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82 Capítulo 82 - Crying in the Rain


Notas iniciais
Eu escrevi com o maior carinho, espero que tenha ficado bom!
Pulei algumas coisas que só serão esclarecidas no próximo capítulo.
Espero que gostem.

Julie acordou. Estava na rede e logo foi se lembrando da sua situação. Isso a deixou triste de novo. Ela se lembrou de uma música que seu pai gostava de ouvir que dizia “Raindrops falling from Heaven could never wash away my misery” (gotas de chuva que caem do Céu, nunca poderiam levar embora minha tristeza). A música se chamava “ Cryin’ in the Rain” (Chorando na Chuva). Ela acabou tendo uma idéia. “Dizem que andar na chuva lava a alma, e eu estou precisando. Não quero que ninguém me veja chorando".

Se levantou da rede, andou até a janela da sala que estava aberta. Sua mãe estava sentada meditando. Julie falou com ela:

– Mãe! Vou dar uma volta no andar de baixo!

Sua mãe continuou na mesma posição. Nem piscava. Quando ela já estava saindo, sua mãe respondeu:

– Não demora!

Julie foi dar uma volta. Mas não no andar de baixo. Ela desceu as escadas e foi direto pra chuva.

Desde que chegou lá há 3 dias não parava de chover.

– Daniel! Onde você está? – ela chamou. Mas só ouvia o barulho da chuva. — Daniel! Você está aqui? – As lágrimas quentes se misturavam com as frias gotas de chuva. Saudade e medo não são boas companhias e nesse caso só serviam pra piorar as coisas. “Acorda Julie!” foram as últimas palavras que ouviu no seu sonho. Ou seria pesadelo?

“Será que a gente nunca mais vai se ver?” ela se perguntava. – Você não pode fazer isso, Daniel! Você não pode sumir assim! – gritou chorando.

Daria tudo pra poder abraçá-lo de novo. Sentia falta de seu abraço, de seus beijos, sua voz e até de seu mau-humor.

Ela tirou o sapato e saiu pisando nas poças de lama, chutando a água, deixando a chuva lavar literalmente seus problemas. Abriu os braços e girou. A chuva engrossou e ela começou a tremer de frio, mas não voltou pra casa. Pelo contrário, ela pegou uma estradinha e foi andando por ela. Mesmo com a chuva, o sítio era lindo e ladeando essa estrada tinha uma cerca viva toda florida. Ela foi por uma subida que dava uma bela visão do lugar. A piscina, um lago de peixes e o silêncio e a paz que precisava para pensar. Foi se aproximando de um banco de madeira com cobertura de telhas. Subiu, ficando de pé no banquinho, saindo um pouco da chuva. Ficou parada ali, pensando.

“É minha culpa! Se eu não tivesse colocado aquele disco pra tocar eles ainda estariam bem! Não... eles não estariam bem. Mas agora estão pior! Não importa! Eu queria que eles estivessem aqui!”

Já estava com muito frio. Chegava a arrepiar. A casa estava longe, a chuva forte e sua roupa completamente molhada.

– Tem alguém perdido por aqui?

Uma voz falou do nada, dando-lhe um baita susto. Ela se virou na direção da voz. Não havia ninguém. Tinha certeza que ouvira uma voz. Perguntou baixinho: — Daniel? – nenhuma resposta.

– Tem alguém aí? – ela perguntou.

– .........

- Não. Eu estou ouvindo coisas!

– Eu não sou uma coisa!

A voz era do Daniel. Sem dúvida era. Ela se virou outra vez. – Daniel? Aparece! – ela não sabia se ficava feliz, porque podia ser sua imaginação.

– Oi! – a voz falou por trás dela de novo.

Julie levou outro susto. Ela se virou e deu de cara com Daniel. Estavam com o rosto colado. Ela abriu um sorriso e lhe deu um abraço muito apertado, como se quisesse segura-lo pra sempre, como se fosse esmagá-lo. Um abraço de alívio e felicidade. Ficaram um bom tempo abraçados e ela repetia sem parar: — Que bom que você está aqui!.

Ele também estava muito feliz. Estava sorrindo e abraçando forte também. Era tanta saudade que não cabia num abraço. Ele dizia: — Julie, eu te amo, minha vida! – sorria e brincava com ela. – Eu voltei! Agora você vai ter que me aturar pro resto da eternidade.

Ela riu. Sentia muita falta da companhia dele.

– Não pense nunca mais em me deixar, Dani!

