Aquela Garota
16 Bate-Volta
Notas iniciais
15. Bate-Volta.
Bella POV
– OK, hora de me explicar o que aconteceu lá embaixo! – Rosalie falou pela terceira vez, me seguindo com os olhos enquanto me movia pelo meu quarto.
– O que você viu. – dei de ombros.
Duas batidas soaram na porta, pensei que fosse Renée, mas quando abri encontrei Emmett.
– Quero explicação! – ele disse cruzando os braços.
Eu revirei os olhos e me escorei na porta.
– Sério mesmo, Emm? Você saiu do seu quarto e veio até o meu para saber por que eu e Edward estávamos nos beijando?
– Sim! – ele bateu o pé. – Quero saber por que vocês dois estavam bancando o desentupidor de pia lá fora!
Ouvi Rosalie gargalhar e Emmett bufou, erguendo uma sobrancelha em desafio para mim.
Meu irmão era um completo panaca com complexo de “Vou Bancar o Irmãozão” achando que isso era legal. Só porque ele via nos filmes os irmãos fazendo isso, queria imitar. Qual é, nem Charlie ficava se mordendo de ciúmes desse jeito por mim e Emmett fazia isso? Tudo bem que depois de Jacob ele ficou ainda mais super protetor quando se trata de eu em um “relacionamento”, mas Edward era de confiança. E foi só daquela vez.
Emmett merece uma lição.
Eu olhei para Rosalie, que tinha um sorriso matreiro no rosto e pisquei para ela, que começou a rir. Voltei a encarar meu irmão bobão.
– Certo, Emmett, você quer saber, é isso? – ele assentiu e eu sorri. – Então você vai saber. Eu e Edward estávamos nos pegando daquele jeito porque queríamos saber como é a pegada do outro, entende?
– Isso não é desculpa. Vocês são amigos!
– Com benefícios agora. – pisquei um olho para ele, que arregalou os dele. – Yep, nós decidimos levar isso mais a frente, entende? Eu não quero um namorado, ele também não quer uma, então nós concordamos que vamos ficar juntos enquanto somos amigos e aproveitar enquanto não aparece ninguém. Legal, não é?
– Não! Não é legal! – ele bateu o pé. – Isabella, você não vai fazer isso!
– Eu vou sim. Vou continuar pegando meu amigo gostoso, que tem uma pegada daquelas... – me abanei e Emmett rosnou. – E que pegada. E você não vai poder fazer nada porque você não manda em mim, Emmett. E se você quer saber tudo, então saiba que agora toda noite ou eu vou para o quarto de Edward ou ele vai vim para o meu, porque nós não vamos ficar só nos beijos, não é? Aliás, vai dormir logo porque você está atrapalhando minha fuga para o quarto dele hoje.
Com isso Rosalie gargalhou alto e eu continuei com meu sorriso mais inocente. Emmett parecia tremer de raiva e seu olho esquerdo estava dando umas piscadas tremulas.
– Você não...
– Tchau, Emm! – falei com a minha voz mais inocente e fechei a porta na cara dele. – Vai dormir! – gritei e ele chutou a minha porta com força.
– O que está acontecendo ai em cima?! – Renée perguntou do andar de baixo, mas não obteve resposta.
Eu ergui um dedo para Rosalie calar a boca e esperei por barulho. Os passos pesados de Emmett poderiam fazer a casa tremer, mas foi ele fechando a porta que fez isso. Então eu finalmente pude gargalhar e Rosalie me acompanhou.
– Você é malvada, Bella. Fodeu com a mente do seu irmão. – ela falou, mas nem um pouco preocupada com Emmett.
– Ele mereceu, quem sabe assim para de idiotice. – dei de ombros.
Fui até o meu closet e peguei um pijama. Abaixei o zíper do vestido que ficava do lado e tirei as alças.
– O que você falou para ele, foi sério? – Rosalie perguntou.
– Claro que não. – respondi, rindo. – Sem amigos com benefícios, sem fugas para o quarto um do outro. Foi só daquela vez, Rouss. E nós estávamos nos personagens que criamos.
Tirei o vestido por baixo, colocando-o arrumado em um cabide para depois entregar para mamãe. Vesti o short do pijama, assim como a regata e voltei para o quarto. Rosalie também já havia trocado de roupa e agora estava acendendo um cigarro para ela.
– Janela. – foi à única coisa que eu falei.
Ela revirou os olhos e foi até a minha janela, abrindo para que a fumaça saísse. Renée odiava que eu fumasse, nós discutimos e tudo, mas ela acabou por “aceitar”, contanto que não viciasse. E também que meu quarto não ficasse fedendo. Eu só podia fumar da janela para fora.
– Eu sabia que isso iria acontecer. – ela falou e tragou o cigarro, soltando a fumaça para o lado de fora. – Eu sempre soube, desde o primeiro momento que vocês dois flertaram.
– Porque você me conhece. – falei entediada por que Rose sempre falava aquilo. – Você lembra do nosso segundo tópico?
– Claro que lembro. E não vai acontecer.
– Eu não sei não...
– É mais capaz de vocês dois se pegarem de novo do que estragar a amizade. Bella, quando você ver o Edward, como vai agir?
– Normal. – dei de ombros. – Quero dizer, para mim não teve nada demais nisso. Eu só fiz o que eu queria e ele também.
– Então pronto, resolvido. Esqueça isso e se concentre em outras coisas, que é a melhor coisa que faz. Como essa amizade se tornar uma com benefícios. Vai acontecer. – ela me lançou um sorriso e eu retribuí. – E como é beijar Edward Cullen?
Arregalei os olhos e abri meu maior sorriso, fazendo Rosalie gargalhar.
– A melhor coisa que você pode imaginar. Sério, Edward beija muito bem. Tão bem que eu fiquei puta arrepiada. Aliás, ainda estou só de lembrar. Olha, Rouss! – estiquei meu braço para ela, que fez uma careta. – O que?
– Isso não é arrepio, é tesão. Não vou dormir do seu lado. Prepara o saco de dormir porque você vai dormir no chão.
– Cala a boca! – ataquei um travesseiro nela, que desviou. – Se você não quer dormir do meu lado, você quem vai dormir no saco, e se não gosta dessa ideia, vai dormir na cama de Emmett ou da mamãe.
Rosalie resmungou que preferia dormir do meu lado com tesão do que na cama de Emmett. Se fosse possível achar a cama dele naquele quarto bagunçado.
Ela, que ainda estava fumando, olhou para fora e fez uma careta.
– Que porra é aquela? É... Hey, Bella, vem ver isso. – ela gargalhou alto, jogando a cabeça para trás. – Eu não acredito nisso.
– O que foi? – corri até a varanda e olhei para o quintal. – Emmett está de brincadeira comigo, não é?
Meu irmão estava com o pijama da Katy Perry que ele dormia todas as noites – muito gay para um cara daquele tamanho. Ele montava a nossa barraca da acampar, soltando alguns resmungos.
– O que você está fazendo, babaca? – gritei e ele me olhou com raiva. – Ficou louco?
– Nem você nem Edward vão ficar no mesmo quarto essa noite! – gritou para mim. – Não enquanto eu estiver aqui e vivo!
Rosalie estava rindo tanto que não aguentava nem respirar, ao meu lado. E eu estava de boca aberta. Eu tinha fodido ainda mais com a cabeça do meu irmão e agora ele estava louco. Com certeza ele estava assistindo filmes adolescente demais em que irmãos mais velhos cuidavam das irmãs ou lendo histórias na internet, porque nunca vi ele agir com tanto absurdo quanto aquilo. Montar uma barraca no meio do quintal para impedir que eu fosse para o quarto do carinha que eu beijei? Nunca!
– Você é doido. – foi o que falei e ele bufou. – É sério, Emmett, você é muito doido. Se mamãe souber que você ficou chapado e está...
– Eu não estou chapado. – rosnou. – Eu só estou cuidando de você.
– Cara, você surtou legal. – Rosalie falou, soltando risada entre uma palavra e outra.
– Cala a boca, Rosalie. – Emmett mandou e ela ficou de boca aberta.
Emmett tratar Rosalie assim? É caso de emergência mesmo. Meu irmão estava doido.
– Que porra está acontecendo ai? – aquela voz rouca do meu vizinho gostoso que há poucos minutos estava com a boca junto a minha falou.
– Você! – Emmett virou para Edward, apontando o dedo. O ruivo franziu as sobrancelhas. – Seus planos de ir para o quarto da Bella essa noite estão acabados!
– O que?
– Ele descobriu, Edward. – falei e Edward estava com aquela expressão. Você sabe, a que parece que ele esta me achando anormal. – Hoje não vai dar para eu ir pro seu quarto.
Sim, eu era o capeta, porque eu estava atiçando ainda mais a loucura do meu irmão.
– Você... Ia vir para o meu quarto? – perguntou e eu pisquei um olho para ele, que me lançou um sorriso malicioso. – Ah sim, você ia.
– Eu ia. – assenti, com os olhos presos no peito sem camisa dele. – Eu ia. – murmurei novamente.
Olhando para Edward daquele jeito, sem camisa e ainda com a calça do terno, eu estava pensando seriamente mesmo em achar um jeito de ir para o quarto dele naquela noite.
– Mas não vai mais! – Emmett gritou. Mesmo de longe eu posso jurar que via uma veia saltar em sua testa. – Não comigo aqui. E se vocês dois tentarem... Ah, se tentarem... – e deixou a ameaça no ar.
Emmett rosnou para Edward, apontando com dois dedos para os olhos e para o meu vizinho, no típico sinal de “estou de olho”. E por fim, ele entrou na barraca que havia arrumado para dormir, gritando um “boa noite” furioso. Edward, Rosalie e eu ficamos alguns segundos ali parados sem acreditar naquilo, até então cair na gargalhada.
– Sua família é uma peça, Bella! – Rosalie bateu no meu ombro. – É por isso que amo os Swan.
– Nós também te amamos, Rosalie. – falei.
– Bem... – ela jogou o resto do cigarro apagado no quintal e eu lhe lancei um olhar furioso, que ela soube muito bem ignorar. – Depois dessa posso ir dormir. Boa noite, Edward.
– Boa noite, Rosalie. – ela acenou.
Ela entrou, dando um tapa nas minhas costas. Eu me virei para Edward, sorrindo.
– Nós vamos correr amanha? – perguntei.
– Como todo final de semana.
Assenti, mordendo o lábio inferior.
– Então até amanha, vizinho. E sonha comigo. – pisquei um olho para ele antes de entrar, ouvindo sua gargalhada.
Me joguei na minha cama, suspirando. Eu ia sonhar com meu vizinho sem camisa e me beijando.
– Bella? – Rosalie chamou.
– Oi?
– Sai de perto de mim. – ela murmurou baixinho.
– Por quê? – franzi o cenho.
– Você está com tesão por Edward.
Eu lhe dei uma cotovelada nas costelas, ouvindo seu gemido de dor, o que me deixou ainda mais feliz para dormir.
Naquela manhã, eu acordei cedo, de proposito dando um empurrão na Rosalie.
– Sua desgraçada... – ela resmungou, rolando na cama. – Patricinha do caralho... Eu vou te matar com esse brilho labial... Minha mãe vai te matar, maldita...
Isso comprovou que ela não havia acordado. Rindo, segui para meu banheiro, aonde me aprontei para correr com Edward. De regata, short de moletom e tênis de corrida, eu prendi meu cabelo em cima. Dei uma espiada em Emmett, que estava com metade do corpo para fora da barraca e sorri quando tive uma grande ideia.
– Rosalie... – a cutuquei. – Rouss...
– Eu sei lutar kong fu... Vou acabar com a sua cara...
– Rosalie, acorda! – balancei ela.
– Oh, assim... É assim que vou socar você...
– Mas que porra que você está sonhando? – fiz uma careta. – Não importa. Você tem que acordar agora. – empurrei ela.
– Não quero!
– Vamos lá, Rosalie!
