Apartamento 23
23 23- And The Ski Trip
Notas iniciais
- Bom dia... — disse Puck, arrastando os pés enquanto andava. Olhei para o relógio. É, eram meio-dia.
- Ah, desculpe, você tá falando comigo ou dormindo com outra pessoa ? — perguntou Santana, da maneira mais displicente possível.
- Nós não estamos mais juntos, você não tem mais o direito de falar comigo desse jeito. — respondeu Puck. Finn revirou os olhos. Se quando eles estavam juntos já era um saco, ainda mais quando eles estão separados. — Vocês simplesmente vão ficar aí calados ?
- Hmm, não sei... — respondeu Finn, sarcasticamente pensativo. — ...me meter na briga de um casal recém-separado onde de um lado, um antigo delinquente juvenil e do outro uma possível serial killer... não, estou bem quietinho mesmo.
- Gente, quando andarmos em grupo novamente vai parar de ser estranho ? — perguntei, Santana virou a cara e Puck também. — Eu sinto que só fazemos coisas com o Puck separados das coisas que fazemos com a Santana.
- Ah, Rachel, eu tenho a resposta para a sua pergunta. — disse Santana. — Quando CERTAS PESSOAS, sentiu a ênfase ? Quando CERTAS PESSOAS descobrirem a diferença entre terminar e dar um tempo.
- NÓS ESTÁVAMOS DANDO UM TEMPO ! — gritou Puck, enquanto ela saia da sala. — Ai, Meu Deus...
- Eu fiz planos para esse final de semana, e não vou deixar que essas brigas idiotas entre você e a Santana nos atrapalhem. — Finn levantou os olhos do jornal (ele não lê pelas notícias da cidade, e sim pelos quadrinhos. Da última vez que ele pensou em ver o que andava acontecendo em NY, descobriu que o avô dele levou um tiro). — Meu NAMORADO me convidou para passar o final de semana no chalé da família dele. Nós podemos esquiar !
- Legal. — disse Puck, meio mais ou menos.
- Não acha que nós iremos atrapalhar lá enquanto os dois coelhos estiverem "copulando" ? — perguntou Finn, ironicamente. — Ah, e lembre-se de ensiná-lo a colocar a camisinha, ou ele pode escorregar e te engravidar. E quando você der a notícia a ele, também lembre-se de contar que você não engoliu o bebê, tudo bem ?
- Eu senti ciúme aí ? — perguntou Puck. — Pois eu tenho CERTEZA que senti ciúme aí.
- Ok, qual é a de vocês e as ÊNFASES ? — perguntou Finn, se levantando. — PERCEBERAM QUE EU COLOQUEI ÊNFASE NA ÊNFASE ?! ISSO NÃO QUER DIZER NADA !
Ele saiu, e bateu a porta.
- Uau, alguém está enfrentando algumas dificuldades tentando aceitar que Rachel Berry agora é uma mulher comprometida. — disse Puck, voltando sua atenção para mim. Me senti extremamente culpada ao ver Finn saindo.
- Argh, eu odeio isso. — disse, escondendo meu rosto com as mãos. — Sabe, vai fazer um ano desde que eu me mudei para NY e vim morar com o Finn. E desde então, eu nunca tive nenhum relacionamento sério. Eu imaginava que quando arrumasse um namorado, um dos requesitos principais seria o Finn aceitá-lo e me dar a maior força.
- Se ele não for, eu vou. — disse Puck. — Exceto, é claro, que a Santana não vá.
- NÃO ! Vocês não tem o direito de decidir isso ! Os dois vão, e vou fazer questão de que passem a maior parte do tempo possível juntos e a sós ! — reclamei. — Ou vocês vão se acertar, ou vão passar a aturar a compania um do outro !
Puck deu de ombros e saiu. Ainda vejo muito água para rolar...
*
- Não estão animados ? — perguntei, na noite de sexta-feira, quando estávamos para sair. — Nós quatro, três horas de viagem de ônibus, esquiar na manhã de sábado e domingo, ficar perto da lareira...
- Sexo, sexo, sexo, sexo, sexo... — disse Finn. — ...desculpa, eu disse isso muito alto ?
