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59 Capítulo 59 - O dia da gravação
Notas iniciais
Julie acordou e ficou mais meia-hora sonhando acordada. Lembrando de cada momento daquela noite. Tudo parecia um sonho.
Daniel e Félix sairam cedo para escolherem as roupas na loja. Martin não foi pois já havia comprado a sua roupa no dia anterior.Ainda bem que fantasma não sente calor porquê pra tampar as roupas deles tinham que ser roupas de manga e bem fechadas.
– Sabe o que eu acho? — diz Daniel.- Que está na hora de quebrarmos as regras outra vez.
– Mais? — pergunta Félix.
– Félix, por quê vamos desperdiçar o dinheiro da banda se podemos aparecer do jeito que quisermos?
– Não! Isso nós NÃO PODEMOS fazer! Isso é totalmente contra as regras!
– E daí? — pergunta Daniel.
– Você por acaso está sugerindo que nós mudemos a nossa aparência de... fantasma? Não é?
– É exatamente isso o que estou dizendo! É muito simples, basta você se imaginar com a roupa e então... quer ver?
Ele ficou invisível. A vendedora tinha ido ao depósito procurar uma numeração maior. Então ele olhou pra roupa que iria experimentar, ficou invisível e reapareceu usando uma roupa igual.
Félix balançou a cabeça aprovando e sorrindo, e foi mudando a expressão quando se lembrou por aquela atitude poderia lhes render alguns anos de prisão.
Julie ainda estava deitada quando um barulho interrompeu seus pensamentos.
A campainha tocou. Julie vestiu uma roupa qualquer rápido e correu para abrir a porta.
– Oi! — a garota de vestido branco e preto e óculos escuro falou. — É aqui a casa do Martin?
Julie pensou um pouco e respondeu: — E você quem é?
– Sou a Laila. Prazer! — deu um sorriso torto.
– Oi! Prazer, eu sou a Julie! — ela se lembrou que Laila era a garota que o Martin havia falado. — Tudo bem?
Laila abriu um sorriso e até tirou os óculos para enxergar melhor. "Que olhos lindos!" — Julie pensou. Apertaram as mãos.
– Espera um pouquinho que vou chama-lo. — Julie responde.
Laila preferiu espera-lo do lado de fora mesmo. Sua intenção era apenas dar uma passadinha pra falar com ele.
Martin foi até a porta. Ela o olha dos pés à cabeça. Ele estava usando aquela roupa de sempre.
– Que surpresa agradável você aqui!
– Vim até aqui pra dizer um oi. É que não vou poder voltar à tarde, a minha sessão de fotos foi remarcada para as 13:30h.
– Hum... compreendo. Que pena, haverá outras oportunidades. Já conhece a Julie? Ela é a minha melhor amiga. É quase minha irmã.
– Sim, acabamos de nos conhecer. Ela é linda! — disse Laila.
– Imagina — disse Julie. Linda é você! Olha só que olhos incríveis!
Laila sorri e em seguida coloca os ocúlos escuros novamente.
– Bom eu já vou. Não quero incomodá-los.
– Não! — falaram juntos Martin e Julie.
– Espera! Não quer pelo menos conhecer o local onde ensaiamos? — diz Martin.
– Ah! Vocês ensaiam aqui? — Laila se interessa. — Tudo bem. Quero conhecer sim. — e abriu um sorriso simpático.
Os três entraram na edícula.
– É aqui! — diz Martin.
Laila observa cada detalhe da decoração. Ela se deparou com o cartaz dos Insólitos e comentou.
– São vocês? A Julie é essa aqui, e esses com cabeça de bichinhos são quem?
– Somos eu, o baterista e o guitarrista. Você vai conhece-los também se esperar mais um pouco. Vamos gravar o nosso novo clipe essa tarde, no Mirante dos Inocentes.
– Infelizmente não posso mesmo ficar. Eu adoraria, Martin. Mas me mata uma curiosidade. Por quê vocês tocam com essa roupa?
– É... que...
Julie entrou na conversa: — É que a banda não quer revelar sua verdadeira identidade. O Martin só está revelando pra você porque te considera uma pessoa muito especial.
– Ahh ... Claro, claro. Podem ficar tranquilos comigo, sou de confiança.
– Bom, mas então — ele olhou pra Julie, que pediu licença para resolver um problema lá pra dentro. — Eu queria te convidar pra sairmos. Irmos num cinema... o que acha?
– Adoro cinema. E é claro que aceito. Você pode convidar seus amigos para irem juntos também.
– Os amigos? — ele perguntou meio decepcionado. — Não, não, eles não curtem muito cinema. E a Julie vai viajar amanhã.
– Então vamos nós dois! — ela disse decidida.
Martin abriu um grande sorriso pra ela. — A gente combina melhor depois, tudo bem?
– Tudo bem, meu querido. — deu-lhe um beijo de surpresa. Tirando-o do ar. — Bom, agora eu já vou. Anote meu telefone pra gente combinar.
Martin olhou em volta para pegar uma caneta e um papel. Enquanto isso Laila olha para o lado da mesinha e seus olhos se fixam num retrato da parede. Ela chega mais perto e toca sua mão na foto ao lado do quadro-negro. -"Apolo 81"
Ela toca o rosto de Martin, depois o de Daniel. Fica muda por um instante. Então acorda.
– Estes são vocês? Esse cartaz é muito antigo...
– Sim. É... sou eu e os outros dois da banda, o Félix e o Daniel.
– Vocês, digo, você continua o mesmo...
– Ah! Essa foto a gente tirou antes de criar os Insólitos. O Daniel era o vocalista e guitarrista. Agora a Julie é a vocalista e namorada do Daniel.
