Aquela Garota
4 Batendo Recordes
3. Batendo Recordes
– Eu estou começando a ficar com medo de você. — Edward falou, me encarando de olhos arregalados. — Primeiro, encontro você apenas de biquíni na minha casa, e agora descubro que você está indo naquela lanchonete — apontou para o lugar — por causa de um castigo depois de seu irmão contar seus... Podres.
Eu bufei, querendo estrangular ele e Rosalie, que tinha aberto a boca grande dela e contado tudo que podia e não podia para Edward. Ela era uma grande fofoqueira. Contou até os mínimos detalhes, sem deixar um de fora, como quando eu quase afoguei, no clube, uma criança — que não era o Rick. Uma vadia da boca grande que queria me deixar mal na fita com o Edward. Queria e tinha conseguido, porque agora ele achava que eu era uma delinquente ou qualquer coisa maldosa que pudesse classificar as... Coisinhas básicas que eu faço. Eu acreditava quando ele dizia que estava com medo, pois seus olhos verdes — muito verdes – me olhavam. Poxa, ela realmente não precisava ter feito aquilo comigo. Fuder com o meu futuro brilhante, romântico e perfeito com Edward.
Agora só me restava...
– Cala a boca. — rosnei, olhando diretamente para a lanchonete a nossa frente, que estava do jeito que eu não queria.
Estávamos do outro lado da rua, escondidos atrás de um carro. Eu analisava o local, como se ele fosse meu inimigo. E na verdade era, porque eu não sabia trabalhar, na verdade, nunca tinha pensado em trabalhar antes de fazer minha faculdade de medicina. Yeah, eu queria ser médica, e uma bem conhecida por sinal. Eu assistia muito Grey's Anactomy, e adorava ver aqueles residentes andando de um lado para o outro, cuidando das pessoas. Apesar de não parecer, eu gostava de cuidar das pessoas. Menos das crianças, porque elas me irritam... Claro que se elas aparecerem morrendo sem um braço, com um tiro, eu vou cuidar. É obrigação, fazer o que?!
A lanchonete não era de todo mal, como aquelas que mais pareciam um boteco com homens velhos querendo ver as menininhas irem ali pedir uma água por causa do calor. Era um lugar bem bonitinho e confortável. Ficava na esquina, com a frente toda de vidro — dando para ver lá dentro -, do lado de fora tinham mesas arrumadas, com a toalha de mesa sendo toda quadriculada em branco e vermelho, como aquelas de piquenique em desenhos animados. Lá dentro, como dava para ver pelos vidros, era ainda mais parecidos a moda antiga, com as paredes pintadas em branco e quadros do Elvis Presley, a bancada em tom vermelho e mesas com estofados de borracha. Como eu disse, uma lanchonete a moda antiga e só faltava as garçonetes de patins andando de um lado para o outro.
O lugar estava um pouco cheio, com muitos adolescentes em grupos ali, rindo. Era isso que eu avaliava, vendo que pelo menos metade daquele pessoal fazia parte da minha escola, que estava na época de férias.
– Você vai? — Rosalie perguntou, me olhando.
– Eu não sei... — mordi o lábio inferior. — Só me resta esse emprego, já que os outros não dão para mim e cuidar do Rick principalmente. Eu juro que se ver aquele cabeçudo, esgano ele! — mexi minhas mãos como se o pescoço do Cabeça de Balão estivesse ali, aonde eu apertava até ele ficar roxo.
– Eu realmente estou ficando com medo. — Edward falou mais uma vez, e na minha imaginação, não era mais o rosto de Rick que ficava roxo, e sim o de Edward.
Desculpa, futuros filhinhos de olhos verdes, muito verdes, mas o papai de vocês precisa disso!
– Cala a boca. — mandei mais uma vez, fazendo Rosalie soltar um risinho. — Eu achei que não ia ter ninguém nessa merda.
– Eu também. — Rosalie concordou. — Poxa, estamos no meio das férias, por que iriam querer vir para perto da escola? Eu quero é ficar o mais longe possível!
– Duas. — concordei.
Fiquei olhando mais atentamente para o outro lado da rua, vendo ali o time de futebol americano rir e se deliciar com refrigerante, Milk Shake, sorvete e bolo. As lideres de torcida também estavam junto deles. O que me fez pensar seriamente em não ir lá, mas o problema era que eu não tinha mais opções, ou era aquele emprego, ou cuidar o dia inteiro do Rick. E eu preferia mil vezes trabalhar em uma lanchonete do que ficar olhando o cabeçudo e ouvindo ele falar asneiras, e me xingar, sem eu poder fazer nada, afinal, estava sendo contratada para olhar, não para matar.
– E então? — Rosalie perguntou.
– Eu vou. — respondi, em um suspiro. — Eu só tenho esse emprego agora, e se não conseguir, vou para um internato.
– Ok, eu tenho um plano. — a loira falou, sorrindo para mim. — Você vai lá, Bella, consegue o emprego e então eu o gatinho aqui aparecemos e seremos os seus primeiros clientes, tudo bem?
– Mas eu não vou começar agora...
– Bella, estava escrito URGENTE no anuncio, então...
– O QUE?! — berrei.
– Shiiii. — ela fez, tampando a minha boca e olhando para o outro lado da rua, vendo se alguém tinha ouvido. Depois que ela viu que não, tirou a mão da minha boca.
– Porque você não me avisou esse absurdo? Eu tinha vindo mais... Apresentável... — apontei para minhas roupas, que era apenas uma saia jeans clara e uma blusa preta dos Rolling Stones, fora que estava de All Star velho. — Rosalie, eu te odeio.
