Aquela Garota

9 É Congênito


Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEEEEEEEEY eu sei que demorei, eu sei kkkk Mas galera, estou aqui e estou feliz de estar postando esse capitulo com 25 paginas para vocs.

1. http://www.youtube.com/watch?v=GNinMkWdHcQ&feature=relmfu

2. http://www.youtube.com/watch?v=XaY1navSEws

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8. É Congênito

Eu ouvia aquele toque insistente do celular ecoar pelo quarto, batendo nos meus ouvidos e me fazendo fechar meus olhos com mais força. Não fazia nem uma hora que eu havia conseguido dormir e já tinha amanhecido. Eram tantas coisas na minha mente rodando e me perturbando que eu tinha revirado a noite toda e não conseguido dormir quase nada. E quando consegui — ou acho que consegui — aquele celular tocando me atrapalhava. Resmungando, coloquei o travesseiro sob a cabeça, querendo que aquele barulho irritante parasse. Eu nunca tinha odiado tanto o toque do meu celular como naquele momento.

Não aguentando mais, eu o peguei brutalmente e atendi.

– Quem é? — fui curto, minha voz saindo rouca.

– Hmmmm, sabia que sua voz fica ainda mais sexy e deliciosa de ouvir quando acorda? Ainda mais quando você está nervoso assim.

Arregalei os olhos e soltei o ar ao ouvir quem era. Eu tinha na mente que só ela conseguia falar algo assim com a voz maliciosa e não parecer uma vadia, e sim que brincava. Tudo bem que ainda existiam garotas assim que também não pareciam, mas o que eu queria dizer é que contando com a nossa amizade, provavelmente isso deveria soar estranho. Mas não soava, pois ela conseguia deixar de forma engraçada sabendo o que falar. O que mais me perguntava era se isso só era comigo ou se com Alec também ela fazia essas brincadeiras. Talvez? Eles eram bastantes amigos. Mas isso não importava, porque naquele momento eu estava me sentindo bem por ouvir a voz da Bella do outro lado. Tinha sentido falta dela nesse final de semana.

Decidi que iria retribuir essa brincadeira, só para deixa-la sem graça, mesmo que não pudesse vê-la corar.

– Ficaria melhor se eu pudesse sussurrar no seu ouvido agora, pessoalmente. — falei baixo, deixando a voz mais rouca.

Ouvi um ofegar do outro lado da linha e me segurei para não rir. Eu podia imaginar como Bella estaria agora, totalmente parada, com os olhos verdes levemente arregalados, a boca aberta formando um pequeno "o" e as bochechas tingidas de rosa. Provavelmente sua mente estava trabalhando a mil, confusões passando por ela. E não era falta de modéstia da minha parte, pois não me achava tão assim para deixar uma garota perdida, mas essa era a Bella. Era exatamente assim que ela ficava e eu já tinha percebido. Ela paralisava e seus olhos desfocavam, como se ela já não estivesse no mundo, e sim flutuando por ele, se perdendo. Como uma boneca presa a balões.

Eu sempre me perguntava o que se passava em sua mente quando ela ficava assim, tão perdida de tudo e todos.

Ouvi ela pigarrear e coloquei a mão na boca, ainda prendendo a risada que queria dar.

– Bom dia, vizinho gostoso! — cumprimentou animadamente, já voltando ao seu estado normal.

– Bom dia, vizinha que some e me deixa com saudades.

– Eu sei, eu sei. Sou uma pessoa de presença tão marcante que quando desapareço nem que seja por algumas horas todos sentem minha falta. Não achei que com você seria diferente, Edward.

Eu não sabia se Bella, nessa pequena brincadeira, tinha alguma ideia de o quanto ela era marcante realmente. De como sua forma de pensar e agir acabava fazendo você se questionar tanto que depois era quase que impossível esquecer. Que quando você parava para pensar, ela sempre vinha e você se questionava ainda mais. A presença dela ficava mesmo com ela indo. Ela criava tantos porque na sua cabeça que formavam um bolo. Porque ela parava daquela forma com os olhos desfocados? Ou porque conseguia ser cara de pau, mas quando eram com ela, ficava sem graça? E porque Bella ao mesmo tempo em que parecia uma garota durona, conseguia parecer tão frágil?

Eu não conseguia entender nada disso.

– Claro, Bella. — concordei com ela. — Agora me diz por que está me ligando a essa hora?

– Você não gostou, Edward? — perguntou com a voz fininha e triste. — Quer que eu desligue? Porque por mim tudo bem e...

– Não! — cortei ela, soltando alto demais. Queria acabar com aquele tom triste dela. — Quer dizer, não quero que você desligue. E é claro que eu gostei você sabe disso. Ainda mais porque estava com saudades.

– E é nessa hora que você diz que me ama incondicionalmente e me pede em casamento? — sua voz soou ansiosa e logo Bella começou a gargalhar, comigo a acompanhando.

A risada dela tinha o toque rouco que vinha da garganta, mas quando lhe faltava ar ela puxava e nisso parecia que Bella estava se engasgando. Era engraçado e até fofo para uma risada, pois saia espontânea, inocente e verdadeira. O tipo de risada que te fazia rir junto do jeito que se a piada não tivesse graça, a Bella rindo você também riria. A risada infantil de uma criança. Ela fazia meu peito transbordar de felicidade porque Bella estava feliz, e isso me deixava bem também. Eu tinha sentido falta dela realmente.

E nessa porra toda eu era um fodido que estava ficando maluco porque reparava na risada de uma garota.

– Tudo bem, Edward, chega de lhe encher o saco e vamos partir para o sério. O que o senhor está fazendo dormindo a essa hora quando nós temos nossos encontros de todos os dias?

Apertei os olhos ao sentir minha cabeça doer com suas palavras. À noite mal dormida batendo na porta assim como os pensamentos perturbadores.

– Hm... Achei que você chegaria cansada da viagem, então...

Bella gargalhou.

– Eu dormi tanto naquele avião que posso ficar acordada por dias. — disse. — Estou totalmente no animo para correr um pouco. Mas... Parece que você não... Quer que eu desligue para que você volte a dormir, Edward?

Eu estava ansioso para ver e falar com ela, e quanto mais cedo melhor. Levantei em um pulo da cama, ignorando a dor de cabeça e o corpo apertarem de cansaço.

– Dormir é para os fracos, Bella. — falei, sorrindo. — Fico pronto daqui quinze minutos.

– Ótimo, vou estar te esperando lá fora, cupcake. Até.

Eu desliguei o celular, jogando-o na cama e seguindo pra o banheiro para fazer minha higiene matinal. Dez minutos depois eu estava descendo as escadas de casa com uma regata cinza e uma bermuda preta, pronto para correr pela praia. Passei na cozinha, encontrando Esme preparando o café da manhã.

– Achei que pela hora não iria correr. — comentou vindo me dar um beijo na bochecha. — Está melhor?

Eu assenti para ela, mesmo que não fosse verdade. Não precisava preocupar a cabeça dela com problemas meus e ainda mais que envolvesse meu pai, Carlisle. Seu sorriso de logo cedo de manhã tinha que permanecer o máximo que pudesse.

– Correr faz bem. — falei indo pegar uma maçã em cima da mesa.

– É bom que ainda se foque nisso. — seu sorriso se ampliou ainda mais. — Logo tudo volta aos eixos.

– Foi para isso que nos mudamos, certo? Ah, não. Foi pra fugir. — soltei irônico, mas logo que percebi respirei fundo. — Preciso ir, Bella está me esperando.

Sem nenhum dos dois falar mais nada, eu saí da sala seguindo para a porta da frente. Assim que a fechei nas minhas costas, sentindo a brisa de logo cedo atingir meu rosto, soltei o ar como se ele pesasse no meu corpo. Sentia o cheiro da maresia que vinha da praia no fim da ladeira, e aquilo parecia um bom calmante.

– Hey, vizinho!

Virei meu rosto na direção da voz dela, encontrando-a sentada na escada de sua casa. Bella tinha um sorriso nos lábios, e nas mãos o celular branco. Assim que ficou de pé, meus olhos foram atraídos para suas pernas. Duas coisas me atraiam nelas: serem pálidas demais para quem vive no estado ensolarado que era a Califórnia e também que Bella tinha belas pernas. Havia percebido isso quando a vi de vestido e salto alto.

