Apartamento 23
2 2- And Rachel's Birthday
Notas iniciais
São 4:18 da manhã.
É impressionante, mas minhas idéias fluem mais à noite, melhor, de madrugada.
Enfim, aí vai !
Meu nome é Rachel Berry. Ontem eu presenciei um castigo bíblico na minha vida. Meu emprego não era o que eu pensava e meu companheiro de quarto se mostrou um verdadeiro vadio. Ele estava fazendo uma festa ontem. E ontem era uma terça-feira. Mas a vida tem muitos obstáculos. E eu, como uma pessoa da vida, estou superando.
- Quantas calcinhas e cuecas eu vou ser obrigada a catar ? — eu disse, caminhando pelo corredor, com um cesto em mãos cheio de roupas íntimas da festa de ontem à noite. São sete da manhã, só para constar. Fui até a cozinha e abri a geladeira. Surpresa ! Outra calcinha. — Como raios isso veio parar aqui ?
- Bom-dia. — disse Finn, me dando um susto. Me virei para encará-lo, ele estava de óculos escuros, óbviamente de ressaca. — O que faz acordada tão cedo ? Indo trabalhar ?
- Ah, nem me lembre disso ! — eu gritei, mostrando-lhe o cesto cheio de roupas íntimas. — E, por favor, cate sua sujeira !
- Pode me dar uma carona ? — ele perguntou, enquanto eu corria para o quarto me trocar. Escutei seus passos caminhando pelo corredor e entrando no meu quarto. — Preciso ir até a Pottery Barn trocar esses lençóis que eu... comprei.
- Eu não tenho carro ! — eu disse, irritada. — E, pode me dar licença que eu quero me trocar !?
- Minha querida, nós agora somos companheiros de quarto ! Acostume-se com a intimidade ! — ele disse, tomando café da canequinha que carregava. — Aliás, quer olhar a tatuagem dos Muppets que eu fiz na minha nádega esquerda ?
- Ah, não, por favor, não. — eu disse, abrindo meu guarda-roupa e procurando por roupas de trabalho. — O que eu tenho que vestir para fazer a contabilidade de uma empresa que fabrica pão ?
- Primeiro, fique chapada. — ele disse, bebendo mais da sua canequinha. — Quer um pouco ?
- Isso é café. — eu disse, encarando-o.
- Quem te disse ? — ele riu. Não consegui segurar e ri também. — Segundo... quem se importa ? Você vai estar chapada, não vai nem ligar o que vai estar vestindo ! E se vai estar vestindo !
- São sete horas da manhã. Como você consegue estar bebendo às sete horas da manhã ? — eu perguntei.
- É como meu livro diz. Abre aspas "Nada melhor para curar ressaca do que continuar bêbado", fecha aspas. — ele disse, com tom filosófico. — E é assim que eu vivo.
- Espera, você escreveu um livro ? — perguntei, curiosa. — Há tantas coisas sobre você que eu não conheço ! Sinto que nós precisamos ficar mais próximos.
- Eu posso me esfregar na sua perna feito um cachorro. — ele disse, sorrindo. — Isso é próximo o suficiente ?
- Estou dizendo que deveríamos conhecer um pouco mais de nós dois. — eu disse, enquanto me vestia. Já nem reparava na presença de Finn no meu quarto. — Conte-me mais coisas sobre você que eu não sei.
- Eu sou da máfia. — ele disse, com tom distraído. — Eu minto sobre a minha idade. Eu vivo bêbado. Eu dou festas quase todos os dias. Minha vida é uma loucura. Sou alérgico a amendoim. Nossa, sinto como se nós fossemos praticamente casados !
- Haha ! — eu ri. — Explica isso direito.
- O que ? A parte da máfia ? — acenei positivo com a cabeça. — Bom, é simples. Eu estava andando pela rua e uns caras de terno vieram e me deram uma surra. Entrei em uma sociedade secreta e tive que decorar uma frase que, dizem eles, consegue desligar qualquer computador que estiver perto de mim.