As vezes eu tinha certas duvidas com Rosalie. Não que eu duvidava da nossa amizade. Que nada, longe disso. Eu sabia que ela era a melhor amiga que qualquer garota poderia ter, pois ela sabia preencher todos os requisitos possíveis que uma amizade que dura anos poderia pedir: entrava nas encrencas comigo, me protegia, as vezes virava minha mãe, me dava bons conselhos e o principal de todos, ela me ferrava. A minha duvida era que se Rosalie batia bem da cabeça, ou se a mãe dela não havia deixado ela cair de cabeça no chão — como tantas vezes Renée deixou acontecer comigo. Porque para ela ver minha roupa, e não me avisar que o anuncio era URGENTE fui uma puta sacanagem.
Mas tudo bem, eu só precisava respirar...
– Bella, para com isso, você está linda. — ela piscou um olho e eu mostrei meu dedo do meio. — Vamos lá, eles precisam de alguém urgentemente, então não importa o que vocês está vestindo. Podia aparecer até com roupa rasgada e fedida que eles te contratariam.
– Claro, claro. — concordei, ironicamente. — Então aparece você assim para nós fazermos o teste.
– Eu não! — ela arregalou os olhos. — É você quem precisa desse emprego, não eu. Já tenho o meu, que aliás, vou ter que ir hoje. As vezes eu tenho uma raiva de férias... — olhou para o nada. — Mas esquece! É você quem deve ir ali agora, então anda logo.
Rosalie me empurrou e eu cai de joelhos na calçada, sem o carro para me esconder, todos que estavam olhando naquela direção viu. Ela e Edward caíram na gargalhada, enquanto eu implorava ao universo que me desse um buraco aonde pudesse esconder minha cara e claro, enviasse eles para outro mundo longe de mim.
– Eu vou matar vocês dois. — rosnei, enquanto levantava e limpava meus joelhos.
Olhei de um lado para o outro da rua e depois atravessei, enfim chegando na lanchonete. As pessoas da escola me encararam, sabendo quem eu era, mas eu fiz questão de ignora-las. Eu já sabia lidar com a minha fama, com licença. Entrei na lanchonete e um sininho chato avisou minha presença. Um garoto loiro, que estava atrás do balcão limpando ele, me encarou. Vi ele bufar antes de dar o sorriso mais falso que eu já tinha presenciado. Me aproximei lentamente, com uma vontade louca de sair dali e ir implorar perdão a Renée por ser uma filha tão ruim. Mas eu respirei fundo e tomei coragem, indo falar com o garoto.
Quando me aproximei, ele pegou um bloquinho de papel e caneta que estava atrás da orelha, pronto para anotar o pedido. Eu mexi a mão, indicando que não queria nada, e ele me encarou confuso.
– Er... — mordi o lábio inferior. — Eu vi um... Anuncio no jornal de que estavam precisando de uma garçonete... — mexi as mãos. — Vocês ainda estão precisando?
O garoto ficou me encarando com uma sobrancelha erguida, depois simplesmente me deu as costas e entrou em uma porta que havia ali. Eu suspirei e sentei no banco, apoiando os braços ali e abaixando minha cabeça.
Yeah, parecia que ele não tinha ido com a minha cara e ele me dar as costas significava que era um pedido bem indelicado de "Cai fora!", que eu não seguiria. Eu tinha ficado tão frustrada que agora iria comprar alguma coisa ali, só pra fazer ele me atender. Porque ele era um loirinho muito folgado para o meu gosto. Bonitinho, mas folgado! Só porque ele tinha olhos verdes, era loiro e muito bonito, não podia me dar as costas daquele jeito.
– Garota. — alguém me cutucou e eu levantei minha cabeça. Era o maldito loirinho. Ele sorriu para mim, de forma mais educada e me estendeu a mão. — Sou Jasper Withlock e você é...?
– Bella Swan. — apertei a mão dele. — Na verdade é Isabella, mas eu odeio meu nome, assim como minha mãe, porque foi minha avó, que tinha um puta de um mal gosto, escolheu. Eu acho que foi porque ela se apaixonou por um italiano, tendo um caso escondido do meu avô. Acho que o velho deveria ser um puto de um amante, para ela fazer aquilo com o vovô bonito que eu tinha. É, tinha, porque ele morreu quando descobriu a infidelidade da vovó, sabe... E caralho, eu estou falando demais! — bati a mão na minha testa.
Jasper me encarava de olhos arregalados, e agora forçava o sorriso.
– Er... — ele fez.
– Olha, desculpa. É que sei lá, eu estou um pouco nervosa e com raiva, e por isso falo rápido demais. Mas tudo bem, não acontece com frequência, é só porque... Ah, merda, estou falando demais de novo. — resmunguei e suspirei. — Ok, desculpa.
– Tudo bem. — assentiu. — Bem... Apesar de você ser um pouco estranha, nós precisamos de uma garçonete urgente, então está contratada. — arregalei os olhos. Ele colocou uma caneta e uma folha na minha frente. — Só preencha essa ficha para mim.
Eu comecei a escrever meus dados ali, sorrindo comigo mesma. Depois de uns dez minutos, terminei e entreguei as coisas para ele, ainda sorrindo.
– Prontinho. — cantarolei. — E agora?
– Agora é só você começar a trabalhar. — Jasper sorriu para mim.
– OK. — falei alto e ele arregalou ainda mais os olhos. — Er... Ok. — balancei a cabeça freneticamente, ainda querendo que um buraco abrisse e me engolisse para a escuridão.
Ele sorriu e entrou novamente na portinha, me deixando ali sozinha. Eu olhei pela janela de vidro e vi Rosalie e Edward do outro lado da rua, me encarando. Fiz um sinal de positivo, que a loira comemorou pulando e abraçando o Edward. Era óbvio que ela aproveito aquilo para tirar uma casquinha, e aposto que ele também fez o mesmo. Aquela mão descendo pelas costas dela não era algo sem querer.
