Aquela Garota

7 Intimações


Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEEEEEEEEEY minhas gatinhas lindas *----------* Finalmente apareci e com um capitulo grandão. Antes de lerem, me perdoem por qualquer erro, mas eu fiz corrido esse, pois meu tempo ta mtmt pouco >
Bom... BOA LEITURA!

6. Intimações

BELLA POV

Eu me sentia enjoada, com a garganta seca e tonta. Estar de ressaca era a pior coisa que poderia acontecer, já que as sensações não eram boas, e duravam por um dia inteiro. Odiava sair e beber a ponto de ficar assim, e quando esquecia então o que fazia, era ainda pior. E tudo culpa do Emmett, que me deu aquela maldita bebida que eu nem sabia o que continha, só sabia que, bem... Fazia você ficar pior do que vários copos de vodca. Hum... Com certeza aquilo deveria ter isso, e muito ainda. São quase as mesmas sensações da ressaca...

Com movimentos lentos para não piorar ainda mais minha tontura, eu me espreguicei devagar na cama, ouvindo meus ossos estalarem. Eu estava ficando velha, meu corpo me avisava isso com as dores. Tudo bem que ultimamente eu estava sem tempo para praticar meus esportes e ginásticas, já que o trabalho ocupava muito do meu tempo — o que não era bom para o acumulo de energia. Eu só sentia falta da escola por um motivo, que lá eu praticava meus esportes com tempo marcado, e sem ela, eu não me preocupava tanto, arranjava outras formas de gastar energia. Era assim, mesmo que nos preocupássemos com nosso corpo, as vezes deixávamos de praticar um esporte.

Será que se eu falar para Renée que o trabalho está fazendo eu ficar sem tempo para praticar todos os esportes que impomos para mim, ela irá me deixar sair? Hm... Eu tinha que fazer um teste.

Porque sem eles, eu estava dando um trabalho para Walter. Acho que metade do meu salário do mês vai ficar com ele por tantas coisas que eu já quebrei com meu jeito. Como eu iria conseguir juntar dinheiro para minha viajem das férias de verão se só recebia metade do meu salário por ser um desastre? Calma ai, produção, temos que rever isso!

E também tinha que rever essa bebida do Emmett, que mesmo sendo gostosa pra caramba, depois fazia você se sentir como se um caminhão tivesse passado por cima de você. Fora que eu não lembrava nada que tinha feito depois que tomei, nem sabia como tinha chegado em casa. Provavelmente alguém me trouxe, pois sozinha sei que não vim. Admito que estava com medo de que quando descesse, Renée estivesse me esperando para falar que eu fiz alguma merda, e que eu não deveria ter tomado álcool, principalmente sendo bebida que Emmett e Rosalie prepararam. Depois que virei aquele copo, tudo ficava tão confuso e bagunçado. Eu ainda tinha um pouco de consciência quando dancei com os gêmeos-que-não-são-gêmeos Edward e Renesmee. Também lembrava que quase arranjei briga, mas era só eu tentando ir pra cima de alguém. E... Era só isso. Só me lembrava disso mesmo, e mais nada. Parecia que eu tinha capotada ou coisa assim, porque era vago.

Eu me mexi na cama novamente, soltando um gemido. Senti meu estomago dar uma revirada de 360º para em questão de segundos eu correr para o banheiro e vomitar o nada que ainda não comi. Tomei um banho gelado para acalmar tudo e vesti um short de moletom e uma regata, já me aprontando para a caminhada matinal que fazia com Edward, que logo iria tocar a campainha para me chamar, já que eu estava um pouco atrasada. Mas só um pouco, do tipo... Uma hora. Prendi meu cabelo em cima, ainda meio bagunçando porque não o penteei, e passei protetor solar, querendo evitar mais sardas do que eu já tinha por ser branca demais em um local que tem sol demais.

Assim que sai do quarto assobiando uma música qualquer, dei de cara com Emmett, que começou a gargalhar. Mesmo ele sendo um tapado, essa risada maléfica depois de uma noite com bebida alcoólica só significava uma coisa.

– O que eu fiz? — perguntei, prensando ele na parede com meu braço na sua garganta.

– Está ficando louca?! — ele perguntou com a voz fininha, tentando se soltar do meu braço.

Peguei a mão dele e torci o dedo indicador, fazendo Emmett soltar um gemido de dor.

– Me fala o que eu fiz!

– Você só subiu no palco e xingou todas as pessoas da boate, Bella. Agora da pra... Me... Soltar? — sua voz foi morrendo aos poucos por ele ter gasto seu oxigênio falando.

Eu o soltei lentamente, e Emmett levou as mãos ao pescoço, apertando de leve.

– Eu espero que você não tenha contado nada para a mamãe, ou eu te mato. — avisei e lhe dei as costas, continuando meu caminho que eu seguia, ainda assobiando.

Oh shit!, eu tinha feito merda ontem, que porra! Não conseguia acreditar que eu realmente tinha feito aquilo, agora com certeza se eu aparecesse na DAR iria ser espancada por quem estava ontem a noite lá. Não só se aparecesse lá, em qualquer lugar, se alguém me visse, eu seria espancada. Ótimo, agora ia ter que andar fantasiada, disfarçada ou qualquer coisa com "ada" que não deixassem me reconhecer. Eu ainda não aprendi que não podia beber. Além da minha cabeça doendo, a ressaca dos infernos, eu ainda tinha amnésia e fazia merda. Oh Deus, só eu mesmo!

Com as palavras do meu irmão, eu conseguia ter umas vagas imagens do que havia feito. Eu me lembrava um pouco agora de ter falado merda lá em cima, e também de ter deixado todos furiosos, principalmente Edward.

Enquanto descia as escadas, senti uma pontada nas têmporas. Me escorei na escada e levei a mão ao local, gemendo com a dor. Era isso que eu mais odiava na ressaca, dava uma dor de cabeça horrível que fazia eu querer vomitar. Puxei o ar com força, sentindo o leve cheiro de cappuccino da máquina de Renée e também de cookies. Mamãe hoje estava caprichando no café da manhã, e isso em pleno sábado. Era estranho, porque nos sábados ela só queria dormir até mais tarde e depois sair para fazer compras, tomar café fora, essas coisas que a mantivesse fora de casa. Renée só fazia isso um ano atrás, quando Jacob vinha aqui pela manhã para...

Jacob...

Jacob...

Jake...

Ok. Tudo bem. Espera um pouco. Talvez eu estivesse ficando louca, ou tendo ilusões, mas eu tinha uma vaga lembrança de ter ouvido Jacob me gritar ontem quando eu estava no palco. Não, eu podia jurar que Jake me gritou lá de baixo. Não era mais nenhuma ilusão maluca. Isso já fazia muito tempo, eu não podia estar voltando para a estaca 0 depois de chegar no 100. Eu tenho é que tirar a prova disso, e a melhor pessoa era quem estava lá. Rosalie e Emmett.

Eles iam me falar tudo!

– Tem certeza que não quer mais nada, querido? — ouvi a voz de Renée soar mais carinhosa e amável do que era.

– Tenho sim, Srta. Dywer. Muito obrigada.

Essa voz... Eu conheço essa voz!

Ignorando a leve tontura que ainda estava sentindo, eu desci o resto das escadas correndo, sem contar com a minha falta de coordenação. Tropecei no ultimo degrau, e cai de cara no tapete que havia ali, sempre a minha espera. E não, eu não estava sendo irônica ou qualquer coisa assim, era verdade. Por ser quem sou, eu sempre descia e subia as escadas correndo, e por falta de coordenação, acabava caindo, então Renée querendo evitar muitos ferimentos, colocou tapetes fofinhos por perto.

– Oh, Bella, você está bem, querida?! — a voz de Renée soou preocupada, e logo ouvi a porta da cozinha que dava para o quintal ser aberta e passos rápidos.

– Estou. — murmurei, ainda com a cara enterrada no tapete, com vergonha de mim mesma.

Senti mãos grandes me pegarem pela cintura e me levantarem. Quando ergui minha cabeça ao mesmo tempo que ele me virava, dei com Edward me encarando, com aquele sorriso perfeito dele, aquele de canto que me fazia suspirar.

– Bom dia, Bella. — ele murmurou, fazendo seu hálito de menta bater no meu rosto.

– Bom dia, Edward. — eu sussurrei, dando um pequeno sorriso, ganhando um aumento no dele.

Eu ainda continuava presa nos braços de Edward, as mãos dele estavam na minha cintura, e eu estava imprensada nele — e claro que não me importava com isso. E ele também parecia não se importar. Mas Renée sim, porque deu um pigarro, fazendo nós dois nos afastarmos rápidos.

