Aquela Garota

17 Machinho vs. Patricinha


Notas iniciais
Olha quem apareceu cedo dessa vez kkkkQuem quiser ouvir Faster do Matt no começo do capitulo http://www.youtube.com/watch?v=ZyjQFdeFox8 , vejam a tradução pra ver como combina com esses dois a música kkkk

16. Machinho vs. Patricinha

Bella POV

Era uma loucura o que Edward e eu tínhamos decidido fazer em relação àquela atração que estávamos sentindo ultimamente, mas até que eu estava me divertindo. Amigos com benefícios não era de tão ruim, em:

Primeiro: porque eu podia agora usar e abusar do meu vizinho gostoso sem estragar nossa amizade

Segundo: eu podia usar e abusar do meu vizinho gostoso.

Claro que nunca nos imaginei naquela situação, mas essas coisas aconteciam. Quero dizer, aconteciam, certo? Porque nunca aconteceu com Alec e nós éramos bons amigos. Irmãos, vamos melhorar isso. E Jacob já foi meu amigo e disso passamos para um namoro, mas ele não conta. Tudo que fazia lembrar-me daquela época não contava.

As coisas entre nós até que estava indo bastante bem. Bons amigos como sempre fomos desde que nos conhecemos e tudo. Ninguém havia descoberto ainda sobre esse nosso “rolo”. Eu gostava como isso soava. Eu estava enrolada com meu vizinho gostoso. Yeah, gostava mesmo.

Meu quarto, o dele, a piscina, o vestiário masculino, o armário de vassouras da escola e da lanchonete, as salas de aula vazias.

Os lugares em que as coisas mais aconteciam eram na escola e nos nossos quartos. Não tínhamos ninguém brigando conosco porque não podíamos ficar com a porta fechada já que achavam que éramos amigos e nada rolava. Só Emmett que se importava com a porta fechada, mas não falava nada por que não queria Renée brigando com ele. Sem desconfianças, sem ninguém enchendo o saco e mais tempo para se pegar. Era impressionante como só precisávamos de uma brecha e um lugar para logo nossas bocas estarem coladas uma na outra.

E eu não estava reclamando nem um pouco disso, só pra deixar bem claro. Eu até achei que seria estranho, mas depois de Edward conseguir me convencer esse pensamento passava com menos frequência.

Um bom lugar da escola que usávamos bastante foi à sala de aula de Geografia Geral que ficava desocupada no quarto tempo. Era na mesma hora que eu tinha aula com a o professor Sr. Bonitão de química, e que Edward tinha de Cálculo. Só precisava de uma mensagem e já era, estávamos longe dos nossos deveres.

Teve uma vez que nem precisamos de mensagem, foi tudo destino. Eu estava andando pelos corredores fugindo da aula, que já estava perto do final, e bem no corredor da sala de Geografia Geral quando vi Edward vindo ao final corredor também. Ele, quando me viu deu aquele sorriso malicioso de canto e indicou com a cabeça a sala. Eu assenti com a cabeça e entrei, esperando alguns segundos. Assim que Edward passou pela porta eu peguei ele pela camiseta e o joguei contra a mesma, fechando-a com um baque que ecoou pelo corredor do outro lado. Sua boca logo já estava junto da minha, sugando meu lábio inferior. Edward trocou então nossas posições, me prendendo contra a porta e entre seu corpo. Minhas mãos, que estavam se em seu ombro foram para a nuca e agarraram os fios dali, puxando com força. Ele soltou algo como um rosnado e prensou seu corpo ainda mais contra o meu.

Sem ar, ele desceu os lábios para meu pescoço, me fazendo estremecer e arrepiar dos pés a cabeça. Eu puxei a boca dele para a minha novamente, voltando aquele beijo que estava mais para selvagem do que qualquer outra coisa. Edward apertou minha cintura com uma mão e com a outra pegou minha perna e ergueu até a cintura dele, eu então apoiei a outra perna também e logo estava erguida com Edward me segurando contra ele, apertando minhas coxas de forma possessiva. Eu podia sentir um volume a mais perto da minha intimidade e foi impossível não me roçar contra ele, e nós dois soltamos um gemido.

E dane-se que estávamos na escola, ok? Aquele amasso estava mais do que bom.

Eu desci minhas mãos pelas costas dele até parar na cintura e infiltrar elas dentro da camiseta para poder sentir a pele quente contra meus dedos. Edward voltou a dar atenção para meu pescoço, descendo cada vez mais até chegar perto dos seios e sugar. Isso me fez arfar e arranhar as costas dele. Ele então começou a se mover e me colocou em cima da mesa do professor, aproveitei e subi minhas mãos pelo peito dele, tirando a camiseta e logo o puxando para voltar a me beijar. E foi bem nessa maldita hora que o sino tocou e o as vozes nos corredores nos atingiram.

Eu soltei um gemido de desagrado e bufei quando nos separamos. Encarei Edward e ele estava uma bagunça, com o cabelo todo bagunçado, sem camiseta e com os lábios vermelhos e inchados. Eu não queria imaginar meu estado também. Eu alcancei a camiseta dele em cima da mesa e joguei nele.

– Eu odeio esse sino. – falei, vendo-o vestir a camiseta.

– Não é a única.

Edward me tirou de cima da mesa e deu uma ajeitada no meu cabelo e na minha roupa que estava toda amassada. Eu fiz o mesmo com o cabelo dele, dando uma ajeitada. Quando parecíamos pelo menos apresentáveis, beijei Edward mais uma vez e nós saímos daquela sala com a cara mais inocente de todas como se há poucos minutos quase não transamos em cima da mesa de um professor. Edward me lançou um sorriso malicioso antes de virar para o lado contrario do meu.

Houve uma situação engraçada e empata.

Estávamos no meu quarto, Edward tinha escalado pela árvore – a mesma que eu caí quando o vi sem camiseta – porque Emmett estava no andar de baixo jogando videogame e Renée não estava em casa para impedir que ele nos enchesse o saco.

Foi extremamente sexy ver Edward escalando aquela árvore só para chegar ao meu quarto, para me ver, e foi com esses pensamentos que eu praticamente o ataquei nem deixando o meu nadador descansar. Eu me joguei contra ele, enterrando meu rosto em seu pescoço e inalando seu perfume. Eu amava o cheiro dele, sempre que podia eu saia fungando perto de Edward, e agora que tínhamos começado essa amizade com benefícios eu podia fazer aquilo nada discretamente sempre que estávamos sozinhos. Depois comecei a beijar a pele dali, sentindo sua barba fina sob meus lábios. Edward colocou as mãos na minha cintura, me empurrando para que eu pudesse entrar no quarto. O que não foi uma boa ideia, porque nos atrapalhamos, nossos pés se torceram e acabamos por cair no chão do meu quarto. Edward por cima de mim.

– Ugh! – gemi de dor, fechando os olhos e soltando uma lufada de ar. – Morri.

– Bella?! – Emmett gritou do andar debaixo. – Está tudo bem ai?

– Está sim, Emm. – gritei, lançando um olhar de alerta para Edward, que se segurava para não rir. Revirei meus olhos, também querendo rir. – Eu apenas tropecei, mas está tudo ótimo.

Voltei minha atenção para Edward, que agora sorria maliciosamente.

– Então está tudo ótimo? – mexeu as sobrancelhas.

Balancei a cabeça, rindo e puxei seu rosto para o meu, iniciando um beijo bem ali mesmo no chão do meu quarto, que depois fomos parar na minha cama. Eu já estava sem minha blusa, assim como Edward, e o zíper do meu short aberto. Minhas pernas estavam em volta da cintura dele, o prendendo o mais perto de mim quanto era possível, nossos corpos se friccionando para ter atrito.

E novamente poderia ter acontecido, poderíamos ter ido aos finalmente, se Emmett não tivesse a porra de um detector que detectava quando eu ia transar com meu nadador para poder nos interromper. O detector que todo maldito irmão tinha. Ele simplesmente chegou gritando no corredor e socando a minha porta, me gritando. Eu tive que separar minha boca da Edward, recuperando o folego enquanto ele continuava beijando minha pele do pescoço e suas mãos me apertavam.

– Que porra que você quer, Emmett?! – perguntei extremamente irritada.

– Eu fui picado por uma abelha, Bella! Eu preciso de sua ajuda! – choramingou como um crianção. – Rápido! Abre a porta! Abreeee!

Edward sugou a pele do meu busto e eu ofeguei, precisando respirar fundo para manter a consciência de que Emmett estava do outro lado da porta.

– Vai se foder, Emmett! – rosnei. – Por favor, vai se ferrar e sai daqui!

– Bella, eu preciso da sua ajuda! – ele soluçou. – Está doendo muito e mamãe não está aqui para me ajudar!

– Vai embora! – eu mandei novamente, nem me importando com ele.

– Bella! Bella! Bella, abre a porra dessa porta! – ele chorou e gritou ao mesmo tempo, socando minha porta. – Abre essa porta e me ajuda, por favor. Que droga você está fazendo ai dentro?

Tentando foder com o meu nadador, Emmett, se você não fosse um filho da puta de um empata!, eu tive vontade de gritar, mas isso não ajudaria a fazer ele ir embora.

Soltei um gemido de desagrado e Edward suspirou.

– Como fazer ele ir embora? – perguntei retoricamente, e mesmo tão frustrado quanto eu estava, Edward se divertia. – Maldito!

– Bella? – Emmett me chamou.

– Vai embora, Emmett! – gritei, agora com raiva. – Não interessa porra nenhuma que estou fazendo aqui, apenas vá embora e me deixa em paz, porra! Eu não sei o que fazer com a porra de uma picada de uma porra de uma abelha!

Houve alguns segundos de silencio, com Edward me encarando de olhos arregalados. Eu dei de ombros. Então ouvimos um rosnado do Emmett e ele socou minha porta com mais força.

– Você está com Edward ai dentro, Bella? É isso? Abre agora essa porta!

Só pode ser sacanagem com a minha cara.

– Eu não estou com o Edward aqui, Emmett. Eu apenas quero paz.

– Você falou porra varias vezes, Bella, isso significa que você está aprontando alguma coisa que eu atrapalhei ou com alguém. Eu lhe conheço!

A minha vontade foi de ir esganar o Emmett, porque ele me conhecia mesmo. Isso aconteceu varias vezes quando Rosalie e eu íamos aprontar alguma para ele, e ele atrapalhava querendo saber o que fazíamos, então eu gritava e colocava “porra” várias vezes na frase. Era uma maldita mania que eu tinha quando realmente me estressava.

– Ele não vai embora. – Edward murmurou o obvio e eu choraminguei.

– Bella!

Eu ia matar o Emmett.

– Eu preciso abrir a porta. – sussurrei. – E você, garotão, vai ter que pular de volta. Vamos continuar isso – indiquei nossos corpos enrolados um no outro – mais tarde.

A cara da mistura de decepção, frustração e raiva do Edward era um espelho da minha. Ele levantou, pegando a camiseta dele no chão e seguiu para a varanda. Mas antes que ele pudesse ir eu o puxei para mais um beijo, apertando sua bunda quando nos separamos e piscando um olho.

– Bella! – Emmett socou a porta mais uma vez.

– Até depois.

– Até depois. – Edward me deu um tapa na bunda e partiu, descendo pela árvore.

Vesti minha camiseta, fechei o short e fui até a porta, abrindo-a em um rompante e lançando meu pior olhar de ódio para Emmett. Ele arregalou os olhos em medo, lançando apenas um rápido olhar para meu quarto vendo que o Edward não estava ali e então correndo para o andar inferior sem nem falar nada da maldita picada de abelha que aquilo filho da puta tinha tomado.

.

.

– Você parece diferente. – Rosalie franziu as sobrancelhas, fazendo uma careta enquanto mastigava o pedaço do croissant dela. – Tem algo acontecendo?

Nós estávamos na lanchonete e ela decidiu passar o dia comigo. Edward estava no treino de natação, já que nesse tempo eles tinham aumentado porque o campeonato se aproximava. Hoje Walter não tinha me dado uma folga para meu completo desanimo, porque depois que o treino acabava e todos iam embora, o vestiário masculino tinha se tornado um dos meus lugares favoritos da escola.

– Não tem nada acontecendo. – murmurei, dando de ombros.

Rosalie me encarou, seus olhos me avaliando. Eu fiz a minha melhor expressão de inocência. Não é porque eu não queira contar para ela que agora tinha uma amizade com benefícios, mas havia algo em manter tudo aquilo escondido de todos, mais adrenalina, mais excitante que eu estava apenas enrolando para contar. Eu queria aproveitar um pouco aquele segredo antes contar para minha melhor amiga.

