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61 Capítulo 61 - Marcar Encontros Nem Sempre Dá Certo
Notas iniciais
Beijos.
Sábado de manhã
Julie acorda muito cedo, acorda Daniel. Ele abre os olhos e se lembra que ela vai viajar. Chega perto e a abraça, sem querer mais solta-la. Tanta coisa que eles podiam fazer juntos, mas teria que esperar mais duas semanas para que ela voltasse da viagem. Então poderiam curtir as férias juntos.
- Julie, essa é a primeira vez que você me deixa. Isso não é certo! – sorriu fazendo charme.
- Não vou deixar você em lugar nenhum! Você vai ficar lá comigo! Não vai?
- Eu vou ficar lá! – disse. – Mas também vou ficar aqui. Temos que ensaiar, e além disso eu vou me sentir muito invisível andando com você no meio de tanta gente e ninguém sabendo de nada.
- Eu sei Dani... não deve ser legal isso, o melhor mesmo é quando temos um tempo só nosso. Eu preferia ficar só com você invisível, do que com toda aquela gente. São meus primos, eu sei, mas você é mais importante pra mim.
- Seria bom se a gente pudesse andar pela praia, nós dois. – sorriu pra ela.
- Eu vou dar um jeito de realizar o seu sonho. Tá bom assim? Não fique mais chateado.
O pai de Julie bateu na porta, que estava trancada. Ela respondeu dizendo que já estava indo. Levantou, trocou de roupa correndo, na frente dele mesmo. Arrumou sua cama e se calçou. Então lembrou-se do anel. Começou a vasculhar o quarto de novo à procura do anel, mas nada. Ficou um pouco triste por te-lo tirado do dedo. Daniel tentava ajuda-la, em vão, pois o anel já estava bem longe dali.
- Que pena que eu não encontrei mais o anel.
- Eu vou tirar o meu, não faz sentido ficar usando um anel de compromisso sozinho. Mas não se preocupa que eu vou encontrar seu anel de qualquer jeito! Vou até o fim do mundo pra encontrá-lo!
Julie saiu do quarto, foi ao banheiro, depois desceu pra cozinha pra tomar café, que seu pai já tinha feito. Todos estavam prontos. Ela pediu pro pai esperar um minutinho que ela iria buscar uma coisa na edícula. Foi se despedir dos fantasmas.
- Tomem conta da minha casa! – ela disse. – E saiba que eu vou sentir muito a falta de vocês! – deu um beijinho em cada um, enquanto Daniel a esperava na porta da edícula com seu olhar apaixonado.
- E eu te espero lá, mais tarde, viu Sr. Daniel. – deu um beijo mais demorado. – mas infelizmente teve que se afastar. “Se você ficar me olhando assim vai ser difícil ir embora” – ela pensou.
Todos entraram no carro e partiram. “15 dias de férias na praia de Itacotiara. 15 dias de saudades...” – Daniel e Julie pensaram juntos.
Duas horas mais tarde...
Julie conversava com seu pai sobre seus planos de fazer faculdade de música. Sobre seu sonho de se tornar uma cantora famosa. E ele se divertia com tudo aquilo, achando que não passava de um sonho.
De repente seu pai anuncia.
- Ah, filha! Sua tia agora não mora mais em Niterói. Ela comprou uma casa bem maior lá em Rio das Ostras!
- Não acredito! – ficou paralisada com aquela notícia.
- Que bom! Não acha? Agora talvez você até possa ficar num quarto sozinha.
“Que ódio!”-pensou. “De que vai adiantar ficar num quarto sozinha agora! E se o Daniel não conseguir me encontrar!”
- Não gostou da novidade, filha? – seu pai esperava alguma reação.
- Pai, assim que chegar lá você pode anotar o endereço certo pra mim.
- Tá bom, eu vejo pra você. Só não sei pra quê tanto interesse assim.
..................
Niterói, 8:00 h
Evidentemente Daniel foi à toa no endereço que ela tinha lhe dado. Para uma casa que supostamente estaria lotada, aquela ali seria improvável. Ele entrou na casa, não tinha nada, nenhum móvel, nenhum sinal de que alguém vivesse lá. Julie havia se enganado, e o pior é que seria quase impossível encontrá-la sem um endereço certo. Teria que ficar vagando pelas praias à sua procura. Ser fantasma nessas horas não adiantava muita coisa. Isso o deixou completamente desanimado.
Voltou pra edícula tentando encontrar uma solução.
- Martin, Félix! Preciso da ajuda de vocês! – ele falou na edícula vazia. Não estavam lá.
No quadro da edícula Martin tinha deixado um recado. “Fui conhecer a Galeria do Rock. Ficarei por lá o dia inteiro.”