- Por que não está arrumado ? — perguntou Puck, arrastando as malas do quarto até a sala.
- Eu não vou. — respondeu Finn.
- Por que ? — perguntei, incrédula.
- Eu não sei, Rachel, quem sabe você possa me responder ? — ele perguntou, eu soltei as malas que carregava no chão, apenas para me focar em ouví-lo. — Eu não quero passar um final de semana inteiro preso na mesma casa que o casal do ano e você e seu namorado.
- Você é um idiota. — disse, abrindo a porta e saindo. — Como meu melhor amigo, você deveria estar me apoiando. Não acha que eu não sei como é estranho namorar meu próprio assistente ? Sabe, Finn, até eu acho que isso é desespero.
- Finalmente, alguém falou ! — soltou Santana. — Deus, não sabe como isso estava entalado na minha garganta.
- Rachel, eu não estou indo porque eu simplesmente NÃO quero ir. — ele respondeu. — Sentiu a ênfase no "não" ? Quer dizer que eu sustento a idéia. Com ÊNFASE.
- Não, quer dizer que você não se esqueceu de mim. — disse.
- Agora as coisas vão ficar bem pesadas. — murmurou Puck. — Ei, Santana, quer esperar lá fora e aproveitar a tensão que ainda paira entre nós ?
- É claro. — ela disse, saindo do apartamento. — Você sabe o quanto eu adoro... tensão.
- O que ? — perguntou Finn, se sentindo ofendido, e gritando.
- Você me escutou. — disse, confiante. Vocês sabem que quando Rachel Berry entra em uma briga, ela não entra pra perder. — Desde o primeiro minuto que você conheceu meu assistente, ficou louco de ciúmes, pois não consegue aceitar a idéia de me ver feliz ao lado de outro homem que não seja você.
- VOCÊ FUMOU DROGAS ?! JÁ DISSE PARA NUNCA, NUNCA OLHAR NAS MINHAS GAVETAS ! — gritou Finn. — E, não, eu não estou com ciúmes. Eu não ligo para você e seu namorado idiota. E você seria uma mulher de muita sorte se me tivesse, mas esse navio já se foi !
- Tudo bem, Finn, fique em casa por um final de semana inteiro aproveitando a solidão e compania da sua galinha de estimação. — disse. — Espera, onde ela estava ?
- Ela passou por uma fase que o veterinário chamou de "puberdade aviária", e ficava colocando ovos o tempo todo. — ele respondeu, esquecendo da nossa briga por um minuto. — Eu achei que seria uma boa idéia... enfiar uma rolha no... buraco por onde saem os ovos dela.
- E...? O que aconteceu ?
- Ela teve hemorragia interna, agora é estéril e não faz côco. — ele respondeu. — É melhor você ir, Rachel, vai perder seu... ônibus.
Sai sem me despedir. Poderia gerar outra briga.
- Poko-Popo-Kokopo. — tradução: "Você não aprende, não é mesmo? Está deixando a garota dos seus sonhos ir embora!".
- O que você sabe, você é só uma galinha. — resmungou Finn. — E cale a boca, não estou a fim de escutar sermão de uma ave.
- POKOPO-POKOKO-POKOLOKOKO! — tradução: "Tome bastante cuidado, mocinho ! Eu posso ser uma galinha ordinária, mas eu posso quebrar sua cara ! E, só porque disse isso, eu vou cagar pela sua cama inteira hoje!"
- O que está dizendo, você não pode cagar ! — berrou Finn.
- POKO-KOKO... — tradução: "Bom, eu... eu posso... eu... ah, cale a boca, humano. Sua insignificancia me desgraça. E fique sabendo que, quando as galinhas dominarem o mundo, eu vou te nomear meu escravo sexual! SEXUAL!"
- Eu preciso me tratar. — disse Finn, enterrando o rosto em uma almofada e tampando os ouvidos com as mãos.
*
- Rachel, que horas dizia que o ônibus estaria aqui ? — perguntou Santana.
- Nove horas. — respondi.
- São oito e quarenta e alguém acabou de acender um baseado. — completou Puck. — E eu nem sei se isso aqui é mesmo uma rodoviária.
