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72 Capítulo 72 - Como vou fazer agora?
Notas iniciais
POV JULIE
Meu pai era o tipo de pessoa que gostava da verdade. E nisso eu estava perdida porque quase tudo o que eu fiz ele reprovaria. E o pior é que se contasse a verdade, ele jamais acreditaria. Também eu tinha pouco mais de dez minutos para inventar uma boa desculpa. E se eu revelasse a verdade, será que meu pai ia passar mal?
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- Daniel, você acha que eu devo contar toda a verdade?
- Não sei se agora é o melhor momento pra isso. Mas estarei lá junto com você. — “Eu vou ajudar” pensou e deu um sorriso irônico.
- Seja o que Deus quiser! – Julie fala mantendo o pensamento positivo. Lá vou eu.
Mal virou a esquina uma das primas já gritou. – A Julie apareceu!
Era um pouco constrangedor ser o centro das atenções, principalmente quando todos estão preocupados. Alguns primos foram ao seu encontro. Uma metralhadora de perguntas!
- Não sei! Não sei! Estou muito cansada, preciso de um banho, estou cansada.
Sabia que o mais difícil ainda estava por vir.
Chegou na porta da casa e entrou na sala de estar. Seu pai estava sentado com uma cara péssima. Parecia que estava com muita raiva. Sua tia estava falando com ele, e quando a viram entrar, ficaram paralisados.
- Menina! Você quer matar todo mundo de preocupação? – tia Wanda lhe passou um sabão. – Seu pai não merece isso! Você é uma irresponsável!
Pronto! A primeira manifestação não tinha sido boa. Imagina o que vinha por aí. Julie desviou o seu olhar porque a opinião da sua tia era o que menos lhe importava agora. Wanda saiu de perto para que seu irmão conversasse com a sobrinha.
- Pai...
- Julie, senta aí! – ele disse seco.
Ela se sentou numa poltrona em frente a ele. Pelo tom de voz a coisa estava feia pro lado dela. Mesmo com o Dani sentado ao seu lado.
O pai continuou: — Julie! Eu estou com tanta raiva, mas tanta raiva que se eu fosse te bater, você ia parar no hospital. Mas o pior mesmo foi que você dessa vez traiu de vez a minha confiança. Você tem idéia de como eu me senti o dia todo pensando o que podia ter acontecido com você?
- Pai, eu...
- Cala a boca! Eu ainda nem comecei a falar! Você estava de castigo e fugiu pela janela como se fosse uma criminosa. Não me contou o motivo por que você estava triste na cama ontem, não queria comer. Mas parece que você já melhorou! Enquanto eu vivi horas de desespero. Você resolveu seu problema sentimental, mas me deixou numa ansiedade infernal! Eu pensei até no pior.
- Não é assim...
- Você vai escutar primeiro! Estou profundamente decepcionado com você. É uma filha ingrata! Egoísta! Covarde! Não tenho palavras para classificá-la. Eu exijo uma explicação! Eu saí mais cedo e já sei tudo o que aconteceu ontem. O Rafael, um rapaz responsável, bem diferente do que eu imaginava, me contou a verdade. Mesmo assim eu dei até essa noite para te encontrar, senão ele iria pra delegacia se explicar.
Daniel pouco podia fazer pra ajudá-la. A não ser que pudesse aparecer.
- Eu posso explicar.
- Fica quieta! Eu não criei você pra virar uma vadia. Você merece um bom castigo. Você vai pensar em tudo o que fez. A partir de hoje você não pode mais sair de casa. Você só vai sair de casa quando as aulas voltarem, da escola pra casa. Não vai ter celular nem computador. Vai ficar sem mesada por tempo indeterminado. E até o final das suas férias, vai morar com a sua mãe, já está decidido. Amanhã eu vou colocar num ônibus até Campinas e sua mãe vai estar lá te esperando na rodoviária.metralhadora de perguntas!
E não faça mais nada de errado senão você vai morar de vez com a sua mãe!
