Aquela Garota

3 Deu Merd*!


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2. Deu Merd*!

Ao descer as escadas correndo, eu virei para a cozinha e me deparei com uma cena um tanto quanto cômica, onde Emmett e Renée estavam, er... Se divertindo. Como? Ele estava sentado no banco do balcão e ela perto do fogão, com a mão cheia de balas – que vieram do potinho que tinha ali -, e jogando para ele pegar com a boca. Eu encostei-me à quina da porta, encarando a cena boba na minha frente. Isso era tão normal ali que eu nem me impressionava mais. Ela pegou mais uma e jogou, mas ele não conseguiu pegar. Os dois gargalharam alto.

– Isso é lindo de se vê, sabia? – perguntei, assustando os dois.

– Vai ser mais bonito se você participar. – Renée retrucou, jogando mais uma bala para o Emmett, que dessa vez pegou.

– Hoje não. Obrigada. – suspirei.

– Muito bem, grandão. Chega de balas por hoje. – Renée colocou as balas de volta no pote e se virou para mim.

– Parece que você está falando com uma criança. – brinquei e só ela riu. O Emmett bufou.

Segui para a mesa, onde o Emmett já estava sentado. Algo muito estranho era ele estar quieto e não ter soltado nenhuma respostinha sem graça para as minhas brincadeiras mais sem graça ainda. Aquilo era uma coisa muito, muito estranha mesmo, mas relevei, afinal, tudo era mais importante do que meu irmão sendo esquisito. Uma coisa que ele era até respirando. Sério, fazia um barulho estranho... Não era um ronco, nem nada do tipo, ele só fazia isso mesmo quando estava dormindo.

– Rosalie não vai descer? – Renée perguntou enquanto colocava a salada na mesa.

– Mas...? – encarei-a de olhos arregalados. – Como você sabe que ela está lá em cima?

– Pelo seu grito. – ela deu de ombros. – Só ela para te assustar.

– Não é verdade. Eu me assusto com baratas também.

– Sim, mas se fosse uma barata, você teria saído correndo do quarto.

Deu para perceber que Renée me conhecia muito bem. Até demais, para falar a verdade. Então será que isso podia não ser legal quando eu aprontasse? Quero dizer, se ela me conhecia a ponto de saber pelo meu grito que era Rosalie quem estava lá em cima, ela não poderia saber que eu menti sobre estar na casa de uma amiga? Isso só podia significar que eu deveria tomar cuidado com Renée Swan, ou então ela iria me levar para o meu fim me colocando de castigo por não respeitar os seus castigos já impostos. Isso era uma maravilha das maravilhas!

– Não. Ela não quis vir. – respondi sua pergunta anterior.

– Uma pena. – Renée suspirou. – Gosto de Rosalie, apesar de ela não ser uma boa influencia.

– Mãe... – encarei-a com tédio. – Eutambém não sou uma boa influencia.

– Eu sei, querida. – ela se esticou na cadeira e me deu um beijo na testa.

Eu olhei para o Emmett, que mastigava o que tinha na boca e nos encarava. Por mais insano e idiota que possa parecer – e é o que parece – eu esperava algum comentário nonsenseou quem sabe uma risadinha. Mas não. Nãoooo. Ele não fez nada, apenas assentir e sorrir. Certo! Algo estava acontecendo de muuuuuuito estranho com meu irmão. Talvez, ele tenha sido abduzido por ETs, afinal, a maioria dos ETs vem parar aqui na Califórnia ou em Texas, que não estava tão longe. Não! Porque duas horas atrás ele estava idiota como sempre. Foi muito rápido, se aconteceu. Ou talvez Emmett esteja planejando alguma coisa...

Eu chutei de leve a canela dele, pra vê se ele me olhava.

– Ow! – exclamou, abaixando para ver a o lugar que eu tinha machucado.

Ok, não foi tão de leve assim. Mas foi, er... Sem querer. ESTÁ BOM! Não foi sem querer merda nenhuma. Eu fiz porque ele mereceu.

– O que foi, querido? – Renée perguntou, mas sem se importar realmente.

– Er... – ele me encarou e eu mexi o nariz, em um código nosso e então apenas deu de ombros.

Só para deixar explicado aqui, essa porcaria de “código” não fui eu quem inventei. Mesmo sem eu falar, já da pra imaginar de quem foi à ideia, hum? Claro que dele. Emmett quem deu a ideia para nós nos comunicarmos em códigos quando não podemos dizer em voz alta porque Renée está perto. Eu não tinha nenhuma imaginação para criar algum código secreto, então, deixei esse árduo trabalho para o meu querido irmão. Mas isso não foi nem um pouco legal. Não! Foi idiotamente horrível. Os códigos eram tão sem graça quanto ele. Tinha três deles: 1)Mexidinha no nariz significava “Assunto sério, então, CALA A BOCA, IMBECIL”. Sempre usávamos esse para quando Renée percebia alguma coisa. 2) Pontinha da língua pra fora significava “Cara, saidinha hoje a noite, minta que vai dormir cedo”. E 3) Piscar duas vezes significava“Me da cobertura que eu te pago depois, mano”.

Eu sei. Eu sei. Muito idiotas os códigos, você pode rir se quiser, eu não ligo. Tive muito tempo pra me acostumar com essa merda, então, não me importo mais. Eu até tentei fazê-lo trocar, mas Emmett disse que seriam aqueles e ponto final. Não adiantou nem eu ameaçar. Então, ficou por isso mesmo e eu tenho que fazer esses códigozinhos idiotas para a felicidade do Emmett.

Meu irmão me encarava, esperando a mensagem importante. Então, eu fiz o código 2, colocando a pontinha da língua para fora.

