Apatia
7 Capítulo 07
Notas iniciais
Byakuya e Renji retornaram a Soul Society, aparentemente, de péssimo humor. Renji, apesar dos corriqueiros elogios que lhe foram dados há pouco tempo, ainda tinha um péssimo pressentimento em relação à Byakuya. E Byakuya estava pensando na foto com Renji. Caso caísse em mãos erradas, seria um problema, um grande problema.
Chegando ao sexto esquadrão, Renji começou a escrever um pequeno relatório sobre a missão. Byakuya estava salvo, no mesmo cômodo que ele, porém não conseguia parar de pensar em algo ruim. Byakuya foi à pequena cozinha da sexta divisão para... Preparar chá. Arranjar um pretexto para não olhar no belo rosto de seu tenente era algo que Byakuya precisava no momento.
O capitão observava a água esquentar. Estava pensativo. No momento, sentia inveja em misto de raiva em relação à Renji. Todos o elogiaram na loja do Urahara, enquanto trataram Byakuya como... Só mais um. O capitão detestou aquilo. Renji era apenas um subordinado. Um mero tenente ser tão digno de elogios enquanto Kuchiki Byakuya é tratado como só mais um não estava certo, ao menos para Byakuya. Amava Renji. Amava em um ponto que chegava a doer. Porém seu orgulho ainda era o suficiente para destruir montanhas. O semblante de Byakuya ficou rígido. Não admitia o fato de Renji receber tantos elogios enquanto ‘Byakuya’ e ‘obrigado’ não faziam concordância na mesma frase.
Byakuya fez seu chá e voltou para sua sala. Renji trabalhava em silêncio, mas logo observou o chá emanando fumaça na mão de Byakuya. Abriu um largo sorriso.
“Taichou, ainda tem chá?” Renji perguntou com a voz baixa.
“Não.” Mentiu. Sua voz voltou a ter um tom seco e julgador. Renji estranhou aquele tom, que não tinha se tornado tão frequente assim nos últimos dias. Decidiu ignorar e voltar com a tediosa atividade de preencher relatórios.
—
Relatórios entregues para Shunsui e trabalho acabado logo cedo. Renji abriu um sorriso do tamanho do mundo. Byakuya estava apático. Nada muito estranho, porém seu semblante estava mostrando raiva, desprezo. Algo que Renji não observou nas feições do capitão nos últimos dias.
“Você está bem, taichou?” Renji indagou com uma ponta de medo.
“Sim.” Respondeu seco, novamente.
“Certeza, taichou?” Renji olhou malicioso. Poderia acabar com aquela ‘tensão’ em pouquíssimo tempo caso quisesse.
“Já falei que sim, Renji.” Uma ponta de irritação pode ser ouvida na última frase de Byakuya.
“Hm.” Renji se aproximou o suficiente de seu capitão, encostando de leve seus lábios na pele branca da nuca de Byakuya.
“O que está fazendo, Renji?” O capitão repreendeu o tenente, o olhando com uma expressão realmente séria.
“Mas... Taichou.” Renji não tinha condições para terminar a frase após aquilo.
“Sem ‘mas’. Termine seu trabalho, Renji.”
“Mas não tem mais trabalho por hoje, t-taichou.”
“Arranje trabalho então.” Ouch. Aquilo havia doído. Inconformado, o tenente voltou a sua mesa. Estranhou aquela atitude de Byakuya, que geralmente receberia a mínima carícia de bom grado. O jeito era ignorar. E foi assim que Renji prosseguiu o dia.
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Expediente acabado. O tenente arranjou trabalho para deixar o esquadrão livre por mais dois dias. Renji observava seu capitão desamassar o haori de capitão e seguir para a porta de entrada e saída da sala. Não poderia perder a chance.
“Taichou, o senhor tem algum compromisso essa noite?” Esperançoso, Renji levantou em um salto de sua cadeira. Ficou a pouco mais de um metro de seu capitão.
“Não.” Outra resposta antipática. Ô dia.
“O senhor não gostaria de ir para a minha casa hoje?” Sugeriu com um bom humor vindo do fundo de sua alma.
“Não.” O terceiro 'não' do dia. Mas que droga, Byakuya!
