir tão longe com aquilo. Eu tentei lembrar como uma vez vi meus amigos fazerem na outra escola. Era fácil, era só um cadeado de armário escolar. Eu só precisava rodar e ouvir uns cliques.

Rodei para um lado e para outro, não ouvindo nenhum clique, o que me deixou irritado. Balancei o cadeado, xingando o mundo tentando ainda abrir daquela forma, mas nada.

– Mas que porra! –rosnei dando um soco na porta e para minha surpresa ela abriu. – Caralho...

– Hey, você! – eu virei rápido para o lado e um inspetor vinha minha direção. Xinguei baixinho. – O que está fazendo fora da sala?

– Eu, er... Hm... – olhei de um lado para o outro até meus olhos caírem no armário aberto. – Eu vim buscar meu livro que tinha esquecido aqui dentro. O professor me liberou.

O inspetor ficou me encarando por alguns segundos até assentir e continuar andando. Soltei um suspiro de alivio por ele não saber que aquele não era meu armário. Passado o sufoco eu abri o armário que era decorado com fotos. Parei para olha-las, vendo algumas dela com Tânia e as gêmeas e também com... Espera, aquele não era o amigo mudo de Emmett? Que porra era aquela?

Barulho de passos me fez desviar a atenção da foto e eu peguei rápido o pequeno caderno que eu sempre via Alice andando para lá e para cá anotando coisas. Eu sabia que aquele caderno era importante para ela, o que fazia parte do desafio que Emmett falou. Assim que peguei o caderno, fechei o armário lançando um rápido olhar para a foto e dei as costas, seguindo pelo corredor.

– Você pegou? – Emmett perguntou assim que entrei no banheiro masculino.

– É claro. – eu revirei os olhos e tirei o caderno de anotação de dentro da mochila e mostrei para ele. Emmett arregalou os dele. – E você?

– Aqui! – ele balançou o CD do Linkin Park de Rosalie que era o seu favorito de todos e o mais importante. Acho que tinha alguma coisa sentimental nele. – Que tal me deixar dar uma olhada nesse caderno?

– O que? Não! – tirei o caderno do alcance de suas mãos. – Para que você quer ver o caderno dela?

– Porque tem algo ai que vai tirar minha duvida. – ele disse com pouco caso. – Qual é, vamos dar uma olhada!

– Não. – neguei novamente. – O desafio era pegar, não tinha nada de deixar você xeretar as coisas de Alice. Esse caderno pode ser muito intimo dela.

– E é! É por isso que quero dar uma olhada. Vamos lá, Jasper.

– Não. Eu não vou deixar você dar uma olhada. Nós já cumprimos a primeira parte do desafio agora é só esperar o tempo para a segunda.

Emmett resmungou algo e saiu do banheiro falando que nós veríamos na hora do almoço. Eu olhei para o caderno de Alice querendo saber o que tanto Emmett queria olhar nele. Seria algo envolvido com aquela foto da Alice com o Alec? Com certeza deveria ser.

Mesmo com a curiosidade me corroendo eu não abri o caderno de Alice... Naquela hora. Passar com ele na minha bolsa em todas as aulas até o almoço foi uma tortura longa e horrível e eu não resisti que entre uma delas abrisse o caderno para saber o que havia lá. Foi uma grande surpresa quando eu vi. Eu não conseguia acreditar que Alice era aquele tipo de garota.

Na hora do sinal do almoço eu fui pelo corredor do armário dela, encontrando-a furiosa de frente ele e xingando alto. E eu sabia que isso tinha haver com o sumiço do seu caderno. Era a hora perfeita.

– Alice? – chamei ela ao me aproximar.

Seus olhos furiosos se viraram para mim.

– O que foi? – ela foi brusca.

Eu trouxe minha mochila para frente e peguei o caderno dela, estendendo-o para ela. Alice tinha os olhos arregalados.

– Como... De onde você pegou ele?! – ela perguntou puxando rápido o caderno das minhas mãos.

Era agora que usava a desculpa que Emmett falou que ela cairia. Seria fácil e uma forma de conquistar Alice para tornar mais acessível para mim. A mesma coisa que ele faria com Rosalie.

– Eu encontrei em uma mesa da sala de Trigonometria quando estava em aula. Parece que você o esqueceu lá. – dei de ombros de forma inocente tendo orgulho de mim mesma por ser um ótimo mentiroso.

– Não... Eu não o esqueci. Alguém o pegou no meu armário. – ela olhou para o armário com uma careta.

– Esse alguém com certeza queria saber muito algo nesse caderno. – murmurei e ela assentiu. – Você é boa no que faz.

Alice arregalou os olhos.

– Você o... Leu? – perguntou em um fio de voz.

– Não. – neguei e ela me olhou confusa. – Sim. – arregalou os olhos novamente. – Mais ou menos. Eu precisava saber de quem era o caderno e então vi que eram de versos. – dei de ombros. – E pelo que vi, você é mesmo boa no que faz.

Alice abaixou a cabeça e eu vi suas bochechas atingirem um rosado. Eu era extremamente encantado com Alice, ela tinha o sorriso mais perfeito que já vi em toda a minha vida e os olhos mais azuis também. Tudo nela era lindo. Menos sua expressão séria que ela trazia sempre que estava com Tânia. A primeira vez em que a vi foi quando comecei a trabalhar na lanchonete, eu me encantei e até hoje era encantado por ela.

– Obrigada. – Alice murmurou totalmente constrangida e me deu um pequeno sorriso. – Pelo elogio e por achar meu caderno e me devolver.

Eu assenti com a cabeça sabendo que acabava de ganhar uns pontos com Alice. Aquele plano de Emmett dera mesmo certo. O filho da puta sabia o que estava fazendo.

Nessie POV

– Você está bem mesmo, Nessie? – Edward questionou pela milésima vez quando me sentei ao seu lado na hora do almoço.

– Já disse que sim, Edward. – falei em uma voz entediada.

Edward me conhecia melhor do que ninguém e ele sabia que eu não estava nem um pouco bem, e todas aquelas perguntas de se eu estava bem era uma forma de tentar me fazer falar sem forçar muito a barra. Ele conhecia o meu humor e eu estar com raiva era que algo realmente havia me afetado, mas eu não queria dizer para ele o que era. Eu não queria que ele soubesse como estava com raiva de Alice.

Por enquanto só estávamos eu, Bella, Edward e Alec na mesa, sendo como todas às vezes os primeiros a chegarem. Rosalie foi à próxima e ela parecia muito furiosa.

– Essa escola só tem safados trombadinhas dos infernos! – ela rosnou ao se jogar ao lado de Bella.

– O que aconteceu?

– Me roubaram! Roubaram meu CD do Linkin Park, aquele, Bella. – elas duas trocaram olhares. – Eu não consigo acreditar numa coisa dessas. Eu vou procurar esse CD até no inferno porque não posso perdê-lo.

– É só um CD, Rosalie. – Edward falou entediado. – Você pode comprar outro, ainda mais sendo do Linkin Park.

– Não é só um CD, Edward. É o meu CD! – ela socou a mesa e meu irmão engoliu em seco. – Eu vou achar meu CD ou não me chamo Rosalie Lilian Hale.

