Apaixonada Pelo Garoto Nerd- Ciriquina

5 Capítulo 5 Superlativo Absoluto Part 3


Notas iniciais
Boa Leitura

— Valéria! — Puxo minha amiga de canto e sussurro para ela : acabei de ter uma grande idéia!

— Não teve, não — minha amiga já me repreende e lança aquele olhar desconfiado, seguindo de um sorriso nervosismo.

—Tive, sim! — Ergo as duas sobrancelhas esperando que ela se explique.

— Teve, não! — Valéria insiste como criança e me puxa mais de canto. — Sempre que você tem " grandes idéias ", elas são as piores e nos colocam em encrenca — ela diz, fazendo o gesto de aspas com os dedos.

—É uma boa idéia, eu te garanto! — Coloco as duas mãos na cintura. Quando ouvir o que eu tenho a dizer, ela vai concordar cem por cento comigo e logo farei a pose da vitória. — Vou pedir aulas particulares a Cirilo Rivera!

— Tá maluca? Nem pensar! — Valéria puxa meu braço com força e me tira o mais depressa dali, andando rápido até nosso lugar na classe.

Minhas passadas têm de ser até maiores do que o normal, batendo forte meus sapatos Schutz cor-de-rosa ( para combinar com minhas unhas ). Eu protesto, puxando minha mão :

— Aí, para, Valéria. Qual o seu problema?

— Você não pode pedir aulas a Cirilo Rivera! — Valéria vira para mim com o dedo indicador pinicando meu nariz.

— Por que não? — Bato na mão dela, para afastá-la. — Ele não é um gênio da matemática como a Srta. Suzane vive nos lembrando?

— Ele é.

— Então!

— Maria Joaquina, você perdeu a cabeça? Cirilo Rivera te odeia.

— Besteira. — Afasto a idéia abanando uma das mãos. — Ele me chamou para o baile ano passado.

Apesar de ser verdade, Valéria cruza os braços da forma como ela sempre faz quando contrariada, empurrando o quadril para a esquerda.

— Por acaso se esqueceu de como foi?

— Er...- hesito

Na verdade, eu me lembro de Valéria jogar minha bebida nele, mas não dei muita bola para Cirilo Rivera na época. Ele é Nerd. Ninguém anda com Nerds a menos que queira um suicídio social ou um favor acadêmico. Ponto

— Não...- Não tenho certeza. O jeito com que Valéria me olha me faz pensar que deixei escapar um grande detalhe nisso tudo.

— Não? — Valéria, surpresa com minhas palavras, perde a pose de rainha da razão descruzando os braços e estendendo a mão, como se abrisse caminho. — Bem, então vá lá, Maria Joaquina. Tente a sorte!

— Pois bem. — Giro o corpo e me coloco de frente para a porta novamente. Posso ver Cirilo ainda por ali, conversando com um garoto japonês, baixo e magro.

Passo as mãos nos cabelos, ajeitando-os nos ombros. Percorro com a língua os dentes, para limpá-los, e abro um sorriso enquanto dou passos firmes na direção de Cirilo, que está de costas para mim. Cutuco-lhe o ombro, onde está a alça da mochila verde exército caindo aos pedaços, o bolso da frente rasgado, preso com alfinetes. Alguém o avise que isso é nojento!

Cirilo vira a cabeça na minha direção, rindo de alguma piada que o magricelo japonês contou, e quando seus olhos intensos cruzam com os meus, o sorriso fofo desaparece.

— O que foi? — Ele me pergunta

Direto ao ponto. Ok. Eu posso lidar com isso. Continuo sorrindo, para mostrar que não estou nada abalada com a surpresa que ele forçou ao me ver , jogo a mecha do meu cabelo do ombro para trás e inclino um pouco a cabeça para o lado. Assistam a todo o meu poder de sedução! Eu sempre consigo o que eu quero.

— Oi Cirilo, tudo bem? — pergunto. O japonês magricelo arregala os olhos amendoados o máximo que a genética lhe permite e as bochechas cheias de acnes ficam rosadas. Awn, eu o deixei sem graça, que fofo. Ele e Cirilo ficam sem palavras diante de minha magnitude. Ouso me aproximar um pouco e tocar a lapela da jaqueta jeans de Cirilo, brincando com um botão. — Eu estava pensando, você tem planos para sexta?

— Sexta? — Cirilo pisca algumas vezes sem compreender minhas palavras. — O que tem sexta?

Oh, tão inocente. É incrível como Nerds caem sempre na mesma conversa de filme clichê americano. Aposto que ele pensa que vou chamá-lo para sair, e quando perceber que é para estudar, ficará tão surpreso que só lhe restará concordar com qualquer coisa que eu diga.