– Também não precisa olhar para minhas pernas tão na cara assim. Ficaria mais legal se disfarçasse. — Bella falou e eu sorri para ela. — Apesar de que... Todo vizinho novo tem que ser bem direto e cara de pau, não é?

– Em filmes americanos alguns são. Então vamos ser assim: Bella, gosto das suas pernas. Elas são bonitas e...

– E... — me incentivou a continuar.

– Gostosas. — dei de ombros, vendo rapidamente as bochechas da Bella ficarem rubras. — Pronto, já consegui o que queria. Agora vamos que estou com saudades da praia.

Bella me lançou um sorriso malicioso.

– Só da praia?

– Ah é, e do ser animado e irritante chamado Isabella. — revirei os olhos. — Sempre me esqueço desse detalhe.

Bella riu e me deu um soco no braço, logo me puxando para começar a andar. Pedi para ela me contar como foi em Orlando com o pai dela, e fiquei sem reação com o que ela me contou ter feito no avião, sobre a velha com síndrome de vamos-morrer, o pivete que queria um beijo dela e sobre a pobre da aeromoça que sofreu na mão dela. Também sobre o tal italiano que ela ajudou Charlie a prender.

– Wow. — murmurei baixinho. — Eu... Bella, eu admito que às vezes algo lá dentro de mim, bem lá no fundo mesmo, me diz que eu tomar cuidado com você por que...

– Porque eu sou uma pessoa capaz de tudo? — sorriu na minha direção com os olhos brilhando. — Edward, todas as pessoas que me conhecem sentem isso. O que as diferencia é: se afastar ou não se afastar.

Eu olhei para ela, que moveu as sobrancelhas claras e finas de forma divertida.

– Se está esperando que eu diga que estou com medo e vou me afastar, desculpa lhe decepcionar, mas não vou. Primeiro que você é a vizinha mais legal e gostosa que tive, e segundo por que... Por que... Porque você é legal e gostosa.

Bella na mesma hora parou de correr e me encarou com a boca aberta e os olhos arregalados.

– Como você fala isso para mim, Edward? Quer dizer, eu tenho um irmão! E pior, é só isso que você tem pra falar de mim?

Ela tinha uma falsa expressão de quem estava ofendida, mas eu podia ver nos reflexos dos seus olhos divertimento. Eu voltei até ela, parando na sua frente, colocando minhas duas mãos em seus ombros. Bella era bastantes centímetros mais baixa que eu, sua cabeça batia em meus ombros.

– Na verdade eu tenho vários outros elogios para você, mas prefiro ir citando eles ao tempo que vamos ser amigos. Quero dizer, são muitos... — fiz uma careta. — E claro, tem também os defeitos.

– Está dizendo que tenho defeitos, Edward? — colocou as mãos na cintura, fazendo cara de quem estava muito, muito puta comigo.

– Não, Bella, eu estava apenas brincando. Você não tem nenhum defeito, loira. — dei um beijo em sua testa. — Agora vamos continuar?

Bella riu e assentiu com a cabeça, me puxando para voltamos a correr. Dessa vez estávamos indo pela calçada, pois Bella ficou com certo receio de encontrar aquele babaca que eu nem lembrava mais o nome.

– Mas e você, Edward, o que fez ontem que eu estava fora?

A pergunta de Bella fez minha noite mal dormida vir à mente, e assim todo o dia anterior vir a minha mente. Dei um sorriso nervoso a ela, que retribuiu, mas de forma animada esperando que eu começasse.



– Hmmmmmm. — Renesmee resmungou perto ao meu ouvido quando se remexeu na cama. Ela jogou um braço por cima de mim, fazendo sua mão dar um tapa estalado no meu peito.

Eu gostava quando fazíamos seção filme e ela dormia no meu quarto, mas isso quando eu também estava dormindo e não a via se mexer como se estivesse com formiga na bunda. Depois que eu acordava com o primeiro tapa, os outros de sequencias eram difíceis de ser ignorados. Tinha dias que ela ainda ficava quieta, mas hoje não era desses dias.

Abri meus olhos, que estavam ardendo por causa da claridade que a TV ligada causou a noite inteira. Nela ainda passava os vídeos caseiros que estávamos assistindo, ou melhor, repassando porque deveria ter rolado várias vezes a noite inteira. Gritos de incentivo ecoavam dela, e eu me via perdido na imagem... Mais uma vez.

Eu não queria assistir aquilo e lembrar-me de momentos que não voltariam mais, só que Renesmee insistiu tanto que acabei cedendo. Não entendia qual era a ideia dela de me fazer assistir aquilo, pois Renesmee fazia tudo com algo planejado. E também não tive tempo de perguntar por que ela me mandava calar a boca ou me cortava falando sobre os vídeos.

Renesmee se mexeu novamente ao meu lado, agora virando e se encolhendo. Ela resmungava coisas desconexas. Sua voz foi coberta por mais gritos vindo da TV, e nela a imagem da piscina olímpica e de uma torcida à loucura. Vi ali no meio Esme e Renesmee pulando, frenéticas. E um sorriso triste apareceu em meus lábios.

Querendo espantar os pensamentos tristes levantei e fui para o banheiro, fazer minha higiene matinal. Voltando para o quarto, estanquei ao ver Carlisle parado na porta, olhando para a TV. Ele percebeu minha presença e levantou seus olhos verdes na minha direção. Queria abaixar a cabeça para fugir de seu olhar acusador, magoado, decepcionado e com desgosto, mas tinha aprendido com o próprio que não deveria fazer isso e sim lidar com os erros de cabeça erguida. O encarei também, olhando-o nos olhos, prendendo meu olhar no seu.

– Porque está fazendo isso? — perguntou com a sua voz grave.

Olhei para a TV e neguei com a cabeça.

– Renesmee quem quis assistir, e eu não tive escolha. Você sabe como ela é... — dei de ombros. — Também não queria ver isso.

– Ver sua carreira ir por água a baixo, Edward? Uma carreira que investimos por tantos anos...

Desviou seus olhos de mim e eu abaixei os meus, apenas ouvido à animação de uma torcida que agora não existia mais apenas por um simples erro cometido. Eu não gostava de ouvir todos aqueles incentivos, e muito pior me ver ali nadando em uma piscina olímpica. Meu coração apertava só de lembrar-se de como era a sensação de estar ali, de ter aquelas pessoas por mim.

Tudo que eu mais amava e venerava tinha sumido da minha vida.

– Me desculpe. — pedi perdendo as contas de quantas vezes já havia feito tal coisa para Carlisle.

Ele rosnou de leve e eu me segurei para não dar um passo para trás. Carlisle nervoso deixava qualquer pessoa desconfortável, ainda mais quem o conhecia calmo e pacifico como era.

– Desculpas nenhuma, Edward, vai concertar esse erro. Não adianta repetir isso. Aceite que nada disso acontecerá mais e que toda a vida construída em Nova York também não terá mais. Jogue todos esses vídeos no lixo assim como fez com a sua carreira.

Dizendo isso ele me deu as costas e seguiu pelo corredor. Eu fiquei ali parado como um verdadeiro derrotado – porque era isso que eu era. Carlisle tinha toda razão e eu não deveria ir contra, mas era ruim saber que a pessoa que mais teve orgulho de você agora tinha era desgosto. Ainda mais essa pessoa sendo seu pai.

Enquanto assistia aos vídeos com Renesmee eu estava pensando em algo. E agora ouvindo o que ele falou, eu tomei a decisão.

Sai do quarto, descendo as escadas rápido e indo para a cozinha, que era aonde ele e Esme estavam.

– As coisas vão mudar. – falei, parando de frente para ele.

– Mudar como? – perguntou irônico. – Aqui você não tem nada que tinha lá. Reconstruir vai ser perda de tempo porque como você é, é bem capaz de jogar tudo para o ar novamente.

– Não vou cometer esse erro! – fale entredentes, tentando controlar minha raiva.

Carlisle deu um passo, ficando a minha frente.

– Você nunca aprende nada, Edward. Sempre foi um moleque que só pensava em curtir a vida, que nada importava, nem o que você dizia ser a sua vida. Como posso acreditar que agora vai ser diferente?

Eu puxei o ar audivelmente, sentindo que cada vez mais minha raiva aumentava.

– Porque eu aprendi, droga! – gritei, jogando as mãos para cima.

