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47 Capítulo 47 - De Volta às Aulas
Notas iniciais
Demétrius continuava cumprindo a punição, fazendo apenas serviços burocráticos sem poder sair do mundo espectral.
Ele recebeu um relatório completo sobre as estripulias dos fantasmas. Mas ficou abismado mesmo quando leu “Fizeram um show visíveis para todos presentes na festa. Foram fotografados e filmados.”. Demétrius agarrou os cabelos quase arrancando-os pois tinha que se virar e se livrar daquela acusação. De que adiantava ter provas se não podia usa-las!!! Estava se comprometendo até o pescoço. “Malditos fantasmas insolentes!”
Demétrius assinou que estava ciente do relatório e que não havia evidências de crime. Depois carimbou: ARQUIVE-SE. Isso é que mais o irritava, ter que livrar a cara deles. “Tomara que ninguém ponha a mão nesse relatório”.
Domingo à noite
Julie e Daniel estão conversando dentro do quarto dela.
Daniel: — Julie, você vai à aula amanhã?
– Claro que vou! Ainda tenho duas provas para fazer essa semana. Por que?
Daniel passa a mão na cabeça, demonstrando estar um pouco preocupado
– Você vai se encontrar com o “Nicolas”.
– É... será inevitável...
– Vou junto com você.
– Não precisa! Eu sei me defender sozinha.
– Eu não gosto nada dessa idéia.
– Você não gosta de nada que envolva o Nicolas, você quis dizer. Engraçado. Você sempre me pede pra confiar em você.
– Tá bom, desculpa. Eu vou ficar com muuuuito ciúme, sabia? – chegou perto dela e pôs os braços em volta de seu pescoço. E tentando usar a velha técnica de fazer cara de cachorro abandonado.
Ela riu. – Você não precisa ficar comigo 24 horas por dia, você precisa é de confiar em mim. Muito mais simples. – deu um selinho nele.
Ele então desiste de tentar convencê-la, mas não de ir. “Eu vou só de garantia”.
Sorriu pra ela com a maior cara de inocente e vai andando em direção à porta.
Julie chama: — Daniel! – ele se vira. – Boa noite!
– Boa noite, bons sonhos. – sorriu. – Ah, e não se esqueça de tirar o anel, pra você poder descansar essa noite. Já pensou se de repente a gente resolve sonhar que vai no show do Ramones...
Ela riu alto. – Ahh não! Por favor! Hoje não. Estou com muito sono e amanhã tenho prova cedo.
Ele saiu do quarto e foi pra edícula. E Julie foi dormir, pensando em como seria reencontrar o Nicolas.
No dia seguinte.
Julie acorda e se arruma pra ir à escola. Faz um café e toma junto com Pedrinho.
– Vamos embora pirralho.
Os dois vão andando e Daniel vai atrás, invisível.
Julie chega mais cedo e sobe pra sala, não quer criar nenhum clima no pátio. Todo mundo vai chegando. Bia, Valtinho, Talita e por fim Nicolas. O clima estava tenso na sala. Talita com raiva de todo mundo. Todo mundo rindo dela. Bia e Valtinho emburrados um com o outro. Nicolas entrou de boné e virou pro lado de Julie, dando uma olhando-a com a cara feia. Julie estranhou Nicolas usando boné e percebeu que ele tinha cortado – e muito – o cabelo.
Nicolas estava com aquela cara porque na entrada vários colegas foram contar pra ele que Julie tinha ido no baile do terceiro ano acompanhada de um novo “namorado”. E pela descrição só podia ser uma pessoa: Daniel. “Eu estava sofrendo e ela nem aí. Já estava aos beijos com aquele... não é inacreditável, com aquele fantasma! Eu fui trocado por um fantasma!”
Era hora da prova de geografia. À medida que foram terminando poderiam descer com o material e ir embora.
Julie fez a prova em 40 minutos. “Menos uma” – pensou. Pegou seu material e saiu da sala.
Nicolas fez o mesmo e foi atrás dela.
– Julie! Ele gritou.
Daniel estava na cola. Mas não podia se meter, só em último caso.
Ela parou de andar e se virou pra trás. Sua barriga gelou.
– Oi Nicolas. Tudo bem?
– Tudo bem?
– É tudo bem! Da última vez que nos vimos você não estava nada bem.
– Muita coisa mudou depois que você me viu da última vez, não é?
Ela ficou um pouco sem graça e disse: — Você tem alguma coisa pra falar comigo?
– Só queria te falar que eu larguei tudo o que eu estava fazendo de errado. Dei um basta. Um fim.
– Que bom! – ela ensaiou dar um sorriso. – Vai ser melhor pra você. Mas... quanto à nós...
– Não existe “nós” Julie. Você terminou comigo porque eu estava fazendo coisas erradas. Então, agora eu parei. Mas isso era só um pretexto que você arrumou para terminar comigo. Não foi mesmo? Eu já estou sabendo de você e o... fantasma!
