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71 Capítulo 71 - À Caminho de casa
Notas iniciais
Sugerindo a música Oceano - Djavan a partir da marcação.
Também pode ser - With or Without You ou One - ambas do U2. > pra quem não gosta de Djavan ou música nacional.
Beijos
– Eu não quero ir embora. –disse Julie. –Mas é que eu estou com tanta fome!
– Então sabe o que vou fazer? Espera que eu não vou demorar. – ele ia até uma pousada. Ele entra na cozinha de uma pousada e começou a assombrar o cozinheiro. Acendia e começou a assombrar o cozinheiro. Acendia e apagava a luz, abria portas dos armários, jogava panelas no chão. O cozinheiro saiu de lá apavorado. E Daniel ficou sozinho pra pegar comida. – Acho que isso aqui vai ser perfeito. Pegou uma pizza, um refrigerante e água. Voltou bem rápido e entregou pra ela. “Nossa, mas que fome! Acho que uma pizza foi pouco!” – Você vai comer a pizza toda mesmo?
– Hum-rum. – ela não parou nem pra responder. Comeu a pizza e bebeu o refrigerante todo. Pra terminar bebeu a água toda.
– Deseja mais alguma coisa, senhorita.
– Desejo. Quero ficar aqui mais um pouco e deitar no seu colo.
– Seu desejo será atendido.
(Djavan — Oceano)
Ela deitou no colo dele. Enquanto isso ele mexia em seus cabelos com um sorriso de lado.
– Foi estranho o que aconteceu com nós dois desde quinta. Foi quando meu anel desapareceu misteriosamente. Onde foi que você o achou, Daniel?
– O Martin que achou jogado na calçada, quer dizer, ele disse que foi ele.
– Impossível. Eu tinha deixado o anel em cima da mesinha.
– Tem coisa estranha demais acontecendo! To pra te dizer que estou desconfiando de alguém. Mas preciso investigar primeiro.
– É? Sério? De quem?
– De uma pessoa que tá perto da gente. Que tá sempre rodeando.
– Ah, eu não consigo pensar em ninguém. É sempre uma mulher estranha.
– Estranha mas que sabe nossos passos.
– Todas as vezes que aconteceu alguma coisa, tinha uma mulher, e acho que é fantasma. Daniel, fantasmas não reconhecem fantasmas não?
– É complicado. Se eles quiserem podem ficar totalmente invisíveis. Mas geralmente ficam invisíveis só pros vivos.
– Uma criança vidente poderia ver um?
– Eu achava que não, mas vou te contar uma coisa. Sua prima Sofia me viu e até conversou comigo. E eu tava invisível.
– A minha prima viu uma mulher pegando meu celular. Que mulher será essa?
– A primeira coisa estranha que aconteceu foi seu anel sumir. Mas ele apareceu do nada, e o Martin disse que foi ele.
– Outra coisa foi você me dar o endereço da sua tia e eu não te encontrar.
– Como assim? Eu dei o endereço certinho pra sua “amiga” anotar.
– E eu fui te procurar no número 1313, mas você mora no 313!
– Então ela anotou errado!
– Essa minha “amiga” é a namorada do Martin. E ela tá sempre me rodeando. E descobri uma coisa que ninguém sabe.
– Aquela garota, a Laila? O que é? Conta!
– Descobri que ela é uma fantasma!
– Suspeito.
– Então, ela esconde alguma coisa! Não anda sem aquele óculos escuros, sei lá ela fica me assediando.
– Hum... não to gostando nada disso!
– Ah, não acredito! Você tá com ciúme? Não tem a menor possibilidade de trocar você por ela, nem por ninguém. E tem mais uma coisa.
– Sei.
– Eu tenho que te contar. Já que estamos nos entendendo. – Daniel começa a preparar o terreno.
– É alguma coisa que eu não vou gostar né?