Esme se moveu para perto de nós, colocando uma mão no meu braço.

– Querido, se acalme. – pediu.

Era sempre assim, Carlisle falava algo, Esme vinha e me pedia para ficar calmo. Sempre.

Dei as costas aos dois, passando por Renesmee que estava parada na escada.

Sai de casa, batendo a porta com força sentindo que poderia explodir se continuasse lá dentro. Carlisle me sufocava, Esme me sufocava e estar no mesmo lugar que os dois quando acontecia alguma discussão fazia um circulo de dez metros em volta deles me deixava sufocado. Carlisle com a pressão que colocava em mim por causa dos meus erros, fazendo que eu sinta o peso nos meus ombros de qualquer forma. Ele não amenizava nada, essa era a sua intenção e cansava sempre ouvir as mesmas coisas, as mesmas reclamações, as mesmas mágoas e decepções. Eu já convivia com as minhas e não queria outras, mesmo merecendo. E Esme... Ela tentava ajudar e amenizar, mas acabava se tornando perturbador porque eu não merecia toda aquela compreensão dela falando "vai ficar tudo bem, querido", "isso um dia vai passar", "estamos com você", e no fundo eu percebia também certa mágoa e decepção em sua voz. Ela apenas me amava incondicionalmente e não gostava de me ver mal, mas não adiantava de nada.

Como não se sentir mal quando você carregava a culpa porque realmente tinha culpa? Nada ali fora armação, apenas ações idiotas com consequências merecidas.

– EDWAAAAAAAAAARD!

Olhei para o lado para ver quem me gritava tão desesperado e me deparei com Emmett, o irmão da Bella, vindo à minha direção com um skate. Ele balançava os braços e os olhos estavam arregalados. Não deu tempo para eu correr, logo era acertado por ele e seu skate. Cai no chão, batendo minha bunda no concreto da calçada, e soltei um gemido de dor. Emmett caiu ao meu lado, de cara no chão, e o skate foi parar em algum lugar.

Ouvi rodinhas e quando levantei a cabeça Alec vinha na nossa direção em cima de um skate também. Ele estava com os olhos arregalados, mas eu percebia que se segurava para não rir. Com uma careta, eu levantei e limpei minha roupa, me virando para Emmett que ainda estava no chão.

– Você não sabe andar de skate, cara? — perguntei, tentando não ser grosso.

– Está me tirando, Edward? — ele levantou com a ajuda de Alec, que ria. — Eu sou o melhor do tigela para sua informação. — ergueu levemente o queixo mostrando seu orgulho.

– Pois não foi o que pareceu agora. — murmurei para mim mesmo, mas ele e Alec escutaram.

– E eu tenho culpa que você parou bem no meio da calçada? Você que é um tapado. — me deu um tapa no ombro com uma careta.

Isso ele tinha completa razão, porque com o nervosismo que eu estava nem percebi nada. Mas pra que iria olhar para os lados no meio da calçada? Isso só era coisa pra se fazer em uma rua. Só que pelo que parece tendo os irmãos Swan como vizinhos, coisas que eram consideradas normais e sem perigo com eles eram completamente o inverso.

– Tudo bem. — suspirei.

Emmett deu de ombros e foi até a rua buscar o skate dele que tinha parado do outro lado dela. Alec estava parado, quieto, como Bella já havia me avisado que seria com ele. Era estranho ver um garoto que podia falar normalmente ficar daquele jeito, tão parado e quieto. Ainda mais que o vi tão animado e falante na DAR. E claro ousado porque tinha beijado a minha irmã. Nunca me esqueceria dessa ousadia dele.

Quando Emmett voltou, parou bem na minha frente com uma careta.

– Você está bem? — perguntou.

– Depende do bem que você está se referindo.

– Bem do tipo "UHU, HOJE ESTAMOS SEM A BELLA!" — jogou as mãos para cima, animado, e Alec o imitou. — É esse o tipo de bem que estou falando, porque cá entre nós... — se aproximou de mim para falar no meu ouvido. — Acordar sem dar de cara com aquela loira é uma das melhores coisas que podem acontecer. Ah, e que só acontecem de duas em duas semanas.

Isso quer dizer que Bella vai de duas em duas semanas para Orlando? De alguma forma aquilo me deixou desanimado porque passar os dias com ela era mais animados e saudáveis do que qualquer outro dia que eu já tenha passado com alguém. OK, não tão saudável assim porque sempre acontecia algo que não era bom, mas com certeza mais saudável do que as formas de diversão que eu vivia em Nova York.

Eu não sabia como Emmett podia ficar feliz em ter Bella longe, porque eu não ficava. Mesmo eu percebendo que os dois tinham uma ligação forte, ele mesmo assim parecia feliz. E Alec, esse, com certeza, só estava indo na onda do Emmett, porque pelo que Bella tinha me falado ele amava a presença dela e os dois eram realmente bons amigos.

– Bem... Eu não estou nada bem se for desse jeito. — dei de ombros. — Aliás, nunca ouvir falar em ficar bem só porque Bella está longe. Mas... Na verdade eu não estou bem de nenhum jeito.

Os dois se entreolharam e depois viraram para mim. Eu tinha falado isso porque na minha mente passou a ideia rápida de que eles pudessem de alguma forme entreter meu dia, já que não tinha hoje a Bella aqui comigo. Emmett era irmão dela, talvez a Sra. Swan tenha passado o mesmo gene para os dois e eles sejam do mesmo jeito: malucos e cheios de energia para aprontar alguma. E isso significava que assim como no dia que fomos à lanchonete/cafeteria procurar trabalho, eu só volte pra casa à noite e exausto o suficiente para apenas tomar um banho e cair na cama sem ver Esme e Carlisle.

– Sabe o que eu acho, Edward? — Emmett veio para o meu lado e passou o braço por cima dos meus ombros.

– Não, o que? — olhei dele para Alec, que fez uma expressão de "você não devia ter perguntado isso, cara".

– Que você precisa conhecer mais o lugar que vivemos, me entende? Acho que está na hora de nós apresentarmos pra você o tigela! O lugar aonde você vai viver suas melhores emoções como andar de skate e fazer muitas manobras, conhecer gatinhas — mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva. -, e se enturmar com a galera mais divertida que pode passar pela sua vida. E estou falando isso porque eu faço parte dessa galera. — sorriu amarelo e piscou os olhos rapidamente.

– Hmmm. — murmurei, sem saber o que responder.

Eu queria sim diversão, mas pela forma que ele falou estava pensando duas vezes antes de participar disso, porque quando ele disse "galera" senti que íamos passar de três para mais pessoas e essas pessoas eram iguais a eles. E o que eu tinha percebido aqui é quanto mais gente perto deles, mais bagunça sairia.

– Cara, com nós você vai esquecer seus amigos de... De... De onde você veio mesmo? — perguntou com uma careta.

– Nova York, Emmett. Eu já lhe falei isso. — respondi, com tédio.

– Ah é, verdade. Desculpa ai, Edward, é que naquela hora eu só prestei atenção mesmo quando você disse o que Bella estava fazendo na sua cara. Não me leve a mal, mas não presto atenção em papo com homem assim e eu precisava de informações para ferrar minha irmã.

Claro, eu tinha percebido que quando eu me apresentei — como ele pediu -, ele ficou me encarando como se eu fosse uma parede, e quando comecei a falar da Bella ele acordou na hora. Impossível esquecer meu primeiro dia aqui.

– Tanto faz. — falei.

– Mas então, como eu ia falando, você vai se esquecer de seus amigos de Nova York e querer ficar com nós para sempre! Não é, Alec?

Esse apenas assentiu. Sua presença era tão fácil de esquecer.

Emmett tinha completa razão e tinha falado o que eu mais queria: esquecer meus amigos de Nova York. Esquecer as pessoas que eu não iria ver mais na minha vida era muito fácil. Ou não.

– Tudo bem. — balancei a cabeça.

– É isso ai, garoto! — ele deu um soquinho no meu braço. — Então se prepara porque agora nós vamos para o tigela, nosso paraíso.

Eu esperava mesmo que fosse um paraíso e que eu ficasse vivo hoje.