- E que frase seria essa ? — perguntei, enquanto me olhava no espelho. Eu estava simplesmente fabulosa para alguém que trabalha no ramo da contabilidade do pão.
- Desculpa, mas eu não posso dizer. — ele disse, levantando-se e saindo. — Ou vou sem querer desligar você.
- Que horrível de se dizer ! — eu disse, saindo do quarto em seguida. — Ainda não acredito que tive que pegar essas roupas da caçamba de um caminhão de lixo ! Por que você jogou minhas coisas fora, na verdade ?
- Você tem um péssimo gosto. — ele disse, curto e grosso. — É como se uma menininha de quatorze anos cruzasse com uma senhora louca por gatos de quarenta. Olha ao redor ! Estilo. Olha para a suas coisas. Senhora louca !
- Eu não decoro como uma senhora que adora gatos... — eu disse, pensativa. — ...ou decoro ?
- Mas é claro que decora. — Finn disse, derramando um pouco da garrafa de vodka em sua canequinha. — Hmmm... agora que eu estou pensando, cometi um erro jogando suas coisas foras.
- Obrigado. — disse, sentindo como se conseguisse arrancar um pouco de humanidade de Finn.
- Eu poderia ter tentado vender aquela porcaria. — ele disse, acabando comigo. — Mas, enfim, nem um brechó ou uma senhora louca por gatos gostaria daquilo !
- Argh, Finn... — eu murmurei.
- Ei, Rachel... — ele me chamou a atenção. — ...não faça planos para hoje à noite, tudo bem ?
- Por que...? — perguntei, curiosa. Mas Finn não me respondeu. Ele já havia deixado o apartamento quando eu procurei por ele. Bom, estava atrasada. E pegar uma condução em NY não deve ser nada fácil.
*
- Srta. Berry ! — me chamou Tina, minha provável chefe. — Está atrasada ! Você sabe que eu sou asiática ! Asiáticos nunca se atrasam ! Consequentemente, eu odeio atrasos !
- Desculpe, tudo bem ? — eu disse, irritada, jogando minha maleta profissional na minha mesa no escritório de Tina. — Eu demorei trinta e dois minutos para pegar um ônibus e podia ter certeza de que havia esse cara gordo esquisito cheirando minhas axilas !
- Estou brincando, minha querida ! — ela riu, mas gargalhou mesmo. — Eu sou toda bem astral !
- Dá para perceber... — eu murmurei.
- Enfim, meus parabéns ! — ela disse, vindo na minha direção e me abraçando forte. Dei umas batidinhas nas costas dela. — Deve estar se debulhando em lágrimas agora que está fazendo 25 anos.
- É mesmo ! — eu quase gritei, desesperada. Eu realmente havia esquecido ! Hoje é meu aniversário ! Parabéns para mim ! — O-obrigada, eu acho.
- Planos especiais para hoje à noite ? — ela perguntou, me dando uma cutucada discreta. — Se não, por apenas cinquenta pesos eu posso te levar à uma boate de asiáticos mexicanos que fazem strip-tease ! Está afim ?
- Desculpa, eu mal tenho dinheiro, como vou ter pesos ? — que, por acaso, é dinheiro de sei lá aonde. — Será que eu posso sair mais cedo hoje ? Acho que talvez possa ter uma surpresa em casa esperando por mim.
- Mas é claro, minha querida ! — ela disse, animada. — Só não tire proveito da minha bondade, ok ? Eu sou asiática, isso quer dizer que eu tenho relações com ninjas, isso quer dizer que eu carrego uma faca !
Eu lhe dei aquele olhar desconfiado.
- Estou brincando ! HAHAHAHAHA ! — ela riu, histérica. — Não. Eu não estou. Eu também carrego spray de pimenta. Esse mundo é perigoso, minha querida.
