Aquela Garota
2 Nadar, Nadar... Encrencar!
Notas iniciais
1. Nadar, nadar... Encrencar!
Ah!, água era com toda certeza uma boa solução para se acalmar. Acho que não trocaria isso por nada, nem pelos calmantes de Renée, que eu já experimentei uma vez. Mas foi só uma. E eu nem consegui ficar calma. Primeiro me sentia drogada com o corpo todo mole, e depois do infeliz do meu irmão me encher o saco por eu estar zonza e se aproveitar do meu estado para fazer gracinhas, acabei socando ele. Calmantes não serviam para acalmar? Uma pena que não consegui fazer nenhum estrago além dele se engasgar com a própria saliva. E isso não é nenhum acidente ou coisa que faça Renée gritar e brigar comigo. Uma pena, é claro.
Mas isso não importa agora, afinal, eu estou aqui para me acalmar, não pensar na minha “grande” família. O barulho de água balançando de um lado para o outro por causa do meu movimento na água, era o único que eu ouvia. E o melhor, podia confirmar.
Eu abri os olhos, encarando a imensidão azul na minha frente. Era impossível ver a outra ponta da piscina, mesmo eu estando no meio. Ela era enorme, acho que levaria um bom tempo para atravessá-la. Exagero, eu sei. Mas ela ainda era grande. E eu não me incomodava com aquilo. Não, nem um pouco. Porque era apenas um lugar que cabiam milhares de Isabella’s sem noção.
Eu subi para a superfície quando meus pulmões idiotas reclamaram pela falta de ar. Esse era um dos momentos que eu odiava precisar respirar, pois assim não podia passar o resto da minha vida embaixo da água. Eu encostei na borda da piscina, ao lado do lugar onde minhas roupas estavam. Fechei os olhos e senti os deliciosos e prazerosos raios solares da Califórnia esquentar meu rosto. Devia ser umas cinco horas e o sol se tornava mais delicioso ainda. Um belo sol no dia de sábado. Parei de devaneio e peguei meu celular e vi que tinha duas ligações perdidas do meu irmão, e também uma mensagem. Eu abri a mensagem, para vê o que ele queria.
“Cabeça de vento, vem pra casa AGORA. Renée esta uma fera com você... Como sempre. Se ferrou mais uma vez, maninha.”
– Imbecil. – resmunguei.
Ele adora vê as desgraças dos outros. Não! Ele adora vê é as minha desgraças, isso sim. Como se ele não fizesse nada de errado. Poxa, não foi nada eu ter acertado uma rodinha de skate no cabeção daquela criança. Ela me chamou de gorda! O que eu podia fazer? Bater é que não. Então recorri para a rodinha. E o Cabeça de Pirulito mereceu. Só que pela mensagem do meu irmão, Renée com certeza não concordava comigo.
Eu apertei o botão de discagem rápida e esperei ele atender.
– Está encrencada.– foram suas primeiras palavras.
– Ah, alô? Oi pra você, imbecil. – falei sarcástica. – O quanto eu estou encrencada?
– Se eu falar muito você não vai aparecer, certo?
– Certo. E então, quanto?
– Nããoooo muuitoo.
– Cara, você alongou a frase. Está mentindo. – revirei os olhos.
– Droga. – ele resmungou do outro lado, muito baixo que eu quase não ouvi.
– Vamos lá, Emmett. Me diga em uma escala de 0 á 10, quanto eu estou ferrada?
– Onze.
– O que?! Tudo por causa do cabeçudo lá?
– Uma parte. A outra foi porque você não apareceu sábado passado na casa de Charlie.
– Mas que merda! – esbravejei, socando a água. – Se eu sumir, vai piorar?
– Sabe que sim, você já fez isso.
– Ok, então não vou sumir. – suspirei, derrotada. – Apareço ai daqui a pouco.
– Claro, claro.
Eu desliguei o celular e coloquei-o no lugar. Soltei outro suspiro, pensando seriamente em me afogar naquele exato momento só para não encarar a fúria de Renée. Ok, não era exatamente uma fúria. Mas eu iria na certa ouvir muita coisa e muitos sermões. Principalmente por não ter aparecido na casa de Charlie. Mas o que eu posso fazer se Papai Swan não era tão legal quanto uma pista de skate ou uma piscina? Caramba, eu só queria me divertir, era pecado isso? Era! Para Renée era. Só porque ela não sabia mais o que era passar um sábado à noite com Charlie. Sim, meus pais eram separados. Isso desde que tinha os meus chatos dez anos. Olha, eu adoro meu pai. Não, eu amo ele, e muito. Mas uma garota de dezessete anos precisa sair e se divertir, não passar o final de semana com o pai assistindo um jogo de futebol americano ou beisebol. E eu admito — com muito orgulho — que eu amo de paixão esses jogos. Amo comer salgadinhos e tomar coca cola enquanto xingo o juiz. Mas às vezes, eu não tinha vontade de fazer aquilo. E poxa, eles podiam entender isso.
