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29 Capítulo 29 Em busca de pistas


Notas iniciais
Aqui vai mais um capítulo. Esses dias não tive muito tempo para escrever, ficou meio agarrado. Mas consegui terminar este e estou terminando o próximo. Desculpem pela demora. Espero que gostem.

Daniel foi até a edícula conversar com os dois amigos, que pareciam estar num tédio mortal.

— Vocês vão passar o dia inteiro com essa cara aí? Temos um serviço urgente.

— Serviço urgente HOJE, em pleno sábado? – disse Félix.

— E o que você tá fazendo de tão importante nesse sábado? – Daniel disse.

— É mesmo, o quê estamos fazendo de tão importante nesse sábado? – Félix pergunta pra Martin.

— Boa pergunta! Se ao menos a gente estivesse igual ao Daniel... até que não seria má ideia não!– disse Martin, com um toque de malícia. — O negócio dele agora é só beijar! Né Daniel? Nem quer saber de tocar mais!

— Mas eu não to chamando ninguém pra sair pra beijar. – Daniel respondeu, irritadinho. — O que a gente vai fazer é desvendar um podre do Demétrius. Essa informação vale muito! Vale mais que a minha guitarra do Hendrix.

— Ai... a gente devia deixar o Demétrius pra lá. – disse Félix.

— A gente ‘devia’ mas não vai. Podem levantar dessa moleza aí. – disse Daniel.

Os três sumiram e logo apareceram lá na casinha incendiada, onde Daniel esteve com Julie na noite anterior.

— Pera aí! Eu conheço esse lugar. – disse Martin.

— É claro! Foi aqui que viemos ontem! E é aqui que a gente vai procurar alguma prova comprometedora contra o Demétrius.

— Eu não estou entendendo nada. – disse Félix. — Prova do quê?

— Vocês não se lembram que no dia que encontrei a minha mãe na Clínica? Eu disse que também andei pesquisando sobre a vida dele? Estão lembrados?

— Lembro, claro! – disse Martin.

— Vocês sabem... eu sou capaz de qualquer coisa. – disse Daniel.

— Isso é verdade. Nada te segura mesmo. – Félix disse.

— Pois eu invadi a biblioteca do lado de lá. – Daniel disse.

— Nossa! Isso vai dar rolo. Eu tinha um tio que uma vez pegou um livro na biblioteca e não devolveu. – disse Félix

— E daí? O que isso tem a ver?

— Nada não. Eu só lembrei mesmo.

Os outros dois reviraram os olhos.

— Félix, o que seria de mim sem essa informação! – Daniel disse. — Mas o que eu ia dizer é que descobri uma coisa sobre ele!... Sério! É muito grave.

Como sabiam que Daniel não desistiria da idéia, concordaram em ajuda-lo. Mesmo sabendo que era arriscado fazer algo contra Demétrius.

Sem mais delongas foram olhar ao redor da casa em ruínas. À luz do dia dava pra ver que o estrago tinha sido grande.

— Olha só! Está tudo carbonizado! – Daniel disse.

— Mas como vamos descobrir alguma coisa aqui? Tá tudo queimado! – disse Félix.

— Deve ter alguma coisa. Nós não vamos sair daqui sem achar alguma pista.

Um pouco adiante estava a casa onde Daniel e Julie ficaram juntos pela primeira vez. Ao lado viram um senhor bem idoso capinando o mato.

— Estou com um pressentimento de que alguma coisa importante vai acontecer. Vem comigo. – disse Daniel.

Ao ver os três, o senhor levantou seu chapéu para cumprimentá-los. Eles se entreolharam.

Como esse velho viu a gente? – Félix sussurrou, morrendo de medo.

— Olá! – disse Daniel. — O senhor sabe se tem alguém aqui por perto que conhecia o dono desta casa ali?

— Eu conheço. Eu era amigo dele.

— O senhor mora por aqui?

— Eu morava nessa casa aqui. Agora, de vez em quando, eu venho aqui capinar o mato. Mas não mora ninguém aqui mais não.

— E o quê aconteceu com o seu amigo?

— Isso é uma história longa...

O rosto do homem se transformou, ficou meio sombrio, o olhar opaco. E começou a falar:

— Meu amigo tava sendo ameaçado por um homem cheio do dinheiro. E se ele não saísse da casa, não ia durar muito. Ele tava apavorado, mas não tinha pra onde ir, sabe? Ele vivia do que plantava.

