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81 Capítulo 81 - O caso Demétrius
Notas iniciais
– Você está preso Demétrius!
Demétrius ouviu aquela voz e congelou.
– Solte o rapaz! Ponha as mãos na cabeça!
Ele soltou Daniel e se virou em direção à voz. Era a Dra. Marian, chefe da Polícia Especial.
– Calma Dra.! Eu posso explicar. Não é nada disso que você está pensando.
– Não tem argumentos , Demétrius.. Nós já descobrimos tudo!
– Não... esse rapaz estava muito nervoso, queria fazer essa bobagem de pular desta sacada, ele está desiludido e eu estava tentando impedir!
– Mentiroso! Você é péssimo pra mentir Demétrius! — Daniel diz furioso.
Nesse momento Clarisse, Carmem e Martin entram na sala.
Clarisse grita: — Ele aprisionou nós dois e ia se livrar de nós!
Demétrius dá uma gargalhada. — Você vai acreditar nesses dois? Ela é uma lunática!
Daniel empurrou Demétrius com força e ele caiu no chão.
– O mentiroso aqui é você, Demétrius. Você!
A Dra. ordena que Demétrius se levante. Ele consegue com dificuldade e se sente encurralado. Olha ao seu redor e percebe que não tinha saída.
Desmoralizado, humilhado, sem saída, enfim Demétrius tinha sido desmascarado.
A Dra. Marian ordenou que os agentes reagissem a qualquer movimento dele.
Ele então fala pro seu guarda, o mesmo que segurou Julie: — Você não vai fazer nada pra me defender?
– Eu não! Esse aí não vale nada! — o guarda fala sem rodeios.
– Seu mal agradecido! Traidor!
– Para de tentar se defender, Demétrius! Você está seriamente encrencado. Como você sabe, a pena pra quem é da polícia, que deveria não só fazer cumprir as regras, mas também segui-las é muito mais severa de que qualquer outra pessoa. Principalmente se essa pessoa for o chefe da Polícia Espectral! A Chefia Superior não vai ficar nada feliz com isso!
Demétrius engoliu em seco.
– Posso imaginar quanta gente você subornou e envolveu nesse seu esquema. Sem falar nas vítimas inocentes.
Agora vamos tratar de um caso mais sério! Essa prisão clandestina. Estou querendo entender o que é isso. E como você pôde ser tão cruel.
A Dra fala com Daniel: — Você vem pra cá!
– Sim senhora. Mas antes eu preciso fazer uma coisa que eu venho desejando há muito tempo.
Ele ficou de frente para Demétrius e lhe deu um soco no estômago. Isso foi pouco perto do ódio que estou de você! Se eu pudesse te matava de novo! — Depois disso, Daniel anda pro lado da Dra. Marian ainda abatido. Clarisse anda na direção dele e fala — Daniel, ainda bem que...
– Sai daqui! Sua...
– Não, Daniel! Martin interfere. Perdoe ela. Se não fosse por ela você não estaria aqui.
– É, realmente eu não estaria aqui!
– Mas ela se arrependeu e foi por causa dela que nós conseguimos chegar aqui a tempo.
– É verdade, meu filho! A Polícia tinha as provas contra ele, mas não saberia onde você estava se ela não tivesse contado!
– Tudo bem! — Daniel falou — Tudo bem! Me dê um tempo pra pensar nessa história toda. Mas eu não quero ela perto de mim!
– Daniel, não importa que você não fale comigo. Eu sei que você está com ódio de mim, mas está salvo. Só isso que importa.
Enquanto conversavam, Demétrius foi se arrastando para fora da sala, em direção à sacada. Mas não foi muito longe. Logo 3 agentes da Polícia Especial o pegaram no chão e o levantaram.
– E agora o que nós faremos com ele, Dra.?
– Ele tem muito o que se explicar. Então ela virou-se pra outro agente e disse: -Pegue primeiro o depoimento do Daniel.
Todos foram levados pro Departamento da Polícia Especial. Demétrius espraguejava o tempo todo.
– Alguém fecha a boca desse infeliz!
– Vai se ferrar, Daniel! Você me paga!
– Deixa ele falar! Tudo o que ele disser será usado contra ele. — disse Martin.
– Eu não me importo! Essa gente toda tinha que se ferrar mesmo! Imagina! Questionar uma ordem do chefe da Polícia Espectral!
– Agora, a pena maior vai ser por ter feito aquele seu disco Diamantes Achado e Perdidos. — Daniel solta uma risada sarcástica — Mas que nome mais ridículo!
– Seu idiota! Vai cuidar da sua vida. Hahaha esqueci que você não tem mais vida!
– Que engraçado! Esqueci que você está vivo!
– Maldito! Você me paga! Vocês 3 me pagam! E você também sua falsa ruiva! E a senhora também com essa cara de sonsa! Todos vocês vão me pagar! Vão me pagar...
Até que deram um sossega-leão nele.
– Que idiota! Graças a Deus eu vou ficar livre dessa praga! — Daniel fala.