Afundei mais uma vez na piscina, e encarei a imensidão azul. Um... Dois... Três... Quatro... Dez... Quinze... Vinte e dois... Vinte e sete... E subi novamente, já impulsionando meu corpo para fora da piscina. Peguei minha regata para vesti.
– Por aqui, por favor.
Arregalei os olhos, inclinando meu corpo um pouco para o lado para vê se não tinha ouvido nada. Eu estava em uma casa vazia, onde não tinha moradores a mais de três meses, então não podia ouvir vozes. Mas eu ouvia. Ouvia vozes e barulhos de coisas mexendo, como arrastar de móveis. O desespero tomou conta de mim. Mas como podia ter alguém ali se até a hora que eu entrei a casa estava vazia? E eu juro que tinha visto a placa de vende-se na frente da casa ontem! Tudo bem foi ontem, hoje eu nem reparei na roupa que estava vestida. Mas mesmo assim. Aquela placa não deveria ter sido removida um dia antes? Esta legal, só porque eu vejo isso em filme não quer dizer que acontece em vida real.
– Isso fica lá em cima! – a mesma voz, de mulher, falou.
Olhei para o andar de cima, vendo dois caras passarem com caixas de papelão pela parede de vidro. Ótimo, eu estava ferrada. E se as pessoas chamassem a policia? Como Renée iria me receber quando chegasse em casa com um policial do meu lado? Com toda certeza ela iria me receber com um taco de beisebol para me matar, disso eu tinha a convicção.
Não! Eu não podia morrer e não podia ser assassinada por minha própria mãe. Eu precisava achar um jeito de sair dali sem que a nova moradora da casa me visse. E eu daria um jeito nisso. Peguei minhas roupas emboladas e meu celular e fui até a porta dos fundos, olhando pela brechinha para vê se não tinha ninguém ali. E para minha sorte, não tinha. Eu conhecia bem a casa, por entrar nela muitas vezes quando os antigos vizinhos moravam aqui, então sabia muito bem como sair dela. Era só passar por aquela parte da cozinha, pela copa, pelo corredor e pela sala de estar, e pronto, conseguiria minha liberdade.
Abri lentamente a porta de vidro, entrei na casa e fechei a porta. Olhei para o chão quando ouvi um barulhinho de pingo, e vi uma pequenina poça se formando abaixo de mim. Senti vontade de me socar por aquilo. Se a mulher visse o molhado, iria imaginar que tinha alguém na sua casa. Mas agora já era, eu tinha que ir. Não podia esperar o vento me secar para poder atravessar a casa. Dei um passo pra frente, bem quando o telefone que fica na cozinha tocou.
– Oh deus! – ergui as mãos para cima, revirando os olhos para o tamanho da minha sorte.
– Eu atendo. – a mulher falou e eu ouvi seus passos se aproximando.
Olhei desesperada para os lados, procurando um lugar para eu me esconder. E o único que eu encontrei, foi o balcão vazio. Isso mesmo, o maldito balcão onde ficava a pia. Me escondi ali, rezando para a mulher não me vê e chamar a policia para mim. Os passos estavam bem mais próximos, e então, uma mulher que vamos dizer assim, um tanto... Linda, apareceu no meu campo de visão. Seu corpo não era escultural nem nada disso, mas ela estava em forma. Do jeito que eu quero ficar quando tiver nos meus quarenta anos, como ela parecia estar. Os cabelos em um tom muito diferente dos que eu já tinha visto na minha vidinha medíocre, era como caramelo, e brilhavam. O rosto em formato de coração tinha lindas covinhas quando ela sorria, deixando-a ainda mais bonita. Os olhos eram muito verdes, me fazendo ter inveja por os meus não serem assim, e sim serem apenas verdes. Talvez, o pavor tenha subido pra minha cabeça de vento – como Emmett gosta de falar – ou era o sol quente e dourado que entrava pela porta de vidro, mas uma “áurea” parecia brilhar daquela mulher. Os sorrisos e gargalhadas que ela dava ao falar com alguém pelo telefone, fazia aquela imagem se tornar como a de um filme. E eu desejei que a aquela mulher fosse algo minha, para poder vê-la sorrir. Não! Eu desejei que ela fosse a minha mãe.
Ok, não estava fazendo pouco caso da minha querida mãe. Eu a amava muito, assim como amava Charlie. Renée era uma mulher excepcional, encantadora, simpática, amorosa, ingênua, superprotetora, e muito linda, mas ao olhar para aquela mulher, era como olhar para uma estrela de cinema em um filme que ela é uma super mãezona, e então você deseja que sua mãe seja igual a ela. Mas isso só era paranoia minha, porque estava com muito medo e porque ficar muito tempo embaixo da água não deve ter feito muito bem.
A mulher colocou o telefone no gancho e virou bem na direção que eu estava escondida. Ela franziu as sobrancelhas – não a deixando nem um pouco menos bonita – e caminhou na minha direção. Eu prendi a respiração, achando que finalmente tinha sido descoberta e que iria para casa com um policial, mas não. A mulher olhou para a chão, balançou a cabeça e saiu.