– Você está mentindo. – me acusou.

– Não estou não.

– Está sim. Suas sobrancelhas erguem quando você mente.

– Isso é mentira! – falei, erguendo as sobrancelhas.

– Viu? Mentirosa!

Como eu odiava meu corpo estupido e meus tiques. Era verdade que eu erguia as sobrancelhas quando mentia, eu sabia disso, mas preferia negar para que todos acreditassem e não percebesse quando eu soltava um blefe. Só que Rosalie me conhecia o suficiente para saber que eu mentia sobre eu erguer as sobrancelhas quando estava mentindo.

– Eu não ergo as sobrancelhas quando minto. – tentei novamente, dessa franzindo o cenho.

– Você está fazendo careta para esconder, Bella. É por isso que eu sei que está mentindo. Vamos, desembucha. Solta a linga. Desenrola. Coloca pra fora. Qualquer coisa, mas me fala o que está lhe mudando.

O movimento do lugar não estava muito cheio, Jasper andava calmamente pelas mesas atendendo, e isso lhe dava oportunidades perfeitas para prestar atenção no que Rosalie e eu conversávamos. Era um intrometido fofoqueiro que se disfarçava de inocente. Mas acima disso, ele estava tentando descobrir alguma coisa para contar ao Emmett, já que os dois haviam virado amigos.

– Eu não tenho nada para lhe contar, Rouss. – falei o mais superficialmente possível, abrindo um sorriso quando Jasper nos olhou.

– O diabo que você não tem!

– Rosalie! – gemi, lançando um olhar de alerta para ela. – Para de ser tão paranoica. Eu não tenho nada para contar.

– Você tem.

– Eu não tenho! – bati a mão no balcão. – E para de me encher o saco, Rosalie. Que droga.

Bufei, virando de costas para ela e respirando fundo. Eu estava começando a me irritar com tudo isso, com Emmett sendo um idiota empata, sobre Rosalie insistir, sobre Alec e Jasper ficarem de olho em mim.

Porque eu não podia ter uma amizade com benefícios com meu nadador em paz?

– Você acaba de confirmar para mim que tem algo. – Rosalie murmurou e eu tive que dar uma na cabeça dela.

Eu tive que ouvir Rosalie me acusando de ter algo e esconder dela até o final do meu expediente. Agradecida que tinha finalmente acabado, Jasper começou a fechar a lanchonete e eu já estava partindo feliz pronta para ir, chegar em casa e inventar algum trabalho com Edward para que pudéssemos ficar sozinhos quando Jasper me chamou. Rosalie ao meu lado se mantinha em silencio, o que era algo extremamente perigoso.

– O que? – virei bruscamente e ele arregalou os olhos.

– Hey, não me morda, Swan. – falou, ao guardar a chave no bolso, arrumar a case do violão e vir na minha direção. – Eu só queria que me esperasse já que vamos para a mesma direção.

– Culpe a Rosalie por me irritar a tarde inteira. – passei meu braço no dele. – Ela hoje está sendo um chute na bunda de irritante.

– É porque você está escondendo algo de mim, e nós somos amigas, Bella. Isso não deveria acontecer. – ela falou, emburrada. – Ainda mais quando é algo que te deixa... Assim.

– Assim como? – questionei. – Eu estou no meu normal.

– Bella, você está mais distraída que nunca, como também está mais calma. É como se você tivesse algo para pensar o tempo inteiro e isso te deixa no mundo da lua, você entende isso? – ela ficou na minha frente, andando de costas. – Não é como suas distrações de sempre.

– Você é doida. – revirei os olhos. – Sempre me distraio e não tem nada de diferente nisso.

– Claro que tem. E você está escondendo.

Jasper nos encarou, sorrindo.

– Conte para nós o que você está escondendo, Bella. – ele incentivou.

Mas sei que há mais nisso do que curiosidade. Ele está me avaliando e pegando informações para passar para o Emmett. E eu não vou dar esse gostinho para ele, de saber que eu tenho algo escondendo mesmo. Não mesmo. Isso só faria o detector dele ficar ainda mais ativo.

– Está certo. – suspirei, me fingindo estar rendida. – Tem algo acontecendo mesmo. Mas eu não posso contar agora.

– Por quê? – Rosalie ergue as sobrancelhas, animada que eu finalmente comecei a falar.

Ela, animada, grudou no meu braço como eu fazia com Jasper.

– Por que... – mordi o lábio inferior. – É uma surpresa. Uma surpresa para Emmett. É isso! – balancei a cabeça, achando minha saída. – Algo que estou planejando para ele, mas que ainda são apenas planos. Nada concreto. E eu não quero estragar.

– E você não vai contar comigo para isso? – Rosalie projetou o lábio para frente, em um bico. – Nós sempre fazemos surpresas para Emmett, juntas.

– Você vai me ajudar, Rouss. Mas apenas na hora certa. Ainda não.

Eu não sei se consegui convencer eles, mas isso faz os dois pararem de me perturbar, o que é algo ótimo. Quando Jasper vai para um lado e Rosalie para o outro, eu finalmente estou livre para correr. Quando chego em casa Renée está estacionando o carro, e me encara com uma expressão estranha.

– O que? – perguntei, na defensiva.

Ela arregalou os olhos.

– Nada, Bella. Está paranoica? – ri de sua piadinha.

– Estou ótima. – murmurei ainda desconfiada do seu olhar. – E você, está tudo bem?

– Está tudo ótimo.

Renée parece radiante, o que eu estranho. Até alguns dias ela ainda estava um pouco triste com o novo relacionamento de Charlie, mas então, depois de sair uma quarta feira à noite para jantar fora, mudou da água para o vinho. Algo havia acontecido.

– Vamos entrar. – ela passou o braço por cima do meu ombro, o sorriso nunca abandonando seu rosto. – O que você quer jantar hoje?

Nesse dia Renée fez o meu prato favorito e o de Emmett. Coisas diferentes e demoradas de preparar, mas ela faz com um sorriso e feliz. Meu irmão e eu trocamos olhares desconfiados, mas não comentamos nada, afinal, se Renée estava feliz era porque algo bom havia acontecido, e se ela ainda não nos contou é porque não é a hora.

Depois do jantar, eu me sentei com Renée no sofá para assistir. Emmett não estava, ele subiu para o quarto, o que é um grande alivio. Encostada na minha mãe enquanto estávamos assistindo, eu me remexi, achando desconfortável. Renée me lançou novamente aquele olhar estranho.

– O que foi? – perguntei brusca.

– O que está acontecendo com você?

– Nada. – neguei de forma rápida.

– Você parece irritada demais, Bella. Parece até frustrada. Tem certeza que nada está acontecendo?

Eu apertei minhas mãos, assentindo. Eu não posso falar para Renée que estou irritada com Emmett por não me deixar em paz quando estou com Edward – escondidos -, pois isso fará minha liberdade de ter meu amigo no meu quarto acabar. Como também não posso contar para ela que Emmett está mandando os meninos me investigarem, já que assim levaria a parte de eu ficar com a porta trancada e Emmett desconfiar de tudo.

Renée podia ser mãe moderna, confiar em mim, mas ainda era desconfortável falar para minha mãe sobre algum rolo que eu estava.

– Não tem nada acontecendo. – falei, aliviando minha expressão. Levantei em um salto. – Eu só vou falar com o Edward, tudo bem?

Ela concordou com a cabeça e eu saí de casa rápido, atravessando para o quintal vizinho e tocando a campainha. É Renesmee quem atendeu, ela sorri para mim e eu retribui, então ela me mandou subir para encontrar Edward. A porta dele está fechada, então bati forte e quando ele abriu, eu não o ataquei como fazia esses dias. Eu apenas me joguei contra ele e o abracei. Sem hesitar, Edward me abraçou de volta, me puxando para dentro.

– Vou enlouquecer. – murmurei contra seu peito. – Vou surtar e parar em um hospício. Preciso do meu amigo.

E isso que Edward me dá. O carinho de consolo que ele faz em mim é como amigo, nada mais que isso. Para alguns pode não haver diferença, mas para mim há toda diferença. Se eu precisasse tirar o estresse, ele iria me beijar. Mas eu precisava desabafar e ele estava pronto para me ouvir. Aquela amizade com benefícios não havia abalado nada de nossa amizade, Edward ainda era o meu amigo.

– O que foi?

– Emmett está me enlouquecendo. Rosalie quase me enlouqueceu hoje. Eu estou paranoica com meus amigos porque acho que eles são “espiões” do Emmett. E eu estou frustrada porque sempre alguém me interrompe com meu nadador. Eu o tenho e ao mesmo tempo não tenho. – bufei, revirando os olhos. – Isso é cansativo.

Edward soltou uma risada e eu belisquei sua barriga, o fazendo soltar um gemido de dor. Não era engraçado eu falar de Edward como se não fosse ele ali, mas eu apenas o diferenciava. Havia o Edward meu amigo e o Edward que eu me agarrava quando tinha vontade.

– Jacob fez um estrago em Emmett. – Edward falou, continuando a acariciar minhas costas. – Essa proteção dele com você é muito.

– Ele fodeu com a cabeça de Emmett sendo um babaca, mas isso não dá o direito de Emmett ser babaca com todos. – me afastei de Edward e me joguei em sua cara, de braços abertos. – Ele acha que isso vai me ajudar, mas está apenas me irritando.

Edward caminhou até a beirada da cama e deitou comigo, sua cabeça na minha barriga. Levei minha mão até seu cabelo, pegando os fios ruivos e sedosos entre meus dedos e acariciando sua cabeça.

– Você acha que Alec está nos espionando? – perguntou.

– Acho. Ele e Jasper. E se possível, ele vai tentar fazer Alec convencer Renesmee ajudar, já que ele não pode ficar de olho em mim quando estou aqui.

– Nessie não faria isso.

– Por Alec?

– Não, ela não faria. – Edward resmungou e eu revirei os olhos. Outro irmão ciumento. – E Rosalie, porque ela te irritou?

– Porque ela conhece e sabe que tem algo acontecendo. E está magoada porque ainda não lhe contei. Só que eu gosto dessa coisa de segredo entre nós, é mais excitante.

Edward gargalhou e eu tive que acompanha-lo. Aos poucos eu estava me sentindo mais leve por poder desabafar toda aquela paranoia e irritação que estava sentindo.

– Ainda mais quando tem aquela adrenalina de que talvez nós possamos ser pegos. – ele virou a cabeça para mim e mexeu as sobrancelhas. – Essas horas são as minhas favoritas.

Ver aquele olhar de malicia junto do sorriso de Edward me fez esquecer o que nós estávamos fazendo.

Lancei um olhar para a porta, depois voltei para ele.

– Você trancou a porta?

– Não. Apenas fechei.

Sua resposta fez um sorriso nascer em meus lábios.

– Eu estou me sentindo melhor, sabe, Edward. Acho que já desabafei tudo que precisava. Que tal agora você virar o meu nadador e... Tirar o estresse com um pouco de adrenalina?

Entendendo minha indireta direta, Edward se moveu na cama e ficou acima de mim, logo inclinando a cabeça na minha direção e encostando os lábios nos meus. Aquele formigamento de satisfação corre por todo meu corpo, me fazendo suspirar, agarrando seus ombros e o puxando para mim.

Nós nos agarramos ali na cama dele por um longo tempo, correndo o risco de Renesmee ou até mesmo Esme entrar no quarto. Mas era isso que eu mais gostava em ficar com Edward, além de ele beijar muito bem e me fazer ficar quente em segundos. Era de que ele gostava de se arriscar assim como eu, de que os piores lugares eram os melhores como o vestiário masculino, o armário de vassouras da lanchonete, meu quarto e até mesmo a sala do John quando nós dois nos metemos em encrenca e ele saiu para buscar Rosalie, que havia fugido. A adrenalina deixava as coisas melhores para nós.

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Era um dia quente. Era um dia muito quente. Mais quente que o normal em Los Angeles. Quente, com sol escaldante e sem brisa para refrescar. Era um dia de ir para a praia. De nadar na piscina. Qualquer coisa que pudesse refrescar. Mas não era um dia de estudar.

E eu estava naquela maldita escola sofrendo com esse dia quente. Eu queria ir embora, queria entrar na minha piscina e ficar lá até esse calor do inferno passar, mas não podia porque tinha que estar na escola. A regata e o short não adiantavam de nada para aliviar o calor. E naquela aula de química ainda havia um ser que usava moletom, estava me dando agonia só de imaginar o inferno que estava ali dentro. Aquele garoto não tinha noção do calor que estava fazendo?