– Bom dia, filha! — ela falou animada, me puxando para o abraço matinal que fazia tempo que não dávamos. — Dormiu bem?

– Não. — soltei com um gemido.

– Imagino a ressaca que você está. — Edward comentou, rindo baixinho. — Custei ontem para lhe trazer pra casa.

Ugh! – fiz, sabendo muito bem como eu era quando estava bêbada e alguém me forçava a algo.

Nós três seguimos para o quintal, sentando nas mesas que haviam ali fora, que estava posta com o café da manhã. Renée comentava sobre minha chegada em casa hoje de madrugada. Foi vergonhoso saber que eu tinha dado trabalho para Edward, chamado ele de gostoso o caminho inteiro — e na frente de Renesmee. Os dois falaram que eu passei mal depois de insistir muito para não me colocarem para dormir, e então enquanto Edward segurava meus cabelos para eu vomitar, acabei adormecendo. Como eu disse, muito vergonhoso. Renée explicou o que Edward estava fazendo ali aquela hora da manhã, que ela o tinha convidado para tomar café com ela, pois era o que podia fazer depois dele me aturar com toda a paciência do mundo. E então ela caiu com elogios para o ruivo, falando que ele era adorável e tinha um tato que nenhum outro amigo meu tinha. É claro que eu senti a indireta de que ela dizia que eu não tinha amigos legais além de Rosalie e Alec, que já era praticamente da minha grande família.

O bom foi saber que ela não sabia dos outros micos que eu havia pagado na DAR, e que eu não estava prometida de morte — não que eu soubesse, mas com certeza sim. Renée não tinha mais essa preocupação comigo além da de que eu pudesse estar quebrando — os meus ossos, claro.

– Bom dia, pessoas lindas! — Emmett abriu a porta da cozinha e falou animado, com um sorriso de um canto ao outro.

– Ele só fala isso porque é muito feio. — murmurei para Edward, que riu.

Ele me acompanhava no café da manhã, porque eu não queria comer sozinha e queria a companhia dele. Emm se sentou a mesa também e devorou tudo, como sempre fazia. Deu a noticia boa de que foi contratado para trabalhar na DAR, mas isso porque um dos barman tinha ficado bêbado e fez uma bagunça lá. Porque será? Depois que Renée viu que todos estavam bem alimentados, pegou sua bolsa e foi fazer as compras de sábado ainda mais feliz pela noticia. E nós três ficamos ali no quintal, sentindo a briza fresca e esperando o café reforçado descer.

– Emmett... — comecei como quem não quer nada. — Eu acho que vi Jake ontem... — meu irmão, que estava tomando o resto do seu suco, cuspiu ele todo na cara de Edward, que o encarou de olhos arregalados. Eu comecei a gargalhar alto.

– JACOB AQUI? ESTÁ MALUCA?! — Emm berrou histérico. Eu sabia que ele ficava doido quando citava o nome do Jake, mas não assim. — Desculpa, Edward!

Edward ignorou ele e pegou um guardanapo para limpar a camisa branca que vestia. Eu até me atreveria a ajudá-lo com toda a minha cara de pau, mas antes precisava arrancar umas verdades de Emmett.

– Sim, eu o vi. Eu me lembro.

– Bella, você estava bêbada. — Emmett revirou os olhos teatralmente. — Não pode se lembrar de uma coisa que não aconteceu.

– Nada disso. Eu me lembro muito bem. Emm, você deve ter visto ele!

– Eu não vi aquele imbecil, Bella. E se visse, ele estaria com a cara toda quebrada agora... — meu irmão deu uma risadinha sinistra e então parou, voltando a ficar sério. — Mas não, eu não o vi. Para de viajar, garota. Já era aquele idiota.

Soltei um suspiro e olhei para Edward, que ainda estava se limpando. Peguei um guardanapo também e o ajudei, tentando manter minhas mãos um pouco longes de onde não devia. Ouvi Emmett bufar vendo meu atrevimento, e ri comigo mesma. Ciumes é foda!

– Bella, você vai fazer a caminhada ainda? — Edward perguntou, quando fez o que podia pela camiseta.

– Ela é obrigada, Edward. — Emmett falou primeiro que eu, e lhe dei um chute por debaixo da cadeira. — AI.

– Obrigada? — o ruivo me olho questionável, ignorando Emmett e seu drama.

– Er... Hm... Yeah, eu sou obrigada... — mordi o lábio inferior. — Bem, porque... — anda, Bella! – Porque eu tenho que manter esse corpinho em forma, não é? E depois de comer tudo isso, eu sou obrigada! É isso! Yeah!

Edward continuou com aquele olhar avaliador, e eu engoli em seco. Emmett era um boca aberta, e só me colocava em furadas com ela. Um dia eu iria costurar, estou avisando.

– Ah, sim. — ele disse lentamente, balançando a cabeça. — Bom, se nós vamos, então vou lá trocar de roupa...

Ele se levantou, passou a mão no meu ombro quando passou por mim e seguiu para a cozinha, sumindo pela porta dupla. Assim que ouvi o leve eco da porta da frente batendo, dei um soco na cabeça de Emmett, que levou as mãos até lá, com uma careta.

– Ficou maluca, é? Hoje está atacada por acaso?

– Maluca?! Eu vou lhe mostrar a maluca quando você mais uma vez abrir essa matraca. Puta que pariu, Emmett!

– Ai, me desculpa, Bella! — ele cruzou os braços sobre o peito e fez um bico. — Foi sem querer

– Foi sem querer... Foi sem querer... — imitei ele com uma voz de bobão. — É esses seus "sem querer" que acaba me ferrando.

– O que tem o que eu falei? Bella, uma hora ele vai perceber e saber.

– Ele não pode saber, Emmett Swan! — bati o punho na mesa, fazendo ele se assustar.

– Porque?

– Porque eu não quero que mais um vá embora, Emmett. — murmurei e me preparei para levantar, mas Emm me segurou pelo punho.

– Ele pode ser diferente. — disse e neguei com a cabeça.

– Todos são iguais, e eu apenas quero mantê-los por perto, mas não consigo com isso. Então é bom deixar em segredo. — voltei e me sentar em meu lugar. — Tudo bem?

– Se é assim que você quer... — ele deu de ombros e um pequeno sorriso. — Eu vou me controlar a partir de agora, então.

– Obrigada, Emm. — me estiquei na mesa e dei um beijo na bochecha dele.

Meu irmão sorriu para mim e bagunçou meu cabelo, me fazendo bufar. Ele então abriu um sorriso maior do que seu rosto, e eu o olhei, desconfiada.

– Eu tenho um segredo também para lhe contar. — ficou na ponta da cadeira e me chamou para me aproximar. Assim fiz. — Bella, eu andei até o final do arco iris e descobri o pote de ouro.

O encarei, esperando que aquele animal desse continuação aquelas palavras sem sentido, mas ele apenas me encarava com os olhos arregalados de expectativa.

– Que pote de ouro? — perguntei com tédio.

– Bella, minha querida e amada irmã, o meu pote de ouro. Eu descobri que Los Condenados está mais para minha fortuna do que uma simples e megera bebida. Ela vai me fazer enriquecer em questão de segundos... — estalou os dedos na frente dos meus olhos, me fazendo dar um pulinho. — E então eu serei: Emmett, O Rei da Criação! — passou as mãos no ar, como se visse ali o letreiro se formando. — Fora, é claro que eu vou montar uma tenda com listras lilás e laranja, e vou finalmente mostrar meu dom para o mundo.

– Que dom? — perguntei, desconfiada.

– Você sabe, o meu de vidência! — me encarou como se eu fosse retardada. — Nós dois aqui sabemos, em segredo, que eu prevejo o futuro. Previ que seria contratado na DAR, e BANG — bateu a mão na mesa. — Eu fui! Isso que é ser uma pessoa de sorte. Deus me mandou para a Terra, Bella, com essa minha família maravilhosa e esses meus dois dons: o de prevê o futuro e de fazer bebidas que te levam ao paraíso. — assenti com a cabeça para ele, que viajava em seus próprios sonhos. — Maninha, nós vamos ficar ricos com esse meu mais novo trabalho. Pensa em como podemos ter tudo que quisermos, pagarmos nossa viajem para Orlando e também pagar a de nossos amigos, como um presente já que logo vamos terminar o ano.

– Falta mais um depois desse, Emm. — o lembrei.

