– E então, Daniel! – Martin o chama.

Daniel aparece perplexo pela descoberta.

– Daniel! Daniel! – continua chamando o amigo, que parece não escutar.

– Tudo se encaixa perfeitamente.

– DA-NI-EL!!!!!!!!!!

Daniel encara Martin. – É a Clarisse! – fala pra ele assustado.

– Daniel, ei! Como assim? Não vai dizer que elas são... – Martin nem termina de falar, a ver pela reação do amigo. Ele fica parado, pensativo. “Então...foi tudo mentira dessa cretina!”

– Martin, isso é muito sério. Não faça nada. Ainda. Eu preciso descobrir o que ela está planejando. Não posso falar mais agora. Preciso pensar. Vocês vão se encontrar amanhã?

– Não sei mais. – Martin diz, amuado.

– Eu preciso da sua ajuda, Martin. Nós corremos risco.


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Na manhã seguinte.

– Isso é o mínimo que você pode fazer! Se você tivesse tido juízo, nada disso estaria acontecendo com a minha filha!”

Sr. Raul estava cobrando um favor de Rafael.

– Tudo bem! Se fazendo isso o Senhor me deixar em paz! Eu vou sim acompanhá-la até Campinas! Mas já digo, eu volto no mesmo ônibus.

– Ela está com a cabeça meio fraca. Apesar deste ônibus não parar durante a viagem, não é bom que ela vá sozinha. Do jeito que ela está imprevisível.

Rafael foi em casa pegar algumas coisas pra poder viajar. Estava com a cabeça doendo e com raiva. Mas não conseguia dizer não pra quem precisasse de ajuda. Mesmo que fosse a ingrata e estranha garota que tinha mexido com a sua cabeça.


Sr. Raul não poderia levar Julie pois tinha alguns exames de saúde pra fazer, e queria resolver isso o quanto antes.

Sr. Raul pagou a passagem de ida e volta de Rafael e lhe deu um dinheiro para cobrir alguma despesa que tivesse com a filha ou com ele. Ele ficaria sentado no lado oposto de Julie, e 1 banco atrás. Também comprou um jornal para disfarçar, não queria que a garota o visse. No fundo queria mesmo era poder descobrir como foi que ela lhe deu uma porrada tão forte na cabeça se estava sozinha e na sua frente. Pra completar, colocou óculos e boné.

Passado em torno de 10 minutos, Julie chega com seu pai e Pedrinho. O clima estava desolador. Sr. Raul também tinha chorado. Julie não podia fazer mais nada pra convencer seu pai. Pedrinho não sabia direito o que tinha acontecido, chegou perto dela e ela só disse: — Quando vc estiver com o papai sozinho, conta o q você sabe sobre o Daniel.

– Minha filha, aproveita esses dias na casa da sua mãe, tenta pôr sua cabeça no lugar. Eu só estou fazendo isso pro seu bem. Você está se arriscando demais, enquanto você não estiver bem e eu puder confiar em você novamente, vai ter que ser assim.

– Pai, eu só queria te dizer que eu te amo. É questão de tempo o senhor acreditar em mim, pai. Porque eu estou falando a verdade.

– Julie. Vai, tá na hora de você entrar. Nós... já conversamos tudo o que tínhamos que conversar ontem. agora ela estava no canto.lado dele. ndo. o pra fora.

Ela se despediu com um beijo em cada um. E entrou no ônibus, ainda parou na escada pra olhar pra trás. Mas seu pai desviou o olhar. Com alguns passos ela chegou até seu banco. O olhar estava coberto por lágrimas que logo começaram a descer. Ela abaixou o bando e ficou encolhida, olhando pra fora.

Rafael podia ouvir que ela estava chorando baixinho. Ela sequer tinha olhado pro lado dele. E agora ela estava no canto.

“Agora você está pensando nas burradas que fez não é, garota!” – Rafael pensou ainda um pouco ressentido pelo jeito como ela o tratou. “Não dei motivo pra você fazer aquilo comigo! Mas você é só uma garota sem juízo. Nunca vai perceber isso.”

Julie se levanta para ir ao banheiro. Passa por ele fungando muito. Deixa um rastro doce de perfume no ar. Ele tenta se esconder com o jornal, do jeito que dá. Quando ela volta, ele só sente ela passando e voltando pro seu lugar. Dá uma espiada por trás do jornal. “Parece um pouco melhor”.

JULIE POV

Estou decidida a abrir o jogo com a minha mãe. Ela não tem papas na língua. Sei que não é muito de me ouvir, mas dessa vez não vou dar escolha. Como podem duvidar de mim? Disse toda a verdade ontem. Tá bom que é punk acreditar na minha história, mas não me dar a mínima!? É por isso que agora estou mesmo determinada a contar tudo. Pelo menos meus pais vão ficar sabendo de tudo. Eu não estou louca. Eu posso ver, falar, tocar o Daniel como a coisa mais normal que existe. Eu faço qualquer coisa por ele, não quero magoar ninguém, só quero assumir o que estou sentindo.