– Rosalie Lilian? – Edward gargalhou alto se esquecendo do medo, mas logo foi lembrando quando Rosalie lhe lançou um olhar ameaçador. – Nome bonito. – murmurou covarde me fazendo revirar os olhos.

Emmett então apareceu com um sorriso aberto. Ele se aproximou de Rosalie, parando atrás e passando seus braços em volta do pescoço ela, esfregando em seu nariz um CD do Linkin Park. Rosalie paralisou.

– Olha o que eu tenho aqui, Rosalie. – ele falou no ouvido dela com uma voz deveria ser provocante, mas saiu mais engraçada.

– Você não fez isso. – Bella murmurou de boca aberta e Alec negou com a cabeça.

– Eu o encontrei. – Emmett estufou o peito orgulhoso. – Para Rosalie.

Nós nos viramos para a loira que parecia estar tremendo no lugar. Eu estava confusa para aquela reação dela, afinal Emmett tinha achado o CD dela e Rosalie parecia estar entrando em combustão de raiva.

– Cara, você vai se ferrar. – Alec falou.

Rosalie virou a cabeça para o lado, encarando Emmett, que tinha um sorriso.

– Você encontrou o meu CD, Emmett?

– Sim. – ele sorriu. – Eu acho que mereço um beijo de agradecimento, que tal?

Ela olhou do CD para ele e sorriu. Um sorriso diabólico.

– Um beijo de agradecimento? – perguntou e Emmett assentiu. Rosalie pegou o CD das mãos dele e virou totalmente o corpo para o lado. Emmett se ajeito esperando um beijo. Eu também estava esperando que ela lhe desse um beijo, mas Rosalie fez o improvável. Ela levou as mãos para as partes intimidas de Emmett e apertou com força. Emmett soltou um grito alto de dor. – Aqui está seu beijo por achar que eu sou idiota! – Rosalie rosnou e torceu a mão.

– Ai! Ai! Ai! Para, Rosalie! Para, por favor! – Emmett gemeu de dor.

Bella, Edward e Alec explodiram em gargalhadas e eu me segurei também para não fazer também. Emmett já estava sofrendo e passando vergonha suficiente com as pessoas daquela mesa. Rosalie o soltou e o empurrou para longe dela, o xingando de todos os nomes possíveis. Emmett cambaleou até se sentar em uma cadeira, pegou a latinha de refrigerante do Alec e colocou em cima de onde Rosalie tinha torcido.

– Que nojo! – Bella falou ainda rindo.

– Cala a boca, cretina. – Emmett murmurou num fio de voz. Deveria estar sentindo muita dor. – Um dia, Rosalie, você vai se arrepender disso. Quando precisar disso aqui – apontou para a calça. – E ele não estiver disponível para você. Eu estava tentando ser legal lhe devolvendo seu CD que roubaram e você me agradece assim?

– Nunca, Emmett, nunca! – Rosalie falou com tédio. – E eu sei que você “roubou” – fez aspas com as mãos. – meu CD para depois falar que o encontrou. Eu não caio mais nessa, Emmett.

Bella, Alec e Edward ainda riam da situação de Emmett. Rosalie fora extremamente cruel com Emmett, ele só estava tentando ser legal com ela. Até Jasper chegar Emmett sofreu com meu irmão e Bella.

– E então? – Emmett perguntou para Jasper, que assentiu sorrindo.

– Deu certo.

Os dois trocaram sorrisos e aperto de mão. E as brincadeiras para cima de Emmett voltaram com força total e tendo um membro a mais para fazer aquilo. Eu nunca dei tanta risada com piadas sujas e insinuações horríveis como dei aquele grupo. Eles conseguiram afastar qualquer mau humor que eu tinha, mas esse voltou quando o sino tocou com o final do almoço.

Eu levantei rápido e peguei minha bolsa, saindo da mesa sem me despedir do pessoal, totalmente focada nos meus planos. Sai do refeitório e fiquei perto do banheiro, esperando pro Alice, que passou minutos depois e sozinha. Peguei-a pelo braço e a puxei para dentro do banheiro, que estava vazio. Tranquei a porta para impedir alguém de entrar.

– O que aconteceu, Renesmee? – ela perguntou confusa.

– Eu estou impressionada por conhecer a verdadeira Alice Brandon. – falei me aproximando dela. – Eu achei que você era uma pessoa legal, Alice, mas estava completamente enganada. Você é uma pessoa horrível, extremamente egoísta e ruim. Você não tem sentimentos, garota?

– Do que você está falando?

– De Alec! – joguei as mãos para cima. – E do que você fez com ele.

– Como... Você sabe?

– Eu o fiz me contar o que aconteceu com ele e você não fez nem ideia de como eu tenho nojo de você, Alice. O que você fez foi... Cruel e tão mesquinho. Você é uma vadia estupida!

– Não fala assim comigo!

– Eu falo do jeito que eu quiser! – eu a empurrei para que se afastasse de mim. – Você merece mais do que um xingamento. Não consigo entender como pode fazer aquilo com ele, que é tão legal. Eu sei que pessoas como você e Tânia podem ser assim, mas porque falar aquelas coisas horríveis? Já tive amigas horríveis mesmo, que pensavam apenas em si, mas nunca as vi magoarem ninguém, ainda mais pessoas que gostavam delas. E você... Eu acreditei que vocês seriam assim. Ainda mais você, que não parece ser tão como elas, mas eu estava enganada. Fui idiota. Eu achei que poderíamos ser amigas, só que... Eu não conseguiria viver com uma pessoa que magoa as outras de forma tão cruel.

Alice tinha os olhos arregalados e parecia mais triste do que com raiva. E eu podia jurar que havia magoa em seu olhar, mas não era para mim. Mas ela escondeu, voltando a ter aquela expressão lisa e robótica.

– É uma pena decepcionar você. – falou com uma voz contida. – Mas as coisas são assim. Não gostei de ter magoado Alec, mas precisei.

– Precisou?! – soltei uma risada de escarnio.

– Você não entenderia e eu não tenho que dar explicações do que faço ou fiz há muito tempo. – ela revirou os olhos. – Você já deu seu discurso defensor então acabou por aqui. Me deixe em paz.

Alice tentou passar por mim, mas eu peguei seu braço, fazendo ela me lançar um olhar furioso. Alice era algum centímetro mais alto que eu, e aquilo poderia ter me amedrontado se eu não estivesse com tanta raiva e tão determinada a defender Alec. Eu era medrosa, mas naquele momento me senti corajosa e forte para Alice.

– Eu não sei se você tem sentimentos, mas torço que tenha para que possa para sofrer de remorso todos os dias pelo que fez ao Alec. E eu vou concertar a sua bagunça, Alice, fazer como se você nunca tivesse estado na vida dele. E só um aviso: nunca mais tente chegar perto de Alec ou sequer olhar para ele, porque eu juro que não vou hesitar em acabar com você. Você nunca mais vai magoa-lo.

Vi a expressão robótica de Alice cair por alguns segundos e ela voltar aquela magoa. E dessa vez ela não a escondeu.

