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60 Capítulo 60 - A amiga que lhe deu o anel


Notas iniciais
Desculpa mais uma vez, demorei a postar pra conseguir organizar melhor as idéias. A história volta no tempo e depois retorna para os dias de hoje. Espero que gostem

33 anos antes:

“Dessa vez ela foi longe demais!” – Daniel dizia pra ele mesmo. Estava lembrando das últimas palavras dela. “Seu ridículo! Careta! Você não manda em mim! Você não é nada meu!”. Gritava aquilo na frente de seus amigos, fazendo-o passar a maior vergonha. Ela estava chapada, eufórica, nem aí pro que ele estaria sentindo naquele momento. Ela continuou: — Eu sou livre! Livre para fazer o que for!!

Para ela, Daniel não obedecia regras, mas queria criar regras para ela seguir. E ela não aceitava se sentir presa a nada. Ela queria muito o Daniel, e só pra ela. Mas tinha que ser do seu jeito. Se ela resolvesse sumir, ele tinha que entender. Tinha que aceitar suas loucuras. E o mais absurdo. Não podia falar pra ninguém que estavam namorando.

Daniel andava pelas ruas escuras, cabisbaixo, com um cigarro nas mãos — o que era raríssimo. Achava ridículo pessoas que fumavam, mas agora ele precisava disso. Sentia-se vazio e pelo menos a fumaça preenchia algo. As coisas não andavam muito bem. Tinha levado um banho de água fria ao tentar mostrar sua música para o Chris Garcia. Teve que mentir pros amigos.

Mas o pior é que não agüentava mais as loucuras da sua “namorada” (se é que se podia chamar aquilo de namoro). Clarisse mudava de humor como o vento muda de direção. Eles tinham acabado de se desentender. Mas ainda gostava dela. Ela começou sendo sua amiga e companhia pra todo lugar aonde ia. Os dois estavam sempre juntos. Brigavam o tempo todo mas depois faziam as pazes. Ele se achava rebelde, mas a Clarisse era muito mais. Ela se tornou um refúgio, pra esquecer que não tinha família.

– Daniel! Quero falar com você, por favor!

– Já não falou tudo o que queria lá na frente dos seus amigos?

– Desculpa! Olha eu estou arrependida, você não merece.

Ele continuou andando.

– Por favor! Me dê um minuto de atenção! – ela insistiu.

Ele parou e ficou de costas. Estava cansado daquela situação.

– Eu queria lhe entregar isso! – tirou um anel do dedo. Era um anel de lua e estrela, que ela tinha comprado um par, para eles usarem.

Ele se virou e ficou confuso com a atitude dela. – O quê significa isso?

– Significa que eu não mereço você! Eu não quero mais te magoar! Eu acho melhor nós dois sermos apenas amigos!

– Eu só queria um tempo! Você não perdeu tempo e está terminando com tudo!

– Daniel, eu não quero te magoar mais! Você não me entende. Nem eu me entendo. Estou falando como sua amiga. Pegue esse anel e guarde-o. Um dia quem sabe ele não te dê sorte! Pois eu não te dei.

– Pare de falar bobagens, Clarisse. Eu não quero anel e pra falar a verdade eu não sei mais o que quero com você. Me deixa ir!

Mas ela colocou o anel no bolso dele. Tentou passar a mão em seu rosto, mas ele se virou.

– Tudo bem! Eu te entendo. Você é meu melhor amigo! Quem sabe um dia a gente não se encontre de novo.

Ele foi embora deixando-a com a sensação de ser um adeus de verdade.

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Voltando ao presente

Julie e o restante da turma chegam em casa e logo guardam os instrumentos. Os fantasmas aproveitam para mudar de visual também.

– Dani, você ficou lindo com essa roupa! Ainda mais lindo.

– Obrigada! — disse convencido.

– Ah, Julie, me dê o DVD onde o clipe está gravado. Pegue lá na filmadora. Na segunda eu vou levar o DVD para confirmarmos sua inscrição. — Bia falou.

– Ah, bem lembrado. Vou lá pegar com o Pedrinho. E na segunda mesmo eu te ligo pra saber como foi. — Julie respondeu.

– Deixa que eu ligo pra você. Meu celular molhou naquela chuva e acho que estragou de vez. — Bia disse, lembrando-se da chuva que pegou no mirante.

Eles ouvem um barulho na maçaneta e rapidamente desaparecem, ficando apenas Julie e Bia na edícula.

Sr. Raul tinha chegado e precisava falar imediatamente com Julie.

– Oi filha, tudo bem? — deu um beijo sobre seus cabelos. — Oi Beatriz!

– Tudo bem, pai. Agora o senhor já está de férias?

– Sim! E eu vim aqui pra saber se você já arrumou as suas coisas pra viajar. Estou querendo ir hoje de uma vez!

– O quê! Por que pai? Vamos deixar pra amanhã!

– Amanhã a estrada vai estar mais cheia do que hoje.