Ah, se eu pego!
Jasper voltou rápido, trazendo nas mãos um avental branco com o um desenho de mãos com o gesto do rock e as siglas da lanchonete CY, que significava Cream Yellow. Eu ainda me perguntava quando via o nome dessa lanchonete, o porque de ser ele. Quero dizer... Porque creme amarelo se não tinha nada com aquilo? Ou eu nunca tinha comido nada que tivesse esse creme, ou eles estavam fora do normal quando nomearam a lanchonete, mas a ideia me deixava intrigada. Eu peguei o avental e o amarrei na minha cintura, depois prendi meu cabelo em cima e peguei o bloquinho de papel e a caneta que Jasper estendia para mim.
– Você sabe o que tem que fazer, certo? — perguntou e eu assenti. — Olha, o chefe que está lá dentro — apontou para a porta — falou para eu deixar você atender as pessoas, mas bem... Acho melhor você começar pelo balcão. — ele fez uma careta.
Eu parei, querendo entender o que ele queria dizer em "achar melhor eu começar pelo balcão", mas eu realmente não entendi. Então, com um dar de ombros, eu passei para o outro lado do balcão e fiquei ali. Jasper saiu daquela parte e foi atender ao pessoal que estava ali, mandando eu prestar atenção no que tinha que fazer.
E eu prestei, porque aquele era o meu novo trabalho, e eu tinha que fazer direito. Ele era extremamente paciente com as pessoas, e olhando aquilo, eu tive uma ideia. Peguei o bloquinho de notas que estava na minha mão e escrevi no topo, com minha letra infantil e quase ilegível "Como ser uma boa garçonete". Fiz tópicos e no primeiro, coloquei: Ser paciente. No segundo, coloquei: Atender sempre com um sorriso. E quando ia anotar o terceiro, eu ouvi o sininho tocar e uma risada conhecida. Só isso para a minha ideia sumir totalmente, e a raiva voltar.
Rosalie e Edward se sentaram no balcão, os dois com sorrisos travessos. Ainda estava com raiva deles, e muita na verdade, pela vergonha que haviam feito eu passar, mas eu estava trabalhando, e eles eram... Clientes. Dois clientes idiotas, mas ainda eram. Com um suspiro, eu fui até, sendo seguida pelos olhos verdes de Jasper.
– O que vocês vão querer? — perguntei, sendo o mais profissional por isso.
– Hum... — Rosalie pegou o cardápio e olhou, fazendo uma boa encenação de quem estava tendo uma dúvida sobre o que pedir. Edward prendia uma risada. — Eu não sei... O que você vai querer, querido? — ela virou para ele, ignorando minha boca que tinha ficado ligeiramente aberta.
– Qualquer coisa. — ele deu de ombros, ainda prendendo a risada.
Eu queria tacar o bloquinho de notas na cabeça de cada um, mas estava me segurando. Comecei naquele dia, então não podia estragar tudo em menos de dez minutos trabalhando. Tudo bem que eu seria capaz de fazer aquilo, e bater um recorde de quem perde o emprego mais rápido do que arranja, mas eu estava sendo responsável. Só que com Rosalie pagando uma de atriz de filme e Edward querendo rir da minha cara não estava ajudando, porque eu também queria fazer aquilo! Rir e encenar ao mesmo tempo. Eu sempre sonhei em ser atriz, das bem famosas, e vendo que eles estavam tendo a chance, me deixava com mais raiva.
– Então... — ela olhou novamente para o cardápio. — Eu vou querer... Caralho, é muito difícil com essas coisas gostosas.
Eu suspirei e esperei pacientemente. Rosalie ficou olhando, olhando e olhando para aquele maldito negocio, perguntando vez ou outra para Edward o que ele iria querer, mas o garoto não ajudava, sempre falando: Qualquer coisa. Era tão difícil dizer o que queria? Poxa, era só falar alguma porcaria que tinha ali e pronto. Agora a idiota loira ficava dando uma de difícil e o ruivo não ajudava, falando "Qualquer coisa... Qualquer coisa... Qualquer coisa!"
Eu vou é meter qualquer coisa na cara dos dois e então eles decidem a porcaria que vão querer.
– Mas que porra, dá pra escolher logo! — sussurrei em um rosnado, olhando para Jasper, que também me avaliava. — O loirinho ali não está gostando dessa demora. Não me faça perder o emprego que eu nem comecei direito.
– Bella, só estamos lhe ajudando. — Rosalie fechou a expressão. — Estamos sendo pessoas chatas que não conhecem você, entende? Então, aquieta a bunda ai — me lançou um olhar que eu entendi. — e faz seu trabalho. E escolher está muito difícil... — fez uma careta. — O que você sugere?
– Sugiro que você ande logo com isso antes que Jasper venha e pergunte porque vocês demoram tanto. — ergui uma sobrancelha. — O que vocês vão querer? — perguntei de novo.
– Ok, ok, estressada. — ela suspirou. — Vou querer um pedaço de torta de morango com um suco de laranja natural acompanhando. E você, Edward? — ela se virou para ele.
– O mesmo. Só que quero... Milk Shake de morango ao invés do suco.
– Até que enfim. — murmurei, saindo de perto deles.
Eu escrevi o pedido em um papel e depois peguei as coisas, colocando de frente para os dois. Rose piscou um olho e fez biquinho para mim, enquanto Edward ja comia da sua torta. Suspirei e me afastei dali, antes que matassem os dois por serem bons amigos e quererem me ferrar bonito.
Fiquei encostada um pouco perto dos dois para poder ouvir o que eles iam conversar, com a minha cabeça apoiada em meu braço quando eu vi quatro figuras femininas passarem pela janela de vidro e entrarem na lanchonete, fazendo o maldito sininho balançar. Eu fiquei ereta na mesma hora.