– Você não precisa torcer por nada. – disse e puxou o braço, se soltando das minhas mãos e saindo do banheiro depois de destrancar a porta.

Ela se arrependia, ela tinha remorso, dava para ver, e aquilo só me fez ficar ainda mais confiante e me deu mais força para fazer Alec voltar ao que era. Eu mostraria para Alice que ela não era importante na vida dele.

Bella POV

Finalmente aquele dia de aula estava no fim e o que me deixava ainda mais feliz era que hoje eu não iria trabalhar. Era a minha folga da semana. Eu estava quase saltitando pelos corredores ao lado de Edward enquanto seguíamos para a saída.

– Bella! – eu olhei para trás para ver quem havia me chamado e encontrei Jéssica vindo na minha direção. Ela grudou no meu outro braço livre, já que minha outra mão estava com a de Edward.

Jéssica Stanley era uma das garotas mais conhecidas da escola, apenas não tanto quanto Tânia e eu. A fama dela não era de aprontar, nem a de ser a mais popular ou de ter inimiga. Jéssica tinha fama apenas por conhecer quase que a escola inteira. Ela falava com todos, cumprimentava todos no corredor. Eu até que gostava da garota porque ela era simpática e tinha umas piadas legais. Era por isso que passei um ano da minha vida sentada ao lado dela nas aulas de Inglês aprontando com os professores e falando muito. Nós não éramos exatamente amigas, mas tínhamos nossos momentos.

– Hey, Jessy. – falei animadamente. – Qual é a nova?

– Eu quem pergunto. – ela me lançou um sorriso malicioso. – É verdade que você está namorado, Bells? – mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva para Edward.

– O que? – eu joguei a cabeça para trás, rindo. – Eu não estou namorando.

– Não? – ela olhou para Edward, que negou com a cabeça, dando um sorriso de canto totalmente divertido. – Mas é que estão falando.

Eu me virei para Edward.

– O que eu disse para você, garotão? Eu estava totalmente certa.

– Com certeza. – ele gargalhou.

– Então não rola nada entre vocês dois? – Jéssica perguntou.

Algo também que todos sabiam sobre Jéssica era que ela adorava uma boa fofoca – talvez esse seja um dos motivos dela falar com todos. Ela gostava de saber tudo primeiro que todos. Um defeito dela que eu sabia levar.

Eu olhei para Edward e trocamos sorrisos maliciosos, que Jéssica com certeza acharia que estávamos escondendo algum segredo. Nossos flertes não tinha nada haver com termos algo. O negocio é que Edward e eu tínhamos uma ligação que não precisava de palavras para expressar e nos entendermos, só precisávamos trocar olhares porque nossa linha de pensamentos seguiam na mesma linha. Como enganar a pobre Jéssica Stanley. Eu não me importava de falarem que eu estava com Edward, como ele também já demonstrou não se importar, então não havia nada de errado em fingirmos.

– Não. – falei em resposta para a pergunta dela, mas vi que Jéssica não acreditou.

– Certo. Muitos vão ficar felizes em saber que Bella Swan e Edward Cullen não tem compromisso nenhum. Você sabe, toda a fila e tudo. – ela deu de ombros fingindo indiferença e eu me segurei para não dar risada.

Eu sabia que havia uma fila para Edward e que ela só não começava a andar porque nós dois estávamos sempre juntos. Essas garotas estavam apenas esperando uma brecha para poderem se aproveitar do meu nadador. E essa ideia não me agradava nem um pouco.

– Sim, eu sei. – falei para Jéssica.

– Bem, eu preciso ir. Tchau, Bella. Tchau, Edward!

– Tchau. – nós dois falamos juntos enquanto ela corria pelo corredor.

Eu sabia que nós andarmos de mãos dadas pelos corredores, estamos juntos sempre vivendo abraçados ou se tocando, Edward me defender de Jacob – que já foi meu ex – e todos que mexiam comigo, e também aquele selinho que eu dei nele iria resultar nisso. Aquele rumor já devia estar circulando há muito tempo e eu dar um selinho nele ontem deve ter feito todos acharem que não era apenas rumor. Ali a mente das pessoas era limitada e elas não achavam que podia existir amizade entre um garoto e uma garota quando na verdade podia. E não tinha nada haver Edward ser carinhoso comigo ou eu ser carinhosa com ele e isso nos tornar intimo. E tudo bem que nós talvez passássemos dos limites de amigos, mas a nossa amizade era diferente.

– Parece que agora somos comprometidos. – Edward disse.

– Não. Na verdade nós temos uma amizade colorida. Jéssica percebeu isso. Ela vai falar e vão aumentar para sexo sem compromisso porque provavelmente me acham desse jeito. – dei de ombros.

– Hm, sabia que é uma boa essa de sexo sem compromisso? – Edward falou pensativo e virou para mim. – O que você acha?

– De ter uma amizade colorida? Sexo sem compromisso? – perguntei e ele assentiu. – Com você até que soa legal. – pisquei um olho.

Não adiantava. Sempre nós chegaríamos a um ponto que flertaríamos.

Edward soltou uma risada e soltando nossas mãos, passou um braço pela minha cintura e meio que me abraçou de lado enquanto andávamos. Nesse meio abraço ele deixou sua boca perto do meu ouvido e sussurrou “Devemos pensar nisso” com uma voz rouca pra caralho, algo que me fez arrepiar dos pés a cabeça. E eu pensei. Em como seria ter uma amizade colorida com Edward e isso soou extremamente agradável. Sim, nós devíamos pensar nisso.

Apenas uma coisa abalou minha felicidade daquele dia. Edward tinha treino. Eu havia me esquecido disso e até pensei que poderíamos passar o dia juntos já que eu não iria trabalhar, mas eles foram por água de piscina a baixo. Então quando nós estávamos no estacionamento eu tinha duas escolhas: voltar para casa com Rosalie, Emmett, Alec ou Renesmee, ou ficar e ver o treino de Edward. E foi mais que obvia minha decisão.

– Uma torcedora, Cullen? – o treinador perguntou para Edward quando nós entramos no Ginásio.

– Uma companhia. – Edward respondeu divertido.

Eu fui para a arquibancada enquanto Edward ia se trocar. Tinha algumas pessoas ali querendo ver o treino de hoje porque o treinador estava muito legal e liberou. A sorte estava ao meu lado. Quando os meninos do time saíram das escadas que dava no corredor eu quase desfaleci ali mesmo no banco. Como Rosalie e eu havíamos reparados: eles estavam ainda mais gostosos do que ano passado. Edward não fazia apenas parte do time de natação, ele fazia parte do time que tinha garotos mais lindos e gostosos.

Assistir o treino de natação foi extremamente prazeroso para meus olhos. Eu era com certeza uma garota de nadador porque eu não conseguia imaginar nenhum esporte melhor que aquele. As costas deles eram perfeitas. O que só me fazia pensar ainda mais que Deus mandou Edward para ser meu vizinho de caso pensado. Não podia ser coincidência nem nada disso, tinha haver com destino e forças maiores.

