Apatia
6 Capítulo 06
Notas iniciais
“Nós já iremos.” Renji consentiu e Byakuya apenas observou, como de costume.
“Com licença.” Rikichi se retirou da sala.
“Mas que droga!” Renji gritou, quase arrancando os cabelos de raiva. Chamada do Kyouraku era o mesmo que ir para alguma missão que provavelmente, atrapalharia a paz daquela segunda feira. Que há poucos instantes parecia ser promissora.
“Vamos.” Byakuya foi em direção ao esquadrão de Shunsui, com Renji o seguindo. A raiva transformou-se em frustação. Os planos de Renji eram acabar logo com o mínimo trabalho do dia e depois ir comer Byakuya. Ou quase isso.
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“Kyouraku-taichou.” Renji adentrou a sala do esquadrão, mostrando um semblante respeitoso. “Com licença.” Renji falou, enquanto Byakuya apareceu logo atrás, em silêncio.
“Olá, meninos.” Shunsui ofereceu saquê para os dois, que logo recusaram. “Fiquei sabendo que vocês completaram o trabalho de três dias e estão desocupados. Que inveja.” Shunsui suspirou. “Tenho uma missão simples pra vocês.”
“Fale logo.” Byakuya, com sua impaciência de sempre, interrompeu a leve voz de Kyouraku.
“Calma garoto.” E suspirou novamente. “Tem uma horda de hollows se aproximando da cidade de Karakura. Como o Kuchiki-taichou pode acertar vários alvos de uma vez e a zanpakutou do Abarai-fukutaichou tem um longo alcance, vocês são os mais indicados para esta missão. Além de estarem sem trabalho no momento.” Kyouraku abriu um largo sorriso e virou um copo de saquê. “Minha Nanao-chan dará as informações necessárias para vocês.” Byakuya e Renji apenas ouviram em silencio. Não tinham muito a falar, porém a indignação habitava seus rostos. Perderam um belo dia de folga. Foram em direção a tenente, que fuzilava Shunsui com os olhos.
“Minha Nanao-chan apenas na sua imaginação, taichou!” Exclamou, tendo como resposta um riso do capitão. Logo, a tenente explicou todos os detalhes da missão, poderia demorar mais de um dia, afinal, não eram poucos hollows. Qualquer coisa, eles poderiam dormir na loja do Urahara.
Shunsui abriu um portal no grande pátio da divisão e logo Byakuya e Renji já estavam a caminho do mundo humano. Um misto de ansiedade e revolta dominava o pobre Renji. Tinha o pressentimento de que algo ruim iria acontecer, não com ele, mas sim, com Byakuya.
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Eram 15h36. Renji e Byakuya chegaram aos arredores da cidade de Karakura, na qual o capitão podia sentir uma concentração de hollows próxima. Fazia tempo que não ia em missões tão simples como a do momento. Porém, Renji guardava um olhar distante, deixando o Kuchiki preocupado.
“Renji, vamos acabar logo com isso.”
“Ok.”
O primeiro hollow apareceu. Apenas dois cortes com a Zabimaru fez a existência do mesmo se tornar inválida. Estava desinteressante e tedioso. Renji soltava alguns palavrões tentando mostrar sua indignação enquanto Byakuya refletia. ‘Este foi o Renji que eu conheci.’
Pobre Byakuya.
“Baixar a guarda é o erro mais fatal que se pode cometer.” O hollow capturou Byakuya numa armadilha. Seus membros estavam impossibilitados de fazer qualquer movimento, logo fazendo que Senbonzakura não pudesse chegar às mãos de seu dono. Mesmo numa situação daquelas, o olhar de Byakuya não mudava. Continuava repreendedor e frio. O hollow se surpreendeu.
“Mesmo assim você não tem nenhuma reação? Deve ser interessante brincar com você.” O hollow grunhiu, mas Renji o acertou com a Zabimaru, o matando. O semblante de Renji agora mostrava dúvida. Com o hollow morto, Byakuya limpava sua capa de capitão e olhava para Renji com uma expressão séria.
“Foi bem incomum este hollow ter ocultado a reiatsu dele. Mas em compensação, sua expectativa de vida foi reduzida drasticamente.” Byakuya disse, direcionando seu olhar para o céu.
