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36 Capítulo 36 - O Show - parte III
Notas iniciais
Estou tentando postar 1 capítulo por dia, mas estou escrevendo à mão pra depois digitar, e isso dificulta bastante...
Esse capítulo é continuação do 34 e 35... e ainda vai ter mais um do show.
Espero que gostem!
ps. Esqueci de falar que nesse capítulo rola a música The End, do The Doors. É um dos maiores clássicos do rock. Quem puder, ouça pra conhecer ;)
– Já vi que não vou conseguir chegar lá na frente. – ele disse.
– Não sabia que você era tão fã dele assim!
– Sou o maior fã dele. – respondeu sem nenhuma modéstia. – Sou fã, mas não sou fanático. – e continuou – Sempre tive vontade de vê-lo de perto. Quando fui morar com a minha avó eu deixei meu cabelo crescer e ficou parecido com o dele. Eu ficava imitando o jeito dele cantar e dançar.
Julie riu disso. – Tão novo, tão rebelde!
– Só um pouco. – ele falou sorrindo.
– Eu também tenho um ídolo. Sou muito fã do Robert Plant. Comprei uns discos na loja do Klaus, você tem que ouvir! Ele tem um jeito único de cantar, sabe...
Daniel estava com o pensamento longe... queria entender como um cara que queria trabalhar com cinema podia ter se transformado em pouco tempo num dos maiores ídolos do rock, adorado até hoje, mais de 40 anos após sua morte.
– ... e o Jimmy Page então, você como guitarrista deve se amarrar, né. Ele toca guitarra perfeitamente, ele brinca com ela... parece que é tão fácil! – ela olha pro lado e vê que Daniel está longe... – Daniel! Você tá me ouvindo?
Ele se tocou que Julie estava falando com ele há vários minutos e ele não tinha prestado atenção em nada.
– Nossa! Você está me vendo aqui, Daniel! Aposto que está pensando nesse tal de Jim Morrison!
– Não acredito, Ju! Você vai ficar com ciúme de mim por causa do Jim? – e riu pra ela...
– Há há há, tem muita graça. – cruzou os braços e virou a cara.
– Desculpa minha princesa, é que eu “preciso” chegar perto dele. Não fique com ciúme.
Ele tentou beijá-la, mas seus lábios estavam cerrados. “Ela esta MESMO injuriada.” – ele pensou.
– Ju, eu te prometo que nosso próximo passeio será totalmente só nós dois.
– Tudo bem, Daniel. Então vamos curtir o show, né! Inclusive me esqueci de falar que eu acho o “Jim” muito sexy! Ele tem umas fotos sem camisa que... ahhh...
– Sei!
– Nossa! E se ele me olhar e vier cantar “come on baby, light my fire”?
Daniel não estava gostando nada dessa idéia.
– De jeito nenhum! Ele não faria isso!
– Por que não? Ouvi dizer que ele era um sedutor no palco.
– Mas você é minha, só minha... – agora ele estava preocupado.
– Ora! Não acredito, Dani. Você vai ficar com ciúme de mim por causa do Jim? – ele fala ironicamente, imitando Daniel.
Ele sorriu de lado. Teve que reconhecer que dessa vez ele estava errado.
– Nossa! Olha só! De onde saiu toda essa gente?
Eles olharam pro lado onde estava o túmulo. De onde estavam dava pra perceber que tinha começado uma discussão lá perto, entre os primeiros que chegaram.
(Vários fãs discutindo...)
– Eu tenho mais direito que você de ficar aqui na frente! Eu ganhei o concurso de quem trazia mais totens pra ele.
– Tá! E eu estou aqui esperando já faz 1 mês.
– Aiii! Me ajudem! Vou desmaiar!
– Cai fora! Esse golpe já está muito manjado. Desde quando fantasma desmaia?
Um dos fãs tentava desesperadamente pular a grade de contenção. – Eu só queria dar um abraço nele! – gritou antes de ser arrastado pelo vigilante.