– E dai? Dane-se, nós pagamos qualquer viajem porque vamos ser podres de ricos! Tudo vai melhorar, Bella. Eu estava vendo tudo enquanto trabalhava na DAR. Sonhe comigo, minha irmã, vamos para o centro de Los Angeles e montamos nossa tenda linda aonde passam artistas, como minha diva Katy Perry, Angelina Jolie, Kristen Stewart... Ah, vai ser perfeito! E então, você, vestida com uma saia e uma camiseta com o slogan: Encontre o paraíso e descubra o seu futuro, e nas mãos uma garrafinha de Los Condenados. Sua beleza irá atrair a atenção dos artistas também, Bella, pois mesmo eu negando, você tem genes da Renée e nossa mãe é maravilhosa! — concordei com ele. — Então, tudo está realmente perfeito. A grana que eu vou ganhar... Bellinha, vamos enriquecer! — levantei uma mão e ele me encarou e logo sorriu. — Mas é claro que você também vai ganhar, Maninha. Seus 5% estarão garantidos. E juntos nós vamos dar tudo do bom e do melhor para nossa mãe, e fazer dela a verdadeira rainha que é, e ter o que merece. Do bom e do melhor. — deu um ultimo suspiro e me olhou. — E então, topa?

Como esse imbecil de cabeça grande e cérebro pequeno pode achar que eu vou concordar com uma coisa dessas? Só se eu estivesse louca! Nunca que eu aceitaria algo tão pequeno e limitado, sendo que eu posso ter mais. Quem precisa só disso? Eu sou Bella Swan, mereço bastante, e não essa ideia absurda e pequena que ele me oferecia.

– Eu não posso crer. — murmurei, pegando uma torrada que havia ali na mesa. Olhei para Emmett, que sorria e balançava as sobrancelhas. — Sério mesmo, Emmett? Sério mesmo que você achou que eu aceitaria essa ideia ridícula de... CINCO POR CENTOS?! SÓ SE EU ESTIVESSE FICANDO LOUCA! — ataquei a torrada na cabeça dele, que resmungou. — Eu só aceito se for 70% e 30%.

– Tudo bem. Eu posso lhe dar 30%.

– ME DAR 30%?! Rá, muito engraçado da sua parte. — revirei os olhos e me encostei na cadeira, cruzando as pernas. — Esses 30% são seus, irmãozinho.

– Porque, se sou eu quem prevejo o futuro e quem faz a Los Condenados?!

– Ué, mas vou ser eu quem estará lá fora, apresentando o produto. E, — dei enfase. — é claro, mostrarei minha imagem. Eu mereço bastante por isso. Então, 30% seu e 70% meu.

– Não! 60% meu e 40% seu!

– 55% meu e 45% seu!

– 54% meu e 46% seu e já era, acaba essa discussão aqui! — ele bateu o punho na mesa, fazendo as coisas em cima darem um pulinho.

– Hm... — fiz, avaliando a situação. Eu ganharia 46%, o que não era uma coisa pequena perto do que poderíamos ganhar com a bebida e as visões de Emmett. — Ok, então, eu fico com os 46%!

– É isso ai. — apertamos as mãos.

– Mas só porque eu realmente preciso de uma boa grana. — avisei, logo soltando nossas mãos. — Agora me fala, quando vamos começar com o nosso novo empreendimento?

– Quando tivermos dinheiro suficiente para compramos a tenda mais linda de todas e as coisas para fazer as bebidas. Pelo menos uma boa parte, porque ela vai ser um sucesso! — ele jogou as mãos para cima. — Isso significa que temos que começar bem, para vendermos logo. E como vamos vender no centro de LA, não quero passar vergonha. Então, nosso primeiro salário vai para os investimentos, e depois que for sucesso, largamos a vida de trabalhador.

– Estou gostando disso! — admiti. — Não vejo a hora de ficar rica! — nós rimos.

Ouvi a campainha tocar, e com uma rapidez que só eu conseguia, corri para a porta, ouvindo Emmett gargalhar do meu desespero. Quando cheguei a porta, respirei fundo e passei a mão no cabelo e nas roupas, sorrindo para mim mesma. E não é que eu estava querendo ficar linda para Edward, mas para andar ao lado daquele garoto tão perfeitamente lindo, eu tinha que estar apresentável. Não é verdade? E não, eu não gostava de Edward ou qualquer coisa assim. Como já havia dito para Jasper, que depois veio com aquela linda lição de moral.

– Hey! — cumprimentei Edward, que estava encostado na soleira da porta.

– Hey. — ele deu aquele sorriso de canto, e bem na hora o sol bateu nele, fazendo os cabelos ruivos ficarem laranjas.

Ai Deus, obrigada por me dar um vizinho desses!

– Vamos? — perguntei, fechando a porta atrás de mim.

– Vamos.

Ele bem que podia parar de ficar repetindo tudo que eu falava. Será que Edward estava constrangido com o que quer que eu tenha falado? Não! Não podia ser isso, porque ele era tão ou mais cara de pau que eu, e sabia retrucar qualquer elogio que o deixasse constrangido. Eu só o conhecia a uma ou duas semanas e já sabia uma coisa sobre Edward: ele não ligava para as indiretas diretas que eu lançava. Com certeza deveria estar acostumado.

Nós descemos a ladeira a passos lentos, conversando direito sobre a noite. Edward me contou o que eu fiz com ele, e eu pedi mil perdões por ser tão idiota, e fazer essas merdas que fazia quando estava bêbada. Pedi desculpas também por ter feito Rosalie me ajudar, e que ele não ficasse bravo com ela, pois a minha loira fazia tudo que eu pedia — claro, algumas vezes com consciência. Edward riu e falou que estava tudo bem, e que ele não tinha ficado bravo. Então eu logo apresentei a parte boa do produto Alec™. Entre histórias do passado, fui contado para Edward um pouco de Alec, e ele disse que meu amigo parecia legal.

Ele não sabia o quanto.

Era uma pena tudo ter acontecido e ele ter mudado. Eu sempre torcia para que o branquelo acordasse pra vida e visse que não valia a pena aquilo que ele fazia por causa da idiota, mas estava um pouco difícil. Isso já fazia meses, e não tivemos nenhum progresso. Mas eu continuava na torcida, e tentando.

Chegamos a praia e começamos a fazer o caminho de sempre, aumentando um pouco o ritmo. Edward estava contando algumas piadas para descontrair as coisas, já que hoje eu me encontrava em um estado deplorável de ressaca. E isso em pleno sábado ensolarado da Califórnia. Ai como as vezes eu tinha raiva de mim mesma, caramba!

– Bella, — ele começou, ficando sério de repente. Diminuiu a velocidade dos passos, e eu o imitei. — Eu não sou nenhum idiota que pode ser enganado com uma desculpa mal formada. — arregalei os olhos, já sabendo onde ele queria chegar. — O que Emmett queria dizer com você ser obrigada a fazer essa corrida toda manhã?

Abaixei minha cabeça e mexi as mãos nervosamente, pensando em mil e uma maneiras de fugir dele naquela hora. Claro que ele não cairia na desculpa de manter o corpo. Não depois de eu enrolar tanto para soltar ela. Será que se eu corresse, ele conseguiria me alcançar? Ahh, com certeza, porque deu pra ver que o ruivo tem um fôlego daqueles, sabe... Daqueles que um beijo dura muuuuuuuuuito, e é gostoso pra caralho. E Deus, olha pra boca daquele garoto, é tão vermelhinha dele ficar passando a língua ali, que dava vontade de morder. Uma mordida que desse só uma dorzinha de nada, pra ele fazer uma caretinha e ficar ainda mais lindo. Algo que as vezes parecia impossível, mas que eu sabia que era, pois para Edward beleza não era limitado. Nossa, realmente olhar para aquela boca é algo de deixar babando, e então com ela se movendo lentamente, como se chamasse meu nome...

– Bella?

E se ele ficasse sussurrando "Bella" no meu ouvido? Com certeza teria o mesmo efeito, pois a voz de Edward era com veludo, tão macia de ouvir...

– Bella, está me ouvindo? Beeeeeellaaaaaa! — Edward estalou os dedos na frente do meu rosto, me fazendo sair do transe. — Até que enfim!

– Hã? — fiz, debilmente.

– Porque as vezes quando estou falando com você, você viaja? — me encarou perplexo e confuso.

Ah, deve ser porque você é um puto de um gostoso, e tudo que você faz é encantador. Na forma como passa a mão nos fios cor de cobres, os bagunçando ainda mais, e bem quando bate um sol daqueles que fazem refletir e chegarem ao laranja. Também na forma em que da um sorriso, não importa qual: constrangido; malicioso; divertido; paquerador... Realmente não importa qual, todos são lindos. Vamos contar também que até andando você é encantador, e principalmente por trás, com uma bermuda jeans. Dá pra ver como sua bunda é perfeitinha, arredondadinha. E eu sei também que é durinha, puta-que-pariu. Agora me diz, tem como não viajar olhando para alguém como ele? Rouss falava que era loucura minha, e que eu deveria me tratar, porque viajar assim não era bom. E que eu não fosse logo, era bom me preparar para o que eu evitava por tanto tempo.