– Sai daqui! – Rosalie virou na cama e meteu a mão na minha cara, fazendo um estalo. A vagabunda começou a rir. – Merecido.
– Vai se ferrar! – a empurrei com força, fazendo-a cair na cama. Soltei uma risada falsa, imitando ela. – Merecido.
– Idiota. – gemeu do chão. – O que você quer? Eu não vou correr com você, não precisa me acordar...
Fui até ela no chão e a peguei pelos braços, começando a puxa-la em direção à varanda apesar dos seus protestos de dor.
– Não é... Isso. – puxei e ela gemeu. – Eu quero... Que você veja... Uma coisa. – a joguei com força no chão e suspirei. – Caramba Rosalie, você precisa correr um pouco. Está muito pesada.
– Morre, Bella. – murmurou com a cara enfiada no chão.
– Você não saberia viver sem mim. – falei o óbvio. – Agora fica ai e não dorme, ok? Logo você vai ter uma surpresa.
Deixei Rosalie jogada na varanda e desci para a cozinha. Não havia nenhum sinal de que Renée houvesse passado ali, então deduzi que a noite de pensamentos tumultuados para mamãe foi longa. Aproveitei que estava sozinha e que iria correr para gastar energia, decidi comer algo com bastante açúcar.
Peguei os Pop-Tarts recheados do Emmett, que ele achava que estavam escondidos, mas que eu sabia muito bem onde ficavam. Comendo um, fui para o quintal, parando bem ao lado da mangueira. Calmamente, peguei e rodei o registro, abrindo.
– É hora de eu me vingar, Emmett Swan. – murmurei e maldosamente joguei água na cara do meu irmão.
Foi impagável a cena de ver meu irmão se afogando com a água. Ele gritava desesperadamente se debatendo como um peixe fora d’água, mas ele era ao contrário. Eu estava rindo tanto que tive que me apoiar nos joelhos para não cair no chão. Ao longe podia ouvir a risada de Rosalie.
– Socorro! Estou morrendo! – meu irmão berrava. Eu diminuí a água, deixando-o respirar. Ele olhou para os lados até seus olhos encontrarem os meus. – Sua... Sua... Bella!
– Espero que tenha gostado do banho, maninho. – murmurei docemente. – Agora preciso ir. Tchau!
Lhe dei as costas, rindo.
A vingança era deliciosa.
– Eu vou acabar com você, Bella! – ele gritou e eu pude ouvir seus movimentos ao levantar.
Sabia que se ele viesse nós entraríamos em uma briga, e esperei que ele me alcançasse, mas meus planos foram por água a baixo quando Renée apareceu no topo das escadas, furiosa.
– O que está acontecendo aqui?
– Eu estou indo correr com Edward, mãe. Estou atrasada. – fui para a porta. – Pergunta para o afogado Emmett Swan, ele vai saber responder. – apontei para meu irmão ensopado que entrava na sala. – Até depois.
Sai de casa ouvindo Emmett me xingando e Renée brigando com ele por molhar a casa. Eu tive que parar para rir, até jogando a cabeça para trás como aqueles vilões dos desenhos animados. Eu adorava maldades.
– Você aprontou.
Eu abri os olhos, olhando para Edward, que estava parado na minha frente. Estava tão presa na minha felicidade pela maldade que nem ouvi sua aproximação. Me ajeitei, colocando as mãos na cintura e dando meu sorriso mais inocente.
– De onde você tirou isso?
– Dos gritos que veio da sua casa? De sua risada? Eu já lhe conheço, Bella. – ele estalou a língua.
– Pois é. – dei de ombros. – Eu aprontei. Fiz Emmett pagar pela vez que jogou água na minha cara.
– Você é cruel. – brincou e nós rimos. – Vamos?
– Vamos. – eu peguei a mão dele e o puxei, querendo gastar logo energia.
Nós dois corremos por uma hora completa pela praia, parando por alguns minutos sentados no banco, conversando banalidades como sempre fazíamos. Ele me contou que Alec trouxe Renesmee minutos depois que nos entramos, e que eles dois estavam muito sorridentes – havia aquela pontinha de ciúmes na sua voz. Eu lhe expliquei o porquê de Emmett ter dormido no quintal, fazendo Edward rir e maliciosamente brincar que era uma boa ideia a de nós irmos para o quarto um do outro.
Foi nesse momento que eu percebi que nossa amizade não estava afetada em nada depois do beijo, que ainda seriamos amigos como sempre fomos desde que nos conhecemos melhor. E foi como tirar um peso de receio dos meus ombros, me deixando mais leve. Isso até me fez perguntar se assim poderia acontecer outro beijo, porque depois daquele, a vontade de ter mais era maior. Ainda maior que antes de termos nos beijado e só ficarmos nos flertes.
Depois de corrermos, nós voltamos para casa e eu fiz Rosalie, preguiçosa que ainda estava dormindo, me ajudar a arrumar meu quarto.
– Nunca mais vi você pintando. – Rosalie comentou quando ajeitamos o canto que estava minhas tintas, pinceis e a tela.
– É mesmo. – murmurei tristemente, olhando para a tela. – É como se não tivesse mais tempo.
– Agora você tem antes de ter que ir para a lanchonete. Que tal pintar algo? – ela jogou para mim um pincel. – Se você fosse um Leonardo DiCaprio, eu até deixava você me pintar nua.
– Se você fosse uma Kate Elizabeth, eu poderia pensar em te pintar. – retruquei e ela riu.
– Estou falando sério. Está na hora de você colocar umas ideias para fora.
Rosalie me deixou sozinha no quarto, falando que ia procurar algo para comermos. Eu fiquei de frente para o cavalete e olhei para a tela a minha frente e depois para as tintas, já imaginando algo para pintar que iria fazer Rosalie rir. Logo comecei com a tinta rosa, rindo comigo mesma.
Eu adorava desenhar e pintar. Era um passatempo que a minha psicóloga me mandou começar a fazer e sempre tentar terminar. Um desafio a cada semana. No final do mês eu tinha que levar quatro quadros completos para ela. No começo foi difícil, e no mínimo dois iam pela metade, mas depois de muito esforço consegui levar os quatros, deixando-a feliz, assim como Renée. Desde então eu gostava de pintar e sempre tentava completar algo até o final sem me distrair.
Eu passei aquela manhã pintando, ouvindo Emmett soltar umas cantadas para Rosalie tentando leva-la para seu quarto e ela o xingando. Quando passou do meio-dia, troquei de roupa e fui para a lanchonete.
Jasper já estava lá e tinha acabado de abrir. Eu o cumprimentei e quando comecei a colocar o avental, o Walter apareceu me pegando pelo braço e me arrastando para o escritório dele. A decoração daquele lugar era tão ou mais brega que as roupas do Walter.
– O que está pegando agora? – perguntei e ele fez uma careta.
– Está “pegando” – fez aspas com as mãos. – que hoje vamos começar nossas aulas de etiqueta.
– Sério? – fiz uma careta. – Não pode esquecer isso como fez todos esses dias?
– Não. Hoje é sério e vai acontecer.
Walter sentou em sua cadeira de couro e apontou para a cadeira estofada na frente, indicando que eu me sentasse. Eu me joguei ali, e ele fez uma careta.
– O que? – perguntei.
– Sente-se como uma dama, Isabella. Cruze as pernas e fique com a postura ereta. Seja uma dama.
Eu revirei os olhos, não acreditando que aquilo ia mesmo acontecer comigo hoje. Justo hoje que eu estava no meu melhor humor. Mesmo odiando aquilo, eu fiz o que Walter pediu, ajeitando minha postura e cruzando as pernas.
– Feliz agora? – soltei sarcástica e ele assentiu. – Walter, isso tudo é um exagero. Larga de idiotice e me deixa ir trabalhar logo.
– Você fala como um garoto.
Eu suspirei, querendo chorar. Deus me odiava naquele momento.
– Talvez porque eu seja um garoto no corpo de uma garota, ok? Então eu não tenho concerto, não posso agir como uma dama e não vou virar boiola porque não tenho um pênis no meio das pernas!
– Não fale assim, Isabella. – seu tom foi de repreensão. – Uma dama não fala dessa forma.
– Certo. – cruzei os braços. – Então vou falar de uma forma que dama fala para você entender. Eu sou um garoto no corpo de uma garota. – falei lentamente. – E eu sou uma pessoa irredutível e sem concerto, Sr. Walter. Perdoe-me, mas não posso agir como uma dama que o senhor deseja e não vou virar um homem com transtorno feminino porque não tenho uma genitália masculina no meio de minhas pernas. Entendeu agora?
Walter ficou me encarando por alguns minutos e eu suspirei. Eu estava mais do que ferrada.
– Está certo! – ergui as mãos. – Posso então ter um amigo aqui comigo como apoio, já que vou passar por uma grande mudança?
– É o seu garoto paquera? – Walter perguntou animado.
– Er... É ele. – assenti, estranhando sua reação. – Posso?
– Chame-o logo.
Peguei aquele celular velho que Renée havia deixado comigo e enviei uma mensagem para Edward.
SOS. Preciso de você aqui na CY, vizinho. Por favor. :(
Enquanto a resposta não chegava, olhei para Walter, que estava me encarando. Ele ergueu uma sobrancelha e eu percebi que tinha desfeito a pose. Voltei a cruzar as pernas e ajeitar as costas. Logo meu celular vibrou.
O que aconteceu? Estou indo.
Enviei uma resposta.
Walter está me torturando com todos os tipos de objetos. Nada como Christian Grey, é pior. Vem me salvar. LOGO!
Não estava nem um pouco exagerando. Eu preferia ser torturada pelo Grey a ter que se tornar uma dama perfeita metida como Tânia era, cheia de não me toque. Eu gostava de mim daquela forma porque era mais fácil de lidar com as pessoas e Walter queria me mudar. Quando aceitei esse trato, não pensei que fosse tão chato.
– E então? – Walter perguntou.
– Ele está vindo.
Nós dois ficamos em silêncio até Edward chegar, passando pela porta tão rápido e tão ofegante que eu soube de cara que ele veio correndo. Ele olhou de mim para o Walter, vendo que estávamos os dois sentados com expressões surpresa e fez uma cara para mim de “Você mentiu, Bella!” Saltitei até ele, o abraçando antes que ele ficasse nervoso por eu ser uma exagerada.
– Que bom que você veio, Edward. – falei com a minha voz mais doce, encostando meu rosto em seu peito.
Aquilo pareceu desarmar meu vizinho, que acariciou minhas costas. Eu estava perdoada.
– Agora que seu paquera está aqui, vamos começar as aulas. – Walter ficou de pé e foi até a estante de livros dele. – Primeiro vamos melhorar sua forma de caminhar.
– O que tem de errado com o jeito que eu caminho? – me afastei de Edward e cruzei os braços.
– Tudo. Você anda parecendo um marginal do gueto. – ele me lançou um olhar irônico, ignorando minha expressão de incredulidade. Edward ao meu lado soltou um risinho. – Agora coloque esse livro na cabeça e tente andar.
– Não vou fazer isso! – ergui meu queixo.
– Vai sim!
Walter me pegou pelo braço, me colocando no meio da sala e colocou o livro em cima da minha cabeça, me empurrando para andar. Isso era uma droga, e foi por esse motivo que eu nem me esforcei em fazer o que Walter mandava. Ele bufava cada vez que o livro caia e Edward assistia tudo, se divertindo com a minha cara.
Talvez, chamar meu vizinho que o Walter falava ser o meu paquera, fosse uma péssima ideia. Eu estava servindo de palhaça para ele.
– Assim não, Isabella!
– É Bella, porra! – explodi, jogando o livro longe. – Eu já disse que é para me chamar de Bella. Bel-la. Bella. Bella. Bella. Bella. – cantarolei e aquilo fez Edward cair na gargalhada. Eu o ignorei. – Se você me chamar de Isabella novamente, Walter, eu vou embora daqui!
– E perde emprego. – Walter ergueu a sobrancelha.