– Bella, não provoque o seu irmão. – Renée me repreendeu, mesmo que não precisasse.

Emmett assentiu, entendendo já o que tinha hoje à noite. Nós terminamos o jantar numa conversa amena – a conversa vinha só de Renée e de mim, já que Emmett não falava nem uma palavra. Eu continuava a estranhar esse ato esquisito, mas não comentei nada. Não até a hora que Renée e eu fomos lavar a louça. Ela lavava e eu secava, numa cena perfeita de filme. Ok, não tão perfeita, já que era eu estava ali. Eu não parecia essas garotinhas de filme. Desculpe, genética errada.

– Mamãe, o que o Emmett tem? – perguntei, quando ela terminou de contar seu dia de trabalho.

– Ah, filha. – suspirou. – Ele decidiu seguir o exemplo daquele seu amigo, o... O... Aquele seu amigo estranho.

– O Alec. – revirei os olhos.

Renée tinha a engraçada mania de esquecer o nome dos Emmett e dos meus amigos. Eu não sei porque, afinal, ela nem era velha! Eu não ficava impressionada só com isso, porque ela também esquecia meu nome, sendo que eu era filha dela. Sempre me chamava de Mary ou Amanda porque era o nome que queria para mim. Poxa, se odiava tanto Isabella discutia mais um pouco com a minha avó, agora esquecer meu nome é sacanagem.

– Esse mesmo. – ela riu. – Então, Emmett está o copiando e ficando uns dois dias sem falar.

– Quer dizer que o Emmett não vai falar até segunda-feira? – perguntei super feliz, e Renée riu. – Foi tudo que eu pedi a deus. Dois dias sem ouvir a voz do meu irmão.

– Quanto amor... – Renée cantarolou, se divertindo.

Ela me entregou um prato.

– Mas porque esta decisão vinda dele?

– Não sei... – ela me encarou confusa, como se não tivesse pensado nessa pergunta tão óbvia.

– Ah. – revirei os olhos. – Só espero que não seja pelo mesmo motivo que o Alec.

– E qual é o motivo dele? — perguntou.

– Foi por causa de uma garota, que terminou com ele. — ela abriu a boca para dizer que aquilo era bobagem, mas eu a cortei. — Alec a amava de verdade, pelo menos era isso que ele dizia, e um dia ela chegou nele, disse que queria terminar por que não estava dando mais certo. Falou que ele era chato, falava demais e que as vezes era insuportável aturá-lo. Essa garota acabou com Alec, e ele prometeu que não falaria mais, até quando eu já não sei.

Meu amigo odiava tocar nesse assunto, e eu concordava com ele. Não tinha nada ruim como a pessoa que você gosta e diz gostar de você, vir e falar essas palavras cruéis. Só eu sabia o ódio que eu tinha da garota. Ela não me descia!

– Caramba, que garota malvada. Não quero isso para o meu Emm.

– Pois é. — dei de ombros. — Mas eu acho que não, apesar que uma garota poderia dizer que ele é um panaca, imbecil, criança, idiota, burro...

– Bella! — Renée me deu um leve tapa no ombro, rindo. — Para de dizer essas coisas do seu irmão.

– Mas o que eu posso fazer se é verdade? — ergui a sobrancelha.

– Ok, ok. — ela revirou os olhos.

Nós terminamos ali e fomos para a sala. Fiquei assistindo TV por uns cinco minutos, até fingir que estava dormindo sentada. Renée me mandou ir dormir, e eu subi as escadas lentamente — fazendo ceninha para o meu teatro -, e assim que entrei no quarto, pulei, joguei as mãos para cima e fiz a minhadancinha da vitória — não do Emmett que gosta de pagar um pau para mim.

– Da pra parar com a palhaçada? — Rouss apareceu na janela.

– Ok, parei. — levantei as duas mãos em defesa. — Emmett também vai. — fui ate minha cama e me joguei lá. Rosalie imitou meu gesto. — Agora é só esperar Renée passar pelo corredor, dar uma hora para ela dormir e pronto.

– Yeah. — ela assentiu. — Já estamos até acostumada, não é?

– Com certeza. — eu ri. — Vamos para onde hoje?

– Ah, no parque. O pessoal do Pioneervão fazer nada lá, só conversar.

– Legal. Preciso mesmo ir lá.

Ficamos conversando bobagens por um tempo até a sala ficar em total silencio e minutos depois os passos de Renée no corredor.

– E então, já é... — olhei no visor do meu celular. — meia-noite. Vamos... Vadiar?

– Demorou. — Rosalie pulou cama e seguiu para a janela.

Mandei uma mensagem para o Emmett avisando que estava saindo e segui a loira, que já estava em cima do teto do andar debaixo. Ela se esticou até tocar na árvore e com habilidade passou para lá. Eu fiz a mesma coisa, só que desajeitadamente — ela estava mais acostumada a isso -, só que parei quando uma luz acesa da casa ao lado chamou minha atenção. Quando vi, eu senti minha respiração ficar presa no meio do caminho e meu equilíbrio ir pelos ares. Minha perna atravessou um galho, por falta de reflexo minha mão passou atrasada na hora de pegar outro e isso tudo resultou com a minha cara no chão. Literalmente.

– Ai. — murmurei, bufando e cuspindo um pouco de grama.

– Tem algo quebrado? — Rosalie perguntou ao se aproximar.

– Acho que não.

– Então levanta logo! — e sem nenhuma delicadeza, ela me levantou.

– Ai. — resmunguei mais uma vez, mas então, eu me lembrei da cena que vi e não pude evitar um suspiro.

– Tem certeza que não quebrou nada? — Rosalie perguntando, me olhando de cima a baixo.

