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19 Capítulo 19 - Declarando-se ou Quase


Notas iniciais
Julie e Daniel ainda estavam brigados, mas pelo menos Talita já estava começando a colher o que plantou. Esse capítulo é especial pra mim. Escrevi tentando colocar muita emoção. Sugiro que vocês ouçam a canção "Alone" da banda Heart. É perfeita para o momento que sugeri e linda também. Consegue passar toda a emoção que tentei com as palavras. No meio do capítulo tem um momento em que eu indico que a canção começa dali em diante. Espero que gostem. Obs.: Por favor, comentem. ;) Deixem algum recadinho depois de lerem, mesmo que a história já tenha sido concluída. Pelo menos em 1 dos capítulos da história. É super-importante esse retorno de vocês. Muito obrigada por acompanharem.

Martin foi fazendo companhia pra Julie até a sua casa.

Quando chegaram, ouviram o som de uma guitarra estridente. Daniel estava tocando.

Julie sabia que tinha sido muito injusta com ele e tinha medo dele nunca perdoá-la e pior ainda, dele ir embora.

— O que é isso? – disse Martin.

The Vines. Aprendi hoje. – Daniel gritou.

“I WANNA GET FREE, I WANNA GET FREE...”

Julie dá uma olhada para Martin. Ele viu que estava sobrando e pediu licença pra sair dali.

— Daniel, eu quero te pedir desculpas. – Julie falou.

Mas ele nem parou de tocar. Ela estava com medo dele não entender.

— Pedir desculpas pra mim? – ele disse ironicamente.

— Me desculpe Daniel. Eu errei com você. Sinto muito ter te julgado.

Ainda tocando bem alto ele fala com raiva:

— Você acha que o mundo gira ao redor do seu umbigo, não é?

— Não! Eu juro que não estou me sentindo bem por ter feito isso com você.

Esperou ele dizer algo, mas como isso não aconteceu, ela gritou:

— EU VOU TERMINAR MEU NAMORO COM O NICOLAS!

Daniel parou de tocar imediatamente. Tudo ficou em silêncio por alguns segundos. Ficou feliz por dentro, mas não podia demonstrar. Tinha que falar algumas verdades que estavam engasgadas.

— É por isso que acreditou em mim, não é? Descobriu que o “Nicolas” não era o coitadinho que você pensava? Eu só queria te alertar, porque, mesmo você namorando outra pessoa, eu ainda fui seu amigo.

Julie ficou sem graça. Ela realmente não viu por esse lado. Mas tentou se explicar.

— Daniel, pense bem. Era muito suspeito você me dando conselho pra eu terminar meu namoro? Você não acha?

— Então você acha que eu devia ter deixado você quebrar a cara sozinha?

Ela olhou pra baixo. De fato ele havia tentado ajudar e ela tinha duvidado.

— Daniel, me desculpa.

Olhou pra ele esperando uma resposta.

Daniel já ia continuar falando, mas então parou e ficou olhando pra ela, mais uma vez hipnotizado. Aqueles olhos...

“Por que ela sempre é tão sincera... por quê?” – se perguntou.

— Você vai me desculpar, Daniel?

Ele suspirou alto, sem esboçar nenhuma simpatia.

— Sim. Mas saiba que essa é a última vez!

E ela o abraçou depois lhe deu um beijo no rosto.

.

À noite, Daniel entrou no quarto de Julie sem fazer barulho. Ela já estava dormindo. Abriu a gaveta da mesinha e pegou o anel. Com muito cuidado o colocou no dedo dela. Ele também usava o seu. E dessa vez sabia que daria certo. Difícil seria conseguir dormir.

— Só quero que você saiba o quanto eu te amo, Juliana. E essa noite você vai saber. – ele falou baixinho.

Encostou-se em um canto do quarto e adormeceu também.

...............................

De repente, ele percebeu que estava subindo uma escada, passando por corredores e portas. Virou à esquerda e viu uma luz acesa. Parou na porta. Era a sala de aula de Julie, que estava sentada, virada de costas.

— Julie! – ele chamou.

Ela se virou, mas não era a Julie. Era Clarisse!

— Daniel! Finalmente te encontrei, meu amor.

