Apartamento 23
4 4- And The Blackout
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem!
- Obrigado por ter ido me buscar na cadeia, Finn. — eu disse, envergonhada, enquanto nós entravamos no elevador. — E desculpe tê-lo feito pagar fiança. Eu prometo que irei compensá-lo.
- Você pode me pagar trezentos dólares. — disse Finn, sorrindo sarcástico. A porta do elevador se fechou e ele começou a subir.
- Ou eu posso lavar sua roupa por uma semana ? — perguntei, ele desfez o sorriso e mirou o chão. — O que foi ?
- Eu estava guardando aquela grana. — ele disse, com certa raiva na voz. — Vai ter um show da Lady Gaga na semana que vem e parece que eu não vou poder mais ir.
- Nós podemos assistir pela televisão ! — eu disse, mas ele apenas me deu um olhar de remorso. — Não fique assim ! Também, eu fui presa pois estava tentando trocar seus lençóis idiotas, e agora aquilo ficará marcado na minha ficha para todo o sempre ! Imagina como vai ser difícil explicar isso para a minha chefe, meu querido ?
- Bom, pelo menos você não tem que aturar você mesma, pois acredite, VOCÊ É UM SACO ! — ele disse, como se sentisse insultado.
- Como você acha que eu não me aturo se eu sou eu mesma ? — ficamos em silêncio por alguns segundos. — É, essa frase nas vez sentido. Mas meu ponto é... Você nunca achará companheiras de quarto melhores do que eu, porque, acredite, ninguém nunca conseguiria viver com você!
- Ah, é ? — Finn estalou o pescoço e cerrou os punhos. — Se prepare, minha querida, pois eu estou prestes a ir todo Nnif para cima de você !
- Cai dentro ! — eu falei.
- OUTRO DIA EU SEM QUERER OLHEI VOCÊ NA BANHEIRA E ACREDITE SÓ... — ele fez uma longa pausa e me olhou no fundo dos olhos. — ...EU NEM FIQUEI EXCITADO!
- Ah, não... pois quere saber-
O elevador saculejou bruscamente. Nós nos olhamos por alguns segundos. As luzes piscaram.
- E é assim que filmes de terror começam. — suspirou Finn. — Você armou isso, né ?
- Armei o que ?
- Tudo. — ele disse, intrigado. — A cadeia. O elevador. Agora você vai me matar e vai fazer tudo parecer uma simples conhecidência, não é mesmo ? Pois fique você sabendo que eu voltarei, e com certeza puxarei seu pé !
- Eu não--
As luzes apagaram, e sentimos o elevador descer lentamente, aumentando a velocidade aos poucos.
- ESTÁ CAINDO ?! — perguntou Finn, gritando.
- MAS QUE PERGUNTA É ESSA ?! — eu gritei, tentando me segurar nas paredes. — MAS É CLARO QUE ESTÁ CAINDO ! NÓS VAMOS MORRER !
- NÃO ERA EXATAMENTE ASSIM QUE EU PLANEJEI MORRER ! — berrou Finn, aquele ponto, nós dois já estavamos sentados no chão, abraçados, e esperando a morte chegar. — OVERDOSE OU ATACADO POR UM GUAXINIM, MAS NÃO CAINDO DE UM ELEVADOR !
- E EU ?! — gritei, com lágrimas de pânico nos olhos. — O QUE EU FIZ NA MINHA VIDA ?! NÃO CONSEGUI O EMPREGO DOS MEUS SONHOS E EU SE QUER CONSEGUI CUMPRIR MINHAS METAS DE VIDA !
- QUAIS ERAM SUAS METAS ?
- ISSO IMPORTA ?! — gritei de volta. — NÓS VAMOS MORRER, E EU SÓ FIZ SEXO COM TRÊS HOMENS DIFERENTES NA MINHA VIDA ! E DOIS DELES SÓ PORQUE EU ESTAVA BÊBADA E APAGADA !
- Sério, três ? — perguntou Finn, calmamente.
- ISSO NÃO É HORA PARA AVALIAR SE EU FAÇO OU NÃO A QUANTIDADE RECOMENDADA DE SEXO ! — gritei. — JÁ ESTAMOS CAINDO À MUITO TEMPO ! NÃO ACHA QUE NÓS JÁ DEVERIAMOS TER CHEGADO AO TÉRREO ?
- TALVEZ O CHÃO DEVE TER SE ABRIDO E NÓS ESTAMOS CAINDO DIRETO PARA O INFERNO ! — Finn disse, chorando. — AH, DEUS ! FAZ TANTO TEMPO QUE EU NÃO CHORO ! SE EU ME LEMBRO, A ÚLTIMA VEZ FOI ASSISTINDO AQUELE FILME DO CACHORRO COM A JENNIFER ANNISTON !
