Apatia

3 Capítulo 03


Notas iniciais
Olá pessoas lindas e cheirosas! Como prometido, atualização de Apatia! *fireworks* Consegui terminar este capítulo de acordo com as minhas expectativas (ou seja, terminei rápido) e ficou bem fofinho até, comparado com os de antes. Fiquei super feliz ao ver que tem onze pessoas acompanhando minha história... E só quatro comentários. Posso fazer um mimimi básico e mendingar alguns reviews? q Mentira, gente. Fico extremamente agradecida por cada acompanhamento, comentário e favorito que Apatia anda recebendo. ♥ Nunca pensei que o meu projeto poderia dar tão certo e agradar a todos! (ou quase). Que chova dinheiros na vida de vocês. (?) nnn. Sem mais enrolação, boa leitura. ♥

Byakuya acordou perto das cinco da manhã devido ao frio. Estava sem roupas, descabelado e na sala do sexto esquadrão. Sua cabeça latejava demais e também se sentia enjoado. A honra da família Kuchiki que Byakuya tanto preza, iria para o cano caso o vissem naquela situação. A sala onde se encontrava tinha um banheiro, nada tão espaçoso como o de sua casa, mas o suficiente para tomar um banho e recapitular os fatos. Byakuya se surpreendeu ao ver que tinham quimonos reserva em um armário de lá, então logo pegou um, meio abobado por não se lembrar de algo mínimo.

“Ah...” A água aquecia as costas gélidas do capitão, fazendo Byakuya suspirar. Ele tentava se lembrar de algo, mas a única coisa que lembrava, eram flashes. Sabia que tinha ido para o Rukongai beber com Renji, mas após a primeira garrafa de vinho, não conseguia ver nada fora borrões. Mas o fato de acordar despido o deixou intrigado. Será que... Ele teria feito ‘aquilo’ com o tenente? Logo alguém tão inferior como ele... ? Talvez estivesse traindo Hisana com um... Homem? Muitas perguntas para apenas um Byakuya. Após tomar banho, foi rapidamente para casa, entrando sem fazer barulho. Trocou de roupa novamente e foi dormir. Estava exausto, atordoado e confuso. O tenente não saía de sua cabeça e também fez questão de participar de seus sonhos. Sonhos que não foram nem um pouco ruins.

Renji POV.

Eu acordei perto das onze da manhã. Não me sentia indisposto, pelo contrário. Não poderia acordar de forma melhor após minha noite com Byakuya. Ele foi tão... Obediente? Ver alguém com o orgulho do tamanho do mundo ficar tão passivo devido ao álcool foi realmente interessante. O meu plano deu mais que certo. E até ganhei uma noite perfeita de brinde.

Todo o sábado, o taichou se encontra no esquadrão, tomando chá e me obrigando a trabalhar, mesmo não sendo necessário. Sem hesitar, fui para a sala principal do sexto esquadrão... Que nunca mais a veria como a mesma de antes. Então, eis a surpresa, que já era meio óbvia: O taichou não se encontrava. Sempre recebi bronca por chegar atrasado, mas inverter os papéis de vez em quando poderia ser legal.

“Ren~ji... Vá fazer um chá para mim.” Comecei a imitar Byakuya, deixando meu semblante o mais sério possível.

Rolei. Literalmente.

Ria como se não houvesse amanhã. Vendo deste lado, ser o taichou era... Engraçado. Minha barriga doía e eu não sentia forças para me levantar do chão. Fiquei rindo sozinho por alguns minutos, pensando na bobagem que fiz. Tal risada que se tornou em um silêncio desconfortável após determinado tempo. Já de pé, desfolhei uma flor presente num vaso encostado na parede e peguei um pincel usado para praticar caligrafia, em cima da mesa de Byakuya. Também peguei a manta que usei para cobrir Byakuya e a coloquei ao redor do pescoço, simulando um cachecol. Claro que as kenseikan não poderiam faltar. Simulei um tipo das presilhas com papel dobrado, fazendo jus ao cúmulo da pobreza. Eu não aguentei.

“Ban~kai. Senbonzakura Kageyoshi.”

