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64 Capítulo 64 - Alguém pra atrapalhar


Notas iniciais
Obrigada Juliana e Maary. Adorei que comentaram. Tenho medo dessa história estar chata, arrastada. Fico feliz que comentaram.
As coisas vão mudar um pouco, e pode ser que cause um problema maior para os dois.
Não sei se vão gostar muito desse capítulo, mas enfim, está aí.

Julie e seus primos estavam na praia, ela tentava se divertir. O dia tinha sido meio ruim, com muitos desencontros. E pra piorar teve aquele telefonema estranho. Estranhíssimo pra dizer a verdade. Uma garota que ela nem sabia quem era, com o Daniel, no cinema e o chamando de amor. Não conseguiu retornar a ligação. A garota simplesmente não atendia. Será que pelo menos ela passou o endereço pro Daniel? Ela tinha mandado uma mensagem pra Bia, ainda bem. Pelo menos o Daniel com certeza apareceria no dia seguinte. “Mas ele vai ter que me dar uma boa explicação para isso!”. O show até que não estava ruim. Era uma banda da região, Camisa de Força. Eles eram bem irreverentes, ao estilo Mamonas Assassinas. Mas o que não dava pra aturar mesmo era aquela aglomeração e os primos no seu pé. Se o Daniel resolvesse aparecer, jamais a encontraria naquele inferno.

Suas primas queriam ficar andando naquela confusão. Ela não. Mas a arrastaram pra um lugar mais cheio ainda. Elas estavam a fim de paquerar e ali era o lugar ideal. Pra Julie restava dançar. Não ia ficar paquerando ninguém. Estava muito bem com o Daniel, obrigada. Essa era a primeira vez que ficariam longe um do outro.

Julie sentiu alguém colocar a mão no seu ombro. Virou-se pra trás. Era uma garota tatuada, de cabelo channel com franja. Ela sorriu pra Julie e falou:

- Oi! Meu nome é Mônica. Desculpa, mas é que tem um amigo meu a fim de te conhecer.

Julie foi pega de surpresa.

- Eu? – mas que amigo é esse? E-eu não posso, tenho namorado.

- Tudo bem, eu vou falar com ele. – a garota saiu tão repentinamente quanto apareceu.

“Droga! Eu tenho namorado! Só que ninguém acreditaria!”. Ela ficou com os primos e olhava pra todos os lados, na esperança do Daniel estar lá. Foi ficando chateada. Deu graças a Deus quando todos resolveram ir embora. Só queria deitar e dormir. Esperar que o dia seguinte fosse bem melhor.

Chegando na casa da tia, enfrentou uma disputa pra tomar banho. O calor estava insuportável, mas por sorte o quarto onde ficaria tinha ar-condicionado. Também! Ela ia dormir com suas 14 primas. Elas tinham de 4 a 15 anos. A pequenina era muito agarrada com Julie, se chamava Sofia. Antes de dormir ela conferiu se Bia tinha lido sua mensagem. Ficou aliviada pois a amiga tinha lhe deixado uma resposta, dizendo que daria o recado pro Daniel ainda hoje. Colocou seu celular numa mesinha perto da cama. Estava super cansada, jogou-se na cama e caiu num sono pesado.

.....

No meio da noite, a porta se abre sozinha. Sozinha não, era Clarisse. Ela sabia o endereço pois tinha atendido o telefone. Viu o quarto cheio e resmungou “Está escuro, como vou encontrar essa garota aqui!”. Teve que ir passando de cama em cama, com cuidado para não esbarrar acidentalmente em alguma coisa. Reconheceu Julie e viu um celular perto da cama. Pegou-o. “Parece ser o dela.”- pensou. Apertou um botão pra conferir. Era o celular. Ela foi andando em direção à porta, quando de repente ouviu uma vozinha.

- Moça! Onde você vai? Esse telefone é da tia Julie.

- Schhh... fica quieta, garota! Vai dormir senão o bicho-papão vai vir te pegar.

A garotinha fechou os olhos com força e cobriu a cabeça.

Clarisse não entendeu como a garota lhe viu se ela estava invisível. “Será que essa garota é vidente? Era só o que me faltava!”

Foi em direção ao banheiro e jogou o celular dentro do vaso sanitário. “Adeus!” – saiu com um sorriso de lá.

.............

Na manhã seguinte, Julie acordou. Sentou-se na cama e espreguiçou. Olhou pra mesinha e deu falta do seu celular.

- Ué! Alguém viu meu celular?

