Aperte PLAY. A história continua.

18 Capítulo 18 - Revelações


Notas iniciais
Hoje as coisas vão começar a tomar um novo rumo, eu disse começar... Beijos.

Martin e Félix chegaram à edícula e ficaram com pena de ver Daniel daquele jeito. Tinham certeza de que ele estava pra baixo por causa da Julie.

— Ei cara, a gente avisou que você e a Julie nunca dariam certo.

Daniel fulminou Félix com o olhar.

Como ele sempre conseguia piorar as coisas!” – pensou.

Bia estava chegando perto da edícula e escutou o que Félix disse. Resolveu se esconder perto da janela pra terminar de ouvir a conversa sem que percebessem.

— Se não fosse por vocês nada disso estaria acontecendo. – Daniel resmungou.

— Esquece ela de vez! Se precisar a gente acaba com a banda, vai embora.

— Vocês acham que é simples? Basta querer esquecer e pronto! Se eu não tivesse escutado o conselho de vocês dois eu e a Julie já estaríamos juntos há muito tempo.

— A gente aconselhou, é verdade. Mas a ideia de jogar aquele cordão perto do JP foi sua! – disse Martin.

Félix acrescentou:

— Você que pegou o cordão sem ela saber e a fez pensar que foi o JP. E aí ela se afastou. Era pra tudo ficar bem, mas não... você “tinha” que voltar atrás, senão não seria Daniel, o cabeça-dura.

— Vocês não entendem nada de estar apaixonado! – disse Daniel.

Eles resolveram ficar quietos. Estavam piorando a situação.

Bia desistiu de entrar depois dessa. Voltou pra casa incrédula.

Não é que o fantasma estava apaixonado pela Julie mesmo! Ele que devia ter sido o primeiro namorado dela e não o JP.” – concluiu.

Julie terminou a prova cedo e foi direto pra casa. A insinuação de Talita sobre Nicolas não saía de sua cabeça.

“Se Talita tinha alguma coisa contra o Nicolas e queria me contar, certamente é porque quer nos separar.

Mas isso parecia muito óbvio.

“E se ela tinha mesmo alguma coisa importante contra o Nicolas? Então talvez Daniel tivesse razão, já que vivia falando mal dele. Será que fui injusta com Daniel? Vou tirar isso a limpo é agora!”

Lembrou-se dos fantasmas. Eles deviam saber de alguma coisa. Estava tão ansiosa para falar com eles que até se esqueceu de esperar Nicolas na saída.

Enquanto isso, Martin, Felix e Daniel se preparavam para ensaiar.

— Vamos ensaiar de novo! Precisamos ficar prontos pra ganhar esse concurso da TV. – disse Daniel.

— Vamos tocar o quê?

— Vamos tocar hoje uma música de uma banda chamada Paralamas do Sucesso. “Meu Erro”.

— 1, 2, 3, 4

“Eu quis dizer,

Você não quis escutar,

Agora não peça,

Não me faça promessas

Eu não quero te ver...”

Julie entrou em casa correndo e foi em direção à edícula. Quando se aproximou, começou a ouvir uma música.

“Hum... o Daniel está aí, não vou poder entrar lá.”

Os versos pareciam ter um destinatário: ELA.

“...você diz não saber

O que houve de errado

E o meu erro foi crer

Que estar ao seu lado bastaria...”

Ela tomou coragem e entrou assim mesmo. Abriu a porta da edícula e disse:

— Música nova no repertório?

Daniel parou de tocar.

— Tenho que ir nessa, depois encontro vocês. – ele disse.

E sumiu.

— Ele está chateado com você. – Félix disse pra amiga.

— É dá pra perceber... pela cara dele. – ela torceu a boca em reprovação. — Ele comentou com vocês alguma coisa?

— Nem precisa. Hoje ele tava todo nervosinho. – disse Felix.

Então Julie resolveu contar.

— Ontem... nós discutimos! Eu disse que ele estava inventando mentiras para me separar do Nicolas.

— Ah! Então está explicado! – disse Felix.

— Talvez ele só quisesse te ajudar. – Martin interveio.

— Disse pra ele que não queria que ele ficasse mais se metendo na minha vida. Pra ele parar de falar coisas que não aconteceram.

— Só tem uma coisa, Julie – Martin disse. — Você está sendo injusta com o Daniel. O Félix vai explicar pra você!

— E-eu? Eu vou explicar? – Félix pergunta surpreso.

— Anda logo, Félix. Conta logo pra ela o que você descobriu! Por que você ficou correndo atrás da Talita esses dias.

Ao ouvir isso, Julie já ficou esperando o pior. Algo dentro dela já sabia que tinha sido injusta com o Daniel.