Bullet Soul — Switchfoot

Assim que paramos em frente o tal tigela, eu vi como era realmente esse tal lugar. Bem na entrada tinha uma placa de madeira escrita Pioneer Skatepark branco e embaixo tigela com J em letras grafitadas, e o lugar era circulado por uma grade. Lá dentro havia várias pistas de skate e pessoas fazendo manobras. Em um canto um pequeno trailer que servia como lanchonete com algumas mesas em formato de piquenique de concreto. Garotas com short curto ou saias e bonés andavam por ali, algumas carregando skates. Ouvia gritos de todos os lados, de felicidades pelas realizações de manobras novas. Ao fundo, do outro lado da grade, tinha algo que poderia ser chamado de clube porque tinha um enorme gramado aonde pessoas jogavam golf, uma "montanha" com uma mansão enorme lá em cima. Estávamos no fundo do lado rico de LA.

Nós três ficamos parados bem na entrada, Emmett e Alec esperando que eu observasse o lugar direito. Uns caras passaram por nós, cumprimentando os dois, umas meninas também falaram "oi" ao passar, dando risadinhas. E eu só conseguia pensar que aquele lugar era realmente legal. E o pior, que me lembrava muito a Bella. Na nossa frente passou uma garota morena de olhos verdes e com um short curto e uma regata branca que mostrava sua barriga. Ela sorriu e piscou um olho para mim, me fazendo erguer uma sobrancelha e sorrir de canto para ela também. Ela era linda, e chamava a atenção por onde passava. Segui ela com meus olhos, vendo-a caminhar até um cara, que passou o braço em volta da sua cintura.

– WOW! — Emmett ficou na minha frente, com os olhos arregalados.

– O que? — perguntei, me virando para ele.

– Você viu isso, Alec? — me ignorando, virou para o mudo, que assentiu também de olhos arregalados. — Foi a melhor coisa que fizemos trazendo você pra cá!

– Por quê? — perguntei de novo.

– Edward você acaba de receber um sorriso e uma piscada da garota mais gostosa daqui! Você sabe o que é isso?

– Er... Que eu recebi uma piscada da garota mais gostosa daqui?

Ele me olhou com cara de tédio e suspirou.

– Também. — disse sem expressão e depois logo sorriu animado. — Mas que também hoje nós vamos nos dar bem!

– Hã?

– Quer dizer, você vai se dá bem! — jogou as mãos para cima. — Espera ai que eu já volto! ALEC, REUNIÃO!

Ele puxou o mudo para um canto, que foi arrastado. Eu fiquei ali parado, sem entender nada do que ele estava querendo dizer com o "você vai se dá bem", porque o que tinha uma garota me mandar um sorriso? Várias daqui fizeram isso, e falaram com eles, que era mais um avanço. Qual é, o que eu perdi nisso?

Olhei para os dois, que entre murmúrios pareciam discutir algo. Emmett deu um tapa na cabeça do Alec, que em retribuição deu um soco no ombro dele. Nisso eles discutiram mais e com um suspiro de Alec, os dois voltaram até mim, parando bem na minha frente. Emmett tinha um sorriso animado até demais e Alec estava com uma expressão emburrada. Talvez pelo tapa na cabeça?

Semicerrei os olhos na direção daqueles dois.

– E então? — perguntei, querendo saber o porquê daquela cena toda.

– Edward, hoje você vai se dá bem, meu filho. Você vai pegar a garota mais gata e gostosa daqui.

– E porque eu?

– Porque ela deu bola pra você, dã. — revirou os olhos. — Só que tem um problema.

– E qual é?

– Ela tem um namorado. — ele apontou para o namorado da garota e eu arregalei os olhos.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! — berrei.

song off

– Shiiiii. — fez para mim como se meu grito importasse para alguém ali.

Algumas pessoas olhavam na nossa direção, mas eu nem me importei. Meus olhos estavam grudados no garoto que eles disseram ser o namorado da menina. Ele era algo como músculos do Emmett multiplicado por dez e expressão do Walter da lanchonete da Bella multiplicado por vinte. Seus braços deviam ser dois de mim, e sua mão devia ser uma mistura de humano com gorila. Ele era uma mutação gigante de colocar medo em qualquer um. Usava uma regata — porque as mangas foram rasgadas — e os braços eram cheios de tatuagens.

– Eu não vou dar em cima de uma garota que tem um... Um... Uma mutação como namorado. — engasguei. — Vocês podem imaginar o que ele vai fazer comigo?

A cena de meu crânio sendo esmagado por aquelas mãos do Huck me fez tremer dos pés a cabeça.

– Deixa de besteira, porra! — Emmett me deu um tapa nas costas fazendo a minha imaginação dissipar na mesma hora. — Ele não vai esmagar sua cabeça porque seu cabeção é muito grande.

Lancei lhe um olhar de raiva e ele fez careta, me ignorando. Voltou a olhar para o mutante que estava agarrado à namorada, e conversando com os amigos dele. Eram iguais a ele, todos musculosos cheios de tatuagem e com expressões nada amigáveis. Os Mutantes. O mutante e sua Gangue. Eu podia pensar em vários nomes para esses caras. As Mutações. Ou Os Destruidores de Crânios. Nenhum deles os fazia parecerem pessoas legais, amigáveis e que me deixariam dar em cima da garota.

– Eu não vou fazer isso, Emmett. — falei, entre dentes. — Tenho muita coisa ainda pra fazer nessa vida.

– E uma delas é pegar aquela garota. — passou o braço por cima do meu ombro. — Meu caro novo amigo, você é novato aqui, então precisa de algo que vai fazer você se enturmar.

– Eu já não me enturmei com vocês?

– Mas temos um grupo, e esse grupo é muito... Difícil de ser agradado. Pegando a Karen, você vai ser considerado um... Fodão e então faz parte do grupo, entende?

– Estou entendendo. — murmurei, com os olhos semicerrados. — Mas só que essa garota tem um namorado!

– Eu sei, eu sei... E é esse o X da questão, porque Karen é uma... Garota que não gosta de ser compromissada, mas fica com aquele brutamonte pra afastar os caras chatos, entende? E se ela deu bola pra você é porque te considera legal. É sua chance, Edward! Agarra, cara!

Olhei de Emmett para Alec, que balançava a cabeça em forma de negação. O magrelo mudo estava com uma expressão de desespero, e eu tinha certeza que aquilo era por causa da loucura que Emmett queria me meter. Ele era irmão da Bella, o que eu podia imaginar que viria dele? Coisas boas e saudáveis que não era.

– Não sei não... — falei.

– Eu não acredito! — Emmett me olhou surpreso. — Você é uma marica, Edward? É isso? Eu não acredito que escolhi um cara marica pra ser amigo, estou ficando ruim mesmo. Achei que você era dos nossos, corajoso e tudo, mas me enganei...

Emmett balançou a cabeça em desgosto e suspirou triste. Eu não me importava o que ele estava sentindo, eu estava com muita raiva de ter sido chamado de maricas quando eu não era. Ele iria se arrepender de ter me chamado assim porque eu iria pegar aquela garota e iria esfregar isso na cara dele.

– Qual é o plano? — perguntei olhando pra ele, decidido.

Emmett levantou a cabeça e me encarou sorrindo, eu podia ver seus olhos brilhando. O cara era maluco, só pode!

– Edward, nã... — Emmett tampou a boca de Alec, que revirou os olhos.

O Swan estava dando um sorrisinho nervoso demais para meu gosto.

– O plano, Edward, é o seguinte...


Eu estava encostado no poste de luz que tinha ali, perto das mesas de concreto e do trailer/lanchonete. Via Emmett do outro lado do pátio de skate, com Alec, eles me encaravam. Desviei meus olhos para a garota, a tal de Karen, que estava apoiada em seu namorado, ouvindo e rindo do que ele falava. Dava para ver a forma possessiva com que ele segurava a cintura dela, e também como seus parceiros mutantes formavam uma roda em volta como se fosse para proteger.

Tudo isso por causa de uma garota?!

Emmett estava me colocando em uma encrenca feia e o pior é que eu ia às ideias mesmo sabendo que tudo no final resultaria em merda e eu com meu crânio quebrado, amassado, destruído como se fosse uma pessoa amassando um ovo de páscoa. Tudo bem, eu exagerei, mas podia ser assim, não podia?

Vamos lá, Edward, você não é homem? Ou é uma marica, como Emmett disse?! Não! Cala a boca! Eu não sou uma marica e vou provar para Emmett.

