A primeira aula foi um saco, eu não aguentava mas ouvir fofoquinhas a meu respeito, eu era assim, quando apenas fã, mas agora que eu era namorada, sabia o quanto é ruím. As primeiras horas dentro do colégio foram angustiantes, todos me olhavam com outros olhos, tentando entender o que o Conrado havia encontrado em mim. Era horrível ver todos aqueles rostos virados para mim sem poder fazer nada. O sinal que anunciava que estava na hora do recreio tocou e eu arrumei minhas coisas para ir até o refeitório. Comprei uma Fanta Laranja e me sentei na mesa mais distânte e vazia possível.

-Posso me sentar aqui?- Perguntou um menino, muito bonito por sinal. Tinha olhos verdes e cabelos castanhos claros meio encaracolado. Já tinha o visto hoje em algum lugar, acho que ele é da minha sala.

-Pode, claro.- Disse, abaixando a cabeça enquanto o menino sentava.

-Você tá bem?- Ele perguntou.

-Aham, estou sim.- Respondi em voz baixa.

-Pois não parece.- Ele respondeu e deu um belo sorriso quando o olhei. -Prazer, meu nome é Vinícius.- Completou, parando sua mãe no ar, para que eu a apertasse.

-Pazer, Beatriz.- Respondi, dando um pequeno sorriso para retribuir.

-É, nem precisava dizer. Acho que a escola toda já sabe.- Disse ele revirando os olhos, como quem faz pouco caso.

-É... Imaginei.- Disse, olhando em volta.

-Eu vi você lá na sala. Você não estava com uma cara amigável.- Disse ele, arregalando os olhos e colocando a mãe na boca, como quem acaba de escutar um grande segredo. O que me fez rir. — Uhul, até que enfim um risinho saiu dessa pessoa.- Disse ele, um pouco acima do tom.

-Fala baixo.- Disse olhando em volta.

-Calma, todo mundo está olhando pra você mesmo. Enquanto eles não esquecerem que você é namorada daquele muleque, eles não vão parar.- Disse ele. Pelo visto ele não era muito fã do Con. E eu abaixei a cabeça, encostando-a na parte frontal do mei braço. — Todo mundo viu quando ele chegou de carro na porta da escola... Aquilo não foi muito legal para o primeiro dia.- Disse ele.

Quem ele achava que era? Como ele chega assim, falando essas coisas? Já chega...

-Olha, muito obrigada, mas eu já sei que não foi muito legal. Agora me dá licença, que eu tenho que ir.- Disse para ele, levantando e indo na direção dos corredores que levavam às salas de aula. Ainda não tinha ninguém na sala, então eu sentei, abaixei a cabeça e conectei meu mp3. Algumas lágrimas queria brotar nos meus olhos, mas eu tinha que ser forte agora. Era apenas o primeiro dia, ainda terei chance de ser uma garota normal. Ouvi meu telefone tocando, fiquei com medo de quem poderia ser, mas mesmo assim atendi, sem olhar a identificação.

-Alô?- Perguntei, com a voz um pouco rouca.

-Oi, Bea. Fiquei sabendo que ser recreio era esse horário. O que aconteceu, você tá chorando?- Perguntou o Gee. E eu fiquei aliviada por ouvir a voz do meu amigo.

-Não, Gee. Só estou um pouco... cansada.- Menti, mas eu não era boa nisso. Não sabia mentir para o Gee.

-O que aconteceu?- Perguntou ele e eu sabia que ele não ia sossegar enquanto não escutasse a verdade.

-Gee, o meu sinal vai tocar a qualquer momento e todos vão entrar na sala. Não é muito bom ficar falando no telefone.

-O que? Você não está no refeitório com o resto da turma?- Perguntou ele, sem dar atenção ao sentido da frase.

-Gee... Quando eu chegar em casa!- Disse fazendo birra.

-Ok, ok! Já estou aqui, só vou ir gravar depois de você chegar.- Disse ele.

-Mas Gee..- Tentei.

-Mas nada! Tchau, tenta ficar bem! Te amo muito.- Disse ele.

-Te amo!- Respondi. E o sinal tocou novamente. Antes que os outos chegassem na sala, fui para a última cadeira da última fileira, bem no cantinho. E em menos de 10 minutos, os alunos começaram a entrar na sala. Vi quando Vinícius entrou e olhou para mim. Quando nosso olhar se encontrou, eu abaixei a cabeça, tentanto o ignorar.

-Obrigada pela simpatia, Beatriz!- Disse ele. — Eu só estava tentando te tratar como uma pessoa normal, como num primeiro dia de aula normal. Agora se você está chateada com alguma coisa, por favor, resolva com quem te chateou.- Disse ele e quando eu levatei a cabeça, ele se sentou na cadeira a minha frente.

Fiquei de boca aberta, enquanto o olhava. Como ele era abusado. Quem era ele para falar assim comigo? Ahrg, garoto chato!