Fechei os olhos em fenda.
– Você está me ameaçando? – perguntei e ele imitou meu gesto de fechar os olhos em fenda.
– Entenda como você quiser, Isabella, mas você perderá o emprego.
Nós nos encaramos por alguns segundos, olho no olho, numa luta de quem desistia primeiro. Edward continuava rindo da minha desgraça e tive vontade de acertar meu tênis na cabeça dele para ver se ele parava com aquilo e me ajudava.
– Ótimo! – joguei os braços para cima. – Me despeça, faça o que bem quiser, mas eu não vou ficar aqui sofrendo esses abusos na minha personalidade e ainda mais sendo chamada de Isabella. A culpa disso é daquela velha maluca que era minha avó, que se envolveu com um italiano. Você acredita que ela tinha um amante, Walter? A velha devia ser fogo.
– Sua avó tinha um amante? – ele arregalou os olhos.
– Tinha. Era um italiano, que pelo que minha mãe me contou, ela conheceu quando estava de férias com vovô na Itália. Então eles tiveram um caso daqueles, muito romântico e digno de filme. Minha velha amava meu avô, mas procurava uma aventura. Ele era rico e a levava para festas elegantes.
– Cheias de classe?
– Sim. – assenti, suspirando. – Então por isso ela convenceu minha mãe colocar meu nome de Isabella. E é tão sério, tão formal quando as pessoas me chamam de Isabella, que eu não gosto. Prefiro Bella, que é apelido, informal e não parece nome de velha. – revirei os olhos.
– Entendo. – Walter assentiu, sorrindo. – Então vou começar a lhe chamar de Bella, apesar de Isabella ser mais preferível.
– Sério que acabou a briga? – Edward se intrometeu. – Tudo acabou em tocar na avó adultera de Bella?
– Hey, respeito! – bati no braço dele. – Minha avó era uma mulher de respeito, só procurava uma aventura. – defendi.
Edward me lançou um olhar de “sério?” e eu bufei. Minha avó era legal, e ela só procurava diversão, apenas isso.
– Certo, vamos continuar com a nossa aula. Bella, pegue o livro e volte a andar.
Soltei um suspiro irritado, achando que aquela frescura tinha acabado. Fui até o canto da sala e peguei o livro, colocando na cabeça o maldito livro e novamente irritando Walter sem demonstrar sucesso no que ele pedia.
– Você está fazendo de proposito. – Edward sussurrou no meu ouvido quando Walter saiu da sala para respirar depois de se estressar comigo.
– O que você acha? – lhe lancei meu olhar mais matreiro e nós rimos. – Eu não vou mudar porque o Walter não aguenta meu jeito. Se ele me quiser trabalhando para ele, vai ser assim.
– Eu gosto de você assim. – ele sorriu malicioso.
– Eu sei disso, vizinho. – passei minha mão na perna dele e mordi meu lábio inferior.
Nós dois trocamos aquele olhar de flerte. E eu não pude impedir minha mente de trabalhar em me lembrar do beijo que havíamos trocado ontem à noite.
– Pronto! – Walter entrou na sala, me assustando. – Estou pronto para a próxima rodada.
– E qual será? – cruzei os braços na frente do peito. – Vai me ensinar como devo respirar? Piscar?
– Não é uma má ideia, já que tudo que você faz é errado.
– Isso é abuso! – Edward se interveio na minha salvação. – Não pode falar assim dela.
Walter era um cara grandão que usava roupas rosa se achando a dama requintada – o que fazia eu me questionar se ele era gay, mas Jasper me disse que ele era casado e tinha uma filha. Apesar de isso não diminuir minhas suspeitas, para mim só era um gay assumido. Mas apesar disso, ele era um tremendo chefe chato e babaca que só era legal quando nos dava moleza do trabalho e pagava nosso salário. Apenas isso. De resto ele sempre falava de mim e de Jasper, então estávamos acostumados.
– Seu paquera está lhe defendendo, Bella. – Walter sorriu para o Edward. – Tanto faz, garoto. Agora você vai aprender a se sentar.
– Eu já sei. – fui até uma cadeira e me joguei nela. – Viu?
– Sente-se corretamente, Bella. Como uma dama.
Eu me ajeitei, encostado as costas de forma certa no encosto.
– Queria saber para que tudo isso, Walter... – cruzei as pernas, ajeitando meu short. – Eu não ando nesses lugares que andam as damas que você conhece. Eu apenas ando com pessoas como eu que não se importam com a forma que eu me sento. É desnecessário.
– Não é desnecessário quando você ficar mais velha, Bella, e ter que abandonar essa vida de adolescente e se tornar uma mulher, terá que agir como uma, e não como um garoto.
– Eu vou ser médica, não secretária ou empresaria ou algo assim.
– Mesmo assim, Bella. Você irá para conferencias, irá para festas, e terá que se portar como uma dama. Um dia tudo que estou lhe ensinando vai servir, acredite em mim. – ele tocou meus ombros e os deixou retos. – Agora, vamos conversar.
– Estamos conversando. – revirei os olhos.
– Eu quero ver até aonde você consegue não usar seus palavreados chulos. – ele se sentou na poltrona a minha frente. – Me conte sobre você, Isabella.
– É Bella, Walter. Você já entendeu isso, merda. – bufei.
– Nem um minuto. – Walter suspirou. – Vai ser uma longa tarde.
– Ugh. – eu gemi fazendo uma careta. – Longa tarde?
– Longa tarde.
– Ótimo. – bufei. – Vamos logo continuar com isso, antes que eu me irrite pra cacete.
– Longa tarde... – Edward cantarolou ao meu lado.
.
.
– Estou faminta. – apertei minha barriga e fiz uma careta. – Posso denunciar Walter por abuso de poder, Edward?
– Podemos tentar. – ele passou um braço por cima do meu ombro.
Eu o abracei pela cintura, me encostando a ele. Já estava começando a anoitecer, o céu estava em tom purpura com o sol descendo e se escondendo atrás do mar. Walter tinha nos trancado naquela sala até àquela hora, me deixando passar fome até aguentar conversar por meia hora sem falar um palavrão. Quando ele me liberou, na porta eu falei um palavrão com gosto e saí de lá correndo antes que ele voltasse a me prender.
– Que tal passarmos na Rose, ela provavelmente já deve estar no barraco dela. – sugeri.
– Vamos lá.
Nós viramos a rua que dava para a casa de Rosalie. A loira estava lá mesmo, deitada de pernas para cima assistindo TV e comendo um prato grande de macarrão com queijo. Quando entramos, sem nem bater, eu me joguei em cima dela e peguei o prato de sua mão, comendo com vontade.
– Hey! – ela tentou arrancar o prato da minha mão, mas eu desviei. – Que folga é essa?
– Eu estou morrendo de fome. Sinto meu estomago seco e atingindo minhas costas. Então cala a boca e vai fazer mais macarrão com queijo porque estou necessitada de mais.
Edward, que tinha ido na direção da cozinha, voltou com um garfo e começou do macarrão comigo. Rosalie olhava tudo de olhos arregalados.
– Que ousadia é essa na minha casa? Devolvam meu prato!
– Rosalie, cala a boca e vai preparar mais. – Edward mandou distraidamente olhando para a TV.
Rosalie olhou para mim e eu fiz sinal com a mão para que ela fosse, ficando do lado de Edward. Ela bufou, resmungou, mas foi fazer mais comida para nós.
– Ela é bem obediente. – Edward murmurou.
– Uh hum. É sim. – concordei.
Até Rosalie voltar com mais macarrão com queijo, Edward e eu já tínhamos acabado com aquele. Então, nós três dividimos o sofá e comemos o macarrão como também os salgadinhos que ela tinha escondido. No final do dia, nós estávamos cheios de gordos e capotados naquele sofá um em cima do outro, prontos para tirar uma soneca com um filme chato passando na TV.
Edward POV
– Então quer dizer que a noite do baile rendeu algo? – Brad me cutucou e eu franzi o cenho. – O que?
– Você parece uma garota, Brad. Precisa se controlar, cara. Conselho de amigo.
– Idiota. – ele me deu um soco no ombro. – Eu apenas ouvi Emmett xingando você na aula... Todos os dias até hoje depois do baile. Eu tenho o direito de falar depois de ouvir tanto.
– Oh porra. – gemi em frustração.
Emmett estava mesmo irritado que eu havia beijado a irmã dele. Apenas um beijo e ele tratava como se nós tivéssemos transado na varanda. Tudo bem que eu o entendi porque também era protetor com a Nessie, mas ele era mais exagerado que eu. Não havia proferido uma palavra para mim desde o dia do baile, e isso já fazia duas semanas. Nós convivíamos no mesmo grupo de amigos, como ele aguentava isso?
– Você sabe que isso não ameniza que você ainda parece uma garota fofoqueira, não é? – me virei para Brad e ele só bufou. – Não rendeu nada. Pelo menos nada do que ele está falando.
Eu nem sabia o que era, mas imaginava que devia estar fazendo um exagero. Ele era irmão da Bella, os dois tinham o mesmo gênio e sabiam fazer o mesmo drama.
– Então você está querendo dizer que rendeu alguma coisa? – ele sorriu malicioso e eu dei de ombros. – Eu sabia que isso ia acontecer!
Eu não comentei nada, o deixando soltar os comentários de que minha amizade com Bella era mais que obvio que ficava acima de amizade. Nós tínhamos “aquilo” que nos atraia um para o outro. E eu não podia negar, afinal era a mais pura verdade. Eu achava que depois de nós nos beijarmos talvez passasse um pouco, mas foi ao contrário. Antes, quando estávamos perto e flertando nós conseguíamos nos controlar sem muito esforço, e agora... Agora eu precisava de muito esforço para não agarrar a minha vizinha e não fazer o que minha mente manda.
– Edward!
Eu olhei para trás ao ouvir alguém me gritar, e me surpreendi por ser Emmett, com Alec ao seu lado. Isso não podia ser algo bom. E não era só porque ele não falava comigo fazia duas semanas, mas porque eram os dois, e a primeira vez que os dois estavam juntos e falaram comigo, eu quase fui morto por um cara gigante mutante que se não fosse por Bella botar medo nele falando que ia fazer algo contra ele caso encostasse um dedo em mim, eu estaria morto.
Então, decidido a ignorar eles dois, continuei andando. Brad, ao meu lado, estranhou.
– Cara, eles estão te chamando.
– Não. Não é coisa boa.
Pude ouvir seus gritos mais próximos e acelerei meus passos. Eu não podia correr naquele corredor com uma inspetora velha e chata me encarando.
– Edward, porra! – Emmett gritou mais perto e agarrou meu braço. – Eu preciso falar com você.
– Qual é, Emmett. – resmunguei.
Porque aquela velha não tinha brigado com ele por correr no corredor?
– Mas o negocio é sério. – ele olhou para os dois lados. – E secreto.
– Então não. Se é secreto e sério quer dizer que é furada. E eu não quero me meter em furada com vocês dois. – apontei para eles, que tinham expressões teatrais de ofendidos. – Vocês sabem que é verdade.
– Mas você tem que participar desse negócio! – Emmett bateu o pé. – É bastante sério, Edward.
– Não.
– Edward!
– Não!
– Qual é, Edward! – Alec falou e nós três viramos para ele, que deu de ombros. – Estou tentando ajudar.
– Não. Não. E não. – soltei com raiva e continuei andando, mas Emmett me pegou pelo braço. – Emmett, não.
– É sobre Bella.
O nome dela me fez parar automaticamente e olha-lo. Isso trouxe um sorriso para seu rosto.
– O que Bella tem haver com o que vocês vão aprontar? Se for algo contra ela, esqueça da minha ajuda. – cruzei os braços diante do peito.
Brad, Alec e Emmett estavam na minha frente. Brad estava confuso com tudo aquilo, Alec tinha a expressão de mais ou menos de sempre e Emmett sorria, sabendo que tinha minha total atenção quando o assunto era sobre Bella.