Então Félix contou pra ela o que sabia e o que tinha visto: Talita conversando com Demétrius e tentando falar com Nicolas. E também que a loira queria entregar uma coisa pra ela.

— Você viu ela fazendo isso? Então me conta o que ela queria me entregar.

— Ah... era um papel. Só sei disso. – Felix disse.

Julie ficou intrigada. O que Demétrius e Talita estavam armando? E o mais importante: o quê Talita queria tanto que ela visse? Que prova seria essa?

Sentia-se culpada e queria pedir desculpas a Daniel.

— Eu vou pro meu quarto, vou descansar um pouco. Depois volto aqui quando estiver melhor. – ela disse.

Saiu de lá pensativa. Quando estava quase chegando no seu quarto, Pedrinho apareceu.

— Julie, pediram pra te entregar esse livro.

— Que livro é esse? Quem te pediu pra me entregar?

— Ahh foi aquela garota da sua sala, a.... Talita.

Desconfiada, Julie pegou o livro e entrou no seu quarto. Quando o abriu, um papel caiu no chão. Era um extrato... no nome de...NICOLAS. Sua barriga gelou. Quando viu os valores altíssimos, não acreditou. Era muito grana. Alguma coisa errada ele estava fazendo e não tinha lhe contado. E também não tinha como negar.

O esquema de Nicolas era assim. Um dos integrantes da máfia do jogo de pôquer depositava um dinheiro na sua conta bancária e ele tinha que sacar e depois entregar ao tesoureiro do grupo.

No início Nicolas não achava nada demais fazer isso. Até que os valores começaram a aumentar. E ele descobriu que isso era ilegal. Ele estava fazendo lavagem de dinheiro.

Naquela noite ele teria que sacar um valor muito alto. Depois teria que entrar no pôquer online e terminar a negociação dos pagamentos. Essa era a parte que ele mais detestava fazer, pois sempre caía na tentação e acabava jogando de novo.

Ainda arrasada com aquela descoberta, Julie liga pra Nicolas.

— Alô! Julie!

— Nicolas! Eu preciso falar com você. Agora!

— Pode falar.

— Não. Tem que ser pessoalmente.

— É que... eu não posso ir até aí hoje.

— Não tem problema. Eu vou até sua casa.

— Não! Eu não posso ir à sua casa hoje porque eu preciso sair pra resolver um problema.

— Que problema? O meu problema não tem importância?

— Julie, eu ia te avisar, mas você já tinha ido embora. Pode ficar tranquila, não tem nada a ver com a Talita.

— Eu não falei o nome dela. Por que você ta se justificando?

— Não é por nada, Julie! Amanhã eu te explico tudo, tá? Hoje eu já tinha marcado esse compromisso. Não posso faltar.

Ela desligou o telefone na cara dele. Seus olhos encheram de lágrimas.

“Que decepção! Então não era mentira! Ele estava mesmo escondendo alguma coisa de mim. Prefiro nem descobrir o resto!” – ela pensou.

Invisível, Daniel viu Julie chorar e até se esqueceu de que estava magoado com ela.

Bia entrou no quarto e viu a amiga chorando.

— O que aconteceu Ju? Foi o Nicolas que te fez alguma coisa?

— Não posso acreditar no que está acontecendo. – disse chorando.

— Mas me conta o que houve. Quem sabe eu possa te ajudar?

— Sabe tudo aquilo que a Talita me falou sobre o Nicolas? É verdade. Olha isso aqui.

Bia vê o extrato cheio de transações suspeitas. Era a segunda notícia bomba que ela descobria em menos de 1 hora.

— Amiga, você já foi conversar com ele?

— Eu liguei pra ele agora. Disse que precisávamos conversar. Mas ele disse que hoje não ia poder porque já tinha um compromisso. E ele não quis me falar o que era! Vê se pode!

Bia achou que podia ajudar tirando o foco do problema.

— Ah! Eu tenho que te contar uma coisa que eu descobri. – disse Bia.

— Ai meu Deus! Se for notícia ruim, nem precisa contar.

— Não, não é ruim. Mas vai balançar esse seu coraçãozinho, amiga. – disse sorrindo.

Daniel, que ainda estava lá dentro ouvindo a conversa, se interessou pelo assunto. Um novo rival?

— Nem o JP, nem o Nicolas tinham que ser seu primeiro namorado, Julie.

— Ahh que bom! Agora você vem falar isso. Não foi você que me empurrou literalmente pra cima do JP?

— É o que parecia. As cartas foram claras.