Então... Vamos parar de viajar! Ou melhor, tentar, porque... Ai, ai, que garoto lindo...! Que olhos verdes me encarando de perto... Que cheirinho gostoso ele tem... Sabe, um cheirinho único misturado com a colonia masculina que eu nem sabia o nome, só sabia que era bom e que o deixava com o ar de homem... Oh Deus, me ajuda que eu estou viajando novamente!

– Bella, por favor! — Edward me deu uma sacudida, me fazendo acordar.

– Eu-eu... Eu não viajo, Edward. — revirei os olhos e bufei teatralmente. — Você é quem tem ilusões. Mas então... Aonde paramos?

Ele torceu a boca e deu de ombros.

– Em você me explicar porque é obrigada a fazer isso todos os dias.

OH SHIT! Eu tinha me esquecido que era isso. Produção, podemos voltar para a parte em que ele quer saber porque eu viajo? Com certeza é mais fácil de responder.

– Hm... Er... Edward, eu acho que agora é você quem está... Viajando. Porque o que eu falei é verdade. Desde que me conheço por ser adolescente e que meus peitos cresceram, eu corro. — dei de ombros, assim como ele havia feito.

– Não, não, nada disso, Bella. Eu percebi os olhares e a mentira na sua voz, como percebo agora.

Fiz minha melhor careta de desgosto, querendo chorar. Já sentia meus olhos ardendo, pois o que Edward queria saber poderia fazer ele se afastar de mim, assim como... Quem não deveria.

– Você não vai desistir? — perguntei com a voz na miúda.

– Não. — ele foi rápido na sua resposta.

– E o que vai acontecer se eu não contar?

– Bella, quero que nós sermos amigos. Acredite, eu quero muito isso, só que não posso quando a que vou considerar muito amiga, não confia em mim para contar. Tudo precisa de confiança, o amor, e a amizade. Então...

Olhei para minhas mãos novamente, estralando os dedos por causa do nervosismo. Eu estava entre a cruz e a espada. Aonde quer que eu fosse agora, eu afastaria Edward de mim, pois com certeza ele não aguentaria o meu jeito. Poucas pessoas aguentam...

– Edward, eu... Olha... — puxei o ar com força, pronta para falar para ele que se ele queria assim, era assim que ia ser, eu não ia contar. Pois preferia evitar que ele se aproximasse ainda mais, que eu me aproximasse, e no final, ele não aguentasse mais e os dois sofresse. — Eu não... — Oh Deus, como é dificil fazer isso. Me manda uma luz, por favor! – Não quero que sejamo...

– BELLA!

EU-NÃO-ACREDITO! Deus me mandou uma luz. Eu sabia que ele ainda tinha um pouco de amor e carinho por mim, e não deixaria isso acontecer. Edward podia ser algo realmente bom na minha vida, enquanto não soubesse de nada. Então, obrigada mais uma vez, Deus. Agora, é só puxar muito assunto com essa pessoa que então enrolo Edward.

Me virei lentamente para trás, com um enorme sorriso, para ver quem era a santa pessoa que tinha me salvado. Mas meu sorriso sumiu assim que vi ele vindo. Sua pele avermelhada com o bronzeado do sol escandante, os músculos ainda mais em evidencias na regata cinza que vestia. Os cabelos negros com um corte arrepiado para cima, molhados com o suor que escorria da cabeça e descia pelos cantos do rosto. Essa imagem, eu já havia presenciado ela, e não fora boa para mim.

– Edward, vamos embora! — falei, o puxando pelo braço.

– Porque?

– Vamos embora! — ignorei sua pergunta e continuei andando, ignorando também os chamados de Jacob. — Porque ele tem que aparecer assim? Droga, eu tinha esquecido!

– Do que você está falando?

– Continua andando, e ignora o que eu falo e o idiota que está correndo e me chamando.

Edward ficou quieto e me deixou puxar ele, mas sua expressão não era nada amigável. Claro, depois de ele perceber que eu escondia algo, e agora outra coisa. Yeah, acho que agora ele nem precisava mais me colocar contra a parede. Agora ele iria mesmo desistir dessa amizade cheia de segredos. E tudo porque eu era uma idiota defeituosa.

Olhei para trás, querendo evitar as lágrimas, e dei com Jacob praticamente atrás de mim. Tentei correr, mas ele foi mais rápido e agarrou meu braço, me fazendo ficar de frente para ele. Eu me debati, tentando me soltar — e isso ainda segurando o braço de Edward, que nos encarava confuso e assustado.

– Bella, por favor, relaxa! — Jake pediu e eu estremeci ouvindo essas palavras.

– Se você me soltar eu vou ficar muito bem relaxada! — falei, ainda tentando me soltar.

– Mas se eu lhe soltar, você vai correr.

– Muito bem adivinhado, babaca! — dei um sorriso falso. — Agora faz isso para eu fazer a minha parte.

– Não!

– Sim! — Edward, que pareceu acordar e voltar a Terra, falou e pegou a mão de Jacob do meu braço. — Ela mandou você soltar e você vai.

– Hey, quem você acha que é pra falar assim comigo?! — Jacob soltou meu braço e se virou para Edward.

Eu arregalei os olhos, com medo de que acontecesse uma briga ali. Eu não queria, afinal, eu sabia que um dos dois iam se machucar e eu preferia que não fosse Edward, pois ele era lindo demais para se machucar. E se acontecesse, eu estava preparada para entrar no meio e proteger meu futuro marido.

– Eu sou amigo da Bella, e não vou deixar você machucá-la assim. — Edward deu um passo para frente, ficando cara a cara com Jacob.

Edward era alguns centímetros mais alto que Jacob, mas Jake tinha mais músculos — que cresceram ainda mais depois que ele sumiu.

– Hey! Hey! Hey! Sem brigas, por favor. — eu entrei entre os dois, e empurrei Jacob para trás, fazendo ele me encarar. — Vai embora e me deixa em paz.

– Não, Bella, eu quero conversar com você! — ele tentou tocar em mim, mas Edward me puxou para atrás dele, ficando na minha frente.

– Não encoste nela, ouviu? — a voz de Edward era ameaçadora, assim como seus olhos, que pareciam arder de raiva. — Ela não quer, será que está difícil de entender isso?

– Cara, não se mete, vai! — Jacob soltou uma risada de escarnio. — Meu assunto é com a Bella, então cai fora.

– Eu não vou cair fora, moleque. Você quem devia, por ficar querendo forçar ela a algo. Quem é você, afinal?

– Amigo dela.

Ex amigo, Jacob. — o corrigi rápido. — Nem amigo você deve ser considerado. É melhor fazer o que Edward falou, porque eu realmente não quero falar com você. Aliás, não quero nem olhar na sua cara. — peguei a mão de Edward, que apertou a minha, e o puxei, passando por Jacob e pegando o caminho de casa pela praia.

– Bella, não é assim. — Jacob veio atrás, insistindo como um idiota que era. — Eu não fugi como você acha que fiz. Eu fui visitar um amigo.

– Uau, uma visita de um ano? Vai se ferrar, Jacob Black!

Nunca que alguém ia visitar outra pessoa, ficar por lá e ainda não ligar mais ou ignorar as ligações. Eu bem sabia porque Jacob foi embora daqui, e ele ainda tinha a cara de pau suficiente para me procurar e querer que eu haja naturalmente com ele, como se ele não tivesse me magoado.

– Bella, por favor, acredita em mim. — seu tom era implorativo.

– Eu não vou acreditar nessa mentira, Jacob.

Edward apertou minha mão, chamando minha atenção. Ele moveu os lábios numa pergunta muda de "Posso?" que eu neguei, porque eu bem sabia o que significava esse posso. Edward queria arranjar briga, e por minha causa ainda. Eu não queria essa culpa ao ver aquele rosto perfeito com um arranhão sequer.

– Bella, eu só quero que nós voltemos a ser amigos. Só isso! Não sabe o quanto eu adorava a sua amizade. E ainda gosto! Você é muito, mais muito especial para mim para eu conseguir ficar longe de você. Me desculpa, Bella, por favor!

A cada palavra que ele havia dito, eu sentia meus olhos encherem de lágrimas, mas eu as controlei para não derramar nenhuma. Só eu sabia a raiva que eu estava sentindo naquela hora por causa daquele babaca, pois ele não podia fazer isso comigo, achando que as coisas se resolveriam com um simples "Me desculpa". Eu apertava a mão de Edward com força para me controlar. Mas o moreno atrás de nós não cooperava com isso.

