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75 Capítulo 75 - Mãe e amiga
“JULIE & DANIEL – O verdadeiro amor não morre.”
JULIEL – FOREVER
DANIEL – MEU AMOR POR VOCÊ NÃO TEM FIM.
“O quê? Uma página inteira com corações e esse nome...Daniel...”
– Pedro! Pedro! – Sr. Raul chama Pedrinho que estava jogando videogame com uns colegas.
– Oi! O Sr. me chamou, pai?
– Quero que você pare o que estiver fazendo e venha cá que eu preciso te perguntar uma coisa.
Pedrinho se sentou perto do pai e viu em suas mãos uma agenda que parecia ser da irmã.
– Eu quero a verdade. Se me contar a verdade não te ponho de castigo. Mas se eu descobrir que mentiu, vai fazer companhia pra sua irmã.
Pedro ficou apreensivo. “Droga! A Julie vai me meter numa furada!”
Pedro assentiu com a cabeça. E o pai continuou.
– Me diga sem rodeios! Quem é Daniel?
Pedrinho respirou aliviado “Ah! Isso é fácil! A Julie até falou pra eu contar tudo o que sei.” Mas então começou a perceber que não seria assim tão fácil explicar ao pai sem rodeios quem é Daniel.
– Pai! Daniel é...a Julie e o Daniel se conheceram... é... se conheceram... bom, sem rodeios né... então, ele é o n-namorado. Dela.
–Mas desde quando a Julie tem namorado!
–Pai, o Daniel já gostava dela. Mas ela gostava do Nicolas. Mas aí ela terminou com o Nicolas e começou a namorar o Daniel.
– O quê! “Nicolas?... ahh! Aquele rapaz que chegou bêbado lá em casa!... me lembro!” — Mas ela nunca me falou nada sobre namorar e muito menos quem. Tem quanto tempo isso, esse... namoro?
– Com o Daniel? Ah... eles estão namorando tem uns dois meses.
– Isso tudo? Ah! Mas ela nem pediu minha autorização!
– É que ... pai, tem uma coisa, que ela não contou pra ninguém. Mas o senhor não vai me botar de castigo né?
– Você já está encrencado rapazinho! Mas se você não me contar, ah... tem como ficar pior!
Pedrinho mal conseguia mexer a boca... estava tenso.
– É... pai... o Senhor não pode contar isso pra ninguém, ouviu! Ninguém! – ele diz sério. – O Daniel é um fantasma.
– Você está enrascado comigo Pedro Spinelli.
– Pai! Eu vi! Eles são iguais a gente, mas eles são fantasmas!
– Eles?
– São três fantasmas! O Daniel, o Martin e o Félix.
– Muito bem, rapaz. Você e sua irmã fizeram um bom trabalho juntos! Combinaram muito bem a sua resposta. Fantasmas! Isso não vai ficar assim, viu! Tão logo eu converse com a sua mãe e ela leve sua irmã ao médico, eu resolvo o caso de vocês dois!
....................
O ônibus fez uma parada de meia-hora para todos irem ao banheiro e comerem alguma coisa. Julie estava de volta no ônibus. Sentou-se com Daniel e logo depois entrou o Rafael conversando animadamente com uma moça muito bonita. Ao invés de se sentar no local onde estava, dessa vez ele se sentou mais pra frente, ao lado dessa moça. Julie ficou curiosa. Comentou por alto.
– Eu não entendi porque esse Rafael está nessa mesma viagem! Coincidência demais!
– Ele está apenas se certificando de que você vai chegar bem em Campinas, Julie. Foi seu pai que pediu.
– Mas eu acho que já sou bem crescidinha pra ter uma babá. Aliás, como é que você descobriu isso?
– Eu perguntei!
– Você perguntou pro Rafael? – olhou pra ele confusa.
– Sim!
– Você ficou visível pra ele? Você falou que você é um fantasma?
– Sim! – deu um sorriso torto. – E ele não vai mais fazer aquela cara de cachorro abandonado toda vez que olha pra você.