– Então todos estão então sobre esses elementos químicos? – o Sr. Carter perguntou enquanto apontava para a lousa.

Ele era a única parte boa daquele dia. Ver ele andar de um lado para o outro com toda aquela gostosura em cada pedaço do corpo era algo que meus olhos gostavam. Era por isso que eu ainda não havia fugido da aula, porque o Sr. Bonitão valia a pena cada minuto. Os músculos dos braços bronzeados apertando na camiseta, o cabelo preto para cima, os olhos azuis e aquele sorriso valia a pena. Além de ele ser uma coisa adorável. Elegante de jaleco. Esse homem era um deus grego.

– Psiu. – alguém assobiou atrás de mim, mas eu estava mais focada no Sr. Carter. – Bella!

Eu revirei os olhos, sabendo já quem era só pela voz doce e enjoativa. A pessoa que sentava atrás de mim.

– Psiu. – ela fez de novo e eu ignorei. – Isabella cadela!

– O que você quer, Tânia? – me virei lhe lançando meu olhar mais raivoso.

– Você se ferrou?

– O que?

– Você se ferrou aquele dia?

Seus olhos brilhavam em expectativa para saber se eu havia me metido em um castigo. Para Tânia seria a melhor coisa do seu dia, e eu estava impressionada que ela não tivesse me parado antes e perguntado.

– Não. – lancei um sorriso falso para ela e voltei a olhar pra frente.

Tânia me deu três cutucões nas costas e eu respirei fundo, voltando a olhar para trás.

– Porque não?

– Vai se ferrar, Tânia! – mandei.

Eu conseguia suportar Tânia nos dias normais, mas aquele estava extremamente quente me deixando de mau humor, e ter Tânia me cutucando e perguntando se eu me ferrei começava a me irritar.

Para a minha sorte ela decidiu me deixar em paz, e eu continuei apreciando o professor. Quando a aula terminou, juntei todo o meu material rápido, jogando a mochila nas costas. Edward estava vindo para essa aula agora, e se eu desse sorte e fosse rápida, iria encontra-lo na metade do caminho perto do armário de vassouras do corredor e nós poderíamos ter alguns minutos para aproveitar como nós fazíamos esses dias.

Mas meus planos foram por água a baixo quando Tânia começou a me acompanhar.

– Garota, o que você quer agora?! – parei e a encarei. – Eu já disse que não me ferrei. Quando eu me ferrar eu lhe conto e você pode ficar feliz, mas agora me deixa em paz!

– Credo, Bella, que estresse. – Tânia colocou a mão no peito com cara de desprezo. – Eu só queria saber se você tem algo para aprontar.

– O que? – franzi o cenho.

– É que hoje está uma droga de dia, eu estou entediada e não tenho nada em mente para você. Então queria saber se você tem algo.

– Se eu tivesse, era provável que seria direcionado para você, Tânia, o que significa que eu não lhe contaria.

Tânia estava surtando, é isso.

– Tem certeza? – ela mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva. – Eu lembro muito bem da briga que você e seu irmão estavam naquele dia. Já teve vingança?

Todos sabiam que Emmett e eu vivíamos em pé de guerra fazendo vinganças um contra o outro, até Tânia. Eu ainda não havia pensado em nada que pudesse fazer me vingar do meu irmão, porque esses dias eu estava mais preocupada em achar um lugar que pudesse ficar com Edward. Mas ele andava mesmo precisando de uma lição.

– Não. Eu ainda não me vinguei do panaca. – murmurei. – Você quer me ajudar nisso, é isso, Tânia?

– Se for algo divertido, sim.

Eu analisei a situação, pensando em como seria ter Tânia como ajudante. Logo um plano começou a se formar na minha mente, um que a ajuda de Tânia seria muito grande.

– Está certo. – falei animada. – Você pode me ajudar.

Tânia dá uns saltinhos estranho comemorando, o que me faz revirar os olhos. Esse calor estava afetando o cérebro dela, e por isso ela estava feliz em fazer parte dos meus planos.

Emmett iria aprender a nunca mais me filmar nos meus piores momentos e a parar de atrapalhar meus momentos com Edward. Ele iria ter o que merece.

Edward POV

Era impressão minha ou a Bella e a Tânia estavam conversando e sorrindo no corredor? – perguntei para Emmett assim que sentei ao lado dele.

– Não era impressão. Elas estavam conversando. Isso é algo sem noção da parte delas. – ele revirou os olhos. – Sério, ninguém entende essas duas.

E não dava para entender mesmo, já que as duas declaravam ódio uma há outra todo dias e depois você as via sorrindo e conversando. Eu havia adiado demais perguntar para Bella sobre ela e Tânia, estava na hora de eu entender as duas.

O Sr. Carter iniciou a aula e a cada mesa que havia garotas ele passava, podia se ouvir suspiros. Era algo irritante quando ele era apenas um cara qualquer.

– Eu cansei de olhar todo dia para a cara desse professor. – Emmett resmungou e eu o encarei. – Acho que está na hora de ele sair.

– Dizem que ele é um bom professor, não acho que vão trocar tão cedo. – comentei.

– Se não vão por vontade própria, nós vamos dar uma mãozinha pra que isso aconteça. – ele sorriu diabolicamente. – E eu já tenho um plano na mente.

– É? O que é? – perguntei, mais animado.

Emmett sempre falava que se tirássemos o Sr. Carter ia vim uma professora muito gostosa e muito melhor, então eu participaria de muito bom grado em ajudar.

– Olha para o cara, Edward. Ele é boa pinta, galã, está sempre sorrindo. Você não acha que ele flerta com essas garotas que dão bola para ele?

Nós dois nos viramos para o Carter, que estava passando de mesa em mesa falando com as garotas. Ele sorria para elas, tocando suas mãos. Era obvio que aquele professor que não passava dos vinte e cinco devia pegar alguma aluna.

– Acho. – respondi. – Você sabe quem?

– Eu andei pesquisando. Bella gosta da visão que ela tem na aula de química, uma das favoritas dela, e nunca me ajudaria nisso. Nem mesmo Rosalie, que é corajosa e gostosa o suficiente pra na primeira tentativa conseguir agarrar o professor. Então decidi que precisava saber quem ele estava pegando depois que nós saímos da sala. Ele tem tempo suficiente de pegar alguma aluna enquanto nós todos estamos seguindo para o refeitório.

– Então você sabe quem é já?

– É claro. – Emmett revirou os olhos. – E eu trouxe a minha câmera – bateu no bolso da bermuda. – pra filmar e levar até o Diretor. Isso vai fazer Carter sai daqui tão rápido quanto a Srta. Sindy saiu quando descobriram sobre ela.

A Srta. Sindy que Emmett uma vez disse que conseguiu dar uns amasso com ela, e que havia sido pega com um aluno. Ele sempre murmurava que sentia falta dela e das pernas dela quando via Carter dando aula.

– Certo. – murmurei e nós sorrimos cumplices. – Vamos filmar Carter com a garota e levar ao Diretor.

– E então teremos uma segunda Srta. Sindy para apreciarmos.

Nós trocamos um toque e fingimos prestar atenção na aula.

Quando o sino tocou, Emmett e eu enrolamos o máximo possível ao guardar nossas coisas, prestando atenção em todos que saiam, ficando apenas uma garota loira que também parecia enrolar demais. Nós já tínhamos a nossa garota.

Saímos juntos da sala, seguindo para outro corredor como se estivéssemos indo para o refeitório. Não havia mais nenhum aluno rondando por ali. Espiei e vi o Carter fechar a porta com um baque baixo.

– Você está com a câmera preparada? – perguntei para Emmett e ele balançou a câmera.

– Estou.

– OK. Vamos.

Nós seguimos silenciosamente até a sala. Havia uma janela de vidro na porta, aonde dava para ver a sala. Emmett ergueu a cabeça e arregalou os olhos, com a mão na boca.

– Ca-ra-lho. – murmurou pausadamente.

– O que? O que? Deixa eu ver! – o empurrei para o lado e olhei. Com certeza minha expressão foi à mesma do Emmett. – Jesus Cristo.

Carter e a garota loira já estavam em ação e não eram apenas só alguns amasso. Era mais que amasso. Ela estava com o short abaixado, sentada na mesa e ele investia contra ele.

– Deixa eu filmar essa porra! – Emmett sussurrou e me empurrou, colocando a câmera na janela.

Nós nos olhamos com os olhos arregalados. Aquilo era mais do que esperávamos, e quando mostrássemos para o John, o cara ia ter um aneurisma.

Quando ouvimos os gemidos mais altos, decidimos que estava bom e seguimos o mais silenciosamente para o refeitório. Ao chegarmos lá, guardamos a câmera e seguimos para a nossa mesa, com sorrisos inocentes.

Que venha a nova professora de química gostosa e boa de apreciar.

Bella POV

Onde vocês estavam? – Rosalie perguntou quando Edward e Emmett chegaram.

– Er... Hum...

– Então... Hã...

Os dois começaram a gaguejar, mexendo as mãos nervosamente. Fechei meus olhos em fenda na direção dos dois, sabendo que eles estavam escondendo alguma coisa.

– Nós estávamos... – Edward olhou para Emmett. – Por ai. Você sabe, andando, olhando o movimento...

– Ou aprontando. – falei e os dois olharam para mim. – Emmett nunca perderia um minuto do almoço para andar por ai. É a hora que ele tem mais fome.

Emmett lançou um olhar mortal, que eu ignorei, ainda desconfiada do que aqueles dois podiam estar aprontando por ai para chegarem quase vinte minutos depois.

– Eu aposto que tem algo haver com garota. – Rosalie falou, apontando um dedo. – Ou talvez... Algo haver com Emmett querer aprontar para Bella.

– Não acredito nisso. – Renesmee entrou na conversa. – Edward nunca ajudaria Emmett ferrar com Bella.

– Isso é verdade. – Jasper concordou.

– A cara deles são de culpados. – Alec avaliou.

Emmett abriu o maior sorriso e se jogou em uma cadeira, largado. Edward se sentou ao meu lado, no seu lugar habitual.

– Nós ainda não somos culpados... Ainda. – meu irmão sorriu diabolicamente e Edward o acompanhou. – Mas logo vocês vão saber o que é.

Eu abri minha boca para começar a importunar meu irmão para saber sobre o que ele estava dizendo, mas então meu celular começou a tocar. O peguei no bolso e olhei no visor, o nome do Walter estava lá.

– Qual é a nova, chefe?

– Isabella, não é assim que se atende uma ligação. – sua voz grossa falou entediada e eu revirei os olhos. – Você está liberada hoje.

– O que?

– Você está liberada hoje. Não precisa vir trabalhar. Minha menina vai vir ficar comigo e ela ajuda o Jasper.

Eu olhei para o loiro do outro lado da mesa e ele estava com uma careta, já sabendo o que significava aquela ligação. Eu liberada, a filha do Walter ajudando e dando em cima de Jasper.

– Hm... OK. Obrigada por isso, chefe.

– Só estou fazendo isso por causa das horas extras que você fica aqui treinando ser uma dama.

– Pelo menos essas aulas idiotas servem para alguma coisa. – resmunguei baixo.

– Isabella!

– OK, Walter. Obrigada pela folga. Tchau!

Desliguei antes que ele pudesse começar a discursar sobre as malditas aulas. Quando guardei o celular no bolso, fiz uma pequena comemoração.

– Folga? – Rosalie perguntou e eu assenti. – Só porque hoje eu tenho umas coisas dos meus pais pra resolver. Que legal! – soltou ironicamente.

Fiz um bico de desagrado. Seria um bom dia para passarmos juntas, com esse calor. Se Rosalie não fosse resolver essas coisas, nós com certeza iriamos descer para a praia e passar o dia lá. Mas já que ela não estava disponível, eu ia passar o meu tempo livre com outro amigo. Esse que hoje também não tinha treino de natação.

Depois de um tempo o sino tocou, e Edward e eu seguimos para nossa próxima aula, combinando dele ir para minha casa. Se íamos ficar juntos por um tempo, que fosse em um quarto.

.

.

– Bella, eu e o Alec vamos pro tigela! – Emmett gritou do andar debaixo e logo depois ouvi a porta bater.

A casa era só minha hoje!

Não sabia qual era o milagre dele estar me deixando ficar sozinha sabendo que Edward podia vir, mas não queria saber também. Talvez Emmett tivesse cansado, apenas isso.

Jogada na minha cama, com o ar-condicionado ligado no máximo pra aliviar aquele calor, eu fechei os olhos. Meu notebook estava ligado e tocava The Maine. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Edward o mandando vir, e menos de um minuto depois ouvi a porta sendo aberta e Edward subindo as escadas correndo, entrando no meu quarto ofegante. Ele se apoiou nas pernas, puxando o folego.