– Ele vai ter muito tempo pra xingar no xadrez! — Martin diz.
– E você, meu filho? Como foi?
– Ai, mãe! Pensei que era o fim!
– Nem fala isso Daniel! Vira essa boca pra lá! — diz Martin — A Julie nunca ia entender!
–Eu sei! Estou louco de saudade dela! — ele suspira. Nossa! Ele quase matou a minha Ju! Só de pensar me dá medo...
– É! Deve ter sido aterrorizante!
– Foi sim! Agora, eu tenho uma curiosidade. Como foi que essa traíra conseguiu sair do cativeiro?
Clarisse fingia que não estava escutando, pois não queria bater de frente com ele. Sabia que de certa forma ele estava certo. Mas agora era tarde pra se arrepender.
A Dra. Marian pela primeira vez se manifestou: — Sr. Daniel, acho que o Sr. no mínimo deveria reconhecer o que ela fez pelo senhor.
– Filho, esse depoimento dela foi decisivo para que a Polícia Especial te encontrasse. Se tem uma coisa que eu eu não te ensinei foi ser injusto!
Ele só escutou calado. "Droga! Minha mãe sempre me quebra com seus argumentos". — Mas como não queria dar o braço a torcer, mudou de assunto.
– Martin, como será que está a Ju? Ela estava lá comigo! Não conseguimos nos falar. Deve estar pensando que o Demétrius acabou comigo. "Deve estar chorando" — pensou. — Você tem que procurar por ela!
– Não tem como! Até interrogarem você ninguém vai ser liberado. Eu disse que não ia dar certo você ficar com uma viva. Agora ela vai ficar triste, vai ficar sofrendo e vai ficar sozinha!
– Não! Sozinha, não! Eu vou atrás dela!
– Vai como? Você sabia que pode ficar preso!
– Isso é o que veremos! Eu não cheguei até aqui pra ficar preso por causa daquele cretino!
– Se você não ficar preso, não tem mais ninguém pra esconder suas infrações. E logo, logo a Polícia Espectral vai te prender de novo.
– De novo você não tem razão. Eu não vou abrir mão da menina que eu amo, nunca mais! E eles não vão fazer nada comigo! Duvida?
– Você não tem jeito, Daniel. Vai ser turrão assim lá nos confins do Judas!
– Pronto! Acabou o lenga-lenga. Chegamos no Departamento da Polícia Espectral. Vocês 3 esperem do lado de fora. O Sr. Daniel pode ir direto pra sala de Dra Marian
.................... 2 dias depois ..........................
– Reunam toda a equipe e mais os mensageiros especiais. Nós temos uma operação urgente! Avisem todas as unidades que Demétrius não é mais o Chefe da Polícia Espectral e que todos devem aguardar que anunciaremos o nome do novo chefe assim que for decidido. Qualquer ação sem o aval da Polícia Especial será punida com rigor. E preciso de escolta para o senhor Daniel e o Sr. Martin para onde eles solicitarem.
Abriram a porta de uma viatura e de lá saiu Demétrius.
– Você vai junto com os mensageiros conhecer de perto o horror que você ajudou a criar.
Operação Fundo do Poço
Teremos muito trabalho a fazer. São 3.332 pesoas para serem regatadas a mais de 1 km de profundidade. Só os mensageiros podem ir tão fundo. Em alguns lugares pode chegar a 2 km de profundidade. Só os mensageiros podem ir tão fundo! E lá embaixo estão espalhados por toda parte. Não conhecemos bem essa região. Não sabemos o que vamos encontrar por lá. Quero todos aqui, cada um dos 3.332.
Havia 100 mensageiros apenas e teriam que trazer 1 de cada vez. A operação levaria mais tempo do que imaginavam.
Era bem pior do que imaginavam
As pessoas estava espalhadas pelo local assustador. Algumas choravam, outras corriam de um lado pro outro. Tinha uns que vagavam gritando e falando sozinhos. Alguns se encolhiam assustados ao verem os mensageiros chegando. Outros nem tomavam conhecimento do que estava acontecendo. Aquelas pessoas tinham sido abandonadas ali. Pouca luz chegava ao local. Não podiam voltar pois tinham concordado em ir pra lá, e a grande maioria nem procurava saber como sair dali. Muitos dos que estavam lá embaixo eram pessoas desesperadas pra voltarem pro mundo dos vivos. Eles acreditaram nos boatos de que voltariam a viver e se jogassem. Mas a maioria tinha ido pra lá contra a vontade, só pra não darem problemas pra Polícia Espectral. Levaram Demetrius lá embaixo e o jogaram num lugar sombrio, um dos lugares mais profundos. Ele reclamou mas o abandonaram lá e foram cuidar dos pobre coitados que estavam esquecidos ali.
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Daniel se despediu de sua mãe. Mãe, eu voltarei aqui mais vezes agora que o Demétrius está fora de combate.
– Venha sim, meu filho. Sempre que quiser. ela lhe deu um beijo na bochecha.
Clarisse se despediu deles.
– Bom, eu vou embora, mas espero que um dia vocês me perdoem. Eu errei, e errei feio!