“Certeza, taichou?” Renji voltou a investir em Byakuya. Encostando as costas do capitão na porta, iniciou uma série de beijos na curva do pescoço dele. Mas Byakuya não reagiu a nenhum estímulo. Nenhum. Aquilo estava deixando Renji louco.
“Pare.” Byakuya empurrou de leve o corpo de Renji. “Eu não quero nada com você, Renji.”
Decepção, surpresa. A frustração do tenente não poderia ser maior.
Renji não falou mais nada. Apenas abriu a porta da sala da sexta divisão e seguiu para a sua pequena casa na Seireitei. Estava chocado demais. Byakuya soltou um longo suspiro. Seu orgulho estava salvo, mas sua dignidade estava as cinzas.
O Kuchiki pegou mais do chá de cedo e começou a beber, mesmo estando gelado. Mas por que tinha tratado Renji daquele jeito? Byakuya começou a se culpar. Uma luta interna se iniciou. Um lado queria sair correndo atrás de Renji. Se entregar nos braços fortes do ruivo e se redimir pelos maus tratos. A outra queria deixar Byakuya no topo do mundo, pisando no subordinado o máximo possível. Afinal, ele era apenas um criado... Um criado nada digno de elogios por terceiros.
Byakuya terminou logo o chá e iniciou a volta para casa, pensativo como nunca. Se sentia satisfeito por ignorar seu subordinado, no entanto, se sentia também com remorso. Porém, uma surpresa nada agradável o esperou.
“Byakuya.” A voz estridente de Kenpachi entrou nos ouvidos do capitão, fazendo com que um leve arrepio lhe percorresse a espinha.
“Zaraki Kenpachi.” A voz séria de sempre deu o ar da graça. “O que quer?”
“Acho que se você não quiser perder seu pobre tenente, deve me seguir.” E a surpresa não poderia ser outra. A decepção não poderia ser maior. Aquela maldita fotografia deu o ar da graça nas mãos de um louco sanguinário.
‘Renji...’ O pensamento não poderia ser outro.
—
Não tinha quase ninguém na décima primeira divisão naquele momento. Byakuya e Kenpachi dirigiam-se silenciosamente a sala principal do esquadrão onze. Byakuya poderia muito bem atacar Kenpachi, mas um escândalo, naquela hora não. Sentia uma vontade insana de morrer. Tratou Renji com tanto descaso para logo aquilo acontecer. Era demais.
“Entre.” Kenpachi abriu a porta da sala, minimalista e espaçosa. Irritado, Byakuya adentrou o cômodo.
“Sente-se.” Kenpachi apontou para uma cadeira.
“Prefiro ficar de pé.”
“Você que sabe.” Kenpachi analisou Byakuya da cabeça aos pés. “Então... Acho que se essa foto se espalhasse por toda a Soul Society, você teria que aguentar o fardo sozinho. Provavelmente deixaria o seu orgulho no chão, certo? Além de perder toda a dignidade que lhe resta, irá acabar com a imagem da sua família. Um belo fim para Kuchiki Byakuya, não?” Kenpachi falou com a voz rouca, e soltou uma breve risada no fim. Byakuya mantinha-se calado.
“Não vai dizer nada, princesa?” Kenpachi aproximou-se de Byakuya, que instintivamente, recuava. Mas a tão temida parede tocou nas costas do capitão da sexta divisão. ‘Droga’, pensou. Mas aquilo não ficaria assim. Byakuya empunhou a espada, a encostando de leve no queixo de Kenpachi. O último soltou um riso sádico.
“Me matar? Manchar suas mãos de sangue comigo sujaria o nome de sua família. O que iriam pensar de Kuchiki Byakuya assassinar alguém sem motivo aparente?”
Xeque-mate.
“O que você quer, Zaraki?” Impaciente, Byakuya indagou. Sentiu medo da resposta, previa algo ruim até demais.
“Eu não quero matar o seu namoradinho, tenho uma consideração por ele pois ele já trabalhou pra mim. O trate com descaso, pare de se encontrar com ele, arranje pretextos para abandona-lo. Já é o suficiente pra eu não mostrar a foto para a Soul Society inteira.” Byakuya consentiu. Por fora, estava apático. Mas sua mente fazia questão de o culpar, de o difamar pelo o que estava acontecendo. Seu pensamento não era outra coisa a não ser Renji. Incrível o modo no qual em apenas uma brecha, seu orgulho voltou com força total e deixou a situação daquele jeito. E agora, Kenpachi lhe dava mais motivos para continuar com aquela tortura.