– Ele é super protetor com ela, não é? – Brad perguntou para o Alec, que assentiu.
– Fala logo, Emmett! – ignorei os outros dois.
– É secreto... – ele olhou para Brad, que franziu o cenho. – Isso significa que você não está envolvido.
– Sério? Que droga. Eu gosto de bagunça. – Brad resmungou e começou a se afastar, mas Emmett o chamou.
– Você gosta de bagunça?
– Sim. Muita.
– Desde quando? – Alec ergueu uma sobrancelha.
Eu não sabia o havia acontecido com Bella e Brad, mas isso parecia não se estender para Emmett. Então isso me fez excluir da lista qualquer envolvimento amoroso que pudesse ter acontecido, afinal, se ele tivesse magoado Bella, duvido muito que Emmett o trataria assim.
– Desde que participei de algumas. – Brad deu de ombros.
Emmett sorriu.
– Então chega mais. Porque aqui, com nós, é só bagunça.
O sorriso do Brad foi enorme quando ele voltou, se juntando a Alec e Emmett. Agora eu tinha três babacas na minha frente tentando me convencer a participar do “negócio” do Emmett que envolvia Bella – e um desses três nem sabia o que era.
– Edward – Emmett começou a falar -, acontece que Alec e eu decidimos fazer uma surpresa para Bella.
– Que surpresa? E pra que?
– Ué... Eu sou o irmão dela e a amo, acho que Bella merece uma surpresa. – lhe lancei meu olhar de “não caio nessa” e ele suspirou. – Tá legal, Edward. Acontece que eu decidi que preciso ser um irmão melhor para Bella, entende? Eu cansei de brigar com ela, sendo que eu quem deveria cuidar dela. Então, para me redimir, decidi gravar vídeos dela fazendo algumas coisas aonde vou me declarar para ela dizendo o quanto a amo e cada coisa doida que ela faz.
– Você está tirando uma com a minha cara.
– Eu não estou! – ele jogou as mãos para cima. – É idiota, mas acredita em mim, é a verdade. Eu não queria dizer por que isso é muito boiola, mas já que só assim vou convencer você, então...
Eu o encarei, vendo se era mentira, mas Emmett continuou com uma expressão inocente demais para meu gosto. Eu sabia que sem mim ele faria aquilo do mesmo jeito, então decidi fingir que acredito naquilo para quem sabe impedir que ele fizesse algum mal para Bella. Estava ciente já que ele tentaria se vingar da Bella depois de ela ter lhe dado um banho de mangueira quando ele estava dormindo, e provavelmente essa era a vingança.
– Está certo, acredito em você. – menti. – Vamos fazer o que você quer fazer. É só falar.
Emmett explicou para mim e para Brad quais eram seus planos, que começariam hoje na lanchonete. Ele pediu que todos nós fossemos para lá depois do treino e eu concordei.
Depois disso eles me liberaram para que eu continuasse indo para aula, atrasado agora.
.
– Está tudo certo, garotos. Podem parar por hoje. – o treinador assoprou o apito irritante, encerrando o treino do dia.
Brad e eu estávamos sentados na arquibancada, descansando.
– Você acha que é sério o negocio do Emmett? – ele perguntou.
– Não. Ele vai aprontar para cima da Bella. Os dois vivem no bate-volta de todo dia. Ela bateu, ele vai voltar.
– Eles nunca mudam. – Brad riu.
Isso era coisa de irmãos, apesar de Renesmee e eu não sermos muito assim. Nós tínhamos nossos desentendimentos, mas nunca havíamos feito um bate-volta como Bella e Emmett faziam. Admito que me divertia, ainda mais quando Emmett quem se dava mal.
– Semana que vem começa o campeonato de natação, pessoal. – o treinador chamou nossa atenção. – Cullen, Scott e Collin, vocês iniciam. – ele apontou para nós e saiu.
– Ele gostou de você, Cullen. – Brad bateu no meu ombro. – Já te colocou no começo.
Eu sorri. Estava dando mais do que certo para eu mostrar pra Carlisle que ele podia ter confiança em mim novamente. Que eu ainda podia lhe dar orgulho.
Nós nos trocamos e fomos para a lanchonete. Bella estava lá, apoiada no balcão com a expressão entediada e olhando para fora. Ela murmurava algo de vez em quando, suspirando. Eu me aproximei, tocando seus cabelos presos em cima. Quando viu que era eu, ela sorriu animada.
– Finalmente alguém para me divertir.
– Cadê Jasper? – perguntei olhando para os lados e não o encontrando.
– Precisou sair para fazer algumas coisas. Só aceitei porque ele disse que assim me liberaria mais cedo e também porque hoje o movimento esta parado, praticamente. – ela apontou para as mesas vazias. – O dia está um tédio, Edward. Não aguento mais.
– Eu estou para te salvar, baby. – brinquei e ela riu. – O que você tem em mente para fazermos enquanto não tem nenhum cliente?
Ela sorriu maliciosamente e indicou com a cabeça uma porta que ficava atrás do balcão.
– Tem o armário de vassouras, eu percebi que da para duas pessoas. O que acha? – ela mexeu as sobrancelhas em sugestão.
– Hmmm. Acho ótimo. – eu retribui o sorriso. Me virei para Brad, que estava quieto demais. – Você poderia ficar de olho por enquanto aqui, Brad?
Ele arregalou os olhos.
– Bem... Se vocês quiserem... – ele gaguejou.
Sim, eu queria e muito, mas sabia que era apenas mais umas das varias brincadeiras que Bella e eu fazíamos para flertar. Eu dei um tapa no ombro de Brad, rindo e sendo seguido por Bella. A cara dele estava hilária.
Hoje ela estava de bom humor, pois não havia implicado com o Brad. Emmett e Alec apareceram depois de um tempo, me chamando para ir no Tijela – e Emmett piscou um olho para que eu entendesse que era mentira. Me despedi de Bella, que fez uma expressão desolada para que eu ficasse, e eu ate iria se Emmett não me puxasse para fora a força.
– Você tem que parar de fazer tudo que minha irmã pede. – ele rosnou.
– Somos amigos. Amigos fazem isso. – dei de ombros.
– Sei...
– E então, o que vamos fazer? – Brad veio ao meu socorro.
– Vamos filmar Bella nos piores momentos dela. – Alec mostrou a câmera que ele tinha na mão. – Começando por agora...
Ele mirou a câmera na direção da Bella, que parecia estar conversando sozinha na lanchonete, fazendo caras e bocas hilárias.
Deus, essa garota não existe!
(...)
– Certo... – Emmett murmurou ao ajeitar a câmera. – Nós já gravamos Bella em seu lugar de trabalho, já gravamos como ela fica depois de Edward se despedir quando eles finalmente terminam de flertar – sua voz foi de desprezo e eu revirei os olhos. – e agora vamos pegar Bella em seu habitat natural... Sozinha...
Nós estávamos todos na cozinha, aonde Bella decidiu não aparecer ainda para a sorte de Emmett e nossa. Ela não sabia que estávamos ali, achava que estava sozinha em casa. Emmett disse que íamos nos surpreender com o que ela fazia quando estava sozinha.
– Não é nada ilegal, é? – Brad perguntou e eu lhe dei um cutucão. – O que?
– Bella não faz coisas ilegais. – a defendi. – O que ela vai fazer, Emmett?
Ouvimos passos no corredor. Ela estava vindo.
– Espere e verá.
Ele posicionou a câmera na direção da sala, para a TV, mais especificamente. Não dava para Bella nos ver se ela não virasse para a cozinha, então estávamos salvos. Eu estava curioso para saber o que Bella iria fazer, já que Emmett não falava. Alec apenas ria toda vez que alguém perguntava.
Bella desceu as escadas correndo, aparecendo na nossa visão usando um short de moletom curto e uma camiseta. Ela olhou na direção da cozinha e nós tivemos que nos esconder.
– Mãe? Emm?
Ficamos em silencio e quando ouvimos passos se afastando, olhamos. Bella tinha ido para o meio da sala, sorrindo alegremente. Ela ligou a grande TV e o XBOX do Emmett.
Bella jogava videogame? Era isso? Não era nada estranho como tudo que tínhamos filmado. Era normal, qualquer garota jogava videogame.
Bella então colocou um jogo, ficando parada no meio da sala. Ela nem se mexeu para pegar o controle, e eu entendi no mesmo segundo que ela iria jogar com o kinect, o aparelho que captava movimentos.
– Emmett, ela escolheu o... – quando abriu a tela do jogo, Alec e Emmett comoraram. – Just Dance 4.
– Isso vai ser mais engraçado que eu imaginei. Ela escolheu o melhor para nós e pior para ela. – Emmett riu.
Bella iria dançar!
Era isso que ela fazia quando estava sozinha. Ela dançava jogos de videogame. Agora entendia porque ela tinha alguns passos feitos para Hot N’ Cold. Ela havia aprendido com esses jogos. E era uma boa forma de gastar energia.
Bella fez os movimentos com a mão selecionamento a musica. Me surpreendi quando ela escolheu Marina & The Diamonds. Era mais Bella escolher P!nk, não Marina, quem ouvia Marina era Nessie, que solitária me mostrava as músicas que ela ouvia. Mas foi o que ela escolheu.
– Agora silencio. – Emmett murmurou. – Bella é viciada nessa musica, é sempre a primeira que ela escolhe.
Nós ficamos em silencio, vendo Bella finalmente colocar para iniciar o jogo. Uma tela de vitrine de loja tudo rosa abriu, com três manequins, dois sem pernas apenas o vestido azul e o terceiro era um corpo, que se transformou em uma mulher. Logo Bella começou a imitar os passos da personagem do jogo, idênticos. Jogando as mãos para os lados, depois andando para frente e batendo os quadris. Eu fiquei de boca aberta vendo Bella dançar tão perfeitamente que apenas aparecia perfect em cima. No refrão a dança era uma imitação de boneca gigante e ela fez aquilo. Alec e Emmett tentavam prender uma risada vendo Bella dançar.
– I know exactly what i want and who I want to be… I know exactly why I walk and talk like a machine… – ela rodou jogando uma mão e uma perna para frente, depois rodou novamente para o outro lado e imitou o ultimo gesto. – I’m now becoming my own self-fulfilled prophecy – Então jogou os quadris para o lado, mexendo as mãos juntos e imitou novamente uma boneca andando. – Oh oh no, oh no,oh no oh.
Mais que surpreso eu estava. A minha vizinha que escuta Sum 41, que abomina praticamente o pop, estava ali dançando uma musica desse gênero e dançando como uma boneca. E tão perfeita que só ganhava perfect nos movimentos. E por mais engraçado que era, Bella era gostosa o suficiente para isso ser atraente também com aquele short que ela estava usando.
Quando a musica acabou, ela estava ofegante, mas se preparando para escolher uma nova musica.
– Caralho. – Brad murmurou ao meu lado. – Isso foi... Legal. – eu assenti.
Ver Bella dançando tinha sido legal. Estranho, mas legal.
Nós estávamos preparados para ver outra dança quando a campainha tocou. Bella resmungou, mas foi atender.
– O que você está fazendo aqui? – ela foi hostil. Nós não podíamos ver quem era. – Vai embora!
– Não vou.
O meu queixo e de Brad caiu quando ouvimos a voz de Tânia.
– Vai embora, Tânia! – Bella resmungou em um choramingo. – Estou fazendo algo muito importante.
– É a minha vez de visitar você ou então mamãe vai me matar. Então você vai fazer sua coisa importante com a minha companhia. – e dizendo isso Tânia rompeu para a sala, encarando a grande TV. – Dançar Just Dance é importante?
– Muito. – Bella soltou em um resmungo e bateu a porta com força. – Você acabou com minha paz e sossego.
– Que nada. Pode continuar dançando. – Tânia mexeu a mão como se não fosse nada e sentou no sofá.
– Acabou sim. – Bella se jogou no outro sofá.