– Ai caralho... — murmurei.
Rosalie e Edward, que ouviram o que eu disse, olharam para a porta. Eu ouvi Rose rosnar para Tânia e suas seguidoras, que tinham acabado de entrar. Soltei um muxoxo, querendo morrer bem ali mesmo. Porque, não tinha nem dia nem hora melhor para elas aparecerem ali.
Cadê a porra do buraco quando se precisa dele? Já era a minha terceira prece. Na quarta eu saia correndo e me jogava em qualquer. Pois se o buraco não vinha a você, então você tinha que ir a ele.
– Olha, olha quem está aqui. — Tânia falou, vindo até o balcão e parando na minha frente.
Tânia Denali era a famosa patricinha das escolas americanas. Com a pele de porcelana com um leve bronzeado, os cabelos loiros com algumas mexas mais claras e grandes olhos azuis, ela se dizia a rainha da escola, sendo que não era porra nenhuma. Não para mim ou para Rosalie. Ela era das lideres de torcida, a capitã do time, e tinha as suas quatro seguidoras: Kate e Irina Denali, as gêmeas-não-tão-gêmeas-assim. As três eram primas, claro, por ter o mesmo nome. Eram loiras como a prima vadia mor, e tinham olhos azuis. Na verdade, as três pareciam primas. A quarta seguidora era Alice Brandon, a garotinha magrela e baixinha de cabelos longos castanhos com fios loiros do sol. Fazia parte das lideres também, era a segunda — mas para mim a primeira — melhor que Tânia ali, e só porque ela fez algo errado que não era aceito no grupinho rosa choque. E também, ela era a segunda mais malvada, pois Deus deu pelo menos um pingo de bondade para o coraçãozinho dela. Apesar que com o que ela fez... Duvido muito que tenha esse pingo.
Todas elas me odiavam. Ou melhor, as gêmeas Kate e Irina me odiavam porque Tânia me odiava. Na verdade, metade da escola me odiava, mas eu relevava enquanto nenhum deles mexesse comigo. Só que esse grupinho de cobras adorava tirar eu e Rosalie do sério, só porque não eramos, como eu posso dizer... Femininas o suficiente para elas. Porque andávamos de skate e usávamos camisetas com nomes de bandas. Para elas deveríamos usar da Britney Spears. Não me leve a mal, eu gostava da loira e a ousadia dela, mas não trocava por Oasis.
– Meu Deus, abriram a porta do galinheiro, que porra. — Rosalie falou, fazendo Tânia lançar um olhar gélido para ela.
Jasper, vendo a tensão ali, se aproximou.
– O que está acontecendo? — ele perguntou, seus olhos mirados em mim.
– Nada. — respondi rápido.
Eu já estava prevendo o fim do meu trabalho que eu mal comecei. E eu achando que seria Edward e Rosalie o meu fim...
– Ótimo, então faça o que tem que fazer. — ele deu as costas.
Eu suspirei e peguei o bloquinho de notas, sabendo que aquilo ali faria a minha reputação ir por água a baixo e pior, me daria uma grande dor de cabeça em um futuro próximo quando as aulas voltassem.
– O que vocês vão querer? — perguntei com a garganta fechada, querendo prender a qualquer custo aquelas palavras que soltei.
– Espera! — Alice parou ao lado de Rosalie. — Quer dizer que Isabella Swan está trabalhando aqui? Como garçonete?
– Não, eu estou trabalhando no seu puteiro como dançarina. Deixa de ser burra, garota. — revirei os olhos. — Anda, vamos logo, que eu estou sem paciência nenhuma.
Ela fez cara de ofendida, o que me fez revirar os olhos novamente. Eu ainda não sabia como não tinha ficado vesga de tanto que fazia isso quando estava perto desse grupo de quatro loiras burras — sem ofensa as loiras, claro, pois sou uma também. O problema só são essas quatros mesmo. Jasper apareceu ali de novo.
– Isabella. — me repreendeu. — Atenda-as direito. — rosnou e eu suspirei, assentindo. — Vamos logo.
– O que vocês vão querer? — perguntei novamente.
Tânia me olhou de cima a baixo para então começar a gargalhar. As seguidoras dela a acompanharam, me fazendo suspirar e me apoiar novamente no balcão para esperar toda aquela ceninha acabar. Rosalie sentada ali ao lado assistia tudo, lançando olhares fulminantes para as quatro. Edward parecia que tinha paralisado, pois estava com o canudo — que eu queria ser — na boca, assistindo as malucas. Sua torta agora estava intocável.
– Acabou? — perguntei, quando elas pararam.
– Swan, quem diria, hein? — Tânia falou. — Deveria imaginar que a delinquente que você é daria nisso, trabalhando como garçonete.
E lá vamos nós...
– Jasper... — rosnei.
– Ah, Bella, isso é tão... — ela fez uma cara de empolgada muito falsa. — Nossa, sem palavras. Mas é sério, combinou perfeitamente com você. É a sua cara.
– Jasper... — repeti no mesmo tom de voz.
– Bella, relaxa. — ele mandou, colocando uma mão no meu ombro.
– Acho que merece uma foto. — Tânia pegou o celular dela rosa com pedrinhas que ela dizia ser diante, e estendeu para mim, tirando uma foto. — Nossa, feia como sempre.
– Jasper...! — meu sangue subiu.
– METE LOGO A MÃO NA CARA DELA! — Rosalie berrou.
E foi o que eu fiz, voei por cima da balcão e peguei Tânia pega gola polo da blusa, trazendo ela mais para perto para assim poder bater na cara de boneca dela. As seguidoras começaram a dar seus gritinhos histéricos, já Jasper berrava vários palavrões e Rosalie me incentivava. Eu sabia que ia perder meu emprego, mas eu não me importava com nada daquilo, eu só via vermelho na minha frente e o desejo de socar a cara de Tânia, que tinha me tirado do sério.
