Apocalipse - O Livro Dos Mortos
28 Ep28 – Bad Day
Notas iniciais
POV ANDREA
Eu não esperava menos da reação do Daryl, por sorte aquela mulher conseguiu controlá-lo pois com certeza um de nós morreríamos naquele pátio. Voltei a Woodbury a pé, aquele caminho não parecia mais difícil pra mim. Eu não pertencia ao grupo de Rick acho que nunca pertenci e apesar de ter um carinho muito forte por eles aquele não era o meu lugar.
Woodbury era um lugar pra recomeçar, o Governador tinha destruído a cidade quando resolveu que todos os habitantes que conseguissem segurar uma arma virassem um soldado, eles foram massacrados naquela prisão. E os poucos que conseguiram fugir acabaram morrendo devorados por walkers na floresta. Restavam apenas 18 pessoas na maioria idosos e mulheres com crianças pequenas trancados em um prédio sem comida e apavorados com os walkers que invadiram a cidade.
Quando cheguei e encontrei o pequeno grupo eles me acolheram. Ali era meu lugar eu lutaria por Woodbury, no futuro leriam sobre nós nos livros de história. De como uma pequena comunidade resistiu ao apocalipse.
POV ANNA HANKINS
Quando vi de longe Daryl partir pra cima de Andrea daquele modo voraz soube exatamente o que estava acontecendo. Esse era o motivo porque resolvi me calar, eu sabia que essa seria sua reação quando soubesse, a dor pela perda de Merle ainda estava muito viva e Daryl não sabia lidar com ela. Nunca o vi chorar pelo irmão ele era muito bom em disfarçar e distorcer o que sentia, diferente de mim impulsiva e emotiva. Ele era um guerreiro e suas lágrimas seriam flechas na cabeça do assassino.
Andrea apontava uma arma pra ele, eu sabia muito bem que ela dispararia se necessário, pulei na frente dele pra tentar empedi-lo mas ele me arremessou no chão furioso. Por sorte Glenn e a visitante Samantha conseguiram controla-lo. Glenn e Maggie me ajudaram a leva-lo pra dentro, Samantha me garantiu que ele acordaria em torno de meia hora, fiquei sentada ao lado dele na cela afagando seus cabelos. Eu ouvia a voz do meu pai no outro bloco conversado com Carol, já tinha visto eles varias vezes juntos.
A minha presença nunca agradou Carol, embora ela nunca ter me dito e me tratar sempre com educação, eu podia ver nos seus olhos, na certa estava garantindo que meu pai me levasse embora.
Levantei e fui até lá eles tomavam uma xícara de chá.
_Quer chá? Disse Carol.
_ Não obrigada, será que a gente pode conversar? Falei olhando para papai.
Passada a raiva eu sentia um pouco de pena do meu pai, ele devia ter emagrecido uns 10 kg desde a última vez que o vi, tinha um olhar triste e profundo.
_Eu vou dar uma olhada na Judith, com licença. Disse Carol se afastando.
_Você está certa Anna, Disse ele olhando em meus olhos _Mary e Jimmy, morreram por minha causa. Eu devia te-los alertado eu sabia que uma hora ou outra o governo não ia mais conseguir segurar a infecção mas eu achei que ainda teríamos tempo, sinto muito. Eu daria a minha vida pra te-los de volta um dia que fosse. Lembra como era divertido quando jantávamos juntos e a sua mãe fazia aquele assado delicioso. E ela ficava brigando com seu irmão pra ele não brincar com a comida. A gente ria e conversava sobre tudo. Lembra?
_Eu lembro da gente te segurando pro Jimmy te fazer cócegas até você concordar em lavar a louça.
_Aquilo era golpe baixo...
Ele sorriu e acariciou meu rosto.
_Será que você vai coseguir me perdoar? Eu sei que eu agi muito mal com você, que eu torturei a minha própria filha por achar que eu poderia parar isso tudo. Eu não vou pedir que entenda Anna, nem eu mesmo sei como eu pude chegar tão longe ao ponto de fazer a única pessoa que realmente me importava não querer-me por perto. Eu posso te abraçar? Não precisa corresponder só me deixe abraça-la. Por favor.
Eu consenti com a cabeça e ele me envolveu entre seus braços me apertando forte.
_Não sabe o quanto esperei por esse dia Anna, mesmo com todos me dizendo que você estava morta eu sentia dentro de mim que estava viva e que eu não morreria sem vê-la de novo. Eu te amo tanto querida.
Eu correspondi o seu abraço, eu não sei se podia perdoa-lo, mas ele ainda era meu pai o homem que eu considerei um herói durante quase toda a minha vida.
_Eu te amo pai, mas eu não vou com você...
_Prefere esses estranhos a mim? A base em Portland é bem diferente da de Atlanta tem civis garotas da sua idade. Você vai gostar de lá e vai ficar segura.
_Eu estou bem aqui. Eles são meus amigos.