Ouvi um assobio vindo de Alec, que me tirou da minha briga interna com meu eu ignorante e marrento e olhei para a garota. Ela estava se afastando do namorado, e como Emmett tinha me falado no plano, ela iria vir para aonde eu estava para comprar alguma coisa. Ele falou que ela sempre falava "amor, eu estou com sede", mas a verdade era que ela só queria sair das garras dele e mostrar suas curvas pros caras do parque. Eu ajeitei minha roupa e segui para o trailer/lanchonete, encostando-se ao balcão. Uma garota de cabelos ruivos e sardas no rosto — até mais que as de Bella -, veio me atender.

– Olá. — falou educadamente e com a voz infantil. — Vai querer o que hoje, amigo?

Eu sorri para ela e de propósito enrolei para escolher algo. Como se tivesse no dia que Bella arranjou emprego na lanchonete, eu fiquei ali avaliando o cardápio. A verdade era que eu estava esperando a Karen encostar ali para fazer o que tinha combinado com Emmett e Alec. Continuei olhando o cardápio, percebendo a menina com cara de impaciência, quando senti uma presença do meu lado. Olhei de canto e percebi que era a Karen, e isso por causa do boné azul que ela usava. Boné azul... Isso também me lembrava de Bella quando a vi com ele virado para trás.

Porra, eu tinha que parar de pensar nessa garota!

– E então, amigo? — a garçonete me tirou da minha raiva interna, cutucando meu braço. — É pra hoje o que você quer?

– Er... — olhei para Karen e ela estava me encarando. Quando percebeu que eu a olhava, deu um sorrisinho. — Eu vou querer o que a amiga aqui pedir.

A ruivinha bufou e saiu de perto de mim, resmungando algo. Isso só fez Karen soltar uma risada divertida e se aproximar de mim.

– Você sabe que isso não vai colar, certo? — perguntou, sorrindo.

– Do que você está falando? — me fiz de desentendido.

Qual é, já tinha feito isso muitas vezes na minha vida. Digo, dar em cima de uma garota começando pelo que ela vai pedir, não em dar em cima de uma garota compromissada com um mutante com mãos de Hulk.

– De me chamar de amiga e pedir a mesma coisa que eu. Sei que vai falar que é porque tenho cara de quem tem bom gosto e que vou saber o que escolher, e essa frase vai ter uma segunda intenção porque está se referindo que vou escolher você. Eu já passei por isso.

– E eu já fiz isso. — sorri para ela que riu. — Tudo bem, você sabe meu segredo, isso faz nós sermos bem próximos, certo? Meu nome é Edward. — estendi a mão para ela, que apertou.

– Karen.

Eu sei. E isso porque o irmão da minha vizinha estranha está me chamando de marica porque quer que eu faça você colocar um chifre na cabeça do seu namorado esquisito.

– Você é amigo de Emmett e Alec? — ela perguntou e eu fiz uma careta.

Olhei por cima do ombro dela, vendo Alec e Emmett ainda em seus postos prontos para quando eu desse o sinal fosse para o lugar combinado. Voltei à atenção para ela.

– Não exatamente. Emmett é meu vizinho e está me mostrando o lugar.

Opa, Edward, informação demais.

– Sério? E ele está fazendo isso certo ou... Já colocou você em alguma furada?

Eu queria gargalhar por saber que ele era conhecido por seu "dom", o que me fazia ligar os pontos e saber que Bella também era. Os irmãos Swan deveriam ser muito famosos por aqui, pelo que parece. Se eu falasse para Karen que ele tinha me metido em uma furada ela saberia que estava falando dela?

– Até agora... Está tudo indo bem. — dei de ombros. — Pelo menos até agora.

– Ah, claro. — riu.

– E então, já decidiram? — a ruivinha voltou, ainda com aquela expressão de que impaciente.

Karen olhou para mim e depois sorriu ainda mais, virando para a ruiva. Ela pediu uma água com gás.

– E você? — a ruivinha apontou para mim.

– O mesmo que o meu. — Karen ergueu levemente o queixo em desafio.

Prendi uma careta porque eu odiava água com gás, mas não cederia para ela. Essa garota deveria saber que a maioria das pessoas odiava água com gás, por favor, para pedir isso.

– Certo. — assenti com a cabeça, mesmo querendo negar e pedir só uma água natural.

A ruivinha foi pegar as águas e eu quem paguei as duas, deixando Karen falando sozinha. Nós nos sentamos nas mesas de cimento, conversando. Ela engatou em uma conversa sobre o lugar, falando do porque de chamarem tijela e como funcionava ali. Informações que Emmett não tinha citado. Desconfiado, quis saber mais um pouco, perguntando sobre o grupo que Emmett fazia parte.

– Bem... Esse é o tipo de grupo que poucos querem fazer parte. — ela murmurou, olhando pra sua garrafa. — Eles são bem legais, são os que mais atraem as pessoas, só que eles gostam muito de brincadeiras e essas sempre trazem multas para o tigela, entende? Não são como os que arrumam confusões e brigas, eles gostam de brincadeiras, apenas isso. Quem sabe, se afasta para não entrar nessas encrencas. Mas o que não sabem...

– Como eu...

– Como você, bem... A maioria soube seguir o ritmo deles.

– E quem comanda o grupo? Porque grupos sempre tem um líder...

Karen arregalou os olhos como se a minha pergunta fosse óbvia e eu fosse um burro por não saber. Um nome rodava na minha cabeça.

– É claro que a garota que mais tem imaginação para isso. Bella Swan. Edward, como não pode saber isso se ela é sua vizinha e você anda com o irmão dela?

Talvez, porque o irmão dela seja um mentiroso dizendo que o grupo não me aceitaria só porque queria que eu fizesse algo que ferisse o ego do seu namorado. E como eu entendia bem de caras como Emmett, sabia que isso era algum tipo de vingança de algo do passado, e ele estava me usando para pagar.

Mas era um filho de uma... Renée era muito legal, não merecia tal xingamento. Mas Emmett merecia uns bons cascudos por me colocar nessa.

Eu ainda tinha a chance de sair dessa furada, podia dar tchau para Karen e ir para minha casa, que mesmo com os desentendimentos com Carlisle e Esme ainda era mais seguro do que passar o dia com Emmett e Alec, só que minha mente maldosa e orgulhosa ainda se lembrava de Emmett me chamando de marica e sabia que ele faria pior que isso se eu fugisse. Então, eu estava decidido a fazer o que eu tinha que fazer correr o risco de ter meu crânio amassado e caso continuasse vivo, mataria Emmett.

Sim, eu o mataria.

– Eu... Deveria imaginar que era ela. — falei para Karen, que riu.

– Aquela garota é um... Furacão, ou algo pior. Todos aqui a respeitam porque sabe como ela pode ser. É impressionante o pique, a forma como ela vive. Você não acha? — franziu as sobrancelhas.

Sim, eu achava. Bella era animada demais, elétrica demais, tudo de mais que significasse não conseguir ficar parada. Era difícil acompanhar seu ritmo em algumas coisas. Na caminhada eu não tinha problema por causa da minha musculatura e anos fazendo aquilo, mas em quesito animação só conhecia uma pessoa que acompanhava e essa era seu irmão. Tinha a duvida que isso fosse coisa do sangue deles, apesar de Renée ser uma mulher calma. Talvez o pai deles fosse animado como os filhos.

Eu não queria ficar falando da Bella com Karen. Pra falar a verdade com ninguém. Tinha minhas duvidas sobre ela, mas não sairia falando isso para as pessoas. Eu ainda tinha a meta de descobrir o que Bella tinha e o porquê de ser assim.

– Sabe o que eu percebi? — perguntei, desviando o foco, Bella, da conversa. — Que você ainda não bebeu nem um gole da sua água.

Karen só tinha aberto a tampa, mas não tomou. Ela ficava ali olhando enquanto conversava comigo. A minha eu nem tinha mexido, continuava do mesmo jeito, lacrada.

Ela gargalhou alto, me fazendo encara-la com uma sobrancelha erguida.

– Eu odeio água com gás, Edward. Só comprei porque queria ver o que você ia fazer. — abanou o ar com a mão, ainda rindo. — E percebi que você também não gosta.

Empurrei minha garrafa pra ela, odiando ter sido pego nessa. Karen se aproximou de mim no banco, deixando sua perna encostada na minha, e tocou meu braço.