– Querido, vamos ter que chamar o encanador. Parece que a pia está vazando. – ela falou, e sua voz foi sumindo aos poucos enquanto ela ia pra outro cômodo.
Nossa! Essa foi por pouco, pensei ao mesmo tempo em que suspirava. Sai devagar do meu esconderijo apertado e caminhei até a copa, vendo que não tinha ninguém. Sorri comigo mesma e caminhei na ponta dos pés para lá, deixando o meu rastro para trás. Passei pela porta para o corredor, pensando no tamanho da minha sorte quando empaco no lugar ao vê um garoto na outra ponta do corredor. Ele estava de costa, concentrado em alguma coisa que tinha na sala de estar. Eu grunhi e choraminguei vendo o meu pequeno momento de sorte ir por água a baixo. O garoto se preparou para virar, e eu, entrei em outra porta, esbarrando em algo no chão e indo de cara com o tal.
– Mas...? – ouvi a voz rouca do garoto ao falar.
– Merda! – resmunguei e engatinhei para o outro lado do cômodo.
Aquele era como uma pequena sala sem porta, com uma lareira, estantes e mais estantes de livros e um lindo piano de calda. Eu fui à direção da outra porta, saindo na sala de estar e bem perto da minha liberdade. Só que onde estava a minha liberdade, estava uma garota também. Ela não tinha me visto por eu estar atrás do sofá. Olhei para a sala que tinha acabado de sair, vendo a sombra do garoto se aproximando. Pronto, era só o que me faltava. Eu, perto da minha saída, ia ser pega. Engatinhei rápido para o corredor, pensando em driblar o garoto. Quando estava fora da vista da garota, eu levantei e corri para a ponta do corredor, mas não esperava que fosse sair dali o maldito garoto. Com o susto e por meu pé esta molhado, eu caí para trás. E caramba, doeu. E muito.
O garoto – uma gracinha, por sinal – me encarou de olhos arregalados. Claro, como acha que ele olharia ao vê uma garota de biquíni em sua nova casa? E que tem cara de doida e está toda molhada. Senti vontade de me morder naquela hora, mas me controlei para não piorar a minha situação.
– Eu... Eu... – eu comecei a gaguejar. – Por favor, não chama a policia. – supliquei.
O garoto me encarou por mais um minuto e deu um sorrisinho de canto sacana que me irritou, quase me fazendo xingá-lo. Só que mais uma vez eu me controlei... Uma pena. Não queria piorar meu caso.
– Me de um motivo para eu não fazer. – falou com uma sobrancelha erguida.
– Hm... – pensei em um. – Você pode está evitando uma garota de ser morta e uma mãe de família ser presa. – ele assentiu. – Ah, e de apanhar de uma garota também. – completei.
Ok, não foi legal o que eu falei. Mas poxa, ele sorriu sacana para mim! Caramba, nenhum garoto fazia isso comigo assim, olhando “debaixo”.
– Isso não foi bom. – ele falou e me deu as costas.
– Não. Não. Não. Espera ai. – levantei num pulo e segurei o braço dele. – Não faça isso. – pedi. – Você pode pedir qualquer coisa em troca, mas não faça isso.
O garoto me encarou de cima a baixo, fez um bico engraçado e assentiu.
– Ok. – disse por fim.
Ele me encarou pensativo, e eu sabia que ele estava pensando em alguma coisa. Só que eu não tinha tempo para isso nesse momento, Renée me esperava em casa, então...
– Olha, você pode pedir isso depois? É que agora eu estou atrasada. – levantei um ombro.
– Como vou saber se não vai fugir? – perguntou.
– Não vou. Juro. – levantei o dedinho mindinho. Ele encarou minha mão, sem entender. Eu suspirei e peguei a mão dele, cruzando o dedinho mindinho dele com o meu. – Eu moro tão perto que você nem imagina...
– Ok.
Ficamos em silencio, sem nos encarar. Eu olhava para o chão, vendo a pequena poça que formou ali no corredor. Estava molhando a casa daquele garoto, e ele não falava nada. Querendo — e precisando — sair logo dali, eu levantei minha cabeça e arregalei um pouco meus olhos. Ou aquela família estranha tinha algum poder sobrenatural de fazer as luzes amareladas baterem neles, ou a beleza deles era de filme. Assim que meus olhos bateram no rosto dele, eu vi que ele não era só uma gracinha. O garoto alto, de cabelos avermelhados, e de pele branca tinha olhos incrivelmente verdes, e um sorriso que fez minha respiração ficar presa em algum lugar do meu corpo.
Naquele momento, eu não sei o que aconteceu comigo, mas não foi uma coisa boa. Pois meu coração saiu em disparada no meu peito, e um embrulho se formou no meu estomago. Eu não estava sabendo como fazer nenhuma ação. Eu não conseguia nem respirar! Mexer os olhos parecia uma tarefa difícil. Porque eu continuava o encarando? E porque aquele sorriso tão malicioso e debochado estava me encantando? Eu queria piscar e desviar minha atenção do garoto, mas não conseguia. Eu só conseguia olhar aquele sorriso sumir e então seus lábios começarem a se mexer. O que ele estava falando?
