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13 Capítulo 13 - À Procura de Um Guitarrista


Julie chegou em casa, foi direto pra edícula. Chamou Daniel, Martin e Félix. Os dois últimos apareceram e disseram que Daniel estava andando por aí.

— Eu fiquei sabendo de uma oportunidade imperdível hoje. Um concurso na TV para eleger a banda revelação do ano! – Julie falou, empolgada.

Todos sorriram. Aquela era a melhor oportunidade que já tinha aparecido.

— Só que, Julie, você sabe né. O Daniel ainda não apareceu pra ensaiar. Disse que ia dar um tempo. E nós não fazemos ideia de onde ele esteja. – disse Martim

Julie tinha pensado em Daniel a manhã toda. “Será que o sonho era uma premonição”? — Preciso da ajuda de vocês. É... eu queria saber onde fica o cemitério onde ele foi... enterrado. – Julie falou meio sem jeito.

— Nós três fomos enterrados no mesmo cemitério – disse Martin. — Mas por que isso agora?

— É que eu queria ir até lá. Vocês me ajudam?

Félix ficou paralisado... mal conseguiu falar. — N-não dá, eu... não consigo pisar na...quele lugar.

— Eu posso te levar até lá, mas prefiro não entrar... sabe, é estranho. – disse Martin.

— Me leve então, Martim. O resto eu dou um jeito.

Eles saíram de casa logo após o almoço. Caminharam quase uma hora. Quando chegaram ao portão do cemitério, Martin disse:

— Então Julie... é aqui. Você vai caminhando nessa alameda direto e vira pra direita. Não lembro o número. Faz muito tempo que não venho aqui. Eu vou ficar te esperando do lado de fora.

Julie entrou, foi caminhando pelo cemitério e começou a reconhecer aquele lugar. Era idêntico ao seu sonho. Apenas seguiu o caminho que se lembrava e então começou a escutar uma voz ao longe:

Como dói perceber que o fim chegou tão depressa, E eu
Não tive tempo de provar pra você

Que eu poderia ser o seu, maior segredo é o que eu mais desejo, será...
Que se eu fechar os olhos você vai aparecer aqui

Ela parou pra não chamar a atenção e continuou ouvindo. Era a voz de Daniel. Mas ela nunca tinha ouvido essa música, era linda!


Dias passam enquanto eu penso em uma forma de mudar....
A quem estou querendo enganar?

Quem sou eu pra mudar o que o Mundo escolheu
O que o mundo escolheu para mim, tenho que aceitar, que é melhor assim

Quem sou eu pra mudar o que o destino escolheu
O que o destino escolheu pra nós dois
Se eu partir, prometo não te procurar depois

Quanto mais chego perto mais não posso suportar
O fato de não poder te tocar

Como dói perceber que o fim chegou tão depressa, E eu..
Não tive tempo de provar pra você

Dias passam enquanto eu penso em uma forma de mudar....
A quem estou querendo enganar?

— Daniel. – ela falou suavemente. “Essa música é tão triste”...

Ele estava sentado no chão, invisível. Não tinha percebido que ela estava se aproximando e podia ouvir a sua voz.

Julie olhou pro túmulo, viu o nome dele escrito na lápide e engoliu seco.

— Oi Julie! – Daniel apareceu atrás dela.

— Aaaaaaiiiiii! Que susto! Nunca mais faça isso!

— Está procurando alguém? – ele continuou sendo irônico.

— Daniel, eu vim até aqui pra ver se está tudo bem, pra te contar uma novidade. Eu... como você está?

— Quem te contou que eu estava aqui?

Ela não queria falar que tinha sonhado com ele.

— Ahh foi o Félix. Foi ele quem me contou. – mentiu.

— Ele tinha que te contar, é claro!

— Daniel, eu vim aqui te pedir pra voltar a tocar. Estou sentindo muita falta de você, da banda, dos nossos ensaios. E agora apareceu uma oportunidade muito melhor do que todas as outras. Vamos tocar na TV! – Julie sorriu.

Se tinha uma coisa que Daniel não conseguia disfarçar era sua vaidade. Ficou todo envaidecido por ser o guitarrista da banda e por achar que sem ele nunca poderiam tocar.

— Tudo bem, Julie. Eu aceito voltar, pela banda! E deu um sorriso torto.

Ela o abraçou apertado, uma mistura de felicidade com saudade. Ficou assim por um longo tempo. Nenhum dos dois conseguia se soltar. Até Daniel se afastar um pouco, pois não podia permitir que aquele desejo voltasse. E estava a um passo de fazer uma loucura. Chegou pra trás, mas Julie segurou uma de suas mãos.

— Daniel, eu queria te fazer uma pergunta. Sem desviar o olhar, ela disse: – Foi o Nicolas que falou aquilo sobre meus olhos?

— Foi? – sorriu com sarcasmo. — Pergunte pra ele!

Daniel continuou a encarando, até que ficasse sem graça e soltasse sua mão. Então ela viu que ele estava usando um anel idêntico ao que tinha lhe dado. Ficou intrigada com aquilo, mas resolveu não tocar no assunto. Mesmo sem vontade foi chegando pra trás e se despedindo.

— Nós estamos te esperando lá na edícula. Não demore.

E foi andando. Quando virou pra trás ele ainda a olhava.

Notas finais
Vocês acham que Julie vai começar a enxergar alguma coisa diferente no Daniel?