Foi então que eu senti algo molhar minha cabeça e o cheiro de laranja impregnar pelas minha narinas. Parei de socar Tânia e me virei para o lado, vendo Alice com uma mão na boca, os olhos arregalados e na outra mão ela segurava um copo.
– ROSALIE, ACABA COM ELA! — berrei.
A minha amiga loira pulou em cima da baixinha, e as duas saíram rolando pelo chão. Eu voltei minha atenção para Tânia, que me olhava assustava.
– VIRA MULHER, PORRA E REVIDA!
Eu empurrei ela para frente e pulei o balcão, indo novamente para cima dela. Assim eu podia fazer mais coisas. Foram vários tapas e socos até Tânia começar a revidar e então sim eu sentir a diversão. Eu a odiava, mas tinha um momento que chegava a adorar, era quando acordava a mulher em Tânia e ela acabava por sair aos tapas comigo. Nós caímos no chão e rolamos para perto de Rosalie e Alice, para assim ninguém saber mais quem batia em quem. Só sabia que eu socava como Emmett tinha me ensinado. Com o dedo do meio o osso meio levantado, e caso não desse, usava as unhas — mesmo que elas sejam roídas. Senti meu cabelo ser puxado diversas vezes, e alguns arranhões de unhas grandes no braço. Como também um soco, que eu sabia que era de Rosalie. Mas eu nem me importava, eu me divertia com toda aquela briga.
Senti mão fortes me puxarem para cima, eu tentei me soltar, só que o aperto era de aço. Comecei a gritar, xingando Tânia, que estava no chão, choramingando junto de Alice. Jasper segurava Rosalie, que mais parecia uma leoa — e não só por causa do cabelo.
– Bella, para com isso! — Edward gritou no meu ouvido.
– Me solta que eu vou matar ela! — gritei, jogando minha cabeça para trás.
Senti quando ela bateu em algo, e então Edward me soltou. Eu voei em cima de Tânia novamente, catando ela pelos cabelos. E mais berros dela. Teve uma hora que ela me virou e eu vi Edward com as mãos no nariz, e uma careta, mas logo eu estava concentrada em Tânia novamente.
– Porra, garoto, faz alguma coisa! — Jasper berrou para Edward, e novamente eu fui pega.
– Bella, merda, ajuda. — Edward murmurou no meu ouvido, mas eu estava descontrolada para ajudar ele. — Depois diga que eu não avisei.
Edward me virou de frente para ele e me jogou sobre seus ombros largos. Eu comecei a espernear como uma criança, me sentindo um saco de batata daquele jeito. Bati nas costas dele, mas o idiota não me soltou. Eu odiava a posição que estava!
– QUE PALHAÇADA É ESSA?! — uma voz grossa soou pelo local.
Eu me virei na direção do som, que era a portinha que tinha atrás do balcão, e lá estava um cara grandão e gordo. Sua face estava vermelha e sua expressão não era nada amigável. Mas o que me fez arregalar os olhos foi seu paletó rosa claro e seus cabelos impecáveis loiros.
– Fodeu. — Jasper murmurou, antes me lançar um olhar que parecia que ia me matar ali. — Você está ferrada. — sibilou com os lábios que eu entendi muito bem por essa frase ser repetida para mim muitas vezes.
Eu soltei um suspiro e encostei minha cabeça nas costas do Edward, que acariciou minha perna. Não tive como apreciar o ato, pois estava derrotada.
Bem... Eu tinha acabado de perder meu emprego, pelo que dava para ver. Assim como iria ser motivo de piada na escola quando Tânia espalhasse aquela foto. E principalmente... O gordão, que deveria ser irmão da Tânia ou qualquer coisa do tipo por causa de tanto rosa, iria me dar um soco ou me processar pela bagunça que fiz em sua lanchonete.
Queria saber se Emmett estava se saindo melhor do que eu em tudo aquilo...
Emmett PDV
– O que você acha de eu ser babá? — perguntei para Alec, que deu de ombros e assentiu. — Sei não cara, eu cuidar de pirralho... — cocei a barba bem feita, olhando para o tênis que Bella tinha jogado na cabeça de Alec.
Eu sabia que aquele tênis era dela por causa da aparência de velho, e por que também tinha o nome dela na palmilha. Foi engraçado quando ele entrou voando pela janela e acertou nele. Eu podia jurar que vi lágrimas em seus olhos, mas ele virou o rosto quando perguntei.
Alec, que estava esparramado na minha poltrona, revirou os olhos. Eu deitei novamente na cama, encarando o teto, vendo um poster da Katy Perry ali. Minha diva... Ela bem que poderia me dar uma luz! Porque quando eu contei para ela o que minha mãe havia feito, ela também ficou surpresa — assim como eu -, mas não me deu nenhuma luz. Dessa vez não, porque outras ela sempre me dava. As vezes era como no clipe Firework, ela apontava com aqueles fogos de artificio para a direção, e eu sabia o que tinha que fazer. E agora, sem sua ajuda, me sentia um cego perdido no meio do tiroteio.
Eu ainda não acredito que Renée tinha dado esse castigo para mim e para Bella. Eu preferia ficar sem minha coleção de revistas de Skate do que trabalhar. Se bem que... Não, eu não preferia nenhum dos dois. Eu preferia que ela ficasse sem falar comigo, pois depois seria fácil convencê-la de que eu a amava incondicionalmente e que minha má influencia era a minha irmã.