– Daniel, só você mesmo! – Julie sorriu e se inclinou na direção dele.
De vez em quando Rafael olhava pra trás e via a garota dormindo. Invisível ao seu lado Daniel o encarava de volta, mesmo estando invisível.
....................
Quando o ônibus finalmente chegou a Campinas, mais de 10 horas depois da partida, já era noite. Julie se levantou e desceu do ônibus. Do lado de fora Heloísa a esperava. Rafael desceu. Estava tão cansado da viagem que tudo o que ele menos queria era voltar direto pra casa. Mas ele manteve-se distante, só observando enquanto as duas se cumprimentavam.
– Julie, minha filha! Venha cá! Deixa eu te dar um abraço!
Elas se abraçaram demorado
Julie percebeu a presença de Rafael e ficou com medo de que a mãe o convidasse pra passar a noite lá. Se bem a conhecia, era melhor não deixar que ela soubesse por que o rapaz estava ali. Invisível, Daniel a acompanhava silenciosamente.
– E então filha! O que te traz aqui, de tão longe? Seu pai conversou muito comigo! Hein!
– Mãe, o papai não acredita em nada que eu digo.
– Nós vamos conversar e conversar e conversar. – a mãe sorri. – E onde está o rapaz? Seu pai disse que um rapaz vinha te acompanhando.
– Ah... – “Hum droga! Ela já sabe do prego do Rafael!” – mãe... e-ele é aquele rapaz ali. Eu vou falar com ele, espera...
Daniel que até então estava neutro se manifesta: — Julie, Julie, não vai lá falar com esse cara não, né?
Ela responde sussurrando: — Confia em mim, Dani! – olha pra ele com seus olhos profundos, é o suficiente pra ele aceitar, mesmo que contrariado.
– Rafael! – Julie fala com ele.
– Sim, acho que já fiz a minha parte. Boa sorte com o seu... coração.
–Já estou sabendo por que você está aqui. O meu pai ligou pra minha mãe e ela quis saber quem é você. Só quero te pedir uma coisa. Seja lá o que a minha mãe disser, você não vai aceitar ficar essa noite lá em casa. Entendeu?
– Eu estou tentando fazer o máximo pra te entender, Juliana. É que tudo o que eu fiquei sabendo hoje não é tão simples de se entender. Mas também não tenho tempo pra isso. Preciso voltar hoje ainda pra minha cidade. Eu vim aqui pra ficar com a consciência tranqüila com seu pai e com você.
– Bom, eu quero que você vá até lá pra ela te conhecer. Muito obrigada por tudo. E desculpa por ter feito algumas coisas que pra você não fazem sentido.
– Juliana, não precisa se desculpar. Eu é que te devo desculpas pelos transtornos. Podemos ser amigos?
– Amigos! – Julie estende a mão e se cumprimentam, dando um pequeno sorriso.
– Ah, e Juliana. Se algum dia você mudar de idéia, sabe onde pode me encontrar.
Julie sorri. – “Ainda bem que o Daniel não ouviu essa parte da conversa!”
Julie apresenta Rafael pra sua mãe. Eles conversam rapidamente. Ela fica encantada com o rapaz e é claro, como era de se esperar, oferece sua casa para ele passar a noite. Mas ele recusa delicadamente e diz que um dia quem sabe voltasse com mais tempo. Ele vai embora e é realmente um alívio pra Julie e Daniel.
– Que rapaz encantador hein filha! Ele deve gostar de você mesmo, pra viajar todos esses quilômetros.
– Mãe. Estou exausta! E com fome! – tentou mudar de assunto.
– Ah, vamos embora! Vamos até o carro, não está muito longe.
Meia-hora mais tarde estavam chegando enfim em casa. “Em casa” pra Julie só de certa forma, porque nunca tinha ido na casa da sua mãe. Ela morava num condomínio. A casa era pequena e estilosa.
– Mãe, parece que a Sra. já mora aqui há anos! Incrível! Tudo tem a sua cara!