“Interessante.” Renji observava seu capitão. Mesmo numa situação de cuidado, mantinha a calma ao invés de gritar ou se descabelar, como o tenente fazia. Algo digno de admiração. E por estes e outros motivos, Renji o apreciava ainda mais. Um riso fugiu dos lábios do tenente.
“O que foi Renji?”
“Nada. Vamos para o outro lado de Karakura. Irão aparecer mais hollows lá.”
E uma verdadeira horda apareceu. Renji sorriu. Estava entediado, logo presenciar uma luta decente o deixou animado. Hollows cercaram a dupla, mas nada muito desesperador.
“Renji, atrás de mim. Cansei já disso.” O tenente ficou de costas para Byakuya. Seu quimono tocava o haori do capitão, o fazendo respirar fundo. Conseguia sentir a pele do Kuchiki, coberta apenas por panos finos... Mas aquilo não era hora.
“Bankai. Senbonzakura Kageyoshi.”
Uma carnificina de hollows deu o ar da graça com o ataque de Byakuya. Rápido e prático. Renji se separou de Byakuya, encostando a mão no rosto e vendo sangue.
“Acho que uma das lâminas da Senbonzakura me machucou, taichou.” Byakuya olhou assustado. Seu ataque machucou Renji, mesmo que minimamente.
“Desculpe.” Byakuya passou os dedos no machucado de Renji, o limpando, porém a reação do tenente foi abrir um largo sorriso.
“Sorrindo por que, Renji?”
“Você pediu desculpas, taichou.”
Byakuya ficou envergonhado com a situação. A palavra que tanto ‘treinou’ para dizer saiu sem querer. Aquilo foi um progresso e tanto. Mas Byakuya se sentiu inconformado. Sua bankai sempre foi tão precisa... Acertar minimamente o rosto de Renji não estava em seus planos.
—
Já era de noite. Aparentemente, as hordas de hollows acabaram. Byakuya e Renji estavam cansados o suficiente para só quererem um futon para dormir e um pouco de comida.
“Vamos pra loja do Urahara-san.” Byakuya apenas assentiu. Estava cansado demais para discutir. E em pouco tempo, os dois já se encontravam lá, aguardando sinais de vida.
“Renji!” A ex-shingami em sua forma humana sorriu.
“Yoruichi-san.” Renji cumprimentou a morena também com um sorriso.
“Mas olhe quem veio com você. Kuchiki B-ya-ku-ya.” O olhar de Yoruichi não poderia ser outro. Tirar sarro da cara de Byakuya era sempre bom. Ela não precisava de motivos para fazer isto.
“Não comece, Shihouin Yoruichi.” Byakuya falou sério.
“Ah, cala a boca, pirralho. O Kisuke está lá dentro.” Byakuya logo fez menção de apontar sua zanpakutou no pescoço de Yoruichi. Mas não adiantou.
“Isto é seu, Byakuya?” A morena tocou a espada nas costas de Byakuya e soltou uma risada alta. Logo devolveu a zanpakutou ao dono. Renji apenas observou. Mal piscou e Byakuya já se encontrava indefeso. Porém soltou um riso.
“Entrem logo.” Yoruichi foi na frente, ao encontro de Urahara e os outros.
“Abarai-kun, Kuchiki-san!” Kisuke recepcionou os dois com o entusiasmo de sempre. “É raro te ver por aqui, Kuchiki-san.” Byakuya apenas assentiu. Nada muito incomum.
“O jantar estará pronto logo.” Yoruichi falou em tom alto, e foi em direção de Tessai, que se encontrava terminando o arroz. Ururu e Jinta estavam em silêncio. Apenas observavam Byakuya. Ouviram muitos boatos sobre a força e habilidade insana do capitão, fazendo com que Byakuya se tornasse alguém digno de admiração.
Logo Tessai arrumou a mesa para o jantar. Byakuya olhava tudo aquilo com dúvida. Fazia tempo que não comia fora de casa. O cheiro de curry deliciosamente bem temperado deixou Byakuya com mais fome. Adorava comida temperada.