_Anna? Por favor olhe ao redor isso aqui é uma prisão tudo bem eles até podem ser boas pessoas, embora eu tenha as minhas dúvidas, mas você não faz parte deles.
_Você ta enganado, essas pessoas salvaram a minha vida mais de uma vez. Falei alterando o tom de voz.
_Filha quanto tempo acha que vão resistir? um ex-policial mentalmente perturbado, um menino de 12 anos que se acha um justiceiro, um casal que não consegue resolver os próprios problemas, um bebê que com certeza vai estar morto em questão de tempo e sem falar sobre aquele cara da crossbow que parece ter saído de um presídio.
_Esse é seu problema pai você se acha acima de todo o mundo. Você não tem o direito de julgar ninguém, eles já fizeram mais por mim nesse tempo do que você em toda a minha vida.
_Anna olha o que você está dizendo eu criei você, te eduquei e cuidei de você!
_Isso é o que toda a pessoa que decide ter um filho tem de fazer, sua obrigação por colocar alguém no mundo nada mais.
_Anna eu não quero brigar com você vamos conversar ta bom, desculpe o que eu disse sabe que eu sempre falo o que penso. Mas tudo bem se você não concorda eu respeito. Mas eu não vou ir embora e te deixar aqui.
_ Eu pedi sua permissão? Eu vou ficar e ta decidido!
Samantha entrou pela porta, me olhando fixamente.
_Isso não é uma decisão sua Anna, sabe quantas pessoas morreram atrás de você?
_Eu não pedi pra ninguém me procurar...
Sai da sala deixando os dois sozinhos e voltei pra cela onde Daryl estava, não adiantava conversar com meu pai, parecia que estávamos vivendo em mundos completamente diferentes. Como ele podia falar daquele jeito do grupo que me acolheu e que agora o acolhiam também.
Daryl acordou massageando a nuca, o golpe de Samanta foi forte, conversamos um pouco ele parecia mais calmo. Nos beijamos intensamente era incrível como eu ainda sentia aquele friozinho gostoso na barriga sempre que ele se aproximava. Fomos interrompidos pelos gritos do meu pai...
_Tira as mãos dela! Gritou ele me puxando pelo braço.
Daryl permaneceu sentado na cama apenas olhando pro meu pai com aquele olho torto que ele fazia quando algo não o agradava.
_Papai por favor!
_Então é por isso que não quer voltar comigo? Você enlouqueceu Anna?
_Você não tem nada a ver com isso me deixe em paz! Falei puxando o meu braço.
_Não tenho nada ver? Eu sou seu pai acha que eu vou deixar esse cara ficar abusando de você!
Daryl levantou encarando meu pai nos olhos, eu podia sentir o esforço enorme que ele estava fazendo pra se controlar.
_Pai para eu sei muito bem o que estou fazendo.
_Você é uma criança Anna. E você. Disse ele encarando Daryl. _ Devia sentir vergonha Anna ainda é uma menina, do que estou falando gente como você não sabe o que é isso.
_O que você quer dizer com esse ‘‘gente como eu’’? – disse Daryl irritado.
_Sabe muito bem do que estou falando. Olhe pra você, não passa de um caipira ignorante deve estar adorando levar uma garotinha pra cama!
Daryl deu alguns passos na direção do meu pai já erguendo o braço pra lhe deferir um soco.
_Por favor, ele é meu pai! Gritei segurando-o.
_Que azar o seu... Disse ele saindo dando passos rápidos em direção ao pátio.
_Volte aqui seu canalha!
_Papai para, por favor! Implorei tentando impedi-lo de seguir atrás de Daryl
A discussão já chamara a atenção do grupo que se reunira próximo aos dois . Samantha aproximo-se do meu pai e falou baixinho.
_Vai com calma Hankins, melhor não irritar esse cara.
_ Eu só estou defendendo a minha filha desse estuprador!
Daryl virou-se deferindo um olhar furioso, eu sabia o quanto ele odiava homens que faziam esse tipo de coisa e meu pai acabara de o comparar com um deles.
_Do que foi que você me chamou? Disse ele caminhando na nossa direção.
_Daryl não! Falei tentando mante-los afastados.
Ele me deu um leve empurrão tirando-me da sua frente.
_É isso o que você é seu caipira nojento!
Meu pai avançou sobre Daryl com um soco ele se esquivou da investida e em seguida acertou um forte soco no seu rosto que o derrubou no chão.
_Eu até posso ser um caipira ignorante Dr, mas pelo menos não sou nenhum lobo em pele de cordeiro como você!
Daryl saiu caminhando e subiu na torre. Papai permaneceu caído aparentando estar um pouco tonto, acho que ele nunca tinha levado um soco na vida.
_Você tinha que fazer isso? Eu te odeio!
Sai andando em direção à torre, ouvi Rick dizer a papai que eles tinham que ir embora até o fim do dia.
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