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63 Capítulo 63 - Ela quem era?


Daniel falou algo com Bia e se levantou e despediu-se discretamente.Ninguém entendeu por quê, mas continuaram assistindo o filme. Ainda faltava uns 30 minutos pra acabar quando Laila inventou que precisava ir embora. Disse que sua empresária iria procurar por ela e que seu celular tinha estragado e não poderia terminar de assistir o filme. Ela se despede de Félix e Bia e chama Martin pra se despedir.

– Sabe, Martin. Essa noite seria perfeita se não tivesse acontecido isso com meu celular.

– Poxa, que chato! Isso acontece! Mas pra compensar eu tenho uma surpresa pra você. — Ele estava com o presente que tinha encontrado, escondido no bolso do casaco. – É pra você!

Era um mini-ursinho vestido de metaleiro e nas costas dele um pequeno coração escrito: “I’M YOURS”.

Primeiro ela achou infantil, depois achou inusitado. No fundo adorou, adorava ser mimada. “Ai meu Deus! Há quanto tempo não recebo um presente?!”...Ela agradeceu, dando-lhe um beijo.

– Você gostou? – passando a mão em seus cabelos, admirando-a.

– Claro, Martin! É tão lindo! Obrigada! Nunca vou me esquecer!


Ela percebeu que sentia alguma coisa diferente por ele. Pensou “deve ser porque ele está sendo muito legal. Seria tão bom se eu pudesse gostar dele e não do Daniel!” – suspirou. “Mas não quero magoá-lo. Ele é um cara especial. E além disso não posso me desviar do meu objetivo.

Ela abriu a bolsa para guardar o ursinho, quando um anel rolou de dentro e caiu bem aos pés de Martin.

Imediatamente os dois se abaixam para pega-lo. Martin pega primeiro. Depois de alguns segundos ele diz:

– Esse anel é idêntico ao que o Daniel deu pra Julie.

“Droga! Ele vai descobrir!” – De quem? – ela perguntou. – Da Julie?

– Sim! É igual ao dela. – Martin não sabia ainda que Julie tinha perdido o anel.

“Droga! Se eu não devolver o anel logo o Daniel vai desconfiar!”

– Então... sabe, Martin. Eu encontrei esse anel caído na calçada hoje cedo. E foi mais ou menos perto da casa da Julie. Será que é o dela?

– Pode ser. Vou perguntar pro Daniel.

– Se eu soubesse que era dela ou de alguém conhecido eu já teria devolvido. “Acho que me sái bem.” – pensou. – Toma. Mostra o anel pra ele ver, mas se ele perguntar, diga que achou na rua. Não diga que fui eu. Pode parecer que eu não queria devolver.

– Imagina! Por que o Daniel iria pensar isso? – riu. – Me deixa ver como esse anel fica em você.

– Não! – ela gritou.

– Que foi?

– Nada... desculpe. Te assustei, né? Eu não posso usar esse anel.

– Não pode por quê?

– Tenho alergia a bijuterias. Só posso usar de ouro.

– Eu acho que esse aqui é de ouro. Ouro branco. Mas tudo bem. É melhor não arriscar. Não quero que a minha linda namorada fique com as mãos cheias de bolhas!

“Namorada?” – Laila deu um sorriso amarelo.

Ela acelerou a despedida, dando um selinho rápido nele. Estava com ódio de ter ficado sem aquele anel outra vez.


Laila vai embora com o passo apertado, depois que está longe dali, começa a andar devagar, vagando pelas ruas.


Laila narrando.


Não será um anel que vai mudar o que sinto por você, Daniel. É... eu tenho que encontrar um jeito de reconquistar sua confiança. Eu preciso fazer isso rápido e executar meu plano. Meu plano, meu sonho.

O Martin não estava nos meus planos... eu não queria envolver mais pessoas ness problema, nem muito menos magoá-lo. Eu devia ter contado pro Martin que também sou fantasma. Mas não tem outro jeito de me aproximar do Daniel.

Essa garota depois vai conhecer outro cara e ser feliz. Eu nunca mais.

Fiz de tudo por ele.


Ela começou a se lembrar de q uando estavam juntos. “Ele não pode ter me esquecido!” – Será que ele sabe que me suicidei por causa dele?

Foi caminhando...


Daniel voltou. Depois de muito especular, conseguiu encontrar a casa da tia de Julie, mas não havia quase ninguém em casa. Talvez tivessem saído pra jantar fora, ou ido em alguma festa. Era bem provável que todos tivessem saído juntos. E ele estava certo. Eles foram pra beira da praia, no Centro, onde acontecia um show. Daniel ficou sabendo desse show e apareceu lá. Até tentou encontrá-la, mas a praia estava lotada! Mal dava pra se mexer.

Voltou pro cinema. Não encontrou mais ninguém. O filme já havia acabado fazia tempo. O jeito seria esperar, voltar no dia seguinte. Foi embora para a edícula.


Assim que o filme acabou, Félix, Bia e Martin saíram juntos e foram caminhando até a casa de Bia. Pararam em frente ao portão até Martin perceber que estava sobrando. Mas por desaforo ficou lá atrapalhando a vida do casalzinho. Bia sugeriu que Martin fosse procurar um telefone público que funcionasse. Então ele olhou bem pros dois e falou:

– Até quando vão ficar escondendo esse romance? – depois olhou para Bia e disse: — A vida passa muito rápido.