– Namorada? — Laila repetiu.
– É, eles... ah, vamos deixar isso pra lá. — sorriu. — Que tal falarmos sobre nós dois?
– Hum-hum... você está certo! A gente combina de sair pra conversar e assistir um filme. — sorriu.
– Seu telefone?
– Ahh! Estava me esquecendo. Anote: 9889-9988
Martin levou-a até a porta e se despediu com um selinho. A garota atravessou a rua e foi andando até perder de vista.
Não passaram-se 30 minutos e Félix, Daniel e Bia voltaram da loja, sem sacola nenhuma.
– O que aconteceu? Vocês não gostaram de nada? Cadê as roupas?
– Nós decidimos fazer algo BEM melhor. — Daniel responde.
– NÓS não, você Daniel. E vai colocar a corda no nosso pescoço.
– Deixa que eu decido por nós, Félix. Eu sei jogar o jogo do Demétrius.
Julie e Martin não estavam entendendo coisa alguma. Bia interferiu pra explicar.
– O Daniel fez uma coisa incrível na minha frente! Ele olhou pra uma roupa, ficou invisível e quando ficou visível de novo ele estava com uma roupa idêntica!
Julie ficou perplexa e Martin preocupado.
– Nós vamos fazer isso sim! O Demétrius que se vire para explicar essa situação. Ele não é o grande chefe da polícia espectral? — falou com sarcasmo.
– Mas isso pode ser perigoso Daniel! — Félix não concordava de jeito nenhum.
– É mas de qualquer forma estamos infrigindo as regras! Melhor que seja assim, pelo menos não vamos gastar dinheiro da banda sem necessidade!
O clima foi ficando descontraído.Bia pega uma revista e mostra umas roupas pros fantasmas. Eles somem e aparecem com cada uma delas.
Essa simples brincadeira foi suficiente para alertar a polícia espectral. Alguns agentes foram até lá e escondidos tiraram umas fotos.
De repente Bia se lembra de uma coisa. De que Félix não tinha aparecido na foto que tiraram juntos.
– É... pessoal. Acho que temos um problema! Sinto muito acabar com a alegria de vocês, mas essas roupas que vocês aparecem usando são ilusão. Elas não são reais. Isso quer dizer que VOCÊS NÃO VÃO APARECER NAS FILMAGENS!
Foi um banho de água fria. Todos se entreolharam.
– Então o jeito é levarmos os instrumentos e filmarmos a banda tocando. E isso tem que ser rápido. Meu pai já vai chegar daqui a pouquinho.
– Ahh! E antes que a gente se esqueça... — Bia abre a porta da edícula e pega uma bolsa enorme e entrega pra Julie. — Isso aqui é pra você ficar mais linda, amiga! Pra você arrasar no clipe.
Julie abre a bolsa e fica encantada com a roupa que ela acabou de ganhar. E junto tinha vários acessórios.
– Mas que legal! Vocês são demais! Adorei!
Depois do almoço todos se encontraram na edícula, após o pai de Julie ter saído pro trabalho. Eles resolveram vestir as roupas normais, de bichinhos mesmo. E estavam aguardando a Julie descer do seu quarto arrumada. Eles acertaram em cheio o gosto dela. As roupas eram a sua cara. Julie tirou suas bijus e colocou os acessórios que vieram com a roupa. Mas tinha um anel que combinava com o cordão, então ela tirou o seu de compromisso. Deixou-o em cima da mesinha. Soltou os cabelos e colocou uma fivela que segurava parte dos seus cabelos lisos. Fez a maquiagem nos olhos, passou batom e pôs seu perfume
Na edícula a porta se abre e Julie entra deixando todos admirados. Principalmente o seu amor, que não tirava os olhos dela. E com 3 passos rápidos chegou perto dela e deu um beijinho.
– Cada hora você está mais linda, amor.
– É e mais feliz também.- sorriu olhando pra ele. Depois se virou para os outros. — Vamos seguir nosso caminho?
– Vamos! Chame um táxi, Bia. — Daniel pediu.
Juntaram os instrumentos e equipamentos e partiram para o mirante. Lá montaram os instrumentos, e Pedrinho ficou encarregado de filmar.
Depois de 3 horas de gravações, finalmente ficaram satisfeitos com o resultado.
...........
3 horas antes.
Quando o táxi virou a esquina. Ela se aproxima rapidamente da casa da Julie e atravessa a parede. A casa parecia vazia, mas era melhor checar. Deu uma volta pela casa e resolveu subir pelas escadas e ver lá em cima também. Passou pelo corredor à direita e viu uma porta à esquerda. Abriu-a.
Avançou pelo quarto, olhou as fotos coladas na parede, no armário, as roupas, sentiu uma tristeza indescritível. "Então era essa a nova casa dele." Olhou para uma das paredes e viu um pôster dos Rolling Stones e na parte de baixo uma dedicatória com a letra dele. "Me dê de presente o seu bis, pro dia nascer feliz." — começou a sentir um choro por dentro, como se algo fosse desmoronar. Abriu uma porta do armário e viu um desenho à lápis colado na porta. Era um casal parecido com a Julie e... ele. Começou a chorar muito, se lamentando do próprio destino. Sentou-se na cama e tentou conter as lágrimas, que embaçavam a sua visão. Quando limpou os olhos eles enxergaram algo que a hipnotizou. Um anel que estava numa mesinha de cabeceira.
Era o anel que ela tinha dado pra ele, há muito, muito tempo atrás. Num salto ela pegou o anel e colocou no seu dedo. Segurou sua mão como se tivesse medo daquele anel sumir. "Esse anel é meu, e você também é meu, Daniel. Só meu."
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