“Quando a gente mais precisa de um amigo ele simplesmente desaparece!” – Daniel ficou se lamentando.
Era Martin que tinha ido pra lá. Foi conhecer o famoso shopping, o paraíso de toda banda de rock. Queria ter umas idéias novas pra banda. Não ia testar o visual das roupas porquê tinha medo da Polícia Espectral prendê-lo. Não tinha a mesma coragem longe do Daniel, que sempre comprava as brigas deles.
Félix tinha despistado e saído sem avisar. Ele foi até a casa de Bia e ficou lá do lado de fora andando de um lado pro outro, pensando se devia chamá-la. Tocou a campainha demorado. A mãe de Bia foi até a janela e não viu ninguém. Félix tocou a campainha de novo, mais demorado ainda. Dessa vez a mãe de Bia abre a porta e fica olhando desconfiada. Mas como não viu o Félix, entrou resmungando. Félix queria que Bia atendesse, mas ia acabar deixando a mãe dela furiosa. Sem se preocupar com isso ele toca a campainha de novo. A mãe dela dá um grito, chamando-a pra ver quem era. Bia olhou pela janela e viu Félix. Disfarçadamente abriu a porta e foi atender o portão. Sorriu ao vê-lo todo envergonhado de aparecer sem avisar.
- Que surpresa ótima! Está com saudade, é? – Bia vai até o portão. – Não posso ficar conversando muito porquê minha mãe está de olho aqui fora. – disse sorrindo.
- Você não pode dar uma volta agora? – ele pediu de um jeito tão fofo que não dava pra recusar.
- Eu acho que vou precisar ir na padaria – ela disse rindo. – Espera que vou lá dentro falar com a minha mãe.
- Quem era, filha?
- Era o meu namorado.
- Ora, pára de graça, menina! Não vi ninguém daqui.
- Então tá bom. Não era ninguém! Agora, me deu uma vontade de comer sonho. Vou lá na padaria comprar, tá mãe?
- Pode ir, mas é só na padaria, viu. Hoje tem muita coisa pra pôr em ordem nessa casa!
Bia suspirou alto. Não tinha como fugir dessa obrigação. Mas depois teria o restante da tarde e a noite livre.
Voltou ao portão e foi andando bem devagar conversando com o Félix, até a padaria.
Ele disse: — Adorava sonho, também!
- Você não pode comer mais nada mesmo?
- Não, nem beber. Não fazemos nada disso. Não lembro direito como era sentir fome.
- Vou levar mais dois. Um pra minha mãe e outro pra mim. – ela disse.
Félix começa a falar, fica enrolando e por fim consegue chamar Bia pra assistirem um filme na casa da Julie no final da tarde. Ela aceitou, apesar de ser estranho invadir a casa da amiga assim. Ela ficou responsável por escolher um filme pra levar. “Vou levar um de terror, eles sempre gostam.” — ela pensou. Mal sabia que Félix tinha medo de filmes de terror.
Por volta de 9:30h, Laila resolve passar na “casa” de Martin. Tocou a campainha várias vezes e ninguém atendeu. “Tenho que agir normalmente, afinal sou uma humana.” Tocou mais algumas vezes até desistir. Bufou, mas pegou um papel e uma caneta em sua bolsa e escreveu um bilhete:
“Martin. Tudo bem com você? Estive aqui porque pensei que seria legal se nos encontrássemos essa tarde, lá pelas 13 horas. Que tal? Estarei te esperando no Parque do Lago num daqueles banquinhos. Um beijo. Te aguardo lá. Laila”
Dobrou o bilhete, carimbou um beijo de batom vermelho e enfiou por baixo da porta.
.....................
Daniel vasculhava a casa de Julie à procura de algum telefone ou endereço que pudesse ajudá-lo a encontra-la. Foi até a sala e viu um papel no chão, com um beijo vermelho. A curiosidade falou mais alto e ele pegou o papel do chão e leu. “Hum... então essa é a tal Laila. Meu Deus, ela está mesmo caidinha pelo Martin. Mas já!....” – foi andando com o papel pra edícula, pensando. “Droga, mas o Martin está lá pra São Paulo, vai ser praticamente impossível encontra-lo nessa Galeria do Rock. Até os fantasmas roqueiros do mundo espectral vão direto pra lá, são centenas, milhares. “
Tentou se colocar no lugar dele. “Bom, se fosse o contrário, acho que o Martin ia fazer alguma coisa pra me ajudar. Vou lá nesse lugar avisar essa Laila. Senão depois sou eu que vou ter que ficar olhando pra cara de tristeza dele o resto da eternidade”
...............
Ela estava sentada no banco, virada pra trás, tacando pedrinhas no lago.
