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25 Capítulo 25 - O que o mundo escolheu - II


Notas iniciais
Continuação do capítulo 24

Correram pra varanda. Só Julie se molhou, evidentemente.

— Espere aqui. Eu vou lá dentro ver se tem alguma coisa pra você se secar.

Ele sumiu. Tinha ido dar uma vasculhada dentro da casa abandonada. Havia lençóis dobrados numa prateleira, mas não havia luz. Então foi na cozinha ver se encontrava algumas velas. Por sorte achou uma caixa e fósforos.

Olhou a casa toda e deixou as coisas num canto. Foi abrir a porta pra Julie entrar.

— Venha, pode entrar.

— Estou com frio.

— Eu consegui uns lençóis. Tenta se enxugar.

Daniel acendeu as velas e as colocou no chão.

Julie tirou o casaquinho que estava usando e as sandálias. Pegou o lençol e se secou.

— Tire seu vestido, pra se secar melhor.

— Seu engraçadinho.

— Está escuro e eu não estou vendo nada. É sério.

"Vamos ver se ele está vendo ou não" – Julie pensou.

Puxou as alças do vestido, se virou de costas e deixou que ele escorregasse até o chão.

Daniel ficou extasiado. Ele não podia acreditar no que estava enxergando bem até demais. Nunca a tinha visto assim, mesmo que ela desconfiasse, nunca se aproveitou do fato de ficar invisível pra isso. Naquele momento, se ele respirasse, diria que tinha perdido o fôlego.

Disfarçadamente ela continuou a se enxugar e se virou de frente pra ele.

"Pra que fazer isso comigo, Julie?"

Ela estava apenas deslumbrante.

"O que eu faço?" – ele pensou, atordoado.

Julie se encostou na parede perto de onde estava. No escuro só dava pra ver seus olhos brilhando.

— Não era pra levar tão a sério esse negócio de tirar a roupa. – ele murmurou.

— Hã? – ela ouviu. — Daniel, eu não acredito que você estava me olhando!

Mas é claro que ela sabia. Assim como sabia que desejava se jogar nos braços dele na mesma hora.

A tensão entre os dois só aumentou. Existia uma química inegável e não dava pra resistir.

Daniel foi chegando perto. Julie sentiu o coração acelerar. Ele se aproximou mais até se encostarem juntos na parede e a beijou lentamente.

Suas mãos deslizavam com cuidado, explorando cada detalhe de seu corpo, enquanto beijava sua boca, depois sua orelha, pescoço... Sentindo aquele perfume que o deixava louco.

O clima começou a ficar quente demais. Ela segurou os cabelos dele por trás da nuca, desfazendo seus cachos, enquanto suas línguas disputavam espaço.

Julie percebeu que o fato dele ser fantasma inexplicavelmente não fazia a menor diferença.

Eles se afastaram, ela precisava recuperar o fôlego.

Fechou os olhos e começou a imaginá-lo. Quando reabriu viu um Daniel com aparência totalmente diferente, como aconteceu no sonho. Seu cabelo estava maior e mais cacheado. Tinha uma leve barba, estava sem camisa e com uma bermuda preta apenas.

— Daniel, por que você está assim?

— Porque foi assim que você me imaginou. – sorriu.

Ele mordeu os lábios tentando prender o sorriso, mas nem seus olhos podiam esconder isso. Eles brilhavam.

Se abraçaram, demonstrando o quanto se gostavam durante esse momento. Era um sentimento novo, uma mistura de emoções. Julie se surpreendeu com a intensidade desse sentimento. Como conseguiu ignorar, na verdade, nem perceber a diferença entre ficar com um garoto lindo, legal, mas sem nenhuma afinidade. E gostar de alguém que fazia ela se sentir única? E como ela não enxergou tudo isso antes? Estava na sua cara e ela não viu. Se amavam desde o começo e ela só agora entendia isso.

E por outro lado, o que estava acontecendo era novidade. Ela nunca tinha sentido assim, uma vontade que era mais física do que sentimental. Daniel estava mexendo com instintos que ela sentia pela primeira vez. Um calor, uma vontade de ir além, de descobrir até onde podia ir.

Daniel faria de tudo para conquista-la de vez. Queria espantar o "fantasma" do Nicolas. Finalmente tinha conseguido uma chance pra provar que gostava dela de verdade. Não importava mais que para os outros ele não existia. Naquele momento faria qualquer loucura pra estar do lado dela. Julie podia se entregar de sem medo. Era com ela que queria ficar.

Depois de um abraço que durou vários minutos, se afastaram e trocaram olhares de carinho. Ele beijou a ponta de seu nariz e sorriu. Foi retribuído com uma risada contagiante.

Julie estava decidida, queria apostar na escolha certa dessa vez. Ela nem sabia que se sentia assim por ele. Fechou os olhos, entrelaçou as mãos atrás do pescoço dele e o puxou pra si. Beijou-o apaixonada. Ele correspondeu ao beijo com voracidade, ficando mais intenso. As mãos percorriam livremente os corpos um do outro. Ele se afastou e olhou pra ela e fez que ia beija-la de novo, mas quando ela se aproximou, ele afastou e ficou rindo, provocando. Era apenas um joguinho de sedução. Mas Julie revidou, dando um beijo de língua mais intenso. Isso deixou ele louco. Reagiu levando as mãos até os seios dela, tocando-os de leve.