- Rachel, você dê um jeito, porque eu estou congelando e se ficar um pouquinho mais frio, acho que meus mamilos vão rasgar minha blusa. — resmungou Santana. Puck abafou o riso. — Ótimo dia para não usar sutiã.
- Você pode usar o meu casaso. — disse Puck, entregando o casaco a ela. Eu morri de vontade de fazer "aaaaaaaaaah", mas me contive.
- Obrigado. — ela respondeu, baixinho. — PORRA, RACHEL, ONDE ESTÁ SEU NAMORADO IDIOTA E O CARALHO DO NOSSO ÔNIBUS ?!
- Sabe, gritar e me xingar não vai resolver. — eu disse. — Às vezes, você tem que usar psicologia reversa para resolver nossos problemas.
- REVERSA VAI FICAR A SUA CARA DEPOIS QUE EU QUEBRAR VOCÊ EM TRÊS ! — gritou Santana. — Estou com tanto frio que nem consigo te insultar direito.
- Deixa comigo... — disse Puck, dando um passo a frente. — ...você é uma vadia egoísta, desesperada e louca por sabonetes decorativos ! Assim está bom ?
- Ah, que gentil da sua parte.- disse Santana, sorrindo.
- Eu vou ligar para ele. — disse, pegando o telefone. Disquei o número de Mark e esperei alguns minutos. — Alô ?
- "Rachel, onde você está?" — ele perguntou, do outro lado da linha.
- Na rodoviária, esperando por você e pelo ônibus ! — gritei.
- "Uh, nesse caso, tenho uma má notícia." — ele disse.
- VOCÊ FOI EMBORA SEM NÓS ? — perguntei, gritando. Li os lábios da Santana fazendo os movimentos "eu vou te esganar".
- "Ahn... eu tenho duas más notícias, então." — ele disse, suspirando.
Após dez minutos de conversa, lá se foi minha esperança de um relacionamento sério. Pelo telefone.
- Isso foi humilhante. — disse, desligando o telefone e sentando no meio-fio da calçada. Olhava, do outro lado da rua, um grupo de adolescentes fazer uma boca de fumo. — Eu vou achar o amor algum dia ?
- Você não vai achar, porque você não precisa procurar. — disse Puck, sentando no meio-fio ao meu lado e me abraçando. — Ele já está do seu lado, apenas esperando.
- Eu sentaria no chão ao seu lado, Rachel, mas está tão frio que não consigo sentir minha bunda. — disse Santana, tremendo. — Vamos para casa, por favor...
- Não temos mais dinheiro para o táxi. — disse, encolhendo o corpo e abraçando os joelhos. — Vamos ter que sobreviver aqui até morrermos.
- Ou... podemos ligar para o Finn e pedirmos para que ele venha nos buscar ? — disse Puck, meio nervoso. — Vem, levanta.
- Não. — disse, destemida. Eu encontro as horas mais inapropriadas para dar uma de corajosa. — Eu não quero a ajuda do Finn. Não preciso dele. Vou dar meio jeito de chegar em casa sozinho.
- Acho que o bordel já fechou essa hora e que, no frio, os clientes ficam meio "tímidos", se é que me entende. — disse Santana. — Eu vou ligar para o Finn. Se quiser, fique aqui e morra de frio.
*
No exato momento em que Finn chegou de carro, começou a nevar. Coloquei o capuz do casaco para me proteger da neve.
- Ora, ora, ora... — disse Finn, ironicamente. — ...o que os três estão fazendo aqui ? Achei que não precisavam mais de Finn Hudson e que poderiam se virar sozinhos mesmo...
- PÉSSIMO HORA, FINN ! — gritou Santana, correndo para o quarto. — Eu ficaria aí fora e gritaria com você mas um pouco, mas estou congelando e vou fechar os vidros porque quero evitar... sabe, todo o constrangimento.
- Nós não viajamos e a Rachel acabou de terminar com o namorado. — disse Puck. — Faça graça disso, campeão.
Puck também entrou no carro e fechou a porta.
- Desculpa. — disse Finn, sentando-se no meio-fio ao meu lado. — E-eu não sabia... você está bem ?