Deixei o pincel e as flores caírem no chão. Fiquei em silêncio por alguns instantes e rolei de rir novamente. Estava me perguntando o porquê daquilo ser tão cômico. Ou o porquê de eu ser tão babaca.

Eu poderia passar um bom tempo imitando o taichou. Mas minha barriga começou a doer ainda mais devido às risadas, no momento, intermináveis. Dei uma ajeitada na pequena bagunça que fiz e deitei naquele sofá... O sofá com o cheiro de Kuchiki Byakuya misturado com vinho e amaciante caro era digno de guardar em um frasco e sentir para sempre. Suspirei. Queria voltar para aquela madrugada e beijar Byakuya como se fosse o meu último dia de vida. Queria fazer carinho no cabelo macio dele, sentir ele arranhar minhas costas a ponto de machucar... Ouvir os sussurros dele completamente unido a mim... Nem que fosse só por mais uma noite.

Após aproximadamente uma hora, o taichou apareceu silenciosamente na sala da sexta divisão e levantei do sofá em um pulo devido ao barulho. Seu rosto mantinha uma expressão pesada e algumas olheiras escuras contrastavam com sua pele branca. Eu tinha cochilado naquele sofá e não poderia falar nada do taichou. Afinal, eu estava com a mesma expressão pesada de alguém que acabou de acordar.

“Bom dia, Kuchiki-taichou.” Sorri meio sem graça devido à posição em que me encontrava no sofá, vulgo, estirado. Sem contar a minha cara de gente acabada com ressaca aparente, mesmo não estando com a mesma.

“Boa tarde, Renji.” Byakuya sorriu de canto e sentou-se na sua cadeira, observando uma pequena pilha de papeis que estava lá.

‘Byakuya sorriu de canto.’

Ele sorriu.

Retribui mostrando todos os dentes do mundo. Ver aquele sorriso sóbrio me deixou ainda mais apaixonado. Meu humor estava nas alturas, nunca acordei com uma cena tão... Ah. Não é possível descrever.

“Você está bem, taichou?”

“Sim." A voz de Byakuya estava beirando ao imperceptível, mas mesmo com as olheiras e aparência pesada, ele parecia estar se sentindo muito bem... Eu queria abordar sobre a noite anterior, mas não seria recomendado, não no momento. Por vontade própria, fui fazer um chá para Byakuya, aproveitando para lavar o rosto. Meu bom humor refletia as minhas ações e eu poderia confirmar que eu estava realmente feliz.

POV Off.

‘O Renji voltou ao estado animado de antes’ foi o pensamento que dominou a cabeça do Kuchiki. Porém ele não sabia se era algo bom ou ruim. O capitão estava se acostumando com o humor apático que o tenente mostrou durante a semana. Mas Byakuya continuava intrigado. Ele realmente não lembrava o que tinha acontecido na madrugada. O capitão sentia vontade de perguntar o que tinha acontecido para Renji. Mas o orgulho não iria deixar... E bem lá no fundo, ele tinha certeza de a resposta que receberia do tenente não seria a que ele quer ouvir.

Byakuya soltou um risinho forçado. Antes, pouco se importava com o estado do subordinado. Agora logo ele domina seus pensamentos, seus sonhos e suas preocupações. Quem sabe o sangue de Byakuya ainda tivesse resquícios de álcool. Ou a afeição reprimida do mesmo pelo tenente talvez estivesse vindo à tona com força total.

Renji voltava a sala da sexta divisão ainda com um sorriso no rosto. Serviu Byakuya e sentou-se na sua mesa, que ficava logo a frente da mesa de seu capitão.