Quem estava acordado não sabia. Começaram a procurar mas nada. Diana, uma das primas, ligou pro número do celular dela e também não teve resposta. Sofia estava acordada, até então quietinha, foi aí que ela falou.

- Foi uma moça que pegou ontem, tia Julie.

- Uma moça? Que moça?

- A moça que veio no quarto. Ela pegou o celular, tia Julie.

- Quem era, Sofia? Era alguma das nossas tias? Ou nossas primas? Como ela era?

- Ela tava com uma roupa branca e ela era branca. Ela tinha cabelo vermelho. É... Cabelo grande.

- Mas ninguém ali tinha essas características.

- Ela pegou o seu celular e saiu por ali. – apontando pra porta. – Ela disse que o bicho papão ia me pegar.

- Não vai não, meu neném. A titia não vai deixar, tá?

- Oi! Licença, Julie. – seu primo Thiago chamou.

- Oi, primo. Bom dia.

- É... eu não sei se é muito bom dia não. Eu entrei no banheiro e vi um celular e me lembrei que você tem um desse. – ele estava segurando um celular dentro de um plástico.

- Meu celular! Onde você achou?

- Aí é que está. – fez uma cara sem-graça. – Ele estava dentro do vaso.

- Não! – ele deu um grito. – Ah, meu Deus! Como isso foi parar lá?

- Vai ver caiu do bolso quando você foi ao banheiro.

- Não foi isso! Eu coloquei ele na mesinha, com certeza. – sem resposta, Julie apenas olhou pro lado de Sofia. “Danadinha. Ela que deve ter feito isso.”

- Sofia! – Julie falou. – Não pode falar mentira pra titia, viu. Foi você que jogou meu celular no vaso?

- Não fui eu, tia Julie. Foi a moça.

Thiago retrucou: — Essa menina está terrível, prima. Pode ter certeza que foi ela.

Julie pegou o que restou do celular, com nojo. Respirou fundo. Se já estava mal, agora tinha acabado de piorar. Teria que ficar pegando celular do seu pai. A Bia ia ficar ligando pro número dela. “Ai que inferno!”

Ela trocou de roupa, antes que perdesse a hora de encontrar com o Daniel. Foi com um biquíni preto de bolinhas brancas. Um shortinho preto e uma camiseta branca. E um chinelo da Monster High. Tinha marcado com ele às 10:00h. Mal podia esperar pra encontrá-lo logo. Estava morrendo de saudade. Prendeu seu cabelo de lado, como sempre fazia. Pegou sua bolsa com as coisas que ia levar: óculos escuro, protetor solar, batom, canga, uma garrafinha d’água, boné e esteira. Ah! E câmera fotográfica.

Esperou as primas se arrumarem. Dessa vez iriam com ela 5 primas e o Pedrinho. Todas mais novas. A praia não ficava muito longe de onde sua tia morava. Era uma praia calma e bem movimentada. Ainda não sabia como fazer para driblar suas primas ao encontrar o Dani. Mas na hora daria um jeito.

Demorou um pouquinho porque ainda tomaram café da manhã. Pegou dinheiro com seu pai e saíram.

15 minutos depois já estavam na praia. O sol já estava esquentando e ela sentia o cheiro da maresia. Já tinha bastante gente na areia. Mas ainda não dava pra arriscar um mergulho. A água parecia gelada. Foram andando pelo calçadão conversando e dando risada. Cada uma queria falar mais que a outra e chamar a atenção de Julie, que elas simplesmente adoravam. Julie ficou contando que às vezes tocava violão e cantava. Elas vibraram. Pararam perto de um quiosque e abriram as cadeiras de praia que as primas tinham levado. E os guarda-sóis também. Perto delas tinha uns meninos jogando vôlei. Todas viraram a atenção para o jogo.

Julie percebeu uns olhares pra ela de um dos meninos. Era alto, tinha o cabelo preto liso, meio atrapalhado. Os olhos puxados e uma boca linda. Estava com uma cor de quem ia sempre à praia. Era bonito, era mais que bonito, era um gato! Volta e meia ele dava uma olhada discreta pra ela. Sua prima Carol também percebeu. E logo comentou:

- Julie! Você está podendo hein! Mal chegou na cidade e está arrasando corações.

- Quem? Eu? De quê você está falando.

- Ah! Vai! Eu vi o jeito que estão olhando pra você toda hora. E mais, ele é o cara mais gato da praia. Olha a barriga dele, perfeita.

- É! Ele é bonito. – disfarçou. – Mas vai ficar só nos olhares mesmo.

- Só se você for muito boba mesmo! Sabe quem é ele? O Rafinha. Ele é salva-vidas e a mulherada disputa ele à tapa.