Daniel saiu correndo. Desceu as escadas e apareceu no parque onde tinha tentado beijar Julie. Nisso ele avistou uma garota sentada no balanço. Foi andando em sua direção e sorriu. Era ela.

Sentou-se no mesmo balanço que sentara naquele dia.

— Daniel, estava pensando em você. – Julie disse, sorrindo.

— Que coincidência, não?

— Como me achou aqui?

— Eu só vim por sua causa.

— Algum problema?

— Eu quero conversar com você. Tá a fim de vir comigo?

♫ (Música: Alone — Heart)

Julie foi seguindo Daniel. Eles passaram por uma estrada linda. Desceram uma trilha e de repente se viram numa praia. O mar estava agitado. Ele a levou até umas pedras. Depois subiram e se sentaram de frente para o horizonte.

— O sol está quase se pondo... – disse Daniel.

— É lindo! Parece até um sonho... Eu estou sonhando? – Julie se deu conta por uns instantes.

— É um sonho real. – disse Daniel, sorrindo.

O sol se pondo visto das pedras é um espetáculo da Natureza. Todas as cores se misturam: azul, branco, vermelho, laranja e lilás. O céu vai ficando imenso, juntando-se ao mar. As estrelas começam a surgir, uma a uma. Logo tudo estava estrelado. Todas ao redor da lua crescente acompanhada de uma estrela solitária.

Julie estende a mão em direção à Lua, Daniel faz o mesmo. Suas mãos se tocam. Eles observam o céu...a lua... suas mãos... seus anéis... e então Julie diz:

— Daniel, acho que agora eu entendi tudo. Quando nós estamos usando este anel...

Ele coloca os dedos sobre seus lábios e diz:

— Shhh... Não fale nada, apenas sinta...

.......................

O vento soprava seus longos cabelos.

De vez em quando uma neblina surgia do nada, e ela podia jurar que via Daniel um pouco diferente... com outra aparência, mas era só um relance... e quando a neblina dissipava ela voltava a vê-lo do mesmo jeito.

O vento desmanchava os cabelos dela. Daniel arrumou uma mecha que estava em seu rosto. Seus olhares se cruzaram e ficaram assim por um tempo.

— Já te falei que você tem uma boca muito bonita?

— Não. –Julie sorriu. — Você já me disse que eu tenho uma boca um pouquinho torta.

— Então, você tem uma boca muito bonita e um pouquinho torta!

— Hahahaha. E o que mais?

— Já te falei que... Eu estou apaixonado por você?

Eles se olharam fixamente. Havia um magnetismo entre os dois.

Foram se aproximando e finalmente seus lábios se encontraram, pela primeira vez. Um beijo apaixonado, longo e indescritível. Não um beijo comum; era intenso, selvagem, doce, quente. Daniel se afasta um pouco, olha nos olhos de Julie e diz:

— Eu te amo, Julie, muito! Tentei ficar longe de você, mas não consegui...

Se abraçaram apertado, invadidos por um sentimento de felicidade imenso.

Julie queria tanto que aquele sonho fosse verdadeiro...

E voltaram a se beijar. Ele enrosca seus dedos entre os cabelos dela, sente seu perfume, vai deslizando suas mãos pela sua nuca até suas costas. Julie não consegue pensar em nada, somente nos seus beijos. Suas mãos desfazem os cachos dourados de Daniel, depois o abraça.

— Eu te amo, Julie. – ele sussurra. — Nunca me deixe!

E continuam abraçados.

Essa sensação durou alguns minutos, até que Julie vai despertando e se dá conta de que estava sonhando. Mas era um sonho tão real que... instintivamente colocou os dedos sobre seus lábios. Ela sentia que tinha sido beijada de verdade. De repente ela olha pra sua mão e vê o anel. Senta-se na cama e o tira.

“Eu dormi sem esse anel, tenho certeza...” – pensou.

Invisível, Daniel fica olhando para ela. Seus olhos brilhavam e sua boca estava paralisada com um sorriso bobo.

E Julie ficou pensando no sonho e percebeu que foi muito mais do que isso.

Notas finais
Quero muito ouvir comentários a respeito, o que sentiram, se queriam outra música ou então não queriam que fosse assim. Obrigada!