Era quatorze horas e o clima estava ficando pesado. Renji não conseguia dizer absolutamente nada, ao contrário de antes. Estava se sentindo desconfortável e toda hora saía da sala para respirar ar fresco. Seu bom humor de tempos disse adeus em menos de duas horas. Mas para Byakuya, era pior. A situação estava semelhante à de encarar alguém com reiatsu de grande potência... Ele se sentia como se o seu coração fosse pular do corpo, o ritmo estava descompassado, irregular. Mas por que logo naquele momento? Por que as horas não passavam rápido? Por que ele estava sentindo... Isto? Byakuya suspirou. Começou a pedir chá para Renji em intervalos curtos de tempo para conseguir pensar na ausência do tenente. Byakuya sequer conseguiu encarar o subordinado. Sentiu-se novamente ultrajado. Tudo o que mais queria era ir pra casa e descansar. O mais interessante de tudo, é que Byakuya foi pego por sua própria ordem. Se não fosse um cara tão certinho, não obrigaria Renji a trabalhar no sábado e não passaria pela situação ruim, vulgo péssima, que fez parte daquela tarde de sábado no sexto esquadrão.

—

As dezoito horas, finalmente Byakuya terminou grande parte de suas obrigações. Ele e o tenente não teriam obrigações maiores por uns três dias. O clima naquela sala já se encontrava mais ameno, porém foram às quatro horas mais sofridas da vida de Byakuya. Mesmo que Renji também tenha se sentido desconfortável com a situação, suas fugas e voltas ao redor do esquadrão amenizavam sua mente.

“Taichou, eu já vou. O senhor precisa de mais alguma coisa?” Renji estava de frente para a porta do esquadrão, e Byakuya estava a aproximadamente dois metros atrás do tenente. Quis se aproximar, porém não viu a coragem necessária para o feitio. Então, o capitão manteve-se em silêncio. Com o clique da maçaneta da porta anunciando a saída de Renji, Byakuya achou a voz necessária para abordar o tenente.

“Renji,” O tenente parou de imediato. Estava surpreso novamente. Era a terceira vez no mês que Byakuya o chamava antes de ir embora.

“Preciso conversar com você.” Renji tremeu. Byakuya disse aquilo sem nenhum tipo de álcool no sangue... As coisas iriam esquentar.

Renji fechou a porta e encarou o tenente, algo que não conseguia fazer direito desde o início do clima tenso. O subordinado passou ao lado de Byakuya, fazendo seu quimono encostar levemente no haori do capitão, fazendo Byakuya respirar fundo. Renji sentou no sofá e logo aguardava uma reação vinda de seu capitão.

“Renji, o que aconteceu noite passada?” O Kuchiki falou de forma desconfortável. Renji corou de leve, mas mantinha um rosto com feições firmes.

“Você quer mesmo saber? Você não acreditaria.” Renji mostrou um riso fino, deixando Byakuya com raiva.

“Por que não?”

“Foi algo... Insano demais.” O tenente sorriu de leve.

“Eu quero saber o que foi, Renji.” Byakuya se irritou.

“Até que momento o senhor lembra?”

“Depois da primeira garrafa de vinho eu não me lembro mais de nada.” Byakuya falou receoso. Porém se assustou com a naturalidade que conseguiu para falar algo tão... Infame.

“Interessante. Acho que mostrar é mais fácil que contar.” Renji levantou do sofá e começou a se aproximar de Byakuya, que por instinto, recuava. As costas de Byakuya tocaram a porta da sala, aparentemente não trancada, e Renji cercou Byakuya com os braços.

“Você tem certeza de que quer saber... Taichou?” Renji brincava com o tom de voz, deixando Byakuya envergonhado e sem reação.

“Nenhuma aversão? Vou te mostrar então o que aconteceu de madrugada, ta-i-cho-u.” Renji sorriu de escárnio e fez menção de direcionar os lábios no pescoço do capitão, mas foi impedido pelo mesmo.

“Renji!” Byakuya encontrava-se com o rosto em chamas. “O que você está fazendo? Enlouqueceu?”

“Mas você pediu pra mostrar o que aconteceu na noite passada... Só estou obedecendo a uma ordem sua.” Byakuya, que já se sentia no fim do precipício, começou a cair ainda mais. Desde quando seguir suas ordens começou a deixa-lo constrangido? Byakuya não falou mais nada, e apenas olhava para Renji com... Medo. O último soltou uma risada, deixando o capitão ainda mais envergonhado.

