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80 Capítulo 80 - À beira do fim


Notas iniciais
Depois desse capítulo vai dar pra relaxar... acho.

Na cela ao lado, Clarisse estava em estado de choque. Sequer piscava. Não sentia nada. Não tinha medo. Mas ao se lembrar de Demétrius sentiu um ódio como nunca sentira antes.

Precisava fazê-lo pagar. Tinha sido usada e perdeu de vez o amor de Daniel. Graças ao Demétrius.

Sua mente começou a maquinar planos de fugir dali e acabar com ele. Mas como?

Passado um tempo escutou a porta sendo aberta. Era um guarda de Demétrius.

“O Chefe ordenou deixar você se movimentar um pouco dentro da cela. – ele puxou a arma e reverteu o eveito paralisante. Ela caiu fraca. O guarda ajudou-a a se sentar. E ela pensou “Essa é a minha única chance. Eu disse que faria qualquer coisa por você, Daniel”.

Não soltou a mão do guarda. Ficou olhando pra ele com seus lindos olhos verdes, até deixá-lo sem graça.

O guarda começou a achar que ela estava interessada nele. Deu uma ajeitada no cabelo. Clarisse percebeu esse pequeno detalhe e viu que o guarda estava na dela.

Falou com ele então:

– Você, me desculpe, o Senhor pode me ajudar a ficar em pé? – disse com a voz doce.

– Sim, é claro, Srta. – o guarda já estava vidrado nela – E pra quê me chamar de senhor? Não sou tão velho.

Ela passou os braços ao redor do pescoço dele, que acabou ficando perigosamente próximo dela.

Clarisse tinha uma beleza inebriante. Deixou o guarda hipnotizado. Aproveitando-se disso assumiu uma postura sedutora.

– Estou muito fraca, o Sr... você pode ficar aqui comigo um pouco?

O guarda deu de ombros. – Não vai me custar nada.

Ela soltou o guarda e se afastou um pouco. Apesar de estar congelando, ela disse:

– Essa roupa está me incomodando, está muito calor. O Sr... você se importa se eu abrir um pouco a minha blusa?

“Claro que não” – pensou o guarda. Mas ele apenas balança a cabeça negativamente.

Ela desabotoou a blusa, deixando uma enorme abertura.

O guarda mal conseguia disfarçar seu olhar para o decote. Perguntou pra Clarisse:

– O-o q-que a Srta. fez d-de tão grave?

Ela parecia apenas uma garota ingênua. Começou a chorar.

– Não sei. Não sei por que ele me trouxe pra cá – disse chorando.

O guarda sabia que o destino dela seria o pior. Mas ficou com pena da menina que cada vez chorava mais. Acabou chegando perto dela, tentando consolá-la. Clarisse aceitou o abraço e retribuiu apertado. Mas aproveitou-se de um segundo de distração do guarda e puxou sua arma do cinto. Encostou-a nas costas dele e disparou. Só sentiu ele ficando imóvel e cair pra trás. Quase a derrubando junto. Ela se afastou apressada. Abotoou a blusa e foi até perto dele, pegando as algemas, as chaves e foi em direção à porta. Olhou se havia alguém do lado de fora. Não havia ninguém. Saiu e trancou a porta. Foi embora se arrastando pelas sombras. Queria encontrar Demétrius, queria acabar com ele, de uma vez.

Ela entrava em qualquer corredor que parecesse vazio. Corria, tinha que sair dali. Guiava-se apenas pela intuição. O caminho ficava cada vez mais estranho e deserto. Até chegar num último cômodo, de onde tentou sair mas não conseguiu. Tentou forçar a porta, atravessar, mas nada adiantou. De repente sente uma mão no seu ombro e alguém dizer: “Está pensando em ir a algum lugar mocinha?”

Clarisse não se virou pra trás imediatamente. Pensava numa saída mas não conseguiu. Cedeu, virando-se pra trás, com medo do que iria ver. Um homem alto, de roupa preta e óculos escuros. Não dava pra ver seu rosto direito. Ele perguntou:

– A Srta. está procurando alguém?

– S-sim... m-mas pode deixar. Eu mesma procuro.

– Eu sei que está fugindo. De quem? Eu já te sigo há alguns minutos.

– N-ninguém. Me deixa passar.

– A Srta. não vai a lugar nenhum. Terá que prestar depoimento na Polícia Especial. A doutora Sarah vai gostar muito de te ver.

Clarisse estava sendo procurada a partir de um retrato falado feito com a ajuda de Martin.


Demétrius resolveu antecipar a retirada de Daniel dali. Foi ao local onde estavam presos e abriu a porta.



– Tirem-no daí. Vamos levá-lo para a sala especial.