– Sim. — assenti. — Rosalie, eu acho que vi as costas de um deus.

– O que?

Eu olhei novamente para a janela, só que para o meu total desagrado e minha grande tristeza, a luz estava apagada. Mas ao lembrar a cena, eu soltei outro suspiro, porque Caramba!, que costas mais... Gostosas eram aquelas. Até parecia as costas de Cesar Cielo de tão lindas que eram. E eu estava tão perto que deu para ver de relance algumas pintinha espalhadas por aquelas costas. Ah meu Deus, que costas... Que pintinhas... Que músculos...

– Rose, costas lindas... — murmurei.

– Ah não — ela pegou minha mão e começou a me puxar na direção da frente da casa. Eu apenas a seguia, ainda atônita. — nem começa com essa sua obsessão por costas.

– Mas era tão linda... — sussurrei..

Rosalie bufou e continuou a me puxar até a frente da casa, aonde Emmett e Alec já estavam. Os dois estavam fumando, e nem Emmett falava algo. Me perguntei até quando ele iria com aquilo, porque ele nunca aguentaria dois dias de puro silêncio. Assim que nos aproximamos, Rosalie tomou o cigarro do meu irmão e fumou. Emm abriu a boca pra reclamar, mas ela arregalou os olhos e ele apenas deixou de lado, acendendo outro. Nós começamos a seguir na direção do parque, eu ao lado do Alec, que dividia o cigarro comigo. Rosalie e Emmett iam na frente, entre brincadeiras, como sempre. E eu e Alec íamos mais atrás, afastados.

– Sabe o que aconteceu com Emmett? — perguntei para ele, que negou com a cabeça. — Eu sei que ele é estranho, mas está pior. — Alec riu. — É sério.

– Acredito. — falou.

Eu já estava acostumada com as frases monossilábicas dele. Alec não era mudo de fato, só bem mais silencioso que antes.

– Que bom. — sorri. — Ele decidiu não falar mais, igual a você. Repara ali que Rosalie fala sozinha — apontei para os dois á frente, e apenas Rose falava. — e eu queria saber o motivo.

Alec deu de ombros, indicando que não sabia mesmo. Eu suspirei em derrota e puxei Alec para correr e acompanhar os dois. Assim que chegamos ao Pioneer, Emmett seguiu para o lado do pessoa que estava tocando violão, enquanto eu fui para a tigela, aonde tinha uns meninos andando de skate.

Tijela não era exatamente uma tigela, era apenas um buraco de concreto no chão com o formato de uma tigela. E por causa disso, apelidamos aquela parte assim. Só que com o J, ao invés de G.

– E olha quem chegou! — Paul falou, jogando os braços pra cima.

– Com toda certeza a rainha da beleza. — falei, ao me aproximar dele.

Paul e eu trocamos um toque e então ele estendeu para mim o skate. Eu sem nem pensar peguei e fui para a tigela, aonde Quil estava fazendo manobras. Fiz algumas, adorando estar ali, e melhor ainda, escondida da minha mãe. Se ela descobrisse... Era melhor nem pensar no que ela faria. Mas com certeza não seria uma coisa boa.

Quando cansei, eu sai da tigela e entreguei o skate para o Paul, depois segui para onde Rouss, Alec e Emmett estavam. Eu me sentei na rodinha e fiquei ouvindo Seth tocar violão e cantar uma música conhecida. Ficamos daquele jeito até ouvir algo que fez a minha vida inteira passar diante dos meus olhos, um frio correr pela minha espinha e os pelos da minha nuca se arrepiarem. Emmett ao meu lado congelou no lugar. E todos que estavam ali na roda, ou pelo menos do outro lado do continente, ouviram e nos encararam.

– ISABELLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! EMMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETT!

– Fodeu. — murmurei, fechando os olhos e fazendo uma reza braba para poder continuar viva.


(…)


– Eu ainda não acredito que vocês dois saíram de casa, a essa hora, e escondidos de mim! — Renée falava, falava e falava, andando de um lado para o outro sem parar. Acho que até vi uma inclinação no assoalho de tanto ela fazer o mesmo caminho. Pobre do chão da sala, e das paredes, que também tinham que ouvi-la. — O que eu fiz para vocês serem tão... Tão... — ela parou e nos encarou. — Tão vocês!

– O que ela quis dizer com isso? — eu perguntei para Emmett, que negou rápido com a cabeça, sem desgrudar os olhos de Renée, que praticamente nos fuzilava.

– Eu estou decepcionada com vocês dois. Eu os crio tão bem, dou tudo que vocês precisam, não pego no pé de vocês, os deixo sair quando me pedem... — abri a boca para protestar, mas ela levantou o dedo, então eu fechei minha boca novamente. — E o que eu ganho em troca? Dois fugitivos!

– Mas nós não fugimos. — Emmett falou e recebeu um olhar gélido que até o fez se encolher no sofá.

Ah, agora ele fala!, pensei ironicamente. O segredo daquilo tudo era ficar em completo silêncio e ouvir, até Renée cansar e nos mandar para nossos quartos. Sempre foi assim. Mas Emmett decidiu quebrar o código de silêncio dele e falar, deixando Renée ainda mais nervosa. Se é que isso podia acontecer. A mulher estava furiosa!

Renée jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e deu um longo suspiro. Eu fiquei olhando para ela, esperando alguma outra reação ou palavras que pesaria na minha consciência, mas não veio nada. Ela só ficou ali, parada.

