Notas iniciais
Estava só esperando o Nyah voltar!
Bom, espero que ainda tenha gente lendo, né?! rs
Desculpa pela demora.

- Ei, Daniela, minha filha, tá na hora de levantar! – eu só senti alguém me balançando, até eu me situar e perceber que era minha mãe, foi uma luta.

- Não, mãe, meu celular ainda não tocou! – eu disse virando pro outro lado, foi quando senti alguma coisa embaixo de mim.

- Pois acho que você se esqueceu de colocar pra despertar, porque não tocou nada! Agora levanta, senão você vai se atrasar! – ela disse já se levantando e saindo.

- Aai, que sono! – eu disse enquanto ficava sentada na cama, acordando ainda. Olhei pro lado e lá estava “A” carta, acabei pegando no sono depois de tanto pensar e pensar e não chegar a conclusão nenhuma, por isso devo ter esquecido de colocar o celular pra despertar. Eu peguei a carta e li rapidinho antes de me levantar e ir tomar banho.

Tomei banho de água gelada pra acordar mesmo, escovei os dentes e fui me arrumar.

- Ah, finalmente! Bom dia! – minha mãe disse quando apareci na cozinha.

- Oi. – eu disse me sentando na cadeira sem animação.

- Bom, vou ignorar esse desânimo e perguntar: O que estava escrito na carta? – ela perguntou enquanto eu tomava um gole do meu suco.

- Vou pegar, perai. – eu disse me levantando, fui até meu quarto e voltei com a carta já entregando.

- Vamos ver... – ela disse enquanto abria a carta.

Eu fiquei só no suco de maracujá mesmo e enquanto eu bebia, eu observava suas expressões, mas nada encontrei além de concentração.

- Então...? – eu perguntei já curiosa, assim que ela me devolveu a carta.

- Um pouco estranho, não acha? – ela perguntou franzindo a testa

- Como assim?

- Não sei, essa pessoa fala como se estivesse bem perto de você e isso não me agrada por não saber quem é.

- Mas mãe, eu não estou com medo... – eu disse girando uma colher na mesa

- Mesmo assim, filha, isso não é muito legal. Quero que tome cuidado, ok? – eu apenas balancei a cabeça em sinal de positivo. – Faz alguma idéia de quem seja?

- Não mesmo. Eu já pensei e pensei e nada.

- Hum... enquanto essa pessoa não se “revela”, fique atenta. Agora vamos. – ela disse levantando.

Foi o tempo de eu pegar minha mochila, dar uma olhada rápida no espelho, guardar a carta na minha gaveta e sair de casa.

Minha mãe foi o caminho todo falando que eu devia tomar cuidado, porque poderia ser alguém querendo fazer uma gracinha comigo, ou até mesmo, fazer mal.

- Obrigada, mãe. Até mais. – eu disse já saindo do carro

- Ei, hoje eu venho te buscar, tá?

- É? Ah, ok, então. Beijos.

- Beijos, filha. – ela disse assim que fechei a porta do carro.

Quando eu cheguei, as turmas já haviam subido, consegui chegar bem na hora que iam fechar o portão.

- Perdeu a hora, é? – Priscila perguntou virando pra mim enquanto eu sentava ao lado da Amanda.

- Bom dia pra você também. – eu disse dando um sorriso sarcástico

- Perdeu a DR que o Pedro teve com a Raquel na nossa frente, pensei que ele ia terminar com ela.

- Eles brigaram feio?

- Eles não gritaram nem nada, mas ela tava cobrando umas coisas dele, enfim, ciúmes como sempre da Mandy aqui. – ela disse rindo da Amanda que ficou sem graça

- Aliás, olá! – eu disse pra Amanda. – É que a Priscila fica me alugando, sabe?

- É, eu percebi. – ela disse dando um sorrisinho

- Sempre culpa minha. Agora olha ali, lá vem o garanhão. – Priscila disse assim que o Pedro sentou.

- Sério, eu não tô mais agüentando isso! Eu só não termino porque eu tenho carinho por ela. – ele disse bufando.

- Você não gosta mesmo dela, Pê? – eu perguntei apoiando a cabeça em uma mão.