Eu ficava cada vez mais admirada vendo Edward nadar e percebia algumas diferenças deles para os outros garotos. Como a virada que ele fazia que o deixava alguns segundos mais a frente. E aquela virada me pareceu até um pouco conhecida, como se eu já a tivesse visto em algum lugar, mas não lembrava, não importa o quanto me forçasse para fazer. E cada vez que ele fazia a virada eu sentia incomoda por não lembrar. Era uma lembrança que queria vir, mas estava presa e eu só sabia que já havia visto. Eu precisava descobrir quem fora a pessoa que eu vi da aquela volta. E precisava urgente ou então enlouqueceria em minha mente tentando lembrar.

Automaticamente minha mente me lembrou da biblioteca e seus computadores velhos, e eu levantei em um salto, pegando minha mochila e desci correndo as arquibancadas, pulando os degraus e passando rápido pelo treinador que decidiu assoprar aquele apito bem na hora, ecoando nos meus ouvidos. Era algo extremamente chato e que eu não entendia como todos do Ginásio aguentavam. Atravessei as portas duplas, saindo no sol quente. O calor me atingiu como um tapa no corpo inteiro, ao contrario do frescor que estava perto da piscina.

Enquanto eu atravessava todo o caminho entre o Ginásio para os prédios da escola minha mente trabalhava procurando tentar lembrar aonde eu tinha visto aquela virada rápida e tão única que Edward fizera, mas sem sucesso. Nunca fui boa em lembrar rostos ou coisas que via por ai, o que até me irritou um pouco porque se eu lembrasse facilitaria e muito, e eu não precisaria correr até a biblioteca.

Quando adentrei o prédio em que ficava a biblioteca junto com o teatro, virei para o corredor certo, dando de cara com John, que me segurou pelos ombros.

– Devagar, Swan! – ele falou surpreso. – Para que a pressa? E porque ainda está aqui?

Eu estava ofegante e pedi para ele um minuto para que tentasse regularizar minha respiração. Por mais que eu corresse toda manhã no final de semana e até na semana mesmo, eu ainda me cansava rápido.

Quando consegui respirar normalmente e John percebeu, ele me soltou.

– Eu estava indo na biblioteca, é urgente. – falei.

– Você? Biblioteca? Impossível! – e John gargalhou como se aquela ideia fosse a mais absurda de todos os tempos, uma piada de mau gosto que o havia entretido.

– Eu estou falando sério, John! – bati o pé no chão e cruzei os braços. – E se você não acredita em mim problema é seu, mas eu preciso ir logo para a biblioteca.

John parou de rir e me encarou, vendo que eu falava sério, mas ele ainda parecia cético quanto a isso. Revirei meus olhos.

– Tudo bem, vamos se disser que acredito nisso, para que você iria lá?

– Porque preciso usar a internet para fazer uma pesquisa... Particular. Nada que você tenha que se meter! – empinei o nariz. – Agora posso ir?

Ele ainda ponderou sobre se acreditava em mim ou não. John não estava errado em desconfiar, porque ele sabia que eu era muito sincera – quando se tratava de aprontar e levar a culpa -, mas sobre fazer pesquisas não era nada muito eu, era suspeito. Não tirava sua razão em tentar me segurar com medo que eu destruísse alguma coisa ou o prédio inteiro. E eu não estava irritada por ele desconfiar de mim, mas sim por me prender.

– Certo. – ele suspirou e vi medo em seus olhos. – Só tente... Não destruir os computadores, ok? Eles já são idosos e...

– E que se eu destruísse estaria fazendo um grande favor a todos os alunos dessa escola. – ironizei e ele bufou. – Tudo bem, John, eu vou tentar. E também tem a velha senhora da biblioteca, ela vai ficar de olho em mim. É capaz até de me seguir para aonde eu for enquanto estiver lá.

– Seria um grande favor que ela faria para mim.

– Ótimo! Agora finalmente posso ir, John?

– Pode. – ele assentiu.

– Finalmente. – revirei os olhos e passei por ele, voltando a correr.

A biblioteca da escola era um lugar que cheirava a livros velhos misturados com pó e estudo. E acredite em mim, estudo tem cheiro, é só você entrar em uma biblioteca que você sente. Se você inalar bastante desse cheiro é capaz de até se sentir um nerd totalmente e atacar uma alergia de pó que você nem sabia que tinha. Esse era um dos motivos que eu evitava esse lugar porque eu e livros de estudo não combinávamos, eu tinha minha inteligência em nível avançado e conseguia aprender as coisas muito rápidas se prestasse muita atenção – o único ponto positivo em ser hiperativa.

Todos os professores se questionavam como a pior aluna deles conseguia se tornar a melhor nas notas, mas esse era o segredo que eu gostava de manter. Eu só precisava de um tempo estudando no meu notebook que estava pronta para uma prova. Tudo rápido como uma pessoa hiperativa era.

Assim que entrei na biblioteca o ar já ficou mais poeirento, o que incomodou meu nariz. Ao seguir para a ala que ficava os computadores pré-históricos da escola pude sentir os olhos de todos que estavam ali em mim. Tudo bem que era um milagre ter um Swan na biblioteca, mas também não era para tanto. E não eram só olhares de surpresa, eram também de puro pânico de que eu iria destruir mesmo a biblioteca, o único lugar da escola que tinha ficado livre de minhas artes.

Os computadores estavam ligados, para minha felicidade, e eu só me sentei em frente a uma maquina e cliquei no ícone para abrir um navegador. Com o tempo que levou para abrir um site de pesquisa minha felicidade foi sumido e se tornando irritação, então comecei a bater os dedos na mesa e mexer o pé freneticamente.

– Está tudo bem?

Dei um salto quando vi que a velha senhora da biblioteca estava atrás de mim me encarando, com seus olhos azuis atrás do óculo fundo de garrafa. Ela era uma senhora baixinha, de pele clara enrugada e tinha uma voz extremamente doce, como aquelas velhinhas de filmes românticos ou infantis. Ela me assustava, eu admitia, e era mais um dos motivos que eu não vinha para a biblioteca. Já fazia anos que ela trabalhava ali, até suspeitava que tivesse passado dos cem anos de idade, e a velha não se aposentava.

– Está sim. – falei rápido.

– Tem certeza? – ela olhou para a minha mão e eu fechei minha expressão.

– Está tudo ótimo. – resmunguei carrancuda. Ela devia saber do meu pequeno problema, ou achava que quanto mais agitava mais bomba de destruição era. Me virei para o monitor e vi que tinha aberto a pagina, então me voltei para a velha. – Se importaria de me dar um pouquinho de privacidade? É que é uma pesquisa particular...

A velhinha arregalou os olhos, assentiu e a contragosto saiu, sempre olhando para trás como se para verificar que no segundo que ela piscou eu tivesse destruído tudo. Isso era um exagero e eu ia fazer uma pequena reclamação com o John, não era como se eu fosse um demônio da tasmânia.