Jacob novamente pegou meu braço e me virou com força, então, como a maioria dos meus atos impulsivos, eu lhe dei um belo soco de direita no nariz. Ouvi o delicioso crack que me fez sorrir, mesmo com ele se contorcendo de dor por eu ter lhe quebrado o nariz. A raiva que eu sentia foi diminuindo aos poucos, vendo o sangue escorrer do nariz de Jacob. Macabro, eu sei. Mas também só eu sei como ele já me machucou.

– Porra, Bella, isso dói! — Jake falou com a voz abafada.

– Bem feito, seu imbecil! — dei um empurrão nele, fazendo-o dar passos para trás. A raiva diminui um pouco, mas eu ainda estava furiosa. — Quem você acha que é, Jacob Black, para sumir por um ano, não aceitar minhas ligações ou se dar o trabalho de retornar, e agora aparecer com essa cara limpa e querer que eu lhe desculpe assim tão fácil?! EU SEI QUE NÃO SOU FÁCIL, OK? Mas não precisava fugir assim! — dei outro empurrão nele, que me encarava de olhos arregalados. — Só eu sei o que passei com seu sumiço, e você pouco se importando comigo, só pra lá curtindo. É, eu sabia o que você fazia porque alguém me contava. VOCÊ NÃO SE IMPORTOU COMIGO! — mais uma empurrada. Eu já sentia as pequenas ondas entrando pelo tecido do meu tênis. — Jake, você era a pessoa que mais me conhecia, a que mais sabia sobre mim e o que eu sentia, e mesmo assim me abandonou. Sabia como eu ficava com isso e mesmo assim foi embora e não pensou em mim. Não pensou em como eu ficaria sem meu melhor amigo! VOCÊ É UM PUTO DE UM EGOISTA QUE EU ODEIO! ODEIO MUITO, JACOB! E NÃO QUERO MAIS VER A SUA CARA!

Eu empurrei Jacob com tanta força que ele cambaleou para trás e caiu de bunda na água, logo vindo uma onda pequena e acertando ele. Seus olhos estavam arregalados na minha direção, enquanto ele ainda tentava parar o sangramento do nariz com a mão. Minha respiração ofegante fazia um pequeno silvo, de tanta raiva que eu sentia naquela hora. O meu pequeno desabafo não adiantou de nada, como eu achava que adiantaria. Eu ainda sentia muita raiva, magoa, ódio e ainda sentia um enorme carinho por ele que só eu entendia como era grande.

Porque esse sentimento bobo não ia embora?

Nem eu mesma sabia. E era o que eu mais queria.

Logo a respiração ofegante foi ficando presa na garganta, aonde havia um caroço que me impedia de respirar direito. Eu levei minha mão ao meu peito, sentindo uma dor ali. Jacob continuava no chão, me encarando, mesmo com a água batendo nele. As lágrimas escorriam pelos meu rosto, e eu só pensava em controlar minha respiração.

– Bella? — Edward apareceu na minha frente, tampando minha visão em Jacob. O encarei, vendo seus olhos verdes tão preocupados.

Sem nem pensar, eu me agarrei a ele para me manter em pé, pois minhas pernas tremiam. Tentei regular minha respiração, e ao fazer isso, eu implorava para que ou Emmett, ou Rose ou mamãe aparecesse ali. Eu queria tanto eles naquela hora...

– Bella, o que está acontecendo? — Jacob perguntou.

– CALA A PORRA DA BOCA! — Edward gritou para ele. — Bella? Bella, olha para mim. — o ruivo pegou meu rosto e me fez encará-lo. — Fica calma, ok? Não chore, querida!

Eu assenti com a cabeça, já sentindo minha respiração voltar ao normal. Minhas mãos, agarradas fortemente na camisa dele, soltaram aos poucos, e logo eu estava normal. Passei as mãos rápidas no rosto, limpando os vestígios de lágrimas.

– Vamos embora? — perguntei, com a voz rouca.

Edward assentiu e começou a me puxar para longe de Jacob. Em nenhum momento eu virei para trás para dar uma ultima olhada, porque todas as vezes em que fiz isso, vi o quanto quebrava a minha cara. Eu apenas me deixei ser guiada por Edward, que me levava para longe da única pessoa que me fez tão bem, mas também me fez mal. Andamos por alguns metros — o suficiente para ficar muito longe de aonde havia acontecido aquela confusão — e sentamos na areia. Edward estava quieto, assim como eu. Comecei a tirar meu tênis, que estava ensopado por causa que eu tinha andado pela água. Tirei minha meia e dei uma torcida, o que fez Edward soltar uma risadinha e eu acompanhá-lo.

– Está melhor? — perguntou baixinho.

– Não estou... — dei de ombros e me apoiei nas mãos, com o rosto em direção ao sol, que esquentava de forma gostosa por ainda ser cedo. — Mas vou ficar. Quem supera uma vez, supera a segunda também.

– Talvez. — ele murmurou e eu o encarei sem entender.

– O que quer dizer com isso, Edward?

– Não quero dizer nada. — imitou minha postura, com as pernas esticadas na areia e o torso apoiado nas mãos, de cara para o sol. — Só que apenas achamos que superamos, mas que na verdade, encontramos um tapa-buracos ou criamos a ilusão de que sim. Porque se realmente superamos, não nos importamos mais com aquilo.

Ele fechou os olhos e um minimo de um sorriso nasceu em seus lábios, me fazendo também sorrir. Edward tinha a completa razão, e tanto eu quanto ele sabíamos que eu não havia superado Jacob, pois se não eu não teria enlouquecido com ele, e não teria sentido aquela dor no peito. O problema era que eu não estava preparada para reencontrar o moreno, eu acho que ainda precisava de tempo, ou... Na verdade, eu poderia ter o tempo do mundo que nunca superaria, admito. E Rosalie, Emmett e mamãe sabiam disso, por isso tentavam esconder que eu soubesse, visse ou sequer ouvisse coisas sobre Jacob.

Assim como agora eu tinha visto que Emmett mentiu para mim sobre Jacob, porque a sua reação quando falei que lembro de Jacob foi exagerada demais. Mas eu não o culpava, ele só queria o meu bem.

– Agora, Bella... — Edward voltou a falar, chamando minha atenção. — Que tal me contar o porque de tudo aquilo?

– Bem... Não é nada demais, sabe? Só que Jacob é um covarde que não soube lidar... Comigo.

– O que quer dizer com isso? — ele se virou para mim. — Você não é tão difícil assim, Bella. As vezes você fala como se fosse algum tipo de aberração destruidora, porque ninguém consegue lidar com você, a não ser Rosalie, Emmett, Alec e sua mãe. Ah, e claro, eu também. — deu um sorriso que eu retribui com um minimo.

– Talvez eu falo isso porque realmente sou... — murmurei baixinho, olhando para a areia.

– O que? — Edward perguntou, se aproximando ainda mais para me ouvir.

– Eu disse que também não é assim. — dei um sorriso falso. — É só que... Bem, para começo de história Jake e eu éramos melhores amigos, como você deve ter percebido pelas palavras dele. E é era, não somos mais. Se eu estou certa, e você não duvidar, éramos mais do que Rosalie e eu. E olha que aquela loira é o amor da minha vida. — rimos. — Só que então, teve uma época que os meus sentimentos por aquele idiota foram mudando de melhores amigos para algo a mais, se é que você me entende. Eu até tentei esconder, mas ele começou a perceber. E bem...

– E bem... — ele me incentivou a continuar.

Eu já havia contado essa história para as pessoas — ou pelo menos uma parte dela. Mas tinha grandes partes nela que eu não podia contar em hipótese alguma, e que sou minha família sabia. E quando eu falava família, eu queria dizer: mamãe, papai, Emmett, Rosalie e Alec. Porque essas pessoas eu sabia que não fariam o que Jacob fez quando soube. E Edward... Edward eu apenas conhecia a uma semana, como poderia saber se ele faria ou não? Mas apesar dessa dúvida, eu já sentia um carinho enorme pelo ruivo, e não queria que ele fizesse igual. Então, eu esperaria mais um tempo.

Era hora de cortar partes.