– Eu só queria ter mais um motivo para ficar perto de você.

Suas palavras me fizeram sorrir, sabendo que seria mais fácil do que eu imaginava. Uma única coisa Emmett tinha completa razão: Karen era fácil demais. Legal, mas fácil. Eu sorri de canto para ela, lançando um olhar malicioso que ela captou. Passei a mão no cabelo e logo percebi o movimento de Emmett e Alec se aproximando. Era hora de assinar meu contrato com a morte e não ser mais chamado de marica.

– E porque você iria querer ficar perto de mim?

– Você tem algo em mente? Porque eu tenho muitas coisas...

– O que eu tenho em mente... É interessante. — aproximei meu rosto do dela. — Talvez alguma de nossas ideias combine. — sussurrei.

Karen se inclinou para frente até seus lábios tocarem nos meus. Minhas mãos foram para sua cintura, a puxando para perto enquanto minha boca envolvia a sua. O plano de Emmett era que eu conseguisse beijar Karen para que todos vissem menos o namorado mutante dela. Como? Ele e Alec ficariam na frente, conversando e fingindo que não fazem parte disso, apenas que escolheram aquele lugar para parar e conversar. Era um plano mal elaborado, eu sabia, mas tinha um ponto positivo nisso tudo. Que era: Karen beijava muito bem. Se eu fosse morrer, pelo menos que tivesse aproveitado algo bom antes.

Karen passou a mão pela minha nuca, alisando, para depois descer pros ombros. Ela foi descendo mais a mão, e mais e mais. Ela estava quase lá... Quase...

– QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

Eu empurrei Karen com tudo, fazendo-a cair do banco com as pernas para cima. Olhei para frente e o namorando mutante dela estava entre Emmett e Alec, me lançando um olhar furioso.

FUDEO, VOU MORRER!

Duas coisas aconteceram naquele momento que eu via toda a minha vida passar diante dos meus olhos. A primeira foi Karen levantar furiosa e apontar o dedo para mim, gritando barbaridades que eu não compreendia. E a segunda foi Emmett e Alec empurrarem o namorado mutante para cima de uma mesa, fazendo-o cair. Eles aproveitaram isso para me puxarem e começar a correr pelo Pioneer Skatepark como três loucos.

Para falar a verdade eu não estava correndo, eu estava mesmo era sendo puxando pelos dois. Eles gritavam alguma coisa, mas assim como aconteceu com Karen, eu também não entendia. Estava em estado de choque com minha vida passando diante dos meus olhos, desde quando eu era bebê até hoje, aqui, prestes a morrer.

– ACORDA, EDWARD! ACORDAAAAAAA!

Senti uma dor horrível na cabeça e percebi que foi Emmett quem tinha dado um “crock-soco” ali.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! – levantei o punho para devolver o soco.

– Shiiiiiiiiii. – Alec fez, junto de um rosnado. – Vocês, calem a boca que eles estão vindo ai.

Olhei para os lados e percebi que estávamos escondidos em algo que parecia um túnel. Aonde era eu não fazia a menor ideia porque não vi como chegamos ali. Alisei minha cabeça, xingando Emmett de todos os palavrões que conseguia pensar. Não precisava me bater daquela forma.

– Cadê aqueles desgraçados? – ouvi a voz grossa vir de um lugar perto.

– Devem ter se escondido em algum lugar.

– Droga! Aquele ruivo vai me pagar!

Já dava para saber quem era o namorado-mutante, yeah. E pelo seu tom de voz e raiva que demonstrava, ele, com certeza, queria minha cabeça em uma bandeja. Minha linda cabeça, com meu lindo rosto, em uma bandeira para um cosplay de Hulk só que bronzeado ao invés de verde. Isso era muito injusto para mim que deveria ter uma vida linda, como campeão em natação, com uma namorada loira e gostosa, só que acabaria era sendo comido vivo por um mutante.

Senti vontade de chorar naquela hora. Quero a minha mãe!

– Vamos continuar procurando!

– Podem achar aquele ruivo maldito porque ele vai saber a força do meu punho.

Pronto é agora que eu sei a minha morte e começo a chorar.

Emmett e Alec me encararam ao ouvir meu choramingo, depois soltaram uma risada. Dei um soco no braço de cada um, usando toda a força que tinha, o que fez eles resmungarem. Esperamos alguns minutos para ver se eles tinham ido embora e só havia silêncio ali. Como estávamos sós...

– AI! – Alec gritou.

– Porra, Edward! – Emmett alisou o braço, que eu havia dado outro soco. – Por que fez isso?

– Porque vocês dois me colocaram nessa fria! Agora aquela... Aquela... Aberração criada por humanos quer me comer vivo. Eu vou morrer por causa de vocês!

– Também não exagera que não vai acontecer isso. Ele não vai te comer vivo, cara... – suspirei. – Vai te dar pros cachorros dele te comerem vivo.

E mais um soco.

– Para com isso, Edward!

– Emmett, eu acho melhor você me tirar dessa furada antes que eu acerte socos nessa sua cabeça vazia. Ele quer me matar por fazê-lo ser corno, então concerta isso, e logo!

Eu era um estupido por me deixar ser levado pelo desafio. Esse era o meu ponto fraco, foi o que acabou com a minha vida em Nova Iorque e agora novamente aqui estava eu, me metendo em mais uma furada. Já estava pensando em fazer minhas malas para me mudar de novo ou então iria morrer aqui na Califórnia.

Mas ir embora seria não ter mais Bella como vizinha. E agora, ficar e sofrer o risco de ser assassinado ou ir embora e não ter mais a doida da Bella de vizinha? Será que ela aceitaria entrar na minha mala e ir embora comigo? Às vezes minha vontade era essa mesmo, de guardar Bella em algum lugar para mim.

– E como você quer que eu faça isso? – Emmett me tirou dos meus pensamentos.

– Eu não sei, se vira!

– Você quer que eu chegue ao Huck e fale “Hey, cara, não tente matar meu amigo porque a culpa não é dele, e sim minha, que o desafiei a fazer isso porque sabia que ele era idiota o suficiente para dar o troco por mim.” É isso?

– Yeah! Eu quero que você fale pra ele não me matar e... O QUE? Você o chamou de Huck? Você me usou para dar um troco que ele te fez corno?

E mais um soco.

– Que porra, Edward, para com isso! – ele alisou o lugar, emburrado.

– Me responde!

– Er...

– Responde logo. – Alec, que até então estava quieto apenas assistindo, colocou a mão no ombro do amigo.

Eu soltei um rosnado, ameaçando dar mais um soco nele se não abrisse a boca.

– O apelido dele é Huck, ok? E não é exatamente um troco... É que por causa dele o meu “rolo” com a Karen não deu certo, entende? E ela foi com a sua cara, eu apenas aproveite.

– Aproveitou? Aproveitou? Porra, você assinou meu atestado de óbito!

– Já disse pra não exagerar, Edward. Você não vai ter um porque ninguém vai achar seu corpo.

Aquilo foi o que bastou para mim, eu fui consumido por uma raiva e enxerguei tudo vermelho. Avancei em Emmett, com o punho fechado pronto para lhe dar um soco no meio da cara. Se não iriam achar meu corpo, também não achariam o dele. Sra. Swan e Bella que me perdoasse só que eu mataria aquele garoto.

Emmett desviou do meu punho, eu fui com o esquerdo, e ele não esperava, acabou sendo acertado. Encostou-se à parede do túnel, sendo segurado por Alec, que tinha um sorrisinho maldoso nos lábios.

– Eu avisei. – o mudo que fala soltou, irônico.

– Você vai morrer comigo, Emmett!

Avancei novamente nele

– Huck, encontrei eles!

Nós três olhamos para a entrada do túnel e lá estava uma daquelas aberrações de mistura, olhando para nós com um sorriso nos lábios. Trocamos olhares, os olhos esbugalhados.

– PEGUEM ELES!

– CORRE! – gritamos juntos.

Corremos para o fundo do túnel, que eu não fazia a menor ideia de aonde iria dar. Emmett ao meu lado gargalhava alto, se divertindo com a situação. Eu dei um empurrão nele, indicando que parasse. Alec corria a mais a frente, entrando de túnel em túnel, mudando o cursor. Perguntava-me para aonde ele estava nos levando, já que eu me perdi desde que entramos ali.