“Que garantia eu tenho dessa foto não chegar em toda a Soul Society?” Byakuya perguntou com o rosto baixo. Conseguia sentir a respiração de Zaraki em sua testa.
“Essa será a nossa diversão secreta... Que não será tão secreta assim se o seu ex-namoradinho continuar se encontrando com você, princesa.” Kenpachi encostou um dedo nas bochechas sem cor de Byakuya. A acariciou, colando sua testa a do capitão da sexta divisão. O sangue de Byakuya gelou de forma instantânea.
“O que pretende fazer?” O Kuchiki já tinha uma ideia, sendo mais exato. Mas não foi necessário dizer. Kenpachi encontrava-se com os lábios no pescoço de Byakuya, analisando a área. O corpo gélido do capitão da sexta divisão tornou-se ainda mais frio. Não queria fazer tal ato com Kenpachi. Se pudesse, sairia correndo. Porém o capitão necessitava prezar a discrição acima de qualquer coisa no momento. Talvez esta fosse a primeira vez em que ele sentiu medo em vida. Vergonhoso.
“Se você for obediente, vai aproveitar a noite muito melhor.” Voz estridente, rouca e semblante malicioso. Fazendo jus a última frase. “Não se preocupe. Se você merecer, vou te tratar como uma princesa.”
Byakuya tinha o corpo rígido feito uma rocha. Mesmo com Kenpachi o acariciando de todas as maneiras e lados, Byakuya não se sentia feliz. Mas quem iria se sentir feliz naquela situação... Ninguém. Byakuya definitivamente estava pagando por seus pecados. Maldito dia que foi deixar seu orgulho dar as caras.
“Tire o seu haori.” Zaraki ordenou com a voz baixa. Byakuya não moveu um músculo.
“Eu posso tirar do meu jeito se você demorar mais dez segundos.” Receoso, o Kuchiki lentamente deixou o haori alcançar o chão. “Muito bem.” Zaraki soltou um sorriso de escárnio. “Acho que terei que fazer tudo do jeito difícil com você.” Os dedos esguios de Kenpachi percorriam as clavículas e o começo do peitoral de Byakuya. Os mesmos lugares que Renji passou os lábios, unhas, dedos... Aquilo era mais que uma tortura. Byakuya soltava alguns sussurros ao vento.
“Cale a boca.” Zaraki advertiu Byakuya, o dando um tapa na cara. “Continue recitando qualquer tipo de kidou aqui e quem vai sofrer as consequências será o Renji.” Byakuya olhava para o lado, com o rosto vermelho, sem emoção alguma. Sentiu vontade de chorar, mas não havia lágrimas. Desgraça. Byakuya estava inferiorizado, irritado, e acima de tudo, com medo. De Kenpachi e uma mínima fotografia em suas mãos. Seu coração palpitou forte apenas ao falar o nome ‘Renji’. Talvez pavor fosse a palavra certa naquela situação.
“Eu vou ser bem carinhoso se você me obedecer.” Zaraki roçou os lábios na boca de Byakuya após avisar. “E trate de esconder a sua reiatsu.” Voltou a explorar as clavículas e peitoral do Kuchiki, que em alguns instantes, ficou ligeiramente mais fraco. Sua mão chegou ao baixo-ventre do capitão. Byakuya mordeu o lábio com força. Solidificou o corpo o máximo que pode, não alimentava a ideia de obter prazer com aquele louco.
“Byakuya, tire a parte de cima do seu quimono.” O Kuchiki, ainda olhando para o lado, desceu o lado esquerdo do quimono, seguido do direito. Sua mão tocou a de Kenpachi. Percebendo o atrito, logo levou a mão o mais distante possível. As pernas de Byakuya tremiam. Muito.
“Interessante você.” Kenpachi encoxou Byakuya. O baixo ventre e o sexo dos capitães entraram em contato. O peitoral exposto de Zaraki tocou na barriga lisa de Byakuya.
Ardência, sangue, dor.
