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77 Capítulo 77 - Nas mãos erradas


Notas iniciais
Capítulos finais.Queria muito que os fãs de Julie e os Fantasmas lessem as notas finais.Beijos, obrigada por todos os comentários e por lerem até aqui.Segue.

Os guardas levaram os dois direto para uma sala isolada. Daniel está desesperado. Passa as mãos o tempo todo pelos cabelos. Ele está longe de Clarisse. Ela anda de uma lado para o outro, esfregando as mãos, com o olhar fixo. Repetindo baixinho:

– Daniel, nós vamos ficar juntos. Tudo vai ficar bem!

Isso o irrita ainda mais. E ele não agüenta!

– Cala a boca, Clarisse! Está vendo o que você fez? Olha o que você aprontou! – estava furioso.

Ela acorda de seu devaneio, e responde, ficando surpreendentemente calma: — É pro seu bem, Daniel. Eu juro! Não te quero mal algum.

– Louca! Vê se me esquece! E me deixa em paz! Não sei de onde é que você tirou isso! Eu não sei quando foi que você esqueceu que não éramos de verdade um casal. Nem quando eu estava vivo eu pensei a sério sobre nós dois. E eu estava com a razão. Nós nunca vamos ter nada.

Ela se descontrola: — Não! Por favor! Não faça isso! Assim você me faz perder a cabeça!

“Pensando bem, acho que eu tenho uma chance de descobrir seu plano. Se eu te pressionar, você surta e vai acabar falando.” – Daniel anda até perto dela, segura com força em seus braços e fala tudo o que ela mais temia ouvir. Usa sua voz sedutora para confundi-la e aproxima seus lábios dos dela, o que não combinava com suas palavras.

– Clarisse, eu odeio você. Você nunca mais vai me ver. E eu nunca vou te amar. – e dá um sorriso torto, olhando fixo.

Ela balança a cabeça negativamente, e começa a falar, trêmula: — D-daniel... PÁRA! Eu não posso ouvir isso.

Então ele a empurra longe e ameaça, gritando: — NUNCA MAIS VAI ME VER! ENTENDEU?

– PÁRA! Eu já pedi! – diz implorando. — Não fala assim!

– EU ODEIO você! Não quero o-lhar pra tua ca-ra! EU VOU SUMIR! Você nunca mais vai me ver!

– PÁRA!! – ela bufa. – VOCÊ NÃO VAI A LUGAR NENHUM!!! Você vai ficar comigo pra sempre!

Parecia que o seu propósito estava dando certo. Ela já não conseguia se controlar. Ele continua falando, se afastando dela:

– Fica longe de mim! Eu amo a Juliana ... e é com ela que eu vou ficar.

– NÃO! NÃO! NÃO! – corre desesperada pra porta e começa a esmurrá-la.

– Sr. Demétrius!!! Me tira daqui! Por quê está demorando tanto? Eu já fiz o que o senhor me pediu! Ele está aqui! Preciso falar com o senhor!

Daniel sente como se tivesse levado um choque. “Não acredito no que acabei de ouvir. Demétrius? Então, ele está por trás disso?”. Sua mente é bombardeada de informações. Sente-se surpreso e traído.

“Demétrius muito calado.”

“Clarisse desaparecida.”

“Clarisse desrespeitando todas as normas e nada acontecia com ela. Nenhuma atitude da polícia espectral.”

“Clarisse e Demétrius, juntos...”

– Onde você quer chegar, Clarisse? Ainda não entendeu? Eu NUNCA vou te AMAR!



Essas palavras são como uma punhalada no peito dela. Ela fecha os olhos com força e as lágrimas começam a cair. Vai na direção dele e agarra seu paletó com força.

– VOCÊ VAI COMIGO! –grita, com o olhar obcecado. – NÓS VAMOS JUNTOS E ESTÁ DECIDIDO!

– Vou com você? Pra onde? – pergunta intrigado.

– Nós vamos pular naquele Vale... e então...

–Nunca! Com você eu não vou a lugar nenhum!

Ela corre pra porta e começa a fazer um escândalo.