– Provavelmente não. No sábado depois que fui te procurar em Niterói voltei pra edícula. Encontrei um bilhete da namorada do Martin.
– Sei...
–Ele não estava lá e não ia voltar cedo. Então tentei ajudá-lo. Você sabe que ele está apaixonado. Então...fui no lugar que ela marcou de esperá-lo.
– Daniel, você não...
– Espera! — suspirou pra tomar coragem. Ela estava lá, de óculos escuros. Quando cheguei perto e perguntei se ela que era a Laila... ela me beijou. “Pronto, agora não tem mais volta”.
Julie pôs as mãos na cabeça decepcionada.
– Eu juro que não fiz nada, amor.
“Agora tá me chamando de amor”.
– Ela disse que pensou que eu era o Martin. Que tinha feito cirurgia nos olhos e não estava enxergando direito.
– E você acreditou? Acredita em Papai Noel também?
– Vai! Não fica com raiva! Eu so só seu! – tenta beijá-la mas ela o empurra.
– Depois reclama que o Rafael me beijou. Foi a mesma coisa! Eu não tive culpa nenhuma.
– Eu sei, amor, agora entendo. Mas eu também não tive culpa!
– E daí? Foi por causa desse beijo que você acabou com tudo!
– Não vamos mais brigar! Eu errei, já reconheci que errei. Fui um idiota.
– Se eu amasse tanto você, não ia deixar essa passar! Mas eu sou diferente, eu te escuto primeiro.
Daniel puxou-a pela cintura e deu um beijo pra acabar com a briga. O beijo foi ficando mais íntimo, devorando seus lábios.
A conversa parou por aí porque eles acharam uma coisa melhor pra fazer. Namorar. Sair dali pra quê? Ali nada podia atrapalhá-los. Deram uns beijos de tirar o fôlego, como se nunca tivessem feito isso. A agarração começou de novo até que começaram a ouvir uma voz chamando:
– Julie! Julie! Você tá aí.
– Ai meu Deus, quem será?
– Não sei, mas deve ser algum chato desocupado. – disse Daniel.
– Uma voz mais fina também gritou: — Juliiie! Tá aí?
– .....
Eles não responderam, a voz parecia ser de sua prima. Mas eles desistiram de chamar.
– Estão me procurando, Daniel! Ferrou tudo! Meu pai vai me matar.
– Não queria te assustar não, mas ele vai ficar bem nervoso.
– Ahh! Obrigada pelo apoio!
Quando tudo voltou a ficar silencioso, pegaram a trilha que leva pro lado da praia do Centro, mas tinham que andar muito!
– Ai! Tô cansada! – Julie tinha andado o dia inteiro e gastou todas suas energias com o Daniel. – Vamos parar um pouquinho! Você não cansa né!
– Tá mas eu vou ficar visível. Não dá pra uma garota bonita como você ficar andando sozinha por aí
Eles se encostaram na cerca. Pouco depois ouviram uma voz chamar:
– Juliana! Julie! – a voz era da sua prima, mas a outra ela não conseguia identificar.
– Ahh não! São eles! Vamos voltar.
– Vamos!
Pegaram a trilha de volta, mas ela pisou nuns galhos que estalaram alto, chamando atenção deles.
– Vamos ter que correr, Julie.
– Ai, vamos!
Voltaram à toda pra praia, e ouviram barulho de passos vindo em sua direção.
– Corre, vamos pras pedras!
– Ai! Tô muito cansada!
– Não pára agora não, vem!
Subiram nas pedras correndo, a descida é que seria complicada. Se escorregasse caía dentro do mar.
– Ai! E-eu não vou conseguir.
– Vai sim! Pula.
Saltaram na areia, mas caíram deitados. Uma onda veio em cima dos dois. Mas quem se deu mal foi Julie. Já que ele não se molhava mesmo!
Continuaram correndo na parte mais escura da praia até sumirem de vista. Ouviam os gritos ainda, mas bem longe. Até que não ouviram mais nada e eles pararam de correr. Julie já estava mais do que sem fôlego.