Sabe, eu achava que isso era um exagero da parte dela, porque eu sou o tipo de cara responsável. Sério, eu tenho responsabilidade de sobra aqui no meu corpo, que dá até para emprestar um pouco para minha irmã, porque é ela quem não tem nem um pingo de responsabilidade. Digo, eu sei administrar meu dinheiro, gastando ele apenas comigo, para satisfazer minhas vontades como comprar jogos novos, revistas novas — de mais de dois tipos, se é que me entendem... — e ainda levar muitas gatinhas para sair. Isso não é ter responsabilidade? Eu usava camisinha, ué! Pegava e levava as garotas inteiras para casa, e ainda usava camisinha. Existe responsabilidade maior que essa?
– O problema é que só tem trabalho pesado, e eu não quero fazer isso... — peguei o jornal que estava ao meu lado. — Digo, e se mamãe perceber que está pegando pesado e falar que não precisamos mais de trabalho? Eu não quero ter que decepcionar meu chefe ou chefa falando que estou me demitindo, então... Vou fazer trabalhos rápidos. É isso! — pulei da cama. — O que você acha, Alec? — perguntei e ele assentiu. — Vou começar com esse de babá, e depois vou para outro...
Como Bella já tinha saído com Rosalie para ir ver o trabalho que ela arranjara, eu comecei a fechar as janelas. Alec saiu logo de casa, deixando todo aquele trabalho para mim. Grande amigo ele! Eu fui na cozinha, peguei umas balas das que Renée guardava na tigela de vidro e segui para fora também, parando ao lado do Alec, que estava olhando para casa vizinha.
Eu tinha conhecido já o novo vizinho, depois que Bella fechou a porta na minha cara quando eu lhe questionei por estar molhada. Precisava saber o que ela fazia lá, então fui me mostrar um bom vizinho e bati na porta, sendo atendido pelo ruivo branquelo. Me apresentei como irmão da desmiolada e ele me contou como a conheceu. Então, apenas guardei mais uma das merdas que ela fazia e continuei conversando com ele.
– Quer, cara? — perguntei, cutucando Alec com o cotovelo, mas o mané não me respondeu. Segui seu olhar, que era direcionado para uma janela que estava aberta. — O que foi? — me virei para ele, mas Alec parecia vidrado ali. — Hey! — passei a mão na frente do rosto dele, e finalmente ele acordou. — O que foi? — repeti minha pergunta.
Alec negou com a cabeça e saiu andando, eu apenas dei de ombros e segui ele. Nós olhamos no jornal o endereço de quem precisava de uma babá, e estranhamente ele parecia familiar para mim. Era perto, nós chegamos lá em pouco minutos.
– Ih, essa não é a casa do Rick? — perguntei, indo para o quintal.
Toquei a campainha e quem atendeu foi mesmo Rick, o garoto que tinha xingado Bella. Eu ainda ria internamente e me deliciava ao vê-la levando uma bronca de Renée, e também quando eu vi Rick atacando a pedrinha bem na cara dela. E pior quando ele a xingou de gorda... Tudo bem que perto dele, ela era obesa. O pirralho parecia não pesar nem cem gramas de corpo, porque de cabeça devia ser toneladas. E mostrava ainda mais agora, que ele estava careca. Com certeza teve que cortar por causa do grande machucado que tinha ali. Antes ele usava um topete, parecendo o Jimmy Neutron. Ah, bom desenho, mas... Deus, como a cabeça do Rick é grande!
– O que vocês querem, idiotas? — o cabeção perguntou.
– Nossa, como ele é educado... — eu falei para Alec, que estava gargalhando do novo penteado do cabeça. Ou a falta de um. — Sua mãe está? — perguntei, também prendendo a risada.
– Não, ela trabalha. Anda, fala logo o que vocês querem? Meu tempo a curto para perder com dois imbecis...
Mas que garotinho folgado...
– Eu vim para o emprego de babá que tem no jornal. — respondi, estufando o peito, apenas para mostrar que eu estava interessado naquilo.
– Sério? — ele perguntou e eu assenti. — Eu não acredito!
Rick começou a gargalhar, até perder o folego. Alec, atrás de mim, também ria. Eu fiquei ali parado, sem entender qual era a graça, porque eu não achava nenhuma. Alguém falou alguma piada?
– E então? — apressei-o, como minha amorosa irmã fala, Cabeça de Balão.
– Bem, se você veio aqui para isso... — Rick abriu mais a porta, me deixando entrar.
– Alec, vem. — falei e ele negou com a cabeça. — Vem logo, porra!
Tive que ir buscar Alec e puxá-lo para dentro. Era essas horas que eu amava ele não falar, assim não me incomodava me xingando. Só de ele me xingar mentalmente estava ótimo!
– Então... — Rick trancou a porta e foi até uma parte da sala, sorrindo de forma estranha. — Você que será meu babá agora?
– É, moleque. — engrossei a voz, para parecer Charlie. — E você tem que me respeitar.
– Claro. — ele concordou lentamente.
A casa do pirralho era grande, tinha uma escada que dividia a sala da cozinha. E na sala, algo que fez meus lindos olhos azuis brilharem, um X-Box 360 com o jogo NCAA Football 12 rodando.
– Mentira?! Sério que você tem esse jogo?! Cara, eu estou longe jogando na Master Liga... — fui me aproximar do videogame, mas então algo acertou meu rosto e melecou tudo, tampando minha visão.
– NÃO SE APROXIMA DO MEU VIDEOGAME! — Rick gritou.
– Mas que porra...?! — limpei meus olhos, para dar com Rick segurando uma arma de Paintball. — Oh... Nada disso, Rick. Abaixa essa arma...
Ele estava com a arma de ferro na boca, e tinha um olhar maligno.
– Seu imbecil. — ele riu. — Está com medinho, é?
– Não. — engrossei a voz novamente para esconder meu nervosismo. — Vamos lá, pirralho, abaixa essa arma.