Bem... Depois daquele grito super alto, Renée apareceu na entrada do parque, e com um olhar assassino que fez Emmett começar a correr na direção contrária da dela. Eu levantei rápido e segui na mesma direção que ele, só que Rosalie me segurou pela camiseta e falou que se eu corresse, seria muito pior. Então, com toda a coragem que tinha no meu lindo corpinho e na minha alma santa, eu respirei fundo e fui até Renée. Claro que tinha o medo de ela me fazer passar vergonha talvez me dando um tapa na bunda ou um puxão de orelha — como ela adorava fazer -, mas ela apenas apontou para a rua, indicando sem palavras que era para eu ir embora. E óbvio que eu fui.

Eu achei que Renée iria atrás do Emmett, só que não, ela veio do meu lado, ainda em silêncio. Eu tentei pedir desculpas, mas Renée estava de uma forma estranha, por que ela nunca agia assim quando um de nós aprontávamos.

– Mãe, olha... — comecei, só que ela me fuzilou com os olhos. Eu suspirei e tentei de novo. — Não foi por mal, eu juro. Nós só queríamos... Sair um pouco.

– Em casa, Isabella.

Depois dela falar meu nome inteiro, eu fiquei quieta. A coisa estava feia para o meu lado, eu tinha dado mancadas demais com Renée em pouco tempo, e naquele mesmo dia, mais cedo, nós tínhamos conversado sobre eu aprontar, e agora tinha feito isso com ela. Eu era uma péssima filha mesmo, deveria levar uns... Não, eu era ótima! Só não era compreendida como deveria...

Quando chegamos em casa, Emmett estava em seu quarto, deitado e fingindo que dormia. Mas é claro que isso não pegou com Renée, ela puxou os cobertores dele, o fazendo cair no chão. Eu apenas assistia a cena, querendo rir, só que não podia, para as coisas não complicarem mais ainda para mim. Ela deu um crock na cabeça dele e mandou nós dois descermos para a sala, que ela queria ter uma loooooooooonga conversa. E nós fomos, sem nem falar uma palavra.

E agora, estávamos ouvindo Renée falar, falar e falar sem parar. Palavras que nos faziam ficar piores do que já estávamos. Ela estava jogando sujo, fazendo chantagem emocional, e nós estávamos caindo.

– Eu realmente não sei mais o que fazer com vocês dois. — ela falou finalmente, nos encarando. Seus olhos estavam tristes, o que piorou tudo. — Eu já coloquei castigos, tirei a piscina, o skate da Bella e do Emmett o videogame, mas não adianta, vocês não entendem! Qual é, filhos, o que custa se comportar? Vocês já são maiores que dezesseis anos, tem que crescer de cabeça também. Estão mais parecendo as crianças que bagunceiras foram do que atuais adolescentes. — ela soltou outro suspiro e sentou na mesinha que tinha na sala. Ficou nos encarando por alguns minutos. — Estou esperando.

– O que? — o anta perguntou.

– Uma desculpa qualquer que vocês vão dar.

– Ahhh. — ele fez. — Então podemos mesmo?

– Não é o que vocês queriam fazer quando os encontrei? Então, vamos lá, me mostre a criatividade de vocês.

Eu e Emmett nos encaramos e então começamos a falar ao mesmo tempo, inventando mil e uma desculpas que pudesse amenizar aquela raiva e tristeza de Renée. Eu não sabia como ela entendia o que falávamos ao mesmo tempo, por que nem eu mesma entendia. Eram tantas coisas como sonambulismo, ligação urgente e até abdução de ETs. Renée apenas assentia com a cabeça, concordando. Ela até fingia uma falsa surpresa como: "É mesmo?" ou "Jura?!", que eu tive que parar de falar para poder rir.

– E então, quando você apareceu, eu acordei e com o susto, corri. — Emmett finalizou a sua história, que tinha até Power Ranger vermelho. — Bem, foi isso mesmo, mãe.

Ela balançou a cabeça lentamente, alternando o olhar entre nós dois. Por fim, ela soltou um ar pesado, levantou e foi até o telefone.

– O que você vai fazer? — perguntei, desconfiada.

– Vou ligar para o Charlie e saber o que ele acha sobre tudo isso. — deu de ombros, como se aquilo fosse pouco caso. — E finalmente vamos decidir juntos o que irá acontecer com vocês dois.

– Como assim? — Emmett quem perguntou.

– Ah, você sabe, vamos decidir se mandamos vocês para um internato na Inglaterra, ou matamos logo e enterramos sem ninguém saber. Nada demais. — novamente ela deu de ombros.

Arregalei os olhos para o que ela disse, sabendo que era apenas brincadeira, mas que ela iria ligar sim para resolver o que faria com nós dois. E eu sabia também que não era nada bom, e que dessa vez, assim como nós pegamos pesado, eles também pegariam. Eu e Emmett estávamos ferrados da pior forma possível, e sem nenhuma escapatória, por que quando Charlie e Renée se juntavam para dar um castigo, nunca era bom.

– Bella, estou com medo. — Emmett sussurrou no meu ouvido e eu assenti. — Será que se eu fazer um trato com a mamãe ela diminui o meu castigo?

– Não sei, nessas horas nós tentamos qualquer coisa. — murmurei. — Que trato você vai fazer?

– Mãe, eu tenho uma coisa a propor para a senhora. — Emmett levantou e foi até ela, pegando o telefone de sua mão e colocando no gancho novamente.

Renée o olhou desconfiada, mas não reclamou do que ele fez.

– Que proposta?

– É, Emmett, que proposta? — perguntei, também desconfiada.

Por que ali era o meu irmão, e bem... Tudo que vinha dele não prestava.

– Eu quero propor para a senhora uma coisa simples e que vai ajudar lhe ajudar muito. — ele sorriu para mim. Um sorriso maldoso e que fez eu ficar ainda mais em alerta. — A minha proposta é que a senhora diminua meu castigo em troca de...

