Notas iniciais
Mais um cap gente....

POV DARYL DIXON
Passei a noite inteira em claro pensando no garoto, na Anna. Ela devia estar bem preocupada comigo, mas sabia que Rick ia tomar conta dela enquanto eu tivesse fora.
Levantei da cama e coloquei a minha jaqueta, talvez fosse melhor eu ir embora, o garoto ficaria bem ali. Caminhei até o saguão. Vi mais rostos conhecidos que vieram me cumprimentar e já pedindo pra mim dar uma olhada nas motos.
Uma mulher me alcançou uma tijela com uma espécie de mingau, até que estava gostoso mas não consegui mais comer assim que notei que as mulheres e as crianças apenas olhavam enquanto os homens se alimentavam. Olhei confuso pra Ted, e ele notou o meu incomodo.
_Somos nós que saímos e arranjamos comida, precisamos de mais energia do que eles que ficam aqui o dia todo sem ter que se preocupar com nada. Disse ele me olhando.
Levantei e entreguei a minha tijela a uma das crianças. Por mais que eu não fosse um exemplo de gentileza, ver uma criança passando fome sempre foi dolorido pra mim desde antes do apocalipse, eu lembrava muito bem de todas as vezes que fui dormir pra parar de sentir a minha barriga roncar e arder de fome quando era menino. No grupo desde o acampamento com Shane, apesar de ter pensado em roubar a comida deles, no momento que vi os pequenos fiquei com aquele peso na conciencia e acho que foi por isso que enrrolei Merle por tanto tempo dizendo que devíamos esperar a hora certa. Na verdade eu não ia ter coragem de engolir aquela comida ao saber que, tinha Carl, Sophia, os meninos do Morales passando fome por minha causa. Talvez Luke não estivesse tao bem e seguro ali, quantas vezes teria ido dormir com fome enquanto aqueles idiotas enchiam suas barrigas de comida?
Levantei e fui dar uma olhada nas motos, concertei o que era possível, sentindo a minha cabeça martelar, eu precisava voltar pra Anna, mas como ia deixar Luke ali sabendo que ele podia ser meu filho, e pelo jeito era mesmo. Se parecia comigo e acho que a katy não tinha ido pra cama com mais ninguém além do italiano e eu, se o DNA havia dado negativo pra ele era porque o menino era meu, a idade dele batia com o tempo que estivemos juntos.
“Merda! O que eu faço agora? Bem só tinha uma coisa que eu podia fazer”
_Katy, posso falar com você. Falei enquanto me aproximava do tanque onde ela lavava as roupas.
_Você ta ai, achei que tinha dito que partiria hoje cedo. Disse ela sem desviar a atenção da roupa.
_E o garoto?
_Ainda ta dormindo, acostumei ele a dormir bastante, quando se dorme se sonha, já que não da pra fazer isso acordado mais.
_Eu tive pensando, talvez ficassem melhor junto com a minha gente do que com esses caras. Falei.
_Achei que fossem seus amigos.
_Eram amigos do Merle, eu só concertava as motos deles, era meu ganha pão só isso.
_Bom estamos bem aqui, Matt tem cuidado da gente.
_Olha katy, se esse garoto é meu filho não sei se posso ir e deixar ele aqui sabendo o que esses caras tem feito pra sobreviver. Ted foi bem claro que quando disse que so ficam com quem é útil pro grupo, se alguma coisa acontecer com você, o que vão fazer com o garoto? Já parou pra pensar nisso?
_ E o que faz pensar que o seu grupo é melhor que esse?
_Nós cuidamos um dos outros. Dividimos tudo igual, quando a comida é pouca deixamos pros pequenos.
_Hum que lindo, nossa que deu em você? Virou um comunista depois que o mundo acabou? Disse ela sarcástica.
_Olha aqui só to tentando achar uma solução pra esse problema e nem sei porque to fazendo isso aquele garoto pode nem ser meu, você não passa de uma vagabunda aproveitadora. Quer saber? Que deixar seu filho passando fome enquanto ele vê aqueles babacas comerem, deixa. Não to nem ai, to caindo fora.
Virei as costas e fui até a minha moto, tinha pouca gasolina no tanque eu teria que arranjar mais pelo caminho.
_Entao já ta indo sem se despedir Daryl... Disse Ted.
_Despedidas é coisa de bichinha, o que? quer uma abraço e choro também? Falei.
_Continua com um humor do cão. Disse ele rindo. _Bom boa sorte e se mudar de ideia não vamos sair daqui irmao.
_Eu não sou seu irmão. Falei sério. Já me preparava pra partir subindo na moto e empurrando ela até o portão de ferro, quando ouvi a voz de Luke.
_Moço! Moço! Aquilo me paralisou. Ele veio correndo na minha direção com um sorriso.
_Oi baixinho que você quer? Falei sentindo os meus olhos arderem. O que tava acontendo eu iria chorar? Porque por deixar um garoto que há um dia atras eu nem sabia que existia?
_Pode levar o doki com você. Disse ele me estendendo o ursinho.
_Ele é seu é melhor ficar com ele. Falei tentando dissipar aquele sentimento estranho.
_Mamae disse que você é meu papai. Doki pode cuidar de você e espantar os mordedores. Disse ele com a cabeça baixa.
Aquilo era golpe baixo, merda porque a vadia da Katy tinha que falar pro garoto, olhar pra aquele menino me chamando de papai e me entregando seu bem mais precioso me deixava ainda mais confuso. Luke continuava com o bracinho magrelo estendido na minha direção tentando me entregar o ursinho. Respirei fundo aquilo pesou como chumbo sobre minhas costas.
Eu peguei o urso e amarrei ele ao espelho da moto, o garoto sorriu feliz por eu ter aceitado seu presente.
Afaguei o cabelo dele e me agaixei na sua frente.
_Seja um bom menino ta bom? E não escuta esses caras eles nao são muito legais. Falei dando_lhe um abraço e um beijo no rosto, era estanho, me afastei rapidamente e subi na moto.

