Aperte PLAY. A história continua.
67 Capítulo 67 - Pensando no que aconteceu
Notas iniciais
Músicas:
Daniel - Por Enquanto - Legião Urbana
Julie - Fake Plastic Trees - Radiohead
Clarisse - Uninvited - Alanis Morisette
Será que eles vão conseguir desvendar essa armação?
POV DANIEL
Eu preciso andar, preciso pensar. Estou num pesadelo e vou acordar. Por que? Não entendo por que ela fez isso comigo. Eu tinha certeza que ela me amava, mas ela foi naquela praia distante se encontrar com um amigo. Ainda pensei que ela tivesse falando de mim.Mas não, era daquele imbecil! Que é esse cara pra encostar a mão nela?
Vou andar até onde essa trilha me levar. Não importa mais nada. Eu não sei o que é pior, ficar preso nesse mundo ou no espectral. Morrer não é o bastante! Nunca mais vou me apaixonar por ninguém! Eu queria sumir!
Julie, eu te amava...
(Suas lágrimas foram caindo. Ele chegou no fim da trilha e se sentou à beira de uma ribanceira. Dali pra frente a mata era fechada e não dava pra andar.)
Não! Eu preciso ser racional. Ninguém muda assim da noite pro dia. Está tudo tão estranho!
Primeiro ela perdeu o anel, nosso anel de compromisso. E o Martin o encontrou na calçada sendo que ela disse que perdeu no seu quarto. Depois eu descubro que ela não estava onde disse. Estava em outra cidade bem diferente. Isso eu descobri sozinho. Tentei ligar e ela não atendeu. Mais tarde me passa o endereço errado. E ainda mais estranho foi marcar comigo em uma praia e ir para outra com um cara que mal conhece, sem se importar se eu veria ou não. E aquela mulher que eu vi na primeira praia? Ela se parece tanto com... eu acho que não. Foi só uma alucinação. Eu estava perturbado com essa história de ir pra outro lugar. Ou será que não?
(Sua cabeça estava cheia de perguntas e lembranças que o bombardeavam.)
“Seus olhos são os mais bonitos que eu já vi! Às vezes tenho que fazer força para não ficar hipnotizado. Eu poderia passar horas sem fazer nada, só olhando pra eles.”
- Eu não podia ter ficado enfeitiçado por eles!
“Por que você não some da minha vida?” — Eu devia ter sumido mesmo!
“Eu nunca me apaixonei!” — Nunca devia ter me apaixonado!
“Eu tenho certeza de que você existe, porque eu não conseguiria te inventar.”
- Pensei que eu fosse especial como ela sempre foi pra mim!
“Você é a monstra mais bonita do colégio” — Aquele ridículo tinha razão!
“Fantasmas se apaixonam?” — Eu achava que não, mas agora eu vejo que estava enganado!”
“Nunca daria certo!” — Eu nunca vou ser capaz de fazer ela feliz. Nunca vou poder lhe dar o que ela quer.
Talvez eu devesse mesmo me jogar naquele precipício, no Vale do Silêncio. Ela nunca mais vai me ver.
(Daniel não sabia se voltaria pra edícula. Ficou lá até o anoitecer.)
POV JULIE
Não tenho vontade nenhuma de sair dessa cama. Quero morrer! Meus olhos estão doendo e eu não consigo parar de chorar, nem de pensar no Daniel. Eu o amo. Não vou agüentar ficar longe dele. Eu nem sei como isso tudo aconteceu. Em um momento, eu estava ansiosa para matar minha saudade dele. No outro ele foi embora com ódio de mim. E ainda jogou fora nosso anel de compromisso! – disse entre lágrimas. Como vai ser daqui pra frente?
Vou colocar esse anel no meu dedo pra nunca mais sumir. Eu nunca mais vou tirar esse anel. Nunca vou esquecer o Daniel.
E o Rafinha! Que ódio dele! Ele não tinha nada que me beijar. Ele se aproveitou de um momento frágil pra satisfazer seu desejo! Mas se não fosse ele eu estaria mil vezes pior! Talvez até morta. Ele me salvou daquele maníaco.
O que foi que eu fiz pra viver esse pesadelo? Eu preciso do Daniel, não posso perdê-lo!
- Daniel, você está aqui? Me responda! Por favor!!! – suas lágrimas eram inevitáveis.
E se eu nunca mais vê-lo? E se eu nunca mais puder abraça-lo? Nem sentir seu beijo que eu adoro?