“Nunca pensei que eu poderia ver você olhando deste jeito pra mim, taichou. Eu deveria registrar o momento.” Renji tirou os braços da porta e começou a rir de novo. De envergonhado, Byakuya passou a ficar irritado. Em um piscar de olhos, a risada de Renji parou. Renji agora estava estirado no chão e a zanpakutou de Byakuya encontrava-se a milímetros de seu pescoço. Byakuya já tinha aturado muitas brincadeiras vindas de Renji e aquele foi o fim. Rir de Kuchiki Byakuya era algo inadmissível. O orgulho do capitão era algo a ser respeitado. Ou não.

“Ah, taichou.” Renji deu um tapa na zanpakutou do capitão, a fazendo cair longe, e puxou o braço de Byakuya, tendo como resultado o Kuchiki ter caído sobre seu corpo. Byakuya no momento estava irritado com a ousadia do tenente, porém envergonhado pela proximidade que o rosto dos dois se encontravam.

“Você não tem medo de morrer, Renji?” Byakuya olhou sério para o tenente.

“Não tenho, mas vou ser direto. Você bebeu demais e acabamos dormindo juntos. Só isso.”

‘Só isso.’

Para Byakuya, o fim do precipício estava tão distante que se encontrava já em outra dimensão. Bebeu demais a ponto de ter dormido com um subordinado... Céus.

“Taichou, não precisa sentir culpa.” Renji acariciou o cabelo macio de Byakuya e se aproximou... Ainda mais. “Foi uma noite maravilhosa. Por mais que você não se lembre.” Byakuya estava envergonhado demais para falar alguma coisa. Fazia tempo que ninguém o deixava daquele jeito. Sinceramente... Ele estava gostando.

“Renji,”

“Fale.”

“Quieto.” Byakuya encostou os lábios no subordinado. Iniciou um beijo calmo, romântico e desajeitado. Renji sentiu uma felicidade momentânea atingir o seu corpo. Após alguns instantes, o capitão cessou o beijo e foi pego de surpresa por Renji, que o abraçou. Byakuya alinhou a cabeça no peito de Renji, recebendo carinho do mais alto. Ele se perguntava por que tinha feito aquilo. Talvez sentisse algo pelo tenente por tempos, porém o orgulho não o deixava demonstrar. A convivência quase diária de Byakuya na companhia de um homem com cabelo vermelho talvez fosse o motivo do afeto momentâneo. Renji é escandaloso, gosta de falar alto e se acha o rei do mundo algumas vezes. Mesmo assim, seu orgulho era baixo o suficiente para perguntar todo o dia se o capitão está bem e desejar um bom dia, mesmo tendo apenas um gesto com a cabeça como resposta. Byakuya nunca iria admitir que gostava disso. Que se sentia contente em poder ver o subordinado todos os dias. Que aprendeu a ver os defeitos do tenente como algo bom e que fazia Renji cada dia mais admirável. Por acaso, isto seria... Amor?

"Taichou, eu te amo.” Renji falou com naturalidade, pouco se importando para a resposta que receberia, afinal, nunca esteve a par dos sentimentos de Byakuya. A rejeição poderia ser encarada como algo incentivador, que daria coragem para seguir em frente. Byakuya mantinha a cabeça baixa.

“Eu acho que eu também te amo, Renji.”

Byakuya, completamente envergonhado, beijou Renji novamente, que se encontrava apático de novo, mas uma coloração rubra estava presente em suas bochechas.

“Não achei que minha vida seria longa o suficiente para ouvir isto.” Renji abraçou Byakuya forte. E os dois passaram um bom tempo assim. Não se importavam com mais nada. A não ser compartilhar do amor que ambos nutriam um pelo outro. Tal amor que seria posto em risco quando menos esperassem...

Notas finais
{23.09.2013} Então, como ficou? ♥ Capítulo simples, porém vai introduzir vocês aos problemas que virão, grande parte deles por culpa do Byakuya *solta spoiler pelo ar* UAHSUAHUS. Aguardem e verão. Deixem reviews e façam uma alma feliz. (。・ε・。) Se tudo der certo, até segunda feira! chu~♥