“Obrigado Tessai-san. Sirvam-se!” Urahara exclamou, e logo todos iniciaram uma guerra nas panelas elétricas de arroz e na grande panela de curry. Byakuya observou, meio sem rumo. Não tinha ‘modos’ para esse tipo de situação. Pegou sua vasilha, e encarou o arroz. Provavelmente era arroz barato. Mas ele não tinha condições de reclamar. Encarou também a panela de curry, aparentava estar bom. Após encher seu prato, avaliou a comida. Estando com fome, logo não tinha pretextos para reclamar. Renji pegou apenas arroz, afinal, detestava comida temperada.
“Itadakimasu!” Todos disseram em êxtase. Iniciaram a comer, porém Byakuya resistiu um tempo a mais. Comer aquela comida infame não estava inicialmente nos seus planos. Mas a fome o venceu.
Em pouco tempo, as panelas de arroz e curry estavam vazias. Tessai, Ururu e Jinta começaram a lavar os pratos, com Renji tendo se disponibilizado para ajudar. O último trocava olhares fervorosos com Jinta, que não perdia a chance de sacanear o pobre tenente.
Byakuya estava na sala com Yoruichi e Urahara. Uma ‘nuvem negra’' podia ser vista acima do capitão, seu orgulho estava no chão após ter se alimentado.
“Bu.” Yoruichi soprou o pescoço de Byakuya, que acordou dos pensamentos com o susto. A morena se debatia no chão de rir, Urahara soltava risos altos.
Aquele era o fim do precipício, só que um pouco mais adiante que da última vez.
“Shihouin Yoruichi.” O tom de Byakuya era sério, como sempre. “Você é detestável.”
“Eu te amo também, B-ya-ku-ya.” O bullying não acabava. Nada mudou desde os tempos de capitã. E Urahara dava corda para a zoação.
“Abarai-kun, obrigado por ter ajudado.” Tessai agradeceu, deixando Renji um pouco envergonhado.
“Por nada.” O ruivo retrucou.
“Abarai-kun~” Urahara disse no tom casual de sempre. “Eu separei roupas, escovas e dois futons pra você e o Kuchiki-san. Eu poderia ficar aqui jogando conversa fora, mas acho que o Kuchiki-san destruiria minha loja pelo tédio.”
“Obrigado, Urahara-san.” Renji se sentou ao lado de Byakuya, sorrindo.
“A propósito, vocês se importam de dividirem o quarto?”
“O senhor se importa, Kuchiki-taichou?” Renji estava confortável. Já dormiu em tantos lugares, inclusive com o próprio Byakuya, não se importava. Uma pena que ele não poderia abusar do belo corpo de seu capitão entre as quatro paredes que iriam dormir.
“Tanto faz.” A situação para Byakuya não podia piorar mais. Por dentro, o capitão queria. Entrelaçar as pernas de Renji com as suas entre os lençóis era algo atrativo. Mas ali, não.
“Urahara-san, vou me trocar.” Renji seguiu em direção de um dos banheiros da loja, Kisuke apenas consentiu.
“Vou me trocar também.” Yoruichi seguiu ao seu quarto, que divide com Kisuke. Ficaria por lá mesmo. Byakuya estava sozinho na sala com Urahara. Um longo silêncio dominou a sala. Torcia para que Renji se trocasse logo para tirar aquele clima pesado. E suas preces foram atendidas.
Renji segurava seu quimono de capitão e suas sandálias, os abraçando. Vestia uma yukata simples e branca, seu peitoral tatuado estava à mostra, mesmo que pouco devido ao quimono de shiningami no qual o tenente segurava. Cabelo trançado e pés descalços. O ruivo lavou o rosto com água fria e algumas gotinhas caíam sobre seu pescoço. As lembranças com menos de quarenta e oito horas vieram à tona para Byakuya. Renji, por que tão sexy?
“Boa noite, Urahara-san.”
“Durma bem, Abarai-kun.” Logo Renji entrou no quarto. Byakuya seguiu para o banheiro.
Após fazer sua higiene e trocar de roupa, Byakuya se dirigiu para o quarto que dividiria com Renji. O tenente estava deitado no canto, olhava para o teto. Suas vestimentas de shiningami estavam na quina do cômodo. Ouvindo a porta arranhar, direcionou o olhar para Byakuya.
“Vai dormir aí mesmo, Renji?” Byakuya indagou, meio desapontado.
“Sim.” Renji sabia exatamente o que Byakuya queria. “Por quê?”