Ela sussurou no seu ouvido: — Não faz assim...

Sentia um desejo desconhecido tomar conta de seu corpo.

Ele sorriu e continuou a provocá-la. Tocou sua orelha com a língua e mordeu seu pescoço. Deslizou sua leve barba pelos ombros dela. Aquele seu jeito rebelde o deixava irresistível.

Daniel a amava demais. Era a primeira vez em toda sua 'vida'. Achava que cada momento devia ser aproveitado como o único. Por isso queria amá-la ali mesmo. Não tinha planejado nada, apenas tinha deixado acontecer.

Deu as mãos pra ela, e fez ela se sentar ao seu lado. Tocava seus cabelos como se segurasse a coisa mais preciosa de todas. Beijou-a com delicadeza e puxou-a até o chão, onde se deitou e a fez deitar por cima dele.

Beijaram-se deixando suas línguas explorarem todas as sensações. Estavam cada vez mais colados. Ele girou-a e ficou por cima dela. Queria ver o fogo nos em seus olhos.

Pra Juliana era tudo novo e irresistível. Tudo estava indo rápido demais, mas sentia-se feliz por estar ali com ele do seu lado. Sabia que era o primeiro amor dele. E quem mais no mundo poderia ter um encontro assim? E quem entenderia? Decidiu que aquela seria sua primeira vez, pois tinha que ser especial.

Não tinham pressa. Ele ajoelhou e começou a abaixar sua bermuda e ficou observando o que ela faria.

Ela deu um riso nervoso, então ele segurou seu queixo e disse:

— O que foi?

— Não – ela disse — é que...

Ele deu um sorriso indecifrável.

— Já sei. Você quer parar.

— Não é isso é que eu nunca... você sabe. – disse, um pouco sem graça.

— Nem eu, não assim desse jeito. Estou em suas mãos.

Seu coração batia tão forte e estava bastante nervosa.

— Vamos descobrir isso juntos, uh?

Julie assentiu e tentou se acalmar.

Daniel desabotoou a bermuda e acabou de livra-se dela. Estendeu a mão até o coração dela.

— Calma. Eu te amo.

Segurou uma de suas mãos e pôs sobre seu peito. E disse:

— Aqui dentro, Julie, tudo o que tenho é pra você.

E ela ficou emocionada com a forma que ele a tratava. Ela o abraçou pela nuca e puxou-o contra si. Ele deitou-se sobre ela e beijou seu rosto com carinho.

— Eu te amo também. De verdade. – sorriu pra ele.

Ele tomou a iniciativa e beijou-a e provocou arrepios ao passar sua barba em direção aos seus ombros. Sentiu ela apertar seus braços com força.

— Eu quero te quero muito – ela sussurrou em seu ouvido.

— O quê você disse? Que você quer parar, Juliana? – disse brincando.

Mordeu sua orelha de leve e desceu sua língua até seu pescoço.

— Eu não quero que pare! Eu quero ir até o fim. – conseguiu falar, finalmente.

Ele mordeu os lábios. Olhava pra ela com desejo, seu único desejo.

— Ahh, eu também te quero tanto. – falou com a voz rouca. — Não precisa ficar nervosa, apenas deixe fluir...

Segurou suas mãos para cima, prendendo-a com seu corpo e se movendo lentamente. Soltou uma de suas mãos e com a outra soltou seu sutiã.

— Linda!

Com sua mão livre, tirou-o e começou a acariciar seus seios.

— Eu quero te enlouquecer! – ele disse. — Enlouqueça! Faça o que quiser comigo!

Então ela o surpreendeu ao conseguir girar e ficar sobre ele. Entrou no jogo.

— Eu já estou louca... por você! Quer mais?

— Então me mostre suas garras, sua gata! – ele disse, e abriu um lindo sorriso.

Puxou-a contra si. Estavam colados um no outro. Eles podiam sentir que ambos estavam loucos de desejo. Voltou a ficar por cima dela

— Só quero sentir você... – sussurrou. — Ai Juliana, você está me deixando louco! Não consigo me controlar.

Beijou-a com voracidade e acariciou todo seu corpo. Sentiu que o coração dela estava disparado.

— Calma... – ele disse. — Não... – riu fraco. — Na verdade, não se acalme. Se renda!

— É você quem eu quero, Daniel. – sorriu. — Eu tinha me enganado, é você quem eu amo.

Eles deram um beijo apaixonado, demorado, um beijo de amor.

Daniel ouvindo isso sentiu uma felicidade que nunca tinha experimentado. Ele também sonhara em estar assim com ela em seus braços, poder entregar seu coração de verdade. Ele dava uma de orgulhoso, só que agora suas defesas estavam no chão. Queria ter Julie pra ele, só pra ele, seu coração e sua mente.

Julie pensava... "Como não enxerguei o jeito que ele me olhava, o ciúme mal disfarçado, as estratégias de afastá-la do Nicolas?"

Mas era ele quem sempre esteve perto dela e isso era impossível não perceber.

Olhou pra ele, passou a mão em seu rosto angelical, na sua boca irresistível, nos seus olhos... Aquele olhar... Agora sentia um frio na espinha quando ele a olhava daquele jeito. Sentia um frio na barriga... passou a mão em seus cabelos revoltos, que pareciam mais cabelos de anjo.

"Meu anjo."

Notas finais
Comentem esse capítulo, por favor ;) Eu tive muuuito trabalho pra chegar aqui. ;)