Podia ouvir outros passos atrás de nós, o que indicava que o Huck e o grupo dele nos seguiam. Tremia dos pés a cabeça, não querendo ser morto jogado pros cachorros sem minha mãe e meu pai saber o que aconteceu. Que pelo menos eu tivesse um velório!

– Para de choramingar, Edward, e corre!

Emmett me empurrou pra frente, e por uns vinte minutos nós seguimos assim. Eu não me cansei, ao contrário de Emmett e Alec que só faltavam colocar os pulmões para fora de tanto que corriam. Eu tive que pegar os dois pelo braço e puxar pra continuarem e correr.

– Olha ali! – Emmett apontou para uma escada que estava no final do túnel.

Corremos para lá, empurrando a tampa e subindo primeiro Alec, depois Emmett e eu ficando por ultimo. Estava quase saindo quando senti mãos me pegarem meu tornozelo e me puxarem para baixo. Emmett agarrou meu pulso e tentou me puxar. Eu estava sendo esticado e já previa sendo cortado ao meio.

– Parem! Me solta! – eu berrava, desesperado.

Porra, eu não queria morrer assim, sendo puxado por dois caras. Era muita vergonha para uma pessoa só. Balancei meu tornozelo freneticamente até acertar algo que estalou, e então Huck me soltou. Sai pela boca do buraco e olhei para baixo, vendo ele com a mão no nariz, que sangrava. Foi o ultimo vislumbre dele que tive antes de Alec fechar com a tampa.

Estava quase para cair no chão quando Emmett me puxou pelo braço para voltar a correr.

– EU VOU MATAR VOCÊS, SEUS DESGRAÇADOS! – a voz do Huck soou macabra e eu tremi.

Continuamos correndo pelo que eu reconheci ser um beco, e quando saímos demos de cara com a praia. Tínhamos corrido pelo túnel para sair do outro lado, o contrário do Pioneer Skatepark. Se misturando pelas pessoas que passavam pela calçada, seguimos em direção a grande colina que dava pra nossas casas.

Foi um silêncio por enquanto, só que Emmett era... Emmett Swan, irmão da Bella, e eles não se importavam com o perigo.

– Wow, que aventura! – falou, se apoiando em mim. – Agora me diz Edward, nós somos legais, não somos?

Eu o empurrei com força, o fazendo bater na parede.

– Fica longe de mim, Emmett. Você me colocou em uma que agora vou ter que ir embora. Mudar de cidade, de estado, de país! – joguei as mãos para cima.

– Sem exageros, Edward, já disse. Você só vai ter que mudar de planeta. – ele sorriu e mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva.

– Vai se foder! – o empurrei de novo enquanto ele e Alec gargalhavam daquela loucura.

Alec se despediu de nós uma rua antes da nossa. Ele, com sua mudez, apenas acenou, e foi Emmett quem combinou de ele depois de se arrumar ir para a DAR ficar com ele lá, já que iria trabalhar. Depois nós continuamos a subir até chegar à nossa rua. Quando vi minha casa, um cansaço tomou conta de mim só de pensar que teria que enfrentar a ira de Carlisle e Esme ao contar pra eles que teríamos que nos mudar novamente. E também ainda teria que sequestrar Bella caso ela não quisesse vir comigo.

– Morri. – me joguei na varanda de casa todo largado.

– Não exagera Edward, porque você ainda não morreu.

Se eu não estivesse tão cansado para levantar a mão eu iria dar outro soco nele, mas só pensar em fazer isso já era cansativo e desgastante. Então apenas suspirei.

– Estou brincando, cara. – me deu um tapa no ombro e sentou ao meu lado. – Eu sei que esse dia foi bem agitado para você, cara, mas nós somos assim. Sempre.

– Estou percebendo. – abaixei a cabeça, apoiando nos joelhos. – Parece que fui atropelado por um caminhão, estou quebrado.

– Ainda não. – suspirou e eu soltei um gemido. – Relaxa, Edward, que o Huck não vai fazer nada com você.

– Como você pode saber? Ele disse que ia nos matar! – ergui a cabeça com uma careta. – Eu não quero morrer. Não ainda.

Emmett tinha um sorriso triunfante nos lábios, mais calmo do que deveria estar. Provavelmente na mente pequena dele o mutante iria só me matar e deixar ele e Alec em paz, mas pelo que parece Huck não era tão burro e deveria ter deduzido o porquê de eu ter feito aquilo já que estava com Emmett.

– Huck não é tudo aquilo que ele aparenta, Edward. O cara só se acha dono do mundo, mas tem alguém maior que ele ali.

Arregalei os olhos.

– Maior que ele?!

– Não nesse sentido. – abanou com a mão o ar. – Estou falando de poder e de causar medo. A pessoa é magrela e pequena, mas faz mais estragos que ele.

Fiz uma careta.

– Quem quer que seja eu não quero ter o desprazer de conhecer. Já basta para mim às pessoas da Califórnia. Vocês todos parecem... Loucos. É, é isso mesmo. – assenti. – Todos aqui são loucos.

Ainda bem que eu iria fugir com minha família e Bella. Não ia abandonar o plano de sequestrar ela.

– Bem. Eu acho que você vai se sentir mal então por que... Você já conhece essa pessoa.

– Conheço? – arregalei os olhos. – Oh meu Deus!

– Mas você tem sorte, Edward. A pessoa gosta de você.

– O que? Ah, cara, isso não está ficando melhor não. Como pode gostar de mim? Deve ser um maluco!

– A.

– Hm?

– Maluca. É com A no final. É uma garota.

Esbugalhei os olhos já entendendo bem sobre quem ele estava se referindo. Era magra, baixa, e fazia estragos de colocar medo. Eu conhecia, gostava de mim. E pelo que Karen me falou Bella comandava um grupo lá no Tijela. Era só ligar esses pontos para saber que a tal pessoa “maior” que o Huck era Bella.

– Bella? – minha voz saiu baixa.

– Wow, Edward Cullen é inteligente! – Emmett jogou as mãos para cima, rindo. – Isso mesmo, a coisa ruim denominada minha irmã consegue colocar medo em qualquer pessoa do Tijela. Até no Huck. Menos no gostosão aqui, claro. – piscou um olho. – Então com a Bella de volta ela vai colocar ele no lugar dele e nós vamos ficar livres.

Pensando assim até que parecia que era uma coisa que daria certo. Bella tinha cara mesmo de quem comandava aquele lugar e ela era capaz de loucuras, quem sabe até sumir com o mutante caso ele nos fizesse mal?

Isso só significava uma coisa: eu não precisaria fugir e sequestrar a Bella!

Soltei um suspiro de alivio e Emmett riu.

– Sabia que ia relaxar com isso. – negou com a cabeça. – É por isso que ainda estou vivo.

– Então mesmo você sendo o mais velho, é a Bella quem te salva?

– Yep.

Com essa eu dei risada.

– Mas... – voltou a falar. – É claro que eu também salvo ela. Eu, Rosalie e Alec. Bella é algo que às vezes sai do controle e precisa de nós. – deu de ombros.

E foi nessa pequena explicação que Emmett deu que eu vi que ali podia descobrir mais sobre meus vizinhos. Bella tinha algo, disso eu sabia, e ela me escondia. Então Emmett, o boca aberta – no bom sentido agora porque ia me ajudar -, eu conseguiria saber. Bella poderia ficar muito puta da vida comigo, mas depois eu me resolvia com ela. E claro, impedia que ela assassinasse Emmett.

– Emmett, quantos anos você tem?

– Dezessete.

– E Bella?

– Dezessete também. – o olhei, confuso. – É uma longa história o que aconteceu. Nosso pai, Charlie Swan, engravidou a minha mãe Carmen e a minha mãe Renée na mesma época.

– Hein? Você não é filho da Renée.

Ele riu.

– Sou alguns meses mais velho que a Bella e não, eu não sou filho da Renée. Compartilhamos o mesmo sangue, mas ela é minha tia. Charlie era casado com Renée e engravidou minha mãe, irmã da Renée, na mesma época. Acontece que quando tinha dez anos minha mãe teve câncer e morreu, mas antes contou para Renée o caso dela e do Charlie. Isso gerou a separação, e eu vindo morar com Renée que me criou como se eu fosse um filho e eu a vejo como minha mãe.

– Que complicado... – murmurei.

