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73 Capítulo 73 - Tirando a Máscara


Notas iniciais
História começa a seguir para o final. Ainda faltam mais de 10 capítulos, eu imagino.
Aí está!

Daniel volta pra edícula e encontra os dois amigos cochilando. Acorda-os com uma batida no prato da bateria. E é claro que eles ficam com vontade de voar nele. Mas logo se lembram que o amigo tinha sumido e o quanto estavam preocupados.

- Poxa, Daniel! Qualé!

- Quer matar a gente!

- Eu quis chegar discretamente, mas vocês não me deixaram alternativa.

- Onde você estava, cara? A gente já ia chamar a Polícia Espectral pra te localizar! – Martim comenta com ironia.

- Ela e eu somos tão diferentes, entendem?

- Não! – e os dois se olham sem saberem do que ele tava falando.

- Somos de mundos diferentes. Se fôssemos só nós dois, estaria tudo bem. Mas temos que enfrentar um mar de complicações.

- Seja mais direto, Daniel!

- Vocês vão entender. Eu estou aqui porque temos que conversar. Agora e com urgência!

Daniel, Martin e Félix foram para um lugar neutro onde pudessem conversar sem medo sobre o assunto. Foram para o local onde ficava a casa incendiada a mando de Demétrius.

- Então, foi aqui que tudo começou, literalmente. – diz Daniel para os 2 amigos. Desde que descobri esse lugar e o que aconteceu aqui, eu sinto que estou num jogo invisível contra o Demétrius. E as peças estão se movendo de maneira bem estranha. Tem uma peça que não consigo ver qual é, que está tentando me botar em cheque. Mas eu vou contar pra vocês.

- Daniel, explica sim. E sem palavras difíceis. – Martin pede.

- Por favor. – Félix completa.

- Essa é a minha carta na manga, o Demétrius não pode fazer nada contra nós, ou eu entrego seu passado sórdido.

- E parece que deu certo. Depois de tudo que já fizemos ele está calado até hoje.

- Calado até demais... – Daniel comenta. – O Demétrius não é a pessoa mais resignada que eu conheço, de jeito algum. E é isso que me deixa preocupado.

- Sim, é suspeito. Eu não acho uma boa idéia continuarmos desrespeitando as regras.

- Tem uma coisa que eu não contei pra vocês.

- Hummm ... quando fala assim é porque a gente não vai gostar...

- Não neste caso. Eu só não tinha contado ainda porque não tivemos a sós num lugar seguro. E hoje temos tempo pra isso. O Demétrius me fez uma proposta. Pelo meu silêncio ele conseguiria fazer nós três ficarmos vivos de novo. Tentei descobrir alguma coisa e fiquei sabendo que existe um local onde as pessoas se jogam em um precipício e atravessam um portal, voltando pra esse mundo vivo. Fui até lá, descobri pouco, saí com mais dúvidas do que respostas.

- Voltar a ficar vivo? Ué, mas isso não tem como! O Demétrius pode ser o chefe da PE, mas não é Deus.

- Também acho muito perigoso acreditar nisso. Que garantia a gente tem?

- Ninguém nunca mais foi visto... – diz Daniel, pensativo. – Existe um pouco de verdade nessa história, senão tantos fantasmas não teriam desaparecido assim. E descobri uma outra coisa que me preocupa muito... a Clarisse desapareceu da Clínica, deu entrada nesse lugar e nunca mais foi vista por lá. Só q ela não pulou.

- Daniel! Essa sua história está muito complicada! Resumindo. Você descobriu um jeito da gente ficar vivo e que a Clarisse desapareceu de lá. Eu não estou conseguindo ligar uma coisa com a outra.

- Nem eu... Mas tem acontecido algumas coisas tão esquisitas. Tem alguma pessoa muito perto de nós que está fazendo de tudo para me separar da Julie.

- Pessoa perto de nós? Como assim?

- Alguém que quer me prejudicar ou me separar da Julie. Tudo começou quando ela perdeu seu anel.

Martin lança um olhar meio culpado pra ele.

- Foi estranho ela perder o anel assim do nada. E ainda mais estranho foi ele ser encontrado na calçada. Ela tinha deixado o anel no quarto dela. Eu andei pensando algumas coisas, mas preciso de uma prova mais contundente. Mas, lembrem-se! Nada de falar sobre essa assunto fora daqui.

- Agora fiquei tenso. Propostas, suspeitos, armadilhas... quem será q nos odeia tanto assim? – Félix pergunta.

Os três pensam na mesma pessoa. Demétrius.

Voltando pra edícula, de repente, se deparam com uma senhora parada à porta da casa de Julie. Eles estão invisíveis e se aproximam, quando a senhora se vira pra trás admirada. Era uma fantasma. Ela abriu um sorriso largo e com alguns passos chegou até Daniel e o abraçou. E ele retribuiu da mesma forma.

- Mãe! O que você está fazendo aqui? Como me achou?

- Daniel, eu preciso muito falar com você, a sós. E não posso demorar.

- Algo grave?

Ela assentiu. Então Daniel a puxa pelo braço e desaparece.

Volta para o mesmo lugar em que estava com seus amigos.

- O que houve? Está com algum problema, mãe?

- Não exatamente eu. Descobri uma coisa que você precisa ficar sabendo.

- Me conta logo, por favor.

- Eu tive alta da Clínica e consegui arrumar um serviço.

- Sim. Mas isso não é bom?

