Apocalipse - O Livro Dos Mortos
71 Ep71
Notas iniciais
Nao deixem de comentar e quem quiser dedicar um tempinho e recomendar a fic, deixaria a autora super feliz.
POV CARL GRIMES
Acordei cedo e fui fazer a fogueira, vi Anna ainda em cacos mas tentando se reerguer e ser forte. A culpa era toda minha, já fazia uma semana que Daryl tinha desparecido e a cada dia me sentia pior. Cheguei perto dela.
_Oi.
_Oi. Respondeu enquanto guardava algumas roupas na mochila.
_Você ta melhor? Perguntei.
_To Carl, obrigado por se preocupar.
Sentei ao lado dela, eu gostava de conversar com Anna ela parecia me entender de um modo que os outros não conseguiam.
_Você tava beijando a Juli ontem no Onibus ou eu to vendo coisas? Disse ela com um sorriso.
Senti meu rosto corar e aquecer, fiquei muito envergonhado. Achei que ninguém havia visto mas ela viu e justo ela.
_Eh foi meio esquisito, falei desviando o olhar e tentando dissipar a vergonha.
_Foi seu primeiro beijo?
_Nao... ta foi pra que eu vou mentir. Sei que a maioria dos garotos isso acontece bem antes mas fica difícil no meio de um apocalipse zumbi! Falei
_Se fica, gosta dela?
_Ela é legal, a gente tem conversado bastante. Mas não sei essas coisas são meio confusas. Ah achei isso a um tempo sei que hoje é seu aniversario. Falei estendendo a mao com o pequeno embrulho feito com um pedaço de jornal. Minha mae sempre dizia que não se entregava um presente sem um embrulho.
_Obrigada por lembrar. Disse ela me dando um beijo na testa. Senti meu rosto aquecer de novo, ela abriu o papel e sorriu ao ver o cordão de prata com um pingente em formato de lua.
_Eh lindo. Obrigada Carl. Foi o melhor presente de aniversario que ganhei até hoje.
_Feliz aniversario. Falei e me afastei, pra fazer a ronda no acampamento com Lian. Vi Julie descer do ônibus esfregando os olhos ainda com sono, senti meu rosto corar novamente lembrando do beijo que trocamos no dia anterior e andei mais rápido na direção de Lian.
_Ta fugindo de mim? Disse Julie me olhando com aqueles olhos azuis bonitos.
_Nao eu só tenho coisas a fazer.Falei.
_Sabe de uma coisa Carl, relaxa pode deixar que os mais velhos façam isso, você não é um adulto não precisa agir como um. Disse ela.
_Todo mundo tem que ajudar Julie ou a gente morre é assim, já basta os pequenos que são inúteis e só servem pra comer e chorar, a gente tem que ajudar sim.
_Inúteis? Sua irmã é um dos inúteis sabia?
_Nao ela não. Falei.
_A é ela também só come e chora como você disse.
_Mas é diferente.
_Diferente porque ela é sua irmã?
_Não porque ela me faz querer continuar, porque a minha mae morreu por ela e eu tenho o dever de mate-la bem e a salvo...
Ela me olhou pensativa.
_A gente podia pendurar umas latas vazias ao redor do acampamento assim se algum dos bixos aparecerem as latas faram barulho. Disse ela.
POV DARYL DIXON
A cada dia que passava eu me sentia mais ligado ao Luke, ele era esperto engenhoso e tinha uma tao imaginação fértil, que em pouco tempo ele coseguira me enredar num mundo de fantasia, que eu fui obrigado a me desprender logo nos meus primeiros anos de vida. Faltava um dia pro aniversario de Anna, eu precisava sair dali hoje mesmo pra chegar a tempo, com certesa eles estavam mais longe que St. Luis, estava preocupado com o grupo, mas principalmente com ela, já devia pensar que eu estava morto. Todos os dias que passei ali foram em vão so me apeguei mais ao menino e não consegui convencer katy a vir comigo. Eu não podia ficar mais nenhum dia ali, fiz o que eu podia se ela não queria se ajudar e ficar servindo de vagabunda pra aquele bando o problema não era meu, deixar Luke ali me doía, mas a falta que Anna me fazia parecia me consumir por dentro eu não aguentava mais ficar longe dela, dos outros também estranhamente eu sentia a falta de todos até daquelas criancinhas irritantes que disputavam o tempo na Anna comigo.
Estava trocando a correia de uma das motos e ele veio com o rosto coberto por um lenço e formando revolveres com os dedos.
_Eu sou billy the kidy e vou tomar essa cidade Xerife. Disse ele entonando a voz pra parecer rouca.
_Agora eu não posso Luke, to ocupado. Falei ríspido, hoje assim que eu terminasse a moto quitando a divida pelos dias de estadia e alimentação eu iria embora e provavelmente nunca mais o veria.
_Ta bravo comigo eu fiz algo errado? Disse ele me olhando confuso.
_Nao Luke eu so quero ficar sozinho, vai brincar com os outros pequenos. Falei sem olhar pra ele, eu não podia olhar, merda as coisas eram tao mais fáceis quando eu conseguia manter tudo que eu sentia trancafiado dentro de mim, fazia o que era preciso e pronto, sem essa confusão toda que agora eu me encontrava.
_Mas... eu gosto de brincar com você papai. Insistiu o menino.
_Sai daqui! Eu to indo embora hoje, vai chatear a sua mãe ela que tem obrigações com você não eu.