O homem ficou olhando pro vazio e continuou a falar:

— Uma noite, vieram aqui e colocaram fogo na casa, enquanto ele tava dormindo. Eu acordei no meio da noite com os gritos desesperados dele.

Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas, ele tomou coragem pra continuar falando.

— Não pude fazer nada por ele. O fogo já tinha tomado tudo.

Um silêncio tomou conta do lugar. Os três esperaram o senhor se recompor das lembranças terríveis.

— Senhor, nós... sentimos muito.

— Eu não pude ajudar ele, mas um dia eu vou fazer justiça!

— E o senhor tem ideia de quem foi que mandou fazer isso?

— O que eu sei é que ele chama Demétrius. O resto eu não sei. Mas ele conseguiu escapar da justiça.

Os três ficaram chocados ao ouvir “Demétrius”.

“Como é que um covarde desses pode estar impune até depois da morte? E pior, no comando da polícia espectral, dando uma de santo!” — era o que todos se perguntavam.

— O senhor tem alguma coisa que possa me ajudar a provar isso? – Daniel disse.

— A única coisa que ele deixou foi um caixote com uns retratos. Tá aí dentro da casa. – o homem disse.

— Podemos entrar? – disse Félix.

O velho olhava pra eles como se já se conhecessem há muito tempo.

— Se for pra fazer esse Demétrius pagar o que ele deve, tudo bem.

— Nós podemos te garantir que se tivermos uma prova, vamos enquadrar esse safado. – disse Daniel. — Nós conhecemos bem esse cara, sabe. Um saco de bosta vale mais do que ele.

O velho entrou com os três. Ao entrar comentou:

— Hum... parece que alguém teve por aqui... e não faz muito tempo!

Daniel passou a mão na cabeça, tentando disfarçar.

— Rum-rum... onde estão as fotos que o senhor falou?

— Tão aqui, vem comigo.

Entraram num cômodo entulhado de velharias e teias de aranha. O homem pegou um caixote empoeirado que estava atrás de um armário.

— Toma! Tá tudo aqui guardado.

Martin pegou o caixote e levou pra sala. Uma nuvem de poeira saiu ao abri-lo. Além de fotos havia algumas cartas. Tiraram tudo de dentro, espalharam no chão e começaram a olhar uma por uma.

— Olha isso aqui! – disse Félix, lendo uma das cartas.

“O terreno possui uma jazida de minério”

“Não vou vender pra ninguém”

Martin leu uma parte de outra carta.

— Essa aqui diz assim:

“Não posso mais ficar aqui!”

— Prestem atenção! – disse Daniel.

“Caso eu não saia daqui em dois dias, eles disseram que vão me dar um sumiço”

O senhor que estava atrás deles se emociona ao escutar o que falavam.

— Eu não sabia que ele tinha deixado as cartas. Guardei pra ele porque ele disse que eram só retratos velhos.

Félix se levantou e confortou o senhor.

— Precisamos de alguma carta que cite o nome do Demétrius. – Daniel disse, pegando outra carta.

“Eles querem minhas terras. Nós que descobrimos o minério, e agora esses vizinhos tão cegos de cobiça. Eles já são ricos, não precisam pegar o que é meu. Falaram que vão me dar um dinheiro em troca das terras, mas é uma mixaria. Continuam me ameaçando, esses demônios. E eu tenho medo.”

— Senhor, quem era esse vizinho do seu amigo, além do senhor? Parece que encontrei algo.

— Então... tinha eu que era amigo desde criança. E a fazenda do lado era da família do Demônio, quer dizer, do Demétrius.

Daniel, escuta isso. – disse Félix ao ler um trecho de outra carta.

“Hoje o meu vizinho Demétrius vem aqui pra conversar. Parece que tá interessado nas minhas terras. Não sei não, mas essa família não tem uma fama muito boa. É família de coronel.”

— Acho que essas provas já são suficientes. –Daniel disse. — Agora vou procurar documentos pra provar que essa propriedade era mesmo da família do Demétrius. O senhor pode deixar essas provas comigo, né? A coisa que eu mais quero agora é fazer ele pagar por todo mal que fez.

O senhor misterioso entregou as cartas para os rapazes com uma condição: fazerem justiça. Foram embora com um tesouro na mão. Demétrius nunca mais ia poder fazer nada contra eles. E Daniel pretendia fazê-lo pagar caro antes de entregá-lo no Tribunal Espectral.

Notas finais
Não tenho muita noção de quantos leitores estou tendo, mas se tiverem alguma sugestão, crítica, ou quiser comentar, é muito importante pra mim. Abraços pra vocês.