Julie ficou admirando o rosto dele, tocou seu rosto com delicadeza. Os dois fecharam os olhos e foram se aproximando pra darem um beijo apaixonado. Seus lábios se juntaram com urgência. Suspiravam alto. Havia algo diferente nesse beijo e Julie não sabia por que. “ Deve ser por causa da saudade”. O tempo parou para eles, só queriam ter certeza de que o pesadelo tinha acabado.

– Daniel – ela disse, afastando o rosto um pouco – o que foi que fizeram com você?

– Tentaram fazer, mas acabou. Está tudo bem!

Ele puxou-a contra o peito e deu um abraço apertado. Ficou acarinhando suas costas.

– Será que vão nos deixar em paz, Dani? Será que vamos conseguir ficar juntos? Estou com medo!

– Foi tenso, Ju. Foi muito difícil suportar tudo aquilo. O Demétrius passou de todos os limites! Mas ele nunca mais vai nos atrapalhar. Não posso contar mais que isso. Mas confia em mim!

Ele envolveu os braços em sua cintura e a beijou outra vez.

– Você sentiu minha falta, foi? – ele pergunta entre os beijos.

– Muita! Muita falta mesmo!

Ele deu um sorriso enquanto continuavam se beijando, apaixonados.

– Eu também senti sua falta!.

Nisso eles escutam um barulho de cavalo se aproximando. Ao chegar perto viram que era uma carroça. O carroceiro parou e disse:

– Eia! Tarde! – ele tirou o chapéu. –Tô indo pra casa do patrão, cêis dois querem uma carona?

–Não! A gente vai esperar a chuva passar. – Daniel fala.

– Sim senhor! Boa tarde! – e foi embora.

Julie olhava espantada pra ele. – Aquele carroceiro falou com você! Ele te viu! Como pôde?

– Ele me viu porque é impossível não me notar! – disse rindo torto. Mas ela não deu um sorriso – Tá bom, to brincando! Ele me viu porque eu resolvi ficar visível pra todos.

– Visível? O tempo todo?

– Sim! Quase o tempo todo. Visível e “tangível” – falou maliciosamente e deu vários beijos espalhados nela, no rosto e no pescoço. Depois a abraçou e ficou a admirando. – Você é tão linda! Até se fosse careca e banguela ia continuar sendo linda pra mim! – ele riu, mas levou um tapão no braço. Soltou uma de suas mãos da cintura dela e começou a mexer nos seus cabelos. – Calma! Você é muito importante pra mim!

Ela sentiu um imenso carinho invadir a sua alma. Levantou-se na ponta dos pés, passou os braços ao redor de sua nunca e o abraçou.

– Tenho tanto medo de te perder! E essa Polícia Espectral? Quando souberem que você está aparecendo vai começar a te perseguir de novo!

– Calma! Eles não vão!

– Como tem tanta certeza?

– Segredo.

– Segredo? Como assim “segredo”? Eu quero saber!

– Você vai saber! Mas não agora... porquê agora eu quero esquecer tudo isso. Quero ficar aqui só com você. – encostou seu nariz no dela olhando em seus olhos. – Vamos dar uma volta! – ele desceu do banquinho e depois segurou-a pela cintura e a desceu.

Agora a chuva tinha diminuído um pouco e não parecia mais que tudo estava tão cinza.

Julie nem fazia questão de se proteger. Já estava completamente encharcada. Ela olhou pra ele e ficou tão espantada que até parou.

– Daniel! Você... você está molhando! Mas c-como?

– É. Vou ter que me acostumar com isso!

– Mas eu não to entendendo nada!

Ele segurou sua mão e entrelaçou seus dedos.

– Você vai entender!

Foram andando debaixo de chuva até encontrarem um quiosque, onde se costumava fazer piqueniques no sítio. Perto dali tinha um lago com peixes e alguns patos. Pararam por lá. Julie se sentou sobre uma mesinha e Daniel ficou em pé de frente pra ela.

– Eu vou tentar te explicar, Ju. Quando denunciei o Demétrius acabei ajudando algumas pessoas... poucas... e entre essas pessoas estava o dono daquela casa em ruínas, onde nós demos nosso primeiro beijo...

Os 2 se olharam e sorriram ao se lembrarem daquela noite. Daniel foi se aproximando e a beijou docemente.

– Bom, então ele e seu amigo, um senhor velhinho, dono daquela casinha onde... é... onde...

Julie corou com a lembrança porque nem ela acreditava na rapidez com que tudo aconteceu.

– Você sabe né, Ju.

– Sei! – disse sorrindo. – Agora vamos pular essa parte.

– Eles ficaram tão agradecidos que foram até a chefe da Polícia Especial e em nome de todos os resgatados pediram pra que ela nos recompensasse de alguma forma... e agora eu – ele alisou sua bochecha – fui designado como seu guardião ou... anjo. E terei que te acompanhar pra todo lado. Vai ser “muito difícil” pra mim fazer esse sacrifício.