Daniel fazia suas boas ações, mas não dava o braço a torcer. Era só o que faltava ficar armando esquemas pro casalzinho. Até que não achava nada demais deixar a tal garota mofando no banco até desistir. Mas o amigo depois ia ficar com cara de cachorro abandonado eternamente e isso ele não ia aguentar. Olhou-a de longe, jogando pedras no lago. Pensou: — “Que coisa mais infantil! Não sei por quê o Martin tem essa mania irritante de sair com garotas tão mais novas que ele”... Ao chegar mais perto ele repara que a garota não era tão criança assim. Estava com um vestido preto e salto Scarpin e tinha um corpo escultural. Seu cabelo era liso e preto, batia quase na cintura e estava preso. Só era baixa, mas quem é perfeito? Seus óculos escuros eram um acessório indispensável em qualquer situação.
Daniel foi chegando perto sem que ela percebesse. Então falou com ironia:
- Laiiii – la?
Ela se virou num pulo. Sua fisionomia revelava mais do que um susto comum. Ela ficou perplexa olhando pro Daniel. Ele ficou sem graça e tentou continuar uma conversa.
- Laila? É você?
Laila não respondeu nada. Simplesmente deu-lhe um beijo na boca antes que ele pudesse se dar conta. E segurava forte no seu pescoço pra que ele não se afastasse. Mesmo assim Daniel conseguiu escapar.
- O quê é isso! Tá pirando? Sua maluca! Eu vim aqui dar um recado do Martin – inventou — mas pelo visto nem preciso perder o meu tempo.
Ela se faz de assustada.
- M-Martin? É você? ... Não é?
- Qual é garota! Você não sabe diferenciar o Martin de mim?
- Perdão, eu... achei que você fosse o Martin, desculpa! – ela põe a mão na boca.
- Sou, eu sou o Martin! Aliás eu sou o Félix também! Mas pode me chamar de Daniel!
- Daniel? – ela diz espantada. – Oh não! Que engano terrível! Desculpa é que eu fiz uma cirurgia nos olhos ontem! Não estou enxergando quase nada.
- Não tá enxergando? E você vai assim beijando os outros que não enxerga?
- É que você falou o meu nome... pensei que era o Martin. Desculpa.
No fundo ela sabia perfeitamente o que estava fazendo e enxergando bem até demais.
- Espera! – ele falou de repente. – Tira esses óculos um pouco.
- Por quê? – ela perguntou nervosa.
- É que... não sei... parece que eu conheço você... – ele ficou um pouco intrigado com ela.
- Ahh! Eu não posso tirar os óculos. Desculpe. São recomendações médicas.
- E você não pode esquecer essas recomendações médicas só um pouquinho?
- Ahhh não. Se o médico mandou, está mandado! Eu não vou desobedecer suas recomendações.
- É... eu devo estar confundindo... você não poderia ser a mesma pessoa. “Ela não seguiria ordens nem mesmo se fossem do Papa.”
Laila concordou com a cabeça.
- Então, eu ainda não te dei o recado do Martin.
- Claro! – ela já nem se lembrava disso mais. – O que houve com ele? Você me deixou preocupada. – disse com uma voz super doce.
- Nada grave. Mas ele teve que resolver uma emergência pra banda. E não pôde vir. – ele não disse que Martin estava se divertindo demais no shopping.
- Sendo assim, vou embora. – ela disse.
- Estou indo pra lá também. Se quiser te ajudo a chegar no ponto.
- Ah, obrigada. Eu aceito sua ajuda sim. Posso segurar no seu braço pra me apoiar?
Daniel não sabia por quê estava tão incomodado com a presença daquela garota. E estava louco pra sair dali.
- Vou deixar você segurar, mas porque não está enxergando direito.
- Ah obrigada! – disse com um sorriso no canto dos lábios.
- Até que pra quem não está enxergando direito você veio longe hein!
- Ah eu vim de táxi. E agora vou chamar um pra me pegar. – Laila falou.
- Então, tchau! Ah! E não comenta com o Martin sobre o que você fez. Ele não iria gostar!
- Claro que não direi. Isso é um segredo só nosso. – deu um sorriso que Daniel preferiu não entender. – Fala pro Martin que esse beijo foi pra ele! Diz pra ele me ligar. Hoje!
Daniel saiu o mais rápido que pôde. “Imagina! Essa garota pode me arrumar uma complicação em dose dupla. Com a Julie e com o Martin.” Teve a impressão de que era alguém que conhecia há muito tempo. Alguém que não tinha cabelos pretos, não andava elegante daquele jeito e nem falava suave.
Assim que Daniel sumiu de vista ela desapareceu. “Quase pus tudo a perder!” – ela pensou.
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