(A pena tinha sido dura. Daniel se sentiu culpado por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto.)
- Julie. Vamos abrir o jogo! – Daniel falou pra ela.
- Pai! Eu posso falar com o senhor?
- É bom que você tenha uma boa explicação pelo que fez.
- Quando mudamos pra nossa casa, conheci uma pessoa. – o pai dela revirou os olhos. – E eu descobri que gostava muito dele. Há pouco tempo nós ... começamos a namorar.
- Mas você está piorando as coisas ao invés de se explicar! Que namorado é esse? Você nunca o apresentou!
- Pai, eu não posso apresentar. Ainda não. Preciso ter certeza de que o senhor vai entender.
- Mas o que tem a ver essa história de namorado com o que você fez? Você tá querendo me irritar mais?
- Então, eu estou apaixonada, pai. E ele por mim. – Ela olhou pro Daniel e sorriram.
- Já sei qual é a sua intenção! É desviar do assunto porquê não tem uma explicação. Foi pura malandragem.
- O nome dele é Daniel. E foi por causa dele que fiquei deprimida ontem. E foi por causa de uma armação que fizeram pra nos separar. E também por que esse tal de Rafael me beijou à força e ele viu.
- Eu não estou acreditando em nada do que você está falando! Onde está esse seu namorado então?
- Ele está aqui!
- Aqui onde? Aqui na cidade?
- Não aqui do meu lado.
Seu pai olha espantado pra ela. – Meu Deus. Você não se cansa de mentir?
Daniel pra Julie: — Conversa comigo. Você quer que eu fique visível pra ele? Me responde alto.
- Não, Daniel! Não faça isso! – respondeu em voz alta.
- Espera! Eu vou fazer uma coisa! – Daniel diz.
- Vai fazer o quê, Daniel? Não faça besteira.
- Juliana! Pára com esse teatro! – seu pai fala pra ela.
- Eu não estou fazendo teatro pai. Eu estava conversando com o Daniel.
Daniel chega perto do pai dela e ela grita: — O QUE VOCÊ VAI FAZER, DANIEL?
- Calma! Nada demais. – Daniel fala pra ela.
O pai de Julie começou a achar que a filha estava tendo alguma alucinação.
Daniel assopra na nuca do pai dela. E ele sentiu um calafrio e ficando todo arrepiado
– Que sensação estranha que eu tive! – Sr. Raul comenta. – Filha, essa sua história não dá pra engolir.
Nesse instante Sofia entra na sala. Oi tio Raul. Oi tia Ju, Oi... qual seu nome mesmo?
- Daniel.
- Oi Daniel. Tia o Daniel é seu namorado? – Julie assentiu. – Ele é bonito!
Daniel fica se achando. Vai pra perto de Sofia e a leva dali.
- O que está acontecendo aqui afinal? – Sr. Raul questiona.
- Pai, o Daniel é meu namorado e... ele é... um fantasma!
Sr. Raul arregala os olhos. Não acreditava no que estava ouvindo. Sua filha estava completamente doida. E do jeito que ela estava falando, parecia acreditar mesmo nessa história.
- Juliana. Você está tendo delírios. De onde você tirou essa história? Que imaginação fértil, hein!
- Não, pai. Não é imaginação, não é mentira. Ele é um fantasma e toca comigo numa banda.
- Ah, não! Peraí! Já sei o que está acontecendo. Você está usando drogas, não está? Agora entendi.
- Não estou usando nada, eu juro. Pode fazer exames, o que for. Eu não agüento mais esconder isso do senhor. E eu percebi que ele é muito importante pra mim. Sem ele eu sou capaz qualquer coisa.
- Vou ligar pra sua mãe. Eu quero que ela te leve urgentemente num neurologista. Até num psiquiatra se for o caso. Você não tá normal, Juliana. Não mesmo.
- Eu sempre soube que o Senhor não ia acreditar em mim.
- Não TEM COMO acreditar nisso!