Ela lhe deu outro tapa no braço, mas depois abriu um grande sorriso. – E você vai poder ficar visível? Nós vamos poder ficar juntos?

– Sim, eu vou poder ficar visível, e invisível, se for necessário e... não, nós não vamos poder ficar juntos.

Ela desfez o sorriso na mesma hora.

– Então nós não vamos mais...

– Schh... – ele colocou os dedos de leve sobre seus lábios. – Não é permitido, Julie. Mas quem disse que eu vou seguir essa regra? – e abriu um sorriso lindo, até seus olhos sorriam.

Daniel passou as mãos por baixo dos cabelos dela e segurou sua nuca, puxando-a mais pra perto e beijando-a. Ficaram trocando beijos por uns 10 minutos até que conseguiram se afastar um pouco.

– Você aceita que eu seja o seu anjo? — pegou suas mãos e segurou-as contra o peito.

– Claro que sim! – ela respondeu mais do que feliz.

Então ele levantou suas mãos e as beijou. Depois disse: — Me dê o seu anel.

– Pra quê? Esse é o nosso anel de compromisso!

– A gente não precisa mais dele e... eu não posso mais usar meus privilégios de fantasma: atravessar paredes, aparecer nos lugares, usar este anel... só ficar invisível. Mas em compensação eu vou estar perto de você sempre que quiser.

– E como vai fazer com a Polícia Espectral?

– Eles não podem me impedir. Agora eu sou vigiado pela Polícia Especial e eles não se preocupam muito com essas pequenas infrações.

– Eu ainda não entendi muito bem.

– Julie, já aconteceu com você estar num lugar e do nada aparecer alguém e te dar um conselho, te ajudar?

– Já sim!

– Então. São anjos disfarçados que aparecem pra ajudar as pessoas. Eu posso parecer uma pessoa normal, ninguém vai saber a menos que eu queira.

– Então quer dizer que agora eu tenho meu anjo da guarda pessoal?

– Tem sim. E minha primeira missão é proteger você dos Nicolas e Rafinhas da vida.

– Own. Meu anjo é tão ciumento.

– Claro que não! É apenas minha obrigação. – fez uma cara de arrogante, mas depois não agüentou e sorriu.

– Então obrigada pela dedicação, Sr. Anjo.

Os dois ficaram se encarando sérios, a respiração foi ficando pesada. Até que um não agüentou resistir e se beijaram ardentemente. Suas línguas brigavam por espaço. Beijos intensos, ofegantes. As mãos exploravam todos os outros lugares, deslizando pelo corpo um do outro. Os beijos quentes espalhavam-se pelo pescoço, orelha,, ombros e o rosto. Um desejo incontrolável nascia em cada toque.

– Daniel, pára! Não dá pra fazer nada aqui. Olha onde estamos!

– Eu não consigo parar! E agora eu tenho que tomar conta de você, esqueceu? – e voltou a beijá-la ainda com mais vontade.

Ela se afastou sem fôlego. – Ai! Não sabia que anjos faziam essas coisas!

– Fazem sim! Fazem muito mais que isso!

– Duvido!

– Duvida é? – ele foi pro lado dela, que saltou da mesinha e correu pra longe na chuva. – Só se você me pegar!

Ele sorriu. Tirou o casaco e os sapatos e saiu correndo atrás dela. Os dois corriam pela chuva. De vez em quando ela olhava pra trás e disparava a rir. A distância era pequena. Foram correndo cada vez mais pra longe da estrada. E ele conseguiu chegar bem perto. — Não adianta fugir! Eu vou te pegar uma hora! – ele conseguiu segurá-la pela blusa e a puxou pela cintura. Ela esperneou e respirava rápido, cansada. Ambos riam descontroladamente. A chuva caía sobre eles.

– Te peguei! E agora? – a agarrou com força, levantando-a no ar, foi andando até perto de uma cerca de madeira, onde se encostaram. Ela ainda ria alto. Parou e o encarou. De repente estavam ali, juntos de novo.

– Me beija. – foi tudo o que ela conseguiu falar.

Daniel colou seu “corpo” ao dela imprensando-a contra a cerca.

– Você não sabe o que eu sinto por você... – ele cantou e selou os lábios dela com um beijo, se afastou – mas já é hora de dizer... – cantou baixinho e olhando no fundo dos seus olhos. – Os olhos mais bonitos que eu já vi! – deu um beijo em seu rosto, depois segurou seu queixo e disse: — Te amo muito, menina.

Eles deram só um selinho carinhoso, depois se abraçaram com força. E depois deram um beijo demorado e ardente.