- MARLEY E EU ? — perguntei.
- RACHEL, EU NÃO QUERO IR PARA O INFERNO ! EU SOU CATÓLICO ! NÓS NEM ACREDITAMOS EM INFERNO, ACREDITAMOS ? — ele perguntou, me olhando temeroso.
- ACHO QUE SIM. — respondi.
- MAS QUE MERDA !
O elevador parou abruptamente. As luzes que estavam piscando agora se apagaram. Não sabia se estávamos no térreo, acima dele, ou abaixo dele, no inferno. Finn e eu nos separamos, e ficamos sem dizer nada por alguns segundos.
- Estamos mortos ? — ele perguntou.
- Como eu vou saber ? Nunca morri antes ! — respondi.
- Nossa, nem morta e queimando no mármore do inferno você deixa de ser uma velha chata e reclamona, não é mesmo, Rachel ? — ele disse, sorrindo malicioso. — Ah, e eu ainda quero meus trezentos dólares de volta !
- E todo esse papo enquanto nós morríamos ? — perguntei.
- Foi efeito do pânico. — Finn disse, acendendo um cigarro.
- Desde quando você fuma cigarros ? — perguntei.
- Desde agora. — ele falou, me oferencendo um. Eu apenas acenei negativo com a cabeça. — As pessoas na embalagem parecem tão legais e descoladas !
- Cigarro causa impotência.
- OXALÁ ! — ele apagou o cigarro imediatamente. — Nem diga que outras drogas causam impotência, porque eu não vou parar de ingerí-las. Ou ingetá-las.
- O que faremos ? — perguntei, encostando a cabeça na parede de metal do elevador. Estava fria. — Obviamente estamos presos. Preciso sair daqui ! Minha novela vai começar daqui a pouco !
- É, tente abrir as paredes, Mulher Maravilha. — Finn retrucou. — OMG ! Acabei de receber uma mensagem no Facebook !
- O que diz ? — perguntei, esperando que aquilo você explicar nossa situação.
- Tem uma foto de um dinossauro pensativo e diz embaixo: "Se uma prostituta engravidar, é considerado acidente de trabalho?" Hahahaha ! — ele disse, digitando em seu telefone. — LOL.
- O QUE ISSO TEM A VER COM NÓS ESTANDO PRESOS NO ELEVADOR ?! — eu perguntei, histérica.
- Ah, é... — Finn forçou a vista contra a pequena telinha de seu iPhone. — Tem uma mensagem no rodapé que diz que houve um apagão na cidade e que ficaremos sem luz por aproximadamente 17 horas.
- 17 HORAS ?! — gritei.
- Me desculpe, eu li errado. — suspirei aliviada. — São exatamente 71 horas.
- O QUE ?! ISSO NÃO PODE ESTAR CERTO ! — peguei o telefone de sua mão. — Aqui diz 7 horas. Onde você viu o número um aqui ?
- Não sei... — ele esfregou os olhos. — ...enquanto estávamos caindo eu achei umas pílulas no fundo da minha mochila e tomei... talvez fossem aspirinas, talvez não...
- Seu idiot... Tem mais alguma aí ?
Algumas horas se passaram após Rachel tomas as "aspirinas"...
- Finn, Finn... — eu cambaleei e me sentei ao seu lado. — ...me desculpe.
- Pelo que ?
- Por ser uma vadia detestável. — eu deitei minha cabeça em seu colo e ele estava fazendo trancinhas em mim. — Desde que eu me mudei para cá, estava tentando fazer minha vida dar certo. Por acaso eu te contei que estava noiva ?
- Sério ? — ele perguntou.
- Sim, sim... — suspirei profundamente. — ...nossa, essas aspirinas são boas ! De que é feito esse bagulho ?
- São de Amsterdan. — Finn respondeu.
- Não, eu quero dizer de substância. Do que é feito ? — perguntei novamente.
- De Amsterdan. — Finn respondeu, como se eu não estivesse entendendo a resposta. — Enfim, conte-me a história de seu noivo.
- Bem, nós costumávamos namorar no colegial. — senti-me fazendo uma viagem espiritual pela minha mente e alma. O bagulho é sinistro, é irado, é louco, mano... — O nome dele era Jessie. Ele meio que era meio que meio que... o que nós estavamos falando mesmo ?
- Eu não sei... — suspirou Finn. — Rachel, posso te contar um segredo ?
- É claro, você pode me contar TUUUUUUDO o que você quiser. — disse, ficando sentada ao seu lado. — Só não me diga que você é gay, é ?