– Estou vendo que gostou hein filha! Aqui é o meu refúgio. Ah! E eu já deixei a janta preparada. É só você entrar e colocar suas coisas no quarto. Se quiser tomar um banho. Fica a vontade!
Daniel fica andando pela sala, olhando a decoração encantadora. Não tinha um canto sem um toque pessoal. Já via de onde Julie tinha puxado seu lado artístico. A mãe gostava de música, de arte, de leitura. O quê mais? Tinha muitas fotos e bibelôs de viagens. Sentia-se bem ali. Talvez a mãe dela fosse mente mais aberta. Ele passou perto de um enfeite de sino-dos-ventos e este tocou. Heloísa andou até perto de onde ele estava e olhou pra sala que estava toda fechada. Achou um pouco estranho o sino ter tocado. – Julie? – ela chamou. Mas estava sozinha. Daniel entendeu o que fez.
Vinte minutos depois Julie aparece na sala, refrescante e mais disposta. Daniel sorriu ao vê-la. No seu coração ficava imaginando se os dois tivessem um cantinho assim só pra eles, um dia. Ela retribuiu o sorriso, nem imaginando o que se passava em seu pensamento.
Julie sussurra pra ele. – Daniel. Eu vou jantar com a minha mãe. Depois quero que você se levante e fique na porta da entrada, do lado de fora. Ah! Eu vou te apresentar pra minha mãe!
Isso o deixou nervoso demais! O estômago revirando em borboletas. – V-vou me arrumar! – Foi só o que conseguiu falar.
Ela se senta à mesa com sua mãe, que tinha feito um delicioso raviolli. A mãe passou o jantar praticamente todo falando de suas viagens. Enquanto Julie pensava numa maneira de começar o assunto. De repente, numa pausa, Julie fala com sua mãe.
– Lembra quando você perguntou pro Pedrinho o que estava acontecendo comigo, que tinha me achado muito diferente?
Heloísa olha pra ela um pouco surpresa. – Eu perguntei isso sim. Estava preocupada com você. Te achei agressiva.
– Bom, então mãe. Ele te falou que era por causa do Nicolas. Mas não era só por isso.
As duas se olharam.
– Já entendi, Julie. Você q uer me contar algo importante! Espera um pouco, vou pegar um suco e a gente se senta na sala, fica mais confortável pra conversar, querida.
Julie respira fundo e está tremendo. Ainda bem que a mãe era muito aberta.
– Então, vamos lá! Me conte o que está acontecendo. Quero poder te ajudar, filha.
– Mãe. Pensa em uma coisa extraordinária. A coisa mais extraordinária que você já viu.
A mãe sorriu. Certamente tinha muitas histórias fantásticas pra lembrar.
– Pode esquecer! – Julie interrompe seus pensamentos. – Hoje você vai conhecer algo incomparável, que você jamais imaginou que poderia existir.
Julie se levanta e vai até à porta de entrada.
– Oh! Que bom! Eu adoro histórias misteriosas e extraordinárias! – Heloísa acha graça e fica na expectativa.
Julie abre a porta e sussurra pra Daniel! É agora! Fica visível!
Um atrapalhado Daniel entra na casa. Ele não sabia como se portar, onde pôr as mãos, pra onde olhar. Se via atravessado pelo olhar curioso e perspicaz de sua futura sogra.
– Mãe. Esse é o Daniel.
Heloísa não poderia estar mais espantada. “Meu Deus! Como esse rapaz veio parar aqui?”
– Oi Daniel. Eu sou a Helô, mãe da Julie. Não precisa ficar assustado.
Daniel, com um sorriso congelado no rosto, fala: — Estou muito feliz de conhecer a senhora.
Ele aperta a mão de Heloísa e uma onda de arrepio percorre seu braço e desce por sua espinha. Sem motivo aparente ela se sente emocionada.
– Filha, eu me sinto honrada de ser apresentada pro Daniel mas... me explica!
– A senhora quer a versão light ou a versão punk!?
– Versão punk? Ora filha, vai! Conta logo! Desculpa Daniel, mas às vezes os filhos acham que os pais são caretas, bobos e eu já estou sacando qual é a de vocês dois. Viu! – piscou pra ele.