— Estava pensando, nós poderíamos... Estudar juntos matemática. Preciso tirar dez na prova.

Cirilo dá risada, mas bem rápido, como se não pudesse acreditar em mim. Pelo tom de seu riso, sei que não é felicidade, pois soa mais como um deboche.

— Você só pode estar brincando comigo. — Cirilo toca o canino com a ponta da língua. Não sei se ele faz isso quando se diverte ou quando perde o juízo, mas é engraçadinho.

— Er... Não. Eu realmente preciso de nota.

— E no topo da sua genialidade resolveu pedir ajuda justo para mim?

— Uhum. Você é o cara mais Nerd que conheço. — Opa, eu não devia ter dito isso. Melhor eu consertar : — O cara mais inteligente que eu conheço.

— Não vou estudar com você — levemente balança a cabeça em um não .

Fecho meu sorriso e abro bem os olhos indicando surpresa. Como assim? Será que ele não entendeu a gravidade da minha situação aqui?

— É sério, preciso de nota ou vou repetir de ano e meus pais vão me mudar de colégio.

— É? Que pena! — Não parece que ele realmente se importa, porque soa sarcástico com um pequeno sorriso no rosto.

Olho para o japonês amigo dele, que segura a risada com a mão. Eles estão debochando de mim. Cirilo Rivera quer me ver implorar ajuda. Garotas como eu não imploram. — Se você não quer ajudar, pedirei para outro Nerd .

— Garota, nenhum outro aluno enquadrado na sua tão aclamada etiqueta " Nerd " vai ajudar você — Cirilo diz. Ele fez aspas na palavra Nerd, talvez ofendido.

— Ah, é? Pois fique sabendo que, ao contrário de você, existem Nerds morrendo por uma chance de estudar comigo. — Cruzo os braços.

Pronto! Agora, ao perceber que fez besteira, ele vai voltar atrás na decisão antes que eu dê chance a outro idiota de me ajudar .

Cirilo faz aquilo com a língua e o canino de novo. Acho que é perplexidade; ele está com as duas sobrancelhas erguidas, escolhendo as palavras. Eu mantenho meu sorriso de vitória.

— Isso é porque eles não sabem que você é uma oportunista — ele sentencia segurando as alças da mochila. — Mas não se preocupe, como eles são todos meus amigos, vou avisá-los de que fiquem longe de uma víbora como você.

O japonês dá risada.

Ele me chamou de víbora? Oh. Meu. Deus. Valéria tem razão : Cirilo Rivera me odeia! Eu posso ver todo o ódio dele por mim como dois feixes lasers saindo de seus olhos.

— Você não pode estar falando sério.

— Estou falando no grau superlativo absoluto de sério.

— Quê?

Cirilo revira os olhos.

— Significa " seríssimo " — o japonês explica

Bom, já que ele vai dar uma de professor, talvez queira a vaga de Cirilo como meu professor particular. Estendo a mão para ele.

— Maria Joaquina Medsen, muito prazer.

— Ko-Kokimoto — Ele segura minha mão e fica de bochechas vermelhas.

Irc. A mão de Kokimoto está um pouco úmida do nervosismo de tocar em mim, e eu rapidamente encerro o cumprimento, secando a mão na calça jeans.

— Bem k-Kokimoto, preciso de um professor particular de matemática. Interessado?

— Não, ele não está — Cirilo se intromete

Eu Reviro os olhos

—Não estou?- Kokimoto olha com espanto para Cirilo, que comprime os lábios e balança a cabeça em negação. — Oh! É então, não estou interessado, não.

Olho para Cirilo também com espanto, meu queixo caído. Ele estava mesmo falando em grau "ultralativo ", não, pera,"superabsoluto ",não... Ah, tanto faz.

—Mais alguma coisa? -Cirilo me pergunta. Kokimoto está de braços cruzados.

Percebo que estou sobrando. Estreito os olhos com raiva e viro as costas ,voltando para a classe. Valéria me espera já sentada em sua cadeira

—E então, como foi?

— Você tem razão, Cirilo Rivera me odeia -respondo enquanto me sento. — Ele não vai me ajudar e dirá para todos os amigos Nerds dele que não é para ninguém me ajudar também. Foi humilhação pública.

—Xiii, e agora, amiga?

—Vou pensar em alguma coisa.isso não vai ficar assim-profetizo.

Ninguém mexe com a abelha rainha e sai ileso sem uma picada.

Notas finais
Pois é Maria Joaquina parece que Cirilo não é mais babão como você achava. O que será que ela vai aprontar contra o Cirilo? E ele será que vai mudar de idéia e ajuda-lá? Isso veremos no próximo capítulo Beijos e Tchau