- Eu agora estou trabalhando como servente. E esses dias me chamaram para limpar uma sala. Era a sala do Sr. Demétrius.

Daniel olhou atento, curioso e preocupado.

Ela continua. – Ele estava conversando com uma moça de cabelos vermelhos, longos. E os dois falavam sobre Daniel Castellamare. Eu fiquei aflita, mas não podia demonstrar.

- Fez muito bem, mãe. O que os dois falaram sobre mim.

- A moça, parece que você a conhece. Porque ela disse que você ainda não a reconheceu. — Daniel ouvia atentamente cada palavra que ela dizia. – E ela estava tentando separar você... não sei de quem...

“Julie” – Daniel suspirou fundo.

Sua mãe continua: — Os dois tem um acordo para te capturar, Daniel. E ela tem carta branca para isso!

Daniel estava em transe. Tudo podia se passar em sua mente. Tudo fazia sentido. Sim! Era ela.

- Mãe, ela disse o nome?

- Não. Infelizmente não. Mas o Sr. Demétrius parecia muito atencioso com ela.

- Aquele maldito! – ele espreitou os olhos. – Eu o avisei pra não mexer comigo! ... – Mãe, você não precisa se preocupar, sua vinda foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

Eles se abraçaram apertado. Daniel deu um beijo em sua testa. E ela se despediu e voltou pro mundo espectral. Daniel voltou pra edícula, com uma só pergunta na mente.

.....

- Quem foi que achou o anel da Julie, Martin? – Daniel perguntou sério, olhando no fundo do olhos do amigo.

Martin olhou pra baixo. Sentia que alguma havia alguma coisa grave em relação a esse anel.

- Na verdade, Daniel. Não fui eu. – ele falou dessa vez a verdade.

- Eu sabia! Eu até posso antecipar sua resposta! Foi a Laila!

- Foi ela sim! Desculpa, vai! Eu só falei isso porque ela parecia estar com medo de você falar que ela pegou o anel.

- E foi ela que pegou! Como foi que você descobriu?

- Ela deixou cair no chão, de dentro de sua bolsa.

Daniel parecia muito irritado.

- Daniel, por quê você está falando assim? O que aconteceu?

- Martin. Você não merece, irmão. Você está apaixonado pela pessoa mais mesquinha e fingida do mundo espectral!

- Do mundo espectral?

- Você é um cara alto astral, amigo, verdadeiro. E essa bandida está se aproveitando de você, pra me atingir.

- A Laila? Daniel... eu nunca vi você falar assim de ninguém. Você tá com ódio de verdade.

- Não é a Laila, Martin! A Laila é a...

Nesse momento escutam a campainha. Martin olha pela janela. Era Laila. Vira-se pra Daniel e diz: — É ela!

Daniel corre pra perto dele e diz: — Age, naturalmente! Eu vou ficar escondido, invisível pra vocês dois. Só preciso que você faça duas coisas. Primeiro, tente ver o reflexo dela. E o mais importante. Tente tirar aquele óculos ridículo dela. Eu preciso ver os olhos dela! Você vai entender!

...

- Boa noite, Srta Laila.

- Oi, Martin. – ela abre um sorriso irresistível.

- Que surpresa você aqui, a essa hora.

Laila estava procurando notícia sobre o Daniel.

- Vim aqui te ver. – deu um selinho nele. – Você está sozinho?

- Estou. Vai ficar com medo de entrar? – ele fala ironicamente.

- Medo? Eu não tenho medo de você, Sr. Martin.

- Deveria. – sorriu misteriosamente pra ela.

- Pra te provar que não, eu vou entrar agora. – ela morde a isca.

Ele abre a porta e os dois entram.

- Aceita beber alguma coisa? – pergunta pra ela.

- Não. Obrigada.

Martin se esforça para disfarçar o quanto está intrigado com a revelação do Daniel. Laila percebe que tem algo errado com ele e se aproxima, ficando bem perto.

- O que foi, querido? Está preocupado com algo?

- Estou. Mas não quero falar disso agora. Nem ganhei um beijo hoje. – ele olha sério pra ela.

- Ahh, mas vai ganhar. Ela se aproxima mais pra lhe dar um beijo, então ele a segura pelos braços e gira, imprensando-a contra um aparador. Na parede, onde há um espelho grande, nenhum reflexo da morena. Martin olha assustado. Ela percebe e pergunta o que foi.

Martin segura o seu rosto e diz.

- Me dá um beijo! – pega no seu óculos e levanta. Ela fica um pouco tensa, mas deixa. E o beija. Um longo beijo, por um instante ela até sentiu um pouco de remorso por estar se aproveitando dele. Quando se afastam ela abre os olhos para ele.

- Seus olhos são espetaculares! Adoro olhar pra eles!

- Obrigada, Martin. Agora me devolve os óculos.

- Calma. Já vou te devolver. Só vou admirá-los mais um pouco!

Daniel estava próximo e quando viu aquele olhar quase caiu. São os olhos da Clarisse. Os olhos verdes inesquecíveis! É ela, sem nenhuma dúvida.

Seus cabelos agora eram pretos e lisos. Seu jeito de se vestir era diferente. E os óculos faziam todo sentido. Ela jamais poderia parecer tão comum se não os usasse.

Martin devolveu os óculos. Ela fez menção de ir embora, e ele a acompanhou até a porta.

- Boa noite, Martin. Amanhã a gente se fala.

- Boa noite, Laila. Tenha bons sonhos.