O lábio de Byakuya sangrava. O sangue descia pelo seu queixo, e a língua de Kenpachi fez questão de limpar o ferimento. Byakuya abaixou o rosto e fechou os olhos. Não tinha capacidade para encarar aquele homem não só no momento, mas sim, na vida.
“Ótimo. Como você não vai me olhar, sofrerá alguns castigos depois.” Byakuya não reagiu. Nada era comparado ao castigo de estar ali. Com ele.
“Me dê uma prévia do que você pode fazer.” Kenpachi colocou dois dedos na frente de Byakuya, fazendo menção para leva-los a boca. Atordoado, Byakuya obedeceu. Chupava e lambia os dedos de Zaraki incansavelmente. Queria acabar com tudo aquilo o mais rápido possível, para talvez arquitetar um plano e pegar aquela foto. Aquela maldita foto.
“Incrível como você sequer olhou no meu rosto. Tudo isso vai para a sua cota de castigos. Agora, deite-se.” Byakuya se deitou no chão, e ainda não direcionava o olhar para Zaraki. Um leve arrepio percorreu a espinha no toque do piso gelado e das costas desnudas de Byakuya. Zaraki trancou as portas e janelas, mesmo não sendo muito útil devido a grande reiatsu do capitão da décima primeira divisão. Kenpachi terminou de tirar o quimono de Byakuya, o deixando apenas com seu sexo coberto.
“Boxer branca, nada mal. Pena que daqui a pouco ela não vai mais estar aqui.” Zaraki mordeu o elástico do pequeno pedaço de pano e o desceu sobre as pernas de Byakuya. Violação. O Kuchiki queria morrer naquele momento.
“Hm, acho que não vou fazer cerimônia.” Fazendo jus a frase, enfiou os dedos na pequena entrada de Byakuya. Não doía tanto. Zaraki ficou colocando e retirando os dedos por um bom tempo, até acostumar Byakuya a receber o que estava por vir.
“Você continua não olhando pra mim, Byakuya. Vai sofrer as consequências depois.” Alertou. Zaraki abaixou sua calça do quimono junto da cueca de cor negra. Sem dó, fundiu seu membro ao corpo de Byakuya. O último mordia a carne ligeiramente exposta do lábio. Aquilo estava doendo. O lábio, as estocadas, o peso de Zaraki sobre seu corpo magro... Argh. Sem contar o atrito dos ossos sobre o chão anteriormente frio. Não podia gritar. Um som alto faria a alegria de Kenpachi no momento.
“Seu semblante está incrível, Byakuya.” O cabelo de Byakuya estava ligeiramente colado na testa devido ao suor. Olhava para o chão com uma expressão de derrota e cansaço. Sem contar as gotas de sangue que faziam companhia a seu queixo e piso de concreto. Kenpachi aprofundou aquilo ainda mais. Byakuya se contorceu, mas de nada adiantou. Suas costas doíam ainda mais, pois o ato de se contorcer sustentava Byakuya apenas em seus ossos mais largos nas costas. Aquilo era o inferno. Byakuya não pensou que poderia sentir tanta dor em vida.
Kenpachi não demorou muito para atingir seu limite. Preencheu o interior de Byakuya com seu gozo, soltando um suspiro. Logo sua calça e peça íntima estavam no mesmo local de antes. Já Byakuya estava estirado no chão. Cansado e humilhado. Não conseguia levantar devido à dor vinda de todos os lados, mas tentou encolher um pouco o corpo para reter o ligeiro frio que deu o ar da graça.
“Fique aí. Eu ainda não acabei.” Kenpachi foi a um pequeno cômodo da sala, provavelmente o banheiro. Com dificuldades, Byakuya se sentou apesar da dor. Pegou seu haori e cobriu seu corpo minimamente, tentando reter o frio. Mas Kenpachi não demorou a voltar. Tinha uma corda em mãos.
“O que você vai fazer?” E Byakuya soltou a primeira frase depois do anúncio da chantagem. Era uma corda grossa o suficiente para sustentar algo pesado. Deduziu inicialmente de forma errada que seria amarrado. Mas a corda era muito curta para tal feito.
“A princesa decidiu falar.” Kenpachi sorriu. Analisava o haori cobrindo o corpo de Byakuya com certa impaciência.