Depois de uns 5 minutos ela se afastou pra respirar. E fala com ele: — É melhor... parar... por ... aqui. “Antes que a situação fique fora do controle” – pensou. Mas ela disse isso sem desgrudar os olhos dos lábios dele. Fez um esforço sobrenatural e deu um passo pra trás, segurando a mão dele. – Vamos?

Mas ele não só não saiu do lugar como deu um puxão e ela caiu de volta nos seus braços.

– Tem certeza? – ele perguntou com o nariz já colado no dela.

Julie só revirou os olhos e com muito custo se concentrou. – Tenho.

– Então eu vou! Mas antes me dá só mais 1 beijo?

– Ai!... “isso não vai dar certo!” – pensou

Ele segurou seu rosto com as duas mãos e deram um beijo desesperado.

– Soltaram-se sem fôlego. Ela estava até tonta. – Quer saber? Dane-se se isso não vai dar certo!

– Ãhn?

– Nada!

Antes que pudesse retomar o fôlego já estavam se agarrando de novo. Daniel a apertava contra si, e seus beijos de língua desceram pelo pescoço onde também dava mordidas. E ela agarrava seus cabelos molhados. Puxou a camisa dele pra fora da calça e deixou as mãos deslizarem pelas costas, no peito e no abdômen. Ele gemeu baixo. Depois deslizou a ponta dos dedos ao redor do cós da calça dele, arranhando levemente. Voltaram a se beijar com voracidade. Daniel apertava suas costas, sobre sua blusa molhada. Depois suas mãos foram descendo até seus quadris. Ele segurou seus quadris com força e a puxou mais contra ele. Estavam colados um no outro. Sua mão desce mais até onde terminava sua mini-saia e sobe levantando-a. Eles se olharam cheios de desejo. Ele segura sua calcinha e vai tirando, alisando suas coxas, enquanto ela mordia seu pescoço até seus ombros com força, depois beijava sua orelha, deixando-o louco. Estavam tão desesperados que de repente ela já tinha soltado o cinto dele e ele acabou de abrir a calça e tirou.

– Vou levantar você, enlaça suas pernas em mim. – ele pediu. Então a encostou contra a cerca. – Abra sua blusa, amor. Eu quero ter você inteira... pra mim. – ela desabotoou sua blusa deixando os seios à mostra, só de sutiã. Daniel beijou seu colo e com uma das mãos apertava seus seios e arranhava de leve, provocando-a.

– Ai! Daniel, eu te quero, quero te sentir em mim. Por favor.

– Quer mesmo? — ele disse com os lábios quase encostando-se aos dela.

Seus olhares queimavam um no outro. Daniel segurou-a pela cintura depressa e entrou em seu corpo lentamente. Beijavam-se profundamente e se moviam meio desajeitados, tentando se apoiar na cerca. O clima foi ficando mais quente. O que importava era viver intensamente aquele momento, depois de tantos problemas.

– Eu te quero tanto Ju, tanto...

– E eu te amo.

– Eu te amo também.

Daniel foi com mais força contra ela. Estavam loucos um pelo outro e não agüentavam mais demorar nem um minuto de tanto desejo. Ela se segurou na cerca pra se apoiar melhor e ele avançou mais e mais e mais até chegarem ao clímax. Então eles se agarraram e ficaram assim abraçados por muito tempo.

– Eu achava engraçado, quer dizer, ridículo essa mania das garotas de se apaixonarem. Mas agora, olha como eu estou! Muito ridículo! Um ridículo fantasma completamente apaixonado pela menina mais doce e que tem a voz e os olhos mais lindos que eu já conheci. Mesmo se você não tivesse encontrado o disco, eu tenho certeza de que um dia a gente ia se encontrar!

– Eu tenho certeza disso também! – ela falou emocionada.

Ficaram mais um tempo ali, se vestiram. A chuva havia estiado.

– Vamos voltar? – ele disse. – Afinal eu agora tenho que tomar conta de você.

– Eu ainda não estou acreditando! É sério mesmo isso? – Julie sorriu.

– Seríssimo.

Deram-se as mãos e voltaram pelo mesmo caminho até chegarem no quiosque. Ele pegou seu casaco e seu sapato., tirou os anéis do bolso e colocou-os sobre a mesinha.

– Vamos deixar por aqui, de repente eles dão sorte pra quem encontrar.

– Sorte mesmo! Eu tenho muita sorte. – Julie disse feliz.

Notas finais
Ficou legal? O que ficou faltando explicar, já está quase no final, talvez + 2 capítulos. Então vou tentar não deixar nada sem resolver.
Obrigada por acompanharem até aqui.