– De... — eu o incentivei a continuar.

– Eu contar umas coisinhas da Bella que a senhora adoraria saber.

Eu arregalei os olhos e meu queixo caiu, não acreditando que ele seria assim tão baixo só para diminuir o castigo. Renée olhou rápido para mim, seus olhos em fendas, como se ela já pudesse imaginar o que viria dali para frente.

– É sério? — ela voltou a olhar para ele. — Então começa a contar que eu vou pensar no seu caso, dependendo do que seja.

Emmett deu uma piscadela de olho para mim e então abriu a boca grande:

– Ah, então... Sabe a festa na tia Abigail? Bella não atacou bolo sem querer no namorado da nossa prima. Foi de propósito mesmo, e ela mesma me contou que ia fazer aquilo,

– É mentira! — eu menti, pulando o sofá e indo até ele. Para Renée, tinha sido sem querer — mesmo que ela tenha me dado um castigo — e ela teria que continuar achando isso. Eu não tinha culpa se minha prima era uma insuportável com um namorado pior ainda. — Isso é mentira dele, mãe! Seu mentiroso — me virei para ele, apontando.

Emmett me lançou um olhar superior que fez meu sangue ferver. Eu queria poder avançar nele e arrancar aqueles cabelos loiros que ele achava que era bonito. Queria arrancar os olhos também, assim como o dente, e socar toda aquela montanha de músculos. Mas eu era controlada — ou mais ou menos — e não queria complicar meu caso, então joguei no jogo dele...

– Já que é assim,maninho– soltei uma ironia — por que você não conta para a mamãe que soltou o pobre cachorrinho da senhora Sharks por que ele estava latindo muito e ele foi atropelado no final da rua?

– Você o que? — Renée virou para ele, e foi a minha vez de lançar meu olhar superior.

– Eu-eu nada! — o imbecil gaguejou. — E você, por que não conta pra mamãe que desde quando ela colocou castigo que te proibiu de nadar em qualquer piscina, você nadava na piscina do vizinho?

– É o que? — Renée virou para mim dessa vez.

– Nada disso. — neguei rápido. — E você, que descobriu aonde mamãe escondeu seu videogame e pega toda vez que ela sai para trabalhar?

– Eu não acredito nisso...

– Você e Rosalie ficaram atirando tinta nos vizinhos!

– Isabella...

– E você o Alec tiraram uma com a cara da velhinha da casa 2510 só para ganhar chocolate!

– Emmett Swan...

– Melhor do que tentar paquerar o irmão mais velho do Sam!

– Ok, ok... Isso ai, confessem mesmo!

– É melhor do que invadir a casa da Victória e roubar a calcinha dela.

– Uhh, está começando a ficar bom...

– Olha quem está falando de invasão. Você hoje foi pega pelos novos vizinhos e quase que ele mandou prender você.

– PARA! — Renée berrou, nos assustando. — Eu... Eu não consigo acreditar em todas essas coisas que vocês fizeram nas minhas costas!

Eu olhei para baixo, soltando um muxoxo, sem acreditar que tinha deixado Emmett me levar daquela forma. Agora, estávamos mil vezes mais encrencados.

– Não... — Emmett murmurou. — Mãe, não foi assim. Tudo que eu disse é verdade, mas o que Bella disse é pura mentira. — eu o fuzilei com os olhos. — A senhora vai diminuir meu castigo?

Renée olhou tão furiosamente para Emmett que este soltou um sorriso constrangido e depois subiu as escadas correndo.

– Covarde... — murmurei.

– Vai para o seu quarto, Isabella. — Renée falou, indo pegar o telefone novamente. — Amanhã vocês vão saber sobre os seus castigos. — eu segui para as escadas. — E fica avisada que agora pode ser sério o lance do colégio interno.

Olhei surpresa para ela, procurando algum restinho de brincadeira em seus olhos, mas não encontrei nada. Então eu apenas continuei subindo as escadas e segui para o meu quarto.

– Encarar ou não encarar a realidade? — perguntei para o meu poster que eu tinha colocando a noite, tampando a cara do Emmett.

Estava com medo de descer para o café da manhã e descobrir que Renée ia nos mandar para um colégio interno ou até mesmo nos deserdar de seus filhos. Ela era louca e capaz de fazer isso, principalmente quando estava com raiva. Não que eu já a tivesse visto com raiva, mas é que sabe como é... Eu já tinha percebido que pessoas calmas eram as piores quando estavam nervosas, a força delas eram muito maiores do que uma pessoa nervosa de natureza. Emmett bem sabia disso, quando mexeu com um garoto da escola que era super quieto no canto dele. Meu irmão era tão chato com aquele garoto, que teve uma hora que só precisou de uma brincadeira que logo gerou uma briga super foda, aonde meu irmão acabou na enfermaria com o nariz quebrado. Por pouco eu quase também não sai machucada, por que fui tentar separar — e defender o imbecil do meu irmão -, só que Alec me tirou antes de levar um soco. Pobrezinho do Alec... Ele quem levou um soco meu, enquanto eu me debatia. Nem lembro se pedi desculpas... Mas não importa agora! Eu só sei que aquele dia foi uma loucura, e que uma garotinha do primeiro ano queria me matar por Alec me proteger.

Era por isso que eu tinha medo de Renée nervosa. E agora eu estava tendo uma briga interna entre ir para lá ou ficar presa no meu quarto pelo resto da minha vida.

– Bella? — Emmett deu três batidas na minha porta.

– Vai embora. — murmurei, não querendo ver a cara feia dele NUNCA mais.