– Até mais, Clarrisse. Martin responde.
Daniel só acena com a cabeça.
– Conseguimos Martin! Nunca mais ele vai nos perseguir! — Daniel comemora.
– Nós vamos comemorar sim! Mas primeiro temos que falar com a Ju! — Martin acrescentou.
POV JULIE
Hoje é o 3° dia que estou aqui nesse sítio e até agora nem sinal do Daniel. Nem dele nem dos meus outros dois amigos. 3 dias desde aquele sonho, ou melhor pesadelo. Na verdade nem sonho, nem pesadelo. Eu sei que foi real. Eu sinto isso. Eu entreguei pro Félix um papel com o nome do sítio, e onde ficava. Disse que qualquer coisa mesmo era pra ele aparecer aqui. Mas ele não veio.
Minha mãe está muito preocupada comigo. A princípio ela acreditou em tudo que viu aquele dia, mas agora ela já não parece tão confiante assim. Sei que ela ligou pro meu pai, eu ouvi tudo. Não sou de ficar escondida ouvindo conversa, mas ela estava falando meu nome aí resolvi escutar.
Parece que meu pai tá vindo pra cá. Só espero que eles não tenham a brilhante idéia de me levar num médico. Eu não preciso de médico, eu preciso deles, meus amigos e do Dani. Ah como eu preciso do Dani!!!
Será que aconteceu alguma coisa com ele? Sinto meu coração gelar só de lembrar daquele sonho. Ele se rendeu por mim. Ele seria capaz de fazer isso. Eu sei. Isso me deixa triste, mesmo sabendo que foi uma grande prova de amor. Mas eu queria ele aqui agora, mais que tudo.
Juliana não conseguia pensar em mais nada. Estava no varandão do andar superior, jogada numa rede. Só seu corpo estava presente ali. Seus pensamentos estavam longe. Via a chuva cair, deixando tudo ainda mais cinza e não tinha vontade de sair dali nunca mais.
FIM POV JULIE
Realmente seu pai estava indo pra lá. Ele estava se preparando pra fazer um passeio nas praias de Macaé com Pedrinho. Passou num posto para abastecer e viu o Rafael parado conversando com um frentista. Parou o carro justamente na mesma bomba onde ele estava. Desceu do carro e já foi logo dizendo:
– Escuta, você não me procurou pra falar sobre a viagem da minha filha. Se esqueceu do nosso combinado?
– Desculpe Sr. ...
– Raul.
–Então, Sr. Raul, eu não sabia se deveria contar pro senhor o que aconteceu.
– Espera! Do jeito que você está falando, o que foi que aconteceu? O que aconteceu com a minha filha?
– É melhor nós conversarmos a sós.
Eles olharam pro frentista e resolveram sair dali.
– Tá bom. Você vem comigo. — disse o senhor
Eles foram pra uma praia ali perto. Pedrinho foi pra praia enquanto eles conversavam.
– Então pode ir me explicando tudo sobre essa viagem.
– Não sei se o senhor vai gostar de ouvir o que eu tenho pra dizer, sabe. Eu observei a sua filha. Ela estava sentada num banco sozinha, mas gesticulava e falava como se realmente tivesse alguém perto dela. Parecia muito natural. Ela ria, conversava e às vezes até parecia estar deitada encostada em alguma coisa imaginária. Bom, isso eu achei até que alguém sentou do meu lado e veio falar comigo. Eu fiquei desconfiado num primeiro momento, mas depois ... bom, o senhor pode até não acreditar... mas foi o que aconteceu. O cara chegou, se sentou no meu lado e se apresentou como namorado da sua filha. É... — pensou por um tempo pra se lembrar do nome — é Daniel O senhor conhece?
– Ela já me falou desse Daniel! Mas não dá pra acreditar nela. Esse Daniel só existe na cabeça dela.
– Não senhor. Eu falei com ele. E falei até demais. Mas uma coisa eu não sei explicar. Esse Daniel aparece do nada e some do nada. Além disso ele aparece nos lugares mais impossíveis e eu não me lembro de tê-lo visto antes. Mas ele sabe de tudo o que acontece com a sua filha o tempo todo. E ele apareceu no ônibus, no meio da viagem, se sentou do meu lado e veio falar comigo. Eu juro que nunca o tinha visto antes. E depois ele desapareceu do ônibus, misteriosamente.
– Sabe, rapaz. A Juliana tem alucinações. É isso.
– Se ela tem alucinações por causa disso, então eu também tenho.
– É... eu aconselho que você vá se tratar também. Com um bom psiquiatra! Você não tá dizendo coisa com coisa! Passar bem!
Sr. Raul deixou 20 reais sobre a mesa, se levantou e saiu. Chamou Pedrinho e voltaram pra casa.
Ele desfez de Rafael, mas no fundo estava invocado com aquela história, com a história que o Pedrinho tinha contado e principalmente com a história que sua filha tinha contado. Ou ele estava precisando de um psiquiatra também ou aquela história tinha um fundo de verdade.
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