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50 Capítulo 50 - Tempo de férias, tempo de novidades


Notas iniciais
Pra quem quiser, ouçam "How Can I go on" do Freddie Mercury. Quando chegar na parte. Que bom ver que mesmo ficando fora esses dias, minhas leitoras fiéis rs gostaram do capítulo anterior. Hehehe... esses fantasmas são irresistíveis, né. ;) ?

Chegando na casa de Julie, entraram na edícula, fazendo cara de paisagem.

– E então? Como foi? Encontraram o lugar pro novo clipe?

– Sim. Sim. Claro! Um lugar ótimo! – responde Bia.

– Éééé... hum, muito show!!

– Pelo tempo que vocês demoraram... – Daniel falou

– ...e pelo estado da minha amiga ... – Julie continua.

– ... o lugar deve ser muito bom mesmo. – Martin completa.

Bia tenta se explicar: — É sério! A gente não vai encontrar outro lugar melhor.

–Bia! Que lugar é esse? Fala logo, pelo amor de Deus! – Julie implora.

– Foi no Mirante dos Inocentes.

Os três caíram na risada, deixando Bia e Félix mudos.

– Então está explicada a demora e essa cara de bobos...

– Ei! O lugar é sensacional! Você sabe! Você já foi lá, Ju. — Bia fica brava.

Daniel para de gostar da brincadeira. – Vou ter que conhecer esse mirante também, né "Jú"?

– Peraí, Bia. Eu fui no mirante quando eu tinha 10 anos. E olha a diferença, eu fui com o meu pai!

– Tudo bem, se não querem acreditar. Mas vocês pediram para encontrarmos um lugar fantástico. E nós encontramos. Não pensem que foi fácil, foi muito difícil. – ela disse, porém se lembrando dos beijos que deram.

– E foi só isso? – Daniel insistiu.

– Ué. O que mais você queria?

– Sei lá. Algo tipo um final feliz. – sorriu irônico.

– Se tudo der certo amanhã ou depois vamos nesse lugar aí gravar a música. Agora que música hein gente? Daniel, você tem alguma música pronta? Você pode compor alguma coisa até amanhã?

– Posso tentar, vai depender da minha inspiração. – deu um sorriso safado.

– Ah! Félix, nossas compras vão chegar amanhã. A loja vai entregar aqui em casa.

– Ótimo! Beleza!

Julie e Bia entraram. Julie levou Bia no quarto dela e emprestou uma outra roupa. Bia se arrumou e desceram pra comerem alguma coisa.

– Bia, agora você pode me contar a verdade! Você está muito esquisita. Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?

– N-não. Nada. Não aconteceu nada.

– Hum. Estranho, alguma coisa me diz que não é bem isso. Mas vou fingir que acredito, viu.

Nesse instante o pai de Julie chega em casa e a abraça.

– Oi filha! Como foi o dia hoje?

– Foi tudo bom. Eu fiz minha última prova hoje. Estou de férias, viu pai. – falou com um sorriso estampado no rosto.

– Parabéns, filha! Estou muito orgulhoso de você. E seu irmão?

– Ele tá lá na casa do Patrick. Eles passaram de ano também.

– Então já podemos viajar pra casa da sua tia em Niterói. Vamos passar 15 dias lá!

– O quê! – Julie levou um susto. “Ai não! Na casa da Tia Dalva não!”. A casa da tia Dalva era perto da praia de Itacotiara. Por isso no fim do ano ia todo mundo da família pra lá. Você não tinha o mínimo de privacidade. Iam as primas (umas 8) e primos (uns 6), fora a criançada e seus pais. “Você nunca fica sozinha na casa da tia Dalva.!”. Só que passar 15 dias longe dos meninos e da Bia seria um desastre. – E quando você tá pensando em ir?

– Vou sair de férias na sexta-feira. A gente vai no sábado e fica lá até o Reveillon.

– Hummm ... estou entendendo... – Julie responde automaticamente com a cabeça fora dali.

– Julie, eu já vou tá amiga. Amanhã a gente se vê.

Julie foi até a porta com Bia. De lá foi pra edícula. Não tinha ninguém. Félix tinha inventado uma desculpa e foi atrás de Bia fazendo companhia até a sua casa. Martin resolveu ir no mundo espectral dar uma olhada no movimento. E Daniel...

– Oi Ju! – ele apareceu de repente.

– Ai! – pondo a mão no coração. – Que susto! Você não pára de fazer isso!

– Eu vi que está procurando alguém? Serve eu?

– É melhor contar pra você primeiro. O meu pai inventou de viajar. Vamos ficar 15 dias na casa da minha tia Dalva, lá em Niterói.

– Mas isso é uma péssima notícia! Como vai ficar a banda e a gente?

– Aiii, Daniel. – o abraçou. – Vai ser tão difícil, mas são só 15 dias. Não posso passar o Natal e o Ano Novo aqui sem o meu pai. Mesmo porque ele não deixaria.

– Eu posso ir com você. – ele disse.

– Você pode ir, mas a gente não vai ter 1 segundo sequer sozinhos. Você não conhece a casa da tia Dalva. E minhas primas. Quando a gente se encontra elas querem ficar o tempo todo coladas comigo.

– Poxa, Ju! 15 dias eu não sei se agüento ... ficar longe ... de você. – Daniel segurou seu rosto e a beijou. Se afastou suspirando triste.

– Vou lá dentro, tenho que ajudar meu pai na cozinha e tomar um banho. Vamos ter que acelerar essa gravação amanhã. Mas nem a música temos ainda!

