A cada 20 minutos, eu via que Vinícius olhava para tras. A aula estava chata, para falar a verdade eu não estava bem um pouco interessada na aula, o que eu queria mesmo era ir para casa e dormir. NJão aguentava mas tantos cochichos, tantos olhares, tantas trocas de bilhetes. Os dois últimos tempo acabaram, finalmente. Arrumei minhas coisas rápido e fui para fora. Imaginei que o Con estaria me esperando aqui, mas graças a Deus, ele não estava. Minha casa não era tão distante da escola, então fui andando mesmo.


-Me desculpa, eu não queria falar daquele jeito com você. Mas eu sou muitode agir pelas emoções.- Disse Vinícius, vindo atrás de mim. E eu não respondi.


-É sério. Diz que me desculpa. Não quero que você fique chateada comigo, não quero passar essa impressão pra você.- Completou ele.


-Já passou.- Responsi, o mais rude possível.


-Po, meu, eu sei que você é difícil, mas libera aí, vai. Eu to tentanto me desculpar.- Dizia ele.


-Ok, Vinícius. Eu desculpo você.- Respondi, ainda sem olhar para ele.


-Não parece que você me desculpou.- Disse ele e eu o olhei.


-Vinícius, eu já te desculpei.- Disse olhando para ele.


-Então dá um abraço.- Disse ele, piscando os dois olhos. Eu ri e o abracei.


-Amigos?- Perguntou ele.


-Amigos!- Respondi, honestamente.


-Onde você mora?-Perguntou ele e eu expliquei o caminho.


-Ah, eu moro lá também. Moro na frente da casa do Leandro, o muleque é parceiro.- Disse ele.


-Ah, que legal.- Respondi.


-E então.. Você chegou a pouco tempo, eu sei, mas como era sua vida lá no Rio?- Perguntou ele.


-Você quer realmente saber?- Perguntei à ele.


-Claro.- Respondeu ele, sem ao menos pensar.


-Bom, eu era uma menina normal de 17 anos. Meu pai morreu quando eu tinha 14 e desde a morte dele, eu e minha mãe nos tornamos bem mais amigas. Minha melhor amiga mora lá também, é difícil nos vermos, mas a web cam rola solta lá em casa. Ela e minha mãe se uniram para levar o Nx no Rio. Eles iam ficar 3 dias, mas ficaram apenas dois por alguns motivos que prefiro não comentar. Eles ficaram divididos: Gee e Con na minha casa e o resto dos meninos da casa dela.- Disse e um filme se passava na minha cabeça.


-A gente sempre fui muito amiga e eu quero sempre ter a amizade dela. Ela é como se fosse uma segunda mãe. Minha madrinha é avó dela e assim nos aproximamos. Teve uma virada que foi o ponta-pé certeiro para nossa amizade. Juramos amizade eterna na beira do mar. íamos para o trio elétrico juntas. Maior farra... Até com o mesmo menino já ficamos no mesmo dia.- Disse sorrindo com as lembranças de Jayla.


-Desde que cheguei que só converso com ela por msn, sinto maior saudades dela. Acho que nas férias ela vem para cá. Te apresento ela.- Disse, sorrindo para ele.


-Vou adorar conhecer essa mina tão legal.- Ele disse, fitando o chão. -E você sempre foi fã de Nx Zero?- Perguntou ele.


-Sim, desde que os conheci que sou fã deles. Eu e essa amiga éramos muito fãs mesmo.- Disse para ele.


-Éram?- Perguntou ele. Mas já sabia a resposta.


-Ainda somos, claro. Ainda mais agora, que os conheço. Aprendi a admirá-los de outras formas.- Disse.


O papo estava tão bom, que nem percebi que já estava a alguns passos de casa.


-Bom, acho que já vou.- Disse Vinícius.


-Tá bom, Vinícius. Até amanhã.- Respondi.


-Ah, meu apelido é Gogoboy e o apelido do apelido é Gogo... Mas chama do que quiser.- Disse ele enquanto passava a mão no cabelo, o bagunçando.


-Quer entrar para conhecer minha mãe?- Perguntei. — Ela, com certeza, vai querer saber se fiz amigos e nada melhor do que mostrar um deles para ela. Ou melhor, ELE. — Respondi, dando um sorriso sem graça.


-Ah, claro.- Disse ele, indo na direção da minha casa.


Eu abri a porta e ele entrou, me esperou no corredor que dava para a cozinha, enquanto eu jogava minhas coisas no sofá. Segui para a cozinha e percebi que ele me seguia.


-Oi, mãe. Boa Tarde.- Disse dando um beijo no rosto dela.


-Boa Tarde, filha.- Ela retribuiu o beijo. Por alguns segundos um silêncio se formou pela cozinha.


-E quem é você?- Perguntou minha mãe para Gogo. Que ainda estava parado observando.


-Oi, meu nome é Vinícius.- Disse ele, estendendo a mão para ela.


-Ana. Tia Ana.- Disse minha mãe, apertando a mão dele.


-Ou, eu tô aqui.- Disse Gee, que estava sentado na mesa, quieto até agora.


-Oi, Gee.- Disse para ele e fui dar um abraço apertado nele.


-Oi, pequena.- Disse Gee, dando um beijo em minha testa.


-Acho que vocês já se conhecem.- Disse olhando para o Gee e em seguida para o Gogo.


-Só de vista.- Disse Gogo. -Fala aí, cara.- Completou Gogo, acenando para Gee.


-Tranquilo.- Disse Gee.


-Senta aqui com a gente, Gogo.- Disse para ele.


-Gogo?- Perguntou Gee, rindo.


-Apelidos, cara...- Disse Gogo, rindo também e se sentando do nosso lado.


-Você fica para o almoço, filho?- Perguntou minha mãe.


-Não, não precisa se incomodar.- Disse Gogo.


-Não é incômodo, filho.- Disse minha mãe.


-Sendo assim... Eu fico. O cheiro está maravilhoso.- Disse Gogo e minha mãe riu.


-Sai daí, muleque... A Tia é só minha.- Disse Gee, o que fez minha mãe gargalhar.


-Tudo bem, não queria mesmo.- Disse Gogo, dando de ombros e rindo.


E todos rimos juntos.