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35 Capítulo 35 - O Show - parte II


Notas iniciais
Eu nem sei se o Daniel seria realmente fã do Jim Morrison, mas este foi um ícone do rock, era contestador, rebelde e carismático. Como o Daniel era fã de Jimy Hendrix, suponho que também gostasse de Jim Morrison.
Obrigada pelos reviews são uma parte muito importante da inspiração. Quando o capítulo não tem reviews tenho que me questionar.
Nesse capítulo eu cito 2 músicas do The Doors: Light My Fire e Love Me Two Times. Quem não conhecer, vale a pena ouvir, pois são 2 clássicos.
Boa leitura

Um grupo de turistas vestindo camisas com estampas de Jim Morrison e The Doors passam por eles, cantando e gritando músicas e poemas do cantor. Alguns roubavam flores e mimos nos outros túmulos para levarem pra ele.

– Tá vendo! – Daniel fica irritado. É por causa desse tipo de fãs que o cemitério já tentou expulsar o corpo dele daqui várias vezes!

– Nossa! Mas o cara não tem paz nem depois da morte?

– Nem ele, nem os vizinhos dele. Você vai ver. Tem alguns fãs idiotas que picham as lápides, roubam objetos, flores, pra levar de lembrança pra ele.

– Por que eles escolheram esse nome? As Portas?

– Eles se inspiraram em uma citação de William Blake e Aldous Huxley. "Se as portas da percepção forem abertas, as coisas irão surgir como realmente são, infinitas". E Jim Morrison sempre dizia que "Entre as coisas conhecidas e as coisas desconhecidas existem as portas". E para abrir essas “portas”, eles usava LSD.

– Que loucura! Eu só conheço uma música deles, aquela que diz assim: “come on, baby... light my fire!..”

– Hummm... aquela que diz assim: — então Daniel chegou sua boca bem perto da de Julie e repetiu: “come on baby, light my fire...” – sussurrando e roçou seus lábios no dela. Quando ela abre a boca para beijá-lo, sua língua a invade. Suas línguas se encontram explorando cada canto, se provocando, se enroscando. Eles se afastam, suspirando.

– Seu beijo é tão doce, Daniel. Quando eu beijo você, até esqueço de onde estamos.

– Eu sinto o mesmo. – dá mais um beijo de leve. – Aposto que você nunca teve um sonho assim, tão real. Amanhã quando acordar, você vai se lembrar de tudo.

– Mas se isso é quase real, não tem perigo da polícia espectral vir aqui prender a gente?

– Eles não podem fazer isso. No sonho a gente pode encontrar qualquer pessoa viva ou morta.

– É verdade! Já sonhei com meus avós, a gente conversava, ria. – ela se lembra, encantada. – Obrigada por me trazer aqui. – ela lhe dá um beijo.

– Quer conhecer a “casa” de um gênio da música?

– Se é música, eu quero sim.

Chegaram diante de um túmulo branco, com grades em volta. Sobre ele havia a escultura de uma jovem lamentando sua morte. E na lápide havia uma máscara mortuária de perfil. O túmulo contrastava com as flores muito coloridas que colocavam ao redor. Ela se aproxima deslumbrada com a beleza singela do túmulo.

– Fréderic Chopin. 1810 – 1849. – Nossa! Claro que é um gênio! – ela sentia uma emoção muito forte de estar ali.

– Ele gostava muito de flores. Por isso seu túmulo parece estar no meio de um jardim. Era isso que eu queria te mostrar, Julie. Aqui a gente pode ver a morte de outra maneira. A música dele ficará para sempre. O que as pessoas trazem da vida?

– Acho que cada um leva só a sua história. Não é?

– É isso. Simples assim.

Eles se aconchegam num abraço que dura alguns minutos... diante de tanto sentimento é quase impossível acreditar na morte.

– Amor, vamos caminhar pro lugar do show?

– Vamos! Já está escurecendo.

Estava anoitecendo os galhos das árvores contrastavam com o azul do céu. O vento passava mais forte varrendo as folhas secas. Eles seguiram em direção ao túmulo de Jim Morrison, onde estava previsto o show. No caminho, muitos jardins, árvores de todo tipo, pequenos caminhos que se espalhavam pela colina.

– Daniel! Está ouvindo?

“Love me two times baby, Love me twice today... Love me two times girl... I'm goin' away. Love me two times, girl. One for tomorrow. One just for today. Love me two times... I’m going away.”

– É ele! Ele deve estar aqui, Ju.

Julie reparou que Daniel tinha ficado estranhamente eufórico. – De onde está vindo esse som?

– Parece estar vindo de lá – e apontou para sua direita. Venha! Ele vai puxando Julie, passando por cima dos túmulos mesmo.

– Daniel! A gente vai ficar andando assim? Pisando em tudo?

– É por uma boa causa! – disse, com um sorriso no canto da boca. Se a gente ficar passando pelas ruas vai demorar um século. E eu preciso chegar perto dele. – “Queria que ele pelo menos soubesse que estava ali” – pensou Daniel.

– Ele deve estar ensaiando ainda. Já estava totalmente escuro e o céu muito estrelado.

– Ele não precisa ensaiar. Julie, vamos mais rápido, tá começando a chegar mais gente.

– Nossa! De onde veio esse povo todo de repente.

– Ah! A maioria é daqui mesmo, e alguns são como você, estão sonhando com isso agora.

“Love me one time, I could not speak... Love me one time, yeah, my knees got weak…”

Já era possível ver um aglomerado de pessoas perto do local da sepultura. Dois fãs passaram por eles. Um deles tinha uma tatuagem na testa “Jimbo”, nome que ele usava quando estava alcoolizado. Mais um grupo de fãs seguia, levando mimos para seu ídolo: bebidas, bandeiras, maços de cigarro, fitas, incenso, CDs, flores, maconha, discos, camisetas, declarações de amor.

– Poxa, Julie! Eu não trouxe nada pra dar para elel. Eu não vou fazer igual esse povo que pega as coisas nos túmulos dos outros.


“Love me two times, girl, last me all through the week … Love me two times I'm goin' away Love me two times, I'm goin' away…”

– Dani, olha que jardim lindo! Vamos parar ali um pouco?

– Tá, mas não vamos demorar.

– Aqui é romântico, né amorzinho?

Estavam de frente para um jardim maravilhoso, todo florido.

– Hum-rum. — mas ele estava preocupado com a movimentação que aumentava.


(continua ... )


Notas finais
Que acharam? O capítulo ainda tem continuação. beijos.