– É... acho que vamos ter que deixar pra gravar depois.

– De jeito nenhum, Daniel. Tem prazo pra entregar! Fala com os meninos. Até mais tarde. – sorriu pra ele. – Ah... e adorei você cantando ontem. – e se despediu com um beijo.

Martin foi numa boate espectral da década de 80. Não estava a fim de ficar parado na edícula conversando. Daniel tinha que escrever a música e Félix tinha evaporado.

Bia tinha ido pra casa. Ao passar se afastar umas duas quadras da casa de Julie, Félix aparece na frente dela, que também se assusta!

– Calma! – ele disse. – Não precisa ter medo sou eu.

– Tá bom, mas não aparece desse jeito mais...

– Eu... vim te acompanhar até a sua casa. Não é seguro uma garota ficar andando pela rua uma hora dessas. Já escureceu! – ele fala com os olhos brilhando.

– Ahhh! Claaro... – Bia faz um charme. – Que bom que eu não vou sozinha, eu já estava ficando um pouco com medo...

Félix é todo gentil, e pra quem já tinha aconselhado o Daniel a não ficar com uma viva. Até que ele estava entrando em contradição.

– É aqui Félix! Como vê, não moro muito longe da Julie. – sorriu com um olhar romântico.

– Então... boa noite! Se precisar, me chama. – sorriu e ficou esperando ela fazer alguma coisa.

Bia só fez cara de “E então...?”

Ele olhou pra um lado e pro outro e lhe deu um beijo. E esperou ela entrar em casa.

Ela foi pro quarto sorrindo com seus pensamentos.

....

Mais tarde, Julie subia as escadas para ir pro seu quarto, quando Daniel aparece e a acompanha até à porta. Ele estava com um aperto no peito, porque ela ia ficar 15 dias longe, de certa forma.

– Boa noite, Daniel!

– Julie, posso te pedir uma coisa?

– Claro, mas entra aqui então... – ela pega sua mão e o puxa.

– É que... eu queria dormir aqui... com você.

– Ah! Pode deitar. Tem o meu sofá...

– Não! Eu quero dormir junto com você, na sua cama.

– Ãhn? Ahh! Daniel... sabe o que é...

– Diga – ele a abraça carinhosamente.

– Aquele dia, a nossa 1ª vez... foi a minha 1ª vez. Você sabe... e tudo aconteceu tão naturalmente... eu ainda fico meio nervosa...

Ele coloca uma de suas mãos sobre o peito dela.

– Calma! Eu só disse que quero dormir abraçado com você. Só isso.

“Isso não vai dar certo...” – ela pensou, mas também não tinha coragem de dizer não.

– Tudo bem! – sorriu. Vou tomar um banho e daqui a pouco volto.

Julie se arruma pra dormir. Ajeita o cabelo. Fica se olhando no espelho pra ver se está bonita... e então volta pro quarto.

Daniel tinha arrumado a cama pra ela. Pegou água e deixou na mesinha de cabeceira.

– Você não gosta de dormir ouvindo música, né Ju?

– Já gostei muito. Ultimamente não. Por quê, você gosta?

– Gosto. Mas tudo bem.

– Ahh. Se quiser pode colocar alguma música pra gente dormir ouvindo.

Daniel vai até os CDs de Julie e começa a procurar.

– Não é The Doors né? –

– Se você tiver bom gosto eu vou encontrar um do The Doors aqui. – sorriu.

– Ah vai! Que tal colocar um álbum do Freddie Mercury... Reconheça, eu tenho bom gosto!

– É! Você tem bom gosto! – procurou o álbum e colocou pra tocar. – Vou colocar bem baixinho tá, pra não te acordar.

O álbum começou com How Can I Go On.

– Pode deitar aqui pertinho de mim agora. – ela sorriu. – Anda logo que estou morrendo de sono.

– Só mais uma coisa. Você não se assusta, viu. Eu não vou dormir com você usando essa roupa ridícula.

Ele ficou invisível e voltou com uma bermuda e uma camiseta.

Essas mudanças de Daniel a assustavam um pouco.

Daniel deita ao seu lado, na verdade, por trás. Só que bem juntinho.

– Boa noite, Ju. – ele diz suavemente ao pé do ouvido.

– Boa noite, Dan.

Ao fundo Freddie Mercury continuava cantando:

Como eu posso continuar dia após dia?

Quem pode me fortalecer em todas as maneiras?

Onde eu posso estar a salvo?

Onde é o meu lugar

Nesse grande mundo de tristeza?

Como eu posso esquecer

Aqueles lindos sonhos que nós compartilhamos?

– Ju... vc já dormiu?

– Ãh... não... por que?

– Nada, só queria saber... boa noite!

Bem que ela tentava dormir, mas a presença dele ali, na sua cama, só fazia seu coração ficar alerta. Mas o sono estava pesando... e a música a embalava nos braços dele. Finalmente ela foi ficando relaxada e dormiu.

– Ju... vc tá acordada?

Como não teve nenhuma resposta, ele continuou falando:

– Eu te amo!

Ele se sentia tão feliz de estar ali. Era uma sensação que ele não tinha há muito tempo. De estar num lugar onde se sentia seguro. Como uma criança que se agarra ao seu travesseiro.

Daniel ficou um bom tempo ali, pensando, acordado. Feliz de estar perto dela. Até que também adormeceu.

Notas finais
E os dois enrolados? Devem assumir? Ou ficam namorando escondidos dos amigos? E como vai ficar Juliel nesses dias de viagem?