– ... DEMÉTRIUS!!!!! ANDA LOGO! O DANIEL CASTELLAMARE ESTÁ AQUI! ESTÁ ME OUVINDO? EIIIIIII !!! TEM ALGUÉM AÍ? ABRA LOGO ESSA PORTA!! POR FAVOR...

“Ela tá falando do Vale... é lá que o Demétrius pretendia me convencer a ir? Mas o quê ela ganharia com isso? Ficar viva? Eu vou continuar com a Julie se eu voltar a ficar vivo. Então, não faz sentido!”

– ABRA LOGO ISSO AQUI! – grita socando a porta. – O DANIEL CASTELLAMARE TAMBÉM VEIO E NÓS VAMOS PULAR LÁ NAQUELE ABISMO!

Demétrius atravessa a parede e entra na sala, com um olhar diabólico como nunca. Os dois ficam calados. Ele está com os punhos fechados e a boca cerrada. E realmente estava com muito ódio.



Clarisse estava descontrolada, nem se deu conta do olhar ameaçador.

– ME LEVA DAQUI! EU FIZ MINHA PARTE. TROUXE O DANIEL. NÓS VAMOS FICAR JUNTOS PRA SEMPRE!

Demétrius está calado, como se só ele entendesse a gravidade da situação. “Essa idiota está estragando tudo! Ele não tinha que saber.” – e irritado com esse pensamento, segura Clarisse pela mandíbula, apertando com força.

– Não seja estúpida, garota! Cala essa boca agora! – e aperta ainda com mais força, fazendo-a gemer de dor.

– Demétrius! – Daniel intervém. – Tira suas mãos dela já! Eu já entendi o que você quer fazer, não sou um otário! E eu ainda te avisei pra não se meter mais comigo ou ia te entregar. Como pode ser tão burro?

Ele solta porque na verdade sua obsessão era por ele.

– Não Daniel. Seu inferno só está começando. Essa idiota estragou meu plano, mas eu não posso correr o risco de sujar o meu nome por VOCÊ! – fala essa última palavra entre os dentes. — Um intrometido! Um arrogante! Um ser desprezível! Você não pode continuar atrapalhando a vida de todo mundo. Eu sei de tudo o que você fez nesse tempo! Todos os dias chegam denúncias contra você. E eu sou obrigado a engulir esse desaforo de vocês três. Ah Daniel, de qualquer forma eu iria te fazer pagar tudo isso. Agora o plano é outro! – ele tira uma arma e descarrega um choque que imobiliza os dois. O impacto joga ambos no chão. Eles não podiam se mover, nem falar. Só escutavam.

– Está vendo Daniel, como não adianta. EU sou muito mais esperto que você!

Demétrius pega o telefone e faz uma ligação.

– Dr. Mortez.

...

– Eu preciso de você agora na sala azul.

E desliga o telefone, deixando os dois preocupados com suas palavras, principalmente “Dr. Mortez”

Demétrius continua seu monólogo.

– Primeiro eu vou me livrar desse problema menor. Mas não fique triste “meu bem”. Se você não fosse tão burra meu plano teria dado certo e você traria esse insuportável sem falar demais! Mas você chamaram muita atenção, gritando feito loucos! Na verdade, eu não deixaria você tão linda ficar presa o resto da eternidade junto com esse imprestável. Eu não daria esse gostinho pra ele! Não ia ser difícil encontrar uma utilidade pra você aqui do meu lado. Que pena! Nós podíamos fazer tantas coisas mais interessantes juntos! – ele termina com uma gargalhada.

Clarisse não tem como impedir que as lágrimas caiam, olhando para Daniel.

A porta se abre minutos depois, e um senhor franzino, de cabelos brancos, entra segurando uma maleta.

Daniel olha pra Clarisse que continua chorando e olhando pra ele com tristeza.

Demétrius volta a falar: — Sabe, eu não vou ser tão insensível. Vou dar um tempo pra vocês se despedirem. – ele mira a arma e dispara, revertendo a imobilização.

Clarisse corre e o abraça.