– Hey... Isso tudo é pra me ver? – brinquei e ele riu.

– Você não vai acreditar no que eu descobri. – ele arregalou os olhos.

– O que?

– Que The All-American Rejects vai estar nesse festival que você falou! – a expressão de Edward era como se ele fosse surtar.

Eu sentei na cama, inclinando minha cabeça.

– Você não vai surtar como uma menininha não, vai?

Sua expressão desmoronou para uma careta e eu gargalhei, jogando a cabeça para trás.

– É a minha banda favorita, Bella, eu tenho o direito de surtar. – ele resmungou com um bico e eu tive que ir até ele e beija-lo. Era irresistível demais pra ser ignorado. – Eu estou falando sério.

– Eu sei que está, garotão. – o abracei pela cintura. – Entendo como é. Eu surtei como uma garotinha quando soube que Sum 41 ia tocar nesse festival. Sério, foi vergonhoso.

Eu fiz uma careta e ele me acompanhou, então nós dois rimos.

– Sabe, Edward, eu ainda não ouvi nenhuma musica deles. Eu até me sinto mal, sendo que você é o amor da minha vida e isso é algo que você gosta... – estalei a língua e me afastei dele, indo até o notebook. – Vou fazer isso agora.

– Agora? – ele arregalou os olhos e eu assenti. – OK. Então vou buscar os CDs pra você ouvir.

Enquanto Edward ia até a casa dele buscar os CDs, eu fiz uma pesquisa sobre a banda, babando um pouco no vocalista/baixista. Ele era magrelo, de cabelo bagunçado e tinha olhos azuis. Do tipo que chamava a minha atenção. Eu suspirei algumas vezes que via as fotos. Edward voltou logo, me entregando os CDs.

– Bella, posso fazer uma pergunta? – questionou, colocando as mãos nos meus ombros e começando a massagear.

– Claro.

– Qual é a da sua relação com Tânia? Vocês são amigas ou inimigas? Porque hoje vi vocês conversando sorridentes e estão sempre se alfinetando... Além daquele dia que ela veio na sua casa, falando que era o dia dela.

Eu fiz uma careta, sabendo que algum dia ele ia perguntar aquilo. Não havia nenhum segredo na minha inimizade com Tânia, só era algo chato de ser explicado.

– Nós gostamos de provocar uma à outra desde que me conheço por gente. – falei.

– Desde quando começou essa rixa entre vocês? – ele parou de massagear meus ombros e eu soltei um gemido em protesto, mas Edward ignorou, indo se deixar na minha cama.

Eu olhei para sem acreditar, e ele só deu de ombros, olhando para o teto do quarto. Fechei o notebook, largando minha pesquisa sobre a banda The All-American Rejects e peguei meu CD Player que estava bem ali. Me deitei ao lado do Edward, colocando o CD que ele tinha me emprestado e ligando. Era um mp3 feito por ele, onde estavam todas as musicas da banda.

– Que musica é essa? – perguntei o nome.

Dirty Little Secret.

Assenti com a cabeça, gostando da introdução com a guitarra. Eu curtia estilo assim, e principalmente essas vozes desleixadas que esses garotos tinham. Era isso que me inspirava. E era algo que combinava com o vocalista, me fazendo ficar um pouco mais apaixonada por ele.

– Se eu falasse para você que começamos desde quando nascemos, você acreditaria em mim? – perguntei para Edward, respondendo sua pergunta anterior.

– Não. – ele riu e eu o acompanhei. – É sério, Bella, desde quando isso começou?

– Deveria acreditar em mim, garotão. – eu fiquei de barriga para baixo, o olhando. – Eu não minto.

– Claro. – revirou os olhos, desdenhando das minhas palavras. – Está falando isso a garota que mais mente para a mãe.

– Ouch. – resmunguei, ficando de bruços novamente. – Isso mesmo, faz toda a culpa de tudo que já fiz voltar para meus ombros. Só porque eu tinha me esquecido... – torci a boca. – Agora vou precisar de mais um minuto para esquecer.

Edward soltou o ar como se estivesse indignado, e eu apenas dei de ombros. Era tão horrível ter que me distrair para esquecer da culpa... Demorava tanto esse um minuto que chegava a me irritar!

– Ok, Bella, deixando as suas esquisitices de lado. – me virei para ele, que revirou os olhos. – Está falando sério que começou desde a maternidade?

– Uhum. – assenti com a cabeça. – É uma coisa idiota a se falar, porque se tem Tânia envolvida ou é vadiagem ou idiotice, e como éramos crianças, é idiota. Apesar de que desde criança ela...

– Bella! – Edward me balançou e eu empurrei a mão dele. – Fala logo, caralho.

– Ok, ok, senhor apressado. – resmunguei. Depois eu que sou a louca impaciente do lugar... – Renée falou que quando nascemos, ela apenas alguns dias depois de mim, nos colocaram perto. Foram nossas mães, que são amigas. Idiotice, eu sei. – revirei os olhos. – E eu, enquanto me mexia e resmungava muito, sabendo que Tânia não era uma boa pessoa mesmo sendo daquele tamanho, peguei os poucos fios loiros de sua cabeça e puxei. Sabe... Eu queria lembrar... – olhei para a parede, imaginando a cena. – Yeah... Eu queria mesmo lembrar. – assenti lentamente.

– Desde bebê era um capeta. Puta que pariu. – Edward resmungou e eu lhe dei um tapa, rindo. – Ok, continua.

– Mesmo com eu sendo malvada com a Tânia, nossas mães insistiam que nós deveríamos ser amigas de infância, assim como elas eram, e tentavam fazer isso a qualquer custo. Como Charlie ainda morava com nós, Renée podia passar mais tempo em casa, e isso significava visita da mãe da Tânia para fofocar, e trazer a vaca loira lá para brincar com a Bellinha. – bufei lembrando como minha mãe e Sra. Denali me chamavam. – Elas nos colocavam no meu quarto e a maioria das – ou todas – vezes Tânia ia embora chorando, falando que eu era horrível, monstruosa e outras coisas. Mas isso não as impedia de continuar tentando.

– Meu Deus, Bella, a garota era só uma criança. – Edward falou e eu dei de ombros.

– Isso não muda o fato do que seria no futuro. Eu não sou nenhuma vidente, mas eu sentia, Edward, eu sentia. – falei lentamente. – E também, ela nem era tão legal assim. Tinha aquelas manias de crianças com frescura, e não gostava dos meus carrinhos.

– Carrinhos, Bella? – Edward gargalhou. – Eu deveria ter imaginado.

– O que?! – me virei para ele, pasma. – Eu tinha carrinhos e bonecas, ok? Tinha dias que brincava com a Dona Lucy, mas tinha outros que brincava com os carrinhos.

– Que você roubava do Emmett?

– Mais ou menos... Alguns eram, mas só porque ele não morava com nós ainda. Outros eram que eu pedia para Charlie comprar para mim. – balancei a cabeça. – E eu só brincava de carrinhos quando ela vinha aqui, pois não gostava dela brincando com a Dona Lucy. Depois da primeira vez, eu não gostei.

– O que ela fez na primeira vez?

– Nada, só queria ficar penteado o cabelo da Dona Lucy, o que me estressava. Ela não penteava porra nenhuma, e sim bagunçava. Odiava crianças idiotas mexendo nos meus brinquedos. Era por isso que dava carrinhos para ela e escondia minha bebê.

Edward me olhou como se eu fosse louca, e eu bufei, sentando na cama e cruzando as pernas.

– Me deixa adivinhar... Você ainda tem essa boneca?

– Er... Nã-não. – menti, passando a mão no cabelo. Olhei de soslaio para ele, e Edward me encarava com uma expressão divertida e dura ao mesmo tempo. – Ok, ok, eu tenho! – admiti e ele gargalhou alto. – Vai me prender por guardar a boneca que marcou minha infância? – cruzei os braços e ele continuou rindo. – Ah, Edward, para com isso!

Edward não fez o que eu pedi, continuou lá, rindo de mim como se eu guardar a Dona Lucy fosse uma piada das boas.

– Não, Bella, não. – limpou uma lágrima que escorreu de seu olho. – Continue.

– Então, Renée e Mellany decidiram mudar a tática e nos levaram para o parquinho, onde ficavam de olho em nós. Foi ali que eu realmente comecei a ir com a cara da Tânia, pois não tínhamos porque brigar, afinal nós era duas crianças procurando se nos divertir com os mesmos brinquedos, sem bonecas ou carrinhos. Eu não fingia que gostava da loirinha como fingia que gostava das minhas primas. Eu realmente gostava de Tânia quando estávamos no parquinho. Ela era legal. Só que...

– Que...?

Bufei e revirei os olhos.

– Charlie e Renée resolveram se separar pelo motivo que você bem sabe, e então eu acabei por piorar, virando essa criatura de Deus que sou. O que Tânia não aprovou, e então começou as nossas piores brigas. Renée precisava de um ombro para chorar, mesmo sendo uma mulher forte que aguenta tudo, ela tinha nas costas o recente divórcio, a perda da irmã e um novo filho para cuidar, e quem para fazer isso se não a melhor amiga dela? Então, isso significava mais visitas de Tânia, e mais brigas nossas. Éramos horríveis, admito. A garota finalmente deixou de ser mole – mas não tanto – e começou a revidar minhas crueldades. O que eu gostei, claro, afinal, era uma forma de distração em saber que Charlie não moraria mais com nós. E uma forma de ficar longe e ao mesmo tempo perto de Emmett, pois eu tinha raiva dele no começo. Eu sempre fui esperta, Edward...

– Eu sei disso. – ele assentiu, tirando uma com a minha cara.

– É sério, porra! Acredita em mim. – bufei. – Uma vez eu cortei o cabelo de Tânia, e ela chorou muito com isso, por ter perdido seus fios de ouro. Sabe, foi bem fácil convence-la a acreditar que íamos brincar de cabelereiro e cortar. Eu apenas disse que tinha mudado, que queria ser uma menina normal e puf!, só eu tinha cabelos longos e loiros. Só que ela soube se vingar... – torci a boca. – Arrancou um olho da Dona Lucy.

– O que?! – Edward arregalou os olhos.

– É, eu sei, isso foi horrível e cruel! – o encarei horrorizada. – Eu dei uma bela de uma porrada nela, que a deixou com a testa roxa. Sem querer Tânia tropeçou nas sapatilhas dela e bateu a cabeça na quina da minha cama. Uma pena ter só ficado roxo...

– Como você é má, Bella. – Edward me olhou sem acreditar.

– Foi pouco, ok? Pois ela machucou Dona Lucy, o que me machucou também. Ela bem que mereceu para não deixar mais nenhuma boneca inofensiva caolha. – Edward gargalhou. – Quer ver como ficou?

Eu pulei da cama e corri até meu closet, pegando a caixa rosa que tinha ali em cima, junto da minha bola de vôlei, meu taco de beisebol e minha bola de futebol americano. Tirei a Dona Lucy da caixa e assoprei para tirar a poeira que se acumulava. Eu nunca fui fã de boneca, gostava mais de ursos, só que quando Charlie apareceu com aquela, foi amor à primeira vista. A boneca de cabelos bem loirinhos – assim como eram os meus -, pele de porcelana e olhos azuis claros – agora sendo só um – tinha me encantado com o vestidinho rosa. Uma coisa bem gay, mas eu tinha gostado muito.

Voltei para o quarto e Edward continuava do mesmo jeito, as mãos atrás da cabeça e todo folgado. Engatinhei na cama, deitando bem em cima da barriga dele e mostrando a Dona Lucy para ele.

– Caramba, agora eu fiquei com pena. – Edward falou olhando para a Lulu. – Ela lembra você, Bella.

– Que nada. Ela é mais bonitinha que eu. E também, eu tenho dois olhos. – eu arregalei os meus, o que fez Edward gargalhar. – Eram esses tipos de brigas que rolava entre nós. Foi então que Rouss apareceu, o que tornou tudo pior para Tânia. Eu tinha o apoio do Emmett e do Alec, e ela das primas gêmeas dela. Isso se tornou a terceira guerra mundial, que até hoje não acabou. E duvido muito que vá acabar.

– Eu também. – Edward concordou, pegando a Dona Lucy das minhas mãos. – Qual foi a pior briga de vocês?

– A que durou uma semana. – sorri ao lembrar-se daquela semana. – Foi uma das melhores e mais inesquecíveis. A Maratona da Vingança.