- Gostar eu gosto, né Dani?! Mas não como ela gosta de mim. Eu gosto da companhia dela, do jeito dela e tudo o mais. Mas não é AQUELA coisa, entende?

- Acho que sim. – eu disse pensando

- O que você faria? – ele perguntou olhando pra mim. Eu fiquei olhando pra ele um tempo, e à essa altura os três já esperavam uma resposta.

- Bom, Pedro, acho que eu terminava. Seguinte, se você não gosta realmente dela até agora como você queria, você não vai gostar mais, vocês já têm convivência, se fosse pro sentimento mudar, acho que já teria mudado. E prolongar isso, só aumenta o quanto ela vai sofrer. Mas não sei, pode ser uma coisa diferente pra você.

- Não não, eu penso assim também. E foi até bom você falar isso, vou terminar mesmo.

- Mas vê se é isso mesmo que você quer, ok?! Não quero te influenciar em nada, apesar de achar que já influenciei. – eu disse me sentindo culpada pela Raquel

- Não, Dani, eu já queria fazer isso mesmo. Fica tranqüila, nem vou te envolver nisso. – ele disse piscando pra mim e se virando pra frente quando o professor entrou pedindo desculpa pela demora.

Finalmente as provas finais estavam chegando e íamos terminar. O professor à pedido da direção falou mais um pouco sobre a formatura e deu detalhes. Pelo que ele falou, a festa vai ser bem legal mesmo.

As aulas passaram até rápido, eu e a Amanda conversamos normalmente, às vezes nossos olhares cruzavam, aí aos poucos vinha um sorriso.

Na hora de ir embora, o Pedro falou que ia falar com a Raquel, pediu boa sorte e se foi.

- Vocês querem carona? – eu perguntei enquanto a gente saía do colégio.

- Sua mãe vem te buscar? – Priscila perguntou

- Já veio! – eu disse apontando pro carro da minha mãe estacionado.

- Bom, eu vou aceitar, já que você insiste. – Priscila disse fazendo a gente rir

- E você, vem também, né?! – eu perguntei me virando pra Amanda

- Como a Pri disse: Já que você insiste. – nós rimos mais um pouco e fomos pro carro

- Oi meninas. – minha mãe disse ligando o carro

- Oi tia.

- Oi mãe. – eu disse colocando o cinto

Como sempre a conversa rolou solta dentro do carro, até eu sentir meu celular vibrar no bolso e começar a tocar. Quase não acreditei quando vi quem era.

- Letícia? – eu disse atendendo com um espanto. Há quanto não nos falávamos, perdemos contato do nada, muito estranho ela me ligar assim, de repente. Ou então, lembrou de mim.

- Daniela? Nossa, que bom que continua com o mesmo número, fiquei com medo de ter trocado. Quanto tempo!

- Quanto tempo digo eu! Você sumiu!

- Sumimos, você quer dizer. Mas então, eu tô te ligando pra fazer um convite.

- Ah, é?! Faça.

- Então, meu aniversário é sábado agora, caso você ainda lembre, né?! – deu uma pausa rindo e prosseguiu: — Vou dar uma festa aqui em casa, e faço questão que você venha, faço muita questão.

- Claro, vou sim. É bom que a gente conversa.

- Isso mesmo, coloca o papo em dia, matar saudade e tudo o mais.

- Sim. Posso levar duas amigas?

- Pode sim. Quanto mais gente, melhor. Mas promete que você vem? – Eu tava estranhando um pouco esse comportamento, mas nada disse.

- Prometo sim.

- Acredite, vai fazer bem pra você. – ela disse do nada

- Como assim? – eu perguntei franzindo a testa

- Nada. Só quis dizer que você vai aproveitar bastante.

- Hum... sei, ok, então. Sábado a gente se vê.

- Valeu, então, Dani. Até sábado.

- Beijos, Lê.

- Beijinhos. – ela disse e desligou

- Nossa, que surpresa! – eu disse pensando alto

- Quem era? – Priscila perguntou

- Lembra da Letícia?

- Aquela sua amiga? – ela perguntou com um tom diferente

- Sim.

- Você ainda fala com ela?

- Pois essa é a surpresa, não nos falamos tem um tempão já.