Joguei aqueles pensamentos para longe voltando a me concentrar no que havia vindo fazer aqui. Levei meus dedos ao teclado para digitar, mas nem comecei já que não sabia como pesquisar. Não acho que “meu vizinho nadador gostoso com virada única dele” iria funcionar. Tinha que ser algo mais especifico e explicativo. Apoiei meu cotovelo na mesa e o rosto na mão pensando no que pesquisar. Eu era péssima com pesquisas, sempre soube disso. Pensei em várias coisas até pensar na mais obvia e senti vontade de dar uma na minha cara. Eu não tinha que pesquisar por alguém com aquela virada porque eu já tinha a pessoa. Edward. Eu tinha que pesquisar sobre ele, e deveria ter alguma coisa escolar com seu nome. Edward sempre teve cara de ser o garoto popular, e ele era nadador, o que fazia tudo ainda mais fácil de achar.

– Edward Cullen nadador Nova York. – murmurei ao mesmo tempo em que digitava os pontos importantes da minha curiosidade.

E eu sei, eu era uma droga para pesquisas, por isso que meus trabalhos eu sempre arrancava o tema certo e forma de pesquisa com os professores.

Levou quase cinco minutos para ter uma busca completa em toda a rede, e eu bufei impaciente. Renée tinha que me dar meu novo celular urgente porque depender daqueles computadores para uma pesquisa que podia ser feita no meu iPhone era um grande absurdo. Xinguei a todos os antepassados do criador daquele computador e da internet lenta que a escola fornecia até abrir o arquivo de busca. Comecei a ler procurando algo que fosse o que eu realmente precisava, mas não havia muita coisa.

– Qual é, Edward, porque você não tem uma pagina no Wikipédia contando sua história? – resmunguei.

Eu, realmente, odiava pesquisas. Voltei a minha posição pensativa tentando outra forma de encontrar coisas sobre Edward, demorando pelo menos uns dez minutos. Dez minutos que fiquei encarando o site de busca e quase dormindo. Mas a luz veio, ela estalou na minha cabeça e uma garota de cabelos ruivos e muito animada passou pela minha mente.

Eu podia ligar para Renesmee e pedir o nome da escola que Edward e ela estudaram e ver se havia algo na internet sobre o Edward relacionado a essa escola. Era simples. Só que não era fácil. Primeiro porque eu não tinha um celular para ligar para ela, e segundo que eu não tinha o numero dela. E essas eram as coisas mais importantes. Claro que eu podia voltar correndo no Ginásio, entrar no vestiário masculino, arrombar o armário do Edward e pegar o celular dele, mas isso demoraria demais. E eu também podia procurar todos os nomes das escolas de Nova York e ver se elas tiveram um Edward Cullen e Renesmee Cullen como alunos, mas com aquela internet demoraria o mesmo tanto que voltar no Ginásio.

Mas eu tinha também outra opção. E só me restava ela então...

Eu levantei rápido da cadeira, fazendo um barulho e eu pude ouvir todas as cabeças se virando na minha direção. Fazendo o que estava mais acostumada, eu ignorei aqueles olhares e fui até onde ficava a mesa da velha senhora bibliotecária. Ela me olhou num misto de medo e desconfiança. Sorrindo o mais docemente que podia, me encostei-me ao balcão e inclinei minha cabeça.

– Hm... Bibliotecária, por algum acaso você poderia por uma gentileza me emprestar o telefone para que eu possa fazer uma ligação urgente? – perguntei em uma voz doce.

A velha ficou me encarando por alguns segundos e assentiu, empurrando o aparelho telefônico na minha direção. Era engraçado como os computadores eram lentos e velhos e a bibliotecária tinha uma linha telefônica para ela.

Eu digitei o número da minha esperança, torcendo para que Renesmee estivesse em casa e fosse atender ao telefone do quarto do Edward, porque o dele eu sabia. Chamou varias e varias vezes e nada, mas eu tentei novamente porque era uma garota muito insistente. Tocou bastante e quando estava para cair eu pude ouvir a voz fininha do outro lado. Renesmee. Eu conversei um pouco com ela – fazendo a bibliotecária me lançar um olhar de “abusada” – e finalmente cheguei aonde queria, perguntando o nome da escola. Ela me informou sem perguntar para que eu queria, algo que achei estranho vindo dela, que era a pessoa que mais perguntava e falava.

Com o nome da escola, eu voltei feliz para os computadores e digitei no site de busca, encontrando demoradamente algo relacionado a Edward e natação. Eu fiz uma dancinha feliz na cadeira enquanto abria a página. Demorou também, e quando abriu era uma página feita por algum adolescente querendo fazer a escola se tornar importante na rede. Havia uma imagem em cima de um cara nadando, coisa pegada no Google Imagens provavelmente e embaixo o titulo da matéria enorme. Era algo assim:

Edward Cullen, o queridinho do time de natação não tão certinho quanto aparenta.

Isso só me fez revirar os olhos. O nome do dono da matéria era masculino então devia ser um nerd invejoso que destilava veneno em todos os populares sempre que podia. Passei daquela idiotice e fui para a matéria, lendo com atenção.

“Edward Cullen, o grande astro da natação da nossa escola conseguiu o que nem todos esperavam dele. Ele jogou sua carreira para o alto em um estalar de dedos, surpreendendo a todos como também ao nosso querido diretor.”

– Essa porra deve ser algum viado, só pode. – falei rindo divertida sobre quem tinha escrito a matéria. O cara ficava chamando de queridinho e querido. Que coisa mais tão... Filme adolescente.

Novamente ignorei e continuei lendo.

“Edward surpreendeu a todos no seu grande dia, quando foi acusado de doping nas finais do campeonato de natação das escolas de nova iorquinas. Foi um grande baque para todos os seus fãs e torcedores, que sempre acreditavam na honestidade do Grande Edward. Mas as aparecias enganam ainda mais sorrisos bonitos. Ele conseguiu não apenas fazer a escola ser eliminada das competições como também que sua grande entrada para uma faculdade de prestigio não acontecesse quando decidiu fazer isso no mesmo dia em que havia olheiros por ele querendo o mais rápido conseguir ter o astro nas mãos.”

– Só pode ser brincadeira... – murmurei para mim mesma não acreditando que aquilo realmente havia acontecido com Edward. Meu Edward.

Eu passei rapidamente os olhos pelo resto da matéria que falava sobre as vitórias e como foi um tapa na cara de Edward perder todo o futuro dele. Tudo que aquele garoto falava era cheio de esnobismo, o que fez querer caça-lo até o inferno e dar na cara dele por falar daquela forma sobre o meu vizinho.

Eu não consegui chegar ao final da matéria de tanta raiva que fiquei daquela pessoa que eu nem sequer conhecia. Era um extremo filho da puta que se eu o visse na minha frente ele não conseguiria mais ter língua ou dedos para digitar falando mal do meu Edward.

O estalo de onde eu conhecia Edward finalmente apareceu. Eu havia visto uma noticia sobre um garoto, estrela de um colégio em Nova York, fez a escola perder porque foi pego no exame de antidoping. Eu até comentei com Emmett que isso fora algo extremamente idiota e que era capaz de um dia os meninos da nossa escola também forem pego assim. As escolas tinham a mania de levar bastante a sério as competições que faziam entre si no estado ou até mesmo no país, querendo além de manter em forma e sem drogas os seus, talvez, futuros atletas famosos, como também serem justos, mesmo que fossem competições escolares. E ser pego com isso realmente acabava com a carreira deles que estavam começando agora.