Senti quando sua mão tocou meu ombro e me deu uma leve chacolhada. Que formigamento era aquela no lugar que ele tocava? Meu Deus, o que estava acontecendo?
– Garota, você está bem? — sua voz soou distante, e quase não entendi o que ele falava. Seus lábios se mexendo puxava toda minha concentração para ali.
– Hm? — fiz debilmente.
– Você está bem? — ele repetiu e eu balancei a cabeça, assentindo. — Tem certeza?
Ok, Bella, você tem que parar com isso. Mas como faz isso parar? Eu não estava conseguindo falar, nem nada. Eu tinha que parar de ter aquelas alucinações que rodavam na minha cabeça. Eram tantas imagens juntas daquele garoto que eu começava a me perder nela.
Outra balançada, outras palavras e um Para! gritado na minha mente. Foi assim que eu acordei daquele transe.
– Você... Pode, er... – cocei a cabeça, desviando meus olhos dele antes que entrasse novamente naquele estado estranho. – Me ajudar a sair?
– Vem. – ele pegou meu braço e me guiou para a sala.
Formigamento. Formigamento. Formigamento. Que porra era aquela?!
A garota que antes estava ali, agora não estava. Ele me levou até a porta, mas antes de sair, eu parei.
– Um minuto. – pedi.
Sabia que era muita folga minha, porque além do garoto não ter ligado para a polícia, eu ainda o fiz segurar meu celular e minha regata enquanto vestia a saia jeans. Vesti a regata preta, enrolei o cabelo molhado e peguei meu celular.
– Obrigado. – pisquei um olho e ele revirou os dele. – Ouch. – resmunguei.
Ele abriu a porta e eu sai.
– Er... Valeu... – fiz com a mão para ele falar o nome dele.
– Edward. – respondeu.
– Ah, Edward. – repeti, achando aquele nome um pouco familiar, não sei porque, afinal, era um nome um tanto... Raro e antigo. Assim como o garoto também me parecia familiar. Mesmo que a beleza também seja rara. – Então, valeu. E... Depois vemos o que você vai querer de minha santa pessoa. Agora me deixa ir lá...
– Você vai mesmo cumprir?
– Vou. Se eu não cumprir, você pode me obrigar, afinal, sabe onde eu moro.
– Mas eu não sei.
– Espera ai que você vai saber logo. – sorri. – Tchau, Edward.
Acenei e atravessei o enorme jardim verde, indo para o outro da casa ao lado. Mal cheguei à porta e ela foi aberta com força.
– Bella! – Emmett esbravejou e eu apenas revirei os olhos.
Olhei para a casa ao lado e Edward estava olhando para mim. Agora ele sabia que nós éramos vizinhos. Sim, beeeem vizinhos.
– Viu? Pode cobrar quando quiser. – falei para ele.
– Eu vou, hein. – riu.
Edward entrou na casa que eu quase me ferro, me deixando com o monstro do meu irmão. Emmett me encarava com uma sobrancelha erguida, tentando entender alguma coisa. Como sua capacidade de pensar era bem limitada, e eu não podia acabar com ela com minhas loucuras; apenas o empurrei para o lado e entrei em casa.
– Mamãe? – chamei.
– Você está ferrada. – Emmett falou, parando do meu lado.
– Cala a boca, imbecil.
Nosso amor era grande, não? Tão grande que não cabia na casa, e olha que ela era grande. Nós dois nos amávamos a ponto de ficarmos muito perto, agarrados um ao outro. A ponto de meus pés e minhas mãos estarem direto na cara dele ou em qualquer parte do corpo dele. A ponto de não conseguirmos dividir o mesmo cômodo. De nossas conversas sempre existir um “apelidinho carinhoso”. Nosso amor era imenso... Ok, ok, deu pra entender que não nos suportamos. Se eu pudesse, já tinha matado ele. E se ele pudesse, já tinha me matado.
Emmett era o tipo de cara com mente de garoto. Ele tinha dezessete anos e ainda parecia ter mente de onze. Implicar comigo, fazer brincadeirinhas sem graça, e essas coisas faziam parte do meu irmão. Ele, com seu metro e sei lá quantos de alto, adorava uma prancha com rodinha. Sim, meu irmão grandão com quilos de músculo adorava skate. Com seus cabelos castanhos claros — quase loiros, iguais aos meus — e olhos azuis que herdou da família de Renée, Emmett arrasa o coração de muitas menininhas idiotas que não o conhece direito como eu! Sendo irmãos da mesma idade...
