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28 Capítulo 28 - Daniel, Julie e Nicolas. Triângulo?


Notas iniciais
Obrigada pelos reviews amores... espero que estejam gostando da história... beijão.

A casa estava escura quando Julie e Daniel chegaram.

— Ai que alívio! Eles ainda não vieram da festa. Vamos entrar! – ela disse.

Ela entrou e foi direto pro seu quarto. Daniel a seguiu.

— Dani, você pode me ajudar a subir com essa cesta?

— Claro! Você que manda.

Ele já estava carregando a cesta desde o carro.

Ao chegarem à porta do quarto ficou aquela indecisão.

— Posso entrar? – ele disse.

Ela assentiu com a cabeça e os dois entraram.

— Eu só quero ver você dormir. Depois vou lá pra edícula. – ele disse.

— Tudo bem.

Ambos sorriam sem perceber. Daniel ficou com ela até que adormecesse e depois desceu pra edícula.

...........

Muito mais cedo...

O pai de Julie tinha acabado de sair pra festa com Pedrinho.

Nicolas decidiu pegar sua bicicleta e ir até a casa de Julie para se explicar, afinal, ela nem tinha ouvido sua versão da história. Quando foi se aproximando viu Julie entrando num táxi que tinha o vidro escuro. Ela estava sozinha. Nicolas tentou pedalar mais rápido, mas não conseguiu alcançá-la. Voltou pra frente da casa dela. Chamou várias vezes pra ver se havia alguém em casa. Estava tudo apagado e silencioso. Ele se sentou na calçada. Tinha resolvido esperar até ela voltar. Em seu pensamento turbulento vinham várias possibilidades.

Se ela saiu de táxi pode ser alguma coisa séria.

Mas por que ela saiu de táxi se o pai dela tem carro?

Será que o pai dela passou mal?

Será que ela vai demorar?

Sua mente tagarelou por toda a noite. Ficou sentado lá por quase três horas... em vão. Ela não apareceu então resolveu voltar pra casa, chateado. Seus pais tinham viajado. O garoto, que no momento era ‘ex-namorado’, foi direto para o seu quarto. Ao entrar, encostou-se na parede. Fechou os olhos e imaginou o quanto ela devia estar brava. Foi mancada sua, ele sabia. Olhou em volta, fotos deles juntos por toda parte.

“O que será que aconteceu? Ela está diferente comigo de uns dias pra cá. Hoje então ela deve estar muito puta comigo. Tenho que descobrir o que é.”

Ele resolveu ir numa balada onde o pessoal da escola costumava ir. Sua preocupação era descobrir o quê tinha acontecido pra ela fazer isso. Quem sabe até a encontraria por lá.

Entrou na balada, estava super lotado. Também, numa sexta-feira à noite, só podia estar assim. Deu uma volta pra ver como é que estava. Nem sinal dela. Quem estava lá e não perdeu tempo foram seus amigos metidos a espertos.

— E aí Nicolas! Até que enfim conseguiu dar um perdido na sua esposa hein... – disse Douglas, seu amigo mais debochado.

— Ei... pára com isso. Eu... marquei com ela aqui, já deve estar chegando. – disse Nicolas, tentando disfarçar.

— Vamo tomar uma enquanto ela não chega, véi. – disse kadu.

Ele não ia muito com a cara da Julie porque depois que ela começou a namorar seu amigo, ele tinha se afastado.

— Não, valeu kadu. Eu...

— Não bebe? Fala sério. Tá virando otário?

— Eu não bebo cerveja, só whisky.

— Ihhh aí!! Pode crer!!! – kadu disse.

Deram um daqueles cumprimentos no ar como sempre. Kadu pediu uma garrafa de whisky e pôs em cima do balcão.

— Tá certo! – “A Julie vai me matar né, mas uma dose não vai fazer mal.” — Pode mandar um sem gelo aí!

Ele pegou o copo e virou de uma vez.

Uma onda de calor espalhou pelo corpo. Começou a se sentir meio anestesiado. Na verdade, ele nunca tinha bebido. Seus amigos imprestáveis e idiotas tentavam empurrá-lo pra cima de outras garotas, dar um porre nele, ou seja, queimar seu filme.

Nicolas tomou mais uma dose, ficou meio zonzo e resolveu ir embora. Mal se despediu deles.

Voltou pra casa, caiu na cama e apagou.

No manhã seguinte, um som veio da edícula.

Félix, Martin e Daniel estavam ensaiando uma música escolhida por Daniel.

— Hoje estou inspirado. – ele disse, sorrindo.

Félix como sempre deu início à contagem:

— 1, 2, 3, vai!

“Você é algo assim

É tudo pra mim

É como eu sonhava, babe...