– Daniel! Que guarda é esse que passou arrastando aquele fã?
– É o guarda que vigia o túmulo dele.
– Pra quê vigiar um túmulo desse jeito?
– Ahhh Julie, você não sabe do que esses fãs são capazes. Já foram expulsos daqui com gás lacrimogêneo uma vez.
Nisso passa um fã sozinho gritando: — Eu não quero mais ficar enterrado perto da Edith Piafh, quero ficar enterrado junto com Jim Morrison!
– Os turistas destroem tudo que colocam lá!
Um casal de hippies também pede passagem: — Nós não viemos para ver o show. Não estamos nem aí para o show. Nós viemos aqui para fazer amor, não a guerra! – e foram ruidosamente vaiados.
No meio do tumulto surte um falso roadie tentando passar na frente. – Dá licença! Eu sou da equipe de produção. Alguém retruca: — Todo mundo aqui na frente é da equipe de produção! Vaza daqui seu otário.
– “Queime seu demônio interior”! – grita uma mulher e em seguida arranca a roupa.
De repente alguém puxa o hino “The End”. A briga entre eles acaba e todos começam a cantar em coro.
– Nossa! Que loucura isso! Acho até que como fã você está muito comportado.
– Ser fã é muito mais que isso. O que nós temos em comum mais que tudo é a música. Quando ele subia no palco, não tinha como não ficar hipnotizado. É assim que eu quero ser.
Julie põe sua mão sobre a dele: — E vai ser!
– Vamos Ju, ainda tenho esperança de chegar perto dele. Quem sabe ele não me enxergue, vê que eu existo.
Julie concorda em ir, mas está com um ar meio triste.
– Que foi Ju? Não tá a fim de ir?
– Não é isso. Claro que estou! (Só que não. – pensou)
– Espera. Vem cá um pouquinho.
Ela chega perto dele, que segura suas mãos.
– Julie, você sabe o quanto eu te adoro, não sabe?
Ela sorri feliz, um pouco tímida.
– Tenho certeza que sabe. Quero te pedir uma coisa...
– O que é?
– Eu queria que a partir de hoje, a gente usasse esse anel para simbolizar nosso amor. Eu só vou tirar o meu se você tirar o seu primeiro.
– É sério? Daniel, que lindo! Claro que eu vou usar!
Ela puxou Daniel pra perto dela e o beijou. – Por que não consigo ficar longe de você nem por um segundo?
– Agora eu já não quero tanto assim ver esse show. Prefiro ver você sorrindo. Posso perder esse show, não importa. Mas você não... Venha comigo, aqui tem gente demais pra atrapalhar.
Eles seguem pela colina acima. Era noite, o caminho era sinalizado por muitas velas acesas numa trilha de pedras. Também havia flores de todas as cores. As velas foram dando lugar às flores. A noite, ao amanhecer. À medida que subiam as flores aumentavam, mas a mata ficava mais fechada. Eles chegaram à beira de um rio.
– Venha! – disse Daniel.
– N-não, eu tenho medo de água.
– Não tem perigo, não fique pensando muito. Venha!
Ela segurou nas mãos dele e, sem saber como, chegou do outro lado. Mas valeu à pena atravessar, porquê do outro lado havia uma cachoeira que caía como um véu suave. Um pequeno lago se formava. A água era transparente e quando o sol batia nas pedras do fundo, o lago ganhava uma cor dourada. Lindas flores enfeitavam todo o lugar, principalmente pequenas flores azuis.
– Nunca vi um lugar tão lindo, Daniel!
– Não? Então chega aqui, suba nessa pedra.
Ao subir na pedra ela ficou tonta diante de tanta beleza. De lá ela podia ver um mar de flores a perder de vista.
– Isso aqui é surreal! É o céu!
– O céu é estar aqui, com você!
Eles se beijam apaixonados, envolvidos por aquele momento mágico.
Notas finais
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