Tânia sorriu divertida.
– Que porra está acontecendo aqui? – perguntei.
– Shiiiii. – Emmett fez. – Agora que as coisas vão ficar boas. Só assista, Edward.
E foi o que eu fiz.
– Está com vergonha, Bella?
– Rá. Eu não tenho vergonha, Tânia. Você já me viu ter vergonha? – ela lançou um olhar desdém para Tânia, que retornou. – Eu apenas não quero dançar com você aqui.
– Isso deve ser porque você não sabe dançar nada. – Tânia gargalhou. – Deve ser um horror.
Ah, Tânia, se você tivesse visto o que eu vi não falaria isso. Bella não era um horror.
– Eu sou ótima! – Bella rosnou.
Sim, ela era.
– Não, não é. Se fosse, dançaria.
Oh, Tânia a estava desafiando.
– Estou gostando disso. – Brad comentou animado e nós três assentimos, concordando com ele.
Bella percebeu a mesma coisa que eu e sorriu maldosamente.
– Você fala como se soubesse dançar, Tânia. Duvido que já tenha tentado.
Outro desafio.
– Eu sei. Eu jogo Just Dance. E sei até que esse é o quarto. – Tânia ergueu o queixo se sentindo por reconhecer o jogo, mas isso não afetou Bella.
– Está certo então, já que você sabe dançar Just Dance, que tal nós fazermos competirmos uma contra a outra? – Bella sugeriu e estendeu a mão na direção de Tânia, que sem pensar apertou.
– Feito. Eu escolho a musica!
Tânia pulou do sofá que estava sentada e ficou no meio da sala, começando a escolher a música. Bella, com um suspiro, ficou no meio da sala também.
– Elas vão dançar Hot For Me. – Emmett murmurou. – Porra.
– O que? – perguntei.
– Eu queria ver Rosalie dançando essa música, não Bella. Ela é minha irmã! – ele fez uma careta. – Meu sonho agora virou pesadelo.
– Isso está mesmo ficando bom. Duas garotas de short curto, gostosas, dançado musicas sensual. Está ótimo... – Brad sussurrou animado.
Bella tinha uma careta enquanto Tânia escolhia as coisas. Ela franziu o cenho, mas deu de ombros.
– Muito fácil essa, Tânia. Escolhe outra.
– Não. Quero essa. – Tânia lançou um sorriso para Bella, que retribuiu. Tinha algo errado nessa merda toda. – Pronta?
Bella assentiu e Tânia colocou para iniciar. Uma mulher de tênis, bermuda e top curto apareceu. Ela tinha ombreiras que os jogadores de futebol americano usavam. Uma toque começou e mesmo que não precisasse, Bella e Tânia imitaram ela rebolando apenas a cintura e então iniciando o movimento com os braços. Era mais fácil que a primeira que Bella tinha dançando, mas essa fazia mais movimentos lentos. Teve uma parte rápida, elas rebolando e então eu vi Bella dançar como uma líder de torcida.
Líder de torcida!
Ela e Rosalie caçoavam das lideres da escola e então ela estava ali imitando uma. Jogando os ombros para frente e mexendo, colocando as mãos na cintura, animado, pulando e batendo os braços. Chegou uma parte ainda mais de lideres com até rimas, que elas dançaram perfeitamente. Todos os passos que mostravam elas dançavam perfeitamente. E eu não conseguia tirar meus olhos das malditas pernas perfeitas da Bella.
Depois de mais umas jogadas de mãos para cima e uns saltos na parte “Make it hot for me”, finalmente a musica acabou. Eu pisquei os olhos, em transe. Na tela apareceu que Bella e Tânia tinham se saído bem, mas nenhuma das duas olhou o resultado para saber quem havia ganhado, já tirando da tela.
Qual era o sentido de tentar ver quem era a melhor se elas não olhavam o resultado?
– Nós nos saímos bem. – Tânia falou e Bella concordou. – Que tal outra música?
– Pode ser.
Tânia começou a mexer a mão, passando as músicas.
– Umbrella, o que vocês acham? – ela aumentou o tom de voz virando a cabeça na direção da cozinha.
– NÃO! – Emmett gritou, saindo do nosso esconderijo e indo para o meio da sala. – Nada dessa musica. Já não basta Bella, você ter acabado com a minha imaginação de Rosalie dançando Hot For Me? Eu nunca mais vou conseguir imaginar isso sem lembrar de você. – ele fez uma cara de nojo. – Não acabe com Umbrella, por favor.
– Rosalie dançando Hot For Me e Umbrella? – Bella jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar. – Isso seria hilário!
– O que tem Umbrella? – perguntei para Alec, que segurava uma risada.
– Muito rebolado. Muito. Mais do que essa que elas dançaram.
Emmett maldito, porque não deixou Bella dançar Umbrella?!
– O que vocês estavam fazendo escondidos na cozinha? – Tânia colocou as mãos na cintura e nos encarou, mas então ela olhou para meu lado e sua expressão se perdeu. – Brad?
– Oi, Tânia. – ele sorriu para ela.
– É mesmo. O que vocês estão fazendo aqui? – Bella perguntou se levantando do sofá e imitando a pose de Tânia. – E nos espionando!
– Não estávamos fazendo isso, Bella. – Alec mentiu.
– Nossa, ele voltou a falar? – Tânia olhou surpresa para Alec, que lhe lançou um olhar de desprezo.
– Cala a boca, Tânia. – Bella rosnou. – Eu não acredito. Me fale logo o que vocês estavam fazendo escondidos e... Isso é uma câmera?!
Nós todos olhamos para a mão de Emmett, que soltou uma risadinha constrangida, sentou no sofá e escondeu a câmera atrás de uma almofada, para então levantar sem filmadora.
– Câmera? Que câmera?
Filho da puta!
Eu não conseguia acreditar que Emmett havia mesmo feito aquilo. Ele achava que estava no que? Num desenho animado? Algum seriado de comédia? Panaca!
– Você acha que eu sou otária? – Bella perguntou encarando ele, que assentiu.
Ela avançou em cima do sofá para pegar a câmera, mas Emmett se jogou na frente. Os dois então se agarraram e começaram a brigar entre si, ela tentando pegar a câmera e ele tentando impedir ela.
– Sai da minha frente, Emmett!
– Você nunca vai chegar perto dessa cameraaaaaaaaaaaaaaaaaaai! – ele gritou quando ela mordeu o braço dela. – Sua cadela!
– Asteroides. – Bella bateu na cabeça dele.
– Gorda. – Emmett deu uma cotovelada na barriga dela.
– Burro. – ela lambeu a bochecha dele.
– Que nojo! – Tânia falou ao meu lado.
– Bicho das Tasmânia. – Emmett enfiou um dedo na boca e depois no ouvido da Bella, que gritou.
Os dois rolaram pelo chão, se xingando e provocando o outro. Nisso Alec foi até o sofá e pegou a filmadora, mas não foi muito longe já que Tânia pegou a bolsa rosa dela e jogou nele, que saiu nas escadas gemendo de dor.
– O que tem nessa bolsa? – eu arregalei os olhos, assustado.
– Umas coisas que me ajudam a me defender já que não sou uma animal como a Swan. – ela deu de ombros.
– Hey! – Bella gritou mesmo que tivesse entretida com Emmett.
Brad se aproximou do Alec e o cutucou. O falso mudo soltou um gemido, o que fez nós sabermos que ele estava bem e vivo. Então Brad pegou a filmadora.
– Olha, Edward, está comigo!
Deus, será que todas as porras desses imbecis eram burros e não sabiam ficar quietos? Tânia nem havia percebido que ele pegou a filmadora porque estava dando atenção a Bella, ele podia ter escondido, mas não. Ele precisava me gritar.
– Tânia, pega! – Bella mandou. – Aiiiiiiiiiiiii!
– Ai, Bella!
Eles estavam se mordendo!
– Me da isso, Brad! – Tânia mandou e ele negou. – Me dá!
Tânia correu na direção do Brad, se jogando nele, e no impulso Brad jogou a câmera para mim. Tânia estava com os braços em volta do pescoço do Brad, que a encarava com os olhos arregalados. Eu podia ouvir a musiquinha romântica para a cena daqueles dois.
– Edward, me de essa câmera! – Bella estava de pé, na minha frente, toda descabelada.
Sério, o cabelo dela parecia uma grande e enorme juba de leão, ainda mais por ser loiro. Emmett estava no chão nocauteado com uma mão sobre o braço todo mordido.
– Não posso, Bella. – voltei os olhos para ela. – Tem coisas importantes aqui.
– Sobre mim, não é? É a vingança do Emmett, não é? – ela perguntou com os olhos arregalados.
Eu imaginava que fosse a vingança de Emmett, mas meus planos eram de ver até aonde ele iria com aquilo. E se fosse mesmo um vídeo dele declarando o amor pela irmã? Eu que não queria ser aquele a estragar a forma de se expressar carinhosamente dele.
– Eu não posso. – repeti. – Ainda não.
– Eu vou pegar, Edward. – ela sorriu. – E você vai ficar igual ao Emmett.
– Vou colocar em um lugar aonde você não pode pegar. – blefei.
– E aonde seria? – ergueu uma sobrancelha. Eu olhei para minha parte sul e depois para Bella, sorrindo em desafio. O que tive em troca foi um sorriso malicioso. – Você sabe que eu pegaria ai.
É, eu sabia que ela pegaria a câmera ali se eu colocasse. Então eu não tinha outro lugar.
Bella aproveitou minha distração e avançou em mim, em reflexo levei a mão com a câmera para trás, tentando impedi-la de pegar com a outra vazia. Nós entramos em uma guerra e eu tive que apelar para distrair ela também, abraçando-a com um braço e enterrando meu rosto em seus cabelos bagunçados, depositando um beijo em seu pescoço. Bella paralisou.
– O que você está fazendo? – ela perguntou.
– Distraindo você. – sussurrei e nós rimos.
– Está funcionando.
Yeah, eu sabia que estava.
– Sai dai! – Emmett pegou Bella e a puxou para longe.
E então os dois voltaram a se atracar no meio da sala, se xingando e se empurrando. E então o tempo pareceu parar naquele momento quando aconteceram em câmera lenta duas coisas fodidamente péssimas.
1) Emmett empurrou Bella contra a estante e o corpo dela bateu, fazendo um vaso em cima rodar, rodar, rodar e cair no chão, se espatifando no chão.
– O vaso da vovó! – Bella gritou em horror.
E 2) Renée entrou naquele momento e viu tudo.
– Que bagunça é essa?! – ela gritou.
– A culpa é dele!
– A culpa é dela!
Os dois apontaram um para o outro. Isso não foi algo legal já que Renée ficou tão vermelha que chegou ao roxo. Eu estava sentindo que ia presenciar um infarto ao vivo. Ela fechou os olhos e respirou fundo, puxando o ar com força. Sua cor voltou para o vermelho de raiva saudável.
– Eu quero explicações dos dois. – ela murmurou apontando para eles, que estremeceram. – E o resto... Vocês já sabem.
Bella e Emmett iam morrer e Renée não queria testemunhas do assassinato. Eu podia ouvir a voz de Bella pensando isso, e pela sua expressão era mais que obvio que ela pensou mesmo.
Pobre irmãos Swan.
Tânia e Brad, que estavam de roupas amassadas e de olhos arregalados para Renée, praticamente saíram correndo. Tive que ajudar Alec a levantar porque o coitado estava quebrado depois da bolsada da Tânia. Lancei um olhar de encorajamento para Bella, que sorriu e piscou um olho antes de eu sair.
Do lado de fora, não havia nem sinal da Tânia nem do Brad. Os dois haviam corrido mesmo. Olhei para Alec, que fez uma careta.
– O lado bom é que eu quem estou com a câmera. – mostrei o aparelho para ele, que sorriu e tentou pegar, mas eu desviei. – Vai ficar comigo por precaução porque não sei o que você e Emmett vão fazer.