Edward se ajeitou na cama, fazendo com que seu corpo se encaixasse mais ao meu. Eu me aconcheguei em cima dele, encostando minha cabeça em seu ombro.

– Eu preciso ouvir essa. – falou divertido.

– Ok, Edward, se prepara para ficar com medo. – me virei para ele. – Só promete que não vai correr de mim depois, por favor?

Ele enrugou o cenho e eu soltei um gemido, porque sabia que aquilo era uma negativa dele. Me ajeitei da melhor forma em cima dele, e me preparei para contar o meu inferno e meu parque de diversão que foi aquela semana.

– Nós estávamos no nono ano, sabe... Quatorze pra quinze anos de pura idiotice... Da parte dela, claro. – revirei os olhos. – Você já viu como é a escola, um tédio total, principalmente nas segundas-feiras. E era segunda. E eu estava em um dia desses, em que nada me fazia parar quieta. Rosalie já resmungava de mim, falando que ia passar cola na minha bunda e me colar em uma cadeira. Então, para parar de irrita-la com minha preciosa presença, eu decidi que iria fazer uma... Brincadeirinha com o primeiro que aparecesse, e bem... Tânia foi à sortuda. – eu sorri da forma que fazia toda vez que me lembrava de alguma coisa que havia feito para Tânia. Rosalie falava que era um sorriso diferente, de dar medo.

"#Segunda-Feira#

Graças a Deus já era o horário do almoço, e eu brincava com Emmett de tacar confect de M&M na boca, com ele sentado na minha frente. Rosalie mexia no bolo dela, absorta em pensamentos por causa de do DJ, o ex dela que tinha terminado com ela na noite passada e ainda levado o violão dela. Um idiota total. Eu avisava, mas ela não me ouvia. Isso que dar namorar um babaca mais velho. Para namorar tem que ser só mais velho, não babaca. Alec estava como sempre com Alice, a namorada dele na mesa dos populares.

– Que graça! – Tânia apareceu na minha frente, e acabou por ser acertada com um M&M que Emmett não conseguiu pegar. – Ai!

– Bem feito. – revirei os olhos. – Agora se não quiser ser bombardeada por mais uma e ganhar cem quilos de pura gordura, é melhor dar o fora daqui.

Ela fez uma careta, mas não saiu. Ainda fez pose de quem iria me enfrentar, colocando as mãos nas cinturas esqueléticas dela. Eu peguei um M&M vermelho e coloquei na mira certinha da testa dela. Era tão fácil...

– Você não vai... Ai! – ela levou a mão ao lugar, e eu gargalhei. – Eu não acredito que fez isso!

– Bella avisou. – Emmett disse dando de ombros e Rosalie assentiu. – Você que é burra.

– Eu não sou burra! – bateu o pé no chão, como uma boa mimada. – Eu só vou sair porque estou sendo contaminada com o estilo animal de vocês.

Ela deu as costas para nós e saiu rebolando. Eu me encostei à cadeira, assistindo aquela cena patética que era Tânia andando. Se ela virasse o pé naquele salto alto... Com toda certeza seria um bom mico. E eu estava precisando rir, então... Olhei para Rosalie, que ainda cutucava o bolo dela. Depois olhei para Emmett, que tinha se esquecido dos meus M&M e agora descascava uma banana. Fiz uma careta, porque eu odiava aquela fruta que tinha um cheiro forte e enjoativo.

– Hey, Emm. – chamei ele, que me encarou. – Sabe o que essa banana está falando?

– Não, o que? – perguntou desconfiado.

– Me dá ela aqui, vai. – pedi e com uma careta, peguei a fruta. Lentamente, eu comecei a descasca-la. – Oh não! Ela está tentando me tarar. Socorro! Socorro! Está tirando a minha roupa...! Merda, eu vou ser comida! – imitei uma voz fininha, fazendo ele e até Rose-deprê rir. – É isso ai, gata amarela, Emm vai te comer todinha.

Entreguei para ele a fruta e fiquei com a casca. Emmett nem se importou com eu pegar, ainda fazendo ceninha com a fruta. Revirei os olhos, porque eu só queria distrai-lo para pegar a casca, já que ele e Rosalie estavam atacados com chatice e não queriam participar das minhas loucuras. Eu odiava quando ficava atacada assim, pois ninguém acompanhava o meu ritmo.

Olhei por cima do ombro do meu irmão, e para minha sorte, Tânia estava parada em uma mesa, conversando com umas meninas de lá. Eu, com tudo muito bem calculado e já experiente com isso, joguei a casca de banana, que voou e caiu bem no corredor que ela tinha passado segundos atrás. Agora era só fazer a segunda parte do plano... Olhei para Rosalie, que prestava atenção em Emmett fazendo a ceninha da banana violentada. Peguei o bolo cutucado dela, assustando-a.

– HEY, TÂNIA! – chamei à loira, que se virou na minha direção.

Então contando com minha boa mira por causa do treino de tênis que fazia, eu joguei a bolo em Tânia. Ele foi rodando no ar, jogando pedaços para todos os lados, mas caiu bem aonde eu queria. Vi a face dela, já rosada, ficar vermelha. E então ela fez o que eu tinha planejado, andou na minha direção e pisou com aquele salto fino na casca de banana. E como em um desenho animado, Tânia caiu de bunda no chão, fazendo todo o refeitório gargalhar. Eu me encostei à cadeira, com as mãos na barriga já doendo de tanto rir. Estava feliz, satisfeita, e pronta para um segundo round se ela quisesse.

– Ela vai se vingar, Bella. – Rosalie falou, depois que o sino tocou para irmos para a sala. Tânia saiu do refeitório furiosa, e não apareceu mais. – E não vai ser fácil.

– Eu nem me importo. – dei de ombros. – Estou precisando mesmo de animação.

– Claro, ela vai é fazer você passar um mico. – revirou os olhos.

– Duvido muito que aquela mente limitada dela consiga fazer melhor do que eu fiz. – dei meu sorriso mais branco e lindo. – Agora vou ao banheiro para prender esse cabelo irritante.

– Ok, gata, eu vou para a minha sala.

Ela me deu um tapa no ombro e seguiu andando pelo corredor, enquanto eu entrei no banheiro. Fui até o lavatório e molhei as mãos, passando nos cabelos e os prendendo. Olhei meu rosto, vendo que as minhas bochechas estavam muito mais rosadas do que eram, e por causa do calor que fazia. Passei água no rosto e na nuca.

– Com calor, Bella? – a voz da Tânia soou do outro lado do banheiro, e eu a encarei sorrindo.

– Ah, claro. Você não? – ergui uma sobrancelha e voltei a me olhar no espelho. – Claro que não, com essa pouca roupa que usa...

– Ao contrário de você, que usa até demais. – debochou.

Olhei para a minha calça jeans larga, e minha camiseta. Não tinha nada demais ali, era como qualquer outra roupa que as pessoas usavam. Apenas Tânia e as vadias usavam poucas, e queriam que todas usassem.

– Eu estou bem com as minhas. – dei de ombros. – O calor é só pelo tempo mesmo.

– Ah... Então deixa que eu lhe ajude.

– Co... – antes que pudesse terminar minha frase, fui atingida por água, que entrou até pelo meu nariz. Passei a mão no rosto, para tirar o excesso. – Ficou louca?!

Tânia segurava um balde preto, e me olhava com um sorriso vitorioso. Ela olhou para dentro dele, e eu também, e vi que tinha mais água. E o que ela fez? A estupida jogou mais água em mim! Na minha revolta, abri a torneira e comecei a jogar água nela, e ela não querendo perder, também fez o mesmo. Eu proferia palavrões na direção dela, e ela gritava que nem uma... Vadia.

Quando terminamos com a briga, o chão do banheiro parecia uma banheira gigante, e nós parecíamos que tínhamos entrado na piscina de roupa. Eu bufei e sai do banheiro, dando de cara com o diretor John e a escola inteira parada lá de frente. Ele lançou um olhar furioso na minha direção, e eu apenas dei de ombros, entrando no banheiro novamente e arrastando Tânia para fora, afinal, ela tinha mais culpa ali do que eu."

– John nos deu uma boa detenção por causa dessa briga. – dei de ombros.

– Só isso? – Edward, adoravelmente, arregalou os olhos.

– Só. Ele sabe que não importa o que fizesse com nós, sempre iriamos brigar. Então ele falou, falou, falou e depois fez nós ficarmos até às sete da noite na escola, esperando nossos pais.

– E ficou por isso? – Edward perguntou com uma careta.

– Claro que não! – bufei. – Eu nunca deixo Tânia sair ganhando. Foi uma semana longa... E terça-feira foi impagável.

"#Terça-feira#

– Você não vai fazer isso. – Rosalie gargalhou quando me viu arrancando o rótulo do spray para cabelo de Tânia e colando em uma latinha spray de queijo. – Ah, você vai!

Dei de ombros e colei o rótulo certinho, revirando os olhos para a futilidade de Tânia. A lata era prata, com o botão rosa. Só faltava ter o nome da Barbie ali para parecer da loira em desenho e boneca. Eu tive que pintar o botão do spray de queijo, porque se não ela veria a diferença. Agora me diz: para que ter um spray daquele? Cabelo bagunçado era mais legal do que todo duro e sem se mexer. Apesar de que ela fazia mágica em ainda o dela se mexer...

– Ela não vai sair ganhando isso, Rouss. Aqui se faz, aqui se paga. – fechei o armário da loira. – Tânia vai ter uma boa surpresinha quando mandar as primas dela passar o spray em seu cabelo.

Nós duas gargalhamos e voltamos para a quadra, aonde o treinador babava nas meninas jogando vôlei. Eu fiquei encostada na porta, assistindo a aula também, até o sino bater. Assim que bateu, eu esperei ela passar fazendo como se também tinha feito exercício físico. Rouss ao meu lado falava sobre o telefonema que ela tinha recebido de DJ, mas eu apenas encarava Tânia, pois não queria perder a cena. A loira olhou na minha direção também, e fez uma careta, sem nem imaginar pelo que esperava por ela.

Eu tive que entrar no cubículo ao lado do dela na hora do banho para saber quando ela iria. Desliguei o meu chuveiro primeiro, vesti minha bermuda e camiseta e sai enxugando os cabelos, indo para o meu armário que era ao lado do dela. Rouss também apareceu ali, bem na hora que Tânia foi ao armário dela. Eu encostei-me ao meu, assistindo atentamente e nem fazendo questão de disfarçar.

Vi quando Tânia penteou o cabelo dela, e pediu que Kate pegasse o spray e espirrasse pelos fios loiros. Mordi o lábio inferior para não rir antes da hora. Kate tirou a tampinha rosa, fez uma careta e depois deu de ombros, antes de mirar o spray na cabeça de Tânia. Ver o queijo cheddar cair bem em cima, como um spray de chantilly nos bolinhos, foi à coisa mais engraçada que eu já vi. E sem querer me segurar mais, eu caí na gargalhada com Rouss quando elas perceberam que não spray e sim queijo. Kate e Irina começaram a gritar e pular, apontando para a cabeça de Tânia. Essa sem entender, levantou e olhou no espelho que tinha na porta do armário, e quando viu o que acontecia, deu um grito agudo de me fazer tampar meus ouvidos, mas sem parar de rir, assim como todas as meninas do vestiário. Tânia gritou com as primas, que gaguejavam sem saber o que falar. Só que ela parou do nada, e se virou lentamente para mim, com a expressão furiosa.

– Você! – apontou com sua unha bem feita e veio na minha direção, parando na minha frente. – Foi você!

– Eu? – me fiz de inocente. – Hey, Rouss, você tem algum Doritos ai? Porque Tânia veio servir nós com o queijo.

Aquilo foi o fim, pois todas gargalharam ainda mais. Tânia falou um: "Você me paga" e saiu gritando para Kate e Irina fazerem alguma coisa, pois estava grudando gordura nos cabelos dela. Eu apenas apreciei mais um dia de diversão, até me encostando no armário de tanto rir. Rosalie já estava no chão, com a mão na barriga e os olhos cheios de lágrimas.

Depois da cena comédia, eu fui para a minha aula, que por ironia eu tinha que me sentar com Tânia. E tudo por causa da cena do banheiro. O diretor queria nos forçar a sermos amigas, mas ele não percebia que isso era impossível. Se nossas mães não conseguiram, imagina ele então. E ainda com a adolescência que tinha acabado de entrar. Dava até vontade de falar: Hey, Sr. John, nós temos TPM caso não lembre.