- E se eu te provar?
- Chega! Vai pra dentro! Arruma suas coisas, amanhã você vai pra casa da sua mãe!
“Eu tentei” – ela foi desanimada pro seu quarto. Daniel entrou junto com ela.
- Não fique triste. Eu não me importo se o seu pais não acredita que eu existo. Eu só me importo com você.
- Você é um fofo, meu amor. Ainda bem que isso é o que vale a pena. Você vai ficar comigo lá na casa da minha mãe?
- Claro que vou. Amanhã eu chego cedo aqui. Hoje tenho que dar as caras lá na edícula. Os dois devem estar me procurando por lá.
- Manda um beijo pra cada um.
Daniel dá um beijo no seu rosto e um selinho. E desaparece.
O pai de Julie se lembra de um comentário que Rafael fez “Ela ficou tão nervosa e eu acabei dando um beijo nela. Depois disso ela surtou e começou a alucinar falando com um tal de Daniel, mas não tinha ninguém lá. Estávamos só nós dois”. –
“louca.t fó nós dois.u e começou a alucinar falando com um tal de Daniel, mas n Minha filha está louca.”
No mesmo dia mais cedo, uma mulher magra, de cabelos ruivos e olhos verdes vem caminhando com seu salto e vestido vermelhos e adentra a porta do gabinete do chefe da polícia espectral – Demétrius. Ao entrar ela esbarra num vaso de cerâmica que se espatifa no chão.
Demétrius dá um berro: — QUEM FOI O IDIOTA QUE JOGOU ISSO no... – parou de falar ao ver quem estava entrando.
Seu olhar era de cobiça.
- Srta. Clarisse. Quanta honra recebê-la aqui – beijou sua mão.
“Que velho babão!” – ela pensou. – O prazer é todo meu Sr. Demétrius.
- Pra você só Demétrius. Sente-se, por favor. “O Daniel não merece uma mulher como essa!”
Ela se sentou e cruzou as pernas fazendo o vestido subir até a metade das coxas.
- Vou chamar uma servente pra limpar os cacos. Esse vaso nem vai fazer falta mesmo! – deu um sorriso amarelo. Pegou o telefone e ligou pro ramal da limpeza. “-Mande um empregado pra limpar a minha sala imediatamente!” – falou com rispidez para poder impressionar a bela mulher.
Imediatamente a servente chegou na sala dele.
- Aproveita e retira o lixo da lixeira e recolha esses clipes que caíram no chão. Coloque-os dentro dessa caixinha.
A senhora começou a juntar os cacos.
- Então, o que a trouxe aqui hoje, meu bem?
Clarisse deu um olhar pra ele e depois pra servente, querendo falar em particular.
- Ah! Isso aí é uma pobre alma errante. Não entende nada dos nossos assuntos.
- Bom, Demétrius. Eu vim dizer que não consegui ainda separar o Daniel...
- Ah! O Castellamare? Não me fale nesse sujeito. – disse franzindo o cenho.
- Eu não consegui convencê-lo a nada ainda. Ele é muito desconfiado e esperto. Ele não me reconheceu, ainda.
- Eu te dei carta branca. Faça o que for preciso. Se precisar de reforços, só me avisar.
- Talvez eu precise sim. – Ela sorriu e jogou o cabelo para o lado contrário.
Demétrius a olhava de maneira estranha. Ele tinha prometido que se capturasse Daniel. Ele os prenderia juntos para a eternidade num mesmo objeto. Mas essa não era sua verdadeira intenção. Ela não sabia ainda que ele prenderia só o Daniel e a obrigaria a ficar com ele. Tudo o que fosse do Daniel, ele queria pra si. Estava imerso no ódio e na inveja .
- Bom, eu já vou andando, Demétrius. Lembre-se do nosso acordo.
- Claro. Tanto eu quanto você temos um desejo imenso de capturar esse Daniel. Vamos, vou te levar até a saída.
A servente terminou o serviço trêmula e ansiosa.
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