..........

Quase 1 hora depois, o marasmo tomava conta do ônibus. Rafael não tinha muito o que fazer. A garota continuava lá sentada e imóvel.

De repente ele percebe que ela dá um movimento brusco e sorri.

(daqui até o final da marcação, só tem as falas da Julie, que está conversando com o Daniel e alguns pensamentos do Rafinha, entre aspas)

– Daniel! Que bom que você apareceu!

– Como foi ontem? Morri de saudade de você!

– Minha mãe vai me esperar na rodoviária. Mas dessa vez eu quero que ela te veja!

...”Mas com quem diabos essa garota está falando?”...

– Daniel, a gente vai assumir tudo. Eu falei pro Pedrinho contar tudo o que sabe sobre nós dois com o meu pai.

– Ah, não sei, Daniel. Talvez ele perceba que não estou inventando essa história.

...”Ela está falando com o tal do Daniel. Será que ela é... esquizofrênica?”

– Você sabe, eu não ligo pro que os outros estão pensando. Já me acostumei com todo mundo ficar me olhando. Achando que eu estou louca. – Julie dá um largo sorriso.

...”Mas o que a fez mudar tanto de uma hora pra outra?”...

– Pára! — dá uma risada. – Eu sou louquinha sim. Por você! Qual o problema em ter uma vocalista louca pelo guitarrista da banda?

– Só um selinho. A gente está no ônibus e está todo mundo olhando pra mim, você esqueceu?

Julie fecha os olhos, como se estivesse recebendo um selinho.

...”Que loucura! A garota tá viajando mesmo! Até beijo ela tá dando!”

– Estou com muita sede! Vou no fundo do ônibus pegar um copo d’água.


(fim da marcação)

Julie se levanta e acaba esbarrando no jornal de Rafael. Ela para pra se desculpar. – Foi mal, desculpa, viu! Rafael acena com a cabeça. Julie vai em direção à água. Enquanto está pegando um copo, de repente tem a sensação de reconhecer aquele cara lendo o jornal. Podia estar enganada, porque o cara estava usando boné e óculos escuros. Ia reparar melhor na volta.

Rafinha tenta se concentrar em alguma notícia do jornal, pelo menos até Julie passar de volta para o lugar dela.

Julie volta mais devagar, repara na nunca do rapaz e vê algo parecido com um curativo por baixo do boné. Levanta uma sobrancelha. Mas o perfil, mesmo disfarçado não lhe deixava dúvidas. Ela parou ao seu lado e jogou uma indireta.

– Esse jornal deve estar muito interessante mesmo! Não é Sr. Rafael! – fixou o olhar nele, esperando sua reação. – Na mesma hora Daniel se virou pra trás.

Rafael lentamente fechou o jornal. Tinha sido descoberto. “Garota esperta!” – pensou. Tirou os óculos escuros e fixou seu olhar de volta. – Que mundo pequeno, não é Juliana?

Daniel ficou de pé, atento ao que ele falava.

Ela fechou a cara e perguntou: — O que você está fazendo no mesmo ônibus que eu? Por acaso está me seguindo, Rafael?

– Acho que outra pergunta ficaria bem melhor no seu caso, Juliana. — “Como você se sente após ter levado uma pancada na cabeça ontem à noite enquanto falava comigo?”

Julie ficou sem-graça. “A pancada! Como é que fui me esquecer da pancada!”

– Julie, peça desculpas pra ele e volta pra cá. Não estou gostando nada desse cara aqui.

– Me desculpa por ontem. – Julie disse e se virou.

– Está desculpada. Espera! – ela olha pra trás. – Só queria saber que golpe foi aquele que você deu! Como conseguiu me acertar por trás se você estava sozinha e na minha frente? – ele estreitou o olhar.

–Você também não ia acreditar. – ela respondeu e se virou pra frente.

“O que esse Rafinha está fazendo nesse mesmo ônibus? É muita coincidência pra ser verdade.” – Julie pensou.

– Ontem eu exagerei não é, Ju? – Daniel parecia sem-graça. – Ele ficou muito machucado?

– Não deu pra ver, Dani. Só vi que estava com um curativo.

– Não entendi o quê esse cara está fazendo aqui dentro. – Daniel comentou. – Mas uma coisa você pode ficar tranqüila. Ele não vai te importunar mais. – deu um beijo em seu rosto.

Daniel segura a mão dela, que acaba dormindo. Ele vê o tal do Rafael se levantar e ir até o banheiro. Então se levanta e se senta no banco ao lado dele. Resolve ficar visível para ele.