_Mas... Disse o menino com lagrimas nos olhos.
_Nao importa o que a sua mae disse, ela mente sabia? Ela faz isso o tempo todo. Ela já mentiu pra mim uma vez quem me garante que ela não ta fazendo isso de novo. Você nao é meu filho.
Luke arregalou os olhos e saiu correndo chorando, doeu dizer aquilo, eu mesmo nunca saberia ao certo se ele era ou não meu, apezar de ter grandes indícios que ele era, uma parte de mim não acreditava nisso, Katy era uma vagabunda, mentirosa, passei meses tendo que ouvir piadinhas dos conhecidos por causa dela. Antes dela eu não era tao fechado, na época eu gostava dela pensei até em chamar ela e o filho Billy pra morarem comigo, coisa que eu nunca tinha feito com mulher nenhuma, sorte que eu não fiz essa besteira ou a vergonha e a humilhação que ela me fez passar seriam ainda maiores. Porque eu ia acreditar nas palavras dela? Terminei a moto e entreguei as chaves ao Stefan.
_Tem certeza que não quer ficar com a gente? Perguntou ele.
_O que você disse ao Luke? Você é um desgraçado Daryl! Se ia ir embora porque não fez isso naquele dia? Porque deixou Luke se apegar a você?
_Olha aqui em primeiro lugar você nunca devia ter dito ao garoto que eu era o pai dele, você não tem como provar isso e eu não vou acreditar nas palavras de uma vagabunda como você.
_Devia ter dito isso a ele naquele dia, não hoje, não depois de brincar com ele, de fingir que se importa com ele. Você é igual ao seu irmão, não passa de um imbecil, egoísta, sem escrúpulos. Faça o favor de ir embora e ficar longe do meu filho! Disse ela se afastando.
_E isso mesmo que eu vou fazer.
_Mulheres... Disse Stefan em tom reprovador.
POV KATNIS SHEFLTER
Voltei ao meu quarto tentado me acalmar, Daryl iria embora e com ele levaria a minha esperança de ter uma vida um pouco melhor do que aquele inferno que eu estava vivendo desde que a infecção começou. Luke era a única razão de eu continuar firme. Eu devia ter aceitado a proposta dele? Não é claro que não, por mais que as coisas fossem dificies com os white Roads pelo menos eu tinha um teto e proteção pro Luke, eu não aguentaria ver outro filho sendo devorado por aqueles bichos. Se Daryl ficasse sim, ai seria perfeito, por mais que ele me odiasse e não fosse nenhum gentlemam eu sabia que ele não permitiria que os outros me machucassem, muito menos ao Luke, eu não teria que me sujeitar a eles, não teria que entregar meu corpo em troca de uma refeição diária pro meu filho. Se algo me acontecesse Luke não ficaria sozinho, porque eu sabia que no momento em que eu morresse ou adoecesse nós dois seriamos mortos ou abandonados na estrada pra morrer. Já tinha visto eles fazerem isto muitas vezes.
Luke estava sentado na cama brincando com seus blocos de montar.
_Luke, a mamãe precisa que você faça uma coisa por ela. Você faz?
Ele confirmou com a cabeça.
_Quero que va atras do Daryl agora e diga pra ele ficar entendeu?
_Ele não gosta de mim. Disse ele decepcionado.
_Ele gosta meu amor, e se você pedir pra ele ficar ele vai ficar. Agora corre antes que ele va embora. Falei
Luke saiu correndo do quarto, rezei pra que desse certo. Daryl sempre gostou de crianças, ele gostava do Billy meu filho mais velho, durante o tempo em que ficamos juntos, ele sempre o levava pra assistir os jogos do Chicago Bulls. Caminhei até a janela, e vi Luke correndo pelo pátio e se grudando nas pernas de Daryl, ele ficou imóvel sem reação por alguns minutos depois se abaixou e pegou Luke no colo e começou a caminhar com ele em direção a moto, meu coração disparou. Ele ia levar meu filho embora?
Desci correndo pelas escadas, cheguei ao saguão e empurrei Ted que observava Daryl se afastar levando meu filho sem fazer nada pra tentar impedi-lo.
_Daryl! Grite tentando correr atras da moto que saia em alta velocidade pelo portão.
_Daryl! Devolve meu filho seu desgraçado! Daryl!!!!! A moto ficava cada vez mais longe e meu desespero maior, vôlei pro pátio. Ted ria incontrolavelmente.
_Quis dar uma de esperta. Ai Katy. Hahaha.
_Vamos atras deles, por favor Ted! Por favor!
_E pra que eu iria, crianças não servem pra nada, só pra dar despesa!
_Ted por favor, Luke é a única coisa que eu tenho pelo amor de Deus, vamos atras deles, eu faço tudo qualquer coisa mais por favor! Por favor! Falei me ajoelhando aos pés dele.
_Dane-se vadia, você colheu o que plantou, não tava ai de boca cheia dizendo que o garoto era dele? Se é dele ele tem o direito de pegar e levar.
_Ted, por favor!
_Já disse que não e não vou liberar ninguém pra fazer isso por você. Se quiser ir atras do seu filhinho vai sozinha vamos ver quanto tempo você dura ali fora.
Senti meu coração despedaçando, meu filho, meu Luke, como Daryl teve coragem de o arrancar de mim, sai do portão e fiquei olhando pra estrada a moto não era mais visível.
_Luke! Gritei caindo de joelhos.
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