Ela ficou pensativa e resolveu assumir.

– Félix, o Martin tem razão! Por isso eu quero saber se você quer ser meu namorado?

Apesar de estar ansioso e desajeitado, ele puxou-a pela mão e segurou seu rosto. Olhando diretamente nos olhos dela.

– Aceito! Eu que já devia ter feito isso há mais tempo. Eles se beijam e se abraçam.

– Agora sim eu posso ir procurar um telefone funcionando. Martin saiu sorridente com a missão cupido cumprida.

Bia pede pra Félix ficar mais um pouco. Ela o convida pra entrar e ficarem no quarto dela. É claro que invisível.

....

Enquanto isso Clarisse sai pelas ruas. Lembrar da voz de Julie perturbava sua cabeça. Queria fumar, mas não podia. Ficou perambulando pelas esquinas. Juntou-se a um grupinho de maconheiros e começou a sugestionar um deles, o mais viciado, a fumar mais. Ele já estava bem louco, e foi fácil pra ela conseguir manipula-lo. Ela se divertia, já que não podia fumar. A não ser que incorporasse. Mas isso era tão desagradável que era melhor ficar sem seu cigarro. “Como eu pude deixar o Daniel pra lá e ficar acompanhando esses caras completamente loucos?”. Continuou andando pelas ruas. Passou em frente a uma Igreja. “É... eu e o Daniel sempre ficávamos dando uns amassos atrás da Igreja. Era emocionante!”. Parou em frente à uma lojinha de acessórios. Ficou olhando a vitrine. Lembrou-se do anel. “Droga!”. Seu pensamento só girava em torno do Daniel.

Ela resolveu voltar e ir atrás dele na casa de Julie. Foi vagando pelas ruas, decidida a revelar a verdade para ele. De repente avistou um casal na janela de uma casa. Era Félix e Bia, a tal amiga da Julie. Clarisse foi até lá e entrou sorrateiramente no quarto de Bia.

Bia estava no notebook e disse surpresa: — Olha Félix! A Julie! Ela deixou uma mensagem, só que ela não está online.

“Oi Bia. Por favor, pede pro Daniel me procurar amanhã às 10 horas na praia do Centro. Fala que é urgente. Estou em Rio das Ostras. Depois a gente conversa. Beijos. Julie.”

Clarisse escutou tudo e resolveu esperar até ver o que eles iam falar para o Daniel.


Daniel estava na edícula quando Martin chegou.

– Martin, você tá com uma cara sabe de quê?

– Sei! Cara de apaixonado!

– Cara de idiota!

Daniel estava azedo. Não podia fazer nada pra mudar aquela situação. Era tarde pra ir na casa da Bia.

– Eu to vindo da casa da Bia. Vim procurando um telefone público pra ligar, mas não tem nenhum funcionando. Só se a gente invadir alguma casa, algum bar ou shopping.

– Não! Nada disso! Agora não vai adiantar fazer isso! Não vou aparecer na casa da tia da Julie a essa hora. Amanhã eu resolvo isso. Vou dormir que é o melhor que eu faço.

– Espera! Lembrei-me de uma coisa. – Martin enfiou a mão no bolso e pegou o anel. – Eu encontrei isso aqui na rua. Será que não é de um de vocês?

– Não acredito! Você achou isso onde?

– Na calçada, aqui perto.

– Que estranho! A Julie perdeu esse anel. Mas ela disse que sumiu no quarto dela.

– Vai ver ela se enganou. – Martin ficou um pouco surpreso. Mas não tinha como Laila ter entrado no quarto da Julie.

– Obrigada, Martin. Esse anel é muito importante pra nós.

– Claro! Eu sei.

..........................

Clarisse seguiu Félix até a casa de Julie. Mas ele não percebeu. Ele entrou pra edícula e ela fez o mesmo. Eles poderiam perceber, então tinha que ser muito discreta. Ficou do lado da janela, ouvindo tudo. Eles conversavam lá dentro.

Félix confirmou aquilo que tinha escutado na casa de Bia. Ela saiu de lá sem fazer barulho e voltou pras ruas para pensar no que fazer. Precisava se concentrar. “Eu consigo tudo o que quero e dessa vez não será diferente!”.

Lembrou-se de um lugar perfeito para pensar no seu plano. Aquele mirante feito que o Martin tinha falado, ela sabia onde ficava. Sumiu e apareceu lá. Tinha a visão de toda a cidade com suas pequenas luzes piscando. Subiu no parapeito e ficou caminhando sobre ele, à beira de um precipício. Sentiu uma certa euforia. “Tenho que me acostumar com a idéia de pular num abismo...”. – Mas não será agora! – falou alto. E pulou do parapeito pro chão. Correu para um gramado onde se deitou. Ficou admirando as estrelas... onde conseguiu pensar melhor numa maneira de separar a Julie do Daniel.

“Chega de pensar, chegou a hora de agir!”

Notas finais
Ela quem era?
Será que ela vai conseguir separar os dois?