“Por nada.” O capitão foi se deitar no canto oposto onde seu futon se encontrava. Alguns instantes de silêncio tomaram conta do local. Mas só alguns instantes mesmo.
“Ei.” Renji beijou o pescoço de Byakuya, fazendo o capitão se arrepiar o suficiente para respirar fundo. Levou um susto. “Posso me deitar com você?” Renji soltou um sorriso de escárnio.
“Tudo o que eu mais queria era isso.” Byakuya esboçou um sorriso, sussurrando. Barulhos não eram recomendados no momento. Renji trouxe o futon para o lado de Byakuya e se ajeitou. O contato do corpo quente de Renji fez o corpo frio de Byakuya se contorcer.
“Você é tão mau, Renji.” Byakuya alinhou a cabeça no peito do tenente. Renji fazia cafuné no cabelo negro do capitão.
“Porém você gosta disto.” Renji abraçou Byakuya, aproveitando para pegar dois cobertores e aquecer ainda mais o corpo gélido do capitão.
“E se alguém nos ver, Renji?”
“Você se importa?”
“Por mim, eu passaria o dia todo assim, Renji.” Byakuya levantou um pouco o rosto para roubar um beijo do tenente. Acariciou as bochechas bronzeadas do ruivo, tendo como resposta um abraço ainda mais apertado de seu subordinado. Byakuya fechou os olhos e direcionou a mão para o peitoral de Renji. O sono estava aparecendo de maneira exorbitante.
“Eu te amo, Byakuya.” Renji sussurrou e se juntou ao capitão. O sono logo venceu Byakuya, mas Renji estava pensativo. O pressentimento de que algo ruim aconteceria ainda o dominava, mesmo com a missão bem sucedida.
—
Eram quase seis horas da manhã. Renji abriu os olhos, não enxergava muita coisa devido a seus olhos típicos de alguém que acabou de acordar. Provavelmente, dormiu apenas duas horas naquela noite. Mas não pode conter o sorriso quando viu Byakuya todo encolhido, com um braço sobre a cintura do tenente. Suas feições ultrapassavam o ‘inocente’, fazendo o Kuchiki parecer um anjo.
“Você é bonito até dormindo.” E Renji deu um beijo na testa do capitão. Byakuya apenas se mexeu um pouco, porém não acordou. Sua yukata estava amassada, aberta perigosamente em seu peitoral, sem contar as clavículas devidamente aparentes. Renji não poderia enrolar mais. Não conhecia os hábitos da casa do enigmático loiro de aparência desleixada, tanto que passou a noite lá apenas uma vez. Pegando suas roupas tradicionais de shiningami, se direcionou para o banheiro tentando fazer o mínimo barulho. Não poderia acordar os moradores da loja nem o próprio Byakuya. Suspirou.
“Saco.” Renji olhou sua fisionomia atual no espelho do banheiro. Estava com olheiras, a noite mal dormida com preocupações de um certo ser de nome Kuchiki Byakuya ainda preenchia sua cabeça. Por mais que seu capitão estivesse seguro dormindo ao seu lado, era melhor se precaver.
“Como se o taichou não pudesse se cuidar sozinho.” Renji sorriu para o espelho. Alimentar aquele mau pensamento não estava fazendo bem.
Após fazer sua higiene matinal e trocar de roupa, Renji procurou algumas coisas no armário da pequena cozinha. Optou então por panquecas. Um prato tradicionalmente americano numa mesa japonesa poderia ser bem aceito, ou não. O ruivo tinha muita habilidade em cozinhar. Morava sozinho e aprendeu a se virar. Preparar o café da manhã seria uma forma de agradecimento.
Renji cantarolava baixo e misturava ovos ao leite, fermento com manteiga. Arrumou uma frigideira com azeite e começou a fritar. Um certo Tessai acordou com o cheiro de óleo adocicado que dominava a cozinha.
“Abarai-kun, está muito cedo pra você já estar acordado.” O homem de forte fisionomia olhava para Renji entristecido. Não gostava que roubassem sua função na loja, mas era Renji lá, algo digno de glorificar de pé.
“Desculpe, Tessai-san. Eu queria fazer algo pra agradecer minha estadia aqui. E eu não consegui dormir.”
“Algo te aflige, Abarai-kun?” Ouch. Ele sabia ser direto.