Julie ficou corada. Olhou pro jogo e viu que ele continuava a paquerando.

Então resolveu pegar a máquina e tirar umas fotos das primas. Ficou de pé pra enquadrar todo mundo. Deu uns passos pra trás, e disse: -Todo mundo diga X.

Ao falar isso levou uma baita bolada na cabeça que jogou ela no chão. Estava tonta na areia, nem tinha recobrado ainda a consciência. Só ouviu algumas vozes falando com ela e um garoto perguntando se tinha machucado. Passou um tempo e ela conseguiu se recuperar. Prestou atenção no garoto que falava com ela. Reconheceu que era o mesmo de quem estavam falando.

- Me desculpe, eu que acertei a cortada em você. Foi mal. – ele falou preocupado.

- Nossa! Doeu! Tá desculpado. – falou meio puta.

- Mil perdões. Olha, senta ali um pouco. Eu vou trazer uma coisa pra você se acalmar. Foi no quiosque e voltou com uma água de coco e uma garrafinha d’água.

- Toma. Eu sinto muito mesmo.

- Obrigada. Como você se chama?

- Rafinha. Quer dizer, Rafael.

- Obrigada Rafael.

- Rafinha. Me chama de Rafinha.

- Obrigada Rafinha. Meu nome é Julie. Juliana. – deu um meio sorriso pra ele.

- Vou voltar pro jogo, mas olha, qualquer coisa me fala.

O garoto moreno alto voltou pro jogo. De perto era ainda mais bonito. Tinha os olhos castanhos e um sorriso perfeito. Balançou a cabeça pra afastar aqueles pensamentos.

Suas primas ficaram preocupadas com a bolada e ela teve que convencê-las de que tinha sido uma pancada boba.

Rafinha estava olhando ainda mais pro lado delas. Devia estar mesmo preocupado ou então...

Do outro lado do quiosque uma pessoa observava Juliana o tempo todo. Clarisse.

Uma informação importante para seus planos. Um carinha lindo interessado na pedra do seu caminho. Ela estava bem disfarçada. Antes de chegar na praia, ela tinha feito umas “compras” para ficar de acordo com o clima. Tudo o que precisava para ir à praia normalmente ela “comprou”. Além disso, passou numa joalheria e “escolheu” alguns itens caros. Um relógio, uma corrente, um brinquinho de brilhante. Peças que valeriam como moeda de troca para um trabalho que ela teria que fazer.

Ela usava uma roupa toda branca e chamava a atenção pois sua “pele” era de um branco quase azulado. Além disso usava uma peruca loira, presa como um rabo de cavalo. Óculos de sol, unhas postiças e um chapéu branco. Aproximou-se de Julie e falou sem cerimônias.

- Eu tenho um recado para você. Você é a Julie?

- Sou. Quem é você.

- Sou amiga do Daniel. Posso falar com você em particular?

Seu coração disparou. Será que tinha acontecido algo com o Daniel? Quem era essa moça?

- Bom, vou te contar uma coisa pois ele me garantiu que você é muito discreta. Eu sou fantasma também. – disse Clarisse. – Somos amigos do mundo espectral. Ele me pediu pra vir aqui dar esse recado.

Julie olhou pra ela desconfiada. – Que recado é esse? Por quê ele não veio.

- Eu não sei por quê ele não veio. Mas ele mandou dizer que é para vocês se encontrarem na praia Virgem. Ao meio-dia. Ele estará lá te esperando. É só o que posso dizer.

A garota – Clarisse – entrou num banheiro e desapareceu. Jogou todas as roupas dentro de uma lixeira e tampou. Julie tentou ir atrás, mas não encontrou nenhum vestígio. Nem passou pela sua cabeça olhar dentro da lixeira. Ficou num impasse. Resolveu esperar até o horário que ela tinha combinado pra dar tempo do Daniel aparecer ali, caso a garota estivesse mentindo. Mas realmente viu que ela era fantasma e que estava sabendo do encontro.

Voltou para perto de suas primas, que quiseram saber o que estava acontecendo.

- Não, nada. Onde fica a Praia Virgem?

- É longe daqui. Tem que andar bastante. Ou ir de carro.

- Ah, tá bom.

Ficaram assistindo o jogo de vôlei. Mas a cabeça de Julie estava longe. Isso não era muito a cara do Daniel. Deve ter acontecido alguma coisa séria.

Notas finais
O capítulo continua desse ponto.
Comentem! Por favor! Será que minhas leitoras desapareceram?
Estou com saudades dos comentáriossss.
Beijos.