– Ah, qual é, Bellinha, deixa essas desavenças na cama e vem aqui?

– Vai se fuder. — rosnei. — E me deixa em paz.

– Eu estou com medo, não quero descer lá embaixo sozinho.

– Problema é seu. — eu soltei um suspiro e levantei. — Eu não vou sair daqui. — menti.

Passou um tempo e eu não tive resposta, então significava que ele tinha ido embora. Fui no banheiro, tomei um banho, fiz minha higiene e depois voltei para o quarto. Troquei o pijama por uma saia jeans e uma camiseta, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. O grande espelho que tinha ali me chamava, e eu fui ver meu reflexo. Quase que pulei para trás com o susto. Me aproximei lentamente, vendo se era eu mesma ali, e olhando tudo, eu confirmei que era. Dei as costas para aquilo, nem querendo mais olhar para não choramingar, e sai do meu quarto, tomando toda coragem possível para encarar a fera: Renée Swan.

Desci as escadas lentamente, esperando ouvir alguma conversa da cozinha, mas não tinha nenhuma. Antes de virar para lá, eu tomei mais um pouquinho de coragem e fui, dando com Renée e Emmett sentados a mesa, sem nem se encararem. Agi normalmente, indo sentar no meu lugar e me servindo de suco e panquecas.

– Eu liguei para o Charlie — Renée começou. Era obvio que ela estava me esperando. — Ele ficou decepcionado com vocês dois e disse que esperava mais. Falou que vem aqui semana que vem, quando tiver uma folga para ter uma conversa comos dois. E bem... — ela pousou na mesa a xícara do café que bebia. — Nós decidimos o castigo de vocês dois.

– E qual vai ser? — Emmett perguntou, com uma expressão de medo.

Renée olhou para nós dois, tomou mais um gole do seu café, levantou e colocou a xícara na pia. Ela pegou a bolsa dela que estava em cima do balcão, foi até a soleira da porta e nos encarou. Tinha um sorrisinho maldoso em seus lábios, aquele que ela sempre dava quando algo a agradava, mas que para nós seria um pesadelo. Eu engoli em seco, com medo da sua resposta.

– Vocês vão ter que começar a trabalhar.

– O QUE? — nós dois berramos. Emmett até derramou suco na mesa.

– Isso mesmo. Charlie e eu achamos que vocês tem uma vida boa demais, e está na hora de começar a terem responsabilidade. E qual a melhor forma? Arranjando um emprego para pagar as coisas que vocês querem. Se quer um videogame novo, vai ter que trabalhar. Uma Bike nova? Trabalhar. Uma rodinha de skate? Trabalhar. E tem que achar um mais rápido possível, porque não tem mais mesada também. — ela sorriu maldosamente, e eu sabia que vinha mais bomba ai. — E se quiserem ir nas férias de verão para Orlando, vão ter que se mostrarem responsáveis o suficiente, ou nada feito. Ah, e claro, juntar o dinheiro pois vocês perderam totalmente comigo e com o pai de vocês.

Ela deu as costas para nós, falando um tchau e um boa sorte. Olhei para o Emmett, que me encava também. Queria estrangular ele, mas também queria meestrangular, por fazer tanta besteira.

– Que tal babá? — Rosalie perguntou, levando o pirulito vermelho que ela chupava, a boca.

– Não sou fã de crianças. — falei, fazendo uma careta.

Nós estávamos no meu quarto a mais de uma hora decidindo que trabalho eu poderia arranjar. Eu já tinha recusado mais de vinte, por que nenhum me agradava o suficiente. Se eu tinha que trabalhar, que fosse um pelo menos bom, já que ótimo era uma coisa quase que impossível de acontecer.

Depois que Renée saiu, eu deixei as coisas na cozinha do jeito que estavam e subi para o meu quarto, aonde eu liguei para Rouss e pedi que ela pegasse todos os jornais da casa dela e trouxesse, pois eu precisava urgentemente. Dez minutos depois ela apareceu com mais de vinte. De onde ela tinha tinha tirado tantos? Rosalie guardava os jornais para emergências, agora quais eu não sei. Claro que começamos pelos mais atualizados, pois os antigos já não ajudavam em nada.

Eu fui até a varanda do meu quarto e acendi um cigarro, para ver se tirava o estresse. Não tinha gostado nem um pouco dessa ideia de Renée e Charlie, mas não podia dizer não. Estava com medo de a segunda opção ser o internato.

– E que tal trabalhar em uma lanchonete como garçonete? — Rosalie perguntou alto, do quarto.

A folgada estava esparramada na minha cama, com o jornal apoiado em um caderno e um canetão vermelho, para poder marcar qual eu queria ou não.

– Que lanchonete?

Joguei o cigarro fora e voltei para o quarto, me sentando na cama, ao lado dela. Rosalie me mostrou e eu li. Era uma lanchonete que ficava perto da escola, o que mês passado seria um enorme problema, mas que agora nem tanto.

– Acho que vou dar uma olhada... — murmurei.

– Ótimo. — ela sorriu. Rosalie jogou o caderno e a caneta no chão, e deitou de barriga para cima, me encarando. — Isso tudo é raiva do Emmett? — apontou para o teto e eu assenti. — Acho que o vocalista do Sum 41 fica melhor do nosso lado do que o Emmett.

– Concordo. — eu ri.

– Até que enfim você sorriu. — ela disse e eu revirei os olhos. — Ah, Bella, não é tão ruim trabalhar.

– Pra você, que trabalha em uma boate de bargirl. Agora para mim vai ser um pesadelo, por que eu duvido muito Renée deixar eu trabalhar lá com você. Ela vai me dar a opção de babá, e se quer saber, para me ferrar, vai ser babá do Rick. — peguei o jornal e joguei na cara dela. — Repara só no endereço...

