Apenas mas uma de amor
42 Jacob- Aurora. Nove anos. Minha filha.
Quando voltei ao hotel, minha determinação era inabalável. Não importava como, eu precisava ouvir o que Renesmee tinha a dizer.
Na recepção, me aproximei da recepcionista, uma jovem que parecia nervosa ao me ver novamente.
— Preciso de um favor — disse, com a voz baixa e um sorriso que sabia ser convincente. — Qual é o número da suíte da senhorita Cullen?
— Eu não posso... — Ela hesitou, olhando para os lados, como se temesse que alguém ouvisse.
— Vamos, ninguém vai saber que foi você. Prometo. — Inclinei-me levemente, fixando meu olhar no dela.
Ela mordeu o lábio, indecisa, mas finalmente murmurou o número.
— Por favor, não diga que fui eu.
— Palavra de honra. — Pisquei para ela antes de me afastar, caminhando em direção ao elevador.
No andar indicado, segui pelo corredor até a porta da suíte. Meu coração batia rápido, mas não era nervosismo, e sim a adrenalina de estar tão perto de descobrir o que ela queria dizer. Toquei a campainha e esperei.
Depois de alguns minutos, a porta se abriu, revelando Renesmee com uma expressão de espanto no rosto.
— Jacob?! Como você...
Não a deixei terminar.
— Sei que você me procurou para me dizer algo, e eu quero saber o que é. — Passei por ela, entrando na suíte sem pedir permissão.
Renesmee fechou a porta devagar, cruzando os braços e me encarando com uma mistura de surpresa e irritação.
— Isso é invasão, sabia?
— Talvez. Mas você me deixou com mais perguntas do que respostas, Nessie.
Ela suspirou, desviando o olhar, claramente nervosa.
— Não era assim que eu queria ter essa conversa.
— Então vamos fazer do seu jeito. Fale, eu estou ouvindo.
Sentei-me na poltrona próxima, tentando parecer mais calmo do que me sentia, enquanto ela permanecia de pé, mordendo o lábio como fazia quando estava indecisa.
— Não é tão simples, Jacob.
— Nessie, eu não vim até aqui para receber mais enigmas. Diga o que precisa dizer.
Ela respirou fundo, hesitando por um momento, antes de finalmente começar.
Eu a observei em silêncio, mas por dentro, tudo estava um caos. Havia algo nos olhos de Renesmee, aquele brilho inquieto, misturado com nervosismo e dor, que me deixava com um pressentimento terrível.
Ela começou a falar, a voz baixa, carregada de emoção.
— Os três primeiros meses em Amsterdã foram difíceis... pesadelos constantes, culpa, medo... — Seus olhos estavam fixos no chão, como se cada palavra fosse um peso que ela mal conseguia carregar.
Eu não a interrompi, mesmo que cada fibra do meu ser quisesse pedir explicações, exigir respostas.
— No quarto mês... — Renesmee fechou os olhos, respirando fundo antes de continuar. — No quarto mês, eu descobri que estava grávida.
As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. Por um momento, tudo ao meu redor desapareceu, e só o som da minha respiração pesada preenchia o silêncio.
— Grávida? — Minha voz saiu rouca, quase um sussurro.
Ela não me olhou, mantendo os olhos fixos em algum ponto distante da sala.
— Eu não sabia se o bebê era seu ou de Tom... e fiquei desesperada. Mesmo com o apoio da minha família, foi muito difícil. Então decidi... — Ela hesitou, as mãos tremendo levemente. — Decidi que doaria o bebê quando nascesse.
— Você decidiu o quê? — Levantei-me tão rápido que quase derrubei a poltrona. Eu estava em choque, uma mistura de raiva, dor e incredulidade me dominando. Dei um passo em direção a ela, minha voz mais firme agora. — Nessie, você sabia que a criança podia ser minha. Por que não me procurou?
Ela finalmente me encarou, lágrimas escorrendo por seu rosto.
— Eu estava com medo, Jacob. Medo de tudo. Medo de você me odiar, medo de... de não saber lidar com isso.