Quando Rafael volta, nota a presença de um jovem pálido sentado no banco ao seu lado. Continua na direção, tentando entender o que estava acontecendo. Sentou-se e não conseguiu desviar o olhar dele. “Esse cara parece que saiu de algum filme antigo, mal assombrado. Não tem cor, parece frio... sentiu um arrepio na espinha.”

– Olá! – o estranho rapaz falou calma e ironicamente.

–Oi! – Rafael respondeu bastante desconfiado. – Embarcou agora?

– Não! Eu só estou aproveitando a oportunidade para me apresentar.

Rafael já estava com cara de poucos amigos. – E por quê deveria? – perguntou com olhar desafiador.

– Porquê parece que não sou o único que está preocupado com a viagem da garota.

Os dois estavam com olhares desafiadores. Daniel estava novamente tomado pelo ciúme. E Rafael preocupado com o cara estranho querer algum mal para Julie.

– Quem é você? – Rafael pergunta.

– Eu sou o Daniel. Já ouviu falar?

Rafael fica extremamente confuso. Não ouvia outra coisa senão esse nome nos últimos dias. Mas jamais se imaginou frente-à-frente com... alguém que parecia ser... no mínimo, incomum. – Seja mais claro! Conheço muito Daniel. Não me lembro de você.

– Quando lembra o que esse nome tem a ver com a Julie. Você consegue me identificar?

Rafael é pego de surpresa. – Sim! Ela sempre fala em um Daniel. Mas ele nunca apareceu.

– Sempre tem a primeira vez, não é? – deu um sorriso torto. – Me diga, a pancada doeu muito?

–Como você sabe disso? – Rafael perguntou, indignado. – Você estava ontem à noite com ela, não é, seu! Foi você que me agrediu?

– Quero te pedir desculpa. – Daniel assente. – Não posso ver ninguém falando daquele jeito com ela.

– Você é doente! Você colocou a vida da garota em risco várias vezes! E você é muito descarado por falar isso na minha cara! Eu podia socar a sua cara.

– Não quero te assustar. Mas você não vai conseguir me fazer nada. Eu salvei a Julie também! E na verdade eu tenho que te agradecer por fazer o mesmo por ela.

– Cara, você é um doente! Aliás, de onde você surgiu? Ela estava sozinha.

– Eu sei que você já entendeu quem eu sou. – Daniel o encara fixamente.

Rafael passa a mão pelos cabelos, sacode a cabeça, a insinuação do Daniel começava a perturba-lo. Era uma sensação com a qual ele não sabia lidar. O medo do extraordinário.

– Não! Você não é que eu estou pensando! – ele disse sério.

– Está com medo?

– É claro que não! Só estou me perguntando por quê estou tendo essa conversa estranha com um cara mais estranho ainda.

– Eu não vou te assustar mais. Só quero que você me responda uma coisa. O quê você está fazendo nessa viagem atrás dela?

– Já ouviu falar em direito de ir e vir? Isso não é da sua conta!

– Se tem a ver com a Julie, sempre vai ser da minha conta! Me responda! E eu te deixo em paz!

– Vai se f*!

Daniel fica irritado, se sente desafiado. – Você ainda não entendeu, não é Rafael? Eu sei que é difícil pra sua mente pequena, imaginar que eu possa estar aqui falando com você! Mas eu não sou coisa da sua imaginação! Eu existo, de verdade, assim como você também! Aquele dia na praia, quando te vi beijando a minha namorada, eu quis acabar com você! Eu te derrubei no chão, foi tão fácil! Joguei areia nos seus olhos! Aquilo não foi nada pra mim! Está vendo isso aqui? – mostrou seu anel – é por causa do nosso compromisso. Nós dois estamos juntos e ninguém vai nos separar. Você entendeu?

Rafael visivelmente perturbado, respondeu. – O pai dela pediu para que eu a escoltasse até chegar em Campinas. E de lá eu vou voltar. – ele olhou pro Daniel. – E eu vou fazer isso. Depois vou voltar. Já chega de coisas estranhas acontecendo comigo! Só vou fazer isso porque tenho pena do pai dela.

– Acho que agora você entendeu, obrigado Rafael. Agora com licença que eu vou me sentar com a Julie. – Daniel se levantou e se sentou no banco ao lado dela.

Rafael estava um pouco transtornado. Olhou para o lado, uma passageira olhava pra ele com espanto. Quando voltou seu olhar pro lado de Julie novamente, Daniel já estava invisível. Claro que tinha aceitado ir até lá por causa do pai dela, mas havia algo mais que ele não conseguia entender. Algo nela que o fazia agir sem pensar.

– “Sinto muito Juliana. Mas eu desisto. Você está se tornando muito complicada e isso pode me machucar de verdade.” – Rafael decide se afastar definitivamente dela.

Notas finais
Vocês acham que a Julie daria alguma chance ao Rafael algum dia?
Como o Martin e o Daniel vão se comportar com a Clarisse? Ela merece ser perdoada?