E era por isso que eu senti aquela sensação de reconhecimento quando vi Edward pela primeira vez pessoalmente, porque eu vira seu rosto no noticiário de esporte, e também vagamente havia visto seu nome. Eu só não lembrara antes porque tinha uma péssima memória, mas era impossível esquecer a imagem dele nadando daquela forma tão perfeita e rápida, e fazendo aquela virada.

Agora tudo fazia sentido sobre Edward querer tanto entrar para o time, como também a felicidade de Renesmee e sua torcida, mas ainda mais a forma que o pai de Edward ficava quando o assunto era natação. Como ele era extremamente frio com Edward por isso. Ele deveria ser aquele pai que o apoiava, e saber que o filho fora pego no doping devia ter sido uma noticia e tanto.

E eu não podia conhecer Edward há muito tempo, nem mesmo como sua mente trabalhava quando assunto era nadar, mas eu sabia que ele era bom naquilo que fazia e que ele não tinha cara de trapaceiro. Não mesmo. E antes mesmo de sequer pensar sobre isso ou julgar, eu senti que precisava falar com Edward. Eu ansiava saber o que havia acontecido aquele dia em que sua vida se transformou para algo ruim.

Fechei a página de internet, não querendo que alguém visse aquilo e levantei rápido da cadeira, fazendo-a cair para trás, mas não me importei com aquilo, pegando minha mochila no chão e logo saindo correndo da biblioteca com aqueles olhos me seguindo.

Eu corri ainda mais rápido na volta para o Ginásio, encontrando alguns meninos saindo pelas portas duplas. Foi só então que percebi como eu havia demorado na biblioteca com aquela internet lenta. Não havia mais ninguém na piscina, então segui para o vestiário, entrando apressada pela porta sem me importar que fosse masculino e que havia garotos tomando banho e só de toalha. Eles olharam assustados para mim quando entrei de forma tão rápida, mas vendo que era eu – e já sabendo daquela fofoca toda sobre Edward e eu, eles me ignoraram. Eu procurei por Edward, meus olhos o encontrando logo. Ele estava de frente para o armário dele, apenas com a calça jeans. Ele mexia no celular com uma mão e a outra ele passava no cabelo molhado, tentando seca-lo.

– Edward. – chamei, me aproximando.

Ele desviou os olhos do celular e me encarou, primeiro franzindo as sobrancelhas em confusão, depois sorrindo malicioso ao perceber minha coragem de entrar no vestiário naquela hora. Mas quando não correspondi ele desfez o sorriso, voltando à confusão.

Eu não sei o que impulsou para que todos os garotos saíssem logo do vestiário, mas eles fizeram como se percebessem que algo ali não estava certo. Eu sabia que os meninos da natação eram maravilhosos, melhores do que os do futebol americano que conseguiam ser uns babacas.

Quando ficamos sozinhos, Edward aumentou ainda mais sua expressão preocupada.

– Aconteceu alguma coisa, Bella? Você... Sumiu do Ginásio.

Não havia percebido o quanto estava tensa para saber suas respostas quanto naquele momento. Eu sabia que não julgaria Edward não importa o que ele falasse, porque acima de qualquer idiotice que ele fizesse Edward era meu amigo e amigos não julgam. E também eu não era a melhor pessoa para isso quando provavelmente devia ter feito mais merdas que Edward. Eu não estava para saber se ele era um trapaceiro ou algo assim, eu estava tensa porque finalmente ia conhecer a vida de Edward antigamente. Nada de rapper branco que assalta, nem nenhumas suposições da minha habilidade de detetive, agora era algo real.

– Eu... Nós precisamos conversar. – falei e ele ficou sério, o que me fez rir. – Cara, eu sempre quis falar isso assim, é tão... Tenso.

Edward revirou os olhos relaxando um pouco mais e pediu para que eu esperasse ele vestir a camiseta e pegar as coisas dele, o que foi uma boa hora para que eu soltasse um flerte de que não importava dele andando sem camisa ao meu lado. Vestido e com tudo nas mãos, nós saímos do vestiário.

– E então o que nós precisamos conversar? – ele perguntou.

Mordi o lábio inferior, apertando a alça da minha mochila pensando em uma forma de falar para ele que eu sabia sobre como foi seu ultimo campeonato. Sabia que era um assunto chato e eu não queria mostrar que fui intrometida e tudo isso, queria pegar leve.

– Eu não quero ir embora agora, então que tal sentarmos na arquibancada? – perguntei para ele que mesmo me lançando aquele olhar, assentiu. Nós seguimos para lá, sentando nos primeiros lances. Eu já havia pensado em como falar, então não esperei tempo. – Edward, você sabe que tenho um dom de detetive, certo?

Edward soltou uma risada assentindo.

– Como sei.

– Yeah, yeah... – revirei os olhos para seu sarcasmo. – E ele não funciona muito bem para você, o que eu não entendo... Bem... Não até agora. – lancei um olhar para ele, que ainda tinha uma expressão divertida. – Tenho uma teoria que não é tão teoria.

– Então você... Tem uma teoria da minha vida antes daqui? – perguntou e eu assenti. – Certo, qual é?

Ele estava se divertindo provavelmente achando que eu inventaria mais alguma coisa louca, mas eu sabia que quando eu falasse a verdade toda àquela diversão sumiria. Então eu demorei a responder, encarando a grande piscina a minha frente e pensando em como eu seria leve. Leve... Água.

Deus hoje estava do meu lado porque ele mandava uns estalos na minha mente sempre me dando a resposta.

Eu joguei minha mochila no chão e fiquei de pé, levando minhas mãos até a barra da minha camiseta e a tirando.

– O que você está fazendo, Bella? – Edward perguntou de olhos arregalados. – Não vai me dizer que você acha que sou algum prostituto ou algo assim?

Eu estava abrindo o botão do meu short jeans quando ele falou aquilo, e eu precisei parar para encara-lo. Caramba, era impossível não flertar com Edward mesmo nas situações mais absurdas.

– Não acho nada disso, mas se você fosse algum prostituto fique sabendo que eu com certeza pagaria por uns serviços seus. – eu falei e ele gargalhou. – Mas não é nada disso. Eu estou tirando a roupa porque quero nadar.

– O que? – sua voz saiu alta.

– Nadar, Edward. O que você faz em todos os treinos, sabe aquele negocio de bater braço e boiar? Então! – revirei os olhos. – Agora tira essa roupa e vem nadar comigo antes que eu mesma a tire e te empurre.

Edward me lançou um olhar malicioso com a ideia, mas ele mesmo tirou as próprias roupas. Eu não me importava de ficar de roupas intimas na frente de Edward, e não era a primeira vez que fazíamos aquilo, então todos os olhares maliciosos que trocamos foram apenas por nossa diversão.

– Belo sorriso, Bella. – Edward falou quando fui à direção da piscina e estava de costas para ele.