- Estou ótima. — disse, afastando as mãos dele de mim quando ele foi me abraçar. — Não preciso da sua ajuda. Não deveria estar me consolando, deveria estar feliz. Não era isso que você queria ? Me ver solteira para sempre ?
- Não é isso, Rachel... — ele disse. — ...olha, esse chão de concreto é como o inferno gelado, então, será que podemos ter essa conversa no carro ?
- Nós não vamos ter conversa nenhuma. — disse. — Todo esse tempo que eu estive aqui. Eu refleti direito sobre o que eu devo fazer conosco...
- E...?
- Eu vou me mudar.
- O que ?! — perguntou Finn, incrédulo. — Você não pode se mudar, Rachel, não pode.
- Por que ? — perguntei. — Eu realmente preciso explicar ?
- Rachel, eu te amo. — disse Finn. — Era isso que queria ouvir ? Queria me ouvir admitindo que eu ainda sou... vamos dizer "moderadamente" apaixonado por voce ? Então, aí está. Apenas, por favor, vá para casa e eu deixo você se mudar para qualquer lugar que quiser. Quer morar debaixo de ponte, vai fundo !
- Obrigado. — eu disse. — Anda, vamos para casa. Eu tinha preparado um dedo do meio para você, mas está tão frio que não consigo tirar meu dedo da posição. Ugh...
*
De volta no apartamento, no dia seguinte, na manhã seguinte...
- Você acha que aqueles dois vão se acertar ? — perguntou Puck à Santana.
- Não sei. — ela disse, folheando nossas cartas. — Um novo catálogo da Ralph Lauren ! Toma, o resto é lixo.
- Ei, é uma carta da mãe da Rachel. — disse Puck, abrindo-a. Lembre-me de ficar irritada com ele por isso. — Está dizendo que ela virá para Nova York na semana que vem visitar a filha.
- NÃO ACREDITO ! — gritou Santana.
- Nem eu... — disse Puck.
- Dá uma olhada nessa liquidação ! Tudo por apenas 29,90 ! — ela disse, e Puck tentou não rir. — Ah, o que você estava dizendo sobre a mãe da Rachel e tal ?
- Ela está vindo para a cidade. — disse Puck, pensativo. — Nossa, ainda me lembro da época que ela costumava distribuir cigarros na sala de aula...
- Ah, Shelby ? — perguntou Santana.
- Qual outra mãe da Rachel você conhece ? — perguntou Puck.
- As coisas vão esquentar. — disse Santana. — Da última vez que a Rachel viu a mãe, ela estava com o antigo namorado dela, e as duas nunca mais se falaram desde então.
- É estranho eu ficar excitado com isso tudo ? — perguntou Puck, meio culpado.
- Seria estranho se você não ficasse !
*
No próximo capítulo de Apartamento 23 — Final de Temporada
- Eu estou indo embora. — disse Finn.
- Para onde ? — perguntei, sentindo um aperto no coração.
- De volta para minha terra natal. — ele disse. — Eu acabei de receber a notícia de que fui demitido, então vou passar uns três meses lá.
- Três meses ? — perguntei. — Não pode ficar fora por três meses.
*
- O que eu estou fazendo...? — perguntei. Santana e Puck me encaravam curiosos. — Eu amo ele... e ele está indo embora.
- VAI ATRÁS DELE ! — gritou Puck. — QUE MERDA, GAROTA, VAI ATRÁS DELE !
*
- O Finn nunca parou de te amar, Rachel. — disse Puck. Eu olhava a janela, a chuva cair do lado de fora, e me sentia mais culpada ainda. — E acho que ele nunca vai parar.
- Mas agora ele vai embora e vou ficar três meses sem vê-lo. — disse, me esforçando para não chorar.
- Isso depende de você.
*
- EU ESTOU MUITO EXCITADA ! — gritou Santana. — N-não do jeito sexual, do outro jeito.
- Vamos atrás dele. — eu disse. Puck e Santana se levantaram do sofá no exato minuto. — Não acredito que vou perseguir o Finn em um aeroporto...
*
- Eu me sinto como em um programa policial ! — disse Santana.
- Você tá chapada ? — perguntou Puck.
- Você nem imagina.
Em breve... Apartamento 23, final de temporada. No computador mais próximo de você.
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