Eu sentei no meu lugar e esperei a aula começar. Tânia chegou alguns minutos atrasada, e eu tive que tirar uma com a cara dela levantando a mão e falando para a professora se alguém estava com lanche na mochila, para depois aproximar de Tânia, cheira ela e falar que a Tânia era o lanche ambulante. O que fez a sala inteira rir e ela soltar fumaça pelos ouvidos. Sem brincadeira.

Acabei por deixar a loira em paz, fingindo prestar na explicação da professora, mas que na verdade estava apenas me preparando para tirar uma soneca gostosa, como sempre fazia. Em questão de minutos meus olhos já pesavam, e eu apenas me ajeitei melhor, caindo na terra dos sonhos.

Eu fui acordada por uma cutucada de Tânia, que já saia da sala com a bolsa rosa fluorescente dela. Eu guardei meu material na minha mochila normal de cor vermelha e levantei, mas parei ao ver – e ouvir – uns meninos rindo e olhando para mim. Ergui uma sobrancelha, o que fizeram eles rirem ainda mais.

– Eu espero que vocês parem com isso, ou eu juro que dou um soco na cara dos dois. – falei.

– Nossa, Bella, você não pode fazer isso. Vai influenciar coisas erradas as crianças. – Josh falou com sarcasmo, o que me deixou com raiva e confusa.

– Eu avisei.

Dei um passo para frente e eles saíram correndo e rindo. Era sempre assim, os meninos corriam de mim quando eu ameaçava a bater. Talvez por que eu sou a irmã do Emmett, que tinha aulas de boxe... Ou eu realmente sabia dar medo. Sai da sala e segui para a saída, ouvindo o corredor inteiro rir. Eu estava confusa, será que tinha acontecido alguma coisa engraçada enquanto eu dormia? Droga, eu deveria parar com isso!

Continuei meu caminho, sentindo os olhares de todos sob mim, até eu achar Rosalie, que quando me olhou, arregalou os olhos e caiu na risada também.

– Por acaso eu sou palhaça para todos ficarem rindo de mim? – perguntei para ela, começando a ficar com raiva mesmo.

A minha pergunta só a fez rir ainda mais, e eu bufei. Emmett apareceu, passando o braço sob meu ombro, e quando olhou para mim, fez igual à Rosalie.

– Caralho, Bella, decidiu finalmente arranjar trabalho?

– Do que você está falando, idiota?

– Bella... – Alec apareceu com Alice, que estava sorrindo maldosamente na minha direção. – Você está... Er... – ele esticou a mão para Alice, que entregou um espelho rosa para ele. – Bem... Veja você mesma.

Ele colocou o espelho na minha frente, e eu senti minha respiração ficar presa em algum lugar. Eu estava... Maquiada de palhaço! Minha boca estava vermelha, e meu rosto todo branco, com duas bolinhas rosas na bochecha.

– EU VOU MATAR A TÂNIA! – berrei, já procurando a cabeleira loira dela por entre aqueles idiotas que ainda riam e faziam piadinhas.

– Bella, calma! – Rosalie apareceu na minha frente, atrapalhando minha busca. Ela olhou para Alice, que prestava atenção em nós duas. – Vamos ao banheiro tirar isso.

Ela me acompanhou até o banheiro e lá me ajudou tirar aquela maquiagem horrível. Eu sabia que agora minha pele iria envelhecer seis meses mais cedo. Argh! Aquela perua adolescente iria ver comigo. Eu a faria comer todo aquele kit de maquiagem dela, só para quem sabe a pele dela ficasse logo mais velha, e pagar por ter passado esses cosméticos em mim.

– Rosalie, eu juro que vou matar ela. Aquela Queijo-Cheddar-Ambulante vai se vê na minha mão. Agora não vou passar porra nenhuma no cabelo dela. Eu vou é fazê-la...

– Bella, se acalma. – Rosalie me sacudiu e eu rosnei. – Nós vamos se vingar, ok? Vamos pensar em algo para amanhã e ela vai se vê com nós... Não! Espera! – Rosalie me soltou e pegou meu rosto. – Eu já tenho uma ideia. Deixe as coisas se acalmarem, pois se lembra do que vai acontecer sexta-feira?

Eu a encarei, tentando lembrar de algo que ia ter sexta-feira. Nós iriamos na tijela? Não, não é isso... É... Ah!

– O acampamento. – falei, abrindo um sorriso.

– Isso... E o que você acha de nossa vingança lá? – ergueu uma sobrancelha.

– Eu te amo, Rouss! – pulei no colo dela, enlaçando meu braço em seu pescoço. – Você é demais!"

– Me deixa adivinhar... Você não esperou para sexta-feira, certo? – Edward mexeu no meu cabelo.

– Como você é tão bom de palpite?

– Bella, você é a pessoa mais impaciente que eu conheço. Não vai esperar dias.

Eu sorri e continuei.

"#Quarta-feira#

– É hoje que eu morro igual um peru frito, merda. – Emmett falou, se abanando. – Eu preciso de um lugar fresco!

Eu o encarei através da bancada da cozinha, me perguntando de onde ele tinha tirado a ideia de peru frito, se só havia comido assado, mas ignorei e voltei minha atenção para os cubos de gelo que estava em uma tigela de metal. Coloquei um bem no sutiã e tremi com o choque do corpo quente, mas logo relaxei, sorrindo comigo mesma. Peguei outro cubo de gelo e chupei, ignorando Emmett que estava praticamente deitado em cima de mesa, com o ventilador ligado só para ele. O calor hoje era quase de quarenta graus, dava para fritar um ovo na cabeça de alguém. Se quisesse pegar cor, era só pisar fora de casa por cinco minutos e logo iria parecer um carvão. Até pessoas como eu, albinas, conseguiam pegar cor no dia de hoje.

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– Vai para a piscina. – falei, depois que terminei o cubo de gelo. – É o melhor lugar.

– Só se eu quiser ser um peru cozido. – ele me olhou como se eu fosse à retardada. – Bella, precisamos nos refrescar.

– Eu sei disso, Sr. Razão. – bufei. – Só não sei como...

Ele encostou a cabeça novamente na mesa, pedindo a Deus que caísse uma nevasca ali. Eu continuei ocupada com meus cubinhos de gelo, que estavam mais ou menos me refrescando no momento. O ar condicionado estava quebrado, e era por isso que morríamos naquele dia. Renée falou que iria chamar o técnico para arrumar, mas o velho não veio, e assim parecíamos que estávamos vivendo no inferno, ao invés da Califórnia.

Meu celular começou a vibrar ao meu lado, e quando vi que era Rouss, revirei os olhos.

– Fala sério, acabamos de sair da escola e você me liga?

– Ok, valeu sua mal agradecida. Agora eu não vou te contar à ideia que tive. – resmungou.

– Manda logo, então. – soltei um gemido por causa do gelo nas costas. – Eu estou passando por um processo prazeroso.

Que nojo, Bella. Ok, esquece o que você está fazendo ai e vamos para o Club.

– Para o Club? – eu arregalei os olhos e Emmett na mesma hora levantou a cabeça, me olhando. – Como eu não pensei nisso?

É que você é muito burra e eu sou inteligente. – se vangloriou. – Agora vai logo, veste um biquíni, pega o skate e vem com o idiota do seu irmão que eu sei que ele também vai vir.

Eu desliguei na cara dela e corri escada acima, sendo seguida pelo Emmett. Entrei no meu quarto e segui para o closet, começando a procurar um biquíni. Assim que achei um, coloquei, vesti uma regata por cima e coloquei uma saia, só para ser mais fácil de tirar. Passei bloqueador solar no corpo inteiro, virando até elásticos para passar nas costas. Peguei meu skate e um boné, para pelo menos proteger meu rosto e desci logo as escadas correndo. Assim que sai de casa, eu podia jurar que foi como colocar bife na panela. Queimou até as minhas retinas com a claridade que estava do sol forte.

– Vamos logo, Emmett! – chamei meu irmão, e logo ouvi os passos pesados dele na escada.

Seguimos para o Club, que não era muito longe de casa. Na portaria, a tia que ficava lá nos cumprimentou, dando uma carimbada na nossa mão para saber que éramos sócios. Eu achava aquilo tão idiota. Avistei a Rouss de longe enquanto seguia para o vestiário para guardar minhas coisas, ela acenou do pequeno bar que havia ali, e estava já acompanhada do Alec e da Alice. Ela fez uma careta indicando a patricinha, e eu imitei a careta dela. Eu guardei minhas coisas, e de biquíni e saia, fui para onde eles estavam.

– Até que enfim. – falou, batendo na minha mão em um hi-5. – Achei que vocês não iam chegar nunca.

– A minha princesa Fiona demorou. – olhei para Emmett, que caminhava na nossa direção. – Eu estava morrendo lá em casa. Tinha que me contentar com os cubos de gelo para refrescar, já que o velho ainda não foi arrumar a porcaria do ar condicionado.

– Eu até imagino a cena. – Rosalie fez uma careta.

– Hey, Bellinha! – Ben, o barman do quiosque me cumprimentou. – Vai querer o que, gatinha?

– Eu quero uma limonada bem gelada, Ben, pois hoje a coisa está feia.

– Para mim também! – Emmett bateu a mão no balcão. – Eu quero o maior copo que tiver.

Nós ficamos conversando amenidades, e ouvindo Alec e Alice trocaram palavrinhas carinhosas – que faz você querer vomitar -, mas apenas tirávamos uma com a cara dele. E foi quando eu vi Tânia do outro lado do clube, em uma tenda rosa, com suas primas gêmeas. Mas não era isso que chamava a minha atenção, e sim o que ela fazia. Ela conversava com o irmão mais velho do Sam, e os dois estavam em só sorrisinhos.

– Bella? – Rosalie olhou na mesma direção que eu. – Ah, não! – choramingou.

Eu tomei um gole da minha limonada, e fiquei assistindo a cena. Eu sabia que era idiota ter uma queda – ou um tombo mesmo – pelo irmão mais velho do meu amigo, que eu nem sabia o nome."

– Espera ai. – Edward me atrapalhou e me fez encara-lo com raiva. – Desde seus quatorzes anos você é afim de um cara que nem sabe o nome?

– O que tem isso? – cruzei meus braços. – Edward, nós estamos na quente e ensolarada Califórnia, aonde tem surfistas sarados e gostosos. E também, aonde eles gostam de lavar o carro sem camisa, mostrando todos os músculos. Isso é normal para uma garota da Califórnia. Conta junto com os músculos o fato de ele ser mais velho, gostar de fazer coisas erradas e ilícitas, o que deixa tudo ainda mais atraente. Então, fecha o bico e me terminar.

– Não. Mas espera. A forma que você falou dele mostra que ele é um babaca. Quando seu conselho é “caras mais velho, mas não babacas.”

– Edward... – ergui minha cabeça para encara-lo nos olhos. – Você é o amor da minha vida e tem que ser mais inteligente. Entenda, eu disse que caras mais velho e babacas não são bons para namorar. Mas para você ter uma quedinha, sim. E também, não é como se alguma de nós tivesse a chance naquela época... Eram apenas coisas de adolescentes californianas.

Ele franziu o cenho e eu revirei os olhos, continuando minha história.

" – O que você tem em mente? – Rouss perguntou e eu a encarei.

– O que faz você achar que eu tenho algo em mente?

– Vou citar, ok? – assenti. – Primeira coisa que me faz achar isso: Tânia Denali. Não preciso falar mais nada do que isso, não é? A segunda é: o cara gostoso conversando com ela. Também acho que só o suspiro de raiva já diz tudo. E terceiro: a sua cara mesmo. Ela é a que mais grita: VAMOS MATAR! – Rosalie levantou o punho como se fosse um grito de guerra, o que assustou Alice e Alec.

– Tudo bem, Rosalie, você me conhece, cupcake. – sorri o mais inocente possível. – Agora... Que tal nós irmos dar uma volta... Pelo hotel?

Rosalie arregalou os olhos e depois sorriu diabolicamente, tomando toda a sua bebida rosa de uma vez, e bateu o copo no balcão.

– Vamos lá, Bella! – falou muito animada e saímos andando, mas eu ainda pude ouvir Alec falar um "Sinto que elas vão aprontar".

Fazer o que, o carinha nos conhecia muito bem.

Entramos no prédio luxuoso que era o Hollyn e cumprimentamos a Beck, a recepcionista de lá. Era uma amiga nossa, que nos ajudava em algumas coisinhas. E quando digo coisinhas, é no que precisássemos para ferrar com Tânia, porque Beck a achava uma fútil inútil que só ia ali para inferniza a vida dela. Eu contei para ela o que tinha em mente, e em questão de alguns minutos Beck nos arrastava para os fundos dos prédios trazendo na mão as coisas que eu precisava.