- Não, não é nada disso. — falou Finn, rindo. — Mas não estou dizendo que eu nunca participei de uma suruba e que nunca passei mãos em lugares que não deveria, hihihihi...
- Seu safado ! — eu ri, dando um soco no seu ombro. — Do... do que nós estávamos falando mesmo ?
- De coalas. — respondeu Finn.
- Nossa, como eles são animais espertos, inteligentes, flexíveis, autônomos e sensuais... — balbuciei.
- Quem são animais espertos, inteligentes, flexíveis, autônomos e sensuais ? — Finn perguntou.
- Do que nós estamos falando mesmo ?
Mais três horas se passaram, faltando apenas uma hora para à energia voltar...
- Não acredito que me deixei levar pela situação e usar drogas ! — falei, com uma baita de um enxaqueca, andando de um lado para o outro no elevador. — Eu prometi para meus queridos pais que quando eu me mudasse para NY não entraria no mundo sujo das drogas !
- Relaxa... — falou Finn, ainda meio tonto. — Eram só aspirinas. Você precisa calar a boca e parar de reclamar.
- Pois eu NÃO vou calar a boca e NÃO vou parar de reclamar ! Você está me tornando uma pessoa horrível ! Se eu nunca tivesse vindo morar com você, NADA DISSO TERIA ACONTECIDO !
- É ? E sua vida seria ainda mais fútil, infeliz e sem sentido ! — ele falou, aquelas palavras me calando naquele exato momento. — Rachel, você é muito preocupada com o futuro ! Você nunca vai conseguir viver uma vida normal e saudável se continuar se preocupando ! Vai ver que, um dia, enquanto você fala no telefone com seu chefe, você escorrega da plataforma do metrô e morre ?
- ... — ele fez uma longa pausa, e eu apenas mantive o silêncio.
- Você não vê ? Pois deveria abrir esses pequenos olhos e começar a enxergar que no seu futuro... haha, o seu futuro é incerto, minha querida ! A qualquer minuto nós podemos morrer e tudo irá mudar. Ou a qualquer minuto nós podemos ganhar na loteria e tudo também irá mudar. Você se mudou para Nova York ! Você está esperando que a cidade seja boazinha com você só porque você fez tudo certo ? Não ! Eu fiz tudo certo. E o que a cidade fez comigo...
- O que ? — perguntei, curiosa.
- Rachel, você já teve vontade de agarrar alguém e simplesmente mandar essa pessoa calar a boca, ou você mesmo calar a boca dela ? — Finn perguntou. — Pois eu tenho essa vontade. Todos os dias. E adivinha de quem é a culpa ? Você!
- Ah, me desculpe, senhor "eu vendo drogas, mas eu sou honesto", se eu quero ter um futuro correto e programado ! Não posso mais esperar que a vida me ajude, pois até agora, ela só me prejudicou ! Eu tenho que me erguer e tomar uma atitude, POIS NINGUÉM IRÁ TOMAR PARA MIM !
Foi nesse momento que até a luz de emergência se apagou, e tudo ficou realmente escuro. Não consigo enxergar mais Finn, e nem ele conseguia mais me enxergar.
- Me desculpe... — eu disse, suspirando. — ...eu tenho sido uma chata.
- Rachel, cale a boca. — Finn falou.
- Também você não precisa ser tão... — e, para que aquela cena se tornasse meu pesadelo depois, dois semi-drogados naquele elevador apertado não tinham nada melhor a fazer do voar em cima um do outro. Eu admito, até hoje me arrependo daquilo.
Beijar Finn... "Rachel e Finn se beijaram". Colocando dessa maneira, nem parece tão estranho, parece ? MAS É CLARO QUE PARECE !
- O que você... — eu o afastei, procurando por alguma luz no ambiente para tentar enxergar seus olhos.
- Eu só queria que você calasse a boca... — ele pôs o dedo por cima dos meus lábios e riu. — Esquece isso.
- Como esquecer ? — perguntei, incrédula. — Você acabou de me beijar ?! Não faz idéia de como isso é esquisito ? E não faz idéia de como nós vamos no arrepender por isso no futuro ?
- Rachel... — ele suspirou, e me puxou pelos braços, me fazendo sentar ao seu lado. Se aquele era se quer seu lado. — ...você está fazendo aquilo de novo. Está se super preocupando. Ainda falta uma hora para essa maldita energia voltar ! Quer tomar mais alguma aspirina e ficar doidona de novo ?
- Tudo bem. — falei, pegando a pílula da palma de sua mão. — Só tenha certeza que você tem camisinhas aí para no caso de nós acabarmos fazendo sexo aqui.
- Não se convença. — falou Finn. — Eu não sou assim "tão" fácil.
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