Ele suspirou derrotado e assim foi embora. Eu fui para minha casa esperar receber uma mensagem da Bella de que estava viva. Enquanto isso eu aproveitaria para ver o que tínhamos gravado da minha vizinha e o quão adorável, doida, gostosa e perfeita ela era.
Bella POV
– Então vocês entraram em uma briga por causa de uma câmera? – Renée ergueu uma sobrancelha para nós dois, que estávamos sentados nos sofá e ela na nossa frente. – E por causa disso os dois quebraram a porra do vaso que a sua avó chata me deu?!
Eu estremeci com seu grito.
Renée não se importava com o vaso, o que ela se importava era quando vovó viesse nos visitar e perguntasse do maldito vaso que ela deu para mamãe. Tudo que vinha da vovó, Renée tinha que preservar para que não precisasse ouvir um sermão sobre ser irresponsável. E se o vaso quebrou, Renée estava ferrada, o que significava que nós estávamos ferrados.
– Por que... Isso? – ela perguntou, tentando manter a calma.
– Porque Emmett, Edward, Alec e o Brad estavam espionando Tânia e eu! – bufei. – E filmando. Eu queria saber por que eles estavam me filmando!
Renée olhou para Emmett, que permanecia calado. Era a primeira vez que ele não dava nenhuma desculpa. Isso significa que tinha algo de errado.
– Explique, Emmett. – Renée pediu com uma voz que não dava brecha para ele negar.
– Er... Hmm... Então, acontece que nós queríamos... Filmar Bella dançando parar rir depois.
– O que?! – gritei.
– Emmett, a verdade. – Renée suspirou. – Eu sei que está mentindo.
– OK! – Emmett ergueu as mãos como se rendesse. – Eu queria que Edward visse as esquisitices de Bella e com isso parasse de flertar com ela.
– Emmett, nós somos amigos! – pulei do sofá. – Edward é meu amigo e você está querendo que ele se afaste?
– Não! Não é isso... É só que vocês dois são mais que amigos. E a ultima vez que você ficou com um amigo seu, não deu certo.
– Ele não é o Jacob.
– Não. Não é. Ele é melhor. – Emmett revirou os olhos. – Gosto do Edward, mas eu quero prevenir.
– Você não pode defender sua irmã de todos os garotos, Emmett. – Renée falou calmamente. Sua raiva havia sido jogada de lado para tratar de outro assunto.
– Não mesmo. – cruzei os braços e bufei. – Eu sei me cuidar, pare de tentar afastar Edward de mim. Entenda que nós somos amigos e apenas isso. Mas que droga!
Emmett imitou meu gesto de cruzar os braços e bufar, virando a cara para o lado.
– Certo, certo. – Renée então começou a tomar as rédeas das coisas. – Emmett, chega desse ciúmes bobo de irmão e de tentar controlar quem Bella pode ou não se interessar. Eu também me preocupo com ela, mas não vamos impedi-la de ter um relacionamento, tudo bem? – ele continuou quieto. – Eu perguntei se está tudo bem, Emmett.
– Está. – soltou em um grunhido.
– Agora vamos resolver a questão do vaso. Vocês dois foram irresponsáveis agindo por impulso e resultou em uma dor de cabeça para mim. Vai ter consequências.
– Quais? – perguntei, temerosa.
Renée olhou para nós e balançou a cabeça.
– Eu e Charlie conversamos e decidimos que vocês não podem sair para uma road trip sendo como são.
– Não. – Emmett e eu choramingamos.
– É por isso que até o final de maio, quando acabar as aulas, vocês vão ter que provar para mim e para o pai de vocês que se tornaram responsáveis. Que podem sair sozinhos sem se colocaram em situações criticas. Afinal, vocês já foram parar na policia, pode acontecer novamente. – ela revirou os olhos. – De qualquer forma. Vocês só precisam provar que cresceram e podem sair sozinhos.
Emmett e eu nos encaramos de olhos arregalados. Eu podia ver nossos planos de colocar o pé na estrada dentro de um carro até Orlando voando para longe de nós. Ficarmos responsáveis em três meses? Isso era uma missão impossível!
Eu bem me conhecia para poder dizer isso. E Renée e Charlie também. Então, eles sabiam que nós não iriamos viajar.
.
– Nós temos que provar para eles. – Emmett sussurrou quando Renée nos liberou e nos estávamos no corredor. – Temos que provar que podemos ser responsáveis.
– Nós não somos. – resmunguei.
– É por isso que vamos fazer de tudo para mostrar pra eles que nós podemos ser, entende? Nós temos que mostrar. Bella, sonhamos por anos por essa viagem e não vai ser agora que vou desistir.
Ele bateu no meu ombro e desceu as escadas novamente. Eu entrei no meu quarto, suspirando. Fui até meu closet – ao mesmo tempo que mandava uma mensagem para Edward vir aqui -, subi em cima de uma pequena escada e peguei o que eu queria.
Eu abri o mapa em cima da minha cama, cobrindo-a toda. Era um mapa grande que Charlie havia me dado já que na delegacia eles usavam grandes. Olhei todos os pontos marcados em vermelho que Rosalie, Emmett, Alec e eu havíamos feito um ano atrás, trilhando caminhos que poderíamos seguir quando fossemos sair na nossa viagem. Havia alguns erros e desvios que cada um pedia para fazer para conhecer os pontos turísticos ou apenas seguir para a estrada, assim como a linha vermelha se dividia em duas porque às vezes nossas ideias não batiam juntas. Era uma confusão completa que nós pretendíamos seguir a qualquer custo quando terminássemos o ano escolar e as férias de verão iniciassem. Nosso objetivo era rodar o país até chegar a Orlando, na casa do papai, nos instalar lá e usufruir dias na Disney World e dos clubes fantásticos que papai tinha virado sócio apenas para quando esse dia chegasse.
Era ali que estava todo o meu foco para continuar trabalhando, já que Renée havia tirado minha mesada e falado que não ajudaria mais em nenhum custo para a viagem. Antes Emmett e eu teríamos um carro com tanque cheio, todas as mesadas de todos os meses juntos dentro do bolso e sem preocupação, e agora nós teríamos que conseguir tudo por vontade própria. E agora tínhamos que nos mostrar responsáveis para poder ir. Uma batalha longa, de três meses, mas que valeria a pena. Meu irmão tinha razão, nós tínhamos que provar que podíamos fazer aquilo.
Mais confiante, eu me senti também mais animada, olhando mais atentamente o mapa.
– Bella! – Emmett me gritou.
– O que? – gritei de volta.
– Edward está aqui!
– Manda ele subir!
– O que?!
– É isso mesmo, manda ele subir!
– Não!
– Edward, pode subir! – gritei para o ruivo.
– Não pode não!
Ouvi passos e achei que era Edward ignorando Emmett, mas foi mamãe que apareceu na porta.
– Que gritaria é essa, Bella? – perguntou.
– Emmett não quer deixar Edward subir, mãe. – resmunguei com um bico. – Qual é, manda ele parar com esse ciúmes idiota e deixar o ruivo subir para o meu quarto. Não é como se fossemos fazer alguma coisa. – dei de ombros.
Renée riu e continuou andando para escadas. Eu corri até a porta para ouvir o que ela iria falar. Sabia que ela lhe daria uma bronca por ser mal educado com Edward – justo com Edward, o garoto que ela amava -, e não podia perder essa. Renée odiava quando Emmett fazia isso, e mesmo assim ele não aprendia. Não adiantava, eram duas contra um, nós amávamos Edward e ele tinha que aceitar isso.
– O que você pensa que está fazendo, Emmett? – ela perguntou com uma voz bastante séria, algo que eu sabia que era pura diversão.
– Mãe, ele vai para o quarto dela! – Emmett resmungou.
– E o que tem? Os dois são amigos. Agora pare de ciúme bobo e deixe Edward entrar. Nós já conversamos sobre isso há poucos minutos... – esperei por alguma reclamação, resmungo ou barulho, qualquer coisa... Mas nada. Silêncio. – AGORA, EMMETT! – Renée gritou me fazendo dar um pulo de susto.
Foi impossível não gargalhar imaginando toda a cena que se enrolava lá embaixo e Edward que era um puto de um sortudo por estar podendo assistir tudo ao vivo e eu aqui limitada apenas a ouvir. Renée não se importava que Edward viesse para o meu quarto, ela tinha essa estranha confiança em mim até quando eu fechava a porta. Ela falara uma vez algo assim para uma vizinha “Confio meus filhos com os amigos dentro do quarto, mas não confio neles fora de casa.” Total sentido, não é? Já que eu só aprontava fora de casa.
– Você deu sorte, Edward. – ouvi Emmett falar com um resmungo.
– Ignore ele, querido. – Renée disse amavelmente. – Bella está lá em cima, pode subir. E você, Emmett, saia para a rua agora!
Novamente eu gargalhei com Renée expulsando Emmett. Tinha pena da Sra. Volturi que teria que aguentar meu irmão pelo resto do dia e da noite. A forma amável que Renée tratava Edward nem parecia que ela tinha acabado de dar uma bronca em Emmett e em mim.
Ouvi os passos rápidos de Edward ao subir as escadas de dois em dois degraus e quando ele apareceu no corredor e me viu, ele abriu aquele sorriso de canto malicioso, safado e perfeito. Ele devia estar louco para rir de Emmett, eu reconhecia aquela cara dele de longe.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Vem logo, Edward. – sussurrei o apressando e quando ele chegou perto o puxei rápido para dentro do meu quarto e tranquei a porta
Eu comecei a rir daquela situação toda que Edward precisava passar só para chegar ao meu quarto. Ter um irmão que achava que deveria fazer o papel de pai era uma merda total. Se Edward fosse meu namorado e viesse me visitar provavelmente desistiria de primeira porque toda vez era e seria assim. Era por esse e mais outros motivos que eu não deixava Emmett saber de nada e fazia tudo escondido, já bastava eu mesma assustar os meninos.
Me virei para Edward que estava com uma expressão divertida. Era hora de eu saber sobre a câmera...
– Sua mãe não vai se importar da porta? – ele perguntou.
– Não. Renée confia em nós. – dei de ombros. – E também, se eu não fechar é capaz de Emmett sentar na cadeira e ficar nos vigiando, entende?
Ele assentiu, rindo um pouco.
– E não é como se fossemos fazer alguma coisa, não é? – mexi as sobrancelhas brincando sugestivamente e ele abriu aquele sorriso malicioso.
– É? E se hipoteticamente fossemos fazer, o que seria?
No fundo da minha mente eu lembrava que esses flertes entre nós estavam cada vez indo mais longe, mas eu não conseguia me segurar. Edward jogava para mim e eu jogava para ele, essa era a nossa regra, e muda-la não estava nos meus planos. Então mesmo que nós, grandes amigos, estivéssemos sendo ousados em todos aqueles flertes , o que importava? Éramos vizinhos, tínhamos que flertar. E às vezes... Flertes levavam a outras coisas.
E sabe o plano de saber sobre a câmera? Então, ele já era.
Eu dei passos até ficar bastante próxima a ele e toquei seus braços. Meu coração começava a ficar acelerado.
– Bem... Hipoteticamente falando, depois de eu trancar a porta eu... Agarraria você. – eu comecei a subir minhas mãos pelos seus braços malditamente definidos e chegando até sua nuca. – Afinal... Você é gostoso. – pisquei um olho para ele.
Edward passou a língua no lábio inferior e assentiu, levando as mãos para a minha cintura e me puxando para mais perto. Eu prendi a respiração, sabendo que aquilo não ia prestar nem um pouco.
– E hipoteticamente eu deixaria você se aproveitar de mim enquanto eu também me aproveitava de você, porque entre nós o que vai volta. – seu tom de voz foi baixo e rouco enquanto ele alisava minha cintura.