– É que é um assunto delicado. Temos medo da sua reação.
– Ai! Já sei! Eu vou ser avó! – sua mãe grita assustada.
– Mãe! Não é isso! É uma coisa única! Incrível!
– Pára com esse mistério, Julie! Desenbucha!
– A senhora tem medo de alguma coisa?
– De várias coisas. Mas o medo não me domina. Você sabe disso.
– A senhora já se assustou de verdade? Alguma vez?
– Estou ficando um pouco assustada agora. Sério! Por quê tanto mistério? Poxa! Me conta logo!
– Mãe, é sério! Eu contei pro papai. Ele não acreditou em mim! – ela olha pra sua mãe que já demonstra estar impaciente. – Bom, é que... o Daniel, mãe... ele não é uma pessoa como a gente. – respira fundo – O que eu quero dizer é que ele não é daqui! ... Ele é especial e único... Um encantador, irresistível e adorável ... fantasma. – ela termina de falar e prende a respiração. Está muito ansiosa, atenta à reação da sua mãe.
– Um adorável fantasma! – Helô repete. – Sim, entendo! Adorável? Sim! Ele é adorável sim. – ela continua medindo as palavras. – Você disse fantasma? É isso mesmo? – deu uma risada nervosa. – O quê exatamente você quer dizer com isso?
– Exatamente isso mãe. Fantasma – alguém que já morreu.
– Eu sei o que é fantasma, Juliana! É alguém que já MORREU, portanto NÃO PODEMOS ver, nem ouvir, nem tocar e muito menos SERMOS APRESENTADOS A ELES NA NOSSA PRÓPRIA SALA DE ESTAR!
– Mãe, como a senhora tem tanta certeza de que é realmente assim? Por que te ensinaram que é assim? Mas não é!
– Você quer que eu acredite que esse rapaz aqui é uma ilusão? Que ele não existe?
O clima fica tenso. O silêncio toma conta da sala. Eles se entreolham e Heloísa passa a encarar Daniel.
Daniel não desvia o olhar. Pelo contrário, ele parece falar com os olhos.
– Mãe! Eu não quero te assustar, mãe. Por favor. Você precisa acreditar em mim. Se você quiser ele pode ficar invisível, atravessar paredes...
Heloísa interrompe: — Não! Não precisa! Eu conheço as pessoas pelo olhar. E ele me olha de uma maneira tão transparente. Sequer desviou o olhar do meu. Não tem medo. – ela estava claramente impressionada.
– Dona Heloísa, nós vivemos em planos diferentes. Eu nem poderia estar interagindo com vocês, mas pela Julie, eu não tenho medo de me arriscar. Eu vou fazer de tudo pra poder estar sempre com ela.
Ouvindo isso, Heloísa fica ainda mais impressionada. “Suas palavras parecem ser tão sinceras.” Ela eleva sua mão e toca no peito de Daniel, encostando a palma de sua mão sobre seu “coração”. Parece estar alheia à tudo ao seu redor. Seus olhos se abrem ainda mais por não sentir as batidas do seu coração. Daniel entende e mantém seu olhar fixo ao dela. Então, Heloísa se abaixa e encosta seu ouvido sobre o “coração” dele. . .
Em seu pensamento vem o sino-dos-ventos se mexendo sozinho... e o arrepio ao tocar sua mão na dele. Ela se levanta, segura o rosto de Daniel, passa a mão em seus cabelos. Seus olhos se enchem de lágrimas.
– Mas... você... é tão jovem! Você não morreu...
– Sim! Eu morri com apenas 17 anos... – seu olhar era infinitamente verdadeiro. – E então há alguns meses, por acaso, ou pelo destino, a sua filha me libertou de minha prisão.
As duas se olham e Daniel continua:
– Desculpa invadir assim a vida de vocês, mas... eu agora não posso mais sair!
Heloísa puxa os dois para perto e os abraça muito forte. As duas choram de emoção. Daniel, de felicidade.
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