– Olha Nicolas. Eu vou te falar a verdade. Eu nunca devia ter ficado com você. Você não vai entender por que, mas não tinha que acontecer nada entre nós. Era do Daniel que eu gostava, o tempo todo.
– Você é uma fingida! Me disse que era de mim que você gostava. Vai ver você diz isso pra todos.
Daniel não podia aparecer, mas bem que teve vontade de dar um soco bem no estômago dele.
– Que pena Nicolas, que você pensa assim. Mas isso não importa mais. Com licença.
– Esqueça que me conhece viu!
Julie ficou muito chateada com aquilo. Foi embora chorando.
Daniel ficou triste de vê-la desse jeito. Voltou com ela pra casa, invisível.
Quando estavam perto da casa dela, Daniel foi na frente direto pra edícula.
–Martin, Félix. Se a Julie perguntar vocês digam que eu fiquei a manhã toda aqui com vocês viu.
– Eles olham pra ele esperando alguma explicação.
– É que eu precisei seguir a J...
Nisso a porta se abriu. Ela se sentou um pouco desanimada.
– O que foi Julie? – Eles perguntaram.
– Eu fui chamada de fingida pelo Nicolas.
– Ahh! Viu só – diz Daniel. Seu você tivesse deixado eu ir junto com você isso não teria acontecido.
– Mas não foi preciso, você lá só ia arrumar confusão.
Vamos tocar?! Preciso de uma música pra me animar.
– Só se for agora! – diz Martin.
– Eu estou pronto! – diz Félix.
Daniel não fala nada, só entrega o microfone na mão dela, fazendo reverência.
Ela sorri. – Qual música?
– Bem-vindos ao meu louco mundo! – Daniel fala.
Eles tocam essa e mais umas 4 músicas. Até chegar perto da hora do almoço.
Bia chega na casa de Julie depois do almoço. Elas sobem pra conversar no quarto. Só que dessa vez Daniel fica de fora. Pedrinho tinha o intimado a jogar Guitar-Hero.
– Como foi na prova, Bia?
– Fui bem. E você?
– Fui muito bem. Só que quando saí o Nicolas veio atrás de mim e...
– Eu já sei.
– Você viu né? Ele saiu da sala atrás de mim.
– Ele me falou.
– Ele falou de mim pra você?
– Uh-hum... ele disse que estava arrependido do que fez com você mas que contaram pra ele que você foi na festa com o namorado – O Daniel.
– Ele me ofendeu. Isso que ele fez.
– Ele disse que ficou com muita raiva. Mas isso vai passar. Ahh, e tem mais. Ele passou máquina 2 no cabelo, está quase careca.
– Coitado. Será que foi por minha causa?
– Ele não quis falar o porquê. E acho que ele não volta mais à escola, porque o professor de química deu a prova adiantado pra ele hoje. Parece que vai viajar amanhã pra Holanda e só volta ano que vem.
– Melhor assim. – Julie abaixa a cabeça meio chateada. – Até o ano que vem tudo já foi esquecido.
– Também acho. Agora vamos tratar de negócios. – disse sorrindo. – Já fiz a inscrição de vocês para o concurso que vai passar na TV. Vai ser em fevereiro.
– Daqui a dois meses? Ai meu Deus.
– Então bora ensaiar! Sai dessa acomodação.
As duas desceram e chamaram os 3 fantasmas para ensaiar. Deram a notícia pra eles, que ficaram super animados. Ensaiaram até a hora do pai de Julie voltar e também estava exaustos.
Bia se despede e vai pra casa. Julie sobe pra tomar um banho e arrumar suas coisas.
Na edícula, os três conversam sobre a festa. Martin conta sobre a garota misteriosa que apareceu e desapareceu mais rápida que uma bala.
– E eu achei que entendia tudo sobre mulheres... – diz Martin.
– Se apaixonar pode ser perigoso. – diz Félix. – Graças a Deus eu me desapaixonei da Talita.
Daniel resmunga:
– Ahhh! Você nunca foi apaixonado pela Talita nada! Você só tentou beijá-la e ela te deu uma bolsada. E ia apanhar mais se insistisse.
– Mas eu não... – disse Martin suspirando. – Eu estou apaixonado por ela...
– Pela Talita? – pergunta Daniel.
– Não, pela Laila... – com um sorriso bobo. – E o pior é que eu nem sei por onde eu posso começar a procura-la.
– E eu estou apaixonado pela Julie. Estou completamente apaixonado pela Julie. – diz Daniel quase flutuando no ar.
Um pouco mais tarde, quando o Sr. Raul já tinha ido dormir, Daniel bateu na porta do quarto de Julie. Ela diz: — Entra!
Ele atravessou a porta.
– Vim aqui te desejar boa noite. – ele fala todo romântico. Entregou uma flor pra ela.
– Daniel... você sempre me surpreendendo. – sorriu.
Ele dá um beijinho de leve, olha nos seus olhos e fala: — Sonhe comigo. Boa noite! – se levanta e sai.
“Ele é um doce. Não, ele não existe. Não poderia existir, é muito perfeito!”
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