Julie correu pra edícula quando ouviu os acordes, curiosa pra saber que música era essa que estavam ensaiando. E com um frio na barriga, pois iria encontrar Daniel.

Ao abrir a porta, ele parou de tocar e os outros dois pararam logo em seguida.

— Oi! – disse Julie, meio sem jeito. — Eu escutei vocês tocando... está muito legal!

Os três olharam pra ela, que perguntou:

— Que música é essa?

Daniel fixou seu olhar desconcertante na morena e disse:

— Eu resolvi tocar ela hoje. É de uma banda que eu gosto muito, os Paralamas. Mas quem fez a letra foi o Tim Maia.

Continuou a encarando.

— É..é.. ótima! – ela disse, ficando vermelha.

— Então vamos lá! Vamos continuar!

E só ela escutou quando ele disse com um sorriso torto “Essa é pra você!”. Seu coração batia forte.

“Você é algo assim...

É tudo pra mim,

É como eu sonhava, baby.

Você é mais do que sei,

É mais que pensei,

É mais que eu esperava, baby.

Sou feliz... agora.

Não, não vá... embora.

Vou morrer de saudade.

Não, não vá embora”.

Ela ficou tão feliz que correu e o abraçou demorado.

Félix e Martin se olharam e sorriram ao ver que eles tinham se entendido.

— Que romântico! – disse Félix.

— Daniel romântico? Primeira vez que eu vejo! Isso porque ele dizia que era ridículo ficar apaixonado. – disse Martin.

— Ah é... Vocês dois: parem de me encher o saco! Eu estou apaixonado sim e agora nós estamos namorando. – ele olha pra Julie com os olhos brilhando.

O coração dela ficou acelerado ao ouvir “estamos namorando”. Seu corpo tremia de nervoso. Um nervoso bom.

Mais tarde, quando Julie voltava para o quarto, Daniel a puxou para um canto e lhe deu um beijo inesperado, que virou um beijaço.

— Para Daniel! – ela pediu, mas seu olhar dizia o contrário.

— Senti saudade de você. – ele sussurrou em seu ouvido. – Entra no seu quarto que tem uma surpresa.

Ela entrou, deu uma olhada, mas não percebeu nada.

— Onde está? Não estou vendo nada aqui.

— Você tem razão, não tem nada!

O fantasma apaixonado puxou a garota pros seus braços e a beijou com vontade. Quando conseguiram se afastar, a morena disse:

— Ai... o que foi isso? Me deu até um calor... – no que ele a agarrou de novo. — Daniel, agora é sério. Meu pai e o Pedrinho podem chegar a qualquer momento. O Pedrinho pode te ver e ele é esperto.

— Eu sei que ainda não podemos assumir – beijou-a de novo – mas tem um jeito da gente se encontrar enquanto isso.

— Como? – ela quis saber.

Daniel foi até a mesinha, abriu a gaveta e lhe mostrou o anel.

— Não precisa dizer mais nada. – ela disse, sorrindo.

— Mas prometo que vou encontrar outra saída. Mais tarde eu volto!

Ele roubou um beijo de despedida e saiu de lá.

Julie ficou sozinha, radiante. Olhou pelo quarto distraída e, de repente, viu seu presente. Balançou a cabeça e sorriu. Era um pôster dos Stones com a letra de Angie. E quem diria... com dedicatória de Daniel.

“ ‘Viva porque vivo nos seus sonhos, lento pra te encontrar, louco pra te amar’ Juliana, achei que era só um sonho inalcançável, mas foi o melhor de todos os sonhos. Te amo minha adorável vocalista”

Ele não assinou, mas Julie sabia que aquelas palavras não podiam ser de mais ninguém.

Momentos depois o telefone tocou. Era Bia.

— Julie?! Estou te procurando desde ontem. Onde você estava? Nem foi à aula.

— É... eu não tava passando bem. – mentiu.

— E como estão você e o Nicolas?

— Como estamos? Não estamos. Eu não tenho mais nada com o Nicolas.

— Ele me ligou te procurando, disse que foi aí na sua casa ontem à noite e não tinha ninguém.

— E o que você disse?

— Que não nos vimos desde ontem de manhã.

— É... Bia, depois conversamos. Eu tenho que te contar umas coisas, mas não dá pra ser por telefone.

— Tá, madame misteriosa. – riu — Ah! O Nicolas hoje estava abatido, parecia triste. Eu o vi passando na rua.

— Tá bom Bia, depois a gente se fala.

Ela suspirou aliviada. Já tinha terminado com o Nicolas. Quem sabe daqui a um tempo eles pudessem voltar a conversar.

Notas finais
O que vocês gostariam de ver na história? Mais Juliel? mais sonhos? mais Insólitos, mais 3 fantasmas, mais o quê? ;)