Eu ri. Hoje é meu aniversário e eu esqueci. Novamente, eu irei citar. Meu nome é Rachel Berry. Antes de vir para Nova York, eu era cheia de sonhos. Imaginava que cantaria e viveria a vida mais feliz que eu esperava mais não. Eu esqueci do meu próprio aniversário, moro com um vadio bêbado e trabalho contando um mais um é igual dois.
Eu provavelmente ainda vou remoer isso por muuuuito tempo.
*
Cheguei em casa animada. Não escutava música, talvez todo mundo estivesse escondido e quando eu entrasse, todos me surpreenderiam com um "Surpresa!" bem alto. Girei a maçaneta da porta, apreensiva.
Silêncio.
- Mas o que ? — olhei ao redor. A única coisa que vi foi o amigo de Finn deitado, dormindo no nosso sofá. — FINN ! FINN !!
- Olá ? — ele veio até mim, apenas de cuecas, e um chapéu festivo na cabeça. — Rachel ! Chegou cedo !
- É porque eu pedi para sair cedo ! — eu disse, irritada. Esse desgraçado me fez pensar que ele me faria um festa surpresa ! — Você... HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO !
- Parabéns ! — ele disse. — Nós acabamos de voltar de uma festa. Não se preocupe, é só mais um coma alcólico dele. Joga um pouco de água gelada e bate nele com o taco de baseball e tá tudo bem.
- VOCÊ ME FALOU PARA LIMPAR MINHA AGENDA A NOITE ! EU, POR ACASO, ESTAVA ESPERANDO UMA FESTA SURPRESA OU PELO MENOS UM BOLO DE ANIVERSÁRIO ! — eu gritei.
- De onde você tirou esse pessimismo, garota ? — ele perguntou, me olhando desconfiado e jogando água em Puck, deitado no sofá. — Nós podemos sair e fazer alguma coisa se você quis-
- Eu vou deitar ! — disse, deprimida. Corri até meu quarto e me joguei na cama. — Que vida mais idiota... hoje é meu aniversário, e nem uma ligação eu recebi. Como poderia ? O imbecil do meu companheiro de quarto jogou meu telefone fora. Não acredito que esqueci de pegar. E minhas roupas cheiram a lixo. E pão !
Fechei os olhos lentamente. Talvez se eu dormisse, acordaria desse pesadelo de vida.
*
- Rachel, Rachel... — disse Finn, empurrando meu corpo. Levantei com um susto. Encarei-o curioso, Puck estava do seu lado. Ambos estavam apenas de roupa íntima e Puck usava um sombrero. Ele carregava uma caixa. — ...eu comprei um cheesecake pra você. Ontem, quando você estava tagarelando no meu ouvido, eu prestei atenção.
Ele me mostrou a torta e com uma velhinha em cima.
- Isso é tão legal, pessoal. — eu disse, assoprando a velhinha. — E, desculpe-me por ter agido feito uma vadia louca mais cedo. Acho que é todo o pão que eu ando comendo no trabalho.
- Talvez, talvez... — disse Finn. — ...ainda temos uma festa para ir. Cada um precisa de levar um pé esquerdo de sapato, mas isso é para alguma brincadeira pervertida sem noção. Enfim, quer ir conosco ?
- Obrigado, mas eu acho que vou ficar em casa, comer meu cheesecakes, e assistir Friends na televisão. — murmurei, cansada.
- Você está precisando transar. — disse Puck.
- Puck ! Não diga isso assim ! — falou Finn, repreendendo ele. — Então, Rachel... você está necessitando... copular com outro macho disponível.
- OBRIGADA, MAS SAIAM DAQUI ! — gritei, os dois riram e sairam. — Bom, talvez minha situação não seja tão ruim.
Fui tirar a velhinha do bolo para comê-lo. Surpresa. BOOM ! E foi bolo para todo lado.
- Aqueles... — respirei fundo e tirei o bolo dos olhos. — IDIOTAS !
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