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Luke se afastou virei as costas e fiquei o observando pelo retovisor da moto enquanto me afastava, parei enquanto um cara abria o portão pra mim sair, sem tirar os olhos do retrovisor. Vi Matt se aproximar do menino, gritar com ele e dar-lhe um tapa no rosto que o fez cair sentado. Meu sangue ferveu e subiu pra minha cabeça. Larguei a moto e me aproximei enfurecido ouvido Matt gritar com ele.
_Quantas vezes tenho que te dizer pra ficar lá dentro! Você é tao burro que não consegue entender que não pode vir aqui na frente! Gritava ele.
Cheguei bem perto, assim que ele virou acertei-lhe um soco forte no rosto que o derrubou no chão, dei mais alguns chutes com ele caído. Queria bater mais nele mas fui impedido por três caras que me seguraram fazendo com que Matt pudesse me acertar alguns socos na barriga.
_Vamos parar com essa baderna! Gritos Stefan saindo pela porta.
Stefan era o mais velho dos White Roads, tinha um típico bigode sulista bem proeminente. Sempre usando algo que fizesse referencia a bandeira da Georgia.
_Eu vou acabar com esse infeliz! Ele não faz parte do nosso grupo! Gritou Matt
_ Soltem ele. Disse Stefan me encarando. _Sinceramente Matt achei que fosse mais corajoso, precisar chamar outros pra uma briga sua, por favor. Além do mais, Daryl é bem vindo aqui. Disse ele.
_Se tocar num fio de cabelo do Luke de novo, eu enfio uma flecha nesse seu rabo nogento. Falei apontando o dedo pra cara de Matt.
Caminhei até o garoto que estava com os olhos arregalados assustado, dei a mao a ele.a
_Vem vamos achar a sua mãe. Falei ao garoto que me deu um sorriso e apertou meus dedos com força.

POV ANNA HANKINS
Mais três dias se passaram, eu marcava todos os lugares em que parávamos para que Daryl pudesse seguir e chegar até nós, mas minha esperança diminuía a cada parada. O que teria acontecido com ele? Estaria morto? Ou simplismente resolveu viver outra vida longe de todos ali, não ele não faria isso, Daryl não era muito de expressar e dizer o que sentia mas uma vez ele me falou que com aquele grupo que ele sentiu que tinha um lugar no mundo. Ele estava morto, aqueles caras o alcaçaram e o mataram. Comecei a chorar, não sei por quantas horas fiquei ali encolhida no tronco daquela arvore, Maggie tentou diversas vezes falar comigo, mas eu não queria escutar nada, apenas chorar, fazer o luto por Daryl, meu amor. No outro dia de manha michone se aproximou e me alcançou uma lata com comida.
_Eu não quero. Falei
_Se não comer vai acabar morrendo. Disse ela.
_Melhor assim. Falei.
_Eu também perdi alguém que eu amava muito, mas diferente você eu não tinha ninguém que se preocupasse comigo. Disse ela me indicando o resto do grupo ao redor da fogueira._ Nunca ouviu aquela frase que você é responsável pelo que cativa? Você tem amigos aqui e aquele bando de criancinhas que andam atras de você que estao assustadas porque você ta a dias chorando. Se quer morrer é um direito seu, mas sabe que quanto menos gente pra matar zumbis mais deles vão morrer. Disse ela levantando e voltando pra perto da fogueira.
Ela estava certa, respirei fundo levantei e lavei o rosto com um pouco de água, o nó na minha garganta ainda não me deixava comer, mas me aproximei da fogueira junto com os outros que sorriram ao me ver. Peguei Judith nos braços e logo outra menina também se aconchegou perto de mim. Dei um beijo nas duas e um sorriso forçado.