“Com isso, serão quatro.” Zaraki foi em direção às costas de Byakuya. Retirou o haori do Kuchiki e o jogou no canto da sala. Alisava a corda com cuidado.
“Acho que isso é o suficiente.” Sem delongas, Kenpachi chicoteou as costas do mais baixo. A temperatura gélida das costas de Byakuya em conjunto da reiatsu de Zaraki aprimorando o poder da chibatada, quase fez Byakuya urrar.
“Você não tem reação alguma? Esta foi só a primeira.” Zaraki soltou um sorriso fino de escárnio. Adicionou um pouco mais de reiatsu na corda e deu a segunda chibatada. As costas de Byakuya estavam vermelhas e algumas gotinhas de sangue deram o ar da graça. Ardia demais.
“Só mais duas, B-ya-ku-ya.” Kenpachi analisou a área ainda não muito afetada pela corda. Deu uma chibatada na pele acima de seu traseiro. Céus, como aquilo doía. Byakuya respirou fundo.
“Só mais uma.” Sem dó, Zaraki chicoteou o meio das costas de Byakuya. O último perdeu o equilíbrio e alcançou o chão novamente para não gritar. Estava destruído.
“Hm, por hoje é só. Até outro dia, Byakuya.” Zaraki se retirou da sala o mais friamente possível. “Mas não durma aí. Será um problema duplo caso te vejam aí de manhã. E nem pense em ir para o quarto esquadrão. O seu futuro depende unicamente de você.” E foi embora. Byakuya fechou os olhos por alguns instantes e se ajoelhou, voltando a morder a pele exposta do lábio. Engatinhando, foi em direção a suas roupas e se vestiu com dificuldade. Quando colocou a parte de cima, soltou um suspiro doloroso. O contato da roupa era terrível com as feridas nas costas. Pegou seu haori, levantou sem equilíbrio, e foi em direção à porta. Com as pernas hesitantes, foi em direção à mansão, também chamada casualmente por ‘lar’. Seu shunpou não existia no momento e seu corpo não estava nas melhores condições. A beira do precipício, Byakuya ao menos conseguiu, incrivelmente, voltar para casa. Tudo o que ele mais queria, era Renji.
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Byakuya chegou em casa como alguém que se machucou em guerra. Foi direto para o seu quarto e encheu uma banheira com água morna. Sua suíte recebeu ligeiras gotas de sangue devido ao lábio machucado. Estava sentindo frio, mas o luxo de uma banheira quente machucaria suas costas ainda mais. Tirou o quimono e entrou na banheira lentamente. O primeiro toque das costas com a água morna fez Byakuya fechar os olhos com força, em tentativa de reter o desconforto já previsto.
“Desgraça.” Praguejou ao ar. Relaxar seria impossível, levando em conta que o Kuchiki sentia frio, mas a água quente pioraria tudo. Não ficou muito tempo na água em prol da dor que fizera companhia naquela noite. Secou o corpo com cuidado e observou suas costas. As manchas vermelhas tomaram uma tonalidade mais escura quando secas. Procurou qualquer remédio para diminuir as feridas, e com cautela, aplicou. O toque gelado da pomada fez Byakuya se arrepiar. Lentamente, encostou as costas na cama. Refletia sobre o ocorrido, Renji, sobre a violação que se tornaria frequente... E uma lágrima deu o ar da graça.
“Eu quero morrer.” Byakuya falou para as paredes. Morrer seria uma boa opção. Largar o clã, o esquadrão, não precisar mais se importar uma maldita foto. Porém morrer seria algo egoísta. Apenas pensar em deixar Renji sozinho já oferecia uma amostra grátis de infarto ao coração machucado do capitão. Pensar nisso o fazia querer morrer por ser idiota a ponto de largar o homem que o amava com todas as suas falhas e problemas. Byakuya precisava de um plano. Para tirar aquela foto das mãos de Zaraki e garantir a segurança do tenente. Mas logo adormeceu. O cansaço terminou de consumir o capitão por completo. Já sentia falta de um ruivo com tatuagens excêntricas lhe desejar boa noite e o abraçar, esquentando seu corpo, acariciando seus cabelos e fundindo os fios ruivos com os dele. Pobre Byakuya. Entrou em uma abstinência que, caso perdesse o controle da mesma, acarretaria na ausência de felicidade pelo resto de seus dias.
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