– Daniel! Me perdoa! – chorando. – Não pula! É uma prisão clandestina!

– Sua vadiazinha estúpida! Vocês dois são da mesma laia.

Imediatamente ela é atingida por um dardo de sedativo da arma que o Dr. Mortez tirou de sua maleta. Ela desmaia nos braços de Daniel, que a põe no chão.

– Nããããão!!! – ele grita. – Seu miserável! Covarde!

– Tempo esgotado, Daniel. – Demétrius diz sarcástico.

– Demétrius, você é um miserável assassino! UM LIXO! UM VERME!

Demétrius fechou a cara, pegou sua arma e disparou contra Daniel, que caiu imobilizado de novo. Depois virou-se para o Dr. e diz:

– Eu ia falar pra você ‘o de sempre’, manter sedada. Mas agora é queima de arquivo. – fala entre os dentes. Seus olhos faiscando para Daniel.

Eles trocam olhares fulminantes.

– Está vendo, Daniel. Se não fosse por você, nada disso estaria acontecendo! Você é o culpado! Eu vou ter que fazer cumprir a lei, estou aqui pra isso! – dá um sorriso sinistro. – Eu ia mandar a boneca de volta pra Clínica de Tratamento Mental, mas não dá. Vocês já estão sabendo demais. Que pena! Você me obriga a mandá-la também pro lugar que gente da sua espécie merece. Tão horrível... deprimente...sombrio. Quer saber o lado bom disso?

Vou ficar livre de vocês pra sempre!

Demétrius faz uma ligação.

– Sim! Venham recolher o lixo especial e descarreguem em depósitos separados. Muito cuidado pois esse material é contaminado.

– ...

– Correto! Na 6ª feira nós descartaremos no “depósito permanente”.

– ...

– Eu quero esta sala desocupada o mais rápido possível. Você sabe que quando se trata de lixo tóxico eu faço questão de seu serviço.

– ...

– Sim, sim. Isolem a área. É um material perigoso, muito nocivo.

“Lixo? Está falando de nós?” – Daniel pensava exatamente o quê Demétrius quis dizer.

Era madrugada de quarta-feira. Ele teria um pouco mais de 48 horas, talvez, antes de ser “descartado” como Demétrius queria. Enquanto isso Daniel não podia sequer falar.

– Que coisa linda é o amor, não é Daniel? Foi só eu prometer pra essa menina que vocês dois ficariam juntos.

“Na moral, esse cara é louco, é um ser das trevas, como veio parar aqui?” – em pensamentos Daniel não encontrava outra maneira de descrever Demétrius.

– Daniel, veja bem, vai ser bom pra você ir pra este lugar com seus dois companheiros e essa sua amiguinha. Lá você vai encontrar a família toda daquele pobre diabo, que morreu no terrível incêndio. É pra lá que vão todos os meus problemas! Pessoas que eu fiz de tudo pra ajudar. – dá uma risada maligna. – Mas não tem salvação. Eu dei várias chances de você se regenerar. Mas, nem assim você deu valor.

Alguém bate à porta.

– Senhor, a condução chegou.

“A condução” era uma espécie de empilhadeira que carregava um container com uma divisória e duas portas.

– Daniel, Clarisse. – Demétrius fez reverência com a cabeça. – Aproveitem a estadia! – disse ironicamente.

Ele algemou Clarisse – que estava ainda apagada e um dos guardas a carregou, abriu uma das portas e a colocou deitada no chão.

– Antes que ela acorde, passe a fita em sua boca, pra ficar quietinha.

Depois ele algema Daniel com as mãos para trás e passa fita em sua boca pra que também não possa falar. Então usa a arma para ele voltar ao normal.

– Você não sabe o quanto eu esperei por este dia, Daniel. — Faz sinal para dois guardas que o jogam na outra porta adentro, caindo de qualquer jeito no chão.

Muito cansado, ele continua deitado de olhos fechados, pensando. “O pior não é estar preso aqui, mas cair logo na mão desse miserável. Cadê o Martin? Ele tem que vir logo senão será tarde demais. Não, não, eu não posso deixar esse verme fazer isso.”