– Só peço uma coisa... – ela falou, me entregando. – Que seja publico e muito vergonhoso.

– Vai ser, acredita em mim. – sorri. – Assista pelas câmeras.

Eu me despedi da Beck e nós voltamos para o clube.

– Então eu só preciso bater nela com isso? – Rosalie perguntou mais uma vez, já que estávamos prontas para colocar o plano em prática.

– Isso mesmo, loira. – concordei. – Agora vou lá... Fazer a minha parte.

Eu a deixei atrás dos pequenos coqueiros que havia ali e caminhei calmamente no meu lugar central: as espreguiçadeiras perto de Tânia. Quando me aproximei, sentei ali como quem não quer nada, troquei um sorrisinho com o vizinho e um olhar mortal com a Pantera Cor de Rosa. Tânia sabia do meu vizinho e como que para me provocar, pediu que ele passasse protetor nas costas dela.

E eu era uma puta de uma inteligente que calculava tudo. Eu sabia! Sabia que ela iria pedir isso quando me visse, e sabia que O Vizinho não iria negar, porque ele era um cafajeste. E eu sabia ainda mais que seria muito fácil trocar o protetor da Tânia por óleo de amêndoas que Beck havia conseguido em um dos quartos com suíte. Eu era muito rápida nessas coisas. Tive que ouvir Tânia falar e falar da sua entediante e rosada vida para O Vizinho, que sorria e assentia. Ele com certeza não ouvia nada. Vi o cara passar o óleo nela, nem percebendo a diferença já que estava entretido demais olhando pra bunda da loira. Assim que ele terminou, e eu me certifiquei que passou em tudo, fui calmamente até o quiosque e pedi Coca-Cola.

Uma vez ouvi Renée falar que óleo de amêndoas no sol fazia um estrago, e na internet que Coca-Cola também queimava. Bem... Sabe como existem pessoas assim sem noção na internet, e eu como uma curiosa que sou, finalmente ia testar. Claro que não em mim, que sou branquinha de pele sensível. Iria usar a ratinha branca da Tânia como cobaia, ela não ligaria.

Com a coca nas mãos, eu me despedi do meu irmão e do casal melação e segui na direção da tenda rosa. Assim que me aproximei o suficiente do ponto alvo, eu fingi tropeçar e derrubei toda a coca no vizinho e na Tânia. Ele não era para acertar, mas já que estava na frente, levou também. A loira levantou na mesma hora, furiosa, seus olhos azuis pareciam faiscar de ódio.

– Ops. – fiz teatralmente na melhor forma que ela entendia.

– Você ficou louca?! – berrou. Como sempre eu conseguia deixar, Tânia que era rosa de natureza, estava ainda mais.

– Foi sem querer, Denali. – me fingi de inocente. – Eu... Eu tropecei.

– Acha que eu vou acreditar nessa história idiota?! – ela deu um passou para frente, ficando finalmente no sol. – Eu te conheço, Isabella!

Dei de ombros e olhei para O Vizinho que tentava limpar a bermuda que eu tinha sujado. Ele levantou a cabeça para mim e deu um sorrisinho de canto, como se não importasse nem um pouco com o que tinha acabado de acontecer. Eu não pude evitar suspirar com aquele sorrisinho.

– Tânia, se você não quer acreditar... – me voltei para a loira, que parecia um pouco incomodada. – O que foi?

– Você é um inferno na minha vida, Isabella! – falou, se remexendo. – Ai que droga!

Eu sabia bem o que ela sentia, porque eu também estava sentindo, e olha que eu não tinha passado nada na pele além do bloqueador solar. Só que aquele sol estava insuportável hoje, e queimava até a alma. Meus ombros ardiam demais, e eu imaginava como estavam as costas de Tânia, que só usava o biquíni.

– Eu nada. Você que inferniza a minha com essa cara. – revirei os olhos. – Agora, se me der licença, vou pegar meu sol...

Eu me sentei na espreguiçadeira e fiquei assistindo Tânia com suas caretas. Ela voltou para a tenda e se secou com uma toalha. Perfeito, quando ela fosse pegar sol, iria torrar – literalmente.

O tempo nunca pareceu tão lento como naquele dia. Mas aos poucos pude ver a pele clara e rosada de Tânia começar a ficar vermelha e escurecer. Ela se remexia de um lado para o outro, passando a toalha nos braços tentando aliviar o incomodo, e eu me segurava para não rir dela. O Vizinho conversava com um amigo dele, sem mais se importar com ela.

– Mas que droga... – ela resmungou.

– O que foi, prima? – uma das gêmeas perguntou. Eu não conseguia identificar qual era.

Agora vinha outra parte do show.

– Está queimando. – Tânia respondeu.

– É que piranha fora da água e no sol resulta nisso. – murmurei inocentemente.

– O que? – ela se levantou em um salto. – O que vou falou, Bella?!

Calmamente me ergui da minha espreguiçadeira, com meu copo de coca – ou o que restou. Olhei para Tânia com tédio.

– Foi isso que ouviu. Um bom conselho é você voltar para a água, vai ajudar.

– Que ousadia é essa de me xingar de piranha?! – ela, histérica, quase gritou.

– Eu estou apenas sendo realista. – dei de ombros. – E uma boa pessoa em dar conselhos.

– Você vai pagar por isso!

Tânia deu um passo na minha direção, e eu joguei o resto da coca nela. Ela piscou os olhos, com a boca aberta, e eu gargalhei.

– Você... Você jogou refrigerante em mim novamente?! – olhou para si.

– Já que você não quer ir pra piscina, eu estou lhe ajudando te molhando, piranha. De nada. – soltei mais um sorriso inocente.

Tânia ia novamente tentar me atacar, mas antes que pudesse fazer isso Rosalie apareceu ali com uma almofada – já rasgada – e bateu na cara da Tânia. Voou penas para todos os lados, mas a maioria grudou em Tânia, que estava com a boca aberta e cheia de penas. Eu não me aguentei, gargalhando o mais escandalosamente que podia, com Rosalie me acompanhando. As gêmeas começaram a gritar a apontar para Tânia.

– Ih, o que aconteceu aqui? – Emmett se aproximou e quando viu Tânia, riu. – Você está parecendo uma galinha.

Foi o cúmulo. Todos que estavam por perto e ouviram aquilo, até O Vizinho. Tânia estava passando o pior mico dela e eu era a causadora. Isso me deixava à pessoa mais feliz desse mundo.

Tânia me encarou com olhos fulminantes, tremendo em seu próprio ódio. Eu parei de rir, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha para ela.

– E então, vai cair fora? – perguntei.

– Nunca! Eu vou me vingar por isso, Isabella. Você vai me pagar!

Dizendo isso, ela saiu pisando duro para dentro do hotel. Eu a segui com os olhos, o sorriso vitorioso nos lábios. Vi ao longe Beck encostada em uma pilastra e encarando Tânia, que passou por ela, então seus olhos vieram para mim e me mandou um sinal de positivo.

Que agora viesse a vingança de Tânia...”

– Você é cruel. – Edward falou divertido e eu ri. – Muito cruel, Isabella Marie Swan.

– Tânia sempre pedia por aquilo. Quero dizer, ela não era nenhuma vagabunda nem piranha, nós tínhamos quatorze para quinze anos, era coisa de adolescente nessa idade – dei de ombros –, mas xinga-la dessas coisas a deixava enfezada. Assim como as roupas que ela usava, já que queria andar como as outras garotas do colégio e não usando pérolas, que é que a Sra. Denali gosta de dar para ela. Assim como eu usava minhas calças largas e camisetas grandes do Emmett.

– Você se escondia em roupas largas, Bella? – Edward ergueu uma sobrancelha.

– Sim. Calças largas, bermudas, camisetas com nome de bandas. Tudo ficava grande em mim porque eu era muito, muito magrela. E também gostava de usar bonés. Isso fazia Tânia me chamar de machinho, garoto, coisas masculinas. Depois as calças começaram a ficar mais apertadas, e eu criei peitos, o que fez minhas camisetas ficar menores. A maioria das que tenho é antiga e por isso ficam curtas. Mas eu ainda gosto de usar roupas largas, são confortáveis.

Edward sorriu. Um sorriso divertido e de canto, mas um tanto malicioso. Suas mãos desceram da minha cintura, passando pela minha bunda e parando nas minhas coxas.

– Largas ou não, você ainda fica gostosa nelas.

– Eu sei. – brinquei, dando um beijo na bochecha dele, e ele revirou os olhos.

Eu só não sabia se era por eu estar brincando ou por ele achar que eu era mesmo uma convencida.

– E Tânia se vingou de você? – ele perguntou, desviando do assunto.

– Claro. Ela é a Tânia, vive em pé de guerra comigo sempre, ela tinha que se vingar. – passei a mão eu seu cabelo, acariciando. – Entenda que apesar das roupas largas, jeito de garoto, eu ainda era uma garota. E eu queria sair com um garoto. Tânia sabia disso e usou a seu favor...

“ – E como foi o dia de vocês hoje? – Renée perguntou enquanto nós arrumávamos a mesa para jantar.

– Quente. – Emmett respondeu.

– E grudento. – completei e nós gargalhamos, deixando Renée com uma expressão confusa. – Esquece, mãe. Você não vai querer saber.

Ela nos lançou um olhar de alerta. O que não precisava dizer em palavras “Se vocês aprontarem e a policia, o diretor ou qualquer pessoa bater na porta os culpando, vocês vão levar um chute na bunda.” E a única pessoa provável para aparecer seria a Sra. Denali, mas ela não se importa com as minhas briguinhas com a Tânia, assim como Renée. Elas achavam que algum dia isso ia acabar.

Enquanto arrumávamos a mesa, a campainha tocou. Renée foi atender, demorou um pouco e quando voltou trazia um buque de flores na mão.

– Namorado novo, mamãe? – perguntei, fingindo diversão, mas desconfiada.

Não gostava de saber que Renée podia ter algum novo namorado.

– Não. Não são para mim. – ela franziu o cenho. – São para Bella.

– Para mim?! – arregalei os olhos e gargalhei. – Você está brincando com a minha cara, não é, mamãe?

– Não, querida. – ela veio até mim e me entregou o buque, junto do cartão. – Está escrito que são para você.

Eu peguei o cartão da sua mão, vendo que havia um poema com uma caligrafia feia masculina.

Rosas são vermelhas, violetas são azuis

Venha jantar comigo que eu te dou mil alcaçuz

– Que porra é essa? – murmurei besta.

– Olha o palavreado, Isabella. – Renée me repreendeu. – Você sabe de quem é?

Olhei atrás do cartão e tinha o endereço de um restaurante que ficava algumas quadras perto e o horário para ir.

– Eu não faço a menor ideia. – respondi a pergunta dela.

– Se você não sabe, não vai. – Emmett pegou o cartão da minha mão. – E que negocio é esse de alcaçuz? Que babaca!

Renée tomou o cartão da mão do Emmett e sorriu.

– Eu achei fofo. Apesar de que mil alcaçuzes faria Bella virar uma maquina de bagunça... – ela me lançou um olhar preocupado e eu dei de ombros. – Você quer ir, Bella?

Eu olhei para o buque que tinha rosas vermelhas e violetas, como o verso brega do cartão. Quem era o ser que havia mandado aquilo tinha um péssimo gosto ao mesmo tempo um bom gosto. Péssimo porque misturar rosas vermelhas com violetas ficou ridículo além do verso com os alcaçuz. E bom porque mandou para mim.”

– Desde o começo da adolescia já se achava.

– Cala a boca, Edward.

“ – E então? – Renée me questionou, erguendo uma sobrancelha.

– Estou curiosa para saber quem é... – olhei para o cartão. – Então vou só para saber. Se for algum babaca tirando com a minha cara... É um babaca morto.

– Então suba pro seu quarto, vá se arrumar que eu vou te levar lá.

E foi o que eu fiz, subindo as escadas correndo e ouvindo Emmett resmungando que eu era nova demais para um encontro. No meu quarto eu peguei um vestido que Renée tinha comprado para mim e tentado me fazer usar, começando a me arrumar.

– E então? – perguntei quando apareci na cozinha.

Renée sorriu de forma radiante para mim e Emmett assobiou. Eu estava pronta. E Renée me levou até o restaurante.

Era um restaurante refinado, e um garçom estava na porta me esperando. O que eu estranhei, mas Renée achou fofo então não comentei nada. Ela disse que me buscaria as nove, já que não tinha como ligar porque estava sem celular por causa do vestido e odiava bolsas. O garçom me levou até uma mesa em um canto, perguntando o que eu queria beber.