Daniel prestava muita atenção à conversa das duas. Que negócio era esse de outro primeiro namorado?

— Bia, muito obrigada! Você está tentando, mas não vai me confundir. Eu lembro que a cartomante falou que meu primeiro namorado seria alguém que me devolvesse uma coisa que eu nem sabia que tinha perdido.

— E é isso mesmo. Só que eu descobri que não era pro JP te devolver esse cordão.

— Não?

— Não. Foi alguém que ficou com medo de se declarar e por isso colocou o seu cordão perto da carteira do JP.

— E de onde você tirou essa história mirabolante?

— Eu escutei os três conversando lá na edícula: o Daniel, o Félix e o Martin.

Bia olhou pra ela sorrindo.

Aquilo conseguiu fazer Julie parar de chorar na hora. Ficou pensando nisso, tentando juntar os fatos. Naquela época ela e o Daniel estavam muito próximos. E ela chegou a pensar que podia ser ele. Então, não estava enganada.

— Bia. Você lembra que eu cheguei a pensar que era o Daniel?

— Lembro. Você estava certa. E agora como vai ser?

Nisso Julie percebeu que ainda não havia pedido desculpas pra ele.

Daniel não esperava por essa. Devia ter tomado mais cuidado.

“Essa Bia é muito esperta! Agora é que a Julie vai ‘se achar’ mesmo.”

No fundo, adorou que ela tivesse descoberto. Mas nem por isso esqueceu tudo que Julie tinha falado dele. Ainda estava com muita raiva de ter sido humilhado.

No dia seguinte Juliana foi pra aula. Estava bastante abatida. Sentou desanimada na carteira e começou a rascunhar uma canção.

Quando Talita entrou na sala e a viu assim, sabia que tinha conseguido atingir seu alvo. Sentiu-se muito bem com isso.

“Um dia é da caça o outro do caçador... ahhh... se ela estava assim é porque merecia” – pensou.

Nicolas não foi à aula, pra aumentar a tristeza de Julie. Ela esperava que o namorado pelo menos desse uma satisfação.

Bia tentou animá-la, sem sucesso.

Na saída, Talita passou por ela implicando:

— Ahh o Pedrinho te entregou o livro que eu mandei? Muito interessante, não é? Você precisa ler.

E saiu rindo.

Como era muito previsível que Talita faria alguma coisa, Félix e Martin decidiram acompanhar Julie na saída, sem que ela soubesse.

Ao ver Julie chorando, Félix resolveu ir atrás de Talita. Quando chegou perto ficou visível pra ela. Segurando no seu braço, falou:

— Oi! Tá satisfeita com o que fez?

E a encarou furioso.

— Me solta! Me deixa! Eu vou gritar! Socorro!

Todo mundo na rua ficou olhando pra ela com cara de espanto. Uma mulher passou cochichando com a outra:

— Essa garota está completamente pirada.

— Eu vou chamar a polícia pra te prender, seu esquisito! – Talita esbravejou.

Félix a puxou até um beco. E então disse:

— Você não tá vendo que está chamando a atenção? Eu só vim te avisar pra você sair de perto da Julie. Ela é uma pessoa muito boa e linda, não tem que se misturar com uma garota fútil como você!

— Você não se enxerga! Vou te entregar pra polícia e vai ser agora. – ela disse.

Correu em direção a um policial que estava por perto.

— Senhor, esse cara ali está me perturbando! Ele tá querendo me atacar faz dias!

— Quem, senhorita? Não estou vendo ninguém.

Felix estava parado no mesmo lugar de antes. Só que ela era a única que conseguia vê-lo.

— Ali!

Apontou em direção a ele.

— Aquele cara ali esquisito, pálido, com olhos pintados.

O guarda balançou a cabeça em negação.

Ela continuou falando:

— Ele tá vestindo uma camisa cafona com gravata.

“Nossa, nunca tinha percebido que esse é o cara mais bizarro que eu já vi na minha vida!” – Talita pensou.

— Como é que a senhorita se chama?

— Talita. Por quê?

— Qual é o seu telefone?

— Por que o senhor está fazendo essas perguntas? Não vai atrás dele não?

— Vou ligar pra sua casa e avisar seu responsável pra vir te buscar no posto de saúde. Eles vão te examinar, porque a senhorita deve estar drogada.

— Que isso! O Senhor está louco! Ele está bem ali, olha!

Quando ela se virou, Félix já não estava mais lá.

Notas finais
Olha o destino dando uma forcinha aí... que acharam? O Nicolas vai conseguir sair dessa? Daniel vai perdoar Julie pelo que ela fez ou primeiro vai pisar um pouquinho nela? O que será que vai acontecer?