É meio complicado de se explicar, mas o caso é que Charlie Swan, meu papai gatão e garanhão, acabou que engravidou a irmã da minha mamãe gostosa, e bem na época que engravidou mamãe. Sim, ele fez isso. Renée só veio descobrir isso dez anos depois, quando a mãe de Emmett, tia Cármen, estava no seu leito de morte por causa de câncer. Ela pediu para cuidar do meu irmão e contou o que aconteceu. Claro que isso gerou a separação dos meus pais e a vinda de Emmett para morar comigo e com mamãe. Então, somos irmãos parecidos, porque nossas mães são da mesma família. E ninguém percebe isso, que é só por parte de pai. Ela não tinha raiva de Emmett pelo que a mãe dele e meu pai fizeram, era como se ele fosse filho dela mesmo. As pessoas achavam que éramos gêmeos diferentes, por causa da idade. Burros como são, não percebiam a diferença de data de aniversário. Como eu disse, é complicado.
– Isabella – Renée falou entrando no cômodo.
Merda! Merda! Merda! Eu estava tipo assim: Muito, muito e muuuuuito ferrada. Renée quase nunca me chamava pelo meu nome inteiro. Renée também não gostava do meu nome, já que vou Vovó Swan quem escolheu, e ela e vovó se odiavam. Eu não sabia o porque, só sabia que elas não se gostavam e não se aturavam nem um pouco.
– Oi, mamãe. – sorri angelicalmente.
– Emm, querido, você pode subir pra eu conversar com sua irmã?
Ihhhh eu estou bem ferrada mesmo! Tirou o Emmett, quer dizer que a coisa é séria. Renée sempre deixava Emmett ou eu ver a bronca que ela dava no outro. Ééééé, eu não sou a única a levar bronca e meu irmão não é nenhum santo, não.
– Vou ouvir você se ferrar lá de cima. – ele sussurrou ao passar por mim.
– Vá se fuder, idiota. – sussurrei também.
Emmett subiu as escadas gargalhando da minha desgraça. Eu fiquei olhando para aquele lugar até ele sumir pelo corredor, depois me virei para Renée. Ela tinha uma expressão séria, que me fez vê a Renée advogada. Ela nunca trazia “essa expressão” para casa, porque não gostava de deixar a Renée Advogada comandar aqui. Por isso, ela sempre sorria para nós, era sempre divertida.
Eu sempre vi Renée como uma super mãe. Foi ela quem cuidou de nós, e digo que isso não é uma coisa fácil. Apesar de ainda termos Charlie, Renée gostava ser nossa mãezona e nosso paizão, nos dando tudo que precisávamos e mais um pouco. Ela lutava para dar atenção para nós e para o trabalho. Era raridade você vê Renée triste ou com raiva. Isso só acontecia quando Emmett e eu dávamos uma mancada das grandes. E parece que eu dei uma dessas mancadas.
– Er, mãe... Desculpa. – murmurei.
– Desculpa, Isabella? – ela ergueu uma sobrancelha e colocou as mãos na cintura. – Você não deveria pedir desculpas pra mim, e sim para Rick.
– Mas ele quem começou! – me defendi.
Ok, eu sei que acabei de parecer uma criança agora falando assim, mas poxa, foi mesmo a pestinha com cabeça de pirulito que começou.
– Isso não te dar o direito de tacar uma rodinha de skate na cabeça do garoto.
– E não da o direito dele me chamar de gorda. Olha para mim! Eu não sou gorda. – indiquei meu corpo.
– Por isso mesmo que você não devia ter feito aquilo. Você sabe que não é gorda e mesmo assim aceita a ofensa do garoto.
– Ah. – bufei. – Ele mereceu. O garoto é folgado demais para o meu gosto.
– Verdade! – Emmett gritou do andar de cima e eu revirei os olhos.
– Bella, você discutiu com uma criança. Deveria rever seus conceitos e pensar no papel que está fazendo. Está sendo mais infantil que ele.
Ouch, essa doeu na alma. Uma garota de dezessete anos ser considerada como uma criança vai lá no fundo. Beeeeeem no fundo. Renée pegou pesado dessa vez. Caramba, o garoto também atacou uma pedrinha em mim. O mínimo que eu podia fazer era acertar seu cabeção com minha rodinha quebrada. O caso foi que eu, tentando fazer uma manobra nova, acabei caindo e quebrando uma rodinha – ou mais uma – do meu skate. O pestinha cabeçudo do Rick viu e riu, falando que eu era péssima. Fui tirar satisfação com o cabeça de balão e ele disse que eu era gorda, além de tacar uma pedrinha na minha cara. Eu, no meu excesso de muita fúria, joguei minha rodinha quebrada no cabeção dele, quase furando seu balão. Eu admito também que ia acertar o skate nele como se fosse um taco de beisebol, mas Emmett me parou na hora. Foi por pouco que eu não fazia aquela graça.
Renée me encarava ainda muito séria, e eu sabia o que ela esperava, então tinha que dar o braço a torcer e falar o que ela queria.
– Eu sei que fui errada, mamãe. – eu disse. – Sei que pareci infantil discutindo com uma criança. Desculpa.
– E...?
– E isso não vai acontecer mais. – abaixei a cabeça.
– Ok, Bella. – ela suspirou. – E você está de castigo.
– Mãe! – choraminguei.
– Não, Bella. Não vai adiantar nada nós conversamos e pronto.
– Mãe. – chorei mais uma vez.
