Aperte PLAY. A história continua.
48 Capítulo 48 - Love, love, love
Notas iniciais
Terça de manhã
Julie acordou e, antes de ir pra aula, passou pela edícula.
— Ué, vocês não dormem não?
— Quem consegue dormir com o Daniel cantando na cabeça? – disse Martin.
— A noite toda! – disse Félix.
— E onde ele está agora?
— Dormindo. – os dois falaram juntos. Bicudos.
Julie foi pra aula rindo da situação. 'Esses fantasmas são demais!'.
Chegando na escola, Bia foi falar com ela.
— Não vai ter aula! O professor de física não veio e a de Literatura está numa reunião a manhã toda. Vamos nessa? A escola liberou nossa turma.
— Vamos, claro! Não vejo a hora desse ano terminar!
— Só vou dar uma paradinha lá em casa pra deixar meu material.
.....
Chegando na casa de Bia, vão direto pro quarto dela, deixar o material e Bia aproveitou para trocar de roupa. Julie olha o quarto dela e logo uma cesta chama sua atenção.
— Estou vendo que você está usando os produtos que o “Félix” te presenteou. – sorriu.
— Eu senti uma pontinha de maldade nesse seu comentário. Ele ficou grato por eu ter conversado com ele na festa.
— Tudo bem! – continuou olhando pelo quarto afora. – Será que o Félix algum dia já gostou de alguma menina? Será que ele é BV?
— Não sei amiga. Uma vez ele tentou beijar aquela tal de...
— Débora. – sorriu. – É verdade. Mas não conseguiu.
— Ele beijou a Talita! – Bia faz cara de quem estava com a razão.
— A Talita não vale. Aquilo foi um acidente de percurso. – disse Julie.
— Julie... eu nunca consegui imaginar como é beijar um fantasma. Parece com o quê?
— Isso eu sei muito bem agora. – sorriu. – É como se você estivesse no meio das estrelas... beijando um anjo.
— Ahh... muito esclarecedor. Eu quero saber como é o beijo. Você sente ele tocar você? Você e ele dão beijo de língua? É quente ou é frio? É molhado? Tem gosto?
— Não vai adiantar eu te explicar. Você só vai entender se beijar um. Só sei que é um beijo doce e irresistível. Por que você não beija o Félix?
— Há há, ele tem uma boca bonitinha. Mas e se eu não gostar? Vou magoar o Félix? Ele é tão legal, tão sensível.
— Hum... faz o seguinte. Ele não te deu uma cesta de presente?
— Deu. Mas onde você quer chegar?
— Dá um beijo nele e fala que é para retribuir o presente.
— Julie, eu tenho certeza que eu tenho uma amiga maluca.
— Aproveita a oportunidade! Não é todo dia que aparece um fantasma gatinho, charmoso e fofo como o Félix não hein.
— Vamos nessa! Já estou pronta.
— Vamos. A gente podia aproveitar e passar lá na Feirinha. Queria encontrar alguma coisa bem legal para dar de presente pro Daniel.
— Dá um beijo! – brincou com ela.
— Ontem ele me deu uma flor. Foi simples mas adorei. Mas pra fantasma eu vou dar o quê?
— Ahh vamos lá e a gente vê.
Andaram pela feira olhando as coisas. Difícil encontrar alguma coisa com a cara do Daniel. Roupa não dava porquê ele não ia poder usar. Boné ele desprezava. Anel ele já tinha o de compromisso.
— Olha só isso aqui! – Bia pegou uma peruca de Black Power e mostrou pra ela.
— Há há há tem graça mesmo! – Julie disse.
Estava difícil. Nada parecia servir. Pensaram em levar chocolate, mas eles não comem nem bebem.
— Perfume? – pergunta Bia.
— Não! Nunca mais dou perfume pra namorado. – Julie logo descartou.
Um bichinho de pelúcia. Foi isso que ela resolveu comprar pra ele. Mas urso era muito manjado, tinha que encontrar algum bichinho diferente.
— Olha isso aqui! – Julie pegou um bichinho. – É perfeito! Você não acha?
— É esse Julie. Pode levar!
Saíram de lá com uma pelúcia de cachorrinho bulldog.
— Tem cara de mau-humorado, mas no fundo é mansinho e todo mundo quer ter um. – disse pra Bia.
....
Bia foi pra casa de Julie e a ajudou a fazer o almoço. Ficou por lá a tarde toda, estudando para a prova de química no dia seguinte.
Os fantasmas estavam tão entediados que acabaram dormindo a tarde toda.
Daniel acordou já era quase noite. Levantou e foi procurar Julie, tinha passado quase o dia todo sem falar com ela. Bateu na porta do quarto e ela disse pra ele entrar. Bia já tinha ido embora.
— Oi Dani.
— Oi Ju. Estudou muito?
— Estudei, mas estou cansada, não agüento nem ouvir falar em química.
— Até que dia vai a sua aula?
— Amanhã eu faço a prova de química. E acabou. Depois só no ano que vem.
— Andou ganhando presente? Quem te deu?
— Está curioso? Esse presente é a sua cara! – sorriu.
Julie pegou o presente e entregou pra ele. – É seu! Eu comprei pra você. Queria te dar uma coisa especial pra você sempre se lembrar de mim quando ver.
Ele abriu e olhou bem pra cara do cachorro. – É a minha cara? É?
Julie caiu na gargalhada. – Desculpa... eu não agüentei. – Foi de coração Daniel, eu juro.
Ela chegou perto dele e se pendurou em seu pescoço. Encheu-o de beijos. Até ele ficar contente de novo.
— Pronto! Agora você já pode gostar do cachorrinho.
No fundo ele tinha gostado do cachorro de cara emburrada. Foi o que mais gostou nele.
— Ju, eu amei o meu presente. Viu? – deu um selinho nela. – Agora eu já vou porque estou muito cansado. Vou dormir.
— Já vai, é sério? Está cedo ainda. Não são nem 7 horas.
— Ahh então, eu vou levar o cachorrinho pra dormir comigo. Boa noite, meu anjo.
— Boa noite então. – falou meio decepcionada.
Daniel deu um beijo na bochecha dela e saiu com o cachorrinho.
Julie foi dormir já era dez horas. Apagou a luz, deitou. Estava pegando no sono quando ouviu:
“Amor da minha vida, daqui até a eternidade nossos destinos foram traçados na maternidade
Lá dentro da edícula Martin e Félix resmungam: — Ahh não!!! Essa música de novo não!
Daniel estava embaixo da janela de Julie tocando violão e cantando pra ela.
... paixão cruel, desenfreada, te trago mil rosas roubadas pra desculpar minhas mentiras, minhas mancadas...
Julie escutou bem a voz pra ver se era de Daniel. E era. Ela pulou da cama e abriu a janela.
— Daniel! – falou baixinho. – O que você tá fazendo?
— Estou cantando pra você! Só pra você!
... eu nunca mais vou respirar se você não me notar, eu posso até morrer de fome se você não me amar... e por você eu largo tudo, vou mendigar, roubar, matar. Até nas coisas mais banais, pra mim é tudo ou nunca mais..."
Julie ficou debruçada na janela ouvindo e olhando pra ele. “Eu amo você, Daniel” – ela pensou enquanto seus olhos diziam isso pra ele.
Fale com o autor