– E bem que Jacob não é uma pessoa que saiba lidar muito com sentimentos. Era apenas comigo que ele sabia ser um verdadeiro amigos... Ou pelo menos é isso que eu achava, ou acho, não sei mais. — suspirei. — Quando ele soube, até tentou fazer algo dar certo, mas... Não deu. Ele não soube realmente lidar com esse lado de mim. E então, sem mais nem menos, em um dia que eu estava fazendo minha caminhada matinal, ele apareceu, como fez hoje, e me tratou estranho, falando que não queria que as coisas fossem assim, e que se mesmo eu não acreditasse, ele gostava de mim e de minha amizade. A-mi-za-de. — dei um bom enfase. — E se foi. Um foi que durou até hoje. Ou melhor, ontem. — suspirei. — E é isso. A cena que eu fiz, e me envergonho por ser tão impulsiva para fazer, é minha raiva acumulada, já que eu não pude dar aquele soco nele um ano atrás.

Edward me encarou por alguns minutos, e então ele me abraçou pelos ombros, fazendo eu encostar minha cabeça no ombro dele.

– Ele é um estúpido e um frouxo, porque você não é tão difícil assim. Eu acho você demais, Bella. Uma amiga verdadeira, super protetora com as pessoas que ama, e com certeza deve ser uma namorada maravilhosa também. Seu namorado vai ter muitas aventuras com você, assim como nós, seus amigos, temos. — nós dois rimos. — Jacob é um idiota por não perceber isso e fugir. — ele beijou meus cabelos. — Agora, vou te falar, loira, você tem um ótimo gancho de direita, hum.

Eu gargalhei alto, sendo acompanhada por ele.

– Eu sei, cara, eu sei. Aprendi com Emmett e Rosalie, quando eles treinavam para nada. Acha que eu não sobre auto defesa sendo linda e gostosa como sou? Cupcake, a Bellinha aqui sabe muito bem se defender de qualquer mal.

– Nossa, e eu achando que seria seu amigo para isso. — bagunçou meu cabelo, me fazendo bater na mão dele. — Tudo bem, eu me conformo que uma loira magrela sabe bater bem.

– Relaxa, Edward, você vai poder me proteger quando quiser, eu deixo, gatinho. — pisquei um olho para ele e lhe dei um beijo estalado na bochecha. — Só tem uma coisa que você não vai poder.

– O que é? — perguntou, preocupado.

– Meu pai. — fiz uma careta. — O velho é uma coisa linda que eu amo muito, e é muito pirado também. Vou ter que ir hoje para Orlando para passar o final de semana com ele.

– Orlando? — ele ergueu uma sobrancelha. — Que triste, ficar sem você por dois dias. — ele fez um bico muito fofo.

Eu olhei para aquele biquinho vermelhinho e me senti ficar com os pensamentos confusos. Minha mente viajou em uma imaginação distante e que nunca poderia acontecer, de eu apertando bem fraquinho aqueles lábios com meus dentes, deixando ainda mais vermelhinhos. E essa mordidinha se torna um daqueles beijos lentos, que logo viram...

Soltei um suspiro profundo, vendo tão perto aqueles lábios, a minha imaginação parecia tão real que eu custava para acordar. Cada vez que me aproximava, eu ficava ainda mais encantada. Eles se movendo de forma lenta, pronunciando algo que não chegava aos meus ouvidos de tão envolvida que eu estava. De repente eles pararam de se mexer, ficando entreabertos, com a respiração quente de Edward batendo em meu rosto. Estávamos tão perto que eu podia sentir o gosto de menta pelo hálito dele. Aquele gosto de pasta de dente que fica. Passei a língua nos lábios, e essa ato foi repetido por Edward.

DEUS DO CÉU, QUE ILUSÃO É ESSA?! NÃO ME DEIXE ACORDAR MAIS, POR FAVOR! NEM SE EDWARD REAL ESTIVER ME CHAMANDO!

Eu ouvia bem lá no fundo da minha cabeça a barulhenta sirene de cuidado, me avisando que eu estava delirando. Mas não importava, eu já estava perdida, ia terminar esse sonho bom demais.

Fui me aproximando cada vez mais, e percebi que o Edward dos sonhos também fazia isso. Aqueles lábios vermelhos me convidavam cada vez mais, fazendo movimentos quase imperceptíveis que eu só via por estar tão próxima. Foram poucos centímetros que eu me aproximei para então sentir a textura daqueles lábios. E Deus, era bem melhor do que eu imaginava. E parecia tão, mais tão real que eu não podia evitar suspirar com aquilo. Eram quentes e macios, e tão fininhos...

– MAMÃEEEEEEEEEEEEEEEE, EU QUERO NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!

O grito agudo da criança que passou correndo e chorando fez eu acordar e sair do transe que me encontrava. Pisquei os olhos rapidamente, focando-os na minha frente. E foi com grande e prazerosa surpresa que dei com Edward, que também parecia acordar de algo. E para melhorar tudo, e deixar meu deleite lá em cima, percebi que estávamos com os lábios encostados.

ESPERA AI... EU-EU ESTAVA O-O QUE?!

– Oh meu Deus! — murmurei, me afastando rápido de Edward, que também parecia assustado. Minhas bochechas queimaram nervosamente com a vergonha.

Eu não conseguia acreditar que eu tinha mais uma vez caído nas minhas imaginações e feito tudo na realidade. Como sempre, eu me distraia. E sabe o que é pior de tudo? É que isso foi bom, sendo que eu estava tentando levar Edward como amigo. Mas quer saber? Que se dane!

– Bella, isso... — ele me encarou. — Garota, o que aconteceu com você?

Eu lhe lancei meu melhor sorriso malicioso e me deitei na areia, fechando os olhos.

– Edward, quem manda você ser um puto de um lindo? Eu não queria aumentar seu ego falando isso, admito, mas... Vai mais pra lá, garoto. — ele se moveu para o lado e eu abri meus braços, aproveitando os raios solares. — Mas fazer o que? Eu só perdi o controle.

– Digo o mesmo... — ouvi ele murmurar baixo para si mesmo.

– Na próxima, se afaste. — abri os olhos, logo levando uma mão para o rosto para tampar o sol que incomodava. Edward me encarava perplexo, mas então ele deu o melhor sorriso malicioso e se deitou ao meu lado.

– Vai ter próxima? — perguntou, fechando os olhos.

Eu voltei para minha posição de cara para o sol, sorrindo comigo mesma por conseguir ser tão cara de pau. As vezes, ser assim, tinha seu lado bom. Mas só as vezes, que eu deixe bem claro.

– Eu não sei, Edward. Não confio em mim mesma perto de você. Eu não me conheço o suficiente para lhe dar uma resposta certa.

– Então, quando conhecer pode dar, ok? Mas por enquanto, vou ficar preparado já para essas surpresas.

– É o que você está dizendo. — eu soltei uma risada. — Tem muita coisa, Edward, em que eu posso lhe surpreender. Não é só isso.

– Eu gosto de surpresas, Bella. Na verdade, é uma das coisas que eu mais gosto.

Eu podia considerar isso um ponto positivo para mim? Talvez. Ou talvez não. Não importa. O que importa é que eu tinha que aproveitar mais um pouco daquele sol porque logo, logo pegaria um avião para Orlando, para encontrar meu amado, preferido e único super pai.



Renesmee POV

– Nessie, querida, aonde você vai? — mamãe perguntou assim que me viu indo em direção a porta da frente.

– Eu só vou ali fora, mãe. — fiz uma careta. — Só Edward consegue algo para fazer, eu nunca.

– Ah minha linda... — ela veio até mim e me deu um abraço. — Você não tinha também se entendido com as novas colegas de Edward?

– Sim... Mas... — peguei a barra da minha blusa de alcinhas. — Elas... São legais, mas...

– Mas? — me incentivou a continuar.

– Mas é que elas são diferente das meninas de Nova Iorque, sabe? Quando vejo elas as conversas são legais, elas tem assuntos, mas não sabem falar sobre Chanel ou Christian Louboutin. E eu sinto falta das minhas amigas que faziam isso.

Esme me encarou com seus olhos amorosos e avaliadores. Ela bem sabia como eu tinha ficado com essa mudança de estado, mas mesmo assim eu tentava não demonstrar, e tudo porque eu amava demais meu irmão e compreendia as coisas, não queria fazer minha família sofrer. Só que algumas vezes era um pouco difícil esconder o que sentia, principalmente quando eu ficava entediada.

– Minha menina, eu sei que está sendo difícil... — ela pegou minhas duas mãos. — Mas você já sabe, não é? Que o que aconteceu lá em Nova Iorque com Edward, sobre...

– Eu sei, mãe. Eu sei. — cortei ela, já sabendo o discurso de cor.

– Então, querida, só espere começar as aulas. Estamos em Los Angeles, com certeza vai encontrar meninas como as de Nova Iorque, que vão saber conversar sobre isso com você.

– Yeah. — suspirei, fazendo bico. — Mãe, eu vou lá fora esperar Edward, para ver se ele quer ir comigo tomar um sorvete. Quem sabe assim minha ressaca passa. — torci o bico, fazendo ela gargalhar.