- E o que ela queria? Vai começar a te ligar toda hora? – ela perguntou. Agora eu me lembrei, a Priscila tinha/tem ciúmes da minha amizade com a Letícia.

- Ih, nem é ciumenta essa minha amiga, né?! – eu disse rindo e virando pra olhar pra ela que continuou calada só me olhando. Amanda me olhava com certa curiosidade também.

- Ela me chamou pro aniversário dela. Aliás, vocês também vão.

- Quando? – Amanda perguntou

- Sábado.

- Sábado nem dá pra mim! – ela disse

- Ah, faz um esforço, vê aí! – eu disse fazendo cara de dengo.

- Hum... vou tentar, mas acho meio difícil.

- E você, ciumenta?

- Vou ignorar esse comentário ridículo por respeito à sua mãe.

- Opa, pelo menos isso, né?! – eu disse rindo e ela levantou um pouco a mão e mostrou o dedo do meio, sem que a minha mãe pudesse ver. Eu tive que rir mais ainda

- Enfim, eu é que não vou na casa dessa menina.

- Deixa de graça, Priscila. A Lê é super legal.

- Nossa, minha máquina do tempo funciona, parece que voltei ao tempo que você me falava isso sempre. – ela disse bufando

- Você sabe que você vai.

- Por quê? – ela perguntou

- Porque você sempre faz as minhas vontades.

- Vai nessa. – ela disse rindo.

Depois de convencer a Priscila, claro, a deixamos em casa. E a Amanda ficou de ver se conseguia ir ou não, o motivo ela não falou.

Eu e minha mãe fomos conversando o caminho todo, tanto que eu nem percebi que a gente tinha chegado. Eu virei um pouco para tirar o cinto e ela falou:

- Olha, é aquele ali!

- Oi? – eu disse virando pra ela, mas ela já tinha saído do carro, eu fiz o mesmo e quando olhei pra porta de casa, tinha um rapaz, devia ser um pouco mais velho que eu, ele estava abaixado na porta, como se estivesse colocando alguma coisa, não me parecia ser carteiro.

Confesso que eu ri do susto que ele levou ao ver minha mãe parada atrás dele o observando.

- De novo você por aqui? – minha mãe perguntou. O garoto ficou nos olhando um tempo, ele ficou me olhando e me analisando, e assim como minha mãe eu esperava uma resposta. Quando ele começou a falar, gaguejou um pouco, mas conseguiu falar:

- É, desculpe, eu só estava entregando a carta. Eu fiz questão de garantir que ela está lá dentro. Não quis incomodar. – ele disse isso me olhando. Ele era alto e tinha olhos castanhos escuros, bem escuros mesmo, cabelos pretos e um pouco arrepiado na frente, e a sua pele é branquinha.

- Hum... tudo bem, eu acho. – minha mãe disse indo em direção à porta. Ele saiu de frente da mesma e deu um breve “tchau” pra gente. Mas eu queria falar com ele, o chamei e disse pra minha mãe que ela podia entrar, ela me olhou com uma cara, mas permitiu, mas disse que deixaria a porta aberta.

- Olha, é melhor eu ir embora. – ele disse passando a mão no cabelo

- Calma. Só me diz uma coisa: quem tá mandando essas cartas? – ele soltou uma leve risada

- Você fez exatamente a pergunta que eu não posso responder, Daniela. – quando ele disse meu nome, eu franzi a testa, e acho que ele percebeu minha surpresa: — Eu deveria saber pra quem estou entregando, não? – ele disse com um tom sarcástico

- E por que essa pessoa não entrega pessoalmente? – eu perguntei ignorando sua pergunta.

- Eu realmente não tenho direito de falar nada. Mas fica tranqüila, logo logo você vai descobrir. – ele disse piscando e virando.

- Espera aí! – eu pedi e ele virou. – Você não é carteiro de verdade, né?! – eu perguntei levantando a sobrancelha

- Apesar de estar fazendo muito bem esse trabalho, não, não sou. – ele disse rindo

- Ah sim. Essa dúvida tava matando a minha mãe. – eu disse rindo também. Ele riu mais ainda e me deu tchau. E dessa vez ele foi mesmo.