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Eu sabia do que ele estava falando. Era a maldita calcinha que Rosalie havia me dado de “presente filho da puta de aniversário do mês”, algo que havíamos inventado para que tivesse um dia em que podíamos tirar uma com a cara da outra livremente. E o desse era essa calcinha com carinha sorridente atrás. Eu havia gostado dela, era engraçada, mas hoje nem tanto. E quando Edward falou aquilo eu senti meu rosto corar, lhe mandando um dedo do meio enquanto ele ria.

Entrei na piscina com um pulo, logo depois sendo seguida por um Edward apenas de boxer. Quando ele emergiu veio nadando na minha direção, parando na minha frente, e ia perguntar algo quando joguei água na cara dele e rindo me afastei nadando. Edward me seguiu, rapidamente conseguindo me alcançar, mas eu escapuli de suas mãos e joguei água nele de novo, em uma brincadeira totalmente infantil. Uma hora ele foi mais esperto, me fazendo ficar encurralada na parede com seus braços dos meus lados.

– E então, qual é a sua teoria? – perguntou extremamente curioso.

Estávamos na piscina, algo que acalmava ele, então estava na hora de parar de enrolar e falar logo.

– A minha teoria é... A verdade. – falei e ele me encarou confuso. – Eu sei o que realmente aconteceu na sua vida antes de vir para Los Angeles e ser o meu vizinho. Sei sobre o campeonato e o que aconteceu no dia dele...

Um silêncio se instalou entre nós. Edward assumiu uma postura rígida e uma expressão séria, com o olhar desconfortável e até triste. E ver aquele olhar me fez sentir uma idiota por pesquisar sobre ele e por saber o que aconteceu, por falar assim e também por deixa-lo triste. Eu odiava ver Edward triste.

– Como? – depois de um tempo ele quebrou o silêncio com a voz grave.

– Eu... Vi na internet. – abaixei os olhos. – Eu estava olhando você treinar e acabei achando familiar aquela volta rápida que você dá e eu queria saber de onde, então fui pesquisar. Por isso que sumi do treino, eu estava nos computadores da biblioteca. Eu li sobre o que aconteceu.

Novamente nós voltamos aquele silêncio. Esperei que Edward o quebrasse com outra pergunta, mas ele não o fez, só ficou com aquele olhar magoado para o nada, não olhando nenhum segundo para mim. Eu só me senti ainda pior, aumentando aquela vontade de reconforta-lo e dizer que tudo estava bem, que ele não precisava se preocupar com nada. E foi o que eu fiz, eu estiquei minhas mãos até seus ombros, passando elas calmamente pela sua pele molhada até enrolar meus braços em volta de seu pescoço e abraça-lo, encostando meu rosto em seu ombro.

– Me desculpa por ter sido uma intrometida e não ter esperado o tempo para você falar. – murmurei. – E eu espero que você saiba que não precisa se preocupar com o que vou pensar ou não de você, Edward, que...

– Você acreditou? – ele me cortou.

– Eu não pensei no assunto. – admiti, me afastando para olha-los nos olhos e assim ele pudesse ver a sinceridade das minhas palavras no meu olhar. – Eu não queria pensar nisso quando eu não sabia realmente o que aconteceu. Eu apenas li uma matéria de um babaca, não podia formar uma opinião naquilo, eu só peguei o que aconteceu. E se eu for pensar algo vai ser pelo que você falar. Eu quero ouvir de você.

Eu estava sendo paciente com Edward – mesmo que paciência não fosse meu forte. E esperei a hora que ele quisesse começar a falar.

– Eu não posso dizer que sou totalmente inocente do que aconteceu comigo como também que sou culpado. Foi uma estupidez o que eu fiz no dia anterior aquele. Eu estava com o time, nós saímos todos para sair, você sabe, populares saem juntos e essas coisas. – Edward revirou os olhos. – Nós gostávamos de balada e beber. E naquele dia nós bebemos, estávamos comemorando nossa pré-vitória, porque achávamos que ganharíamos. Éramos a melhor escola do estado, então a vitória poderia ser facilmente nossa mesmo que a que íamos competir contra tivesse chegado ali.

– Modéstia de vocês não existia, não é. – cantarolei e ele riu.

– Nem um pouco. Nós estávamos curtindo. Até abusando mais do que devíamos já que no outro dia tinha o campeonato e estávamos até tarde lá e bebendo o máximo que podíamos. E teve uma hora da noite que foi mesmo a hora que fiz a pior besteira da minha vida. Eu e mais um cara do time nos afastamos dos outros, e ele tinha comprimidos. Os malditos comprimidos que ele falou que sairia do organismo rápido e que só dava uma animada, como energéticos. E eu, idiota, acreditei nele porque eu estava bêbado. Não quero culpar a bebida, mas isso também influenciou, mas a minha idiotice foi o que prevaleceu. Nós colocamos na bebida e bebemos e bem... Teve o resultado esperado, ninguém ali era mais animado que nós dois. Era pura adrenalina.

Eu sabia o que Edward queria dizer com “adrenalina”, mas não o atrapalhei nem nada, deixei que ele continuasse.

– No outro dia, com ressaca, eu fui para o campeonato. Mesmo amando natação eu não levava muito a sério, era bastante inconsequente. Eu gostava de ser popular, de sair com a galera legal e curtir. E isso me desviou do meu foco de natação, algo que eu amo desde criança. Só eu sei o quanto ouvi de Carlisle aquele dia por estar de ressaca, mas era fácil ignora-lo. No vestiário eu percebi que era o que estava mais destruído, nem mesmo o que havia dividido o comprimido comigo estava tão acabado. Todos perceberam, até o treinador, o que me resultou em mais um esporro porque havia olheiros para me ver. Então chegou a hora do teste de antidoping e... Bem, eu fui o primeiro. Eles encontraram no meu organismo Epinefrina, pego. Quando eles me chamaram para falar daquilo meu treinador surtou e então o time estava sabendo como também a outra escola e todos que estavam ali para torcer, nadar. Todos mesmo. E... Então eu vi todos os meus sonhos e de Carlisle irem para o ralo com aquilo.

Edward franziu as sobrancelhas, abaixando a cabeça. Sua expressão era de quem estava derrotado, o que me doeu ainda mais de olha-lo. A sensação de conforta-lo aumentou ainda mais, e eu acabei enrolando minhas pernas em volta da cintura dele e o abracei mais forte pelo pescoço, deixando nossos corpos próximos o máximo que podíamos. Com uma mão acariciei sua nuca.

– Edward... E seu colega de time, ele não foi pego também? – perguntei.

– Não. – sua voz se tornou fria e dura. – Ele não tinha tomado o comprimido.

“Ele não tinha tomado o comprimido”. Novamente eu senti vontade de caçar uma pessoa que eu não conhecia e tortura-la por fazer algo tão cruel com meu Edward. Ele não precisava me explicar o que havia acontecido, estava claro como água que o tal colega havia ferrado com ele de propósito. Eu odiei aquele garoto com todo o meu ser por magoar o meu garotão.

– Eu já tenho a minha opinião formada. – murmurei em seu ouvido e ouvi seus suspirar. – Você é um idiota.