– Uma semana sem ir ao Skatepark – arregalei os olhos. – E não vou mudar de ideia. – continuou quando fui abrir a boca para protestar.
Não acredito! Uma semana sem andar de skate. Uma semana! Renée queria me matar de abstinência skatista. Ok, ok, isso não existe. Mas a partir de agora vai existir, porque eu vou morrer disso!
– Não vale. – reclamei.
– Agora vamos para outro assunto. – me ignorou completamente.
Renée pegou minha mão e me puxou para o sofá, sem se importar que minha roupa estivesse úmida. Nós sentamos uma de frente para a outra.
– Mãe, eu sei que vai falar sobre papai. – comecei. – Olha, foi mancada eu não ter aparecido lá no sábado passado, mas é que eu não queria passaraquelesábado assistindo jogo.
– Bella, seu pai gosta que você apareça lá. E fazia um bom tempo que você não ia.
– Eu sei. – suspirei.
– Filha, você não quer mais ir à casa de seu pai? É isso?
– Não! Nada disso. Você sabe que eu adoro o papai e seus salgadinhos. Mas tem sábado que não dá pra eu ir. – sorri triste. – Mamãe, nesse próximo sábado, eu vou, ok?
– Ok, mocinha. – ela sorriu e me deu um beijo na testa. – Mas porque não foi hoje?
– Ahh, estava relaxando.
– Hm... – me olhou desconfiada. – Aonde? E porque mesmo está molhada?
– Er... Hum... – olhei para os lados.
Renée não podia saber que eu estava nadando na piscina da vizinha, ou então me mataria. Na minha casa também tem piscina – não tão grande quanto aquela, mas tem. Só que Renée me proibiu de nadar nela por um mês porque eu tinha feito umas coisinhas na casa da Tia Abigail. Eu estava de castigo e não podia chegar perto de uma piscina ou qualquer lugar que desse para eu bater os braços e as pernas. Então, por isso, que fazia quase uma semana que eu nadava na piscina da vizinha.
– Eu fui à casa de uma amiga e a infeliz ligou os irrigadores, me dando um banho. – abri os braços mostrando meu estado deplorável.
– E você foi lá sem nada nós pés? – ergueu uma sobrancelha.
– Er... Não. – murmurei.
Merda, eu tinha esquecido meu Vans na casa da nova vizinha. Oh meu deus. Meu queridinho Vans preto ficou lá, sozinho, sem sua dona. Meu Vans companheiro e surrado.
– Ok, garota. – ela levantou num pulo. – Não precisa explicar isso... Agora.
– Ok. – assenti.
– Vá para o seu quarto e tome um banho.
– Estou indo.
Subi as escadas correndo e pensava que no impulso entraria no meu quarto correndo, mas fui barrada por um saco de músculos conhecido, infelizmente, por meu irmão.
– Então foram os irrigadores, hm? – me olhou desconfiado.
– Foram. – assenti divagar. – Se você falar para ela, eu te mato.
– Como se eu tivesse medo. – revirou os olhos.
– Emmett, a ameaça é bem séria. Abra essa sua boca grande, que eu juro que corto sua língua e jogo seu corpo do píer. – o empurrei pro lado. – Só fale alguma coisa pra você vê...
Deixei o babaca lá, me encarando de olhos arregalados, e entrei no meu santuário. Meu doce quarto.
Tranquei a minha porta para o caso de meu querido irmão querer vir falar alguma besteira. Tirei a regata meio molhada e joguei no chão, ao mesmo tempo em que me dirigia para meu banheiro. Tirei também a saia e joguei para algum lado. Ao entrar no banheiro, eu evitei olhar meu reflexo, por que com certeza eu não deveria está nada bonitinha. Liguei o chuveiro no frio e entrei debaixo.
Ao terminar, me enrolei numa toalha e voltei para o quarto, secando meu cabelo com outra toalha. Fui para o closet pegar uma roupa.
– Deveria arrumar mais esse chiqueiro!
O grito que saiu de mim foi tão alto e fino que não duvido que tenha quebrado alguma janela ou matado algum passarinho. Coloquei a mão no peito – segurando a toalha que estava no corpo, já que eu secava o cabelo foi para algum lugar quando me assustei. Minha respiração estava presa em algum lugar do meu pulmão e meu coração parecia querer sair pela boca.
Encarei a vadia loira que estava deitada na maior vida boa em minha cama. Com as mãos atrás da cabeçona dela, ela me encarava com um sorrisinho irritante e uma sobrancelha erguida.
– Co-como... Como você entrou? – perguntei.
– Ué, pela porta. – deu de ombros e fez cara de óbvio.
– Mas... – olhei para a porta, aturdida. – Mas eu a tranquei!
– Trancou? – a maldita levantou e foi até a porta, pegando a maçaneta e girando. – Verdade, você trancou ela. – sorriu e voltou para a minha cama.
– Merda! – esbravejei. – Você tem que parar de entrar pela minha janela.
– Ah, Bella, relaxa. – revirou os olhos. – Um dia eu paro.