Eu balancei a cabeça e mordi o lábio, prendendo um sorriso. Passei meus dedos pelos seus cabelos, acariciando sua nuca. Ao mesmo tempo em que me inclinava para ficar mais alta eu puxei Edward de encontro a mim, virando um pouco para encostar meu nariz em seu pescoço. Percorri sua pele com a ponta, inalando seu perfume masculino misturado com loção de barbear e o cheiro de sua própria pele. Aquele homem exalava testosterona com aquela combinação de perfumes.
– Então... – comecei, encostando meus lábios em sua pele. – Eu beijaria e lamberia seu pescoço. – passei a ponta da minha língua em sua pele e seus pelos da minha nuca se arrepiar em meus dedos ao mesmo tempo em que Edward apertava minha cintura. – Hipoteticamente, claro. – o lembrei.
Edward soltou um riso rouco que veio do fundo da sua garganta. Eu admitia que estivesse me sentindo quente e excitada com aquela brincadeira. Algo que Edward conseguia fazer comigo. Ele era meu protótipo de cara perfeito, o que me atraia loucamente, e tê-lo ali assim comigo não era fácil me controlar.
Ele começou a alisar minha pele, suas mãos se infiltrando por dentro da minha camiseta e correndo por minha pele.
– De forma hipotética isso me daria um passe livre para poder passar a mão em você... – ele desceu suas mãos passando até parar na minha bunda e me puxar de encontro a ele com força.
Nós dois ofegamos com aquela proximidade e eu pude sentir seu corpo contra o meu. Todo. O que me fez soltar um sorrisinho de contentamento, por saber que Edward estava na mesma situação que eu.
Aquilo só me fez continuar com todo aquele teatro não-tão-teatro que estávamos fazendo. Situações hipotéticas nunca me pareceram tão tentadoras e com gostosas costas largas de nadador.
Eu continuei com os beijos e lambidas na pele do seu pescoço, suspirando enquanto sentia ele me puxar ainda mais contra ele. Trilhei minha boca até sua orelha, pegando com as pontas dos dentes o lóbulo e sugando depois com os lábios. Edward fez um som rouco que me fez estremecer.
– Nessa situação hipotética... – voltei a falar. – Eu levaria você para a minha cama.
– Seria uma situação hipotética muito boa. – ele sussurrou e nós dois rimos.
Então enquanto eu ainda me aproveitava da pele de seu pescoço e Edward passava sem vergonha nenhuma suas mãos em mim me puxando contra ele, nós seguimos para a minha cama, ofegando e rindo ao mesmo tempo. Quando chegamos eu o fiz deitar de forma rápida pronta para subir em cima dele quando um barulho de papel amassado me lembrou o que eu estava fazendo antes e o que o corpo de Edward estava fazendo com meu mapa.
– Oh, não... – eu gemi. – Sai daí, Edward! – gritei para ele o empurrando da cama e choramingando ao ver meu mapa amassado.
– Porra, Bella! – Edward resmungou e eu me virei para ele, que estava no chão. – Precisava me jogar assim?
– Meu mapa... – murmurei com um bico, voltando a olhar para a cama. – Você amassou com sua bunda gostosa.
Edward riu, provavelmente do elogio e do meu choramingo e tromba de elefante. Ele não tinha feito muito estrago, apenas uns amassados, então pude suspirar aliviada.
Ouvimos duas batidas na porta.
– Está tudo bem ai? – Renée perguntou com uma voz bastante entediada.
– Está sim, mãe. Foi apenas Edward com a bunda gorda dele em cima do meu mapa.
Ouvi sua risada e depois passos se afastando. Me voltei para Edward e ele tinha aquela careta.
– Você é uma pessoa muito indecisa.
– Não sou não, ok? Você sabe o que eu penso sobre sua bunda, mas eu não podia falar isso para a minha mãe. Tudo tem seu limite, Edward. – arregalei os olhos.
Ele gargalhou assentindo com a cabeça e levantando do chão. Eu ainda sentia todo aquele fogo correndo por mim, mas não havia de forma alguma como retornarmos aquilo. Estávamos em uma situação como flertes, que aconteciam e depois eram ignoradas como se nada tivesse acontecido. Então nada havia acontecido. Apenas situações hipotéticas.
– E então, o que é esse mapa? – Edward perguntou parando ao meu lado.
Eu ajeitei o papel de forma que ele voltasse a ficar liso novamente e sorri para Edward com toda a minha animação que aguardava ansiosamente minhas férias de verão. Aquela seria épica, não haveria outra igual. Afinal, eu provaria para meus pais que podia ser responsável.
– Esse mapa, meu camarada, é a rota dos dias mais felizes da minha vida!
Edward olhou todas as riscas vermelhas, comentando sobre os lugares e até falando alguns que ele já visitou com os pais. Nós dois então começamos a conversar sobre dar a voltar no país e eu lhe contei nossa rota, falando o que faríamos em cada lugar. Foram anos de planejamento, pesquisando, vendo na TV os encantos para no final nos juntarmos e junto falarmos para aonde iriamos.
Aquele mapa não era apenas nossas melhores férias das nossas vidas, era a nossa união e nossa amizade. Renée ficou bastante incerta sobre nos deixar sair assim, mas vendo o quão era importante para nós, elas nos liberou. E pediu que mostrássemos que ela podia confiar em nós para nos soltar no país assim, tão fácil. Algo que não havíamos feito. Eu percebia agora. Mas iriamos fazer.
– É um grande planejamento. – Edward comentou. – O que significa esse palco marrom em Miami?
– Vai ter um festival ai. É um festival que comemora o final das aulas com música eletrônica e rock. Quase como um Lollapalooza, sabe? Nós planejamos chegar lá em uma semana para poder assistir,
– Sério? E vai ter bandas?
O sorriso que eu dei para Edward pareceu até assusta-lo.
– Sim. Vai ter Sum 41, você acredita nisso? Sum 41, Blink 182 e My Favorite Highway e a fodidamente perfeita da Ellie Goulding! – eu saltei como Nessie faria naquele momento quando estava animada. – Eu esperei anos por uma união de bandas perfeitas e finalmente aconteceu. Eu vou ver Sum 41 e Blink 182 no mesmo final de semana.
Eu me joguei em cima de Edward, comemorando e ele riu. Seria as duas bandas da minha vida em um final de semana num festival. Daqueles que você via pessoas se vestindo do jeito mais legal, com sol quente e muita musica boa. E homens lindos. Deus, esse festival seria O Festival!
– Certo... – Edward murmurou e sorriu. – Quantos estados vão declarar estado de calamidade depois que vocês passarem por cada um até chegar a Flórida?
Eu o empurrei pelo braço, rindo. Eu não duvidava nada que isso acontecesse mesmo, porque os irmãos Swan iam estar juntos, e teria uma Rosalie Hale com as cervejas geladas dela e Alec... Alec, que não falaria nada, só nos acompanharia e nos ajudaria a nos encrencarmos.
Eu pedi ajuda para ao Edward para dobrar o mapa, e assim que terminamos o guardei de volta no meu closet e voltei para o lado de Edward, o encarando pelo canto do olho, analisando minha nova ideia assim que percebi que tinha que ter ele em minha viagem também. Ela fora criada depois de Jacob partir com o proposito de desligarem minha mente dele – algo que funcionou muito porque precisou de concentração para fazer toda a rota e pensar em todos os lugares. Era eu e meus melhores amigos. E Edward era meu melhor amigo. Ele era muito para mim e eu precisava que ele fosse também naquela viagem.
– Edward? – chamei ele, que se virou para mim. – Eu sei como não deixar nenhum estado em estado de calamidade.
Edward franziu as sobrancelhas e me encarou divertido.
– É? E como?
– Você.
– O que? – ele perguntou, rindo.
– É, você! Você vai com nós e me controla porque você é responsável, você consegue me controlar e você é uma ótima companhia. E você é meu amigo, eu quero que esteja em todas as fotos que eu tirar. – eu me aproximei dele, abraçando-o pela cintura. Era uma forma de soar mais convincente. – Pensa passar em todos esses lugares comigo? E sem pais, só nós agindo por nós mesmos. Vão ser as melhores férias da sua vida, garotão.
Edward tocou meus braços, acariciando-os ao subir as mãos para cima e para baixo.
– Então você está me convidando para essa viagem?
– Sim, estou. Eu quero você lá, e... Não aceito não como resposta. – mexi os ombros em quem diz “não adianta negar”. – Se você quiser, posso lhe convencer. – sorri de forma maliciosa.
Qual é, eu não conseguia não flertar com Edward!
Eu já tinha me acostumado a flertar com ele em qualquer assunto que desse uma brecha e falar de viagem estava dando, então não havia como me segurar. E eu estava flertando com o meu vizinho, me processem se isso for errado, porque eu não achava que era. E nem Rosalie. Nem Tânia. E parece que nenhuma outra pessoa. Só Emmett, mas porque ele era meu irmão e um babaca, apenas por isso. Mas o resto do mundo não reclamava. Nem a minha mãe!
Eu saí dos meus devaneios quando a mão de Edward passou dos meus braços para a minha cintura. Ele abriu aquele sorriso malicioso e seus olhos adquiriam o brilho do mesmo sentido. Edward automaticamente naquela bolha cheia de flertes que nós criamos.
– E o que você faria para me convencer? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
Faria. Ele simplesmente falou faria, e não falaria. Ele poderia muito bem dizer “Quais seus argumentos para me convencer?”, mas não, Edward falou faria. Meu vizinho era um completo aproveitador de situações, estava na cara dele. E eu quem não seria a estraga prazeres de acabar com aquele clima todo que estava se formando novamente no meu quarto. Meu quarto. De porta trancada. Que Renée deixava. Oh, meu Deus!
Como estava abraçada a cintura de Edward, eu comecei a alisar suas costas.
– Eu não sei não, Edward... – comecei, olhando para sua camiseta enquanto subia e descia minhas mãos pelas suas costas. – Eu acho que seu tom de voz foi quase como se insinuasse que – quando minhas mãos estavam embaixo eu as infiltrei por dentro de sua camiseta e senti sua pele quente. – quer que eu demonstre o que eu faria.
Edward sorriu para mim, aquele safado!, e aproximou o rosto do meu enquanto suas mãos apertavam minha cintura e me puxavam de encontro a ele. Engolindo em seco eu o encarei nos olhos, tentando lhe devolver o mesmo sorriso.
– E se fosse exatamente isso, você faria?
Eu prendi a respiração com aquela pergunta direta/flerte. As palavras de Rosalie vieram como uma bala de arma na minha mente.
“Quero dizer, vocês dois vão flertar, insinuando naquele desejo que vocês sentem e não é com se você fosse parar e pensar quando Edward começar a te pegar daquele jeito com aquelas mãos e...”
E era uma razão tão forte que eu nem mesma havia negado. Eu me conhecia, eu não pensava, eu sentia e agia, e naquele momento eu estava sendo levada por todo aquele desejo e sorriso torto fodidamente sexy de Edward. Era um vai e volta entre nós, os dois flertavam e nenhum resistiria em um flerte mutuo e insinuações.
Eu estiquei meu rosto, quase encostando meus lábios aos dele e abri ainda mais meu sorriso.
– Faria. – sussurrei para ele.
Edward também sorriu ainda mais e balançou a cabeça, passando a língua nos lábios e os deixando úmidos. Eu suspirei totalmente perdida naquele ato, querendo encostar os meus lábios nos deles.
– E o que seria, vizinha?
Ele ergueu uma sobrancelha como se me desafiasse a fazer o que quer que fosse. E eu não negava um desafio e também não negava um nadador gostoso insinuando que eu o pegasse.
E eu agi. Eu tirei minhas mãos de dentro da sua blusa e as levei até sua nuca, puxando sem cuidado algum e com pressa, seu rosto para o meu e pegando seus lábios com os meus de forma feroz. Nós dois gememos quando nossos lábios se encontraram, arfantes. Edward puxou minha cintura contra a dele ao mesmo tempo em que sugava meu lábio inferior e eu revirei os olhos mesmo estando com eles fechados.