– Ela não é louca! — Rouss arregalou os olhos quando viu que era o da casa de Rick.

– Ah, é sim. — assenti. — Sabe, não acho que Renée ou Charlie tenham exagerado no castigo, nós dois merecemos mesmo, mas puta que pariu, tinha que ser justamente trabalhar? E pior, nas férias?

– É, isso eu tenho que concordar. Ela poderia dar outra coisa, mas trabalho... — Rosalie fez uma careta.

– O que deixa as coisas ainda mais fáceis é que eu vou ter que dar duro para juntar a grana para a nossa viagem de férias. — torci a boca.

– Nossa, a coisa está preta pro lado de vocês. — Rosalie concordou. – Bem, agora já era, você se ferrou bonito e agora vai ter que conseguir seu dinheiro assim como eu, então...

– Pois é. — concordei. — Emmett ainda me paga por ter falando tudo aquilo.

Soltei o ar, com raiva do grandão. Tudo bem que ele também tinha se ferrado, mas poxa, se ele tivesse ficado de boca fechada...

– Relaxa, Bella, que o que é dele está pra vim. — ela sorriu. — Agora, que tal irmos nessa lanchonete?

– Vamos, não é? Fazer o que.

Eu avisei para o Emmett que estava saindo, e que se Renée chegasse primeiro que eu, era pra falar para ela que eu tinha ido cumprir meu castigo. Ele concordou e falou que também ia sair com Alec, pois achava que tinha arranjado um também. Era impressionante quantos empregos para adolescentes tinham espalhados por Los Angeles.

Assim que sai de casa, Rosalie reclamou falando que tinha esquecido o celular na minha cama. Ela voltou para buscar e eu fiquei ali na frente, esperando-a.

– Hey, garota!

Eu olhei para o lado, reconhecendo a voz rouca na mesma hora. Edward estava na porta da casa dele, e me encarava com um sorriso de canto que quase me fez suspirar. Eu acenei para ele, que acenou de volta, então fui até lá.

– Oi. — sorri.

– Eu já pensei no que vou querer. — avisou.

– É? — ergui uma sobrancelha, mas depois fiz uma careta. — Não é uma coisa ruim não, certo? Tipo matar alguém ou qualquer coisa que faça eu me ferrar, por que mais do que eu já estou é quase impossível.

Ele ficou me encarando de modo estranho para depois rir.

– Não, não é nada. — ele olhou para cima, pensativo. — A não ser que você ache a minha companhia uma coisa ruim.

Achar aquele garoto lindo de gostoso uma companhia ruim? Só se eu tivesse levado uma rodinha de skate na cabeça, ou melhor, umas mil rodinhas de skate. É claro que eu não ia falar isso para ele, então fiz minha melhor cara de indiferente.

– Ainda não sei se sua companhia é ruim, e bem, eu espero que não. Mas então, o que é?

Ele deu aquele mesmo sorriso de canto, e eu senti minha respiração ficar presa em algum lugar, me esquecendo de respirar. Se de longe era lindo, de perto era perfeito.

– Eu acabei de me mudar, bem quando começamos o ano. Eu sei que falta pouco tempo para as aulas voltarem, mas não quero esperar essas duas semanas pra conhecer as pessoas daqui. Então, que tal você me apresentar a todos e tudo que você conhece?

Hum... Não era nada maluco, e para minha infelicidade não era sexual também. Eu estava ferrada — mais que isso na verdade -, as coisas estavam pretas pro meu lado, então ter esse gatinho comigo seria bom, certo? Digo, para eu apresentar tudo e todos levaria um tempo, pois eu conhecia muitas coisas e pessoas, e ele teria que passar tempo comigo. Além de ter ele do meu lado, nos tornaríamos amigos, o que era bom. Ele parecia normal, e eu andava precisando disso. Amigos normais ao meu lado, para não me meter em furada. Tudo bem, tudo bem, eu sabia que quem fazia isso era eu mesma, mas por que Rosalie não me dava nem um pouco de juízo, mesmo que ela não tenha nenhum para si mesma.

– Claro que isso é pouco pelo que eu te livrei... — ele olhou para mim, como quem não quer nada, e eu ergui uma sobrancelha. — Vamos se dizer que é só um terço, pois é uma coisa pequena...

PRONTO! Eu vi naquele "Vamos se dizer que é só UM TERÇO” que eu ainda podia ter esperanças de ser sexual. Ohhhh, eu iria adorar... Ok, Bella, sem delirar e sem inventar coisas. Assim como ele pediu essa coisa simples de ajudá-lo a se enturmar, ele também poderia pedir outra coisa simples. Mas sexual também é simples! Hey, espera, estou parecendo aquelas vadias da minha escola falando assim. ARGH!

Esquece!

– E qual é as outras duas partes? — optei logo por matar minha curiosidade e fazer o balãozinho de ideias absurdas sumir com um Puf!

– Ahm... Eu ainda não decidi, sabe... — ele deu de ombros.

Edward deu um sorriso divertido e malicioso, fazendo novamente eu entrar naquele transe. E porra, o balãozinho estava crescendo, o balãozinho estava crescendo. ALERTA VERMELHO PARA IDÉIAS MALUCAS! ALERTA VERMELHO PARA IDÉIAS MALUCAS! SE PREPARA... NÃO!

Acooooooorda!

– Ok, garotão. — falei, por fim, saindo do transe. — Eu vou esperar pela outra metade, e não vai ser difícil isso fazer você se enturmar. É só me acompanhar.