– Um dia... Um dia... – resmunguei comigo mesma. – E tira esse tênis sujo de cima da minha cama.
– Qual vai ser a diferença? Olha para isso! – apontou para o meu quarto inteiro. – Está uma bagunça isso aqui.
– Como se aquilo que você chama de casa fosse arrumada. – dei as costas para ela e entrei no closet. – E tira os pés de cima da minha cama!
– Tanto faz, Bella! – ela gargalhou.
– E não pula na cama! – berrei.
Eu não precisava olhar para saber que ela estava fazendo aquilo. Aquela vadia loira tinha essa mania ridícula de nunca fazer o que eu mandava, e ainda piora o que eu pedia para parar. Isso só para me irritar.
– Deixa de ser chata, Bella. – resmungou. – Mas agora é sério – começou, quando sai do closet, já vestida com um short jeans e uma camiseta. – você precisa arrumar isso daqui. Tem tinta até no teto.
– Dane-se a tinta.
– Você deve pintar no estúdio, não aqui.
– Eu pinto aonde eu quiser. – falei. – Rosalie, para de encher, vai. O quarto do Emmett é do outro lado do corredor, então vai “brincar” com ele.
– Ugh! – ela tremeu e botou a língua pra fora. – Eu nunca entraria no quarto do Emmett.
Revirei os olhos para a sua cara de nojo. É, o quarto do meu irmão não era um bom lugar para entrar. Acho que nem Renée gostava de entrar lá, imagina as outras pessoas. Fazia mais de um ano que eu não entrava lá e não quero entrar nem tão cedo. Tudo bem que o meu quarto não podia ser chamado de arrumado, com roupa espalhada pelos lados – até em cima do notebook -, tênis pelo chão, pincel, tinta, e outras coisas. Minha cama não era arrumada fazia uma semana, e eu não me importava nem um pouco com aquilo.
Meu quarto por ser meu santuário, era a minha cara. A parede, que Renée mandou pintar de rosa, estava lotada com pôsteres de banda com Linkin Park, Sum 41, Green Day, ACDC, The Ramones, e da Karen Jonz – uma brasileira muito fera do skate. E do Tony Hawk. Eu era fãzona do cara, e se visse ele na minha frente, com toda certeza, iria me ajoelhar por ele ser um deus na prancha de rodinhas. Na parede da porta ficava a escrivaninha com meu notebook cheio de adesivos. Na outra parede estava minha cama, que no teto em cima tinha outro pôster do Sum 41 e um desenho que eu tinha desenhado de Rosalie, Emmett e eu. Tinha um banheiro e um closet também. E o que mais deixava tudo perfeito era uma janela que ia do teto ao chão que abria para uma varanda e o teto do andar de baixo.
Rosalie me encarava com sua cara de anjo. Ok, ok, isso é uma mentira deslavada que eu admitia. Sua cara era angelical, mas é só a cara mesmo, porque ela... Humpf. Ela com toda certeza iria fazer uma visitinha pro capeta quando morresse. Quem a visse acharia que ela fazia parte do time das lideres de torcida e que chorava quando quebrava uma unha. Mas Rosalie era totalmente o oposto disso. Ela o-di-a-va lideres de torcida e a-do-ra-va quebrar uma unha... Delas, é claro. A garota de cabelos castanhos claros — quase dourados — e de corpo escultural curtia mais uma calça jeans surrada, um Nike, uma camiseta do The Ramones, uma prancha com rodinhas e um iPod com músicas do Linkin Park.
– Tanto faz. – caminhei até a janela e abri as cortinas. – Agora fala o que quer, vadia.
– Você tem que parar de me chamar assim. – ela me deu um soquinho no braço. – Vim aqui saber por que não apareceu hoje Pioneer Skatepark?
– Porque eu não posso.
– Porque você não pode, Bella? – Rouss tirou o tênis da Nike e sentou na minha cama, cruzando as pernas em forma de índio.
– Como se você não soubesse. – revirei os olhos. – Por causa do Rick.
– O cabeça de balão?!
– Esse mesmo. – bufei.
– Não acredito que tia Renée te proibiu de ir no Pioneer por causa daquele cabeção.
– Ela não gostou nem um pouco de eu ter acertado a cabeça dele com uma rodinha de skate. – sentei ao lado da Rosalie. – Agora eu vou ficar uma semana sem aparecer por lá.
– O que?! – arregalou os olhos.
– Isso mesmo. – suspirei. – Estou um mês sem piscina e uma semana sem ir ao Pioneer.
– Que crueldade. – balançou a cabeça em descrença. – Tia Renée está sendo injusta com você. O cabeça de balão mereceu aquela rodinha.
– Eu sei que ele mereceu! Mas mamãe não aceitou isso.
– Meus pêsames, Bella. – Rosalie me abraçou de lado. – Que tal congelarmos você por uma semana? Assim você não vê o tempo passar e não sofre sem seu skate.
– Se liga, Rose! – a empurrei. – Cada ideia idiota que você tem.
– Caramba, só estava tentando ajudar. – ela fez bico. – Que tal nos acalmar?