– Ok, Nessie. — ela me deu um beijo na bochecha e foi em direção a cozinha.

Ainda me sentindo um pouco triste com saudade das minhas amigas, e entediada de que não tinha nada para fazer quando eu tinha o costume de passear em shopping ou na Quinta Avenida para momentos assim, eu sai de casa, parando bem na porta. O tempo estava ensolarado como todos os dias. Esse era um lado bom da Califórnia, que fazia sol todos os dias. Eu amava o calor e o sol, e odiava neve e frio.

Com um suspiro de deleite pelo ar limpo que respirava, eu olhei para a rua de um lado para o outro para ver o movimento e foi então que eu vi O movimento. Aquilo ali do outro lado, alguns metros de distancia, era o que? Um Deus Grego? Nossa, que corpo bronzeado e atlético era aquele? E aquele cabelo castanho claro com fios mais claros do sol? E que sorriso... Oh merda, porque ele está tirando a camisa? Ah, é bom demais para ser verdade. Ele vai lavar o carro!

Claro que eu não poderia perder uma cena daquelas assim, sendo que eu posso apreciar sem ninguém ver, já que só estamos nós dois naquela rua. Eu sentei nos degraus para poder ficar olhando. Vi atentamente quando ele ligou a mangueira e molhou o seu Plymonth Barracuda conversível laranja com a capota e o porta malas preto, e uma risca preta nos lados. Ele lavava com todo cuidado para não molhar o estofado de couro negro. Tinha um carinho e uma adoração com aquele carro que mais parecia uma mulher. Ele ensaboou e passou uma espuma de lavar. Não pude evitar suspirar quando ele passou as mãos nos cabelos que caiam nos olhos, fazendo reflexos dourados. O gato parecia se mover em câmera lenta ali, só para me provocar. As gotas de água que ficavam nele porque batiam na lataria do carro e voltavam.

Oh Deus, isso é realmente bom de se ver. Muito bom mesmo.

Um barulho de passos perto me fez acordar do transe que me encontrava. Virei minha cabeça rápido, mas me arrependi assim que fiz esse movimento. A pessoa que passava ali na calçada era nada mais nada menos que o amigo branquinho de Emmett, o Alec. E o garoto que eu tinha dado o beijo ontem a noite na DAR. Que eu descobri o nome hoje de manhã.

Eu me encontrava em um estado deplorável por causa de ontem. A bebida que Emmett me deu era gostosa, e eu tomei ela rápido mesmo porque queria muito curtir ali, e sem minhas amigas então para dançarem comigo, era por isso mesmo que eu precisava. Só que ela no outro dia, depois de dormir, dava uma ressaca dos infernos. Eu me sentia quebrada, como se tivessem me jogado em uma trituradora. E também, parecia que tinha sugado toda a minha memória, porque eu não lembrava de quase nada. Por isso que quando Edward foi na casa da Bella para saber se ela estava bem, eu fui com ele e encontrei Emmett, que me contou o que eu fiz. E merda, eu estava com muita, mais muita vergonha mesmo. Tanto que quando a mãe de Bella, que é parece ser muito legal, chamou nós para tomarmos café da manhã com ela, eu neguei e vim para casa, ao contrário de Edward.

E era por isso que eu não queria ver esse Alec nem disfarçada, pois a vergonha que eu sentia por ser tão... Bêbada, me fazia querer enfiar a cara no chão e sumir.

Já o tinha visto por aqui pelo menos umas duas vezes. A primeira foi quando eu estava mais uma vez olhando a vista pela janela do meu quarto e pensando na mudança, e ele apareceu na calçada, saindo da casa da Bella. De uma forma estranha, aquele garoto chamou minha atenção. A pele branquinha como de alguém que vivia numa cidade sem sol – ao contrário da CA –, os cabelos negros e bagunçados, caindo nos olhos que eram azuis claros. Ele percebeu que eu o encarava e olhou de volta. E foi então que eu não consegui mais desviar meus olhos dos dele. Pareciam presos de uma forma estranha. Minhas mãos suaram frio enquanto eu apertava o tecido da cortina, e meu coração acelerou. Só que então Emmett apareceu e eu consegui sair daquele transe, saindo logo da janela para não acontecer novamente.

A segunda foi na DAR mesmo, quando eu estava dançando e sem querer esbarrei nele – isso antes de minha mente apagar e ele também beber. Alec primeiro arregalou os olhos ao me ver, enquanto eu ficava estática no lugar, depois ele deu um minimo de um sorriso para mim como se me cumprimentasse. Eu também imitei, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Novamente eu estava sentindo aquelas emoções da mão suando e o coração acelerado. O que eu não sabia ali era se estava multiplicado porque estávamos ainda mais perto ou por causa da bebida. Só que então Edward e Bella apareceram me empurrando para voltar para o meio da pista de dança, nem percebendo Alec ali de tão animados que estavam. Eles me arrastaram, sem deixar eu nem sequer olhar para o branquinho.

E bem... Depois aconteceu aquilo no palco que eu não tive nem um pouco de vergonha na cara. Emmett não soube me explicar o porque de eu ter feito aquilo pois tinha ido resolver uns assuntos pendentes de um ano atrás, mas me disse que as únicas pessoas que saberiam dizer eram Edward e Rosalie, porque eram os que estavam sãs ali. Claro que eu não ia perguntar para Edward, porque ele mais cedo olhou para a minha cara e disse: Melhor você ficar quieta!, que eu obedeci. Ele devia estar furioso comigo, primeiro por eu ter bebido e segundo por ter dado uns pegas em alguém que eu nem sequer devo ter trocado três palavras. Só me restava Rosalie. E essa eu só via de vez quando. Estava torcendo para que aparecesse logo na casa da Bella.

Olhei novamente para Alec, que estava agora mais perto. Ele olhava para a frente, mas quando passou em frente de casa, olhou na minha direção, fazendo como fez na boate: arregalou um pouco os olhos. Eu senti logo minhas bochechas esquentarem, com certeza atingindo o rosado da vergonha. Ele diminuiu o passo para passar ainda mais devagar, e sem tirar os olhos de mim. Mesmo com vergonha e sabendo o que tinha acontecido, eu dei um pequeno sorriso, que ele retribuiu. Foi apenas isso para ele voltar a acelerar o passo, me deixando ali com o coração a mil e as mãos suando frio.

Tentei não olhar para ele quando ele chamou Emmett, e só me atrevi olhar quando ele entrou na casa. Eu suspirei, sentindo minha cabeça embaralhar em perguntas confusas. Eu queria saber mais sobre aquele garoto tão fofo de pele pálida. Ele sempre parecia tão quieto, ao contrário dos amigos. Era calmo demais para o Terremoto: Bella; Maremoto: Rosalie; e Vulcão: Emmett. Eu também queria saber como era a voz dele, porque nunca ouvi uma sequer palavra da boca dele. Não que eu tenha falado também, mas as pessoas passam a impressão de quando falam, e Alec até parecia quieto demais.

Com outro suspiro, eu olhei sem propósito para aonde estava o meu vizinho lavador de carro, e ele continuava lá, só que agora com a mangueira virada para a rua e uma cara de bobão na direção da loira que passava ali. E essa loira só apareceu ali para me fazer sorrir. Rosalie vinha com seu skate, nem vendo que o vizinho lindo a encarava. Ela estava usando um short jeans curto e todo rasgado, e uma camiseta preta. Aquela loira ali era de deixar qualquer garota nova iorquina no chinelo. Muitas de lá dariam tudo para ter o corpo que ela tem, e o sorriso, os olhos, os cabelos. Qualquer coisa. Rosalie servia para trabalhar de modelo para qualquer catálogo de roupa, Calvin Klein então nem se fala.

Eu admitia, tinha inveja de Rosalie. Queria ter metade do corpo dela, ao invés de ser essa tripa seca, como Edward me chamava.

Rosalie parou o skate em frente a casa de Bella, pegou ele na mão e, para a minha confusão, ela seguiu na direção da minha casa, sendo que seu ponto principal deveria ser a casa da maluquinha que arrastava meu irmão para qualquer canto. Vou falar, eu achei que ia morrer, mas não ia ver uma coisa dessas. Edward tendo uma amiga que ele da tudo por ela. É impressionante como ele fala dela, como se a garota fosse sensacional. Eu sabia que ele estava encantado por ela ser diferente. Mas sabia também que não era só encanto, que ele tinha realmente gostado dela, pois Bella era legal e não uma vadia qualquer como as que ele conhecia.

– Oi, Ruiva! — Rosalie apareceu na minha frente, tampando o sol.