Estava parecendo uma adolescente rebelde, mas não era isso. Só fez essa loucura porque precisava entender o que tinha acontecido. Não adiantaria conversar com seu pai. Ele só acreditaria se visse, mas aceitar já era outra coisa. Ia achar isso tudo uma aberração. Sua filha e um fantasma. Achariam que ela era louca.
Chegaram num ponto de ônibus. Felizmente havia um banco pra sentar. Tinham que parar os ônibus pra perguntar se eles iam pra praia do Centro. O primeiro não ia, mas o segundo sim. Muito cansada, ela subiu e se sentou. Daniel voltou a ficar invisível. Não queria que as pessoas vissem pelo vidro que ele não tinha reflexo. O ônibus estava cheio de fantasmas e todos faziam o mesmo. No próximo ponto o ônibus parou, e subiram dois passageiros: Rafael e Carol. Entraram pela porta da frente e só por um milagre não a veriam. Mesmo assim ela resolveu se abaixar e se esconder. Olhou pra Daniel desesperada. Então assim que Carol passou pela roleta Daniel deu um empurrão nela, que caiu num banco. Rafael foi ajudá-la e se sentou ao lado dela num banco mais pra frente.
– Daniel, vamos descer! – ela sussurrou escondida atrás do banco.
Ela foi abaixada até os fundos do ônibus e Daniel deu sinal pra descer. A tensão era imensa. Mas conseguiu sair sem chamar a atenção.
– Pra quê esse cara tá atrás de você, Julie? Eu vou ter que dar uma lição nele?
– Por favor, Daniel. Eu já te pedi pra você não ficar fazendo isso de novo. Eu sei me defender.
– Mas se ele me aborrecer vai levar. Por que todo cara tem que te cantar? É por isso que às vezes eu me sinto mal de não poder te assumir. Eu sou invisível não é?
– De jeito nenhum amorzinho. Nós não nos encontramos por acaso.
Ele riu convencido. –É verdade. Quando eu saí daquele disco você não tirava os olhos de mim.
– Que mentira! Você que estava me secando! Você que ficou com raivinha, mas no fundo já gostava de mim.
Ele estava visível e de mãos dadas. Os dois com um sorriso bobo no rosto.
Esperaram outro ônibus. Estava extremamente cansada. Queria chegar na casa da tia e dormir. Mas sabia que teria que ter uma longa conversa com seu pai. Ao descerem na praia do Centro, Daniel estava invisível, por azar ela deu de cara com Rafael. Sua prima já tinha ido embora.
Rafael fuzilou-a com o olhar.
– Mas onde diabos você estava?
Daniel falou: — Ignora! Ignora!
– Eu não te devo satisfação! – Julie respondeu.
– Espera aí! Eu passei o meu dia procurando você e é assim que você me trata?
Daniel falou: — Manda ele desaparecer!
– Não mandei você ficar me seguindo!
– Mas seu pai mandou!
Ela parou na hora. Será que ele estava blefando?
– O quê você tem a ver com meu pai?
– Seu pai me procurou na praia! Me disse que se eu não te encontrasse ele ia me entregar pra polícia.
Daniel: — Você sabe se defender! Não precisa dele.
– Julie responde pra Daniel: — Mas se eu não for com ele vai dar rolo com meu pai!
– Vai mesmo! – diz Rafinha. – Você é completamente louca, irresponsável e burra!
Daniel ficou com muita raiva “ele não vai insultar a Julie assim!”
Deu a volta, pegou um pau no chão, e deu na cabeça dele!
Ele caiu no chão, desmaiado.
– Daniel! Olha o que você fez!
– Ele mereceu! Vamos embora! Eu vou com você até a casa da sua tia.
Julie foi com ele, mas a cabeça a mil. Seu pai ia comer seu fígado.
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