– Daniel, nós resolvemos ir mais cedo, mudança de planos. Você vai assinar seu nome na parede e depois vai se jogar para o "portal" que te levará pro mundo dos vivos novamente. Ops, quer dizer, isso teoricamente.Pode admitir, eu sou um gênio! Meu plano é perfeito! Dessa vez ninguém vai poder te libertar, porquê ninguém suspeitará de mim. Você quer tanto ficar com uma viva, quem vai poder negar que você acreditou nessa lenda? E em breve dois amigos vão te fazer companhia. Vocês vão se divetir muito quebrando pedras. Ah! Você mesmo vai descobrir. Eu queria estar lá pra ver a sua cara, mas não vai dar.


Daniel já não cabia em si de tanta raiva. Porém as coisas mudaram de figura.

– Agora tirem a garota. Quero me ver livre desses dois o mais rápido possível.

O guarda abriu a cela da garota e assustou ao ver um dos guardas caído no chão e nem sinal dela.

– Droga! – grita Demétrius. – Alguém pode me explicar como isso aconteceu? Seus incompetentes!

Até Daniel ficou espantado! Como ela conseguiu fugir dali!!!

– Chefe! Ele está paralisado! – o guarda pegou sua arma e atirou no companheiro, desimobilizando-o.

Demétrius chegou perto do guarda e lhe deu um tapa no rosto. – Como você conseguiu deixar a garota escapar?

– S-senhor! Ela me enganou. Me paralisou.

– Quero todos atrás dela! Tragam-na imediatamente! E levem esse sujeito pra sala!

Chegando na sala de desintegração, aquela que tinha vários nomes escritos na parede, Demétrius ordena Daniel a escrever seu nome na parede, sendo imediatamente negado.


Julie adormeceu. Sentiu seu corpo flutuar. Sentiu-se leve, solta. Por que estava tão solta? Ela estava ali no seu quarto e Félix estava ao seu lado. E o que ele fazia ali? Aliás, como ela podia estar deitada, se estava fora da cama? “Eu estou aqui!” – achou que estava sonhando.



– Procure o Daniel no mundo espectral! Eu vou ficar aqui vigiando seu sono.



Lembrou –se aos poucos por que Félix estava ali. “Trouxe meu anel que estava com o Daniel. ‘Daniel’... – ao pensar nesse nome sentiu um aperto dentro de si. Um frio na barriga. Onde está o Daniel? Eu preciso encontrá-lo.


“Tem que procurar o Daniel no mundo espectral” – lembrou-se do Félix ter falado isso. Mas como faria pra chegar lá? Se o único lugar que ela se lembrava era o Vale do Silêncio” E teria que ir sozinha pra esse lugar arrepiante.

Fechou os olhos e pensou no lugar. Num instante depois, começou a reconhecer as coisas ao seu redor. Um lugar que lhe trazia uma sensação de tristeza profunda.

Começaram a aparecer detalhes do lugar: a porta, a sacada, o vale, a neblina, o frio... e aquela tristeza que pairava no ar.

Respirou fundo. Tinha que procurar ali. Foi chegando mais perto do parapeito da sacada.

Tinha medo de olhar pra baixo e ver o que mais temia. Aquele rapaz de preto e vermelho caído no chão entre as pedras pontiagudas. Se ele tivesse feito isso, não saberia como reagiria. Achava que acabaria fazendo o mesmo.

Um vento frio passou por ela. Não havia nada além de uma atmosfera pesada. Mas ainda precisava achar o Daniel. Entrou pela porta, naquela sala cheia de nomes nas paredes. Sentia uma forte sensação de estar acordada e lembrou-se de um outro sonho.

“Também não está aqui. Não tem outra saída! Vou por ali...”

Ela deu um passo em direção à porta e viu Daniel amarrado numa cadeira. Finalmente tinha o encontrado. Mas ele não retribuiu ao seu sorriso. Sequer se mexeu. Daniel não esperava por isso! Ele a olhava de um jeito estranho. Parecia estar querendo dizer alguma coisa. “Mas o que ele quer falar comigo? E por que não fala?”

Ele realmente queria dizer pra ela não entrar ali. Na verdade ela não sabia o perigo que estava correndo.

Julie correu até Daniel e o abraçou forte.

– Daniel, meu amor, que bom que te encontrei! – ela deu vários beijos no rosto dele , aliviada.

Então uma voz vinda de trás falou com ela:

– Enfim vou conhecer a Juliana Spinelli, não é Daniel?

Julie se virou e viu um homem todo de preto. Ela se assustou e se agarrou a Daniel, mas o mesmo não se movia.

Apesar de não se mover, ele estava desesperado. Queria gritar, mas não podia. Julie o abraçou por trás, se escondendo. “Mas isso não é real... não é real”

– Vamos Daniel! – ela gritou.

(em seu quarto, Félix a ouviu dizer claramente. “Ela encontrou o Daniel!!”

– Ora, ora, pra que tanta pressa? – disse Demétrius. – Fique mais um pouco Srta. Juliana.