– Cadê o moleque que me convidou pra vir aqui? – questionei, ignorando a pergunta dele.

– Ele já vai chegar. – o garçom respondeu de forma robótica e eu fiz uma careta. – E então, vai querer o que?

– Hmm... – olhei para o cardápio vendo só vinhos. – Tem coca cola? – perguntei rindo ao lembrar-se do meu dia com Tânia.

O garçom concordou e foi buscar a minha coca. Fiquei esperando alguns minutos ali, impaciente, praguejando quem quer que fosse que me fazia esperar até que vi um garoto entrar. Ele tinha os cabelos ensebados para o lado, cheio de gel e brilhoso e usava um terno. Quando se virou, reconheci ser o maior nerdão da escola. O mais esquisito de todos. Sempre tinha o cabelo ensebado, a cara cheia de espinha e usava um aparelho fora da boca sinistro. O cara era horrível.”

– Tipo o da Katy Perry naquele clipe? – Edward franziu o cenho.

– Esse mesmo. – imitei sua careta. – Ele era horrível. E ainda deve ser, eu não sei, faz tempo que não o vejo.

– E era ele quem havia lhe convidado?

Fiz uma careta lembrando do que aconteceu.

“ – Não venha para cá... Não venha para cá... – pedi em choramingo quando vi o nerd vindo na minha direção.

– Boa noite, Bella. – me cumprimentou.

– Não. – eu chorei, fungando. – Não pode ser.

O nerd ao invés de se sentar na minha frente, já veio se sentado ao meu lado. Eu me afastei rápido, com medo de ser pega pelo óleo que escorria do cabelo e da pele dele. Não era nenhuma preconceituosa nem nada disso, também não praticava o bullying com as pessoas da escola – só com Tânia e quem mexia comigo -, mas aquele garoto era o exagero dos exageros de estranheza. Ele ficava sugando a baba do aparelho como uma pessoa gripada puxando o ar quando o nariz escorria. Era a coisa mais nojenta e nem eu, uma boa alma, podia aguentar aquilo.

– Foi... Foi você quem me convidou? – perguntei, tentando não fazer cara de nojo quando ele sugou a baba.

– Foi! – ele disse orgulhoso. – Me fizeram... Er... – ele sugou. – Eu cri-criei coragem pra... Pra te chamar pra sair.

Seus olhos não se focaram em mim, foram para todos os lados. Aquilo não poderia ser considerado nervosismo, e sim medo. Ele estava mentindo.

– Por quê? – perguntei. – Eu tenho certeza que não faço seu tipo. Sou skatista, popular, largada e bagunceira. Você é... – nerd, esquisito, inteligente e sinistro, pensei. – Você. – completei.

– Isso... Não nos diferencia tanto. – ele falou com a língua presa por causa do aparelho.

Deus me salva!

– Claro que nos diferencia. Eu sou inteligente, mas não sou uma nerd. Você tem que sair com nerds como você.

E tinha uma perfeita na escola que também ficava sugando baba de aparelho. Eles dariam um ótimo casal. Eles se beijando então, ia ser a festa da baba e dos ferros presos.

– Eu gosto de garotas como você. – ele sorriu e eu fiz uma careta para a baba que saia nos cantos de sua boca. Ele sugou. – Que tal um beijo?

Ele veio para cima de mim, e desesperada, eu peguei o guardanapo em cima da mesa, enrolei na minha mão e empurrei a cara dele para longe de mim.

– Eca, eca, eca, eca, eca... – murmurei.

A pele dele era tão oleosa que mesmo com papel meus dedos estavam escorregando.

– Aqui está seu refrigerante, senhorita. – o garçom, graças ao bom Deus, apareceu.

– Sai daqui! – empurrei o nerdão para o lado, quase o fazendo cair e peguei o refrigerante. – Estou com sede, desencosta enquanto eu bebo.

– Então, já sabem o que vão pedir?

Eu pedi espaguete porque era a única coisa que eu conhecia naquele cardápio estranho, e o nerd pediu a mesma coisa. Tive que manter o nerd em foco de conversa pra ele parar de tentar me agarrar, ao mesmo tempo em que batia na mão dele que tentava tocar na minha perna.

O nerd era um tarado!

– Eu quero a minha mãe. – chorei quando o nerd se virou para sugar a baba porque eu pedi que ele não fizesse mais aquilo na minha frente.

Quando nossa comida chegou, eu quis vomitar enquanto comia. O nerd tinha que ficar fazendo um malabarismo para conseguir comer com aquele aparelho, e ele ficava sugando enquanto mastigava, com a comida saindo da boca porque não fechava direito e baba escorria. Minha vontade era de sair correndo dali, mas eu tinha que esperar mamãe vir me buscar. Eu estava presa sob tortura.

Quando o nerd terminou de comer, ele olhou para mim e meu prato intocado. Eu simplesmente não havia conseguido comer sabendo que ele estava babando e sugando do meu lado.

– Não vai comer isso? – apontou para o meu prato e eu neguei. – Ótimo, então eu como.

E eu passei mais meia hora sob tortura segurando a bile para não vomitar em cima da mesa. Quando ele terminou de comer, engolindo, eu saltei da cadeira.

– Obrigada, Deus, obrigada! – falei e todos me encararam, mas eu ignorei.

– Você vai querer sobremesa? – o nerd perguntou.

– Não. Que horas são? – peguei seu pulso com as pontas dos dedos e olhei no relógio, vendo que faltavam quinze minutos para acabar minha tortura.

– Vamos lá, pode comer a sobremesa. Não sou eu que estou pagando mesmo. – ele deu de ombros.

– É seu pai? – ergui uma sobrancelha e ele negou. – E quem é então?

– Tânia Denali. Ela disse para eu te convidar pra sair porque você gostava de mim e queria ter um encontro, que ela pagaria tudo como presente porque nós formamos um belo casal. Então criei coragem e fiz igual aos filmes. E eu concordo com ela, nós formamos um belo casal. Agora que tal um beijo?

O nerd novamente tentou avançar em mim e eu tive que fazer um esforço enorme para não vomitar quando vi seu aparelho cheio de molho e macarrão mastigado e seu bico feio tentando me beijar. Eu nunca beijaria aquele boca de lata nojento.

Eu ia matar a Tânia! Ela ia me pagar pela enrascada que conseguiu me colocar.

Não tinha mais guardanapo para segurar o nerd e minhas mãos tocavam sua cara oleosa, sentindo suas espinhas nojentas parecendo um chão esburacado com declines. Eu podia sentir as lágrimas de nojo nos meus olhos e eu só queria sumir. Ele praticamente se jogou em cima de mim e eu tive que virar o rosto, o metal do seu aparelho tocando minha bochecha. Ele tentou me beijar com o aparelho na minha pele, e quando viu que não conseguia, ele lambeu minha bochecha.

Deus, me mata!

Eu queria morrer naquela hora. Queria que um avião caísse no restaurante, que um carro desgovernado invadisse ou que um louco começasse a surtar e atirar comida para todos os lados. Que tudo acontecesse de uma vez. Qualquer coisa que tirasse a língua daquele porco da minha pele.

Olhei desesperada para o restaurante a procura de alguma ajuda e foi quando vi os cabelos loiros que eu conhecia muito bem. A raiva tomou conta de mim ao ver Tânia se acabando de rir em outra mesa, tentando se esconder com um cardápio.

Aquela vaca vai me pagar.

– ESPERA! – gritei e empurrei o nerd com toda a minha força, o fazendo cair da cadeira. Todos olharam, mas educadamente desviram o olhar. – Eu quero sobremesa.

Quando o garçom veio anotar o que queríamos, eu pedi todas as sobremesas mole e gosmenta, assim como o nerd. Quando ele trouxe uma bandeja cheia, dei tudo para o nerd comer, fingindo que comia um flã. Ele mastigava com dificuldade por culpa do aparelho e caia tudo de volta no prato, me fazendo tremer com nojo. Mas era o que eu precisava. Depois que tinha vários restos no prato dele, eu olhei no relógio e faltavam cinco minutos.

– E agora, vou ter meu beijo? – o nerd perguntou.

– Er... Hum... Eu preciso ir ao banheiro. – achei a melhor desculpa para sair dali. – É. Vou ao banheiro lavar a boca e então você tem seu beijo.

O nerd me deixou sair, passando a mão na minha perna e eu engoli novamente o vômito. Peguei o prato e meu copo com coca em cima da mesa, ignorando o nerd me chamando e fui até a mesa que a Tânia estava.

– Olá, Tânia! – falei numa animação falsa.

Ela parou de rir na mesma hora e me olhou assustada, mas depois seus olhos passaram para deboche e desconfiança no prato que eu tinha em uma mão e o copo em outra.

– Olá, Bella. Se divertindo em seu encontro?

– Oh, mas é claro, cupcake. – sorri docemente. – Eu queria agradecer pelo encontro que você me arranjou.

– Ah, é? E como?

– ASSIM! – eu gritei e virei o copo de coca cola na cabeça dela, depois virando o prato cheio de restos com baba no cabelo dela, esfregando. Tânia começou a berrar. – Isso é pra você aprender a nunca mais me colocar em uma dessa, sua vaca rosa!

– Bella? – ouvi a voz de Renée atrás de mim.

Me virei e fiz minha melhor expressão de desolada, com lágrimas falsas.

– Mamãe, me tira daqui. Por favor, me tira daqui.

E foi ela que ela fez, lançando um olhar de pena para uma Tânia histérica. Na porta do restaurante, eu olhei para trás e sorri diabolicamente para Tânia, que me olhava com raiva enquanto o nerd choramingava para ela pelo encontro fracassado. Só na cabeça dela que iria aprontar para cima de mim e eu não iria descobrir.”

– Foi meu pior primeiro encontro. – murmurei, constrangida, enfiando meu rosto no pescoço do Edward. – Eu fiquei traumatizada depois disso. Em casa tive que me esfregar para tirar o óleo da pele daquele garoto nojento. Tive meses de pesadelo com ele lambendo minha bochecha e sugando aquele aparelho. Aquele barulho de sucção... – tremi.

Edward, abaixo de mim se contorcia de tanto que ria. Era uma das histórias mais hilárias que eu carregava comigo, e a mais traumatizante.

– Meu Deus, Bella. Tadinha de você... – ele me apertou, tentando parar de rir. – Imagino como foi...

– Foi nojento. Quase fui abusada por um nerd sugador de baba. – bufei e fiz um bico.

Edward nos virou na cama, ficando por cima de mim e encostou os lábios nos meus, sugando o inferior, mas parou para rir.

– Pobre da minha vizinha gostosa, que sofreu com um nerd... – ele murmurou, distribuindo beijos pelo meu pescoço. – Deve ter sido tão traumatizante...

– E foi. – assenti, falando sob a respiração quando ele sugou minha pele. – Odeio lembrar daquele dia... Hmm... – gemi quando ele chupou a pele sensível atrás da minha orelha.

– Se você quiser, Bella... – ele subiu uma mão pela minha perna, acariciando. – Eu posso te ajudar a esquecer.

Eu peguei seu rosto, puxando para o meu em um beijo. Separei um pouco nossos lábios e sorri.

– Seria ótimo, nadador.

Ele encostou os lábios nos meus novamente, em um beijo. Eu soltei um pequeno gemido de agrado quando sua língua encontrou a minha e eu senti todo o formigamento percorrer meu corpo. O mundo parecia ter sumido, sendo apenas nós dois na minha cama. Suas mãos percorrendo meu corpo, as minhas tocando suas costas. Seus lábios nos meus...

– Bella! Bella! Bel...La!

Os gritos de Emmett e Rosalie pararam quando Edward e eu nos afastamos, olhando para minha porta. Lá estavam Rosalie, Emmett, Nessie, Alec, Alice, Tânia e Jasper parados e nos encarando de boca aberta. Sujos de poeira e roupas rasgadas.

– Que porra que está acontecendo? – perguntei.

– Eu quem pergunto. – meu irmão cruzou os braços diante do peito. – O que está acontecendo aqui?

Oh, porra.

Notas finais
E então o que acharam? Esse amigo da Bella nerd kkkkkk Tadinha, um trauma. O que vocês acham que aconteceu para todos estarem juntos e sujos? Hmmmmm. Eu tinha que dividir o capitulo em dois (estou no começo da segunda parte ja) porque era muito grande, mas ainda tem o final da Maratona e o porque de todos estarem assim. E finalmente foi explicado o que acontece entre Bella e Tânia. Elas são meio inimigas e meio amigas por causa das mãe delas kkkComentem o que acharam. Beijos