– Essa ideia é boa.
Nós saímos para a varanda e passamos para o teto do andar de baixo – caso Renée viesse para o meu quarto e o abrisse com a chave reserva que ela tem -, ficando bem escondidas. Rosalie tirou uma cartela de cigarros do bolso da calça, acendeu um e me entregou. Coloquei o maço na boca e puxei o ar, sentindo a nicotina. Rose acendeu outro para ela, fumou e virou para mim.
– Hm, e como você está fazendo com o lance da piscina? Nadando na banheira? – ela riu de sua piadinha sem graça.
– Não. Tenho meus truques. – franzi as sobrancelhas ao tragar o cigarro. – Ou tinha, já que agora ele não vai dar mais certo.
– Por quê?
– Ta vendo aquela piscina ali? – apontei para o quintal vizinho.
– A piscina que parece aquela olímpica? É, eu estou.
– Eu ia lá e nadava.
– Claro, bem pensado. – ela riu. – A casa está vazia.
– Errado, gata. Muito errado. Ela estava vazia.
– Como assim?
– Ganhei vizinhos novos. – revirei os olhos. – E fui pega nadando lá.
– É o que? – a loira gargalhou alto, me fazendo revirar os olhos. – Você foi pega dando umas batidinhas de braço? Ah meu deus, queria ter visto.
– É, você devia ter visto. – ri ao lembrar. – Eu tive que me esconder embaixo da pia para a nova dona não me vê. Comecei a ficar louca a ponto de desejar que a mulher fosse minha mãe. Andei de quatro pela casa e fui pega quase seminua pelo garoto garoto lindo que tinha lá. É, cara amiga vadia, você deveria ter visto.
Nós duas gargalhamos. Eu olhei novamente para a casa ao lado, me fazendo a mesma pergunta de um mês atrás. O porquê da piscina olímpica? Sim, eu estava em uma piscina olímpica. Quando eram os antigos donos que moravam ali, a piscina era como a de casa, normal. Um pouco maior do que a nossa, mas ainda era normal. Depois que eles foram embora, passou acho que um mês e então reformaram a piscina, deixando-a um pouco maior e fazendo-a parecer uma olímpica, com aquelas divisórias e tudo. Até cogitei a hipótese de César Cielo estar vindo ser meu vizinho e assim nós podermos nadar juntinhos – se é que me entende. Mas como era paranoia minha, e eu tinha muita assim, deixei de lado.
Agora eu me perguntava por que será que os novos vizinhos tinham uma piscina olímpica? Será que alguns deles faziam natação. Duh, mas é claro. Ou então porque teriam uma piscina dessas. Era muita burrice minha. Devo estar passando tempo demais com Rosalie.
– Então quer dizer que o garoto é lindo? – ela me cutucou com o ombro.
– Muito, muito lindo. – sorri comigo mesma. – Estou devendo um favor para ele.
– Sexual? – me encarou maliciosa.
– Não sei. Não dei tempo para ele falar. Mas se for... Não vou me importar. – dei de ombros e Rosalie riu.
– Como assim não deu tempo para ele falar?
– Renée queria falar comigo. – bufei. – Então tive que sair “correndo”, não dando tempo de o garoto dizer o que iria querer de mim.
– Nossa, gata, que chato. – ela fez careta. – Mas ele é tipo assim, muito, muito gatinho?
– Não, ele é do tipo: Acrescente mais cinco mil muitos e olhe lá se isso o descreve.
– Oh meu deus! – ela arregalou os olhos e sorriu maliciosa. – Preciso conhecer esse gato.
– Claro, claro. – revirei os olhos e cutuquei-a com o cotovelo.
– O que? Você quer o cara pra você? – arregalou os olhos.
– Hm... Pela minha lógica, se eu responder sim, eu vou está indo pelo caminho que esse garoto lindo com toda certeza irá me fazer sofrer de varias formas diferentes, como ciúmes, traição, discussões sem lógica...
– Isso parece muito gostoso. – ela lambeu os lábios.
– Uma delicia. – suspirei.
– Hoje a noite está uma delicia. – ela olhou para o céu. – Que tal uma fugida?
– Hm... Sei não... Essa proposta é tentadora demais para mim e eu sou uma filha responsá... Aceito! – pulei no teto.
– Bella. – Emmett bateu na porta. – O jantar está pronto.
– Ok, eu, er... Já vou descer. – falei só com a cabeça para dentro do quarto.
– Ta.
Ouvi seus passos se distanciando até sumirem, então me voltei para Rosalie, que encarava o nada ao dar uma ultima tragada no seu cigarro e jogá-lo para o lado.
– Hey! – chamei-a, que se virou para mim. – Eu vou ter que jantar e dar uma desculpa esfarrapada pra Renée, primeiro. – revirei os olhos. – E então? Quer vir?
– Nãaa. – balançou a mão em descaso. – Vai lá.
– Ok.
Eu entrei no quarto, coloquei um chinelo e desci para a cozinha, para encenar o que sempre encenava e assim fugir de casa para aproveitar a noite.
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