“N-nada.” Renji respondeu com a voz baixa, sem tirar a atenção da frigideira.
“Ok.” Tessai se dirigiu para o banheiro da casa, sabia que Renji era folgado, preguiçoso e desgraçado o suficiente para não fazer um café da manhã daquele jeito.
“Renji?” Yoruichi apareceu na porta de seu quarto. Vestia apenas uma camiseta larga, fazendo Renji corar de leve. “É panqueca, Renji?”
“Sim, Yoruichi-san.” Ainda meio envergonhado, voltou a atenção para a frigideira.
“Aeee. Panqueca é sempre bom.” A bela mulher de cabelos longos foi para o outro banheiro da casa. Tessai não demorou muito para voltar à cozinha e ajudar Renji com os toques finais.
“Vá acordar o Kuchiki-san. Eu termino a partir daqui.”
“Obrigado, Tessai-san.” Renji sorriu e obedeceu a sugestão.
“Gente, acorda, tem panqueca hoje!” Yoruichi saiu do banheiro falando alto, estava entusiasmada para comer. Aos poucos, Urahara, Jinta e Ururu deram o ar da graça.
A situação de Byakuya era outra. O capitão dormia feito pedra. Renji não sabia como aborda-lo. As chances de Byakuya ficar de mau humor eram muito grandes.
“Taichou.” Renji tocou o ombro de Byakuya, o chacoalhando. Byakuya apenas mexia o corpo, mas não acordava.
“Taichou... Acho que terei de ser mau contigo logo cedo.” Não tendo outras ideias, Renji mordeu o pescoço de Byakuya. Em um susto, o moreno acordou.
“Renji!” Byakuya exclamou irritado. “Por que me acordou assim?” A preocupação do capitão era a marca. Aquilo ficaria marcado por alguns dias.
“Desculpe taichou. Você não acordava, eu tentei de tudo.” Mentiu. Aquela era a melhor forma em séculos de acordar alguém tirando uma casquinha. “Vamos tomar café e voltar pra Soul Society.”
“Ok.” Byakuya bocejou, logo depois normalizando o rosto. Renji não perdeu a chance de roubar um selinho do capitão. O Kuchiki não teve outra reação a não ser baixar o rosto e corar.
“Não me faça perder o controle tão cedo, taichou. Vou te esperar na sala.”
“Tudo bem, Renji.” Logo Renji se retirou, deixando Byakuya a sós. O capitão se vestiu rapidamente e arrumou os futons. Sem fazer alarde, foi ao banheiro fazer a usual higiene da manhã. Ainda estava sonolento, molhou o rosto com a água mais gelada possível. Mesmo assim, suas feições estavam ótimas.
Byakuya até tentou dizer um ‘bom dia’, mas não conseguiu. Apenas se sentou ao lado de Renji e pegou uma panqueca.
“Você dormiu bem, Kuchiki-san?” Urahara perguntou com a voz baixa. Byakuya apenas fez que ‘sim’ com a cabeça.
“Renji, você deveria vir aqui e fazer panquecas mais vezes. Está muito bom.”
“Obrigado, Yoruichi-san. Vou fazer um chá. Tessai-san pode me ajudar?” Renji sorriu com o elogio da morena, e logo estava na cozinha preparando chá. Ururu trocava cochichos com Jinta e Yoruichi soltava risadinhas com Kisuke. Byakuya estava sozinho. Sozinho e ultrajado. Ver Renji ser alvo de tantos elogios o deixava meio sem graça. O capitão sequer dizia ‘obrigado’ a cada copo de chá que o tenente fazia diariamente, e mesmo assim, Renji fazia questão de mostrar o quanto amava seu capitão naqueles primeiros três dias de muitos que estariam por vir. Byakuya não merecia tanto.
Byakuya passou um bom tempo em silêncio olhando para o chão, até o momento que Tessai chegou com uma bandeja com sete copos de chá. Tessai serviu todos e se sentou acompanhado por Renji, que vinha da cozinha com uma faca. Cortou as panquecas restantes em pedaços e logo estava sentado ao lado de Byakuya, tomando chá. O capitão suspirou e tomou o chá com cautela para não se queimar.