(Julie estava chorando muito, sem saber o que fazer. Acabaria entregando os pontos desse jeito, porque sentiu que dessa vez era pra valer.)
Eu não tenho culpa de nada. Aliás, tenho culpa de ter acreditado naquela maldita mulher. Mas porquê ela quis me prejudicar se eu nem a conheço? Como posso ter certeza de que o Daniel realmente não a conhecia? — ... – Do jeito que tudo aconteceu é mais provável que tenha sido ela que armou tudo. Será que o Daniel tem outra no mundo espectral? Sim, ela era fantasma! Ela entrou naquele banheiro e desapareceu.
Quanta coisa estranha aconteceu comigo de uma hora pra outra! Primeiro sumiu o meu anel. Depois meu pai me avisa que vamos pra outro lugar. Ontem ele me ligou de um número estranho e eu não estava. Quando retornei uma mulher atendeu, dizendo que estava com ele no cinema, e eu escutei a voz dele. Que ódio! Pra completar ela o chamou de amor! Amor? Agora tudo faz sentido! Ele aproveitou que eu não estava lá e levou a outra no cinema! – Não, não. Ele não seria tão idiota de me telefonar do celular da sua amante.
Mas hoje passou dos limites! Meu celular caiu misteriosamente dentro do vaso sanitário. Aquela mulher suspeita me abordou pra dizer que o Daniel tinha trocado o local de encontro, que era pra eu ir na praia Virgem. Como ela sabia disso? Ninguém sabia! Só a Bia e o Daniel! Na praia um cara saído do nada tentou me beijar. Isso ele não sabe!
O Daniel nem me deixou explicar! Eu sei que ele ainda vai me ouvir, ele só está com raiva. Porque ele me ama. Eu sei.
Passei o maior sufoco na praia Virgem. Se não fosse o Rafinha, eu teria sido estuprada e agredida por aquele monstro! O que o cara contou faz sentido! Aquela mulherzinha o orientou a me procurar lá nessa praia!
Não posso acreditar que fui tão inocente. Apesar de estar errado, tenho que agradecer muito o Rafinha, porque ele me salvou! E se aquele cara me matasse? Mas seria melhor ter morrido do que ir morrendo aos pouquinhos agora.
Sua priminha, Sofia, entrou no quarto e a viu chorando.
- Porque você está chorando, tia Ju? Por que seu telefone caiu no vaso?
- Não amorzinho. Eu só estou triste.
- Foi aquela moça que pegou, tia Ju. Não fui eu!
- Tudo bem, docinho. Agora deixa a tia descansar, tá bom? – disse enxugando as lágrimas.
- Tia aquela moça é malvada! Ela disse que o bicho papão vai me pegar!
Julie ficou em silêncio. De repente veio um pensamento. E se Sofia realmente viu uma moça? E se ela viu um fantasma? Crianças pequenas costumam ver as coisas.
- Sofia, você já viu outra pessoa estranha na sua casa?
- Eu já vi. Vi um menino. Eu brinco com ele.
Julie ficou com isso na cabeça. Será que era a mesma mulher? Alguém que estava querendo atrapalhar sua vida?
POV CLARISSE
Eu não acredito que aquele idiota não conseguiu pegar a garota. Qualquer um podia fazer isso! E ainda tive que dar metade das minhas jóias pra ele ficar de bico fechado. Mas que se dane se ele apanhou. Ele mereceu. Idiota! “Ah, você disse namorado. Mas se eu soubesse que era o Rafinha eu não tinha aceitado. Eu me fodi!”. Quem olha até pensa que ele é macho. Perder uma briga pra um fracote? Agora eu fiquei sem saber se o Daniel chegou a ver essa presepada. Se o Daniel terminou com a pirralha! Ah se arrependimento matasse... bom, não ia acontecer nada, porque eu já estou morta! – ela riu do seu próprio comentário.
O Daniel não é pro bico dessa menina. Ele é meu, sempre foi meu, só eu posso fazê-lo feliz. E um dia ele vai me agradecer de livra-lo dessa insossa.
Por bem ou por mal ele vai ser meu. Haja paciência! Vou ter que ir naquela casa e me fazer de inocente, mais uma vez!
Não posso me esquecer de me disfarçar bem. Eu acho que o Daniel me reconheceu. Foi muito rápido, mas ele é esperto. Isso pode estragar tudo. Também preciso saber se o Martin falou alguma coisa sobre o anel. Se ele falou que fui eu.
Notas finais
Beijos.
Espero reviews.
Fale com o autor