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23 Capítulo 23 - Salvando o dia.
Notas iniciais
Julie voltou da lanchonete por outro caminho. Era mais demorado, mas pelo menos não cruzaria com Nicolas. Não queria que ele a visse assim.
Quando chegou em casa com aquela cara, seu pai levou um susto.
—O que aconteceu com você, filha?
— Nada pai. Eu vou me deitar. Amanhã acordo melhor. – ela disse.
— Filha, você não consegue mentir pra mim.
“Mentir não, mas omitir...” – ela pensou. — Pai, eu não quero falar sobre isso. Vou pro meu quarto.
— Não. Espere aí. Vamos num aniversário comigo e o Pedrinho. Vai ser bom pra você. Vai se distrair.
Ela sabia que seria uma furada.
“Festa de criança, com pipoca, guaraná, correria. E as músicas? Mas vai ser melhor do que ficar em casa me lembrando do Nicolas!” – ela pensou.
— Eu vou me arrumar.
E foi pro seu quarto.
“Preciso de um banho de princesa!”. – pensou.
Separou uma roupa de acordo com seu humor: preta. Tomou banho, se arrumou e se olhou no espelho. Parecia uma morta-viva: pálida, com uma roupa que parecia da Família Adams, sem maquiagem e com uma cara de quem tinha acabado de assistir “Titanic”.
“Vou passar pelo menos um batom” – pensou.
Abriu a gaveta e se deparou com o anel de lua e estrela. Sentiu um frio na barriga. Tinha esquecido daquele sonho misterioso com Daniel. Ele não parecia diferente. Estava no seu normal: irônico, mal-humorado e sarcástico. Quer dizer, estava um pouquinho mais atencioso. Voltou a ficar intrigada com aquilo. Calçou uma sandália com salto – finalmente tinha aprendido a andar com eles – e passou seu perfume preferido. Quando terminou foi até a edícula e chamou:
— Daniel, preciso falar com você.
Daniel apareceu e quando a viu ficou paralisado.
“Esse perfume... deve ter algum efeito mágico.”
Ele nem conseguia disfarçar.
As lembranças do sonho começaram a voltar. Ele fechou os olhos, por um momento, e quando os abriu Julie o chamava:
— Daniel! Daniel! Você está me ouvindo?
— Ahn? Ah, desculpe. É que eu estava me lembrando de uma coisa.
— Lembrando de quê? – “Será que é do sonho?” – deduziu.
— Lembrando que... Você ficou me devendo uma pergunta.
— Ahhh – disse um pouco depcionada. — Fiquei mesmo né. E o que é que você quer me perguntar?
Julie estava um pouco perturbada com a companhia dele. Sentia-se confusa, porque apesar de estar com Nicolas, tinha certeza de que Daniel mexia com seus sentimentos. E não era pouco.
— Você confia em mim? Sim ou Não?
— Confio. Mesmo sabendo que você já mentiu pra mim pelo menos 1 vez.
— Se está falando do que eu descobri sobre o Nicolas, não foi mentira. E acho que você faria a mesma no meu lugar.
Essas respostas dele sempre a desconcertavam.
— Respondido? – sorriu. — Você não quer perguntar mais nada?
— Se você tiver um tempo eu quero saber mais algumas coisas. E olhou no fundo dos seus olhos.
Julie estava muito mais interessada nessa conversa do que no tal aniversário que seu pai iria.
— Eu não deveria fazer isso, mas vou convencer meu pai a me deixar ficar em casa.
Julie foi atrás de seu pai.
— Pai, eu me arrumei e tudo, mas eu queria te pedir pra não ir nesse aniversário.
— Mas por que, filha?
— Ahhh é porque me deu uma cólica insuportável. E o senhor não sabe o que é uma cólica!
— Mas não é só tomar um analgésico?
— Não pai. Por favor, eu vou me sentir muito mal lá. Toda hora tendo que ir ao banheiro. Com cólica. Fora o mau-humor.
— Tá certo. Mas nada de sair viu! Nada de chamar ninguém pra cá também. E não abra a porta pra ninguém.
— Tá pai. Obrigada.
Ela deu um beijo no rosto dele. Minutos depois ele e Pedrinho saíram.
Julie voltou correndo pra falar com Daniel. Estava estranhamente eufórica.
— Pronto! Resolvido!
— Eu queria te levar num lugar.
Julie se lembrou de seu pai recomendando que ela não saísse. Seu coração batia rápido.
— Meu pai me pediu pra não sair.
— Mas eu queria te mostrar um lugar.
— Onde que fica?
— Você não disse que confia em mim?
— Confio. – “O que será que Daniel está planejando?” – pensou.
— Vou chamar um taxi – ele disse. — O lugar aonde nós vamos é um pouco longe.
Aquilo já estava começando a deixá-la ansiosa.
Daniel pediu um táxi e ficaram esperando.
— Só estamos nos esquecendo de um detalhe: Como vamos pagar o táxi? – ela perguntou.
— Deixa que eu pago! – disse Daniel cheio de marra.
Eles entraram no táxi. Ficou surpresa ao ver que o motorista era Martin. Ela riu. Na verdade não estava entendendo nada.
— Onde conseguiu esse táxi? – ela perguntou.
— Peguei emprestado! — Martin respondeu com um sorriso.
No caminho, Daniel segurou a mão dela o tempo todo. Ela sentia um friozinho na barriga, mas estava nervosa, com medo que Daniel percebesse que mexia com ela.
— Depois vou te contar uma coisa que descobri. – Daniel disse.
— E tem a ver com quem?
Ela pensou que podia ser algo sobre Nicolas de novo.
— Tem a ver com nós dois. – ele sorriu.
Julie sentiu seu coração disparar. Estava sentindo um clima no ar.
E o tal lugar nunca chegava. A estrada ficou cada vez mais deserta. Já tinha pelo menos meia-hora que saíram de casa.
— Ai! E se a polícia nos parar? – ela perguntou, preocupada.
— Não vai parar. – ele afirmou.
— Como você sabe disso?
— Atrás de nós não vem ninguém e essa estrada foi desativada.
— Nossa! Eu nunca passei por aqui. – ela disse.
— Pode parar, é aqui. – ele falou com Martin.
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