— E a criança? — Minha voz era um grito abafado de desespero. — O que você fez com ela, Nessie?
Renesmee fechou os olhos novamente, como se buscar forças para dizer o que vinha a seguir. Quando falou, sua voz estava trêmula.
— Quando ela nasceu... o medo acabou. A dor, as dúvidas... tudo desapareceu. Porque ela era igual a você. Jacob, ela era igualzinha a você.
As palavras dela me paralisaram.
— Está dizendo que... que você teve um filho meu?
Renesmee chorava incontrolavelmente agora, e eu a segurei pelos ombros, forçando-a a me encarar.
— Responda, Nessie. Eu preciso ouvir isso de você.
Ela assentiu, soluçando.
— Sim, Jacob. Uma filha. Ela se chama Aurora... e tem nove anos.
Minha mente foi tomada por um silêncio ensurdecedor. Soltei seus ombros e dei um passo para trás, tentando processar o que acabara de ouvir.
Uma filha. Nove anos.
Meu coração parecia prestes a explodir, e ao mesmo tempo, eu sentia como se não tivesse ar suficiente nos pulmões.
— Aurora... — murmurei, como se testar o nome em voz alta fosse torná-lo mais real.
Olhei para Renesmee, que ainda chorava, mas agora estava imóvel, esperando por minha reação. Eu não sabia como reagir. Fiquei ali, parado, com mil emoções me dominando e nenhuma resposta pronta para dar.
Eu ainda estava imóvel, tentando processar tudo. Aurora. Uma filha. Nove anos. E eu sequer sabia da existência dela.
Renesmee continuava falando, a voz trêmula, mas ainda tentando justificar o que, para mim, não tinha explicação.
— Jacob, eu não te procurei porque... porque achei que você estivesse com Leah. Que você tinha construído uma vida com ela e o filho de vocês.
A menção de Leah me fez franzir a testa, e minha revolta explodiu de vez.
— Isso não justifica nada, Renesmee! — Minha voz saiu mais alta do que pretendia. — Se eu tivesse um filho com Leah, isso não mudaria o fato de que Aurora tinha o mesmo direito de ter um pai.
Ela recuou, como se minhas palavras fossem um golpe, mas não me importei. A raiva e a dor estavam fervendo dentro de mim.
— Onde está minha filha, Nessie? — Eu estava quase gritando. — Por que você não a trouxe aqui?
— Eu... eu não sabia como você reagiria... — ela começou, mas minha paciência tinha acabado.
— Não sabia como eu reagiria? — Dei uma risada amarga, passando as mãos pelos cabelos. — Você decidiu por mim. Você decidiu esconder a minha filha de mim por nove anos, e agora aparece do nada e espera que eu fique calmo?
Renesmee chorava, mas eu estava cego pela minha revolta.
— Jacob, eu... eu tenho mais coisas para te contar. Coisas que você precisa saber.
Eu levantei a mão, interrompendo-a.
— Não agora. Não assim. Eu... eu não posso lidar com isso agora.
Ela tentou dizer algo, mas eu já estava caminhando em direção à porta.
— A gente conversa outra hora, Renesmee. Eu preciso me acalmar antes de fazer algo que eu possa me arrepender.
Saí do quarto, batendo a porta com força. Meus passos ecoaram pelo corredor até o elevador. Ao chegar ao carro, entrei, liguei o motor e, antes de sair, peguei o celular.
Disquei o número de Rachel.
— Jake? — ela atendeu quase imediatamente, sua voz carregada de preocupação.
— Preciso conversar, Rachel. Agora.
Ela ficou em silêncio por um momento, provavelmente percebendo o tom da minha voz.
— Estou em casa. Venha.
Desliguei sem dizer mais nada, jogando o celular no banco do passageiro. Respirei fundo e dirigi para a casa de Rachel, tentando manter minha cabeça no lugar. Mas tudo o que eu via era o rosto de Renesmee, as palavras dela ecoando na minha mente.
Aurora. Nove anos. Minha filha.
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