—
“Abarai-kun, obrigado pelo café da manhã. Estava tudo muito bom.” Urahara falou em tonalidade animada. Enquanto abria um portal para levar o Kuchiki e seu tenente para a Soul Society, Yoruichi conversava com Byakuya.
“Byakuya, eu tenho uma coisinha pra mostrar.” O capitão estava indiferente.
“Não vai falar nada?” E o capitão continuava apático.
“Ok. Vou espalhar pra todo mundo então que você é gay.” A morena pegou entre os seios uma foto de Renji com Byakuya dormindo. Na imagem, Byakuya estava com sua yukata aberta e tinha um braço acima da cintura de Renji. O último estava jogado no futon, abraçando Byakuya de leve. A mescla do cabelo ruivo de Renji com o cabelo negro de Byakuya deixava a fotografia ainda mais interessante.
“Desgraçada. Como conseguiu isso?”
“Hoje eu acordei de madrugada e fui tomar um copo de água. Decidi dar uma espiada em você e o Renji dormindo e tirei uma foto. Simples, não?” O sorriso da morena mostrava vitória.
“O que você quer?”
“Eu não quero nada. Você e o Renji são um belo casal.” Yoruichi entregou a foto para Byakuya. “Cuide bem dessa foto. O Renji é uma pessoa muito boa, vê se não faz besteira.” Yoruichi foi para o lado de Urahara, que terminava de abrir o portal. Byakuya foi em direção de Renji, escondendo a foto no obi.
“Prontinho.” Urahara terminou seu serviço, com o semblante animado de sempre.
“Ate depois, Abarai-kun, Kuchiki-san. Voltem quando quiserem.”
“Tchau Renji. Vá com cuidado. E tchau, Byakuya.” Até na despedida, Yoruichi não perdeu a chance de irritar Byakuya.
“Até depois, meninos.” Tessai acenou e entrou na loja. As crianças também apenas acenaram e voltaram junto de Tessai.
“Tchau, Urahara-san, Yoruichi-san, Tessai-san!” Renji acenava animado. Byakuya olhava para o lado. Estava sem reações, nada muito incomum vindo de seu feitio.
—
Já na Soul Society, Byakuya guardou a foto em uma gaveta de seu quarto. Quando chegasse do trabalho, arrumaria um lugar melhor para guardar. Mas talvez, poderia ser tarde demais...
Yachiru habitava a casa dos Kuchiki feito um rato, tanto que ninguém nunca soube de onde saía à menina. Sempre a busca de doces, tinha a cozinha diversificada dos Kuchiki como habitat natural. Mas naquele dia, ninguém tinha doces naquele local.
“O Bya-kun deve estar escondendo biscoitos de mim!” Emburrada, a menina foi em direção ao quarto de Byakuya. Olhava debaixo da cama, nos travesseiros, no abajur, qualquer vestígio de doce. Eis que após ver alguns papeis monocromáticos e sem graça, ela viu uma fotografia no meio daquilo tudo.
“Byakushi e o Ren-kun!” Yachiru olhou para a foto com um brilho no olhar. “Que lindo!” E ‘raptou’ a foto, queria guardar como uma lembrancinha. Uma maldita lembrancinha.
“O Ken-chan precisa saber disso!” A menina foi correndo para o seu esquadrão. Estava muito energética com a fotografia e não conseguia manter o entusiasmo para si.
“Ken-chan~!” A menina parou na frente do capitão, que treinava com Yumichika. “Preciso te mostrar uma coisa!”
“Yachiru.” O capitão disse com a voz rouca. Yumichika aproveitou a oportunidade para sair de fininho.
“Byakushi tá namorando o Ren-kun!” Animada, mostrou a fotografia para Kenpachi.
“Hm.” Kenpachi pegou a fotografia e a olhou com atenção. “Obrigado, Yachiru.”
“De nada, Ken-chan!” A menina foi em busca de comida, novamente.
“Namorado, é?” Lambeu os lábios como de costume. Qualquer um se aterrorizaria com seu semblante no momento. Kenpachi sentiu um ímpeto de rasgar a foto ao meio, porém sua utilidade tornaria-se limitada. Ele tinha uma única chance.
“Diga adeus ao Renji, Byakuya.” E com um sorriso medonho habitando seus lábios, foi procurar Yumichika para acabar seu treinamento. Algo que não traria bons resultados, ao menos para a dupla da sexta divisão.
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