– Você é irmão daquela loira gorda que acertou uma rodinha na minha cabeça! — ele gritou, começando a ficar vermelho. — Eu levei pontos por culpa dela... — então ele começou a chorar. — Doeu aquela droga até o ultimo, e eu ainda tive que raspar minha cabeça! — apontou para o cabeção. — Ela sumiu e eu não posso me vingar! — soluçou alto, mas então sorriu maldosamente. — E já que eu não posso me vingar nela, vou me vingar em vocês.
Rick começou a atirar igual a louco. Eu coloquei minhas mãos na frente do meu rosto, para me proteger dos tiros, xingando o cabeçudo de tudo que era nome. Ele gargalhava, parecendo que estava possuído. Alec também xingava, mas eu começava a duvidar que ele estive ME xingando, e não o cabeçudo. Foi um barulho prazeroso que me deu uma luz, e foi depois que eu rezei bastante para a Katy que aconteceu isso. Agradeci primeiro antes de fazer alguma coisa.
Eu limpei meu rosto e olhei para Rick, que assoprava a arma repetidas vezes. Alec também olhou para o garoto. Eu via minha vingança se aproximando... Rick, quando percebeu que nada sairia da arma, olhou para nós.
– Ai merda! — Rick exclamou vendo o que tinha acontecido. Ele sorriu amarelo. — E então... Alguém quer jogar X-Box? — perguntou, soltando uma risadinha nervosa.
– EU VOU TE MATAR! — berrei.
– AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. — Rick gritou igual uma menininha e saiu correndo para a escada.
Eu o segui, falando o que iria fazer com ele quando o pegasse. Ah Deus, seria dolorosamente doloroso. Primeiro eu faria ele engolir aquela arma de Paintball e depois atacaria mais vinte rodinhas de skate no cabeção dele, para ele levar mais pontos. E por fim, eu mataria Isabella, por me meter naquela e até estando longe, ferrar comigo; Rick entrou em um quarto, e eu o segui, mas quando entrei lá, me deparei com o nada. Era o quarto do pirralho, todo cheio de carros e roupas sujas. Até parecia o meu... Tirando os carros, que o meu não tinha.
– Rick.... — cantarolei, procurando ele debaixo da cama. — Eu não vou fazer nada com você...
Ouvi a risadinha do mal dele. Ele só tinha vento naquela cabeça, porque era burro suficiente para fazer barulho. Eu segui na direção do armário, que era de onde tinha vindo a risada dele. Abri a porta já me preparando para pegá-lo pela orelha quando...
– AHHHHHHHHHH. — ele berrou, começando a me bater com um martelo que parecia do Chapolin Colorado.
Com o susto, eu cai no chão, e ele aproveitou para me bater mais ainda. E porra, aquela coisa doía demais! Não era como os meus quando eu era criança, que batia e voltava, e até fazia um barulhinho engraçado. Não! Era duro mesmo. Aonde ele tinha arranjado aquilo?!
– PARA COM ISSO! — gritei, tentando me desvencilhar das marteladas. — PARA! ALEC, ME AJUDA AQUI! ALEEEEEEEEEEC!
Eu gritei tanto que achei que iria ficar sem voz, mas por uma boa Katy Perry, Alec apareceu e pegou Rick por trás, prendendo os braços dele. Eu levantei, arrumando a minha roupa, enquanto tentava regularizar minha respiração. Rick se debatia nos braços de Alec, que ria. Meu amigo mudo estava com a cara pintada de amarelo, e seu cabelo preto estava lambuzado para trás, cheio de tinta azul. Estava engraçado, mas eu não podia rir naquela hora. Precisava fazer minha vingança...
– E então, pirralho, cadê sua arma e seu martelo? — perguntei, me aproximando dele.
– Seu idiota! — ele cuspiu na minha cara. — Me solta! Me solta! Minha mãe vai chegar a qualquer momento e vocês vão ver.
– Ah, cala a boca. — mandei, passando a mão direto no meu rosto. — Rick, você é um pirralho morto... — rosnei. — Você vai pagar todos os seus pecados agora com... COSQUINHAS!
– NÃO, PELO AMOR DE DEUS, NÃOOOOOOOOOOO!
Eu comecei a fazer cosquinha na barriga dele, o que fez Rick rir muito. Rir tanto que ele até chorou e mijou nas calças. Eu e Alec começamos a gargalhar, enquanto ele chorava igual a um bebê.
– Eu vou contar tudo para a minha mãe. — falou, caindo sentado no chão quando Alec o soltou.
– Ohhh, tadinho dele. Mi mi mi... — imitei Rick, o que o fez chorar ainda mais. — Além de ser um mijão, é um bebê cho... — fui interrompido por um barulho de porta batendo.
Eu e Alec trocamos um olhar, estranhando, porque só havia nós ali. Foi ai que Rick começou a gargalhar.
– Rick, meu amor, a mamãe chegou. — uma mulher cantarolou.
– Fodeu! — eu e Alec falamos juntos.
Senti um frio na barriga e comecei a tremer. Se a Sra. Mãe do Rick nos visse ali, e ele contasse o que tínhamos acabado de fazer, eu e Alec seriamos dois caras mortos. Tudo bem que a morte dele não importava tanto, mas a minha sim! Eu era novo e gostoso demais para morrer cedo!
– E agora? — perguntei.
– Você se ferraram. — Rick falou, antes de começar a gritar.
Eu tentei tampar a boca do pirralho, e ele acabou mordendo minha mão.
– Seu cachorro! Espero que não tenha raiva. — falei, olhando a mordida que quase rasgara minha pele.
Merda, ia ficar roxo!
– MAMÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!
Alec me cutucou e apontou para a janela, entendi que aquela era nossa única saída, e por isso, fui até lá. Abri e quando olhei para baixo, arregalei os olhos. Era muito alto! Me virei de volta para Alec, que me olhou feio.