Era um desejo reprimido de duas semanas depois do baile e nós nos entregamos naquele beijo. Nossas bocas se moviam de forma famintas em uma sincronia que me impressionava. Sua língua macia estava contra a minha. E eu podia sentir aquele fogo de novo. O que me fez me entregar ainda mais ao beijo, embrenhando meus dedos nos seus cabelos e inclinando mais minha cabeça para que pudesse aprofundar o beijo, assim como meu corpo para que tivéssemos mais contato.
Suas mãos passavam avidamente da minha cintura para meu quadril e voltava para minha cintura novamente, me apertando aonde podia e me puxando mais contra ele. Nós poderíamos nos fundir ali da forma que nos agarrávamos. Era tão violento e desesperado o beijo que eu estava ficando surpresa comigo mesma.
Nós precisamos para respirar, mas isso não manteve os lábios de Edward longe de mim. Ele os desceu para meu pescoço, sugando minha pele até chegar a um ponto sensível que me fez apertar seus cabelos da nuca com força e choramingar por mais. Ele continuou o caminho chegando até minha orelha.
– Eu ainda não estou convencido, Bella. – murmurou.
Filho da puta!
Era isso que Edward era, um completo, safado e vizinho filho da puta por me provocar daquela forma. Ele estava pedindo por mais quando eu queria dar mais e ter mais. Um maldito completo aproveitador de vizinhas nem um pouco inocentes.
Sentindo novamente que ele me desafiava eu o empurrei até a minha cama, o fazendo deitar nela e rapidamente subindo por cima dele e colando novamente nossos lábios. Suas mãos foram rápidas para minha bunda, me puxando contra ele ao mesmo tempo em que roçava nossas intimidades e nós gemíamos. Aquela fricção me deixou ainda mais excitada e necessitada por contato e sem vergonha alguma me esfreguei em Edward, fazendo mais uma ver gemermos.
As mãos de Edward subiram lentamente da minha bunda para minhas costas, levando com elas minha camiseta. Sua mão era quente em minha pele me apertando para que fosse ainda mais de encontro a ele. Eu peguei seu lábio inferior com o meu, sugando e inclinando minha cabeça pra voltarmos a aprofundar o beijo. Quando chegou ao meu sutiã Edward brincou com o tecido por um tempo, até continuar a subir as mãos e eu ter que levantar meus braços para que ele pudesse tirar minha camiseta. No tempo que nós nos separamos para tira-la, eu aproveitei para respirar, tentando procurar um pouco de consciência em mim para parar, mas logo Edward estava me puxando para beija-lo novamente e eu mandei toda a merda de pensamento para longe.
Eu me remexi, fazendo com que tivéssemos mais uma fricção e isso fez o beijo se tornar ainda mais violento. Com os lábios juntos eu o puxei para cima, ficando sentada em seu colo e isso tornou ainda maior nossa aproximação e eu pude sentir toda a ereção de Edward de encontro ao meu ponto quente. E eu só queria mais esfregar nele por mais fricção para que tivesse algum alivio.
Edward afastou os lábios dos meus e beijando e lambendo minha pele ele desceu para meu pescoço, raspando os dentes na minha pele que estava ficando extremamente sensível. E eu gemi, inclinando meu corpo para frente para que ele tivesse mais acesso àquela parte e puxando fortemente seu cabelo na parte da nuca. Suas mãos estavam novamente na base da minha bunda, me puxando contra ele de forma desesperada. Ele trilhou beijos pela minha pele, subindo para minha mandíbula e seguindo para minha orelha. Sua respiração ofegante me atingiu ali e eu puxei o cabelo novamente seu cabelo, o fazendo soltar um gemido.
– Caralho, Bella. – foi à única coisa que ele falou em uma voz estrangulada e sob a respiração.
Mas eu sabia o significado daquilo. Que nem ele mesmo fazia ideia do tamanho do desejo que existia entre nós e escondido atrás de todos aqueles flertes. Ele estava tão surpreso quanto eu, mas nem um pouco com vontade de parar.
E em resposta a ele eu só soltei um baixo gemido, não encontrando minha voz para falar nem um “porra” que certamente ele também entenderia. Eu só conseguia pensar em querer mais daquilo, mais calor e mais de sua pele.
Arrastei minhas mãos para seu ombro enquanto Edward ainda sugava e lambia minha pele do pescoço, indo até a barra de sua camiseta e começando a erguê-la. Eu precisava de mais pele, mais lugares para poder toca-lo e pano atrapalhava toda minha vontade. Edward me ajudou a tira-la, jogando para algum lugar do quarto como havia feito com a minha. E eu toquei sua pele do abdome, da barriga, das costas, querendo senti-lo, enquanto inclinava minha cabeça para frente e beijava seus ombros.
Ele subiu suas mãos pela minha cintura, roçando os dedos nas minhas costelas até chegar ao meu sutiã novamente. Esperei que o abrisse, mas Edward apertou meus seios por cima do tecido mesmo, fazendo uma corrente de prazer correr pelo meu corpo e chegar ao meu centro. E eu mordi seu ombro com um gemido ao me esfregar novamente nele, recebendo outro dele em troca.
Eu agarrei seus cabelos novamente, levando meus lábios até seu pescoço e lambendo a pele, revirando os olhos quando ele fez o mesmo com a minha.
– Isso é bom... Nós somos... Bom. – eu murmurei sob o fôlego para que Edward soubesse o que eu estava pensando.
Eu nunca havia sentindo todo aquele desejo louco pedindo por mais contato apenas com um beijo. Já fiquei excitada com beijos, claro, mas não daquela forma como estava com Edward. De perder a linha de pensamentos apenas com sugadas na pele ou uma fricção de corpos. Eu queria arrancar minha roupa e da Edward e realmente fazer sexo naquela hora, sem me importar.
– Sim, somos. – Edward murmurou baixinho no meu ouvido ao apertar minhas coxas e eu choraminguei. – E nós temos que parar ou vamos mais longe.
Edward também sabia o que iria acontecer, mas nenhum de nós parou. Ao contrario, nós voltamos a nos beijar e se esfregar um no outro sem pudor. Era como se tivéssemos falado “foda-se” para o que podia acontecer e apenas nos entregado.
E poderia ter acontecido. Realmente, iria acontecer. Se Emmett não tivesse socado minha porta tão forte e me chamado, nós teríamos ido mais longe naquela hora. A voz de Emmett nos fez acordar e nos olhamos assustados.
– Bella! – Emmett gritou mais uma voz, socando. – O que vocês estão fazendo?
– Cai fora, Emmett! – gritei de volta e me sobressaltei quando senti os lábios de Edward no meu ombro. – Agora!
Ele arrastou seus lábios pelo meu pescoço e clavícula, chegando ao meio dos meus seios e sugando a pele. Eu ofeguei, tentando me concentrar em Emmett.
– Não, é para você abrir essa porta agora!
– Vai se ferrar, babaca! – rosnei, tentando esconder um gemido quando as mãos de Edward entraram pela barra do meu short, tocando o interior de minhas coxas perto de aonde eu pulsava, e sugava novamente a pele do vão dos meus seios.
– O que vocês estão fazendo? – Emmett perguntou.
– Emmett! – Renée ralhou e eu revirei os olhos.
Porque todos não sumiam para que eu pudesse aproveitar que Edward estava se aproveitando de mim?!
– Mãe, eles estão trancados lá dentro! – Emmett falou com um choramingo.
– Estão trancados por causa desse motivo. – ela falou calmamente. – Se você não fosse tão intrometido e ciumento, Bella não trancaria a porta.
Renée era a mãe que qualquer garota de dezessete anos queria ter para si. Do tipo que confiava na filha com um garoto no quarto – um amigo. Agora Emmett estava certo em desconfiar e Renée errada em confiar, porque Edward e eu estávamos mesmo aprontando dentro do meu quarto trancado.
– Eu só saio daqui quando souber o que eles estão fazendo!
Eu revirei os olhos. Emmett achava mesmo que eu falaria que Edward e eu estávamos quase tirando nossas roupas e fazendo sexo assim de forma tão aberta? Até que nível ia à burrice do meu irmão?
– Massagem! – Edward falou alto o suficiente para que Emmett ouvisse. – Nós estamos fazendo massagem.
Eu olhei para o ruivo, que me lançou um sorriso malicioso que ficou ainda mais perfeito com os lábios inchados e vermelhos de tanto me beijar. E eu gargalhei da sua resposta. Nós estávamos fazendo uma bela massagem.
– Ouviu, Emmett? Edward e Bella estão fazendo massagem. Agora para de perturbar sua irmã, por favor?
Passou alguns segundos em silencio até ouvirmos os passos pesados de Emmett pelo corredor. Esse garoto era maluco. Eu me virei para Edward, com uma careta, enquanto brincava entre meus dedos com seus cabelos da nuca.
– Me diga que um dia esse ciúme dele vai passar algum dia? – pedi.
– Eu não sei. – Edward riu. – Mas uma dica é você não ir para a mesma faculdade que ele e sim para a mesma que a minha. Sabe, para fazermos isso de novo. – ele mexeu as sobrancelhas indicando nós dois.
Eu passei a língua no lábio inferior imaginando Edward e eu nos pegando em algum quarto de dormitório de alguma faculdade e a ideia me pareceu tentadora demais. Fui tirada das ideias dos que faríamos com Edward com seu rosto próximo ao meu, ele encostou nossos lábios e pegou o meu com os deles, sugando levemente e lambendo. Eu fechei os olhos, sorrindo, quando ele soltou meu lábio.
– Então quer dizer que você quer fazer isso mais vezes? – perguntei, imitando seu gesto de sugar o lábio inferior.
– Sim... – ele assentiu e puxou meu rosto para aprofundarmos em um beijo, que durou pouco tempo. – É isso que acontece quando você tem uma vizinha gostosa que beija muito bem. – outro beijo rápido. – Você acaba querendo que ela seja sempre sua vizinha.
Posso dizer que nossa tarde foi extremamente boa e que eu nunca beijei e me amassei tanto com uma pessoa como fiz com Edward. Não passou apenas de beijos e toques ousados, mas de qualquer jeito foi bom o suficiente. Edward aprendeu rápido os lugares que mais me deixavam arrepiada e me faziam gemer. E eu também aprendi rápido as coisas que ele gostava, como puxar seu cabelo da nuca e passar meus dentes na pele do pescoço.
Mas nós precisamos parar, e precisamos dar um tempo para os lábios de Edward voltar ao normal para que Emmett não percebesse nada. Então ficamos deitados na minha cama, vestidos, e conversando sobre a viagem. E na hora que Edward foi embora eu fui com ele até a porta do meu quarto. Ele me surpreendeu quando me puxou contra ele, encontrando os lábios com os meus e me deixando seu folego com um beijo daqueles.
– Eu precisava ver se já tinha tomado minha decisão. – falou quando nos separamos.
Mesmo ofegante, eu sorri e consegui falar.
– É? E qual foi? Eu consegui te convencer?
Ele trouxe os lábios para perto dos meus e eu tentei alcança-los, mas Edward afastou, soltando uma risada baixinha. Sua mão acariciou a minha cintura e desceu para minha bunda, apertando e me puxando contra ele.
– Mais do que me convenceu. – ele murmurou antes de juntar nossos lábios, se afastando depois. – Você me fez perceber que quero repetir mais isso.
– Ah é? – ergui uma sobrancelha.
– É. – ele assentiu e desceu os lábios para meu queixo, lambendo minha pele. – O que você acha?
Repetir mais daquilo? Se eu negasse com certeza seria considerada uma louca da cabeça que no fundo gostasse de mulher e por isso negava meu vizinho gostoso. E eu não era isso. Eu gostava de homens. Na verdade, eu gostava do Edward e da forma que ele beijava muito bem.
– Feito. – falei, pegando-o e puxando para mim para beija-lo mais e fechar o trato.
Rá, Rosalie tinha razão. Nós passamos de uma amizade para amigos com benefícios como ela disse. E eu não reclamava disso.
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