– Acho que vai ser legal passar um tempo com você... — ele indicou que eu falasse meu nome.

Era engraçado que ele nem sabia meu nome, e queria esse favor de mim.

– Bella.

– Bella. — repetiu.

– Concordo, Edward, vai ser legal passar um tempo com você. — sorri para ele, que retribuiu.

– Ah, antes que eu me esqueça... — ele murmurou, entrando dentro de casa.

Eu fiquei ali parada, sem saber o que fazer. Ele tinha deixado a porta aberta, mas sumiu. Olhei de um lado para o outro, esperando que ele voltasse, pois era o que parecia que ele ia fazer.

– Bella? — Rosalie chamou, parada na rua.

– Espera ai. — murmurei, indicando com os olhos a casa.

– O que você está fazendo ai, garota? — perguntou, mas antes que eu pudesse responder, Edward voltou.

Ele estava de cabeça baixa, falando algo sobre esquecer. Eu me virei de costas para Rosalie, com um sorrisinho malicioso nos lábios, e quando Edward levantou a cabeça, eu coloquei meu sorriso mais inocente.

– Aqui está. — ele estendeu meu tênis. — Teve sorte que eu quem encontrei.

– Nossa! — eu peguei meu tênis e apertei ele. Eu amava aquele tênis. — Obrigada, Edward! Imagino se fosse sua mãe ou qualquer outra pessoa...

– Com certeza você não o veria mais. — ele deu de ombros e eu fiz uma careta.

– Não fala uma coisa dessas, menino. — resmunguei, com um bico.

– Bella! — Rosalie me gritou. Eu e Edward me viramos pra ela, que estava com as mãos na cintura e batendo o pé no chão. — Dá pra andar logo ai?

– Já vou, Rose. Relaxa, gata. — pisquei um olho e me virei de volta para Edward. — Você está ocupado agora?

– Não. Eu não tenho nada pra fazer. — ele revirou os olhos, ironizando completamente.

Ouch, doeu isso. Me senti uma lesa agora, porque é claro que ele não teria nada para fazer aqui.

– Ótimo, então que tal começarmos a conhecer as coisas agora? — ergui uma sobrancelha.

– Legal. — ele sorriu animado.

– Bella! — mais um grito de Rosalie.

– Já vou, porra! — berrei também. — Então vamos logo, antes que a loira ali arranque minha cabeça.

Edward fechou a porta e me acompanhou até Rose, que arregalou os olhos quando viu ele de perto. A mesma reação que eu tive, claro. Será que tudo parou para ela também ou só comigo?

– Rose, meu amor, esse é Edward, meu novo vizinho. — indiquei ele, que piscou pra ela. A loira suspirou. — E Edward, essa é Rosalie, minha amiga.

– Meu Deus. — ela sussurrou, mas depois voltou ao normal, piscando os olhos rapidamente. — Oi! — arregalou os olhos, dando um sorriso enorme.

– Rose, o Edward vai nos acompanhar até a tal lanchonete. Ele quer conhecer mais daqui, sabe. — dei de ombros.

– Ah, claro. Então vamos!

– Espera... — o garoto pediu. — Não acham melhor nós irmos de carro?

Eu e Rosalie trocamos olhares, depois reviramos os olhos e bufamos ao mesmo tempo. Sempre fazíamos isso quando Emmett dizia algo estúpido, e dessa vez foi Edward quem disse.

– Claro que não. — falei. — Com nós, Edward, é diferente. Bike, skate e sola de tênis. Carro só quando é pra longe, e nós não vamos para longe. Olha para esse céu — apontei para cima e ele olhou, franzindo um pouco a testa. — Porque vamos nos esconder desse sol maravilhoso de LA?!

– É isso ai. — Rosalie me apoiou, depois tocou o ombro de Edward. — Se acostume a botar essas pernas torneada e esses pés ai para se movimentarem, meu amigo, pois comigo e com a Bella, carro é pouco usado.

– Ok... — ele murmurou, parecendo assustado.

Rose passou um braço pelo do Edward e o arrastou pela frente. Eu corri até o quintal da minha casa e joguei o tênis pela única janela aberta, que era a de Emmett, e tive a impressão de ouvir um resmungo, mas ignorei e corri de volta para os dois, que iam conversando sobre músicas. Yeah, eles tinham se dado bem. Tudo bem que com Rosalie, se não fosse patricinha ou mauricinho, e fosse meu amigo, já era amigo dela, então talvez isso não contava, mas... Eu já tinha feito Edward já conhecer alguém! Só que ainda faltava as outras partes que eu não sabia qual eram. Ele tinha que falar logo, ou aquele balãozinho iria crescer, crescer, crescer... JÁ ESTÁ CRESCENDO!


Notas finais
Hello Gatinhas! E então, como estão? E aqui estou eu com mais um capitulo de Aquela Garota! Ele não veio com muita bagunça, apenas o motivo dela ter que criar responsabilidades. Mas Emm pegou pesado, hum? Colocou os dois em uma situação complicada, KKK.
O próximo vai mostrar mais alguns personagens e o quão... Produtivo vai ser essa ida atrás de trabalho. Dos dois!, KKK. Prometo algumas risadas.
Ahhhh, eu tenhoooo um presentinhoooo. EU FIZ UM BLOG! Nem sei porque fiz, acho que para deixar todas as minhas fics organizadas, mas bem... Está lá, KKKK. Quem quiser da uma passada e ver como ficou:
http://sumleefanfics.blogspot.com/
Comentem lá também, falando sobre o que acharam. Lá vou deixar alguns spoilers, KKKK. E falar sobre as futuras fics que posso fazer.
É isso, acho que falei demais já, KKK.
Beijoos gatinhas :*