Ela olhou onde estava... – Daniel, você aceitou a proposta? Esse é o Demétrius? Responde! – era estranho ele não reagir. Julie viu algumas lágrimas descerem dos olhos que a fitavam intensamente. Percebeu que ele não podia se mover. Na mesma hora virou-se pra trás e gritou com Demétrius:

– Seu monstro! Solte-o agora!

(ao ouvir isso Félix ficou preocupado com ela. Não sabia se a acordava ou fazia o que ela pedira. “não me acorde em hipótese alguma!”)

Daniel sabia das intenções de Demétrius e tentava em vão fazer alguma coisa. Tinha que acorda-la.

Julie ignorou a presença de Demétrius e perguntou:

– Pisque 1 vez pra sim, e 2 vezes pra não. Ele está planejando alguma coisa terrível né?

Daniel piscou 1 vez. Ela se virou pra Demétrius e gritou.

– Solta ele! Deixe-o em paz! Demétrius!

( Félix arregalou os olhos. Estava receoso se devia obedecer ao pedido da amiga “Espere até eu falar onde o Daniel está!”)

Demétrius dá uma gargalhada. Até que a menina era valente, pensou. Era igualzinha ao Daniel. Não mesma hora parou de rir. Olhou sério pra ela e disse:

– Você fica! – e foi se aproximando dela.

– Não! Não! Não chegue perto de mim!

( “E agora o que faço” – pensou Félix. Assustado, não sabia mais se devia acatar o que Julie tinha pedido. Mas e se ela acordar sem saber onde ele estava ou então esquecer? É melhor fazer o que ela pediu.)

Demétrius sorriu e acenou pra um guarda que estava atrás dela. Ele a segurou com toda força. E ela tentava se soltar.

(Na sua cama ela se mexia inquieta e com a respiração acelerada. Achava que estava sonhando com alguém que a segurava forte. Tudo parecia confuso.(

Ela olhou em volta e gritou: — Me solta!!

Félix resolveu não esperar mais. Começou a balançar Julie e a chamar pelo nome

Apesar de ouvir ao longe alguém chamando seu nome, ela não conseguia acordar, estava presa à cama, não conseguia se mover.

O guarda segurava com força.

Demétrius saiu de perto deles e voltou com um lenço na mão. Então fala com Daniel:

– Já ouviu falar que algumas pessoas simplesmente morrem dormindo? – falou com naturalidade. Não se importava mesmo com a humana. – Eu vou apagar a garota, ela não vai sentir nada. Já que você não quer colaborar... ou mudou de idéia.

Então Daniel, a escolha é sua! Escreva seu nome nessa parede ou a garota não sairá viva daqui.

Daniel estava imobilizado, mas Demétrius lhe deu uma última chance de falar.

– Vou reverter o efeito pra você me responder.

– Eu me entrego. – Daniel abaixa a cabeça, depois olha pra Julie muito triste.

Julie junta todas suas forças e grita: — Nãããããããããoooooo!

(Félix segura Julie e sacode a garota, que não está respondendo aos seus chamados)

Daniel pega a caneta que Demétrius lhe entrega. Vai até a parede, andando com dificuldade, e assina seu nome. Solta a caneta e cai no chão.

– Muito bem, Daniel. – Demétrius fala. – Que prova de amor você acabou de dar. Seria uma pena separar um casal tão bonito assim.

Daniel levanta a cabeça com ódio no olhar. – Você não vai fazer nada com ela! Seus dias estão contados! Meus amigos vão te denunciar, eles têm provas contra você Demétrius!

– Eu não sei do que você está falando! – desconversou. – Não importa! Você não vai estar aqui pra ver minha derrota, se ela acontecesse, mas não vai!

Daniel grita o mais alto que pôde: — Julieee acordaaa!!!

Julie não quer acordar, fica aflita com o que vai acontecer: — Daniel! Nãoo! – ela grita outra vez

(Dessa vez Félix resolve acordá-la de qualquer jeito, a amiga estava se debatendo e ofegante. Pegou um copo d’água na mesinha e jogou na cara dela)

Julie começou a despertar, ouvindo alguém que a chamava sem parar. – Julie! Julie! Julie! E a sacudia. – Julie acorda! Acorda!

Ela foi voltando à consciência e que tinha acordado de um sonho. Começou a chorar, sem saber o que aconteceria com Daniel.

– Félix ele assinou!


Demétrius ficou furioso com Daniel, ele tinha conseguido afastar a humana. Levantou Daniel do chão e socou-o na parede. Você vai desaparecer do meu caminho agora! Pra sempre! – falou segurando seu colarinho.



Daniel não abaixou a cabeça pra Demétrius. Olhava-o com um ar superior, o que deixava-o com mais ódio ainda.



Quando ele ia levar Daniel em direção à sacada, uma voz feminina ecoou na sala.


– Demétrius! Finalmente vou pôr minhas mãos em você!

Notas finais
De quem será essa voz?