– Ah, pai! Mas amanhã o senhor não vai estar cansado como deve estar hoje. "Preciso convencê-lo disso!"

– Bom, vou pensar! Deixa eu me trocar e checar algumas coisas.

Julie tenta pensar numa maneira rápida de convencer seu pai. Então teve uma idéia. E pra isso precisaria da ajuda dos fantasmas.

Eles teriam que criar alguns probleminhas para o pai dela se atrasar um pouco. Nada que demorasse para ser resolvido, como esconder a mala, travar a porta do guarda-roupa, fazer um pequeno vazamento na torneira. Isso já seria o suficiente pro pai dela desistir de viajar à noite. O maior motivo disso é que ela queria ficar mais tempo com Daniel antes da viagem e checar suas coisas com calma.

– Julie! Me ajuda aqui! Não acho minhas coisas. Procura minha mala por favor, eu tinha deixado dentro do armário. Vou lá no banheiro ver o que aconteceu com o chuveiro, estou ouvindo um barulho vindo de lá! Julieee.... venha cá, pega lá embaixo a minha caixa de ferramentas. Isso não é hora desse chuveiro dar vazamento.

Parecia que o plano estava dando certo. Passada 1 hora o pai dela finalmente conseguiu resolver os problemas. E isso atrapalhou seus planos de viajar naquela noite.

– É filha, melhor não insistir, está tudo acontecendo pra que a gente não faça isso, então melhor não contrariar.

Feliz, Julie vai falar com os fantasmas e chama Daniel pra ficar com ela no quarto.

Entrando no quarto, eles ficaram se agarrando atrás da porta, que ela tinha trancado. Depois de parar pra darem uma respirada, Julie falou pra ele que precisava fazer as malas. Pediu pra ele ficar lá dentro para conversarem. Antes porém ela ligou o som pra abafar sua voz e o pai não pensar que ela estava falando sozinha ou tinha alguém com ela lá dentro.

– Nossa! Por quê você não leva o armário de uma vez! Vai ficar quantos meses lá? – Daniel provoca.

– Você acha que eu estou levando muita coisa?

– Você não está levando muita coisa, você está levando tudo.

– Ahh eu não posso deixar nada disso pra trás. Como vou suportar ficar lá sem minhas músicas? Meus livros? Minhas Monster Highs? Não posso esquecer de levar umas roupas de frio, vai que o tempo vira... ah! Eu já ia esquecendo do anel! Pega o anel pra mim em cima da mesinha por favor, Daniel. Tirei só pra usar as bijus.

Ele olha um instante, não encontra. – Qual mesinha, Ju. Nessa?

– É Daniel, deixei bem aí em cima. Achou?

– Não tem nada aqui, Ju. Vou olhar no chão. – olhou e nada.

Julie largou suas coisas e correu pra lá. – Que estranho! Eu coloquei o anel aqui em cima, tenho certeza!

Reviraram todo o quarto e nada do anel aparecer.

– Ahh Ju, vamos deixar esse anel pra lá, e vamos ficar abraçadinhos aqui, puxou-a para a cama, ficando literalmente abraçados.

– Daniel! – ela riu. – Eu quero achar o meu anel primeiro!

– Não, eu não vou te soltar! Vamos fazer assim... eu te dou o meu anel e quando você sair eu procuro o seu. Tá bom?

– O seu não vai servir em mim. Nem o meu no seu dedo! – riu.

– É, a gente corre o risco de perder os dois assim. Mas espera aí, eu não quis dizer que você perdeu o seu... – ficou meio preocupado. – Perdeu?

– Aiii... detesto quando tenho essa sensação de que deixei uma coisa num lugar e depois não encontro!

– Como vai ser?

– Como vai ser o quê? – ela pergunta.

– Como vai ser ficar duas semanas longe de você, se eu não consigo ficar nem 1 dia? – deu um abraço apertado de saudade que já estava sentindo.

– Você não vai ficar sem me ver, Daniel. Só não garanto que vai dar pra gente ficar sozinho. Vai ter muita gente na minha cola.

– Mas não me importa... vai ser ruim ficar sem poder te beijar, mas vai ser pior se eu não puder ao menos te ver.

Se abraçaram aos suspiros.

– Você vai comigo então? No carro do meu pai?

– Acho que essa não é uma boa idéia. Vai que o Pedrinho me entrega, ou você! Eu posso aparecer lá num estalar de dedos. Só você me dar o endereço.

– Vou te dar o endereço. Vou anotar aqui nesse papel... Pronto!

– Quando você chegar eu já vou estar lá te esperando.

Ela sorriu e os dois se beijaram. Ela terminou de arrumar as coisas, tomou um banho e se arrumou pra dormir. Ficaram na cama até pegarem no sono.

Notas finais
Ela está de volta... o que acham disso? Julie ficará sabendo? Daniel vai encontrar com a Clarisse? Nos próximos capítulos as respostas... Espero reviews, vamos lá gente, uma palavrinha já reanima! ;)