– Eu quem o diga. Foi muito mais na época, mas já passou e está tudo certo. Ou mais ou menos.

– Entendi. – balancei a cabeça. – Agora, me explica porque Bella consegue comandar o Tijela? Sério, ela é pequena, não da tanto medo a primeira vista. Ela já fez algo lá?

– Bella já aprontou muitas coisas lá, Edward. Coisas que trouxeram bastantes problemas, mas ela tem um motivo para isso. Não é nada como rebeldia pelo passado como muitas adolescentes revoltadas, nem nada disso. Eu posso te contar Edward o que acontece, mas você tem que me prometer que depois disso vai tomar a sua decisão rápida e fazer o que acha certo.

Fiquei quieto, esperando ele continuar. Não sabia o que falar, eu precisava primeiro saber.

– Não vou contar tudo, ok? Só o bastante para você se informar e se fizer a escolha certa, que eu tenho a esperança que vai fazer, você pergunta suas duvidas para a Bella. O que você precisa saber é que Bella é hiperativa.

Esbugalhei os olhos com sua revelação. De todas as coisas que passaram na minha mente nenhuma delas era a causa dessa doença. Me considerei um burro porque estava claro como água que se ligassem as coisas dava para deduzir. A forma como às vezes estavam elétrica demais, o jeito impulsivo, a mente sempre mais a frente que as outras, inquieta demais. Claro, isso era bem obvio e eu não pude ver. Estava ficando burro mesmo.

– Hiperativa? – murmurei para mim mesmo.

– Yeah. Você deve saber o que é isso. – o encarei e ele riu da minha expressão de “está tirando uma com a minha cara?”

– Porque ela não me falou isso? Quero dizer, já conversamos tanto e ela nunca tocou no assunto...

– Bella é sensível com essa parte dela e não gosta de falar para as pessoas. Aliás, você já viu alguma pessoa com DDA chegar a você e falar “Hey, mané, tenho DDA e sou um desastre, mas e ai tudo bem?”

– Nã... Não. Não era assim que eu estava querendo dizer. É que...

– Eu entendo, Edward. – ele me empurrou com o ombro. – A minha irmã sempre teve problemas com relacionamentos por causa disso, por isso tem poucos amigos. Eu, Rosalie e Alec. Antes havia mais, mas isso porque ela nunca falou o que tinha, só que quando descobriram eles ficaram assustados com isso.

– O que?

Hear You Me – Jimmy Eat World

– Eu sei, tudo idiotas. Bem, você vai entender isso quando falar com a Bella, porque eu sei que você vai falar com ela e não vai ser como esses idiotas que vão fugir dela. Bella é uma pessoa difícil de lidar, mas tem um coração enorme e é uma ótima pessoa, ou mais ou menos – rimos. – e acho que ela vale qualquer esforço. Você parece ser inteligente e um amigo fiel, Edward. Eu peço que se você não souber lidar com isso, se afaste dela logo para depois ela não sofrer. Mas se souber lidar, fale com ela e diga isso.

Emmett deu dois tapinhas no meu ombro e levantou, pegando o skate dele e atravessando o quintal para a casa dele. Eu fiquei ali fora, pensando no que havia descoberto sobre Bella e já tendo tomado minha decisão.



– Então quer dizer que você ia me sequestrar, Sr. Cullen? – Bella me lançou um sorriso malicioso. – Se soubesse cuidar de mim eu iria com todo prazer.

Eu dei uma risada nervosa, entendendo sua frase. Agora eu realmente entendia o que ela sempre queria dizer com aquelas frases de duplo sentido.

Não contei para Bella a parte de Emmett ter me contado sobre ela, enrolei uma parte qualquer até dizer que ele foi embora e que quando entrei em casa tive que lidar com uma Renesmee carente. E Bella acreditou em mim.

Depois de saber sobre sua hiperatividade eu entrei e fui para meu quarto pescando o notebook dentro de uma mala e pesquisando mais sobre o assunto. Passei a noite inteira me informando, entrei até em um site que pessoas deixavam depoimentos de como lidavam com filhos, mulheres, maridos que também tinham isso. Foi bom saber como era e perceber que não havia nada de diferente em uma pessoa com DDA e uma normal. Eu não tinha muito que aprender – apenas algo em relação à alimentação, em como lidar quando estiver em um nível alto de hiperatividade, a falta de concentração. E também o que fazer quando ela fica nervosa caso algo não saísse como quer. Eram coisas simples que qualquer pessoa podia lidar. Que eu podia lidar.

E antes mesmo de saber disso eu estava com a decisão tomada. Bella, para mim, sabendo ou não sobre a hiperatividade, seria sempre a vizinha maluquinha que gostava de se arriscar. Simples e fácil, sem nada que seja uma doença e ter que se afastar. Quem quer que sejam os babacas que fizeram isso não souberam nada do que perderam estando perto dela.

– Eu sei cuidar de você. – ergui uma sobrancelha para ela.

Estávamos em um banco que ficava de frente para a praia. Bella tinha as pernas em cima das minhas e estava encostada no braço de ferro do banco, com a cabeça jogada para trás e tomando um pouco do sol da manhã. Suas sardas salpicavam e sua pele pálida brilhava, assim como os fios loiros. Ela estava tão relaxada ali.

– Talvez. – ela sorriu, sem abrir os olhos. – Aguentaria as coisas que eu aprontaria?

– Sim. Até te ajudaria se precisasse.

– Teria paciência?

– Toda.

Ela levantou a cabeça e abriu os olhos, me encarando. O sorriso agora era divertido.

– Você não sabe o que está falando, Edward. Da pra ver que é um ótimo amigo – piscou um olho com o duplo sentido das palavras -, mas eu sou diferente.

Eu tinha planos de tocar algum dia no assunto e saber o porquê de seu medo das pessoas saberem sobre sua doença – mais especifico, quero dizer -, mas não pensava que aquela poderia ser a hora. Só que a forma como falava eu não conseguiria me segurar por muito tempo. Seria bom esclarecer tudo, acho.

– Eu sei que você é diferente, Bella. Sei muito bem. – enfatizei, lhe lançando um olhar significativo.

Seu sorriso foi sumindo aos poucos e percebi em seus olhos que ela havia entendido minhas palavras. Ficou ereta no banco, me encarando com seus olhos verdes arregalados.

– O... O que você quer dizer com... Isso? – procurou uma confirmação.

Yeah, era agora. Hora de mandar na lata o que eu sabia.

– Que eu sei que você é hiperativa, Bella.

– Como...?

Agora que eu tirava Emmett da reta. Ele foi legal me contando e colocando fé em mim de ser diferente, ele estava confiando à irmã em minhas mãos. Eu poderia retribuir não contando que foi ele e impedindo que morresse cedo.

– Eu deduzi esse dia. Pensei bastante, liguei os pontos e... – dei de ombros.

Bella olhou para baixo, piscando rapidamente. Percebi sua respiração acelerada como se indicasse que fosse chorar. Ergui a mão para pegar a dela, mas ela se afastou e pediu com um gesto que eu não fizesse.

Passou alguns segundos e levantou a cabeça, me olhando.

– Isso quer dizer que algumas coisas vão mudar.


Notas finais
E então o que vocês acharam de tanta testosterona? Emmett é irmão da Bella, ele tem que colocar Edward em alguma enrascada kkkkkk Eu espero que vocês tenham gostado desse capitulo e me desculpem pela demora.

E agora, o que a Bella vai fazer? O inicio das aulas estão se aproximando. Tânia e sua dupla de gemeas e Alice vão aparecer, Jasper também, e pessoas novas. Vamos ver como eles agem em terreno escolar kkkkk

Agora vamos falar sobre algo importante que é o final de RN. As fãs da fanfic eu queria pedir desculpa pela demora mas como é os ultimos capitulos - dois ultimos - eu não estou conseguindo escrever. Aprendi que nao gosto de escrever final de histórias, odeio finais e é isso que está me travando :/

Bem, pessoal, é isso. Vou tentar postar um novo capitulo antes de virar o ano, mas ainda nao sei. Então qualquer coisa: Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todas, eu espero que tenham curtido bastante 2012, e que 2013 venha cheio de surpresas e felicidades para todas.

Beijos e quem quiser seguir lá no twitter: https://twitter.com/lenara_ch e no blog: http://sumleefanfics.blogspot.com.br/