– Eu sei.

– Não, é sério, você é muito idiota. Eu achava que meu vizinho fosse mais inteligente com essas pessoas, mas não.

– Eu sei, Bella.

Eu não aguentei e soltei uma risada, me afastando um pouco para olha-lo. Edward ainda tinha aquele olhar triste.

– E você também sabe que isso não vai mudar nada que eu penso sobre você, não sabe? Que eu ainda vou ter orgulho de você ser meu amigo nadador, que você ainda vai ser o meu nadador e que nada disso importa porque foi apenas uma falta de inteligência e não ter me conhecido antes. E que eu também ainda vou amar você mesmo sendo burrinho.

Edward, que me encarava, abriu um pequeno sorriso de canto. E eu me senti orgulhosa por conseguir afastar aquela tristeza dele.

– Você não esta falando isso em agradecimento por em continuar com você quando você achava que eu ia me afastar por causa do DDA, não é? – perguntou.

Minha boca caiu com sua pergunta por que foi a coisa mais idiota que ele havia falado desde que eu o conhecia.

– O que?! Ah, qual é, você acha que sou dessas?! Edward, agora eu me senti ofendida. Você ter me aceitado não quer dizer que sou obrigada aceitar que você se você fosse um assassino. Mas eu digo, se você fosse, eu ainda estaria do seu lado. Eu adoro caras perigosos e misteriosos, sabe? Eles me atraem.

Edward sorriu malicioso, espantando qualquer tristeza. E cada vez mais me sentia melhor porque conseguia tirar ele daquelas memórias tristes. A solução era um flerte. Eu só precisava flertar.

– E caras burros e idiotas, eles te atraem?

– Hm... – fingi pensar. – Depende. Se ele for um nadador com costas largas, ter uma bunda gostosa e for meu vizinho, se tornar meu amigo e gostar do meu sorriso... Sim, eles me atraem também. – eu falei, levando meu rosto para mais perto do dele. – Ainda mais se ele gostar do meu sorriso.

Edward, que mantinha as mãos na minha cintura, ao ouvir minhas palavras, começou a descê-las pelo meu quadril até parar em minha coxa, quase perto da minha bunda.

– Eu já disse que gosto do seu sorriso? – perguntou me fazendo gargalhar alto, jogando a cabeça para trás.

Depois que acabou meu acesso de riso, eu voltei a ficar séria. Eu ainda queria saber mais algumas coisas sobre Edward, e aproveitar que estávamos indo tão bem ali.

– Porque você se mudou para cá?

Edward franziu as sobrancelhas.

– Depois do que aconteceu no campeonato eu fui expulso do time, como também aonde eu treinava. Eles não queriam alguém lá que podia trazer tanta má reputação. Isso deixou Carlisle muito furioso comigo, o que tornou insuportável ficar em casa. Na escola era a mesma coisa. O que me fez perceber que eu não tinha amigos, que todos eram meus “amigos” por causa de ser o melhor do time de natação. Eu não queria mais ir para aquele lugar, então Renesmee nos deu a solução de nos mudarmos. Foi algo bastante legal da parte dela, porque se mudarmos ela teria que abandonar as amigas, a vida dela em Nova York. Eu até recusei porque não queria que isso a afetasse, mas ela estava bastante certa daquilo. Então Carlisle deu um jeito de conseguir transferência para o hospital daqui, um lugar afastado de Nova York e que provavelmente ninguém sabia sobre o que aconteceu lá, e Esme está abrindo o escritório de arquitetura dela. E então você já sabe o resto da história. Meu pai tem raiva de mim, minha mãe pena, minha irmã está sempre do meu lado e eu tenho esse passado idiota que quero esconder. – no fim Edward deu de ombros, olhando atentamente para uma mecha do meu cabelo que ele brincava com os dedos.

– E por que... Você nunca me contou isso?

Ele ergueu os olhos para mim, torcendo os lábios em uma careta.

– Porque eu tenho vergonha disso, Bella. Da minha idiotice, de ter caído nessa conversa com drogas e principalmente da pessoa que eu era. Uma totalmente diferente de você, que não se preocupa em ser popular e essas coisas que alunos ditam dentro das escolas. E também tinha um pouco de receio que você... Não levasse como está levando agora ao saber. Que isso a fizesse também ter vergonha de mim.

– Você fala como se não me conhecesse. – murmurei, pegando seu rosto com minhas fazendo com que ele me encarasse nos olhos. – Eu nunca o julgaria, Edward. Você é meu amigo, é importante para mim e eu sempre estará do seu lado. E não é só por isso também, você me conhece, sabe que amo essas idiotices e que as aceito por ser uma das que mais faço. Eu nunca seria hipócrita com você. Pessoas cometem erros e você cometeu o seu. Não precisava ter vergonha de mim.

Eu puxei seu rosto de encontro ao meu, fazendo nossos lábios se encostarem. Edward tinha os olhos arregalados, demonstrando sua surpresa, mas logo relaxou e pressionou ainda mais seus lábios nos meus. Aquele ato entre nós estava se tornando nossa forma de carinho um com o outro. Em todas as situações que tínhamos feito aquilo fora em momentos assim: quando ele me disse que sabia sobre minha hiperatividade, quando soubemos que ele estava no time e agora. Era como um agradecimento das coisas que aconteciam entre nossa amizade, algo que apenas nós entediamos naquele ato. Não aprofundamos em um beijo nem nada disso – mesmo que fosse uma ideia bastante tentadora -, então nos separamos, e Edward sorriu abertamente, deixando qualquer coisa sobre Nova York para trás e voltando a ser o meu vizinho. E eu retribuí o seu sorriso.

– Você é uma boa amiga, Bella.

– Eu sei. – estufei o peito em orgulho, o fazendo rir de mim. – E você está se tornando um vizinho cada vez melhor.

Edward riu e me puxou contra ele em um abraço ao mesmo tempo em que depositava um beijo na pele do meu pescoço. Eu também o apertei, tentando ignorar o arrepio na minha nuca com aquele gesto e pensando em quanto o destino sabia fazer a coisa certa, que ele colocava as pessoas certas na minha vida.

Notas finais
to orgulhosa de mim mesma, serio, to conseguindo escrever capitulos rapidos e isso me deixa muito feliz pq nao faço vcs esperarem muito *------*
E então, o que voces acharam desse capitulo? Cheio de revelações hmmmmm. Alice, Alice, essa vai ainda se mostrar muito nessa fanfic. E nosso nadador, tadinho. Eu nao sei se era o que voces esperavam o que aconteceu com ele, mas é a coisa mais plausivel que eu acho. Isso pode acontecer, então... E nosso casal de amigos cada vez mais proximos.
Bem, eu vou tentar rapido novamente, mas agora estou ajudando minha mae em umas coisas do trabalho dela e fica dificil escrever, mas vou dar o meu maximo.
E pra quem ainda nao viu minha nova fanfic, aqui está http://fanfiction.com.br/historia/370936/Manta_Vermelha/ eu conto com vcs nela.
É isso, até o próximo. Comentem, recomendem, me façam feliz como voces conseguem *----* Beijos