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24 Capítulo 24 - O que o Mundo Escolheu
Notas iniciais
Julie desceu do carro e Daniel continuou mais um tempinho conversando alguma coisa com Martin. Ela só entendeu o que Martin gritou pela janela na hora que estava saindo:
— Pode deixar que eu venho!
Não havia nada ali. Estava tudo ermo. Mas como era noite de lua-cheia, ainda se podia enxergar alguma coisa.
Daniel deu a mão pra ela e foram andando juntos.
Um pouco mais à frente eles avistaram o que parecia uma casa em ruínas. Chegando mais perto puderam ver os destroços espalhados. A vegetação já havia se emaranhado ao que sobrou da casa.
— Daniel, que lugar é esse? O que viemos fazer aqui? — disse, observando o mato rasteiro que se espalhava em todas as direções, como se há muito tempo ninguém passasse por ali.
— Eu te trouxe aqui pois este é o único lugar onde o Demétrius não vai nos procurar.
“Demétrius não vem aqui? Por que será?”— ela se perguntou. Obviamente não mataria essa curiosidade. Um pequeno silêncio fez com que outras coisas invadissem seu pensamento. Até que lembrou do sonho maluco que teve. — Daniel, fantasmas sonham?
— Sim, de certa forma sonham. Por que essa dúvida agora?
— Anteontem eu tive um sonho com você — riu frouxo — e até agora tenho a impressão de que era de verdade. — essa lembrança fez com que seus olhos brilhassem sem perceber. — Como foi seu sonho?
Daniel a olhava sem piscar.
— Eh... deixa eu tentar lembrar... Nós estávamos deitados numa praia, sobre as pedras, sozinhos, conversando e olhando para o céu. — suspirou — De repente... você levantou sua mão. — seu olhar se voltou para Julie, intenso, quase preso no olhar da garota. Desviou para baixo, enquanto parecia tomar coragem de fazer algo. E finamente, passado uma infinidade de segundos, pegou uma das mãos de Julie e foi levantando em direção ao céu, enquanto terminava de descrever o sonho ainda tão vívido. — e então, ficamos os dois olhando nossas mãos se tocarem.
— continue... — ela disse, com os olhos muito atentos, o rapaz narrar exatamente o mesmo que ela teve.
— E você disse que tinha entendido tudo.
Nesse momento ela percebeu o que tinha acontecido, e continuou a contar a sequência do sonho:
— Você então me disse que não era pra eu falar nada, só sentir? Então... você estava no meu sonho, Daniel? Não estava?
— Não, Julie. Era você que estava no meu
“como vou explicar isso pra ela?”— pensou.
— Quando você dorme, sua alma se separa do seu corpo. E você veio me procurar. Eu já estava deste lado, porque esse é o mundo onde eu ‘vivo’ agora.
— Isso quer dizer que agora você é quem está no meu, é isso?
— É isso sim.
Ele disfarçou, olhou pro lado, sorriu, depois olhou pra ela novamente.
“É difícil desviar do seu olhar, Juliana. Mas por que eu deveria desviar?”— pensou.
Ficaram se olhando por algum tempo. Julie estava tímida. Daniel estava com medo de ser rejeitado outra vez... Mas nenhum dos dois conseguia parar de se olhar.
Daniel segurou sua mão de leve. Ela dizia com os olhos que esperava por um beijo. Eles foram se aproximando com receio até que seus lábios se encontraram. Ficaram algum tempo de olhos fechados, sentindo aquele primeiro beijo. Não podiam mais esconder esse sentimento que tinham desde que se conheceram. Não adiantava tentarem se enganar, pois essa era a verdade. Sempre se gostaram.
Ela se afastou e o encarou. Não sabia como conseguiu resistir por tanto tempo àquela atração.
Daniel a beijou carinhosamente e sussurrou em seu ouvido:
— Eu tentei te esquecer, Julie, mas não consegui. Eu sou louco por você, louco...
Ela passou os braços em volta de seu pescoço. Olhou fixamente pra ele, antes de se declarar.
— Daniel, eu não sei como aguentei ficar tão longe de você. – suspirou. — Eu sinto sua falta!
Essas palavras foram suficientes pra ele se encher de alegria. Ele estava sorrindo enquanto disse:
— Só conseguia pensar em você o tempo todo. Morri de ciúmes.
Beijou-a várias vezes. Continuou dizendo, entre os beijos:
— Nunca me senti assim antes. É a primeira vez que estou apaixonado... de verdade.
Daniel lhe deu um beijo e puxou-a contra si, fazendo seus corpos ficarem colados. Ele podia sentir o coração dela disparado. Seus olhos sorriam.
— Será que é isso o que chamam de amor? – ele perguntou.
— Eu também não sei o que é amor ‘ainda’. Mas agora estou começando a desconfiar...
— Feche os olhos. – ele disse, com a voz rouca.
Ela fechou os olhos e Daniel levantou seus cabelos. Sentiu seu perfume e encostou os lábios em seu pescoço, provocando um arrepio. Deu beijos lentos até seus ombros. Suas mãos acariciavam suas costas e subiam até a nuca. E ele parou subitamente.
Ela abriu os olhos e disse ofegante:
— O que aconteceu?
— É que eu queria ficar te admirando.
— Não, logo agora? É tão bom te beijar. – ela acariciou seus cabelos. — Por que você me evitou por tanto tempo? Tipo, falando que nunca ia querer nada comigo.
— É porque eu não tinha percebido que não dava pra esquecer. Meu orgulho não deixava.
Ela o puxou de volta e o beijou com mais vontade. Descobriu que o queria mais do que pensava.
Muitas perguntas invadiam sua mente.
“E se ele não me quiser mais?”
“E se for só uma aventura?”
“E se ele sumir?”
“Como posso estar apaixonada por um fantasma?”.
Mas ela não precisava se preocupar, pois nada disso passava pela cabeça de Daniel. Ele a amava.
Depois de um beijo demorado, eles se afastaram. Ela com a respiração descontrolada, o coração acelerado, quase saindo pela boca. Ele tentando conter seus impulsos.
— Jura que nunca vai me deixar? – Julie perguntou.
— Claro que juro. Ou você não percebeu que isso não tem a menor chance de acontecer?
Começou a chover. Eles tiveram que sair correndo e procurar um lugar pra ficar.
— Vamos por aqui. Sei de um lugar que a gente pode se esconder. – ele disse.
Mais pra frente tinha uma casinha, com uma varanda grande. Parecia não ter ninguém.
— Vamos ficar lá.
Ele pegou sua mão e foram correndo.
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