– Eu não vou pular isso nem a pau. — falei e ele fechou a mão, pronto para me dar um soco. — Cara, eu tenho fobia de altura!
– Pula logo! — ele falou, me empurrando na direção da janela.
Eu olhei novamente para baixo, calculando a altura e a distancia entre a janela e a piscina.
– RICK, QUERIDO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! — a voz de mulher soou mais perto.
Ela estava no corredor!
Eu coloquei uma perna para fora, e quando estava me preparando para pular, Alec me empurrou e veio junto. Nós dois gritamos até cair dentro da piscina. Alec começou a se apoiar em mim, fazendo eu me afogar. Empurrei ele e emergi, olhando para janela. Rick estava lá, rindo. Eu nadei até a beirada da piscina e sai dela, ajudando Alec a sair também.
– Vamos logo! — eu falei, puxando Alec para a cerca branca que tinha ali.
Não tinha outro lugar para sair a não ser ali, e se a mãe do Rick nos visse... EU NÃO QUERO MORRER! Porque Renée falara para mim quando soube do que Bella fez, que a mãe de Rick virava uma fera quando algo acontecia ao Sr. Cabeça dela. Ela o chamava de meu mundo, o que era engraçado, contando pelo tamanho da cabeça dele...
Eu me apoiei na cerca e pulei. Assim que pisei no quintal do outro lado, junto de Alec, nós ouvimos a risada escandalosa do cabeção. Eu suspirei, anotando mentalmente de que se eu visse aquele pirralho novamente, iria matar ele e foda-se a mãe super protetora.
– É, foi por pouco. — falei e Alec assentiu. — Cara, eu não sabia que trabalhar era cansativo.
– Nem e... — Alec foi interrompido por um latido.
Nós dois viramos lentamente para o lado só para dar com um monstro! Aquele era o cachorro mais grande que eu já tinha visto em toda a minha vida. O cachorro olho fundo nos meus olhos e eu tremi dos pés a cabeça. Ele era preto,e tinha olhos laranjas, quase chegando nos vermelhos. Ótimo, um cachorro vampiro! Ele deu um passo na nossa direção, e nós demos um para trás.
– Não faz movimento brusco. — sussurrei para Alec, que assentiu.
Demos mais um passo para trás e o cachorro rosnou, mas não se mexeu. Demos outro e mais outro, no quarto o cachorro latiu e veio para cima de nós.
– AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. — berramos, saindo correndo pelo quintal e passando por um pequeno corredor para dar com o portão da frente.
Eu aproveitei que estava correndo e peguei impulso, pulando no portão e me preparando para escalar. Era difícil com as mãos suando e sujas de tinta, o que dificultou a escalada. Eu só consegui subir quando eu senti dentes afiados furar a carne da minha bunda gostosa. Aquilo fez eu dar um pulo que fui parar do outro lado do portão. Caí de costas, o que doeu demais. O cachorro ficou latindo para nós, com um pedaço da minha bermuda no dente.
Alec apareceu acima de mim, com uma expressão preocupada. Ele estendeu a mão para mim, me ajudando a levantar. Assim que ficamos em pé, eu me apoiei nele e suspirei.
– É, trabalhar não é fácil. — falei, choramingando. — Vamos pra casa, cara.
Nós seguimos andando lentamente por onde tínhamos vindo. Estávamos sujos de tinta, molhados e eu com metade da minha roupa faltando. Aonde arranjar trabalho daria nisso?! Com certeza Bella deveria ter se saído melhor do que eu, porque ela não se mete em tantas encrencas.
Quando estávamos perto de casa, eu pude ver Bella, Rosalie e o novo vizinho, vindo no final da rua. Minha irmã estava apoiada nos dois, praticamente sendo carregada. Assim que eu e Alec chegamos no quintal da minha casa, nos jogamos lá e suspiramos. Tudo em sincronia, como acontecia desde que nos conhecemos. Eu e Alec não eramos namorados que eram tão ligados para ter os mesmo gestos, mas eramos amigos que tinham os mesmos gestos. E isso não nos tornávamos gay, pra avisar. Eu não namoraria ele se fosse gay, eu me namoraria.
– Grande dia, hein. — falei e ele murmurou alguma coisa que eu não entendi. — Ah, qual é, não foi tão mal. — sorri e com isso ganhei um soco no ombro. — Ok, foi péssimo. — soltei um choramingo.
– Nossa, que estado o de vocês. — Rosalie falou quando se aproximou de nós. — Parece que foram para uma festa infantil aonde usaram vocês como tela para pintar.
Eu choraminguei, odiando a piada sem graça dela.
Senti quando ela e o garoto branquelo jogaram Bella ao meu lado, que se aconchegou no meu peito. Seu cabelo cheirava a laranja.
– Eu odeio você. — ela murmurou, me dando um beliscão.
– Eu também odeio você. — falei, rindo e ela me acompanhou.
Rosalie se sentou ao lado de Bella, sendo acompanhada pelo garoto que era gente boa. E assim nós cinco ficamos ali, todos derrotados.
(...)
Notas finais
Mas esquecendo esse fato chato, eu quero saber o que vocês acharam do capitulo? Bella e Emmett são impossiveis, kkk. E esse Rick Cabeçudo? Só arranja problema para os Swans! Edward tadinho, deve ter ficado muito assustado.
Como falei no capitulo passado e no ultimo de Revista Nerd, fiz um blog : HTTP://SUMLEEFANFICS.BLOGSPOT.COM/ e aviso que segunda feira vou deixar um spoiler do próximo capitulo de Revista Nerd. Então apareçam por lá e comentem se gostarem *-----*
É isso, gatinhas. Cometem bastante e recomendem também, eu ia adorar *-*
Beijoos
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