– Bom dia, Loira! — cumprimentei ela, que fez uma careta. — O que? — perguntei preocupada.

– Nada. Nada... Só que você deveria falar: E ai, Loira, ao invés de bom dia. Soa mais Bella&Rosalie, entende? — ela se sentou ao meu lado da escada, colocando o skate do outro.

– Ah sim, entendi... — balancei a cabeça. — Mas e então, tudo bem?

– Eu quem devo perguntar. — ela riu. — Você está inteira depois de ontem? Gata, nunca vi ninguém mais animada que você, mesmo sem beber. — nós rimos.

– Dá pra andar, vai. — fiz bico. — Mas estou quebrada. — ela gargalhou com isso. — Que bebida era aquela?

– Segredo, Renesmee... Segredo... Tsc, tsc. — estalou a linga, me fazendo encará-la com uma sobrancelha erguida. — Calma, não tinha droga não, se é isso que está pensando.

– Nã-não, eu não esta... — ela me olhou com cara de “Sério mesmo que vai mentir?” — OK, eu pensei, mas agora não estou pensando mais. — ergui as mãos como se me rendesse. — Mas isso não importa agora, Rosalie. Eu precisava falar com você.

– Hm. — ela fez, enfiando a mão no bolso do short e tirando de lá um maço de cigarro e um isqueiro. — Sobre o que?

– Sobre ontem a noite. — fiz uma careta para seu ato errado, que era fumar. Não fazia bem a saúde, ela deveria saber disso.

– Sobre o que ontem a noite? — perguntou dando logo em seguida uma tragada no seu cigarro. — Espera, me deixe adivinhar... Sobre seu beijo com Alec, certo?

– Yeah... Ou mais ou menos isso. — admiti, envergonhada. Abaixei a cabeça. — Eu só queria saber o porque de eu ter feito aquilo sendo que não sou assim.

Rosalie deu mais algumas tragadas em seu cigarro, soltando a fumaça de uma forma que ela viesse para meu rosto, me fazendo tossir intoxicada. Ela me ofereceu, e eu neguei com a cabeça e uma careta de repreensão.

– Nessie, o que aconteceu lá em cima foi porque vocês dois estavam bêbados, então nem se preocupe em ficar toda constrangida, ok? Bem, eu sei que por causa da nossa bebida você não deve lembrar, então... Quando Bella estava lá em cima brigando com todos, Alec subiu para ajudar, e você viu que estavam ficando com raiva e decidiu que iria distrair o povo. Tirou da Bella o microfone e começou a conversar com as pessoas, e então Alec entrou no meio e as pessoas gritaram para vocês se beijarem. Bella, que até então reclamava de vocês terem lhe tirado o microfone, começou a agitar também, fazendo assim Edward ficar com raiva. Você e Alec decidiram que iriam fazer aquilo, então como eu vi que estava adiantando e ninguém mais queria matar Bella, ajudei ela segurar Edward e então vocês dois se pegaram. Foi isso. — ela deu de ombros.

– Ah, merda... — gemi e enfiei o rosto nas mãos. — Eu estava acima do meu limite, por isso Edward está com tanta raiva de mim.

– Relaxa, ruiva, isso logo, logo passa. — ela deu um tapinha nas minhas costas. — Agora... — jogou o resto do cigarro fora e me encarou nos olhos. — Me diz o que anda acontecendo entre você e Alec.

– Do-do que você es-está fa-falando? — gaguejei, me sentindo intimidada com seu olhar.

– Acha que eu não percebo os olhares que vocês dois trocam?

– Não tem olhares. — menti. — Só foi porque... Pelo que fizemos na DAR.

– Ahm, sei... — ela negou com a cabeça. — Renesmee, não me leve a mal nem nada disso sobre o que eu vou falar, mas Alec é uma ótima pessoa e que já levou um fora que não merecia porque a garota era uma estúpida. A ignorância dela deixou marcas nele que até hoje estão presentes. Essas que atrapalham e muito a vida do meu amigo. Eu não quero que isso aconteça novamente, me entende? Ele já sofreu demais e agora o que merece é o melhor. Por isso que Alec não pode ficar perto de patricinhas, pois elas não são boas pessoas, são arrogantes, egoístas, elas magoam e falam demais. Principalmente as baixinhas. E eu vejo como você olha para ele e como ele olha para você. E, me desculpe, mas isso não pode ser certo. Você é como elas, e no final nós duas sabemos como ele vai ficar.

– Rosalie, eu não...

– Me deixa terminar, Nessie. — pediu e eu assenti. — Não é que eu não goste de você, longe disso, mas eu sou amiga, protetora, e apenas quero o bem do meu amigo. Alec está encantado com você, eu posso ver isso de longe, e eu peço que tome cuidado ao se aproximar dele. Tem muitas marcas nele que temos que tomar cuidado para não trazer à tona. Se você tomar, o caminho que pode se seguir é bom, para os dois. Acredite em mim, Alec é mais do que uma ótima pessoa, e você por si mesma vai ver isso.

Rosalie deu um tapinha no meu joelho e levantou, seguindo para o quintal da casa ao lado e entrando na porta sem nem sequer tocar a campainha. Eu fiquei ali estática, sem entender nem um pingo do porque de Rosalie falar aquilo, sendo que o que tinha acontecido entre eu e o branquinho na boate DAR fora porque estávamos bêbados, e sem isso nós nunca tínhamos nos falado pessoalmente.

– Tchau, Edward! — a voz da Bella me fez acordar de meu transe. — Até outro dia.

– Até, Bella. — Edward acenou para ela, que piscou um olho para ele. — Me trás uma lembrança, não se esqueça!

– Pode deixar, cupcake.

Bella entrou em sua casa e Edward ficou ali parado na calçada, olhando para aonde ela tinha ido. Observei seus movimentos, reconhecendo-os de apenas alguns meses atrás. Torci minha boca, querendo esconder o sorriso que se formava quando ele virou para mim, sorrindo abertamente.

– Fazendo o que ai, Renesmee? — perguntou, se aproximando.

– Nada, ué. — dei de ombros. — Estava apenas esperando você chegar para irmos tomar um sorvete.

– Ah, minha gatinha, então vamos. — ele me estendeu a mão e eu peguei, levantando. — Vai querer de que?

– Você ainda pergunta? — eu revirei os olhos e passei meu braço pelo dele, seguindo pela calçada ladeira a baixo. — É claro que pistache, maninho.

– Ok, então. Pistache para os dois. — ele bagunçou meu cabelo e nós rimos.

– Edward?

– Hm?

– Você me acha arrogante, egoísta, que magoa as pessoas e fala demais?

Ele parou de andar e me encarou.

– Porque está perguntando isso?

– Por nada, só responde.

– Ah, Nessie, eu acho você faladeira demais sim, mas de resto, não. Você é boa demais, não sabe ser uma sequer dessas coisas. — alisou meu cabelo. — Só fala muito, mais muito mesmo que as vezes nem você mesma aguenta, admite.

– É, isso é verdade. — nós rimos.

Então Rosalie não precisava se preocupar, pois eu iria me aproximar de Alec e mostrar que eu podia ser boa. Boa amiga, até.

Eu abracei Edward pela cintura e o fiz andar mais rápido, louca pelo meu sorvete. Ele sorriu para mim. Sabia que era chato mudar de lugar, mas eu sentia que CA estava fazendo um bem para Edward, e faria para mim também.


Notas finais
E então, o que acharam? *O* Eu sei que não ta grande coisa, porque da forma que fiz, kkkkk Então, me desculpem mesmo, sério. Mas deu pra dar uma entendida na cabeça de Nessie, e também saber UM POUCO sobre Jacob com Bella. E sobre o que ela esconde... Logo logo vocês saberão. Mas eu ja deixei umas pistas, vai! , KKKKKKKK
Beeem, eu estou aqui em plena 23:32 postando esse capitulo, e é cedo, eu sei, mas estou morrendo de sono, KKKKK E o que quer que eu tinha pra falar, agora sumiu >
Quando eu lembrar, falo no outro que pode ser RN ou Seven Reasons ( QUE PRA QUEM NÃO LEU AINDA : https://www.fanfiction.com.br/historia/207456/Seven_Reasons )
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AHHHHHHHHHHHHHHHH, eu queria pedir pra vocês, que se tiverem alguma "quote" que tenham gostado no capitulo, postem, que eu tenho umas coisinhas em mente *-----------------------------------------*
E queria agradecer a linda da Cacau54 pela maravilhosa recomendação. Eu amei, assim como amei todas que ja ganhei com Aquela Garota !!!!!!!!!
Agora é isso. Meninas, desculpem qualquer erro, e espero que tenham gostado *O*
Beijoos :*